Notas iniciais
Oii Cupcakes ♥! O capítulo ficou enorme, assim como eu informei que iria começar a acontecer a partir de agora. Apesar disso, espero que gostem e se divirtam com ele. Estamos chegando nos últimos capítulos da história e eu nem sei como reagir. Espero de verdade que gostem. E muito obrigada AndreaNeves pelo comentário no capítulo passado. Você sempre me anima demais. Boa leitura...

ROMANCES MENSAIS

LIVRO XII – MISTÉRIOS DE DEZEMBRO

CAPÍTULO XXVI – ZONA VERMELHA

O garçom que trouxe o paparazzi a sala reservada para reuniões discretas no restaurante de Jeanne, volta a aparecer com um carrinho e nossos pedidos. Ele deixa sobre a mesa os pratos e bebidas solicitadas. As sobremesas escolhidas são deixadas no carrinho.

— Bom apetite. – Deseja Juan, fazendo uma breve reverência, após servir as taças de vinho. – Com licença.

— Obrigada. – Agradeço e observo o homem sair e fechar a porta da sala. O silêncio volta a reinar entre nós, sendo quebrado apenas pelo barulho da taça de Clint voltando a ser colocada sobre a mesa.

— Então você está me dizendo que a Yakuza e a HYDRA fizeram uma parceria em minha homenagem? – Pergunta Clint, parecendo se divertir com a ideia. Ele suspira e corta um pedaço de sua carne, como se o que Nijo tivesse dito não fosse nada demais. Meu namorado come a carne com satisfação e assim que a engoli, sorri para o paparazzi. – Interessante. Realmente muito interessante, Nijo.

Clint come mais um pedaço de carne e pega o guardanapo para limpar a boca. Observo sua reação, ciente de que havia algo de errado. Nijo também encarava o homem com receio, provavelmente estranhando o comportamento de meu namorado.

— Você não vai comer? Eu pedi carne com batatas porque soube que era o seu prato preferido. – Fala Clint, apontando para o prato que havia de frente para Nijo.

— Ah... claro. – Concorda o homem, pegando os talheres. Ele passa a comer, ainda hesitante e bastante desconfiado.

— Você sabe da minha história, Nijo? A história do meu nascimento? – Pergunta Clint, pegando sua taça de vinho.

— Bom... sim. – Afirma o paparazzi, encarando Clint, que bebe o vinho e se encosta em sua cadeira. – O senhor é filho de Harold Taktarov, o antigo líder da máfia Russa, e da concubina preferida do mais temido líder da Yamaguchi-gumi, Kazuo Taoka.

— Isso. Mas a minha mãe possui um nome, sabia, Nijo? – Pergunta Clint, voltando a carne em seu prato. – Você poderia repetir tudo o que disse, mas dessa vez, ao invés de se referir a ela como a concubina preferida do urso assassino?

— Certo. – Nijo engole em seco e suspira. – O senhor é filho de Harold Taktarov, o antigo líder da máfia Russa, e da srta. Barton. Edith Barton. Por ser fruto de uma união proibida, teve a sua morte decretada por nosso líder assim que o senhor nasceu. No entanto, a concu... digo, a srta. Barton conseguiu deixá-lo em um orfanato nos Estados Unidos antes de retornar para o Japão. Por ser uma questão de honra ao nosso falecido líder, matá-lo se tornou um propósito da família Yamaguchi-gumi. Desde então...

— Vocês têm me dado muitas dores de cabeça. – Clint interrompe Nijo, finalmente mostrando seus verdadeiros sentimentos. Ele bate os talheres sobre a mesa, causando um som agudo que parece assustar o paparazzi. – Durante trinta anos, eu tenho lidado com suas tentativas de assassinato. Mais de quinze famílias me rejeitaram com medo de vocês. Perdi as contas de quantas pessoas tentaram me entregar a vocês para que eu fosse morto. Eu passei por muitas coisas por causa de vocês e estava tudo bem. Apesar de tudo, eu me mantive calmo. Evitei entrar em uma briga com a Yakuza, porque eu sabia que isso significava derramamento de sangue sem sentido, uma vez que vocês não parariam até que eu ou vocês acabassem mortos. Mas dessa vez vocês foram longe demais. Longe demais mesmo, Nijo.

Clint não dá qualquer chance a Nijo de responder. Ele lança a faca que usava na direção do homem, antes de acertar de raspão o rosto dele e fincar a parede de maneira. Nijo arfa e encara o homem com os olhos arregalados, enquanto o sangue descia do corte feito pela faca de Clint.

— Eu vou te perguntar apenas uma vez e eu espero de verdade que você me responda com objetividade. Porque eu juro para você que o próximo presente que a sua esposa e o filho que ela carrega no ventre dela vai ser o seu atestado de óbito, enquanto seu corpo estará sendo corroído em um galão de ácido sulfúrico com você vivo. E acredite em mim, isso vai doer muito mais do que você imagina. – Garante Clint, apertando a garganta do homem com intensidade. – Estamos entendidos?

Nijo assente, mas isso não parece ser o bastante para Clint, que aperta ainda mais o pescoço do paparazzi, chegando até mesmo a derrubar as taças sobre a mesa devido a intensidade com a qual se movia. Pego minha taça para evitar que ela também se quebrasse e bebo o líquido carmim, observando com curiosidade o que aconteceria a seguir.

— Responda! – Exige Clint em um grito intimidador.

— Sim... senhor. – Responde Nijo em um sussurro, começando a ficar roxo pelo aperto esmagador de Clint, enquanto ele se debatia e tentava afastar a mão de meu namorado.

— Excelente. – Clint se afasta e Nijo começa a tossir, tentando recuperar o ar que lhe foi tomado durante o aperto nas vias respiratórias. Meu namorado volta a se sentar em sua cadeira e levanta sua taça, enchendo-a novamente com vinho, antes de voltar sua atenção para o homem à nossa frente. – Qual era a ideia da Yakuza ao te enviar para se disfarçar de paparazzi?

— Eu não estou disfarçado. Há seis anos tenho trabalhado como paparazzi aqui nos Estados Unidos para manter a Yakuza informada. Eu estava trabalhando em Los Angeles para sustentar minha esposa e meu filho que nascerá em dois meses, já que tem alguns meses que a Yakuza não me envia nenhum recurso, quando recebi uma ligação do atual líder da família Yamaguchi-gumi informando que eu deveria ir ao Instituto Psiquiátrico McLean, invadir o quarto de Lester Dawson, tirar várias fotos e enviar para Alexi Shostakov. A HYDRA planejava fazer uma exposição da sua família de forma que fizesse uns ficar contra os outros. O que eu não esperava era que houvessem mais fotógrafos no local e que o sr. Dawson acabaria morrendo. Quando eu informei ao sr. Shostakov sobre o falecimento do sr. Dawson, ele me orientou a procurar Allycia Dawson e entregar o meu cartão a ela, demonstrando estar arrependido de minhas ações. Eu deveria convencê-la de que eu era de confiança e assim que ela entrasse em contato comigo por causa das perseguições da mídia, eu a traria para o nosso lado. No entanto, com a sua interferência, isso nunca veio a acontecer.

— Então vocês simplesmente desistiram de Clint depois do ocorrido? A Yakuza ficou boazinha de uma hora para a outra? – Pergunto e Nijo nega, suspirando.

— A Yakuza estava mais preocupada em capturar Caitlin Snow e a fórmula secreta do Mirakuru na época. Em algum momento, a HYDRA e a Yakuza entraram em conflitos de interesse e as coisas começaram a sair de controle. Muitos desejavam vir atrás do sr. Barton, mas Kimanjiro Inugane, o líder da família Yamaguchi-gumi, dizia ter um acordo com o senhor, então não poderíamos matá-lo. A lei não dita, mas que todos cumprem independente de quem seja, era que nunca deveríamos mexer com a família de Clint Barton.

“Taskmaster também queria o sr. Barton vivo. O grande problema é que tanto os membros da HYDRA quanto da Yakuza não estavam satisfeitos com essa ordem de priorizarem a fórmula do Mirakuru e trazer os companheiros dos membros da família Barton para nosso lado. Isso resultou em muitas brigas internas. O sr. Kimanjiro estava tão obcecado que acabou vindo a Hawkins para conseguir a fórmula pessoalmente.

Com a morte dele pelas mãos da srta. Romanoff, a situação ficou ainda mais complicada na família, porque muitos desejavam se vingar, outros comemoravam a possibilidade de um novo líder que ordenasse a morte do sr. Barton e tinham aqueles que tinham as mesmas ideias que o sr. Kimanjiro e acreditavam que precisávamos recuperar a nossa fórmula do soro e tornar nossos membros mais fortes.

Houveram muitas brigas até que Kiyota Inoue assumisse a atual liderança da família. O fato dele ser um dos maiores inimigos do sr. Barton e desejar sua cabeça com a mesma intensidade que antigo respeitado líder, Kazuo Taoka, pareceu acalmar os ânimos das famílias. No entanto, ele pediu que por enquanto, todos seguissem as ordens do líder da HYDRA.

Os boatos que circulam é que ele está planejando fazer alguma coisa com o senhor durante os jogos de Taskmaster. Muitas organizações estão de olho nos resultados desse confronto e até mesmo estão apostando em quem devem dar apoio, uma vez que o senhor possui tanta influência quanto Taskmaster no submundo.” – Revela Nijo, encarando-me com intensidade. Era quase como se ele dissesse que a culpa era toda minha.

De certa forma, eu havia influenciado drasticamente nessa mudança de cenário, que já era bastante delicada. Diferente de Clint, que possui acesso completo ao que ocorre dentro da Yakuza, a CIA não conseguia muitas informações sobre a máfia japonesa além do que eles queriam que soubéssemos.

Então apesar de saber sobre o acordo que Kimanjiro Inugane havia feito com Clint, eu não imaginava que a maior família da Yakuza estava em conflito por causa das ideias do líder anterior e nem que eles estavam tão inspirados em matar meu namorado. Pelo menos não depois de Clint e Kimanjiro combinarem que um não entrariam no caminho do outro.

— Então Kiyota Inoue é o novo líder? – Comenta Clint, esboçando um sorriso discreto. Eu não fazia ideia do que se passava em sua mente, mas no mínimo ele parecia interessado no mafioso. – E qual é o plano que ele está desenvolvendo?

— Eu não sei. Nunca chegaram a nos contar. Aparentemente, apenas algumas pessoas próximas ao nosso líder sabem dos planos. – Responde Nijo e para a minha surpresa, Clint parece acreditar em suas palavras.

— Entendo. – Sussurra Clint, apoiando os cotovelos sobre a mesa. Ele cruza as mãos e coloca o queixo sobre elas, como se analisasse a situação. – Acho corajoso da sua parte desafiar seu irmão mais velho, Nijo, mas admiro o seu desejo de se juntar a mim para proteger a sua família.

— Como...? – Balbucia Nijo, surpreso.

— Como eu sei que Kiyota é seu irmão mais velho e que você é do grupo da resistência contra ele? – Completa meu namorado, voltando a se encostar na cadeira. Ele bebe um pouco de vinho e suspira. – Eu não sou idiota, Nijo. Lido com a Yakuza desde que tenho dez anos. Fiz muitos aliados e inimigos dentro dela e sei como funciona o sistema. Você foi enviado para longe como forma de proteção, mostrando que você é alguém com certa influência dentro da Yakuza. Mas, mais do que isso, eu conheço o seu irmão. Eu sei que vocês são irmãos por parte de mãe. Além disso, sua postura só me mostra que você entrou contra a sua vontade na máfia.

Mas mesmo que eu não soubesse nada disso, o fato de você colaborar tão fácil comigo e abrir a boca com tanta facilidade é uma prova de que você espera e acredita que eu possa te proteger de Kiyota. Qualquer membro da Yakuza prefere morrer a dedurar a família. É uma questão de honra e você sabe muito bem disso.” – Responde Clint, encarando o rapaz com curiosidade. Nijo assente, parecendo apreensivo.

— Eu apenas não quero mais me envolver nisso. Quero que meu filho e a minha esposa possam ter uma vida calma e livre dos perigos da Yakuza. – Confessa Nijo, encarando Clint com seriedade. – E eu sei que o senhor é o único capaz de me fazer sair da Yakuza sem que eu precise morrer. É por isso que eu vim me encontrar com o senhor.

— Não acha que está me superestimando demais não, Nijo? – Questiona Clint e o homem nega. – Eu sou apenas um homem. Deseja mesmo que eu lute conta os milhões de membros da Yakuza sozinho e acabe desencadeando uma luta ainda mais sangrenta?

— É como o senhor disse. São trinta anos do senhor sobrevivendo a constantes ataques da Yakuza. Ninguém normal teria conseguido tal feito e pelo que vejo, o senhor já planejava desafiar a Yakuza e a HYDRA. Me ajudar não vai interferir de forma direta nisso, uma vez que meu irmão perceber que eu cortei laços e revelei tudo o que eu sabia ao senhor. Eu serei considerado um traidor. E é por isso que tudo o que peço é a sua ajuda para proteger a minha família. Nada além disso. – Implora Nijo, levantando-se para realizar um dogeza, a forma mais profunda de pedir desculpas ou implorar por um favor na cultura japonesa.

Nijo se ajoelha, coloca as duas mãos no chão e se prostra, levando a cabeça até o chão. Clint observa o homem sem esboçar qualquer reação, como se aquilo não fosse nada demais, ainda que ele entendesse melhor do que ninguém o significado e a profundidade daquele gesto para um japonês. É a forma mais humilhante de se colocar.

Por favor, sr. Barton, ajude-me a proteger a minha família de meu irmão mais velho. Eu garanto que serei eternamente grato e ajudarei no que for necessário para que o senhor conclua a sua vingança. – Insiste Nijo em japonês, ainda com a testa encostada no chão.

— Levante-se, Nijo. Você precisa arrumar suas malas e as de sua esposa. Vocês têm duas horas para estar com tudo pronto. – Responde Clint em japonês e Nijo ergue a cabeça, encarando meu namorado com confusão. – Você e sua família irão para Beaufort. Meus amigos Edwin Jarvis e May Parker serão responsáveis por garantir a sua hospedagem e segurança. Arranjarei novos documentos, casa e emprego para você e sua esposa. Terão até mesmo um carro para que possam se movimentar pela cidade de forma confortável com o bebê que está para vir.

— O senhor está falando sério? – Pergunta Nijo, surpreso.

— Estou. Mas somente farei isso sob três condições. – Responde Clint e eu acabo soltando uma risada anasalada. Meu namorado nunca perdia a oportunidade de conseguir novos aliados.

— Eu faço tudo o que o senhor quiser. – Garante Nijo, eufórico, enquanto se levanta do chão.

— Vamos com calma, Nijo. Você nem mesmo sabe o que ele quer. – Comento e ele balança a cabeça, negando.

— Qualquer coisa é melhor do que ver minha família submissa a criminalidade por causa das ameaças da Yakuza. – Responde Nijo com determinação. Ele então se vira para Clint e o encara. – O que eu preciso fazer, sr. Barton?

— A primeira condição é que me diga a localização exata de Alexi Shostakov. Onde ele está hospedado ou qualquer informação que me ajude a localizá-lo. – Exige Clint e o corpo de Nijo parece enrijecer.

— Eu sinto muito, sr. Barton. Infelizmente, eu não faço ideia de onde o sr. Shostakov poderia estar hospedado. Ele nunca me informou nada disso. Tudo o que eu tenho é o número de telefone dele. Nós conversamos hoje de manhã, quando eu informei que eu me encontraria com o senhor hoje no St. Elmo Steak House, depois que ele descobriu que o senhor havia entrado em contato comigo. Mas eu não informei a ele que o local de encontro havia mudado aqui para o Milktooth e nem o horário. – Afirma Nijo em desespero. Provavelmente temendo que Clint pensasse que ele estava armando para nós.

— Eu sei que você pode fazer melhor do que isso, Nijo. Vamos lá. Pense bem nos detalhes. Tente se recordar de alguma coisa que passou despercebido, mas que pode ser de ajuda para nós. – Insiste Clint, encarando Nijo com seu olhar analítico.

Nijo parece repassar tudo em sua cabeça, como se estivesse em busca de algo que pudesse ser de ajuda a Clint. Volto a comer a minha comida, imaginando que isso poderia demorar algum tempo. Clint saboreia seu vinho calmamente, sem tirar os olhos de Nijo, por pelo menos uns dez minutos. Nijo parecia mesmo determinado a se lembrar, porque eu quase podia ver seu cérebro fervilhando.

— Eu... eu não sei o quanto... o quanto isso pode ser de ajuda, mas me lembro que hoje de manhã, enquanto conversávamos, eu ouvi alguém próximo do sr. Shostakov falar o nome Reginald Vanko. O sr. Shostakov pediu para que a pessoa esperasse que ele já estava indo e voltou a conversar comigo. Eu não sei se ele queria falar com essa pessoa sobre o Reginald Vanko ou se...

— Se esse é o nome que ele tem usado para se esconder na cidade. – Supõe Clint, pensativo. Nijo concorda e Clint sorri, satisfeito. – Tudo bem, Nijo. Passe o número com o qual você conversou com Alexi hoje de manhã. Isso deve ser o suficiente para que eu o localize.

— Está bem, sr. Barton. – Concorda Nijo, pegando o celular para passar o número de Alexi.

— Clint. Pode me chamar de Clint. – Corrige Clint, enquanto anota o número de Alexi em seu celular. Nijo assente e meu namorado volta a guarda seu celular no bolso. – Certo, Nijo, vamos para a segunda condição.

— Qual seria, se... perdão. Qual seria a segunda condição, Clint? – Pergunta Nijo com apreensão.

— Quero que eu seja o primeiro a quem você vai ligar assim que o seu filho nascer. – Responde Clint, surpreendendo Nijo. – Irei visitar a criança e levarei um presente pessoalmente.

— Eu... eu com certeza irei ligar. – Afirma o japonês, parecendo emocionado com a condição dada por meu namorado.

— E a terceira condição é que você terá uma dívida comigo que em algum momento eu irei cobrar. Quando esse momento chegar, você terá que fazer o que eu pedir. – Clint impõe a última condição que ele sempre dá para todos aqueles que ele presta um favor. – Eu não sei quando vai acontecer ou se vai acontecer, mas como meu novo aliado, não importa como ou o que seja, você vai ter que fazer o que eu pedi. E não precisa me olhar com essa cara. Eu não vou pedir para que mate ou algo assim. Meus pedidos geralmente são para entrar em contato com alguém ou conseguir alguma informação que acredito que apenas você seria capaz de conseguir. Eu sou o tipo de homem que se tiver que matar alguém, eu mesmo faço isso.

— Ce... certo. – Sussurra Nijo, impressionado. – É claro, Clint. Ainda que não tivesse pedido isso, eu estaria sempre em dívida com o que você está prestes a fazer por mim e pela minha família.

— Tudo bem. Agora vá para casa e arrume suas coisas. Em duas horas, Shawn Kennedy vai aparecer na sua porta para o levar até o meu jatinho particular que irá levá-los a Beaufort e dará toda a documentação que vocês irão precisar. – Responde Clint e eu quase rio ao imaginar o quanto Shawn ficaria irado com o pedido do amigo.

— Muito obrigado, Clint. Eu serei eternamente grato e juro pela vida de minha família que farei tudo o que estiver ao meu alcance para o ajudar sempre que precisar. – Afirma Nijo e Clint nega.

— Vá. – Responde Clint, apontando para a porta de entrada e saída da sala reservada. Ele assente, pegando suas coisas e após uma rápida reverência, ele deixa a sala.

— Você continua com um coração bondoso. – Comento e ele ri, discando algum número em seu celular.

— Isso não foi bondade. Ele pode ser de grande ajuda no futuro. Eu estou agindo por interesse próprio. – Afirma Clint e eu sorrio, enquanto volto a comer. Eu sabia que no fundo, ele realmente só havia ficado com pena do rapaz e resolveu dar uma nova chance a ele e a família dele. Clint então leva o celular ao ouvido e sorri. – Shawn, meu querido amigo, como vai? Eu tenho excelentes notícias. Você vai ajudar um homem e sua esposa grávida a fugir da Yakuza. Para isso, eu preciso que você passe nos dois endereços que eu te enviei por mensagem. Sem choro, Shawn. Não há nada no mundo mais importante para você do que realizar os meus pedidos. Não fale assim. Essa não foi a educação que a sua mãe te deu. Tenho certeza de que a Susan vai ficar decepcionada se ouvir você me xingando desse jeito. Shawn! Olha a boca! Eu sei que você é cientista. Isso é apenas um favor de amigos. Você vai buscar os documentos que eu solicitei para Tiger e depois vai levar essa família para o meu terminal aéreo. Apresente-os a George que já vai estar sabendo que precisa os levar para Beaufort. Como assim você quer um salário para ser meu assistente? Eu só estou te pedindo um favor, seu ingrato. Vou ligar para a sua mãe e dizer que... alô? Shawn?

Clint retira o celular do ouvido e o encara com um sorriso divertido nos lábios. Rio e nego, divertindo-me com a amizade mais estranha que eu já vi Clint ter com alguém.

— Acredita que o babaca desligou na minha cara? – Comenta humorado, enquanto digita em seu celular. – Eu realmente deveria ligar para Susan e dar uma lição nele.

— Você realmente gosta de tirar o Shawn do sério. – Afirmo e ele ri, dando de ombros.

— O que eu posso fazer se é tão fácil e divertido fazê-lo perder a paciência? É o meu melhor passatempo. – Responde Clint e eu suspiro, terminando de tomar meu vinho. – Mas agora vamos. Precisamos passar na casa de Felicity e Oliver.

— Por quê? – Questiono, confusa.

— Confie em mim. – Responde e eu lanço o meu olhar repreendedor. Clint ergue as mãos e sorri. – Você logo vai descobrir. Eu prometo.

[...]

— Clint! Naty! Entrem, por favor! – Pede Felicity, abrindo a porta da casa e dando espaço para que entrássemos. Clint e eu cumprimentamos a pediatra com beijos na bochecha e entramos na confortável casa. – Deixa eu colocar o casaco de vocês aqui.

— Obrigada, Felicity. – Agradeço, retirando o meu casaco para dar a mulher, que o coloca no armário do hall de entrada da casa.

— Obrigado, Fely. – Clint agradece, entregando o casaco dele para Felicity. – Onde está o pequeno...

— Tio Clint! Tia Tasha! – O grito animado de Tony correndo em nossa direção interrompe a fala de Clint, que se abaixa e abraça o garoto com intensidade e com um enorme sorriso no rosto.

— Oi garotão! Eu estava morrendo de saudades de você! – Exclama Clint com animação, enquanto se levanta com Tony em seu colo. Ele deixa um beijo estralado em sua bochecha e faz cócegas na barriga do garoto, que gargalha e o abraça apertado. Clint para as cócegas e encara o Tony com os olhos brilhando em euforia. – E você? Sentiu falta de mim?

— Sim! Você veio para brincar comigo e com o papai, tio Clint? Nós estamos praticando arco e flecha. – Conta Tony com animação e nesse momento posso ver o orgulho estampado nos olhos de Clint.

— Mas é claro que eu vou brincar com vocês, afinal, fui eu mesmo quem ensinou o seu pai a arte do arco e flecha. – Responde Clint, que deixa mais um beijo na bochecha de Tony, antes de colocá-lo no chão.

— Acho que alguém está se esquecendo da tia Tasha. – Dramatizo, fingindo que iria chorar. Tony arregala os olhos e corre em minha direção, abraçando as minhas pernas.

— Oi tia Tasha. Não fica triste. Eu fiquei com saudades de você também. – Afirma Tony com toda a sua doçura. Sorrio comovida e levanto o garoto, deixando vários beijos em seu rosto.

— Tia Tasha e tio Clint! Como é bom ver vocês! – Oliver aparece na sala com um pequeno arco em mãos. Ele cumprimenta Clint com um abraço apertado e eu coloco Tony no chão para abraçar Oliver. – Por que não entramos? Tony e eu estávamos brincando de arco e flecha. Eu estava ensinando todas as técnicas que você me ensinou quando eu era criança, tio Clint. Ele é realmente muito bom.

— Como esperado de meu pequeno Tony. Ele carrega o sangue forte dos Barton! – Comemora Clint e eu encaro Felicity, que compartilhava do mesmo sorriso bobo nos lábios, enquanto seguíamos para a sala de estar da casa do casal.

— Obrigada por nos receber em seu dia de folga, Felicity. – Agradeço e ela ri, negando.

— Como se isso fosse um grande problema. Você e Clint são muito mais do que bem-vindos em nossa casa e vocês sabem disso. – Afirma a loira que tenho como uma irmã mais nova.

— Onde estão Mia e Will? – Pergunta Clint, sentando-se no tapete felpudo da sala com Tony em seu colo. O garoto é simplesmente louco por Clint. Do tipo que prefere ficar com o tio a ir para os braços dos pais.

— Mia foi ter um dia de compras de garotas com Thea e minha mãe. Will está na casa do lado, brincando com o filho do nosso vizinho, que recentemente ele fez amizade. Ele deve voltar na hora do jantar. – Responde Oliver, dando de ombros.

— Passou a chance de aproveitar o lado consumista de Thea e Moira? – Ironiza Clint para Felicity que ri e nega.

— Apesar de ser uma grande oportunidade, eu prefiro aproveitar esse dia de neve para ficar em casa, assistindo séries e curtindo o meu dia de folga. – Responde a mulher. – Eu vou pegar um pouco de chocolate quente para vocês. Sente-se, Naty. Eu volto já.

— Tudo bem. Obrigada. – Respondo, sentando-me no sofá ao lado de Oliver, que me encara com curiosidade. – O que foi?

— Não é que eu não esteja feliz com a visita, mas eu os conheço bem para saber que tem algo a mais por detrás dessa aparição repentina de vocês. – Comenta Oliver com desconfiança. – O que aconteceu?

— Precisamos das habilidades de Felicity para encontrar uma pessoa. – Digo e isso parece despertar ainda mais a curiosidade de Oliver. Desvio o olhar para observar Clint ensinando Tony a atirar uma flecha contra o alvo que ele estava usando para praticar.

— Quem? – Questiona meu sobrinho de consideração.

— Alexi Shostakov. – Informo, surpreendendo o rapaz. No mesmo instante, Felicity aparece na sala com uma bandeja e algumas canecas de chocolate quente para nós.

— Aqui está. Chocolate quente e alguns cookies para nos aquecer. – Anuncia Felicity, colocando a bandeja sobre a mesa de centro que havia sido afastada para que Tony e Oliver pudessem brincar. Ela distribui as canecas para cada um de nós e entrega um copo de plástico para Tony. – Aqui, filho. Esfria bem antes de beber. Está muito quente. Você pode acabar queimando a língua se não tomar cuidado.

— Está bem, mamãe. – Concorda Tony, indo até a mesa para pegar dois cookies, antes de voltar a se sentar no colo de Clint e entregar um para o homem. – Aqui, tio Clint. Um cookie para você.

— Obrigado. – Clint agradece, deixando um beijo no topo da cabeça de Tony, que tentava esfriar o chocolate quente. Clint deixa sua caneca no chão e coloca o cookie sobre a boca da caneca. – Deixa o tio Clint esfriar o chocolate para você não se queimar.

— Como é que se fala, filho? – Pergunta Oliver, assim que Tony entrega o copo para Clint.

— Obrigado, tio Clint. – Fala o garotinho, sorrindo docemente. Clint ri e deixa mais um beijo no topo da cabeça de Tony.

— De nada. – Responde Clint, passando a esfriar o chocolate quente.

— É incrível como Clint leva jeito com crianças. – Comenta Felicity, esfriando o chocolate quente dela.

— Tony também ajuda bastante. Ele é uma criança muito doce e fácil de lidar. Temos que dar créditos a ele e a vocês que estão o educando muito bem. E tenho que dar os parabéns principalmente a você, Oliver, que tem se mostrado um pai incrível tanto para Tony quanto para Mia e Will. Eu sabia que Felicity ia se sair muito bem, mas fiquei muito feliz por ver o quanto você amadureceu e se tornou um pai formidável e responsável. – Afirmo e vejo o sorriso orgulhoso do casal.

— Obrigado, tia Tasha. – Oliver parecia um pouco envergonhado pelos elogios, mas bastante feliz.

— Eu sei que hoje é o seu dia de folga, mas seria possível você nos ajudar, Fely? – Pergunta Clint, chamando a atenção de Felicity, que assente com curiosidade.

— Claro. Do que vocês precisam? – Pergunta a médica, sentando-se ao lado do marido.

— Eu tenho um número, uma região e um provável nome fictício. Preciso que encontre uma pessoa para mim. Ele faz parte da KGB e da HYDRA, portanto não será nada fácil, mas acredito que você é a única pessoa capaz de o localizar. – Responde Clint, encarando Felicity com seriedade.

— Oliver, poderia buscar meu notebook no quarto? – Pergunta Felicity, levantando-se. – Está sobre a mesa no escritório.

— Tudo bem. – Concorda Oliver, deixando a sua caneca sobre a bandeja antes de subir para o andar superior da casa.

Felicity termina de beber seu chocolate quente, deixando a caneca sobre a badeja em seguida, e prende o cabelo em um coque alto. Não demora muito para que Oliver apareça com o notebook da mulher em mãos. Ela segue para o sofá e abre o notebook.

— Certo, Clint. Informações. – Pede Felicity, alongando os dedos, enquanto encara a tela do notebook.

Meu namorado ergue Tony e o ajeita em seu colo, antes de se aproximar da mulher. Ele entrega o celular a Felicity, que pega o aparelho e encara a tela com curiosidade.

— Nós estamos procurando por Alexi Shostakov. Esse é o número do celular dele. Ele provavelmente está hospedado em algum hotel próximo ao cinema drive-in de Hawkins. O possível nome que ele pode ter usado para se registrar no hotel é Reginald Vanko. Preciso que consiga a localização dele o mais rápido e discretamente possível. – Explica Clint, colocando Tony no chão. – Acha que pode fazer isso?

— Quais as chances de ele estar em um hotel? – Pergunta Felicity, encarando-me com intensidade. Ela provavelmente sabia que eu era a pessoa que mais poderia ter alguma segurança nessa informação.

— Alta. Alexi sempre gostou de esbanjar dinheiro. Não acho que isso mudaria agora. Definitivamente ele deve estar em algum hotel de luxo. – Respondo, lembrando-me da época em que vivi com ele. Alexi era o tipo de homem que gostava de mostrar que ele era rico e que poderia se hospedar sempre nos hotéis mais caros do país.

— Ótimo. Isso facilita bastante. – Comenta a loira, sorrindo com satisfação, enquanto encara a tela do notebook. – Eu usarei o número do celular para encontrar a localização e vou invadir o sistema hoteleiro para descobrir o quarto em que ele está. Se ele está mesmo usando esse nome, eu devo descobrir onde Alexi está hospedado em no máximo dez minutos.

— Você é a melhor, Fely! – Comemora Clint, animado.

— Não me agradeça ainda. O grande problema mesmo será hackear o celular de Alexi sem que ele note. – Explica a mulher, digitando velozmente em seu notebook.

— Tio Clint, vamos brincar! – Pede Tony, chamando a atenção de Clint, que se abaixa para limpar o bigode de chocolate quente que havia no garoto.

— O tio Clint está ocupado, filho. Vem brincar com o papai. – Fala Oliver, mas a opção parece não deixar Tony satisfeito, que encara Clint com os olhos pidões de cachorro que caiu da mudança.

— Não se preocupe, Oliver. Eu brinco com Tony, enquanto Felicity procura por Alexi. Será um bom passatempo e uma forma de relaxar a minha mente. – Responde Clint, bagunçando o cabelo de Tony, que sorri alegre.

Encaro Oliver e ele parecia incrédulo com o fato de o filho permitir que Clint bagunçasse seu cabelo. Assim como o pai, Tony odiava que desmanchassem o penteado dele. Nem mesmo Oliver, Felicity ou os avós do garoto podiam mexer no cabelo, mas a situação mudava de figura quando se tratava de Clint.

— Você também era assim. – Comento com Oliver e ele me encara confuso. – Ninguém podia mexer no seu cabelo, mas Clint podia jogar lixo nele que você sorriria e não diria nada.

— Ah, mas é que ele era o tio Clint. – Resmunga Oliver, envergonhado.

Rio de sua atitude. Não importava quantos anos se passassem, Clint continuava a ser a figura idolatrada dos sobrinhos. Ele não apenas tinha o amor deles, como também havia os cativado ao ponto de mesmo sendo adultos, eles continuavam a agir como crianças quando perto do tio favorito. E era nesses momentos que eu entendia o motivo de Clint dar tanto de si para protegê-los. Para meu namorado, seus sobrinhos eram como seus filhos e ele não hesitaria em dar sua vida se fosse preciso para garantir a segurança de cada um deles.

— Encontrei! – Anuncia Felicity, depois dos dez minutos procurando por Alexi. – Ele está hospedado no hotel Conrad Hawkins na suíte Corner número mil duzentos e dez. Está realmente no nome de Reginald Vanko e aparentemente ele está hospedado sozinho. – Ela então vira o notebook e mostra a foto de Alexi. – Essa foi a foto usada para identificar esse tal de Reginald Vanko. Por acaso é a mesma pessoa que vocês estão procurando?

— Ele mesmo. – Respondo, sentindo a adrenalina percorrer minhas veias só de imaginar que finalmente teria a minha tão aguardada vingança.

— Bom, segundo a localização do número do celular, Alexi está se aproximando do hotel. – Alerta Felicity, voltando a nos encarar. – Se eu fosse vocês, iria agora mesmo. Essa pode ser a chance que vocês queriam para se vingar desse desgraçado.

— Você é realmente a melhor, Fely! – Afirma Clint, deixando um beijo demorado em sua testa. Ela ri e o afasta. – Você se casou com a mulher certa, Oliver!

— Concordo plenamente. – Responde Oliver, rindo.

Nós nos despedimos da família com direito a choro de Tony, que não queria que Clint fosse embora, e promessas de que passaríamos a noite de Natal brincando com o garoto até ele se cansar. Utilizando mais uma vez a ajuda de Sara para nos guiar pelas ruas de Hawkins, nós chegamos no hotel Conrad Hawkins em menos da metade do tempo que levaríamos seguindo os caminhos tradicionais. Obviamente, isso significou invadir a contramão e ruas que carros não deveriam passar.

Assim que entregamos as chaves ao manobrista do hotel, seguimos para a recepção do luxuoso hotel. O recepcionista ergue o olhar assim que nota nossa presença e abre um sorriso educado.

— Boa tarde. Sejam bem-vindos ao Conrad Hawkins. Os senhores já possuem reserva? – Pergunta o homem e Clint sorri em cumprimento.

— Boa tarde, David. Não. Nós infelizmente não temos. Aconteceu um imprevisto e tivemos que vir para Hawkins as pressas. Por acaso você teria algum quarto vago para nós? – Pergunta Clint com toda a sua educação e charme.

— Um instante, por favor. – Responde o recepcionista do hotel, digitando em seu computador. – Nós temos dois quartos livres. O quarto Deluxe com cama king-size e o quarto superior também com cama king-size.

— Nós vamos ficar com o quarto superior, por favor. – Pede Clint, pegando a carteira em seu bolso.

— Tudo bem. Eu preciso da identidade dos senhores, por favor. – Informa David, sorrindo simpático para nós.

Após apresentarmos nossa documentação e realizarmos o cadastro no hotel, seguimos para o quarto solicitado por Clint. Eu me sentia tão ansiosa para finalmente destruir Alexi que nem mesmo conseguia prestar muita atenção ao que ocorria a minha volta, por isso, permito que Clint me guie pelo hotel.

Assim que chegamos ao quarto, surpreendo-me com o local. Ele era enorme e esbanjava luxo. A cama no centro era enorme e a televisão mais se assemelhava a uma tela de cinema. A vista da janela também era fabulosa. Devido o horário, era possível ver o sol começando a se esconder pelos prédios da cidade, tornando a paisagem do décimo andar realmente de tirar o fôlego.

— O que faremos agora? – Pergunto a Clint, vendo-o encarar o celular em sua mão. Meu namorado ergue o olhar e encara a cama.

— Por que não testamos a cama? – Questiona com malícia e eu suspiro, não me surpreendendo com a falta de vergonha na cara de meu namorado. – O quê? É uma chance única. Estamos em um hotel de luxo com uma vista de tirar o fôlego. Não acha que fazer amor aqui não seria fantástico?

— É claro que seria. Mas está se esquecendo do motivo de estarmos aqui? – Pergunto e ele ri, dando de ombros.

— Tudo bem. Vamos primeiro torturar o desgraçado do Alexi e depois podemos voltar para esse quarto incrível e aproveitar a diária de mil dólares que eu acabei de pagar.

— Mil dólares? – Arfo com o valor daquele quarto. Ele assente, rindo como se isso não fosse nada demais. – Uma diária? Isso é um absurdo!

— Dinheiro é o de menos, Natasha. – Comenta Clint, seguindo para a saída do quarto. – Agora vamos, que o tempo está passando e estamos na zona vermelha. A qualquer momento Alexi ou Taskmaster podem descobrir a nossa presença. Então se quisermos pegá-lo, essa é a nossa chance.

— O que planeja fazer? Escancarar a porta do quarto dele, bater nele até ele desmaiar e depois sair carregando-o por aí? – Pergunto e ele ri, dando de ombros.

— Um pouco disso. Mas antes de quebrar os dentes dele na base do soco, nós precisamos descobrir se ele está no quarto. – Afirma Clint, saindo do quarto. Suspiro e o sigo, pegando o cartão de acesso que estava na porta.

— E como faremos isso? – Questiono e ele aponta para a camareira que acabava de sair do quarto com um carrinho cheio de roupas de cama e as toalhas sujas que foram usadas pelos hóspedes.

— Vem comigo e apenas entra no cenário. – Pede Clint, andando em direção a mulher. Ao ver que ela havia notado nossa presença, meu namorado sorri. A mulher o encara e parece deslumbrada com o sorriso galanteador que recebia do homem. — Olá. Desculpa atrapalhar, mas poderia me emprestar o seu celular?

— Eu...Desculpa. Eu não posso. É contra as regras do hotel. — Responde a empregada, dando um sorriso envergonhado.

— Ah, vamos lá. Eu gostaria de preparar uma surpresa para o meu noivo. — Insiste Clint, surpreendendo tanto a mim quanto a mulher, que se remexe, parecendo não saber como reagir ao olhar intenso que recebe do excêntrico homem.

— Noivo? — Questiona a arrumadeira com os olhos arregalados.

— Quer dizer, eu espero que ele seja. Eu e minha amiga aqui viemos de Londres para eu pedir a mão dele em casamento. – Comenta Clint e a mulher dar um sorriso doce. – Eu sei que é loucura, mas eu o amo. Eu o amo tanto que fui capaz de enfrentar duas conexões e uma longa viagem de vinte horas só para o ver. Depois de três semanas longe, eu entendi que ele é o amor da minha vida e que quero passar o resto da minha vida ao lado dele. Então, quando eu entendi isso, peguei o primeiro voo que encontrei e corri para cá. Você entende, Virgínia?

— Hã... sim! Com certeza! – Afirma a mulher, animada.

— Então, eu preciso saber se ele está no quarto, mas se eu ou a minha amiga ligar para lá, ele vai saber que estamos aqui. Nossos celulares descarregaram depois da longa viagem. Então seria possível você ligar para o quarto dele e confirmar se ele está lá? – Pergunta Clint com aquele ar esperançoso.

— Acho que não terá problema se nenhum de vocês contarem aos meus superiores que eu estou usando celular. – Responde a arrumadeira, tirando o celular do sutiã. Clint me lança um olhar divertido e eu preciso me segurar para não acabar rindo.

— Muito obrigada, Virgínia. Misha não vê a hora de se encontrar com o amado Reginald dele e o pedir em casamento. Obrigada por nos ajudar. Você não sabe o bem que está fazendo a esse lindo casal. – Digo, sorrindo como se realmente estivesse agradecida pelo gesto dela.

— Imagina. Eu que estou grata por fazer parte de um lindo momento como esse. Eu luto há anos pelos direitos dos LGBTQ e ver que estou fazendo a diferença mesmo que seja apenas para um casal me deixa muito feliz. – Afirma a mulher, exibindo a tatuagem da bandeira de arco-íris em seu pulso. Sorrio compreensiva, finalmente entendendo o motivo de Clint ter fingindo ser gay. Ele esperava que a jovem se sensibilizasse com a história dele e acabasse o ajudando com mais facilidade.

— Obrigado. De verdade. – Meu namorado agradece, apertando as duas mãos de Virgínia.

— Certo. Agora me diga o quarto que ele está. Eu vou ligar agora mesmo. – Responde a mulher, sorrindo animada.

— Quarto mil duzentos e dez. – Respondo e ela parece pensar por um minuto antes de discar o número em seu celular.

— Está chamando. – Informa Virgínia, sorrindo animada. Ela arregala os olhos. – Oi. Esse é o quarto da Simone? O quê? Reginald? Ah, certo. Desculpe. Foi engano. Obrigada.

— Parece que ele está lá. – Comenta Clint, assim que a ligação é encerrada.

— Está sim. – Responde Virgínia com um enorme sorriso no rosto. – Boa sorte com o pedido de casamento.

— Obrigada, Virgínia. – Agradeço e assim que a observamos sair, depois de muitas felicitações da parte da mulher, sorrio para Clint. – Parece que a hora chegou.

— Prepare-se. Temos uma noite longa e divertida pela frente. – Responde Clint, saindo em direção ao elevador do andar.

Notas finais
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