Modern Magic - Interativa
16 Capítulo 16
Notas iniciais
Maya caminhava pelos corredores relendo a folha que trazia sua missão. Não era todo dia que te mandavam numa missão de espionagem. Esse era geralmente o tipo de trabalho designado a Connor, principalmente por precisar ser rápido e discreto. Ela estaria bem menos atordoada se a missão não fosse de prioridade imediata, ou seja, se não tivesse de encontrar sua dupla e ir agora. Não que ela estivesse com medo, afinal ela tinha uma tombo por adrenalina, mas pelo que ela entendeu, as coisas estavam ficando agitadas no mundo lá fora. Depois do pequeno massacre que acontecera há três meses atrás na iniciação, o governo tinha ficado muito mais agitado e rolavam boatos que estavam preparando algo grande.
A pior parte era ser usada de pombo correio. Ela ainda tinha de entregar missões para Adam e Risuka. Por que aquele desgraçado não fazia aquilo ele mesmo? A bunda dele já devia estar quadrada de tanto ficar sentado. Ela estava indo para seu quarto quando viu Vergil parado a porta de Fleur. Ela passou sem falar nada, mas quando teve certeza de que ele não a ouviria ela explodiu em gargalhadas. Ele só podia estar pedindo para pegar uma gripe, por que ela ia congela-lo.
*
Amaya estava tomando seu banho quando ouviu o quarto ser invadido por alguém muito barulhento porém animado. A pessoa em questão estava procurando por ela, o que foi bem estranho. Sem pressa ela terminou de se banhar e saiu enrolada numa toalha. Ela ouvira uma voz feminina, por isso não estava exatamente preocupada com a possibilidade de sair e acabar morrendo de vergonha.
A situação era no mínimo estranha. Maya estava deitada em sua cama, Risuka olhava para uma folha de papel com aquela cara de “Você só pode estar brincando comigo” e Myra ainda estava no vigésimo sono. A morena ficou com cara de interrogação até que Maya a percebesse ali.
– Vamos, vamos! Vista uma roupa, temos trabalho a fazer! – ela disse empolgadamente.
– Trabalho? – Amaya ainda estava confusa.
– Sim, trabalho, missão, chame como quiser. – ela falou gesticulando com a mão.
– Agora?
– Não, ontem. – ela ironizou. – Claro que é agora! – ela estava visivelmente apressada.
Amaya foi pegando uma roupa e foi para o banheiro se trocar. Ainda não tinha entendido a urgência, mas do jeito que Maya falava era melhor andar rápido. Em menos de cinco minutos ela já havia vestido um short, uma blusa e sua jaqueta de couro.
– Pronto. Mas se importaria de explicar o que está acontecendo aqui? – Amaya perguntou.
– No caminho. – Maya prometeu.
– No caminho uma ova. – reclamou Risuka. – Pode ir enxugando o chão que você molhou dona Amaya, ninguém aqui é sua empregada não. Você só sai depois que o chão estiver do jeito que estava antes.
Amaya pegou um pano e começou a enxugar a contragosto. Era bem capaz de Risuka arrancar seus dois rins e vender no mercado negro se ela não sumisse com aquela poça.
– Pode ir falando enquanto eu resolvo isso aqui? – ela pediu a Maya.
– Certo. Basicamente, o marechal me deu uma missão onde eu poderia me sentir livre para chamar alguém. Meu primeiro pensamento foi chamar outra pessoa, porém essa pessoa em questão já havia sido designada para acompanhar outra pessoa. Então pensei novamente, com um disfarce melhor. Então me veio a ideia de chamar você. O velho aprovou, então aqui estamos.
– Eu sou a segunda opção?
– Eu não diria segunda, diria melhor. – Maya concluiu piscando para ela.
– Que seja, não deixa de ser segunda. – ela colocou o pano no banheiro e se levantou. – Até mais Sue, e diz pra Myra que eu disse tchau. – ela saiu enquanto a recém-instalada porta automática se fechava atrás dela.
Poucos segundos depois Myra abriu os olhos preguiçosamente e estranhou o fato do lugar parecer ter sido revirado por um furacão.
– Tá, pode me explicar o que aconteceu por aqui? – perguntou a Risuka com a voz ainda embargada pelo sono.
– Em poucas palavras: Uma louca viciada em adrenalina acabou de raptar nossa Dragon Slayer da lerdeza para leva-la em uma missão de espionagem. – ela deu ombros.
– Me pergunto quais as chances de isso acabar dando errado. – Myra falou se sentando.
– Se você considerar a nossa sorte nos últimos tempos, minha resposta é: Prefiro nem saber.
*
Alice brincava distraidamente com as mechas castanhas de Kris quando alguém bateu à porta. Ela levantou-se e foi atender ainda de pijama. Ficou surpresa ao ver que era seu companheiro de fios ruivos, Adam. Um longo e constrangedor silêncio se fez.
– Hm... Bom dia.
– Bom dia. – ele respondeu sorridente e uma longa pausa se fez enquanto ele pensava – Você saberia me informar o peso de um urso polar?
– Urso polar? – ela levou a mão ao queixo pensando por alguns segundos. – Não, por quê?
– Por que é o suficiente para quebrar o gelo entre a gente. – eles riram. – Mas, sério agora. Onde está nosso pequeno lírio?
– Ela está lá em cima, no jardim do telhado. – ela disse encostando-se a moldura da porta. – Posso saber o que quer com ela? – a ruiva tinha um olhar inquisidor.
– Isso é se-gre-do. – ele falou brincando com o nariz dela. – A mocinha não precisa se preocupar, — ele falou brincalhão. – sua nova irmãzinha está segura comigo, é uma promessa.
– É bom mesmo, — Kris gritou lá de dentro. – se ela se machucar você vai ter muitas explicações a dar.
Adam acenou com a mão enquanto ria, se dirigindo ao telhado. Haviam se passado três meses desde a trágica iniciação, e Alice acabara ocupando a vaga deixada por Aki no quarto onze. Em pouco tempo ela pareceu preencher parte do vazio que a maga desenhista deixara nos corações de Kristina e Yumiko. Era engraçado ver a ruiva tratar a pequena maga da natureza como uma irmã mais nova, visto que ambas tinham a mesma idade, mas ela e Kris pareciam ter adotado a pequena. Era divertido vê-las assim, e deixava Adam com uma pitada de inveja. Queria poder ter tido uma relação assim com seu irmão mais velho, mas infelizmente nunca foi possível. Quer dizer, era, mas seu irmão não fazia ideia de onde ele estava e mesmo que soubesse, nunca o reconheceria. Anos demais haviam se passado.
Em sua caminhada até o jardim ele quase foi atropelado por duas morenas apressadas. Elas tagarelavam e riam sobre alguma coisa. De tudo que conseguiu ouvir, a única coisa que entendeu foi: “Ela pode acabar com a sanidade dele.”. Aparentemente, alguém teria uma amostra grátis do inferno. Ele achou melhor ignorar, já que Maya estava parecendo um furacão de empolgação e Amaya não deveria passar muito longe disso. Às vezes ele se pegava pensando que aquelas duas poderiam ser confundidas com irmãs se quisessem.
Ele encontrou a garota cuidando de um lindo espécime que florescia com um cristal no centro. Ela estava tão compenetrada naquela atividade que nem o ouviu chegar.
– Se você não aceitar, nunca vai conseguir seguir em frente. – ele falou compreensivamente.
– Às vezes as pessoas não querem seguir em frente Adam. – ela disse tristemente.
– Eu sei, mas se você ficar revivendo o passado, não estará pronta para o futuro. Eu sei como é doloroso perder alguém que ama, mas se culpar não vai trazê-la de volta. – ele colocou as mãos nos ombros dela.
– Mas... Se eu...
– Ei, — ele se abaixou até ficar da altura dela. – Eu garanto que ela não ficaria feliz em te ver assim. A Aki fez a escolha dela. Ela morreu para que você pudesse estar aqui, então viva sua vida ao máximo assim como ela gostaria que você fizesse.
– Certo. – ela parecia uma garotinha aos olhos de Adam, mas ele não externou o pensamento.
– Então senhorita Ningen, o que acha de me acompanhar numa missão?
*
– Eu ainda não acredito nisso. – Risuka falou dando um peteleco no papel.
– O que é que tem demais? – perguntou Myra.
– Querem que eu me disfarce, me infiltre numa cidade e tente saber coisas como a opinião pública em relação ao governo e o quanto o povo sabe da guerra iminente. – ela falou exasperada. – E esses palhaços ainda por cima nem me dizem quem é que vou ter que aturar! Eles estão claramente me avacalhando.
– Você vai aceitar?
– Vou. – ela bateu o pé.
– Para o bem dessa pessoa, eu espero que ela seja minimamente suportável. – Myra comentou.
– Do que está falando? Eu sou um doce de pessoa. – ela brincou.
– Um doce agressivo e que pode atingir alguém a uma distância ridiculamente grande.
– Mas ainda um doce. – ela riu saindo do quarto.
Myra olhou ao redor e deu ombros. Foi até o refeitório comer alguma coisa, parecia que tinha um monstro rugindo em seu estômago. Acordar cedo a deixava com mais fome do que o normal e afinal, que tipo de pessoa doente acordava às dez da manhã?
Fale com o autor