Modern Magic - Interativa
12 Capítulo 12
Notas iniciais
Maya e Mark caminhavam lado-a-lado, seguidos por vinte soldados feitos de chamas azuis e douradas. Eles marchavam em tamanha sincronia que mais pareciam ter uma única mente, o que não era exatamente verdade, mas isso dai era uma outra história.
– Quanto tempo faz? – ela perguntou.
– Eu não sei. – ele disse. – Não temos noção de tempo lá, podem ter sido anos, dias, horas. Apenas treinamos e esperamos sermos chamados.
Mark era um rapaz relativamente alto. Relativamente porque altura depende do referencial, já que para alguém do tamanho de Josh, por exemplo, ele era meio tampinha. Já para alguém do tamanho de Risuka, ele era bem alto.
– Você deveria ser mais esperto Mark. – ela riu. – É óbvio que faz muito tempo! Se nem eu me lembro, como eu esperaria que você se lembrasse?
– Desculpe. – ele coçou a cabeça envergonhado, assim como havia feito quando Maya o mandara esperar e avaliar a situação antes de atacar. Agora eles marchavam para um campo de batalha nada bonito. Era uma estranha combinação de uma cidade devastada e um campo, já que grama havia crescido do nada. Maya achava que era fruto da magia de algum dos novos recrutas, mas não tinha certeza total, já que não entendia a magia de Josh e nem conhecia a de Vergil, mas com certeza, nenhum dos dois parecia o tipo de cara que trabalhava com jardinagem.
– Então, qual o seu plano? – ela perguntou, mudando de assunto.
– Eu não tenho certeza de quantos inimigos teremos, mas acredito que podemos usar uma tática de dois contra um. – Mark soou incerto. – Pelo que eu vi esses caras fazerem, vão dar trabalho. Temos dar um jeito nas cabeças se quisermos que eles morram de verdade, a garota de cabelos pretos arremessou um contra uma viga e ele continuou vivo.
Maya aplaudiu e fez uma leve reverência, divertida.
– Quase um gênio da guerra. – ela brincou.
Paralelamente a isso, Vergil já havia retalhado um soldado e estava se saindo muito bem com o segundo. Era uma luta equilibrada, com boas chances para ambos os lados. Bem, era, até antes do homem sacar uma pistola.
– Nunca achei que ia precisar disso para acabar com um merdinha que nem você. – as palavras eram ríspidas e repletas de desdém. – Normalmente eu só preciso das mãos.
Vergil franziu o nariz, engoliu em seco e cuspiu próximo ao pé do inimigo. A mão foi automaticamente ao cabelo, penteando-o para trás mesmo que ele não tivesse praticamente saído do lugar. Uma katana se materializou em uma de suas mãos e ele rapidamente a desembainhou. O inimigo riu debochado e disparou contra ele. Teria sido bastante eficaz se a bala não tivesse sido cortada ao meio.
Subitamente, toda aquela situação perdeu uma graça inexistente. Num movimento bem difícil de acompanhar, mesmo sendo realizado perante os olhos bem treinados de um soldado de elite, ele se aproximou com velocidade e cortou fora a mão do homem que segurava a arma. A distância entre os dois era suficiente para que o caçador pudesse ver com clareza a expressão de desprezo de Vergil, mesmo em meio a escuridão da madrugada.
– Essa arma é quase tão desprezível quanto você, seu inútil. – ele disse num tom intimidador.
O homem ainda estava sem reação perante o movimento de Vergil quando ele cortou fora sua cabeça. Depois que o corpo de seu inimigo caiu, ele pode ver Fleur num combate inflamado com o comandante daquele esquadrão. Ela não conseguia acompanhar muito bem o ritmo do homem, que era bem maior e mais forte que ela, mas mesmo assim, ela estava se saindo bem. Não bem a ponto de fazê-lo recuar, mas o suficiente para não ser atingida por um perigoso soco inglês eletrificado. Francamente, por que aqueles caras gostavam tanto de eletricidade? A atenção de Vergil foi momentaneamente desviada para um rapaz ensanguentado com um espinho de gelo atravessando um dos ombros. Ele empunhava uma adaga e não precisava ser um gênio para dizer que ele pretendia ataca-la por trás. Ele teria conseguido se Vergil não tivesse se adiantado e se posto entre os dois, bloqueando a lâmina dele com uma faca translúcida de aparência fantasmagórica. Apesar de ser um especialista no uso de armas brancas, o coronel não havia conseguido um posicionamento muito bom devido a urgência da situação, e o metal brilhante penetrou profundamente na carne macia de seu antebraço. Ele nunca havia ficado tão feliz por ter tirado seu precioso casaco.
– Não me entenda mal, — ele disse. – não é como se eu gostasse dela ou coisa parecida, mas não é nem um pouco honrado atacar alguém pelas costas.
– Que honra existe nessa guerra? – o caçador respondeu. – Não há honra alguma em deixar alguém vivo quando se teve a chance de acabar com ele.
– Então deixe que eu termine o serviço dela. – ele falou tirando a lâmina de seu braço. O rapaz se afastou e se pôs em posição de guarda. Ambos tinham em mente que não seria uma luta fácil.
Paralelamente, Maya e seu pequeno exército faziam um belo estrago no que ainda restara dos caçadores. Em suas costas viam-se asas azuis criadas com sua própria magia enquanto ela distribuía pancadas a torto e a direita. Toda vez que algum dos caçadores caia, um dos soldados inflamados de Maya caia sobre ele, queimando-os até virarem cinzas. Não era uma batalha fácil, mas eles estavam se saindo bem.
Fleur estava tentando desesperadamente arranjar alguma vantagem sobre o comandante daquele batalhão, mas nada parecia funcionar. Ela ouviu a voz de Vergil um pouco atrás, se distraindo por um milésimo de segundo, que foi a brecha suficiente para o homem desferir um poderoso soco em direção ao seu maxilar. O único problema foi que ela tropeçou e caiu, assim, seu inimigo acabou passando por cima de sua cabeça e caindo também. Para todos os efeitos, sua aparente falta de sorte salvara a sua vida.
– Você é durona, Dubois. – ele disse.
Umas séries de expressões passaram pelo rosto dela. Primeiramente tristeza, depois raiva, que se transformou em nojo, asco. Os seus olhos, sempre brilhantes, pareceram escurecer naquele momento.
– Para você, é Belladonna. – ela cuspiu.
– Não adianta o que você diga para essas pessoas, você sempre será Fleur Dubois. – ele riu.
Enfurecida, ela bateu as mãos no chão com força e um círculo mágico surgiu embaixo de onde o homem estava deitado. Ele ameaçou se levantar, mas espinhos de gelo brotaram do chão e perfuraram o corpo dele em tantos lugares que ele mais parecia uma peneira do que uma pessoa. Ele ainda teve o despeito de rir.
– Você... Não vai escapar dessa. – ele disse com dificuldade.
– Quer apostar que vou? – ela rebateu.
– Você pode até escapar, mas seus amiguinhos não irão. – ele riu com dificuldade mais uma vez.
– Não utilize blefes inúteis comigo, Peters.
– Eu não deveria dizer, mas eu vou. Você nunca vai conseguir impedir mesmo... – sua voz era um doloroso sussurro. – Esporos.
Os olhos dela ficaram do tamanho de dois pires.
– Isso mesmo, — ele riu. – nenhum deles vai escapar. Você tem chance, mas eles não. Nós dois sabemos o que acontece com quem fica contaminado.
– Quanto tempo? – ela perguntou rispidamente.
– Não sei... Uns dois minutos e meio?
Ela saiu correndo dali, deixando-o rindo consigo mesmo. Se ela não conseguisse encontrar a bomba e dar um jeito nela, ninguém ali voltaria vivo para contar a história.
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