Modern Magic - Interativa
17 Capítulo 17
Notas iniciais
Vergil já havia batido pela décima quinta vez quando a porta finalmente deslizou. O quarto estava escuro e gelado, como da última vez que ele estivera ali, a diferença era que desta vez Fleur estava minimamente vestida. Ela usava um moletom azul que só deixava os dedos e as unhas expostas e, estranhamente, shorts. Só de olhar pro rosto dela ele teve certeza de que ela acabara de acordar e um sorriso presunçoso surgiu em seus lábios ao vê-la ainda meio cambaleante.
– Precisava bater tanto? – a voz delatava que ainda não estava cem por cento acordada.
– Não. – ele deu ombros.
– Acidez nesse nível logo cedo? – ela indagou. – Acho que faz mal. E vem cá, por que você fez o favor de me acordar de madrugada mesmo?
– São quase onze da manhã.
– Exatamente. O dia começa depois das uma da tarde. – esse comentário o fez revirar os olhos de uma maneira debochada, o que ela claramente ignorou.
– Você me pediu para vir, esqueceu? – ele continuava debochando dela enquanto podia.
– Ah, esqueci que prometi te dar aulas. Para o caso de você estragar tudo acidentalmente. – ela deu ombros.
– Como se eu fosse fazer isso. – ele rebateu.
– A probabilidade de você saber atuar bem é tão inerte quanto a do Josh me apagar numa competição alcóolica. – ela zombou. – Aposto minha coleção de lingeries que você parece um robô. – ela se jogou na cama. – Comece quando quiser.
– Meu nome é Anthony Carter, tenho vinte e cinco anos e me casei há pouco mais de um mês. – ele recitou mecanicamente. Fleur estalou a língua e balançou a cabeça em sinal de desaprovo.
– Com essa, você me deve duas. Com mais emoção! As pessoas não vão acreditar em você assim. – ela criticou enquanto fazia um rabo de cavalo com o cabelo ainda um pouco bagunçado. – Tente assim. – ela endireitou-se, falando calma e gentilmente. – Prazer, me chamo Lilian Carter, tenho vinte e três anos e sou a mulher mais feliz do mundo a exatos um mês e onze dias.
Ela dera um sorriso tão gentil e acolhedor, que se ele não a conhecesse há seis anos, teria realmente acreditado em sua atuação. O incrível era que apesar de seus dezessete, ela conseguia realmente parecer mais velha. Ele nunca chegaria a admitir em voz alta, mas ela era uma excelente atriz.
*
– Não mesmo. – Risuka falou com convicção. – Prefiro assistir um documentário sobre a vida e a reprodução das cobras até meus olhos sangrarem a ir à algum lugar com esse idiota.
– Mas... – Josh procurava desesperadamente uma maneira de convencê-la.
– Nada de “mas”. Eu não vou. Ponto. Me recuso.
– Ma-mas...
– Qual foi a parte do: “Eu não vou” que você não entendeu meu caro projeto de poste?
– Só que...
– Encontre outra pessoa. Eu simplesmente não vou andar por ai com o Brachmann. É pedir demais.
– Seja razoável... – ele pediu com um biquinho.
– Seja razoável você! Faz ideia do que está me pedindo? É a mesma coisa que lhe pedir pra ver a Fleur se agarrando com o Vergil, você não iria querer de jeito nenhum.
– Você tem razão, mas...
– Mas nada. Arranje outra pessoa, fim de papo. – ela deu as costas para ele e saiu pisando duro.
– Mas não é só ele! – Josh gritou. Ela virou-se lentamente.
– Como assim não é só ele? – não precisava ser um gênio para dizer que ela estava irritada.
– Eu estava tentando te dizer que você pode levar mais alguém com você, já que sua missão não é fixa. – ela inspirou profundamente, enfurecida. – E não adianta dizer que eu não tentei avisar, por que eu tentei. – ele falou na defensiva.
– E quem seria essa pessoa? – ela perguntou cruzando os braços.
– Sua outra colega de quarto. O Frank achou que você se sentiria mais a vontade se estivesse acompanhada de uma amiga. – ele deu ombros.
*
– Admita senhor “Eu sei para onde estamos indo”, nós estamos perdidos. – falou Myra colocando os pés no banco a sua frente enquanto Di virava o mapa de todas as maneiras que a cabine do trem permitia. – De dez vezes em que você planejou a rota nesse mês de viagens, em nove nós nos perdemos.
– A vez em que ele acertou nem conta. O restaurante ficava de frente para o hotel. – Risuka riu acompanhada de sua amiga.
– Dá para vocês ficarem quietas? – ele perguntou.
– Sinceramente, não. – Myra falou jogando uma caixa amassada nele.
– Eu não consigo me concentrar. – o albino reclamou. – É por isso que eu não consigo acertar a rota.
– Já notou que a culpa é sempre nossa? – Risuka prendia o cabelo num rabo de cavalo. – Por que não tenta procurar o problema antes em você?
– Isso é por que...
– ...se você não calar logo a maldita boca e nos colocar na rota certa eu te jogo pela janela. – Myra estava completamente sem paciência, se ela já achava que aquele alemão ridículo era irritante antes, agora queria mergulha-lo num tanque de mel e depois jogar dez colmeias de abelhas na cabeça dele.
– Humpf... – ele revirou os olhos. Depois de duas semanas de viagem com aquelas duas, ser agredido física e verbalmente havia virado rotina.
– Me dá logo esse maldito mapa logo seu projeto de Neanderthal. – Di pretendia negar, mas ao ser pego inquirido pelo aquele par de olhos arroxeados ele se viu sem escolha. Aprendera que não era vantajoso comprar uma briga com a pequena atiradora.
Era ruim entrar numa discussão com a garota de cabelos azul-platinados, mas pior ainda era entrar numa com a de cabelos azul marinho. No primeiro caso, ele levava uma surra verbal enquanto no segundo ele acabava todo roxo. Myra parecia sentir algum tipo de prazer em espanca-lo.
No final das contas, acabaram contatando a base e eles os mandaram para uma cidade não muito longe da estação. Se tudo desse certo, teriam uma noite agradável.
*
– Aya, pelo meu, pelo seu, pelo bem da nação, não tente cozinhar sozinha novamente. – falou Maya enquanto se levantava depois de vomitar pela terceira vez. A mais nova não havia sofrido nada, talvez por ter sido ela mesma a preparar a refeição indigesta ou talvez por mera sorte. – Eu nem vou pro trampo amanhã depois dessa.
– Desculpe. – Amaya estava decepcionada. Tanto por ter causado um problema para Maya quanto por não ter conseguido fazer uma mera macarronada. Maya ainda estava se levantando quando ouviu a campainha tocar. Foi atender, já que já passava das dez. Que tipo de pessoa sem noção vem ao apartamento alheio a essa hora?
– Sim? – ela perguntou ao apertar o botão do interfone.
– É bom que você tenha como abrigar três pessoas ou essas loucas vão me jogar pela janela, de novo. – ela reconheceu a voz de Di. O que ele estava fazendo ali? E o mais importante, quem o jogaria pela janela?
– Ah não. Ele está com a Risuka e a Myh. – Amaya falou.
– Como você sabe? – Maya perguntou curiosa.
– Elas são as únicas pessoas que eu conheço que seriam capazes de jogar alguém pela janela sem nenhum remorso. Principalmente se essa pessoa for o Brachmann.
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