Mistérios de Dezembro
18 Questões
Notas iniciais
ROMANCES MENSAIS
LIVRO XII – MISTÉRIOS DE DEZEMBRO
CAPÍTULO XVII – QUESTÕES
Noto a presença de Shawn e me viro para encará-lo. Ele havia acabado de sair do banho e usava apenas uma toalha na cintura. A expressão carrancuda quase me faz ri do jovem que eu tenho como um irmão mais novo. Shawn se aproxima e exibe aquele típico sorriso irônico.
— Eu vou te explicar pelo que deve ser a centésima vez de uma forma que até mesmo uma criança consegue entender. Clint, eu sou doutor em engenharia, matemática e física. Atualmente, eu trabalho como professor e realizo pesquisas na área de cosmologia Universidade de Pesquisas Cientificas e Tecnológicas Avançadas de Hawkins. Em outras palavras, eu estudo o espaço. Conseguiu entender agora? – Shawn esbanjava sarcasmo e olhares indignados.
Ele estava irritado. Eu havia usado da minha amizade com o coordenador dele na universidade para o tirar de sua atual pesquisa e me acompanhar na ida até Crown Hill, a cidade onde está localizada a casa de shows em que Austin e Ally vão cantar essa noite e onde Natasha e eu iremos nos encontrar com Aaron.
— Sim. Agora se vista de uma vez por todas, porque nós já estamos atrasados. – Respondo, estendendo a roupa que eu havia dado de presente a ele no seu aniversário do ano passado e que estava escondido em seu guarda-roupa atrás das roupas largas e sem graças que ele geralmente usava. Ele bufa e me encara sem acreditar.
— Clint, eu não vou! Eu odeio casas de shows, tumulto e não sou um agente da CIA ou do FBI. Quando você vai parar com essa sua mania irritante de me arrasta para as suas loucuras e me fazer realizar trabalhos que não são da minha especialidade? Eu não sou legista! Não sou policial! Não sou médico! Eu sou um cientista! Um físico e matemático. Por que você...
— Clint, querido, eu trouxe um lanchinho para você! – Susan entra no quarto de uma vez, carregando uma bandeja com suco e sanduíches. – Você está tão magrinho e parece tão cansado...
— Mãe! Quantas vezes eu já falei para a senhora bater na porta antes de entrar no meu quarto? – Resmunga Shawn, apertando a toalha que estava ao redor de sua cintura.
— Eu sou sua mãe, garoto. Não há nada que você tenha aí que eu nunca tenha visto. Eu limpei sua bunda até os oitos anos de idade. — Susan o encara com tédio e coloca a bandeja sobre a penteadeira de Shawn.
— E minha privacidade? Eu já tenho vinte e oito anos, mãe. Eu sou um adulto, que...
— Que esquece de arrumar a cama, de limpar a casa, de comer e de ligar para a mãe. Você ainda vive se isolando do mundo e se não fosse por Clint, eu duvido que você sairia de casa se não fosse para ir à universidade. – Resmunga Susan, encarando o filho com repreensão. Ela então pega o copo de suco e o prato com sanduíches e me estende com um sorriso amável no rosto, nada parecido com a expressão ameaçadora que ela lançou segundos antes a Shawn. – Aqui, querido. Eu trouxe especialmente para você. Sanduíche de presunto com maionese. O seu preferido.
— Eu sou o seu filho aqui, dona Susan. Por que para ele você fica fazendo lanchinhos e eu só recebo olhares feios e xingamentos? – Resmunga Shawn, como uma criança enciumada. Acabo rindo de seu comportamento, jogando a roupa que eu escolhi nele. – Você é um babaca, Clint. Eu deveria te expulsar daqui.
— Clint não vai a lugar algum. E você pare de falar mal dele. Clint é seu amigo e uma ótima influência para você. – Susan repreende Shawn mais uma vez, deixando o rapaz ainda mais indignado.
A mulher de olhos verdes semelhantes ao do filho e cabelos na cintura castanhos não parecia ter os seus cinquenta anos. Depois de ter sido abandonada pelo pai de Shawn, quando ainda estava grávida do garoto, ela nunca mais se envolveu com ninguém. Ela parecia ter desistido do amor e passou a se dedicar completamente ao filho, que sempre foi um prodígio.
Susan abriu mão de muitas coisas e teve que trabalhar o dobro para conseguir sustentar Shawn, já que a família nunca a apoiou. Como o garoto era um gênio, ela teve que se doar ainda mais ao trabalho para pagar as despesas com Shawn na faculdade quando ainda estava entrando na adolescência. Por causa disso, o cientista tinha uma imensa admiração pela mãe e fazia de tudo para deixá-la feliz e a encher de orgulho.
— Você é um anjo, Susan. Eu me casaria com você se não estivesse comprometido. – Respondo, comendo o sanduíche que ela havia preparado. – E isso é jeito de tratar a sua mãe, Shawn? Essa não foi a educação que ela te deu.
— Eu vou te expulsar da minha casa, Clint! Você é um... espera. Comprometido? Desde quando? – Questiona Shawn, finalmente absorvendo as informações que eu havia passado.
— Desde que estávamos no hospital e Natasha aceitou voltar a namorar comigo. – Digo, sentindo meu coração se encher de orgulho e felicidade ao lembrar da noite mágica que nós tivemos, olhando a cidade e curtindo a presença um do outro.
— Isso foi no sábado à noite. Por que você não me contou isso antes? – Indaga o rapaz com uma expressão chocada, como se eu tivesse acabado de dar uma facada em suas costas.
Susan sorri e sussurra um “felicidades” com os olhos brilhado em doçura, antes de sair do quarto. Ela sabia como o filho era sensível e que provavelmente precisaríamos de um pouco de privacidade para conversar sobre o meu namoro com Natasha e o motivo de não ter contado a ele o ocorrido de dois dias atrás.
Bebo um pouco do suco de laranja que Susan havia preparado para mim e deixo o prato e o copo de volta na bandeja. Ao me virar para Shawn, ele vestia a roupa que eu pedi com a expressão entristecida. Apesar de viver discutindo comigo, eu sabia o quanto ele era apegado a mim e que sua personalidade irritada e irônica era só fachada para a criança de coração frágil que ele é.
— Eu não te contei, porque você disse que não queria mais saber sobre os acontecimentos de minha vida na última mensagem que eu te enviei. – Respondo e ele pega um de seus travesseiros para jogar, mas como era de se esperar, passa bem longe de mim. – Você é realmente péssimo de mira.
— E você é um babaca. Eu disse que eu não queria saber coisas inúteis da sua vida e você sabia disso! Você ficava me enviando fotos de você no banheiro ou para eu escolher a droga do melhor arco, sendo que ninguém usa arco e flecha hoje em dia. – Acusa Shawn, bufando incrédulo.
— Eu uso arco e flecha hoje em dia. – Afirmo, dando de ombros.
— Quando você usa isso, seu maluco? Nós não estamos mais na Idade Média e nem na pré-história para você ficar atirando flecha em animais ou pessoas! Para que ter uma coleção de arco e flecha?
— Qual é o problema? Eu gosto e é um esporte bastante interessante. Você que é preconceituoso demais com o arco e flecha para ver a grandeza dele. – Retruco e ele leva as mãos ao rosto, rindo com sarcasmo.
— Você está me fazendo mudar de assunto, Clinton Barton! Eu vou te arremessar por essa janela e vou assistir você quebrar todos os ossos do seu corpo com um balde de pipocas em mãos. – Ameaça Shawn, irritado.
— Matematicamente falando, nós dois sabemos que isso não seria possível, já que a minha queda seria de no máximo cinquenta centímetros. Além do mais, sua mãe não deixaria você me machucar. Ela me ama demais para isso. Eu sou uma boa influência para você. – Argumento e ele grita, furioso.
— Para de mudar de assunto e fala logo como foi que você e Natasha voltaram a namorar ou eu juro que vou atirar na sua cabeça. – Exige Shawn e no momento em que eu retrucaria sua mira, ele me lança um olhar fulminante. – Não ouse falar sobre a mira. Você sabe que eu tenho métodos precisos para matar você.
Era sempre divertido tirar Shawn do sério. Seu rosto assume uma coloração rosada, os olhos parecem assumir o dobro do tamanho e ele se deixava levar fácil pelas minhas provocações. Por isso, era inevitável não aproveitar as oportunidades para brincar com ele.
— Tudo bem. – Respondo, rendendo-me, enquanto segurava o riso. – Na verdade, eu não te contei antes, porque não tive tempo. Nós conversamos e nos reconciliamos da madrugada de sábado para domingo. Como você voltou para casa antes de mim, não consegui conversar com você quando saímos do hospital. Domingo eu precisei levar a família de Bernard ao aeroporto e depois passei a investigar o possível motivo do encontro entre Aaron e Alexi na casa de shows em uma cidade vizinha.
“Depois precisei entrar em contato com Austin para conseguir cortesias para entrar nesse lugar que sempre é lotado. E então, precisei ir ao Sense’s e ao Hawkeye para resolver alguns problemas. Em seguida, precisei entrar em contato com alguns empresários da minha ilha e isso ocupou todo o meu domingo e essa madrugada.
Eu não dormi nada essa noite e sendo sincero, os sanduíches que a sua mãe trouxe foi a primeira refeição decente que como desde ontem. Sem Bernard para me ajudar, eu estou precisando me virar para dar conta de todos os meus negócios. Mesmo Mon-El cuidando das coisas por aqui, eu ainda tenho que lidar com as minhas responsabilidades pelo mundo.
E agora tenho o maldito do Taskmaster para atrapalhar minha vida. Não tem sido fácil lidar com tudo. Então me desculpe por não ter contado para você antes. Eu juro que você é a primeira pessoa para quem conto isso. Nem mesmo meus sobrinhos e Mon-El sabem que nós voltamos.” – Explico e Shawn suspira, parecendo se dar por vencido.
— Você é mesmo um idiota. – Resmunga Shawn, indo até a porta do quarto. – Mãe! Poderia preparar algo reforçado para o Clint comer? Nós iremos sair e ele ainda não se alimentou direito.
— Claro! – Grita Susan em resposta.
Shawn suspira e fecha a porta do quarto, voltando-se para a penteadeira do quarto para arrumar o cabelo, sem olhar para mim. Sorrio, agradecido pelo cuidado dele. Mais do que ficar irritado pelas minhas provocações, ele se chateava ainda mais com a minha falta de cuidado com a minha própria falta de preocupação com a minha saúde.
— Poderia me dizer mais uma vez o motivo de você precisar que eu vá? – Questiona, penteando o cabelo.
— Como disse antes, você não é um agente da CIA e nem do FBI. Não sabemos quem estará na casa de shows, mas duvido que alguém irá reconhecer você. Tudo o que precisa fazer é impedir que Aaron ou Alexi fujam. Natasha também vai chamar a Hillary, então eles vão evitar ir na direção dela para ir até você. – Respondo e ele suspira, finalmente virando-se para me encarar.
— E como pode ter tanta certeza de que eles irão aparecer? Depois do que aconteceu a Alexi, eles não poderiam simplesmente desmarcar com Aaron? – Pergunta o rapaz e eu nego.
— Aaron vai aparecer. Ele espera que eu apareça, assim como Taskmaster. – Afirmo e isso aprece surpreender Shawn. – Eu conheço o meu sobrinho melhor do que qualquer pessoa nesse mundo. Ele quer me confrontar. E sabe que nada melhor do que se unir ao meu maior inimigo. É por isso que ele estará lá.
— Se você diz. De qualquer forma, não é como se tivéssemos muito a perder. – Comenta Shawn, virando-se por completo para mim. Ele vai até o guarda-roupa bagunçado dele e retirar um de seus casacos. Depois de se vestir, ele se vira para mim. – Eu estou pronto.
— Ótimo. Nós ainda precisamos passar na casa de Natasha antes de enfrentar a viagem de duas horas até Crown Hill. – Respondo, sorrindo e Shawn assente. Estava na hora de ir. Uma noite de grandes surpresas estava por vir.
[...]
— Tio Clint! – Austin me abraça assim que me ver entrar pelo camarim. Assim que nota a presença de Natasha, seu sorriso se alarga ainda mais. – Tia Tasha! Eu não acredito que vocês realmente vieram.
— É claro que viemos. É a minha oportunidade de me exibir para as pessoas, dizendo que eu sou o tio do melhor cantor do país e amigo da melhor cantora do mundo. – Respondo e Ally ri, aproximando-se de mim para me cumprimentar.
— Por que ela é do mundo e eu sou apenas do país? – Questiona Austin, abraçando Natasha, ainda tendo um tom bem-humorado em sua voz.
— Questão de opinião. – Brinco, abraçando Ally.
— É bom ver você, Clint. Eu já estava com saudades. Obrigada por ter vindo. – Ally agradece, afastando-se de mim. Ela cumprimenta Natasha com um abraço e então encara nossos acompanhantes – Hillary! Que bom que veio nos assistir.
— Oi, Ally. Obrigada pelos convites. Estou ansiosa para ver vocês se apresentarem. – Afirma Hillary, sorrindo com sinceridade.
Para não estressar o casal e deixá-los apreensivos, eu não havia dito a Austin e nem a Ally sobre a provável presença de Aaron em sua apresentação. Eu queria evitar possíveis desavenças entre os irmãos que nunca se deram muito bem. Depois da traição de Aaron ao ficar com a ex-namorada de Austin, mesmo sabendo que eles ainda namoravam, engravidar a garota e se casar com ela, o relacionamento deles se tornou ainda mais explosivo.
— E eu tenho certeza de que o vi na festa de tio Clint e algumas vezes na casa dele. Shawn, não é? – Questiona Austin, virando-se para Shawn, que assente e aperta a mão de meu sobrinho em cumprimento.
— É bom vê-lo novamente, Austin. Espero que façam um bom show essa noite. Tenho certeza de que será realmente inesquecível. – Deseja Shawn, fazendo os sorrisos do casal se alargarem ainda mais.
— Obrigada, Shawn. – Ally sorri radiante. Ela estava linda com o cabelo trançado de lateral. A garota usava blusa e calça pretas, uma jaqueta de couro vermelha e botas pretas. – Bom, eu preciso aquecer minha voz, mas fiquem à vontade. Tem doces, água, suco e biscoitos na mesa. Até mais.
— Obrigada, Ally. – Natasha se despede da garota com um aceno e sorriso sincero no rosto. Assim que Ally deixa a sala, ela se vira para nós. – Eu vou procurar pelos nossos lugares.
— Eu vou com você. – Avisa Hillary, despedindo-se de Austin com um rápido aceno. – Boa sorte.
— Até mais tarde. – Responde Austin, sorrindo animado. Ele então se vira para mim. – Tio Clint, antes de você ir, será que nós podemos conversar?
— É claro, Austin. – Concordo, vendo a apreensão nos olhos castanhos do loiro. Viro-me para Shawn e faço sinal para que ele vá na frente.
— Acho melhor eu ir com elas. Bom show, Austin.
— Obrigado. – Austin agradece, sorrindo.
Shawn deixa a sala e Austin faz sinal para que eu me sentasse no sofá que havia em seu camarim. Assinto e o sigo, observando o local com curiosidade. Havia cartazes de inúmeros artistas espalhados pelas paredes, instrumentos musicais, uma televisão de frente para o sofá, um frigobar, uma mesa com diversas guloseimas, espelhos e penteadeiras que eles poderiam usar para se arrumar.
Austin suspira e o sinto se remexer um pouco agitado no sofá. Desvio o olhar para encará-lo e o vejo brincando com as mãos, uma mania que ele tem desde criança quando fica nervoso. Sento-me em uma posição mais confortável, ficando de frente para Austin.
— O que tanto tem preocupado essa sua cabecinha? – Pergunto e ele finalmente ergue o olhar. – Eu devo fazer o jogo de perguntas ou se sente pronto para falar diretamente?
— Acho melhor o jogo de perguntas. – Responde, dando um sorriso envergonhado. Rio e assinto.
— Tudo bem. O problema envolve a Ally? – Pergunto e ele assente.
— Sim. Mas não é exatamente um problema. – Explica Austin temeroso e eu finalmente compreendo o que estava acontecendo.
— Você está pensando em pedi-la em casamento, mas está com medo de estar indo rápido demais na relação. Então você não sabe o que fazer. – Digo e Austin arfa, surpreso. Mais uma vez, rio de sua transparência.
— O que eu faço, tio Clint? – Questiona Austin em um sussurro. – Em um mês, nós iremos nos mudar para Nova York e iremos iniciar uma vida semelhante à de um casamento. Nós até mesmo temos conversado sobre isso, mas nada tão sério. Todos os nossos planos envolvem depois da faculdade. Só que...
— Você está com medo também que o relacionamento de vocês mude conforme vocês conhecem novas pessoas. – Completo o que parecia estar entalado na garganta de Austin.
— Sim. – Sussurra, suspirando. – Eu sei que nosso amor é forte e que enfrentamos muitas coisas para ficarmos juntos, mas eu não consigo evitar a insegurança. Essa será a primeira vez que estarei longe da minha família e eu perdi as contas de quantas pessoas já me disseram que relacionamentos que se iniciaram no ensino médio nunca duram na faculdade, porque o casal começa a conhecer pessoas novas e fica cada vez mais difícil de se ver. E então, quando menos se espera, o casal se separa, porque percebem que não possuem mais nada em comum.
— Austin, você não precisa se casar com Ally para garantir que o relacionamento de vocês seja duradouro. Na verdade, não há necessidade de apressar as coisas. Vocês só têm dezoito anos e estão começando a vida de vocês agora. – Respondo, dando tapinhas de leve no rosto de meu sobrinho. – E é claro que o relacionamento de vocês irá mudar. Nós estamos sempre em constante mudanças. Faz parte da vida. Não somos as mesmas pessoas que éramos ontem e nem seremos os mesmos que somos hoje amanhã. Todos os dias ganhamos experiências que nos ajuda a crescer e a amadurecer.
— E o que eu faço, tio Clint? – Pergunta o rapaz com apreensão.
— Você precisa confiar no amor que sente por Ally e lutar todos os dias para garantir que a chama da paixão nunca se apague. No momento em que vocês começarem a enfrentar as dificuldades de se morar juntos e longe da família, vocês vão experimentar o terror da convivência. Então, os dois precisam estar dispostos a fazer a relação dar certo. Precisam aprender quando ceder e quando lutar. Não será fácil. Haverá dias em que o amor parece não ser o bastante para impedir que vocês queiram se matar e outros que vocês se sentirão as pessoas mais sortudas do mundo por terem um ao outro. A vida é assim mesmo. Mas ao invés de ficar sofrendo por antecedência, por que simplesmente não aproveita a vida? – Sugiro e ele sorri, assentindo. – E se as coisas parecerem complicadas demais para suportar, você sempre terá o maluco do seu tio Clint para pegar um avião e voar para Nova York só para puxar a orelha de vocês.
— Obrigado, tio Clint. – Austin me abraça e sorri agradecido.
— Sempre que precisar, eu estou aqui, Austin. Sempre. – Afirmo, correspondendo ao abraço com intensidade. Assim que nos afastamos, posso ver o alívio em seus olhos. – Bom, você tem um show importante para fazer e eu preciso ir para o meu lugar.
— Vejo você depois do show? – Pergunta Austin, esperançoso.
— É claro que sim. – Garanto e ele parece ainda mais animado.
Despeço-me e deixo o camarim. Agora, estava na hora de lidar com o Moon mais velho e algo me dizia que essa conversa exigiria muito mais de mim do que eu posso imaginar.
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