Modern Magic - Interativa
13 Capitulo 13
Notas iniciais
Yumiko não demorou muito para encontrar Aki e Kris, que não estavam muito longe de onde os dois coronéis lutavam. Aki estava se saindo bem contra o seu oponente, mas Kristina não estava tendo a mesma sorte. Sua blusa xadrez branca e preta já estava em farrapos e ensanguentada. Ela aparentemente havia tentado usar espadas para ataca-lo mas havia sido desarmada, já que duas claymores jaziam no chão. A maga da natureza não tardou em ajudar sua amiga, tudo que ela não queria era que o pior acontecesse a ela, assim como acontecera a Raito.
– Shinzen.
Fazendo um gesto para o lado com o braço ela fez surgir uma raiz que desequilibrou o caçador que lutava com sua amiga morena.
– Yumi, graças aos céus. – ela deixou escapar enquanto corria para fora do alcance do inimigo, em direção a pequena. Ela percebeu que ela trazia algumas lágrimas nos olhos. – Ei, o que foi? – ela perguntou subitamente preocupada.
– Aquele rapaz, o Raito... – as palavras pareceram morrer.
Kris havia ficado de costas para o caçador, esquecendo-o momentaneamente. Mas, já se pode imaginar o que aconteceu, ele obviamente aproveitou a brecha para poder ataca-las com uma luva com garras de metal. Aquele poderia ter sido o fim de Kris e provavelmente o de Yumiko também, mas Aki se colocou no caminho da arma. Ela tinha nas mãos o que um dia fora um bom pincel, e não tinha mais o pergaminho que a permitia atacar. No ímpeto de fazer alguma coisa, ela acabara largando-o. A garra a atingira abaixo do seio esquerdo, e fora enfiada bem fundo.
– Sa... Saiam daqui. – ela falou com dificuldade.
As outras garotas estavam chocadas demais para sair do lugar em que se encontravam. Entediado, o caçador retirou as garras do peito de Aki, causando nela um belo começo de hemorragia.
– Não me importo de acabar com você primeiro. – ele disse como se ela não passasse de um inseto.
A mente dela trabalhava da maneira mais rápida que a dor permitia. Que idiota ela havia sido. Soltara o maldito pedaço de papel que a permitia atacar, e agora provavelmente morreria de uma maneira dolorosa. Ela não se importava muito. Mesmo que demorasse e que ela sofresse, que ao menos suas amigas tivessem a chance de escapar. Ela tinha completa ciência de que não havia maneira de sair viva dali. Se uma vida fosse sacrificada a troco de duas, ela não se importava que essa vida fosse a sua.
O segundo golpe atingiu-a no abdome. As garras penetrando em sua carne tão facilmente quanto ferro quente em isopor. Naquele momento, ela se lembrou de como ela sempre havia se sentido ligada a tudo aquilo, mesmo antes de saber que podia usar magia.
“Fujam”, era o que queria dizer, mas já não tinha forças para respirar. O terceiro golpe atingiu-a no rosto, passando por um de seus olhos. Em seus últimos momentos, ela se lembrou de todos os bons momentos que vivera em sua vida. Chorou uma lágrima por Yumiko, a garota que amava como a irmã mais nova que ela nunca teve, mas nunca pode chorar a lágrima destinada a sua melhor amiga, Kris, pela qual dera a vida.
Quando o corpo de Aki caiu sem vida no chão, todo o mundo pareceu desabar em cima da maga da natureza. O caçador ria sadicamente, mas a única coisa que ela consegui fazer foi desabar no chão, se encolher e chorar. Colocar toda aquela tristeza reprimida dentro de si em forma de lágrimas. Já não tinha forças para sair dali.
Com Kris foi diferente. Longos segundos se passaram até que seus cabelos e olhos ficassem como o fogo e ela socasse o caçador com toda a sua força. Ele poderia ter voado uns bons quinhentos metros, mas ela foi mais rápida e o segurou pela gola do uniforme agora manchado pelo sacrifício de Aki. Ela o jogou no chão com tanta força que se pode ouvir o barulho de ossos se partindo. Ela não falava nada. Possuída pela fúria, ela atacava impiedosamente. Tamanhos foram os ataques e tanta fora a força utilizada que ele virou papa, literalmente. Uma substância pegajosa e nojenta era tudo que havia no uniforme um dia ocupado.
~*~
Connor analisava calmamente a situação. Em um canto mais afastado, Vergil lutava com um rapaz. Fleur não estava em nenhum lugar a vista assim como Aki. Os outros estavam em começando a se reunir.
– Jin, poderia fazer uma varredura aérea? – ele perguntou.
– Eu já estava ficando entediado aqui, de qualquer forma. – o rapaz de cabelos acinzentados respondeu, já levantando voo.
Connor se levantou e foi até Adam, que dormia encostado no que um dia havia sido uma parede. Sacudiu de leve o ombro não machucado do amigo, tomando cuidado para não acordar Amaya, que acabara adormecendo ali perto. O ruivo despertou quase que imediatamente.
– Tenho uma missão para você. – Connor disse.
~*~
Jin procurava algo anormal enquanto voava sobre o campo de batalha. Parecia que nada iria acontecer, quando ele viu algo se mexer dentro da nave dos caçadores. Desceu e foi até lá, entrando com nela com cautela. O que quer que tivesse se mexido lá dentro, não estava afim de dar as caras. Hora para o plano B.
– Apareça. – ele disse. Pode não parecer uma boa tática, mas ele usara magia para persuadir quem, ou oque quer que estivesse ali a aparecer. Por mais absurdo que pudesse ser, funcionou. Um rapaz da altura dele apareceu, seus cabelos negros estavam bagunçados e suas roupas tinham manchas de sangue seco. Ele parecia exausto e com fome. Além disso, suas mãos estavam presas em braceletes de metal colados um no outro.
– Você é um prisioneiro. – Jinai falou com convicção. O rapaz assentiu com a cabeça. – Isso ai é um inibidor? – ele perguntou apontando para as estranhas algemas e obteve mais um movimento de cabeça como resposta.
– No compartimento de armas. – ele disse.
– O quê? – Jin indagou confuso.
– No compartimento de armas. – ele repetiu. – Alice está lá. E lá eles guardam os controles que destravam isso aqui. – ele disse erguendo as mãos.
– Alice? Eles tinham mais um prisioneiro?
– Sim, eles iam nos levar para algum tipo de experimento. – o moreno respondeu. – Foi o que ouvi. A Alice tentou reagir quando eles tentaram... — ele engoliu em seco. – Acho que você sabe o que eles tentaram fazer com ela.
– Imagino. – ele respondeu reprimindo o asco. Por sorte, todos estavam mortos, se não, ele mesmo se encarregaria de acabar com aqueles nojentos. – Qual é o seu nome?
– Charles, Charles Narcejas. Pode me chamar de Charlie.
– Então Charlie, vamos soltar sua amiga.
– Eu espero que ela esteja bem. – ele disse, preocupado. – Ela está presa sem comida ou água a três dias.
– Ela deve estar bem. Se ela foi forte o bastante para reagir, ela deve ser durona.
– Ela é.
Eles chegaram à porta do compartimento. Charlie mexeu no bolso e retirou um cartão e passou num leitor.
– Roubei esse aqui de um uniforme sobressalente. – ele deu ombros. – Pouco antes de você chegar.
A porta se abriu e Jin teve uma visão aterradora. Uma jovem mulher ruiva estava deitada no chão com os braços presos nas costas. Imediatamente percebeu como ela era bela, mesmo estando mal alimentada, desidratada e suja. Charlie pegou um controle e apertou um botão. Suas algemas e as de Alice se soltaram e ela se mexeu um pouco.
– Charlie? – ela perguntou fracamente. – Quem é esse? – ela perguntou subitamente agitada.
– Calma, ele é amigo. – ele disse tentando impedi-la de entrar em pânico. Jin se aproximou.
– Consegue ficar em pé? – ele perguntou gentilmente a ela.
– Gostaria de conseguir falar sem sentir dor, quanto mais de ficar em pé. – ela respondeu com um sorriso fraco. Mesmo na escuridão do pequeno cômodo, os verdes olhos dela pareciam brilhar, pelo simples fato de que havia alguém além de Charlie que não queria machuca-la.
Com toda a delicadeza de um anjo, Jin a pegou nos braços e a carregou para fora da nave, seguido por Charlie. Pelo visto, aquele evento não havia sido perda total.
~*~
Adam chegou e encontrou Kristina muito abalada, chorando silenciosamente. Ela estava controlada, de certa forma. Ele viu o que sobrara do corpo do caçador, e mais ao longe, o corpo de um outro que também jazia sem vida. O rosto dela estava mais vermelho do que o de Josh quando ficava com vergonha de tanto que já havia chorado.
Mas se Kris estava mal, Yumiko estava três vezes pior. Ela abraçava os joelhos e chorava copiosamente. Seus pequenos ombros chacoalhavam com seus soluços. Ele se ajoelhou ao lado dela e afagou seus cabelos. Ela ergueu o olhar ainda chorando.
– Ei, calma. Flores como você não devem chorar. – ele disse. Ela teria sorrido, se não estivesse tão abalada. Primeiro ela não conseguira fazer nada para salvar Raito, mas agora, ela sentia como se carregasse o dobro do peso. Assistir a morte do rapaz havia sido ruim, mas ela preferia a ter assistido mil vezes do que ter de testemunhar o assassinato de sua amiga uma única vez. Mais uma vez, ela não conseguira sair do lugar. Ela se culpava por isso. Se ela não tivesse sido mais eficiente, Aki estaria viva agora. Ela se sentia um lixo, a pior das escórias. Aquilo doía nela mais do que qualquer dor física. Ela estava quebrada por dentro.
Adam a envolveu com o braço bom e a puxou para um abraço longo. Demorou um pouco até que ela conseguisse parar de soluçar. Depois ele se levantou e foi até Kris, abraçando-a também. Ela encostou a cabeça no ombro dele e quase se derreteu em lágrimas, soluçando. Incrivelmente, ele conseguiu acalmar as duas. Guiou-as para o portal de Connor e voltou para onde estavam Connor, Jin, Amaya, um rapaz e uma jovem que ele não conhecia.
~*~
Os primeiros raios de sol já despontavam no horizonte quando Fleur achou a bomba. Peters não era um mentiroso tão sujo quanto ela imaginava. Faltavam cinco segundos para a explosão da bomba. Os esporos consistiam num vírus fabricado em laboratório, feito para matar alguém que os inspirasse em cerca de uma semana, se a contaminação fosse pequena. Ela já vivera o horror dos esporos, e quase morrera. Sua sorte foi ter encontrado um velho curandeiro que conseguiu salva-la. Ela já tinha anticorpos para combater o vírus, mas os outros não tinham o mesmo benefício.
Nos poucos segundos que lhe restavam antes que a bomba explodisse, ela criou uma densa cúpula de gelo ao redor dela, na esperança de que fosse o suficiente para frear o impacto da explosão. Se passaram longos e tensos segundos antes que o gelo cedesse e liberasse os esporos, e numa última tentativa desesperada de salvar seus companheiros, ela criou outra cúpula muito maior do que a primeira, impedindo que o vírus mortal se espalhasse.
Entretanto, ela ficara presa com ele, tendo nada além de ar contaminado para respirar.
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