Mistérios de Dezembro
21 Teste
ROMANCES MENSAIS
LIVRO XII – MISTÉRIOS DE DEZEMBRO
CAPÍTULO XX – TESTE
— Então foi o seu novo inimigo que enviou os paparazzis para o hospital onde meu pai estava internado? – Questiona Ally, sentando-se no sofá do camarim com uma expressão extasiada. Austin senta ao lado da namorada e aperta suas mãos, transmitindo todo o apoio emocional que a garota precisava naquele momento. Falar sobre a morte de seu pai ainda era um assunto bastante doloroso e complicado.
Depois de ouvirmos toda a explicação de Aaron sobre as interferências de Taskmaster na vida dos membros da família Barton, eu vi o ódio se tornar presente nos olhos de Clint. Ao mesmo tempo, eu podia sentir uma grande tristeza se apossar de seu coração. Ele simplesmente não conseguia aceitar que não havia conseguido poupar seus sobrinhos de seus inimigos e isso o destruía por dentro, já que eles são seus bens mais preciosos.
Assim, ele resolveu que antes de iniciar sua perseguição acirrada a Taskmaster, ele se desculparia com Ally pelo que aconteceu. Depois de garantir que Aaron fosse levado pela CIA para iniciar o interrogatório do rapaz com a S.H.I.E.L.D e em seguida com os agentes do FBI, Clint, Hillary, Shawn e eu esperamos até que o show de Austin e Ally se encerrasse para ir ao camarim conversar com o casal e revelar tudo o que havíamos descoberto através de Aaron.
— Sim. Assim como os paparazzis que te perseguiram por meses. Eu sinto muito, Ally. A culpa é toda minha. – Lamenta Clint, demonstrando toda a culpa que carregava em seu peito desde que soube por Aaron que Taskmaster estava interferindo na vida das crianças para atingir Clint. – Eu deveria ter notado isso antes. Deveria ter protegido você e seu pai.
— Clint, você não tem culpa de nada. Você não tem que se desculpar comigo. – Afirma Ally, suspirando. Ela se levanta e vai até Clint, pegando suas mãos com carinho. – Se alguém tem culpa do que aconteceu, esse alguém é esse homem que tem tentado te prejudicar. Você foi a pessoa que mais me ajudou nesses últimos meses e eu sempre serei grata a você. Se não fosse por você, eu jamais teria pago os tratamentos tão caros do meu pai, não teria ganhado a bolsa de estudos da Auradon e definitivamente nunca teria conhecido Austin. É graças a você que hoje eu sou capaz de realizar os meus sonhos, que eu tenho o amor da minha vida ao meu lado e uma família que me ama e que cuida de mim. Então, por favor, não se sinta culpado, porque eu nem mesmo sei o que seria da minha vida se você não tivesse aparecido para me salvar.
— Ah, minha pequena Ally. – Sussurra Clint, parecendo emocionado com as palavras da namorada de Austin e sua ex-funcionária. Ele a abraça com carinho e posso ver todo o vínculo que eles possuem. Troco sorrisos com Austin, que parecia tão aliviado quanto eu pela garota ter sido tão compreensiva com a delicada situação. – Você é realmente um anjo.
— Obrigada por ser como um pai para mim. Eu nunca serei capaz de agradecer o suficiente por tudo o que você me proporcionou. Não foi apenas uma oportunidade de emprego que você me deu. Foi todo um futuro que eu jamais teria tido. – Sussurra Ally com os olhos cheios de lágrimas, enquanto abraça o homem com intensidade.
Austin se levanta e vem para o meu lado. Abraço o garoto e continuamos a encarar Clint e Ally por alguns minutos até que eles se afastam e meu namorado deixa um beijo paternal na testa da garota. Sorrio e deixo um beijo na bochecha de Austin, que me aperta ainda mais.
— É muito bom ver que Ally não culpa Clint. Por um momento, eu realmente fiquei preocupada com a reação dela. – Comenta Hillary ao meu lado. Austin me solta e encara a namorada com um sorriso orgulhoso nos lábios.
— Ally jamais culparia tio Clint. Ainda que não o conhecesse, ela é justa e otimista o bastante para perceber a sinceridade no pedido de desculpa e na explicação de tio Clint. – Responde Austin e então sua atenção retorna para nós. – Mas, vocês realmente nem mesmo desconfiam de quem possa ser esse tal Taskmaster? Nenhuma pista de quem ele pode ser?
— Ainda não. – Conta Shawn, suspirando. – É como se esse cara fosse um vírus que infecta nossos sistemas e nos impede de enxergar quem ele realmente é. Ele parece estar em todos os lugares e saber exatamente o que iremos fazer, ao mesmo tempo, nós sentimos como se estivéssemos correndo em círculos, sempre voltando para o ponto de partida.
— Mesmo com as informações de Aaron, você não conseguiu pensar em ninguém que pudesse ser ele? – Pergunta Ally, encarando Clint com curiosidade. – Mal comentou que a filha da melhor amiga de Felicity havia se encontrado com ele uma vez. Ela não poderia ajudar vocês?
— As informações dadas por Aaron ajudaram a limitar minha área de pesquisa a pessoas com quem já me encontrei antes, mas ainda há muitas possibilidades. Kayla descreveu Taskmaster como um homem branco, careca, alto, sem cicatrizes ou marcas que pudessem o diferenciar. – Responde Clint, suspirando.
— E imagino que essa descrição bate com uma quantidade enorme de pessoas que você já conheceu. – Supõe Austin e Clint assente, concordando. – Mas nenhuma das pessoas que desejam ver o senhor morto tem essa aparência?
— Não acho que ele queira Clint morto. – Respondo e Hillary balança a cabeça, parecendo ter o mesmo ponto de vista que eu.
— Eu também não acho que ele seja exatamente um inimigo de Clint. – Comenta Hillary, pensativa. – Taskmaster está no poder da HYDRA há pelo menos vinte anos e durante esse tempo, ele sempre desafiou agentes da CIA com jogos perigosos como ele tem feito com Clint. Pode até ser que ele tenha algo contra, mas pela forma como ele se refere a Clint parece demonstrar muito mais admiração e respeito do que ódio ou desejo de vingança, como geralmente vemos em casos como esse.
— Para Taskmaster, Clint é o único capaz de competir de igual com ele em seus jogos. Ele realmente tem uma grande admiração por Clint. – Afirmo, relembrando de meu encontro com ele. – E é por isso que se torna ainda mais difícil para Clint descobrir quem ele é.
— Mesmo com o seu poder de dedução impressionante? – Questiona Ally, parecendo surpresa com a revelação.
— O grande problema é que ao contrário de como ele fez com Natasha, Taskmaster nunca apareceu na minha frente com sua fantasia. As pessoas que tiveram contato com ele, com exceção de Kayla, nunca viram nada além de uma pessoa usando uma roupa que escondia todos os pedaços de pele. Mesmo com minha dedução, eu ainda preciso ter contato com provas mais concretas para chegar a um resultado. – Explica Clint, suspirando.
— E se ele for um parente seu ou algum professor? A descrição do dicionário de Taskmaster é uma pessoa que impõe uma carga de trabalho dura ou onerosa a alguém. Então podemos supor que seja algo semelhante a um treinador ou chefe. – Comenta Ally, pensativa. – Como sabemos que você nunca teve um chefe, podemos supor que essa pessoa pode ter sido algum treinador da escola ou algo assim para você.
— Não. Impossível. – Responde Clint, dando de ombros.
— Por que impossível? – Questiona Hillary com curiosidade.
— Porque Clint nunca teve um treinador. Ele foi para a universidade com catorze anos. Clint só frequentou a escola por um ano e por causa do intelecto dele avançado, ele nunca participava das aulas de educação física ou de esportes. – Digo e Clint assente, fazendo Hillary o encarar surpresa.
— A única coisa que presta nele é o QI elevado de um gênio e a memória fotográfica dele. – Comenta Shawn, fazendo Hillary ri e Clint revirar os olhos. – E é por causa disso que eu tenho certeza de que ele teria se lembrado pela descrição da menina quem é o Taskmaster se fosse uma pessoa relativamente próxima dele.
— Então nada de treinador ou professor careca? – Murmura Ally, desanimada.
— Ele poderia ter raspado a cabeça recentemente. – Supõe Austin, mas Clint suspira e dá de ombros.
— De qualquer forma, eu terei que entrar em contato com Kayla para repassar o depoimento dela e preciso conversar com Damon para saber se ele tem alguma ideia de quem poderia ser essa pessoa, já que Aaron afirmou que ele é conhecido da bruxa da Lillian Graham. Também vou conversar com todos os paparazzis que invadiram o quarto de seu pai, Ally, para descobrir se algum deles sabe alguma coisa sobre a pessoa que os enviou até o hospital. – Afirma Clint e dessa vez sou eu quem suspira.
— O grande problema será conseguir uma informação deles. Paparazzis nunca estão dispostos a abrir a boca. – Comento, sentindo o peso sobre os meus ombros, antecipando o trabalho que teríamos.
— Nesse caso, eu acho que posso ajudar um pouco, ainda que não tenha nenhuma garantia de que vai dar certo. – Responde Ally, indo até a mochila azul com listras brancas que estava em uma das cadeiras do camarim. – Um pouco depois da morte de meu pai, um dos paparazzis veio me procurar para pedir desculpas pelo que aconteceu. Ele disse que lamentava muito e que nunca foi a intenção dele agravar o estado de saúde de meu pai. Esse homem deixou um cartão comigo e disse que se eu precisasse de qualquer informação ou se um dia eu precisasse de algum favor, eu poderia entrar em contato com ele. Apesar de achar que eu nunca precisaria entrar em contato com ele, guardei o cartão dele em minha carteira. Podemos marcar de nos encontrar com ele. Talvez comigo presente, ele acabe contando o que precisam saber.
Ally então se aproxima com o cartão do paparazzi em mãos e entrega a Clint, que o encara e sorri com satisfação. O homem então abraça a garota de forma inesperada e a tira do chão, fazendo Ally gritar surpresa.
— Você é mesmo um anjo, Ally. Um anjo! – Exclama Clint, arrancando risos de todos que presenciavam sua animação.
[...]
Depois de nossa conversa com Ally e Austin, Clint parecia muito mais animado. Ele realmente havia encontrado um pouco de esperança sobre como descobrir a identidade de Taskmaster para o meu alívio. Eu tentava não depender muito de Clint, mas depois de me encontrar com o líder da HYDRA, eu pude finalmente entender que a única pessoa capaz de parar o maldito narcisista era Clint e era por isso que eu precisava que ele permanecesse confiante nessa busca.
Assim que deixamos a Howl at the Moon, retornamos para Hawkins. Após levar Shawn e Hillary para suas respectivas casas, Clint e eu seguimos para sua mansão. Planejávamos estudar todas as informações passadas por Aaron na tentativa de limitar o máximo possível de suspeitos. No entanto, nossos planos foram por água abaixo quando vemos Beth sentada na escada da entrada da mansão completamente empacotada, enquanto observava o céu.
— O que Beth está fazendo sentada no lado de fora da casa? – Sussurra Clint, parecendo tão surpreso quanto eu, afinal, todos os membros da família Barton possui acesso a fechadura por digital da mansão, então não havia motivos para a garota estar sentada encolhida na escada, enquanto apertava a própria bolsa.
— É melhor vermos o que aconteceu. A expressão perdida dela está me deixando bastante preocupada. – Respondo e Clint assente, enquanto desliga o carro e retira o cinto de segurança.
Clint e eu descemos do carro e nos aproximamos de mãos dadas da garota loira de cabelos curtos, que demora um bom tempo até notar a nossa presença. Beth se levanta de uma vez e me encara surpresa, antes de arregalar os olhos e dar um largo sorriso. Impedindo que Clint e eu a cumprimentassem, Beth simplesmente se joga sobre nós e nos abraça apertado.
— Vocês estão juntos de novo! Eu sabia! Eu sabia que isso ia acabar acontecendo. – Comemora a garota com animação, assim que se separa de nós. – Parabéns!
— Obrigada. – Agradeço, sentindo-me um pouco envergonhada pelo olhar convencido de Beth.
— Obrigado, Beth. – Clint acaricia o rosto da sobrinha, que sorri com doçura e fecha os olhos, apreciando o carinho. – Você está congelando. Por que não entramos? Tenho certeza de que você não veio aqui apenas para me desejar felicidades por estar junto de sua tia mais uma vez.
— Tudo bem. – Concorda Beth, esboçando um olhar nervoso. Clint nos guia até a entrada da casa. – Desculpa ter vindo sem avisar, tio Clint.
— Você sabe que eu não me importo com isso, Beth. Você e seus primos são muito bem-vindos para virem a minha casa em qualquer dia ou qualquer horário, comigo presente nela ou não. Essa casa também é de vocês. – Afirma Clint, assim que fecha a porta de casa.
Suspiro aliviada por sentir a temperatura agradável da casa aquecida. Todos nós retiramos os casacos e os outros acessórios completamente encharcados pela neve logo no hall da mansão. Livres das roupas úmidas que poderiam nos deixar doentes, seguimos para a sala de estar da casa. Clint faz sinal para que nos sentássemos nos sofás e desaparece informando que nos traria chocolate-quente.
— Você esperou muito tempo por Clint? – Pergunto e Beth apenas dá de ombros, como se não soubesse o que dizer. – Por que não esperou aqui dentro? Você sabe que tem acesso.
— Eu... eu não sei. Eu só estava ansiosa demais para ficar parada. Tudo o que eu queria era me encontrar com tio Clint e assim que eu percebi que ele não estava em casa, fiquei do lado de fora, observando as estrelas e tentando me acalmar. – Confessa e eu a encaro com preocupação.
— Aconteceu alguma coisa? Você está bem? – Questiono em um certo desespero. Ver quão nervosa e inquieta Beth estava me deixava ainda mais assustada sobre a possibilidade dela, a irmã ou o marido estarem em perigo. Ou de algo de grave ter realmente assistido.
— Eu estou bem. É só que... bem, eu... eu... – Beth gagueja, hesitante.
— Beth! O que aconteceu? – Pressiono a garota, impaciente. A demora de ter respostas estava me deixando apavorada. Ela suspira e leva as mãos ao rosto, respirando nervosa.
— Beth está grávida. – Responde Clint, voltando para a sala com uma bandeja com canecas de chocolates quentes. Ele coloca a bandeja sobre a mesa de centro e se aproxima da sobrinha, deixando um beijo em sua testa. – E ela está apavorada com a novidade.
— Como... como você descobriu, tio Clint? – Balbucia Beth com os olhos arregalados e a boca levemente aberta.
— O seu desespero foi o bastante para eu saber que havia algo a ver com você. E então o teste de gravidez escapando de sua bolsa foi uma boa dica para me dizer que minha sobrinha mais velha ganhará um herdeiro. – Responde Clint, sentando-se ao lado de Beth. Ele a abraça e dá diversos beijos em sua bochecha. Ele entrega uma das canecas de chocolate quente a Beth, que bebe um gole generoso e suspira com o sabor. – E eu estou muito feliz por você, querida.
— Obrigada, tio Clint. Mas a verdade é que eu não faço ideia de como eu deveria reagir ou como contar a Daryl sobre minha gestação. E então eu começo a pensar que eu serei uma péssima mãe e entro em desespero. – Confessa Beth com um sorriso amarelo.
— Acredite em mim, Beth. Quem é uma péssima mãe jamais entraria em desespero pela possiblidade de ser uma péssima mãe. – Afirmo, sentando-me ao lado de Beth depois de pegar em sua mão. – É normal que esteja com medo, mas não precisa se preocupar tanto. Você definitivamente será uma mãe incrível.
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