Mistérios de Dezembro
9 Honra
ROMANCES MENSAIS
LIVRO XII – MISTÉRIOS DE DEZEMBRO
CAPÍTULO VIII — HONRA
Quinze anos se passaram desde a primeira vez que estivemos no cais ao lado do Rhodius Jam, o maior parque de diversões da cidade, e nada havia mudado. Ainda era possível ver os modelos de trens coloridos e os carrosséis divertidos. A montanha-russa ainda arrancava gritos eufóricos e o topo da roda-gigante continuava a ser um dos melhores pontos de vista da cidade. O teatro de marionetes clássicos para crianças ainda faz muito sucesso e mesmo no inverno, o local está sempre cheio de famílias querendo aproveitar a magia do lugar.
O cais às margens do grande rio White continuava a ser o ponto mais discreto e calmo de todo o parque. Mesmo enquanto corria com Clint, Hillary e Patrick em busca da resolução desse maldito jogo, o lugar continuava a ser um ponto mágico para mim. Foi nesse lugar, em meio a fogos de artifícios que Clint me beijou pela primeira vez e eu soube que pela primeira vez na vida, eu realmente estava apaixonada.
O tempo estava passando. Nós tínhamos apenas dez minutos para encontrar Skylar. Clint para de correr no local onde ele havia visto pelo folioscópio e olha em volta, buscando alguma solução. E é então que ele parece encontrar algo, pois aponta para o lado do parque e seus olhos brilham em ansiedade.
— Ali! “Leia a história e siga as aves”. Aquelas são as aves. – Clint afirma, correndo em direção ao brinquedo que voava, onde as espécies de carros tinha formato de pássaros.
Imediatamente, corremos na direção do local, tentando desviar dos inúmeros jovens e crianças que passeavam pelo parque. No mesmo instante, o maldito toque de celular passa a ecoar. No entanto, para todo lugar que olhávamos, havia diversas pessoas segurando celular. E por causa da multidão, era difícil descobrir de onde vinha o toque.
É então que Clint para de correr e encara um mendigo que estava dormindo em um dos bancos do parque. Ele se abaixa e retira o aparelho de baixo do banco. Estávamos no quinto toque. Clint me encara com intensidade e respira fundo, antes de atender a ligação e levar o aparelho até o ouvido.
— Até quando pretende continuar esse joguinho de cão e gato, Taskmaster? – Questiona Clint e eu me aproximo para tentar ouvir a conversa, mas é impossível saber o que ele ouvia do criminoso. Clint passa a olhar em volta e de repente vejo a fúria em seus olhos. Ele tremia e seu rosto estava vermelho. Não demoro muito para ver lágrimas se formarem em seus olhos. Algo estava errado. E para a minha surpresa, ele então joga o celular no chão, quebrando-o em vários pedaços. – Desgraçado!
— O que ele disse? – Pergunto e por alguns segundos vejo a dor presente em seus olhos de uma forma que eu só vi dez anos atrás. Toco em seus ombros e o faço despertar do pesadelo que ele parecia viver em sua mente. – Clint. O que ele disse?
— Nada. – Responde o homem, frustrado. Ele respira fundo e me surpreende com um abraço apertado. Como se sua vida dependesse daquele toque. Não faço ideia do que ele havia escutado na ligação, mas imediatamente correspondo ao gesto, sentindo-o tão frágil quando uma criança.
— O que você ouviu, Clint? – Sussurro, ansiosa para descobrir o que Taskmaster tinha colocado para Clint ouvir naquela ligação para o deixar tão abalado. Algo me dizia que eu não gostaria da resposta.
— Os gritos de Cooper e Lila ao serem mortos por Alexi Shostakov. – Sussurra de volta e isso é o bastante para me desestruturar por alguns instantes. Aperto o tecido de sua blusa e preciso de alguns instantes para recuperar da dor que eu sentia ao ouvir os nomes que eu evitava pensar há dez anos.
— Clint, Naty! Nós só temos cinco minutos. – Alerta Hillary com preocupação. – O que nós vamos fazer?
Clint e eu nos afastamos. Meu peito doía e meu coração se comprimia. Mesmo que dez anos tenham se passado, eu ainda não conseguia lidar com a morte das crianças. Era como se uma parte importante de mim tivesse sido arrancada e eu continuasse a sentir como se não fosse capaz de sobreviver. É impossível mensurar a dimensão da dor da perda que eu sentia. É uma dor única, intensa, egoísta. Nada era capaz de cicatrizar essa ferida que eu sentia que teria eternamente. A culpa me corrói. E mesmo depois de dez anos, eu continuo perdida nesse sentimento corrosivo. Há um vazio inconsolável em meu peito. Um lamento interminável. Não encontro consolo. E todas as vezes em que penso em Cooper e Lila, o choro é quase inevitável. Porque eu sabia que no fim, a culpa era toda minha.
Se eu não tivesse me envolvido com Alexi, assim como Clint havia me orientado quando nos conhecemos, meus filhos ainda estariam vivos. Talvez até mesmo tivesse construído uma família ao lado de Clint e dos gêmeos. Ou talvez, se eu não tivesse me entregado aos meus sentimentos, nada disso teria acontecido. De todo modo, a culpa era minha. Por minha causa, Clint não tinha mais os filhos que tanto protegia sem nem mesmo saber que na verdade, ele era pai deles.
— Ela... – Clint respira fundo e suspira, voltando a tentar se focar na missão. O homem então olha em volta e parece ter uma ideia. – Skylar morre... Eu acho que já sei onde ela pode estar.
— Onde? – Pergunta Hillary, desesperada.
— Há um cinema 6D nesse parque que tem um filme chamado Skylanders. O protagonista do filme precisa cumpri o seu destino ou a cidade chamada Skylar morre. É um filme antigo e é de onde a mãe da Skylar tirou o nome dela. – Respondo Clint, mexendo-se freneticamente. – Além disso, foi a primeira atração em que trouxe Natasha quando viemos juntos primeira vez nesse parque.
Engulo em seco ao relembrar do cinema. Ele tinha razão. Aquele lugar foi a primeira atração onde nós fomos. Eu tinha acabado de terminar meu relacionamento com Alexi e me sentia destruída. Não por amar o homem, mas por ter deixado nossa história ir tão longe apenas por orgulho. Eu não conseguia aceitar meus sentimentos por Clint e me envolvi com a primeira pessoa que pareceu ser capaz de me fazer esquecer meus sentimentos. O que eu não sabia era que esse seria o maior erro da minha vida.
— Então vamos lá. Só temos três minutos até o prazo final. – Responde Patrick, parecendo tão apreensivo quanto Hillary.
Corremos pelo parque, empurrando a todos, enquanto buscávamos pelo cinema mencionado por Clint. E faltando apenas um minuto para o tempo terminar, conseguimos encontrar o local. Sem esperar por reforços ou equipe de apoio, Clint arromba a porta do cinema que estava com a placa de interditado e corre para dentro do lugar que estava com as luzes apagadas. No entanto, era possível ver que havia uma pessoa na primeira fileira do cinema.
Hillary correu para a área de controle do cinema e ligou as luzes. E Clint mais uma vez estava certo. Skylar estava amarrada no banco do cinema com uma faixa em sua boca. Toco em sua garganta para verificar se ela estava viva e suspiro aliviada por ver que chegamos a tempo. Ainda assim, eu sabia que isso não significava que ela estava bem.
— Hillary, ligue para uma ambulância. Precisamos levar a Skylar para o hospital. – Oriento, assim que ela nos alcança.
— Tudo bem. – Ela concorda, pegando o celular em seu bolso.
Clint retira a faixa e encontra um papel amassado na boca da mulher. Nós nos encaramos e ele puxa o que deveria ser um bilhete de Taskmaster. Respiro fundo, tentando controlar as minhas emoções e sem acreditar que teríamos mais uma vítima para resgatar.
— O que ele diz? – Pergunta Patrick, aproximando-se de nós.
— “Você é o vencedor da noite. Sua genialidade é quase como um açoite. Mas é melhor ter cuidado e revisar seu passado. Quando o solstício chegar, o relógio irá badalar e no bom anjo de Viena você deve estar. Aproveite bem o seu descanso, porque o jogo está apenas começando. Esse será o palco da nossa batalha final”. – Clint termina de ler e bufa, frustrado. – Essas rimas dele continuam péssimas.
— Você tem alguma noção sobre o que ele está falando? – Pergunto e Clint se senta ao lado de Skylar. Ele parecia exausto. Não que eu pudesse julgar. Toda essa história de lidar com Taskmaster havia sugado boa parte da minha energia e relembrar da minha maior dor do passado me destruiu ainda mais.
— Bom, ele fala que eu devo revisar o meu passado. Eu tenho certeza de que isso tem algo a ver com você e eu, afinal, durante todo o jogo ele tem escolhido rotas que estão ligadas a você e eu e o nosso passado não resolvido. O solstício é um fenômeno que ocorre duas vezes por ano. O próximo irá ocorrer em dezenove dias e deve nos desafiar mais uma vez. Quanto ao horário e local onde deve estar a charada, tudo me leva a crer que ele está se referindo é a praça Vörösmarty em Budapeste ao meio-dia. – Explica Clint, suspirando.
— Por que acha isso? – Pergunta Hillary com curiosidade. Ao notar meu olhar questionador, ela dá um pequeno sorriso. – A ambulância já está a caminho. Não se preocupe.
— Tudo bem. – Respondo, desamarrando Skylar. Ao terminar, sento-me ao lado de Clint. Eu ainda precisava entrar em contato com Fury e relatar tudo o que aconteceu, mas eu não tinha força alguma para isso. Estava esgotada emocional e fisicamente.
— Budapeste foi a cidade onde Natasha e eu nos vimos pela primeira vez há vinte anos. Há uma praça na cidade atualmente chamada de Vörösmarty tér. No entanto, em 1874, foi chamada de Gizella tér, em homenagem à Arquiduquesa Gisela da Áustria, depois, brevemente, Károlyi Mihály tér entre 1918 e 1920, depois Gizella tér novamente até 1926, quando ganhou o seu nome atual. Gisela era tão adorada que era conhecida como o Bom Anjo de Viena. E bom, há um relógio por lá que badala todos os dias ao meio-dia. – Responde Clint, encarando Hillary com um pequeno sorriso.
— Como... como você consegue ter tanto conhecimento? É como se você soubesse de tudo. – Comenta Hillary e o homem dá de ombros, melancólico. Ele ainda estava abalado pela ligação que recebeu.
— De qualquer forma, agora que sabemos o horário e local, tudo o que precisamos fazer é pedir para que os agentes da CIA fiquem de olho no local e investiguem para saber se há algum sinal do Taskmaster na praça. – Respondo e Patrick não parece concordar com o meu pensamento.
— Vocês não vão conseguir encontrar nada. Essa não é a primeira vez que ele joga esse jogo. – Afirma Patrick, acariciando o rato. – Ele definitivamente vai preparar um desafio ainda maior e vai colocar todos os limites de Clint à prova. O que aconteceu de ontem para hoje foi apenas um teste para ele mensurar a sua capacidade. Pode ter certeza de que na próxima vez que vocês o enfrentarem, precisarão estar preparados para o pior.
A equipe de socorristas aparece no pequeno cinema 6D com uma maca para dar os primeiros-socorros em Skylar. Ela então é levada para o hospital, onde seria realizado uma bateria de exames para garantir que ela estava bem. Enquanto isso, eu sentia que uma grande tempestade ainda estava por vir.
[...]
O velório de Bernard havia sido bastante comovente. Pessoas de diversas partes do mundo compareceram para se despedir do homem que era conhecido por ser o braço direito de Clint. Até mesmo reis, rainhas, príncipes e princesas de países que eu nem mesmo havia ouvido falar estavam presentes para prestar sua última homenagem.
A família do homem não parecia surpresa com a morte inesperada de Bernard. Aparentemente, eles estavam cientes de que isso aconteceria mais cedo ou mais tarde. Todos conheciam o passado de Bernard na MI6 e da vida perigosa de Clint, então simplesmente aceitaram que a hora dele havia chegado, ainda que chorassem muito.
Com a quantidade de pessoas que compareceram ao enterro, nem mesmo tive como me aproximar de Clint e o cumprimentar mais do que com um aceno. Ele parecia ocupado recebendo a todos e prestando agradecimentos. Por isso, apenas conversei um pouco com os sobrinhos de Clint e me distanciei para aproveitar um pouco da brisa gelada do inverno.
O dia não estava tão frio como nos anteriores, mas ainda era possível sentir o rosto congelar e os lábios racharem. Ainda assim, apreciar o jardim na mansão onde morei por um ano em um frio intenso era melhor do que lidar com a carga de emoções que se faziam presentes no evento que ocorria, após o enterro de Bernard.
Perdida em pensamentos, nem mesmo noto quando chego ao gazebo de madeira, onde Clint e eu costumávamos olhar as estrelas. Era um lugar afastado da mansão, na floresta que seus pais haviam cuidado antes mesmo de o adotarem. Sento-me no banco e passo a observar o lago congelado, apreciando o silêncio e a calmaria que aquele lugar me transmitia.
Relembro os momentos em que vivi naquele lago. Os dias em que estive com a família Barton. Dez anos se passaram e ainda era difícil estar longe deles. Ainda que me mantivesse sempre informada do que acontecia em suas vidas, fazendo questão de usar toda a rede de espionagem que Clint construiu para se manter de olho em seus sobrinhos, não era a mesma coisa do que participar de seus momentos.
Clint foi abandonado em um orfanato católico ainda recém-nascido. Nada estava com ele além de um papel com o seu nome e um arco e flecha. Ele cresceu sendo evitado pelas crianças por sua personalidade excêntrica. A inteligência fora do normal e a incrível capacidade de dedução o tornaram um monstro aos olhos os outros. O mesmo acontecia com as famílias que tentavam o adotar.
Apesar de ser sua personalidade única e comunicativa atrair as famílias que visitavam o orfanato, quando ele era inserido no ciclo familiar, a sua forma diferente de pensar o afastava de todos. E foi então que aos doze anos ele conheceu Candace e James Hopper. O casal já possuía um filho quase adulto e sentia que gostaria de vivenciar a experiência novamente de criar uma criança. O plano inicial era adotar uma menina de no máximo cinco anos de idade, mas tudo mudou quando eles conheceram Clint.
E foi assim que ele finalmente entendeu o primeiro significado de família. Nada do que ele viveu nos mais de quinze lares adotivos que frequentou desde que era criança chegava perto do amor que ele recebeu da família Hopper e seus amigos importantes. Em sua nova casa, Clint não precisava se esforçar para fazer parte da família. Ele simplesmente era.
Seu irmão, Jim Hopper, se encantou assim que o conheceu. Kyle Puckett, Robert Queen, Adam Florian e Henry Allen, amigos de Jim, também viram em Clint algo muito além de um garoto com habilidades estranhas. Eles o acolheram como uma família. Todos se tornaram seus irmãos mais velhos. Logo outras pessoas apareceram, como Giuseppe Salvatore, Isobel Flemming, Mirella Queen e Mikael Moon. E foi assim que nasceu a primeira geração da família Barton. Uma família unida por algo muito mais forte que laços sanguíneos.
Enquanto crescia, Clint passou a desenvolver ainda mais suas habilidades. Ele era como um computador. Ele conheceu a fórmula do Mirakuru e descobriu sua descendência. Clint se formou com dezesseis anos na faculdade e se tornou um dos mais jovens e talentosos historiadores. Aos dezoito anos, ele passou a viajar pelo mundo. Ele vivia a história e conhecia pessoas. Com suas habilidades, Clint fazia amizades importantes e criava uma rede de contatos invejáveis.
Ele tinha acesso tanto ao submundo quanto a polícia e as agências de espionagens. Clint era muito bom e isso fazia com que as pessoas quisessem usar suas habilidades em seus desejos egoístas. Por causa disso, sua vida se tornou bastante perigosa. Ele passou a treinar táticas de luta e técnicas que pudessem o proteger.
Ainda assim, isso não significava que sua família estaria protegida. Eles eram o ponto fraco de Clint. Era a maior honra de sua vida. Por isso, ele percebeu que precisava treinar seus pontos mais vulneráveis para se preparar para o dia em que eles seriam usados para chantagear Clint. E foi assim que veio a segunda geração da família Barton.
Sara Hopper, Nancy Wheeler, Oliver e Thea Queen, Damon Salvatore, Elena Gilbert, Sam Puckett, Beth Greene, Ben Florian, Barry Allen, Aaron e Austin Moon eram crianças que tinham alguma ligação com Clint e pareciam ter habilidades tão impressionantes quanto a do homem. Assim, ele passou a treiná-los para desenvolver ainda mais seus pontos fortes ao ponto de se tornarem tão fortes – ou até mais – do que os agentes da CIA, FBI, MI6, KGB ou qualquer outra organização de espionagem e segurança do mundo.
Seja teimoso e inteligente como um Barton. Essa era a frase de vida que Clint criou e todos os membros da família Barton segue. Não é simplesmente uma frase. É quase como um estilo de vida. A teimosia parecia estar inserida no DNA das crianças, que mesmo depois de adultas continuam se envolvendo em problemas.
Sara Hopper é a filha mais velha do irmão de Clint. A garota sofreu desde sua infância com a leucemia e depois de decidir que faria o que fosse preciso para integrar a S.H.I.E.L.D, ela forjou a própria morte com a ajuda de Clint e sobreviveu a experiência do Mirakuru, que a curou o câncer e ainda a tornou uma das melhores agentes da CIA.
Jane Hopper, ou simplesmente Eleven, é o atual membro mais novo da família Barton. Diferente dos primos, ela não foi treinada por Clint e foi adotada por Jim Hopper após ser resgatada do Hawkins National Laboratory, local onde foi obrigada pelo seu próprio pai biológico, Martin Brenner, a participar dos perigosos experimentos com medicamentos na tentativa de criar algo semelhante ao Mirakuru. Isso a deixou com diversos traumas psicológicos e sociais.
Beth Greene é o membro mais velho da família Barton da segunda geração. É uma garota divertida e responsável que se casou com seu atual marido de forma inesperada para assumir a presidência e impedir que o tio materno, Hugh Greene colocasse as mãos no cargo, após matar o cunhado Kyle Puckett e colocar a sobrinha, Sam Puckett, em um manicômio.
Bom, morando no hospital psiquiátrico em Paris contra a sua vontade, Sam acabou reencontrando seu inimigo e primeiro amor como enfermeiro no lugar. Eles não apenas escaparam do lugar que era tido como impenetrável e à prova de fugas, como também libertaram os pacientes que foram abandonados pela família e sofriam maus-tratos no local.
Oliver Queen doou seu sêmen para o banco de sêmen após perder uma aposta com os amigos e acabou se tornando pai sem seu conhecimento. Seis anos depois da doação, ele descobriu que o material não foi descartado e que seu filho, Anthony Smoak, precisava de uma parte de seu fígado para sobreviver. Sua antiga namorada, com quem ele ficou por dez anos, fez um inferno em sua vida e ainda teve coragem de sequestrar o pequeno Tony. Felizmente tudo se resolveu e ele acabou se casando com a mãe da criança, Felicity Smoak.
Thea Queen não era muito diferente do irmão. Com apenas dezesseis anos ela entrou na faculdade de medicina e enlouqueceu seu namorado, Roy Harper, com suas formas nada convencionais de buscar a justiça. Não foram poucas as vezes que a garota quase acabou parando em uma delegacia por causa de seu temperamento forte, senso de justiça elevado e a inteligência sobrehumana de um Barton.
Barry Allen é um gênio. Seu QI é o que mais se equipara com o de Clint. Ele é o mestre das experiências e trabalha na delegacia junto com Hopper como um ajudante. Ele acabou envolvido com o Mirakuru e se tornou alvo da Yakuza, a máfia japonesa. Sua situação se tornou ainda pior quando descobriu que a mãe de sua namorada tinha provas escondidas que comprovariam o envolvimento de Ted Wheeler em um dos maiores escândalos de corrupção no mundo. Por muito pouco ele não acabou morto.
Ele não foi o único envolvido com pessoas perigosas. Ben Florian é afilhado de Clint e quase foi morto pelo maior traficante de Hawkins e ex-namorado de sua atual namorada. Enquanto isso, ele praticava para participar de um campeonato de patinação artística com a namorada. Felizmente, ele quebrou diversos recordes em sua apresentação.
Austin Moon também possuía uma história interessante. Após ver sua ex-namorada ser pedida em casamento por seu irmão mais velho, ele decidiu levar uma namorada de mentira para o casamento que foi realizado na ilha de Clint. Muitas coisas aconteceram e ele acabou se apaixonando pela namorada de mentira.
Damon Salvatore era um caso complicado. A mãe o abandonou quando ele ainda era criança e o pai, sendo o tipo de pessoa que se apaixona facilmente, se casou sete vezes até encontrar a mulher de sua vida, que ironicamente é a mãe da mulher da vida dele. Damon participava de brigas de rua e se envolveu com pessoas da barra pesada. E somente se afastou por completo atualmente por causa de Elena.
Elena Gilbert viu seu mundo virar quando sua mãe resolveu se casar com o pai de Damon. Enquanto moravam debaixo do mesmo teto, brigando com intensidade, como eles sempre gostavam de fazer, e organizando o casamento dos pais, eles acabaram se apaixonando e hoje nem mesmo parece o mesmo casal que era expulso dos lugares por causa de suas intensas e perigosas brigas.
Nancy Wheeler era um caso diferente dos demais também, assim como o de sua cunhada, Eleven. Nancy teve a vida salva por Clint quando tinha apenas três anos e quase foi atropelada por um caminhão. A garota se apegou ao homem e nunca mais o deixou. Ainda que seu pai e Clint não se suportem, Nancy se tornou membro da família.
Aaron Moon é o irmão mais velho de Austin e o único que parece ter desviado do caminho da justiça que Clint tentou ensinar as crianças. Ele se envolveu com a HYDRA e é provavelmente por causa dele que Taskmaster possui tantas informações sobre Clint. O rapaz não apenas tentou se casar com a namorada do irmão para conseguir assumir o hospital como também se envolveu com tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Desde que ele fugiu da prisão, não havia encontrado o paradeiro dele, ainda que eu tivesse total certeza de que Clint sabe onde ele está.
Eu também fiz parte dessa família. Durante um ano, eu deixei de ser apenas uma amiga do tio Clint para me tornar a tia Tasha. Eles me acolheram e me fizeram sentir o que é ter uma família. Encarar o lago onde nós passamos tanto tempo brincando, treinando e nos divertindo trazia um sabor agridoce em minha boca. Era nostálgico e ao mesmo tempo doloroso lembrar que aqueles tempos jamais voltariam.
Suspiro e noto que não estou sozinha. Surpreendo-me ao ver Clint parado na entrada do gazebo, encarando-me com uma expressão indecifrável. Ele então se aproxima e se senta ao meu lado sem dizer nada. Clint passa a observar a paisagem com um pequeno sorriso nos lábios e pela proximidade, posso ver o cansaço presente em seus olhos.
Para a minha sorte, não havíamos conversado desde que deixamos o Rhodius Jam. Com os preparativos do velório de Bernard por parte de Clint e dos inúmeros relatórios que tive que fazer para a CIA, não tivemos tempo e nem oportunidade para conversar. Mas agora, de frente para ele, eu não conseguiria mais fugir de Clint.
— Nós precisamos conversar. – Comenta o homem, olhando em meus olhos.
Um gemido de frustração escapa de meus lábios. Eu não queria conversar. Conversar com Clint traria meu passado de volta. Não apenas as lembranças como sentimentos e o tempo que passamos dois dias atrás foram o bastante para eu ter a certeza de que jamais resistiria aos encantos do homem.
— Certo. – Respondo com um fio de voz. Chegou o momento de colocar todas as cartas sobre a mesa, mas eu não tenho certeza se estou pronta para lidar com todas as consequências.
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