Notas iniciais
Oii Cupcakes ♥! Antes de tudo, quero me desculpar por não estar respondendo os comentários. É que essa época do ano é extremamente corrida para mim e eu não estou conseguindo tempo. Ou eu escrevo ou eu respondo os comentários. Mas prometo que até dia 25 eu irei responder a todos. Obrigada a todos que estão lendo e comentando. Vocês nem sabem o quanto me deixam felizes. Muito obrigada AndreaNeves pelo comentário maravilhoso no capítulo passado. Espero que gostem do que está por vir. Boa leitura...

ROMANCES MENSAIS

LIVRO XII – MISTÉRIOS DE DEZEMBRO

CAPÍTULO XXI – ÚNICOS

Beth encarava a tia com o olhar perdido. Era como se ela tivesse voltado a ser aquela menina insegura de três anos que se agarrava nas pernas da mãe todas as vezes que conhecia uma pessoa nova. Ainda era difícil de acreditar que Beth cresceu e que estava prestes a se tornar mãe. Meu coração de tio que acompanhou todos os momentos de sua vida estava sentindo a nostalgia paterna e um orgulho inexplicável.

— Eu só... não estava em meus planos. Não agora. Quer dizer, é claro que depois que eu me casei com Daryl, eu comecei a cogitar a ideia de crescer a família, mas queria aproveitar mais a minha vida de casada antes de ter a responsabilidade de cuidar de uma criança. E se meu marido parar de me achar atraente depois de ter bebê? – Murmura Beth, jogando o corpo para cima de mim. Rio da falta de vergonha de Beth, enquanto Natasha suspira e nega, sem acreditar nas palavras da garota.

— Você só pode estar brincando comigo. – Resmunga Natasha e Beth a encara como uma adolescente contrariada. – Beth, Daryl é completamente apaixonado por você. Ele seria um louco se deixasse de te achar atraente só porque você teve bebê. Não seja boba.

— Não seja tão dura com ela, Naty. Beth só está sendo levada pelas emoções. Ela acabou de descobrir que está grávida, quando não estava planejando ter filhos por agora. É normal que ela esteja tão alterada e falando coisas sem sentidos. – Respondo, aconchegando Beth contra mim. A loira assente e Natasha suspira e dá um pequeno sorriso nostálgico.

— Não importa quantos anos se passe, você sempre encontra uma forma de defender as crianças, principalmente a Beth. – Comenta minha namorada, encarando-me com os olhos brilhando em divertimento.

— Essa é a vantagem de ser a Barton mais velha. – Afirma Beth, abraçando-me com ternura.

No mesmo instante, o celular de Natasha começa a tocar. Ela o retira do bolso traseiro da calça e encara a tela. Ao reconhecer a pessoa que ligava, Natasha suspira e nos encara com um sorriso cansado.

— É o Fury. Eu preciso atender. – Informa Natasha, levantando-se do sofá para ir a um lugar mais reservado da casa para conversar com o chefe. Como Beth estava presente, ela provavelmente queria evitar falar demais sobre as missões na frente da garota.

— Estou feliz que tenham voltado. De verdade. – Comenta Beth, afastando-se para me encarar com um lindo sorriso em seu rosto. – Eu esperei tanto por esse momento. Sempre soube que vocês foram feitos um para o outro. Sempre quando vocês estavam juntos quando éramos crianças, meus primos e eu víamos o quanto vocês pareciam felizes. Quando tia Tasha foi embora, eu parei de ver o brilho que você tinha em seus olhos sempre que estava ao lado dela. Mesmo quando você voltou a conviver com a gente, ainda parecia que faltava algo. Todos sabiam que você nunca havia superado o término repentino de vocês.

— Também não era como se eu fizesse questão de esconder. – Respondo, relembrando como havia sido difícil seguir em frente depois da morte das crianças e da partida de Natasha. – Você sabe que eu sempre tentei ser o mais aberto possível com vocês, apesar de todos os problemas que eu precisava lidar. E foi por causa dessa confiança que criamos é que vocês aprenderam a aceitar o tempo de cada um, sem pressão para contar os problemas que os afligiam.

— O único problema dessa metodologia é que nós também esperamos que as outras pessoas também entendam que precisamos de tempo para organizar nossos sentimentos e expressar com clareza o que sentimos e o que planejamos fazer para solucionar o problema. Daryl está aprendendo a lidar agora com esse meu costume, mas confesso que esse é o maior motivo de nossas brigas. Ele é o tipo de pessoa ansiosa que quer resolver o problema o quanto antes e acaba me pressionando a falar sem que ele perceba. – Conta Beth, suspirando.

— Bom, casamento é algo muito mais difícil do que podemos explicar. Só quem se casa é que entende. São duas pessoas diferentes com criações singulares, pensamentos únicos que precisam aprender o momento certo de ceder e de lutar pelo que acredita. Não é fácil. Mesmo depois de anos juntos, vocês ainda irão discordar muito e com a chegada de um filho, vocês terão que ter ainda mais cuidado com a forma como vão lidar com seus problemas, porque a partir de agora, tudo o que fizerem irá influenciar diretamente na vida de uma outra pessoa que depende totalmente de vocês. – Afirmo, afagando a cabeça de Beth, que assente pensativa.

Antes que minha sobrinha respondesse, Natasha reaparece na sala com um semblante nada animador. Ergo minha sobrancelha e a observo pegar a bolsa dela com o celular no ouvido.

— Está bem. Eu estou saindo agora da casa de Clint. Não. Não será necessário. Eu uso um dos carros dele. Está bem. Até mais. – Natasha encerra a ligação e me encara. – Eu irei pegar um de seus carros para ir até a sede da CIA. Parece que um dos criminosos que eles acabaram de pegar está dando trabalho no interrogatório. Eles esperam que eu consiga fazer com que ele abra a boca.

— Nem mesmo voltamos a namorar direito e ela já está de olho em meus carros. Está vendo como é a vida, Beth? – Brinco e a loira ri, divertida.

— É claro. Para que mais eu aceitaria estar com você se não fosse pelo seu dinheiro? – Pergunta Natasha, entrando na brincadeira. Rio e dou de ombros.

— Não julgo. No seu lugar, eu também procuraria um bonitão rico e inteligente como eu para namorar. – Retruco e a ruiva me lança um olhar irônico, antes de rir.

— Você é mesmo um idiota. – Responde Natasha, guardando o celular em sua bolsa.

— Mas sou realista. Você nem mesmo tentou negar. – Comento, sorrindo com orgulho, enquanto ela se aproxima de mim.

— E adiantaria alguma coisa eu te contrariar? – Questiona a mulher, erguendo a sobrancelha.

Touché! — Exclamo e Beth ri mais uma vez. Natasha revira os olhos, mas deixa um beijo rápido em meus lábios. Entrego a chave do carro que havíamos usado para ir a Crown Hill e ela sorri agradecida. – Tenha cuidado. Mande mensagem assim que chegar e quando estiver saindo.

— Você sempre se preocupa demais comigo. Eu vou ficar bem. Não precisa se preocupar. – Comenta Natasha, beijando-me mais uma vez. Ela então se afasta e beija a testa de Beth. – Adeus, querida. E sinto muito por não ter sido de melhor ajuda.

— A sua presença já é o suficiente para me acalmar, tia Tasha. Obrigada. – Responde Beth, apertando as mãos de Natasha. – Tenha cuidado. A noite está muito fria e as ruas escorregadias. Vai devagar.

— Pode deixar. Eu vou me cuidar. – Garante Natasha, despedindo-se de nós com acenos.

Beth e eu observamos Natasha se afastar até que ela desapareça ao entrar no hall de entrada. Em silêncio, ouvimos ela ir embora e de maneira bem idiota, já consigo sentir a saudade de a ter longe de mim me atingir. Sinto o olhar de minha sobrinha sobre mim e quase poderia saber o que se passava em sua mente naquele momento.

— Vocês são realmente perfeitos um para o outro. – Comenta Beth com um semblante pensativo. – Por que vocês nunca nos contaram o motivo de terem terminado? Quando Sara retornou, eu supus que pudesse ter sido por você ter a ajudado a entrar no mundo que tia Tasha sempre lutou para nos proteger, mas depois de ver a forma como vocês se comportaram quando voltaram a se encontrar no seu aniversário, eu percebi que não era apenas isso. Definitivamente algo mais sério aconteceu e eu realmente duvido que seja algo envolvendo traição, ainda que pareça que há muita dor envolvendo o passado de vocês.

— Não é um assunto com o qual conversamos com facilidade. O nosso término envolveu muitos problemas e trouxe muitos traumas a nós dois. Eu apenas queria poupar vocês de mais sofrimentos. – Respondo e Beth não parece satisfeita com a minha explicação rasa.

— Quando vocês terminaram, eu já tinha dezoito anos, tio Clint. Eu não era mais criança. Eu sabia que vocês escondiam muitas coisas de nós, no entanto, a razão do término de vocês sempre me incomodou. Acho que já está na hora de contar o que de fato aconteceu naquela época que foi capaz de o desestabilizar tanto ao ponto de você se isolar do mundo por quase três anos e fazer tia Tasha desaparecer de nossas vidas. – Afirma Beth, ajeitando-se no sofá.

— Por que não deixamos essa conversa para um dia que Natasha e seus primos estejam presentes? – Sugiro, mas eu via a determinação de Beth em descobrir a verdade.

— Eu realmente terei que usar o meu poder como sobrinha mais velha e a primeira a fazer parte da família para fazer você falar, tio Clint? – Questiona Beth, abrindo um sorriso inocente que não combinava em nada com as palavras ferinas da garota.

Ela era minha sobrinha e é claro que ela não desistiria até que tivesse as respostas que ela tanto deseja. Além disso, ela tinha razão. Por ser a mais velha de meus sobrinhos, Beth tinha um certo poder que meus outros sobrinhos jamais poderiam desconfiar.

— Você é mesmo uma garotinha irritante. – Provoco, apertando o nariz de Beth, que ri e dá de ombros. – Tudo bem. Eu irei contar toda a verdade, mas preciso que permaneça em silêncio e ouça tudo o que eu tenho a dizer sem me interromper. Está bem?

— Você tem a minha palavra. – Garante Beth, encarando-me com seriedade.

Assim, passo a contar desde o momento em que Natasha e eu nos conhecemos, como nos sentimentos atraídos desde o primeiro instante em que nos vimos, como permanecemos amigos por cinco anos, com Natasha sempre me afastando a cada nova investida de minha parte. Contei sobre o nosso envolvimento e como a noite acabou no dia de nosso primeiro encontro. Descrevi o meu sentimento de raiva e mágoa por acordar no outro dia e não a encontrar ao meu lado.

Revelei sobre como o relacionamento de Alexi e Natasha se iniciou, a existência de Lila e Cooper, como o casal manteve as crianças longe de mim e como a separação deles foi complicada. Falei sobre como colocamos nossos filhos em um orfanato para protegê-los e a dificuldade de mantê-los em sigilo. Expliquei sobre como voltamos a nos envolver em uma recaída e como acabamos permitindo que nos entregássemos aos nossos sentimentos até que Alexi voltou para se vingar, matando nossos filhos e a criança que Natasha esperava.

Beth ouviu atentamente a tudo, expressando seus sentimentos através das caras e bocas que fazia. Assim como prometido, em momento algum eu fui interrompido, mas ao fim de toda a narração, pude ver as lágrimas se formarem em seus olhos. Minha sobrinha parecia realmente comovida por toda a história e o que nos levou a seguir caminhos diferentes, por mais que continuássemos a nos amar com intensidade.

— Tio Clint, isso... Deus! O passado de vocês é tão... tão doloroso. – Comenta Beth, tentando controlar as lágrimas que desciam de forma comovente pelo seu bonito rosto. Levo minha mão a face delicada de Beth e enxugo as lágrimas com o meu dedão. – Eu sabia que vocês tinham terminado por um motivo grave, mas nunca passou pela minha cabeça a possibilidade de ter sido algo tão chocante quanto o assassinato de seus filhos. Eu nem mesmo imaginei que vocês pudessem ter tido filhos. Como vocês conseguiram esconder algo assim de nós?

— Não foi fácil, mas eu também não conseguia falar sobre o assunto sem que a culpa não estraçalhasse meu coração. Eu sempre me culpei pelo que aconteceu com meus filhos. Se eu tivesse parado Alexi, se eu tivesse sido mais atento ou tivesse cuidado melhor da segurança deles, isso jamais teria acontecido. Se eu tivesse me mostrado mais claro sobre meus sentimentos por Natasha, ela provavelmente nunca teria se envolvido com Alexi e nós poderíamos ter sido uma linda e grande família. – Revelo e sinto o nó se formar em minha garganta.

— A culpa não foi sua, tio Clint. Eu sei que é difícil de ignorar as vozes monstruosas dentro de nós, que querem nos fazer desistir de nós, mas precisamos ser racionais, por mais desesperador que seja. E eu tenho certeza de que tia Tasha acredita que você é inocente e provavelmente também se culpa pelo que aconteceu. – Responde Beth, sorrindo amorosa. Assinto, porque Natasha realmente havia mostrado que não me culpava por nada. – Então me prometa que vai parar de se culpar por algo que você não fez. Você fez o seu melhor e eu tenho certeza de que as crianças pensariam a mesma coisa que eu. Então, faça isso por elas.

— Eu prometo tentar. – Garanto e Beth suspira.

— Pelo menos já é um começo. – Comenta a garota, dando-se por vencida. Ela então sorri e passa a encarar a aliança em seu dedo anelar da mão esquerda com o olhar distante.

— Seu marido sabe que você está aqui? – Pergunto e ela balança a cabeça em concordância. – E onde ele está nesse momento?

— Na casa de Maggie e Glenn. Eu avisei que dormiria aqui essa noite, porque eu precisava mostrar as provas de algo importante para você. – Responde Beth, dando e ombros.

— O teste de gravidez? – Questiono bem-humorado.

— Também. – Confessa, dando um fraco sorriso. – Mas o principal motivo está no fato de que nós estamos sendo seguidos. À princípio, eu pensei que fossem os capangas de Hugh, mas ele está preso e duvido que tenha contato com o mundo exterior. Depois imaginei que fossem paparazzi, mas a pessoa não parecia querer nos ferir e depois de anos sendo alvo da mídia, a gente diferenciar pessoas que querem nos machucar ou se proteger. Além disso, ele mais parecia querer se manter em sigilo e fazer o máximo possível para não ter contato com a gente. Hoje, ao sair do hospital com o teste de gravidez, senti mais uma vez que estava na mira de alguém. Eu até mesmo tentei tirar uma foto, mas não deu para pegar muito bem a imagem da pessoa, que se escondia todas as vezes que via meu celular.

— Tudo bem. Deixe-me ver essa foto. – Peço e Beth estende o celular com a foto que ela havia mencionado. Ao aproximar a imagem para mostrar a pessoa que ela tentava pegar, surpreendo-me ao reconhecer a pessoa. – Não pode ser!

Notas finais
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