Notas iniciais
Oii Cupcakes ♥! Como eu disse antes, os capítulos de agora serão enormes para compensar o tempo perdido. Espero que ainda assim vocês gostem e não se cansem tanto com as inúmeras informações que irão receber agora. Boa leitura...

ROMANCES MENSAIS

LIVRO XII – MISTÉRIOS DE DEZEMBRO

CAPÍTULO XXV – YAKUZA

— Clinton Barton. Também conhecido como o primeiro homem a partir meu coração e sobreviver. – Jeanne aparece em nossa mesa com um cardápio em mãos e um sorriso divertido nos lábios. Ela deixa o cardápio sobre a mesa e abre os braços. Rio e me levanto para cumprimentar a mulher com um abraço apertado.

Jeanne Foucault. Também conhecida como a máquina mortífera de homens. – Brinco, abraçando-a apertado. Jeanne ri e corresponde com igual intensidade. Afastamo-nos e eu me aproximo de Natasha, que me encarava com insatisfação. Quase rio de seu evidente ciúme. – Deixa eu te apresentar minha namorada. Natasha Romanoff, essa é a estranha da Jeanne Foucault. Jeanne, essa é a mulher mais bonita e perigosa do universo, Natasha Romanoff.

— É um prazer te conhecer. – Cumprimenta Jeanne, estendendo a mão para Natasha que a pega com um sorriso ameno.

— Digo o mesmo. – Responde minha namorada, enquanto volto a me sentar ao lado da ruiva.

— Parece que Clint continua se atraindo por mulheres bonitas e poderosas. Pelo menos você tem bom gosto, Gavião Arqueiro. – Comenta a mulher de cabelos curtos pretos, olhos azuis intensos, piercings e braço tatuado. Jeanne Foucault continuava a esbanjar aquele ar intimidador e uma sensualidade única. Ninguém era capaz de dizer que ela já possuía quarenta anos com toda a jovialidade que ela possui.

— O que eu posso fazer? Acho que gosto do perigo e da emoção que é conviver com mulheres que são capazes de me matar antes mesmo que eu tenha a chance de pedir ajuda. – Comento, passando os braços por cima dos ombros de Natasha. Deixo um beijo em sua bochecha e Jeanne ri ao notar o olhar que recebo de minha namorada em um alerta de que não tínhamos tempo para enrolação. – Jeanne, você se importaria de conversarmos um pouco? Preciso pedir um favor a você antes que meu convidado chegue.

— Claro. – Concorda Jeanne, parecendo surpresa com a minha fala. Ela sabia que eu raramente pedia favores, então era possível que ela já havia compreendido que era algo sério. – Por que vocês não vão indo para o meu escritório enquanto eu peço para o meu sócio ficar de olho no restaurante? Você ainda sabe onde fica, certo?

— Sei sim. – Respondo e me levanto junto com Natasha. — Obrigado.

— Sem agradecimentos até eu descobrir o que você precisa. – Brinca Jeanne, dando uma piscadela.

Ela sai em seguida para conversar com o amigo que é sócio do restaurante em que ela comprou recentemente. Rio e coloco a mão atrás das costas de Natasha para conduzi-la até a escada que levava ao segundo andar, onde fica o escritório de Jeanne.

— Sua ex-namorada é diferente do que eu imaginava. – Comenta Natasha, assim que começamos a subir as escadas. Encaro-a, tentando entender o que ela queria dizer. – Eu esperava que ela fosse do tipo garotinha delicada e indefesa.

— O que te fez pensar isso? – Pergunto com curiosidade.

— Não sei. Foi apenas um pensamento. – Responde, dando de ombros. Rio, achando graça de sua insegurança.

— Jeanne está longe de ser uma garota delicada e indefesa. Todos na faculdade a chamavam de máquina mortífera de homens. Diziam que ela era capaz de matar qualquer rapaz que tentasse se aproximar dela. Além da aparência, ela também tinha uma inteligência acima da média e por isso foi para o MIT quando tinha apenas catorze anos. – Relembro, sorrindo com nostalgia ao lembrar da época em que nos conhecemos. – As histórias que percorriam as faculdades é que Jeanne já tinha arrancado o pênis de um rapaz que ousou passar a mão na bunda dela e que ela havia cortado a garganta de outro que a chamou de garotinha. Era divertido ver o quanto os marmanjos de vinte e trinta anos tinha medo de se aproximar de uma adolescente de dezesseis anos.

— Era verdade? – Pergunta Natasha com curiosidade. – Ela acabou mesmo com esses dois homens?

— Não. Esse pessoal exagera. Um ela só quebrou os dedos dele e o outro ela só deu uma surra nele ao ponto de quebrar os dentes da frente. – Respondo e Natasha ri, divertindo-se ao imaginar Jeanne batendo nos babacas.

— E ainda assim você teve coragem de ir até ela. – Comenta Natasha, pensativa. – Você realmente não tem medo do perigo.

— Na verdade foi ela quem veio até mim depois de ouvir os boatos de que eu tinha o maior QI do país, após eu vencer com facilidade o torneio de xadrez. Você foi a única mulher que chamou a minha atenção o bastante para me fazer correr atrás de você por vinte anos. – Afirmo, puxando-a com delicadeza pelo braço, assim que paramos de frente a porta do escritório. Fazendo-se de durona, ela crispa os lábios para esconder o sorriso que queria dar. Passo meus braços por sua cintura e a puxo para mais perto. – E sinceramente, eu não poderia ter feito escolha melhor.

— Você é ridículo. – Resmunga, passando os braços em volta de meu pescoço. Ela me beija com delicadeza e volta a me abraçar, encostando a cabeça na curvatura do meu pescoço. – Eu amo você.

— Eu também te amo. Muito. – Ergo o queixo de Natasha e a beijo mais uma vez. E provavelmente teria aprofundado o toque se não tivesse ouvido uma tosse forçada atrás de nós.

— É sério isso, Clint? – O tom brincalhão de Jeanne nos desperta de nosso mundo. – Você me fez deixar o restaurante de lado para te ver beijando a sua amada namorada? Está querendo jogar na minha cara o fato de que meu marido está do outro lado do mundo e que vou passar o Natal e a virada de ano solitária?

— E os seus filhos? – Questiono, rindo do drama de Jeanne.

— Chelsea foi passar as festas de fim de ano na casa de praia da família do namorado. Courtney viajou com a madrinha para a Flórida e só volta depois da virada do ano. Christian está com o pai em Tóquio. Então, vou passar as festas dormindo. – Responde Jeanne, aproximando-se de nós para abrir a porta de seu escritório.

— Eu já falei para você ir para a minha casa. Minha família é grande, mas adora novidade. Além disso, todos nós merecemos companhia nas datas mais calorosas do ano. Você é mais do que bem-vinda para celebrar com a gente, Jeanne. – Afirmo e ela se vira para encarar Natasha, como se esperasse uma aprovação dela.

— Clint está certo. A casa é enorme e quanto mais pessoas melhores. Você deveria aparecer esse ano. – Afirma Natasha, sorrindo com sinceridade para Jeanne, que sorri e assente.

— Talvez eu passe por lá quando sair do trabalho. – Responde a mulher, entrando na sala. Ela dá espaço para que Natasha e eu também entrássemos. – Eu soube sobre a morte de Bernard. Sinto muito.

— Eu também. – Lamento, suspirando. Natasha aperta a minha mão e eu correspondo, agradecido pelo assunto que ainda era doloroso de comentar. Nós nos sentamos nas cadeiras em frente a mesa de madeira do escritório e observo Jeanne se sentar a nossa frente, encarando-nos com curiosidade. – Obrigado por nos receber.

— Bom, essa é a primeira vez que você me pede um favor. Confesso que estou bem curiosa para saber no que posso ser útil para você. – Responde Jeanne, encarando-me analítica. – Infelizmente, você continua sendo a pessoa na qual eu não sou capaz de saber o que se passa em sua mente.

— O nome Taskmaster é familiar para você? – Questiono, indo direto ao ponto. Jeanne me encara surpresa e se encosta na cadeira confortável. Seus olhos parecem ir para longe.

— Já faz uns quinze anos que eu não ouço esse nome. – Comenta Jeanne, pensativa. Ela suspira e vira a cadeira para encarar a janela de seu escritório. A forma tensa com a qual Jeanne se move é o bastante para eu saber que a lembrança não é agradável para a mulher. – Ele me desafiou uma vez, quando eu ainda estava grávida de Chris.

— O quê? – Natasha encara Jeanne com surpresa. – Quando isso aconteceu? Achei que ele tivesse desafiado apenas a CIA.

— Na verdade, existe uma grande possibilidade de Taskmaster ser o meu pai. – Comenta a mulher e dessa vez sou eu quem se surpreende. – Antes de morrer, minha mãe deixou uma carta para mim, contando que ele era o meu pai. Depois de descobrir isso, eu passei a investigar sobre quem seria ele. Taskmaster me fez entrar em seus joguinhos e depois que minha melhor amiga morreu por eu não resolver os seus enigmas, eu desisti de o conhecer e parei de falar sobre o seu nome. Até hoje eu tenho pesadelos envolvendo esse homem.

— Eu sinto muito por isso, Jeanne. – Lamenta Natasha, colocando a mão sobre o punho cerrado da proprietária do restaurante. Jeanne a encara surpresa e dá um fraco sorriso em seguida. – Como agente da CIA, eu já acompanhei muitos agentes terem seu psicológico destruído pelo doente narcisista do Taskmaster.

— Então você o conheceu. – Jeanne dá uma risada sem humor. Ela aperta a mão de Natasha como se compartilhassem da mesma dor e suspira, antes de me encarar. – Não me diga que você é o desafiante da vez.

— Não que eu tenha tido muita escolha. – Comento, suspirando.

— Clint, saia disso enquanto ainda dá tempo. Taskmaster é um maníaco que faz o que for preciso para destruir a vida e o psicológico de seus adversários. Mesmo eu sendo a sua possível filha e estanho grávida, ele não poupou esforços para me fazer chegar ao limite. – Implora Jeanne em desespero. – Por favor, não se envolva com esse homem.

— Eu já estou envolvido demais para voltar atrás. – Respondo e Jeanne balança a cabeça em negação, inconformada com minha resposta.

— Taskmaster não é mais um dos criminosos com os quais você se diverte descobrindo seus crimes, Clint. Ele é realmente perigoso. Muito além do que nós estamos acostumados a lidar. Precisa sair desse jogo doentio de Taskmaster antes que você acabe indo longe demais e se arrependa de ter se deixado levar por ele. – Jeanne se aproxima da mesa e me encara com intensidade. Era possível ver o medo em seus olhos e há um certo desespero em seu tom de voz. — Eu sei que para você é difícil superar o seu orgulho e a sua característica teimosia, mas estou dizendo isso para o seu bem e o da sua família.

— É exatamente pelo bem da minha família que eu não posso voltar atrás, Jeanne. – Respondo, dando um fraco sorriso. Aperto a mão da mulher e suspiro. Encaro a mulher com determinação e ela suspira diante de minha resposta. – Ele já começou a envolver as crianças nisso. Aparentemente, Taskmaster planejava me desafiar há muitos anos, pois até mesmo forjou a morte de um criminoso vinte anos atrás com o objetivo de usá-lo para machucar minha família. Eu simplesmente não posso ignorar essas ações. Você sabe melhor do que ninguém o quanto meus sobrinhos são importantes para mim e esse desgraçado tem os usado para me atingir. E eu tenho certeza de que mesmo que eu cogitasse a ideia de desistir desse jogo doentio, Taskmaster não pararia.

— Para ele, Clint é o único capaz de o vencer. Então ele planeja testar os limites de Clint até obter o que deseja. – Complementa Natasha com certo pesar. – Eu entendo como se sente, Jeanne. Acredite em mim, eu fui a primeira pessoa a implorar que ele não se envolvesse, mas chegamos em um ponto que não dá mais para evitar. E é por isso que estamos aqui implorando para que você nos dê todas as informações que você possui sobre Taskmaster.

— Qualquer mísero detalhe pode fazer uma grande diferença para mim, Jeanne. Nesse momento, eu preciso de pista, de algo concreto que me aproxime ao máximo desse maldito. Em breve iremos nos encontrar com um paparazzi que pode ter informações sobre ele e, em seguida, irei conversar com alguns de meus sobrinhos. Segundo Aaron, Taskmaster conhece a mãe de Damon, o que me leva a crer que talvez ele possa ter alguma pista sobre quem seria a pessoa, já que Lillian resolveu aparecer depois de quase vinte anos longe. – Comento, sentindo-me irritado só por citar o nome da mulher que destruiu o coração de um dos meus melhores amigos e ainda traumatizou meu sobrinho que era apenas uma criança na época. Não foram poucas às vezes que pensei em acabar com Lillian, mas cumprindo com a promessa que fiz a Giuseppe, eu deixei a ex-esposa dele em paz. – Então, por favor, Jeanne, conte-me tudo o que você sabe sobre Taskmaster, tudo o que você descobriu sobre ele anos atrás.

Jeanne suspira e assente, concordando. Ela se levanta e anda pela sala do escritório até a estante com alguns porta-retratos dos filhos e do marido, livros e objetos de decoração. Ela pega uma caixa que estava na última prateleira e se aproxima de mim com um semblante deprimido. Ao se sentar novamente, Jeanne abre a caixa de madeira escura e retira de dentro dela um envelope desgastado branco, fotos e um broche.

— Essas são todas as coisas que minha mãe me deixou antes de morrer. Nesse envelope está a carta contando sobre como ela conheceu o meu pai e como eles se envolveram. As fotos são da época da faculdade e dentre os homens presentes, acredito que um deles pode ser o Taskmaster. Novamente, não há certeza alguma disso, uma vez que eu não consegui contato com nenhum deles e minha mãe e meu pai eram de universidades diferentes, além dela não saber muito sobre ele. O broche da MIT foi a única coisa que ele deu a ela. Segundo minha mãe, meu pai era um homem excêntrico e muitas vezes egocêntrico, mas ela admirava a coragem dele para ser quem ele era e a sinceridade. Meu pai era muito bom em esportes, fossem eles físicos como basquete, baseball e futebol, ou mentais como xadrez, além dele ser incrivelmente habilidoso com jogos, principalmente os de estratégia. – Conta Jeanne, entregando a carta em minhas mãos.

Abro o envelope e retiro a carta da mãe de Jeanne. Sob os olhares atentos de minha namorada e amiga, respiro fundo e abro o papel dobrado para tentar descobrir mais alguma coisa sobre Taskmaster.

— “Querida Jeanne, se você está lendo essa carta é porque eu não fui capaz de cumprir com a minha promessa de ficar para sempre ao seu lado. Eu sinto muito por isso. Nunca foi a minha intenção partir antes de a ver entrar na faculdade e construir uma família, no entanto, nem tudo acontece como nós planejamos, não é mesmo?” – Começo a leitura da carta e encaro Jeanne, que faz sinal para que eu prosseguisse. – “O motivo dessa carta é para contar a você o pouco do que eu sei sobre o seu pai. Nunca foi segredo para mim que você sempre quis saber a identidade dele, mas sendo sincera, querida, eu não sei muito sobre seu pai. Ele era três anos mais novo do que eu e estudava no MIT, enquanto eu era de Harvard. Nós nos conhecemos em uma festa que aconteceu em uma das irmandades de Harvard e eu me apaixonei à primeira vista por ele. Infelizmente seu pai nunca me disse o nome dele. Tudo o que eu sabia era seu apelido: Taskmaster. Eu era jovem na época. Inconsequente. Por isso jamais me preocupei por não saber mais sobre ele, afinal, o mistério era o charme dele. Apesar de toda sua excentricidade e, em alguns momentos, o egocentrismo, ele era uma pessoa impressionante.

E enquanto eu estive ao lado de Taskmaster, eu vivi uma das melhores aventuras da minha vida. Foram os melhores três meses de minha vida. Ele fazia eu me sentir viva. Sempre era ele a me procurar e como na época não tínhamos celulares, tudo o que eu podia fazer era me contentar com suas ligações no telefone fixo da minha casa, onde passávamos horas conversando.

Tudo o que eu sabia é que ele tinha dezesseis anos, era fissurado por jogos, principalmente os de estratégia, e era muito bom nos esportes. Fosse basquete, baseball, futebol ou xadrez, não havia ninguém que era capaz de o vencer. Ele era extremamente inteligente e possuía uma atenção aos detalhes que era invejável, no entanto, ele também tinha um problema sério de memória.

Segundo seu pai, ele era capaz de copiar qualquer movimento dentro de suas capacidades corporais, mas apenas fórmulas matemáticas e alguns poucos idiomas se fixavam em sua mente. Isso se devia ao fato dele ter uma doença rara no cérebro que lhe causava amnésia.

Lembro-me da última vez que conversamos. Eu ainda não sabia que estava grávida de você. Ainda me recordo com pesar de suas palavras: ‘Eu tenho um problema de memória. Eu capturo os movimentos de qualquer um só vendo eles. Isso é muita informação. Mais do que cérebro suporta e por causa disso desenvolvi uma rara e incurável doença cerebral. Então eu esqueço das coisas. Coisas que não são sobre combate, sobre sobrevivência. Pessoas, lugares. Eu não me lembro do que fiz semana passada. Na segunda, eu provavelmente não me lembrarei dessa conversa. Eu queria lutar contigo porque eu pensei que se eu me lembrasse dos seus movimentos, eu poderia lembrar de você’.

Nós não lutamos, filha, então acho que ele se esqueceu de mim. Nossa aventura durou apenas três meses, mas foi o bastante para me arrebatar. Na semana seguinte ele não voltou a aparecer. Nenhum de seus amigos sabiam muito sobre ele e nem onde ele poderia estar, já que eles não o conheciam tão bem. Dias depois eu descobri que estava grávida e continuei minha busca por ele, mas jamais o encontrei. Por isso, espero que você não me odeie por nunca ter dito nada sobre ele.

Eu nunca disse nada, porque me envergonhava por não saber de nada sobre seu pai. Como eu poderia explicar a você que eu vivi uma aventura de verão com um desconhecido, no qual nunca me incomodei de saber mais do que seu apelido, idade e a universidade em que ele estudava? Somente depois dele ter ido embora foi que eu percebi quão burra e ingênua eu fui, filha. Eu deveria ter sido mais cuidadosa. Deveria ter insistido em saber mais sobre ele. E esse arrependimento eu carrego comigo até hoje.

Mas apesar de todos os problemas, eu tenho orgulho de ter você como minha filha. Você é mistura perfeita de nós dois. Jeanne, você tem os olhos e a inteligência de seu pai, mas eu rezo a Deus para que mesmo que eu tenha partido, você nunca se esqueça de mim, porque eu sempre estarei com você, querida. Eu te amo demais. Com amor, mamãe.” – Termino de ler a carta e encaro Jeanne, que possuía o olhar distante e demonstrava toda a sensibilidade pelas palavras da mãe na carta.

— Espero que isso tenha te ajudado de alguma forma. – Comenta Jeanne com a voz embargada. – Como eu disse, não há muitas informações sobre quem é Taskmaster. Nem mesmo minha mãe sabia muito sobre ele.

— Ah, definitivamente isso me ajudou e muito. Essa carta possui informações importantes sobre Taskmaster. – Respondo, sorrindo um pouco mais animado. Natasha e Jeanne me encaram sem entender muito bem o que se passava em minha mente. – De qualquer forma, obrigado pela ajuda. Você se importa se eu ficar com as fotos? Prometo que devolvo assim que eu tiver acabado com o babaca do Taskmaster.

— Pode ficar com toda a caixa, inclusive com a carta. – Responde, dando de ombros. – Eu decidi desistir de procurar por esse homem depois de tudo o que aconteceu. Talvez essa seja a chance que eu precisava para seguir em frente. E eu espero que você consiga pegar esse desgraçado e o fazer pagar por tudo o que ele fez, algo que eu nunca fui capaz.

— Não se preocupe. Eu prometo que darei um jeito de Taskmaster pagar por tudo o que ele fez. Eu não vou parar até ter a certeza de que ele nunca mais será capaz de machucar outra pessoa. – Garanto com seriedade.

— Cuide bem dele, Natasha. Acho que não preciso dizer isso, mas ele tem o costume de se preocupar tanto com o bem-estar dos outros que esquece de si mesmo. Se precisar de ajuda para bater nele, pode me chamar. Eu terei o prazer de ajudar. – Brinca Jeanne e Natasha ri, concordando.

— Eu prometo que farei o meu melhor para colocá-lo na linha. – Responde minha namorada com humor. Ela suspira e encara Jeanne com intensidade. – Obrigada. Eu garanto que você não vai se arrepender de ter nos ajudado. Nós vamos vingar a morte de sua amiga. Eu prometo.

— Obrigada. – Sussurra Jeanne, comovida com as palavras de Natasha.

[...]

— O que tanto se passa em sua cabeça nesse momento? Não estou acostumada em ver você calado por mais de dez minutos. – Comenta Natasha, fazendo com que eu desviasse minha atenção das fotos em minhas mãos para encará-la. – Você está bem?

— Sim. Eu estou ótimo. – Respondo com sinceridade. Ela não parece acreditar muito em minhas palavras. Rio e deixo um beijo em sua bochecha. — É só que eu estou realmente perto de descobrir a chave de todo esse mistério. A carta da mãe de Jeanne me trouxe resposta para algumas das muitas perguntas que eu tinha em minha mente.

— Como quais? – Questiona, confusa. – Porque sinceramente, a carta só me deixou ainda mais confusa sobre quem poderia ser Taskmaster. Ficou óbvio para mim que ele não estudava no MIT e que ele sempre foi um mistério desde que era adolescente.

— Exatamente! – Exclamo e vejo aquele olhar de julgamento de Natasha. Rio e dou de ombros. – A carta de Mercedes me revelou quatro informações importantes sobre Taskmaster.

— Que seriam...? – Natasha me incentiva, fechando o cardápio do restaurante de Jeanne para me encarar.

— O primeiro é que ele tem olhos azuis, um detalhe que estava faltando sobre a descrição feita por Kayla. A segunda informação é que Taskmaster tem cinquenta e sete anos. A terceira é que ele era um pesquisador espacial. E por fim, a quarta informação é que ele sofre de amnésia global transitória com caso grave de amnésia anterógrada. – Respondo e Natasha parece surpresa.

— Os olhos azuis tudo bem, já que a mãe de Jeanne disse que eles possuem os mesmos olhos e a inteligência. Agora como você descobriu as outras três informações? – Pergunta minha namorada com curiosidade.

— Mercedes teve Jeanne com vinte anos. Ela ressaltou que ele era três anos mais novo que ela e que Taskmaster tinha dezesseis anos quando eles se conheceram, portanto Mercedes tinha dezenove. A aventura deles durou apenas três meses e temos que levar em consideração o tempo de gestação. Atualmente, Jeanne tem quarenta anos e Taskmaster é dezessete anos mais velho que ela. – Afirmo e Natasha me encara em dúvida, como se não tivesse certeza de minha dedução.

— E se ele tiver mentido para ela? Quer dizer, não seria tão surpreendente assim, já que ele nunca foi para a universidade. – Aponta Natasha e eu nego com convicção.

— Ele não mentiu. Taskmaster era do MIT, mas não da maneira como Mercedes e Jeanne pensam. O broche que elas ganharam dele é na verdade uma medalha original dada aos pesquisadores espaciais honorários do MIT até trinta anos atrás. Poucas pessoas sabem sobre esse broche, então duvido que ele o roubaria para dar de presente a mãe de Jeanne. Taskmaster é esperto demais para dar um presente sem significado e se Mercedes não sabia que ele era um cientista espacial, então não havia motivos para ele dar o broche de presente. O que me levou a ter certeza de que ele não mentiu sobre a idade dele. – Conto a Natasha que parece realmente surpresa com a informação.

— Você está me dizendo que Taskmaster se tornou um pesquisador espacial aposentado aos dezesseis anos? Como isso é possível? – Pergunta minha namorada, embasbacada.

— Não é à toa que ele foi capaz de se manter escondido por tantos anos. Taskmaster é um homem a frente de seu tempo e extremamente inteligente. No entanto, aposto que com a sua personalidade distorcida, ele deve ter aprontado algo que o tirou da elite acadêmica do MIT, mas por causa de suas descobertas, provavelmente os diretores da universidade resolveram dar a ele o broche de honra pelos feitos conquistados como pesquisador. – Suponho, pensativo.

— E quanto a amnésia? Como sabe o nome da doença dele? – Indaga minha namorada, sem conseguir esconder sua curiosidade.

— A amnésia anterógrada é o caso de quando a pessoa não consegue se lembrar de novas informações, como coisas que aconteceram recentemente. Informações que devem ser armazenadas na memória de curto prazo desaparecem. Isso geralmente é causado por trauma cerebral. No entanto, um paciente com amnésia anterógrada pode se lembrar de dados e eventos que aconteceram antes da lesão. Este efeito pode ser temporário, como em um blecaute causado por excesso de álcool. Ele também pode ser permanente, por exemplo, quando uma pessoa sofre danos na área do cérebro conhecida como o hipocampo, que desempenha um papel importante na formação de memórias. Mas o que me leva a crer que ele tem amnésia global transitória é pelo fato dessa ser uma doença que causa uma perda temporária de toda a memória. O paciente com amnésia global transitória também acha muito difícil de formar novas memórias. E é neste caso que ele tem amnésia anterógrada grave. – A minha explicação parece fazer sentido para Natasha, que suspira surpresa.

— Eu conheço você há anos, mas ainda não me acostumei com a sua capacidade de saber tanto e descobrir tantos detalhes com informações tão amplas quanto as contidas na carta da mãe de Jeanne. – Comenta Natasha, ainda atordoada com a quantidade de informações.

— É sempre um prazer te surpreender. – Brinco, acariciando o rosto de Natasha, que bufa, mas acaba rindo.

— Com licença. – Interrompe o garçom, entrando na sala acompanhado de um homem de descendência japonesa com uma postura séria. Ele usava terno, gravata e uma pasta de couro preto. Nós estávamos em uma parte afastada do restaurante, reservada para realizar reuniões importantes e que não poderiam ser interrompidas por impressa ou outros clientes. – Esse senhor afirma ter um horário marcado com os senhores.

— Obrigado, Juan. Pode ir. – Agradeço e o garçom assente, concordando antes de deixar a sala VIP.

— Boa tarde, sr. Barton, eu me chamo Alex Hayden. Espero não estar atrasado. – O homem se apresenta com seriedade.

— Ah, claro. É um prazer conhecê-lo pessoalmente, sr. Hayden. – Levanto-me e estendo minha mão para o homem em cumprimento. Ele corresponde, sempre expressando seriedade. – Ou o senhor prefere que o chame de Nijo Minamiyori? Soube que o seu nome é a combinação de Alexander Grieg e Josef Haydn, os nomes de seus compositores favoritos.

Como sabe o meu nome em japonês? – Questiona o paparazzi em seu japonês perfeito. Sorrio e aponto para cadeira a minha frente para que ele se sentasse. Volto a me sentar e sorrio, virando-me para Natasha.

Essa é a agente Natasha Romanoff. Ela é uma agente da CIA e não há nenhuma informação que ela não consiga. – Apresento minha namorada e o paparazzi se retrai em sua cadeira, mas aperta a mão de Natasha, quando ela a estende.

É um prazer conhecer de forma civilizada um legítimo infiltrado membro da Yakuza nos Estados Unidos, Nijo. Nas últimas vezes que tive contato com os membros de sua gangue, eu acabei matando cerca de cinquenta de seus homens por mexerem com meus sobrinhos. – Comenta Natasha em japonês, apertando com mais intensidade a mão do homem, que tenta puxar a mão de volta, provavelmente planejando fugir. – Então, eu te darei duas opções. Ou você me conta tudo o que eu quero saber e eu magicamente tenho amnésia e permito que você vá embora, assim fingindo que esse encontro nunca aconteceu. Ou você vai experimentar as habilidades únicas do especialista em torturas históricas, Clint Barton, além de ter seu nome passado a Yakuza como aquele que nos contou sobre a localização do quartel de vocês aqui em Hawkins, que coincidentemente, Clint já possui conhecimento.

— E então, Nijo? Você vai preferir o método simples e indolor ou vamos ter que partir para a minha diversão de ver você sofrendo? Eu tenho que confessar que não estou muito feliz com você, Nijo. Quer dizer, você foi responsável direto pela morte de Lester Dawson, que é pai de uma garota muito especial que eu tenho como uma filha. — Comento e posso ver o medo brilhar nos olhos do homem.

— Tudo bem. Eu conto o que querem saber. – Responde em inglês, parecendo compreender que não havia muita escolha. Natasha solta a mão de Nijo e ele engole em seco, acomodando-se melhor em sua cadeira. – O que vocês desejam saber primeiro?

— Excelente escolha, sr. Hayden. – Digo, sorrindo com satisfação. – Qual a ligação da HYDRA com a Yakuza?

— O inimigo do meu inimigo é meu amigo. – Declara Nijo, colocando sua pasta na cadeira ao lado da sua. Ele me encara e posso ver seu desconforto. – Os líderes das famílias da Yakuza desejam a sua cabeça e o líder da HYDRA acredita que você é o único capaz de destruir a organização. Eles resolveram unir forças para te deter.

Notas finais
Jeanne Foucault: https://i.pinimg.com/564x/63/1d/00/631d00e72faa7892a5f7e955daeaa904.jpg Alex Hayden/Nijo Minamiyori: https://i.pinimg.com/564x/b6/e4/3e/b6e43e8969d36bf0ce55f1917127ddf2.jpg oOo Família Cupcake 2.0: https://chat.whatsapp.com/BbOG6KJnuHy2dQIs1sC9Ss Cupcakes da Lara: https://www.facebook.com/groups/677328449023646 Instagram: @_cupcakesdalara