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2 WHO’S THAT BOY
Os dois continuaram se olhando por um período curto de tempo, e Nico di Angelo olhou para baixo.
— Eu, obrigado pelas boas vindas. Eu agradeço, eu tenho aula agora. — Ele falou baixo.
Will ficou confuso, o sorriso maroto voltou as seus lábios. Nico olhou novamente para ele e o desprezo estava estampado em sua face.
— Você sempre age assim? Está sempre pomposo e com cara de que manda na escola? E eles... — Nico apontou para todos que babam em Solace. — Estão sempre assim? Enfim, não quero saber, preciso ir, desculpe!
Nico saiu apressado e deixou Will parado com cara de idiota, todos no corredor o olhavam.
— Vão cuidar da vida de vocês! — Will disse sério e saiu.
Solace estava sentado em seu lugar habitual no fundo da sala, os amigos a sua volta conversam e brincavam de jogar aviões de papeis uns nos outros ignorando totalmente o mestre Quíron, mas ele, ele estava apenas lembrando-se da conversa bizarra com o aluno novo. Não conseguia aceitar o fato de que aquele garoto pudesse ter olhado com desprezo para ele.
— Ei, cara. Está tudo bem com você? — Leo Valdez perguntou coçando uma barba imaginária e imitando a cara séria do amigo.
— Não, nada! — Will respondeu seco e voltou a olhar pra fora da sala.
— Esquece Will. Ele só falou contigo daquela forma porque não conhece as regras do pedaço. — Valdez disse malandro. — Amanhã estará pedindo desculpas de joelho.
Will nada disse.
A chuva começou a cair lá fora, o dia quente e ensolarado já havia sido levado pela chuva fraca, logo o vidro já havia embaçado e Will não conseguia mais vez as árvores contornando o pátio e bufou entediado. Não deveria estar pensando em algo tão sem importância como aquilo. Não deveria se importa com que o aquele aluno mal vestido pensava sobre si, e não iria. Passou a brincar com seus amigos e até jogou um avião no professor, o mesmo olhou feio, mas Will colocou seu melhor sorriso angelical e apontou para Leo Valdez, que adquiriu uma detenção logo no primeiro dia de aula. Os dois riram, mas Will sentiu a ameaça de vingança ecoar, ele tremeu, sabia que o amigo pegava pesado em suas vinganças.
O sinal tocou.
Os alunos correram para fora da sala. Não queria permanecer ali dentro nem mais um segundo.
Will caminhava pelo corredor com alguns garotos as suas costas. Os garotos tentavam imitar o jeito descolado do loiro de andar, mas não tinha sucesso. Alguns batiam em porta de armários, outros esbarravam em lixeiras, mas Will continuava caminhando como se nada tivesse acontecido, então empacou. Era ele, Nico di Angelo vinha em direção do loiro, pela primeira vez em toda sua vida, Will teve vontade de se esconder, mas não o fez, encarou Nico mais uma vez, e pela segunda vez na mesma manha o garoto sombrio olhou com desprezo para o popular. Os dois entraram na mesma classe. Matemática com a Senhora Lourdes. Sentaram-se próximos. As mesas lado a lado; Will nem se deu o trabalho de abrir o livro na página que a professora havia deixado anotado na lousa junto da mensagem “já volto”.
— Você não costuma fazer o que lhe mandam? — Nico perguntou baixo e olhando para o garoto loiro ao seu lado. Esperou a resposta enquanto brincava com seus dedos.
Will tentou fingir que não era com ele, não se daria o trabalho de responder aquele menino, já não bastava tudo que estava sentindo, não queria procurar mais confusão para sua cabeça, mas então sentiu a ponta afiada do lápis do garoto lhe espetar no braço forte.
— Porra, isso dói, sabia? — Ele perguntou bravo e olhou diretamente para Nico. As narinas infladas e uma cara de bravo.
— Você poderia evitar esse pequeno problema com a dor se tivesse me respondido a pergunta que eu lhe fiz! Achei que você era educado, pelo menos foi o que mostrou hoje mais cedo antes da aula. — Nico disse irritado e encarando o outro garoto.
— E por que eu deveria responder? — O loiro olhou irritado para o moreno, estava cansado de sentir acuado por aquele moleque. Era ele quem acuava e constrangia as pessoas, era ele que estava no comando daquela escola, o bom e velho Will Solace. Ele era basicamente o sol do mundo escolar, talvez de tudo. O sorriso debochado e perverso voltou a seus lábios e ele falou maldoso. — Eu não deveria nem olhar pra você, cara. Você viu o jeito que você está vestido? Pra ser sincero falei com você aquela hora porque estava querendo entender como alguém assim veio parar na minha escola.
Ele fez uma cara de desprezo, imitando a que Nico havia feito mais cedo.
Nico não alterou seu olhar, nada, por um momento apenas ficou encarado o loiro, a respiração lenta, o peito subia e descia devagar. Então sorriu. O sorriso debochado e sombrio voltou a seus lábios.
O sorriso debochado de Will Solace sumiu, lentamente desapareceu de seus lábios rosados.
— O que? — Ele perguntou tentando não gaguejar. Não conseguia entender o que estava vendo e muito menos o que estava acontecendo. — E então moleque, o quê?
— Hm, eu vou ser bem direto com você. — Di Angelo falou baixinho e tentando segurar o riso. Ele adorava aquela parte, era sempre a mesma coisa. — Então cara, a conta bancária do meu pai deve ter mais números do que você já viu em toda a sua vidinha escolar. Aliás, vidinha medíocre essa sua. O que você estava esperando... Como é mesmo seu nome? — Nico pausou esperando uma resposta que não veio. — Enfim, o que você esperava? Que eu começasse a agir feito aqueles seguidores do garoto loiro e popular da escola? Que eu fosse mais um zumbi correndo atrás de você e implorando por um pouco de atenção? Eu não preciso disso...
— Mas... — Will começou a falar.
— Shhhh, eu estou falando, não terminei. — Nico foi mais grosso dessa vez e então voltou a sorrir. — Espero que entenda uma coisinha, garoto bobo do cabelo de fogo. Eu não sei como as coisas funcionam aqui nessa escola, mas eu faço as minhas próprias regras, eu jogo o meu próprio jogo. E não... Eu não vou babar em você. E tem mais, não julgue uma pessoa pela forma como ela se veste, olhe só você... Se veste tão bem, todo engomado, deve ser o orgulho do time de futebol e do papai que vem aos jogos todas as sextas, mas não passa de um imbecil. — Nico levantou e segurou o impulso de cuspir mais palavras no loiro. — Cuidado, os seus dias como majestade acabaram.
Nico di Angelo saiu da sala com os livros debaixo do braço, deu de cara com a professora gordinha e loira que entrava na sala.
— Ei, onde pensa que vai mocinho? — Ele perguntou seriamente num tom de indignação.
— Vai pro inferno. — Nico disso bravo e bateu a porta.
A mulher olhou para os alunos na turma e sentiu o rosto queimar, talvez nunca em sua vida acadêmica tivessem falado assim com ela. Olhou pra baixo e caminhou para sua mesa.
Will Solace estava vermelho como um tomate e a raiva tinha subido a sua cabeça. Levantou-se irritado e pegou os livros e a mochila, saiu pisando duro da sala.
— Mas o que? — A professora falou alto.
Will saiu correndo pelo corredor, precisava encontrar aquele moleque, ele não podia falar dessa forma, não mesmo. Encontrou Nico que descia as escadas para fora da escola e o empurrou.
Nico caiu da escada, os livros foram cada um para um canto.
— Você não pode falar comigo assim, você vai pagar caro Di Angelo. Eu prometo que vou fazer da sua vida nessa escola um inferno. — Will terminou de falar e saiu caminhando de volta para escola. — Você vai pagar caro. — Falou para si mesmo.
— Eu posso garantir que você vai! — Nico gritou enquanto segurava o joelho sangrando, a calça havia rasgado quando ele caiu.
Will se virou e viu que o garoto tinha se machucado. Ficou tentado a voltar e ajuda-lo, nunca tinha machucado ninguém. Quem era aquele garoto? Quem era Nico di Angelo e por que tinha o poder de deixa-lo com tanta raiva?
— Você vai conhecer o inferno, cara! — Nico disse baixo e segurando as lágrimas, levantou e saiu correndo.
— Quem é esse cara? — Will indagou para si mesmo.
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