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1 EASTERN HIGH SCHOOL
A manhã estava quente e ensolarada, um ótimo dia para todos na cidade. Não se viam manhãs como aquela sempre, a cidade sempre chuvosa e fria entrava em festa quando o sol resolvia aparecer. E era isso que estava visível no grande pátio da escola. Os alunos de regata e shorts andavam de um lado para o outro, riam, brincavam e se sentiam livres. Ele havia acabado de descer do carro vermelho, as garotas já estavam em volta do seu carro com cara de apaixonadas. Ele sentiu náusea e vontade de ir para qualquer canto da cidade, menos estar naquele lugar cheio de garotas chatas e bobas, mas colocou seu melhor sorriso e arrumou a jaqueta vermelha do time de futebol e os óculos escuros. Os livros em braço do baixo não se demoraram por muito tempo ali, alguém que ele sequer lembrava o nome logo se ofereceu para leva-los o que ele deixou sem se importar. Caminhou pelo estacionamento como se ouvisse uma música foda em seus ouvidos, sorria e piscava para algumas pessoas que tentavam chamar sua atenção de todas as formas.
— Fala Will! — Dizia o calouro bobo que acreditava que podia ser levado a sério pelo cara mais popular da escola.
— Will eu fiquei com a sua caneta, tem algum problema? — Perguntava uma garota com os seios saltando pelo decote e que tentava chamar a atenção do loiro com uma mordida no dedo com a unha bem feita.
— Ah papai, hoje é dia de zoar os calouros! — Dizia um cara com cara de elfo e cabelos cacheados desgrenhados. Esse Will levou a sério e sentiu o amigo pular em suas costas dando-lhe um beijo apertado na cabeça. — Espero que você tenha bons planos para hoje, bombas de peido estão no porta-malas do carro da Clarisse, ninguém iria desconfiar da cdf.
— Clarrise La Rue, a cdf da turma, a nerd ajudando os trolhos a aloprar novatos? Esse ano realmente vai começar bem! — Will respondeu tentando puxar o amigo de suas costas.
Voltou a caminhar e viu Leo Valdez correr para abraçar outras pessoas, riu sozinho e continuou caminhando em direção à escola. Subiu as escadas e ouvia mais cumprimentos.
— Oi Will! — Dizia uma garota feia do sétimo ano.
— Diz aí cara, tudo bem? — Falou um aluno de intercambio com um sotaque estranho.
Boa parte da escola fazia questão de falar com Will Solace, o candidato vencedor a rei do baile de inverno, o capitão do time de futebol, e ninguém menos que o garoto mais popular do colegial. Era involuntário, todos queriam ser amigos dele, estar com ele ou ser como ele. O garoto arrancou os óculos da cara e bateu as costas num armário.
Muitos alunos fizeram o mesmo, Will apenas ignorou toda aquela excitação. Estava acostumado com isso. Era seu último ano, talvez até sentisse falta disso quando estrasse para faculdade, ou talvez não fosse necessário, o cara tinha seu próprio sol interior que irradiava luz e, sobretudo fama por onde passava. Os alunos continuavam passando e falando com ele. Foi então que algo chamou sua atenção. Will focou em algo a sua frente, olhou por bastante tempo, respirou fundo. Não deveria se importar, não deveria perguntar, sequer deveria olhar, mas assim mesmo fez.
— Ei quem é aquele? Eu nunca vi por aqui! — Will perguntou sem se virar para saber qual dos manés iria responder sua pergunta, não importava. Só necessitava de uma resposta para saber que era aquele ser estranho e maltrapilho. Os seus olhos estavam fixos em um garoto a sua frente. O garoto era magro, pequeno e meio estranho. Usava uma calça preta rasgada e uma camiseta preta com algumas caveiras, a camiseta estava bem surrada, Will conseguia notar isso de longe. Os cabelos negros pareciam não ter visto um pente pela manhã e as olheiras escuras davam um ar tão sombrio ao garoto. Will ficou intrigado com aquilo.
— Provavelmente o aluno novo. Lucas dos Ângelo, eu acho! — Jason falou com dificuldade por causa de seu aparelho, o garoto era fanho, estranho, espinhento e usava um aparelho que fazia com que sua boca chovesse quando falava. Os óculos fundo de garrafa completava o show de horrores que era olhar para Jason Grace.
Will olhou para o jovem e fez uma careta disfarçadamente, depois saiu em direção ao novo aluno. Precisava descobrir quem era e o que fazia ali. Will não era preconceituoso, bem, talvez não tanto, mas ficou realmente intrigado com aquele garoto. Ele não tinha cara de quem poderia pagar a mensalidade caríssima da escola. Precisava ser natural, fingir e usar o tom que usava com os professores quando queria passar por bom garoto que estava pronto para ganhar uma bolsa na faculdade. Encostou-se ao armário ao lado do garoto estranho e disse em sua melhor voz.
— Fala aí, Lucas, seja bem vindo a Eastern High School! Pô cara, gostei do seu tênis.
Ele mentiu. O garoto uasava um coturno que parecia não ver água desde 200 a.C.
O garoto estranho nem se mexeu. Will ficou irritado, quem aquele maltrapilho e aspirante a mendigo achava que era para ignora-lo?
— Estou falando com você, cara! — Will disse meio irritado e tocou o ombro do garoto.
O garotinho estranho encolheu o corpo e se jogou para o lado com uma cara de espanto. Bateu no armário e quase caiu, com certeza chamou muita atenção porque Will viu que a conversa sessou, sentiu que todos olhavam a cena. Will fitou o garoto, seus olhos estavam arregalados e uma expressão sombria de medo. Will ficou assustado também, a respiração do garoto estava forte e se apurasse bem a audição poderiam ouvir o coração do mesmo batendo.
— Eu não quis assustar você, Lucas! — Will pediu desculpa, sentindo-se culpado e constrangido por aquela situação.
Os dois ficaram se encarando por um tempo. Ninguém tinha coragem de falar, pela primeira vez Will sentiu-se inseguro e desconfortável. Ele tentou sorrir, mas o sorriso amarelo e de canto não convenceu.
Foi então que o inesperado aconteceu, o jovem olhou com cara de desprezo, talvez até certo nojo para Will.
— Eu não me chamo Lucas! — O garoto falou baixo e fitando Will Solace. — Eu sou Nico, hmm, Nico di Angelo.
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