Mistérios de Dezembro
6 Explosão
Notas iniciais
ROMANCES MENSAIS
LIVRO XII – MISTÉRIOS DE DEZEMBRO
CAPÍTULO V — EXPLOSÃO
A Penitenciária de Segurança Máxima de Hawkins era uma das instalações mais sombrias do país. O lugar era assustadoramente silencioso e possuía um ar pesado quase palpável. Apelidada de "Alcatraz das Montanhas Rochosas", em referência a um mítico presídio da Califórnia, é a mais segura penitenciária dos Estados Unidos e lar de alguns dos mais notórios criminosos do país, como Brad Nichols, responsável por atentado em Ohio em 1995 e Ted Wheeler, o maldito cunhado de Mon-El e pai de minha sobrinha de coração, Nancy Wheeler.
Ela é uma penitenciária federal de segurança máxima projetada para abrigar os presos mais violentos do mundo e que representam maior risco de fuga, segundo a agência do Departamento de Justiça responsável pelo sistema federal de prisões do país.
Quase todos os trezentos e setenta e seis detentos atualmente alojados na penitenciária, vários deles cumprindo múltiplas sentenças de prisão perpétua, passam vinte e três horas por dia isolados em celas individuais, com pouquíssimo contato humano. A hora restante é usada para realizar as higienes fisiológicas e tomarem banho de sol. Foi projetada especificamente para evitar fugas e também para impedir os detentos de ferir os guardas ou uns aos outros. O objetivo é que tenham o mínimo possível de interação humana.
Ainda assim, sempre era possível conseguir informações com seus perigosos prisioneiros. Mesmo teoricamente isolados, eles sempre davam um jeito de ter contato com o mundo externo e é claro que muito disso se devia ao fato de existirem alguns guardas que trabalhavam a favor dos criminosos para conseguirem mais dinheiro ou alimentarem seus vícios.
Observo Natasha ao meu lado, enquanto seguíamos para a cela de Martin Brenner e vejo o quanto ela estava tensa. Ela não estava confortável com a situação. Ao contrário de mim, que estava sempre disposto a negociar com qualquer um, ainda que a pessoa seja um bandido, Natasha não é o tipo de pessoa que confia em criminosos.
Sinto vontade de sorrir ao ver que mesmo depois de tantos anos separados, ela ainda havia continuado a mulher séria, desconfiada e forte por quem me apaixonei. E com nossos corpos tão próximos, sinto o calor de sua mão próxima a minha. O forte desejo de entrelaçar nossos dedos me fazem parecer um adolescente idiota e cheio de hormônios.
— Chegamos. – Anuncia Martin, parando de andar junto a dois policiais que o conduziam em frente a uma cela que mais parecia uma solitária. Não havia janela e a única entrada de ar era pelas frestas da porta de vidro blindado. — A carta que eu recebi um pouco antes de virem me visitar está embaixo da minha cama, sr. Barton.
— Traga a carta, Brenner. – Peço, encarando-o com seriedade. A porta é aberta e o homem é empurrado para dentro pelos dois guardas que o acompanhavam. O ex-cientista corre da melhor maneira que conseguia com as algemas em seus tornozelos até sua cama, enquanto a porta da cela é trancada. Ele levanta o colchão fino de sua cama e assim que encontra um envelope pardo, ele volta a se aproximar da porta. Encaro os dois agentes da penitenciária. – Abra a porta para que eu possa pegar o envelope, mas fiquem de olho para qualquer movimento suspeito.
— Como desejar. – Responde um dos homens, voltando a abrir a porta, enquanto o outro segurava sua arma com firmeza.
Martin se aproxima agitado, mas ele é impedido de chegar perto de mim pelo guarda que abriu a porta. Estendo minha mão e ele me passa o envelope pesado que noto ter um símbolo do Yin Yang em seu fecho. Troco olhares com Natasha e faço sinal para que o guarda prendesse Brenner de volta. Eu não confiava nele.
— Agora que o senhor tem a sua carta, quais são as chances de garantir que eu sobreviva aqui dentro? — Questiona homem com a voz abafada pelas proteções acústicas de sua cela, encarando-me com expectativas.
— Clint. – Natasha me encara em sinal de alerta. Ela não estava disposta a negociar com o criminoso.
— Mexeu com pessoas erradas aqui dentro, Brenner? – Questiono, entregando o envelope a Natasha. A expressão do cientista é o bastante para eu saber que eu estava certo. – Não é assim que as coisas funcionam, doutor. Eu sou um homem de negócios. Uma simples carta não é o bastante para me fazer esquecer que você machucou minha sobrinha. E eu não gosto de você. Por que eu o ajudaria?
— Eu... eu posso te dar informações sobre o Taskmaster. – Retruca, dando um sorriso convencido. – Ele me entregou essa carta. Posso descobrir mais informações sobre ele.
— Você está mentindo, Brenner. E sabe, eu odeio ainda mais pessoas que tentam me enganar. – Afirmo, deixando claro que eu não havia caído em sua conversa. O homem arregala os olhos e crispa os lábios, irritado com a situação. Viro-me para Natasha. – Vamos. Nosso assunto aqui acabou.
— Tudo bem. – Concorda a mulher, encarando o cientista com ferocidade.
Ela aperta mais o envelope contra si e passa a andar na direção em que viemos. Sorrio com ironia em despedida e posso ouvir as batidas desesperadas de Martin, passando a acompanhar Natasha e os outros dois seguranças. Aparentemente, eu era a única esperança do homem para sobreviver dentro dessa perigosa prisão.
— Sr. Barton! Sr. Barton! Por favor, sr. Barton! Eu faço qualquer...
Os lamentos e pedidos de misericórdia de Brenner se tornam menor a cada passo que damos. No entanto, algo vem em minha mente enquanto andávamos. Alerto a todos sobre o que estava por vir e corro até Natasha, usando meu corpo para jogá-la no chão, enquanto coloco minhas mãos em seus ouvidos, no mesmo instante em que a cela de Martin Brenner explode.
O alarme de incêndio é ativado, ecoando em toda a penitenciária. Jatos de água passam a cair para conter as chamas que vinham da cela e eu sentia fortes dores em meus ouvidos pelo alto barulho da explosão. Os guardas que nos acompanhavam e os presos próximos reclamam de dores e eu ainda demoro algum tempo para perceber que Natasha falava comigo.
Retiro minhas mãos de seus ouvidos e me levanto cambaleando. Eu ainda estava bastante atordoado e não conseguia ouvir muita coisa. Coloco minhas mãos nos ombros da ruiva e percorro meus olhos pelo corpo de Natasha em busca de algum ferimento, mas felizmente ela parecia estar bem, apenas assustada pelos acontecimentos.
— Clint! Você está bem? – Leio os lábios de Natasha e assinto, concordando. Ela esconde o envelope em sua jaqueta grossa de couro para impedir que ele acabasse se molhando com os extintores de incêndio.
Ela fala mais alguma coisa e aperta minha mão, quando inúmeros agentes da penitenciária aparecem para verificar o que havia ocorrido e os possíveis feridos. Depois disso, minha mente se torna um borrão. Natasha e eu somos levados para algum lugar de paredes brancas. Os primeiros socorros são prestados e apenas depois de alguns minutos é que meus sentidos começam a voltar ao normal.
Percebo então que estou deitado em uma maca na enfermaria da penitenciária. Os outros dois policiais que nos acompanharam e acabaram sofrendo com a explosão também estavam no local recebendo atendimento das enfermeiras do local. Natasha estava sentada ao meu lado e me encarava com preocupação. Ela continuava a apertar o envelope contra si, como se ele fosse um tesouro precioso.
— Clint! Você se machucou? – Questiona Edward, aparecendo apressado na enfermaria, encarando-me com preocupação.
— Sim. Estou apenas um pouco fadigado, mas acho que só preciso de alguns minutos para me recuperar por completo. – Respondo e ele suspira aliviado. Em seguida, Edward se vira para Natasha e parece procurar algum sinal de que ela tivesse se ferido.
— Eu estou bem. Meus ouvidos doem um pouco, mas estou bem. – Afirma a ruiva, dando um pequeno sorriso.
— Fico feliz em ver que os dois estão bem. Aquela foi uma explosão e tanto. Chegou a trincar um pouco as portas das outras celas que são a prova de bala. – Comenta Edward, soando extremamente cansado.
— Verificaram as câmeras de segurança para descobrir quem está por detrás disso? – Pergunto e ele assente, frustrado.
— Sim, mas todas as filmagens de hoje foram apagadas. Alguém invadiu o sistema e conseguiu excluir as gravações. Então não fazemos ideia de quem pode ter planejado a morte de Martin Brenner e nem como conseguiram implantar uma bomba na cela. – Explica Edward e seus olhos demonstram todo o seu incomodo com a situação.
— Aliás, como foi que você sabia que uma bomba iria explodir? – Questiona Natasha, encarando-me com curiosidade.
— Eu vi uma bomba próxima ao vaso da cela. No primeiro momento, pensei que fosse apenas uma esponja suja ou algo assim. Mas depois de repassar os detalhes daquele objeto, finalmente percebi que se tratava de uma bomba caseira acionada por detonador à distância. – Respondo, suspirando aliviado por termos escapado a tempo. Se estivéssemos de frente a cela de Martin, não teríamos sobrevivido.
— Você não cansa de me surpreender com a sua inteligência, Clint. – Afirma Edward com os olhos arregalados. Sorrio e dou de ombros. – Bom, agora que confirmei que vocês estão bem, preciso voltar ao trabalho. Boa recuperação aos dois e se precisarem de mim, é só me ligarem.
— Muito obrigado, Edward. – Agradeço e o homem balança a cabeça, dispensando agradecimentos, antes de deixar a enfermaria. Noto o olhar de Natasha sobre mim e acabo a encarando com curiosidade. – O que foi?
— Você não deveria continuar nesse jogo do Taskmaster. Não é a primeira vez que ele faz isso com a CIA. Na última vez, o agente desafiado perdeu e a filha dele de oito anos acabou sendo assassinada. Ele conhece você e todos que são importantes para você. Se você não o pegar, pode ser que você acabe sendo destruído. – Responde Natasha, encarando-me com desespero. – Não prossiga nessa loucura. Deixa que a S.H.I.E.L.D cuida disso. Nós estamos acostumados a lidar com as ações perigosas da HYDRA. Eu prometo que farei de tudo para impedir que ele...
— Eu sou o único que pode pará-lo, Natasha. – Interrompo a mulher, usando um tom de voz suave. Pego a mão da mulher e deixo um beijo demorado sobre ela. Posso sentir a respiração de Natasha se tornar mais pesada e seu corpo estremecer. – Eu irei pará-lo. Sempre me mantive neutro nessa disputa contra a HYDRA, mas eu sabia que em algum momento eu acabaria envolvido e que quando isso acontecesse, eles usariam minha família para me atingir e os fazerem de isca para me pegar.
“E é por isso que eu continuei a treinar meus sobrinhos e a espionar a vida deles de maneira intensa, usando toda a tecnologia a meu favor. Todos receberam walkie-talkies especiais que além de terem rastreadores, transmitiam suas conversas para mim. As casas de todos possuem câmeras que são monitoradas diariamente, além de um sistema de segurança que é ativado todas as vezes que alguém tenta invadir suas casas.
Você sabe disso, Natasha. Sabe que eu estou mais do que pronto para colocar o fim na HYDRA. Se Taskmaster é um jogador desleal, eu posso ser ainda mais cruel. Eu usarei todas as armas que eu tiver ao meu favor para destruir essa organização criminosa.” – Entrelaço meus dedos aos de Natasha e transmito toda a confiança que eu tenho de que vencerei esse jogo. – Custe o que custar, eu ganharei. Eu prometo.
[...]
Acompanhado de Natasha, entro na sala de reuniões da sede secreta da CIA e encontro Fury e mais cinco rostos conhecidos além de um homem de comportamento suspeito, que encarava a todos como se estivesse pensando em uma maneira de cometer um assassinato. Ao notarem nossa presença, Hillary, Tony, Dakota, Sam e minha sobrinha Sara se levantam com os olhos brilhando em expectativas.
Criada por Nick Fury há dez anos, a S.H.I.E.L.D, acrônimo de Superintendência Humana de Intervenção, Espionagem, Logística e Dissuasão, é a unidade de comando especial da CIA, responsável por cuidar dos assuntos envolvendo a maior e mais perigosa organização criminosa do mundo, a HYDRA.
A ideia dessa unidade era treinar crianças e adolescentes sem família para que fossem capazes de se tornar espiões fortes e eficientes o bastante para lidar com as armações traiçoeiras da HYDRA. Assim, formada por Hillary Leblanc, Steve Rogers, Dakota Pierce, Ava Sharpe, Sam Wilson e Sara Hopper Lance e liderada por Natasha ao lado de Fury, a S.H.I.E.L.D tem se apresentado como uma grande pedra no sapato da organização maligna durante os seus anos na ativa, ainda que isso continue não sendo o bastante para exterminar a HYDRA de uma vez por todas.
— Vocês estão atrasados. – Resmunga Fury, enquanto Natasha entrega o envelope que recebemos de Martin Brenner ao homem suspeito no canto da sala. – Sentem-se. Nós iremos começar a nossa reunião.
Assinto e me sento na cadeira vazia ao lado de Sara. Observo a sala de reuniões com curiosidade. Era a primeira vez que eu estava naquele lugar. Ela era completamente fechada com uma enorme mesa de reuniões no centro, além de um projetor, um computador e uma tela onde era transmitido imagens do computador.
— Oi tio Clint. – Cumprimenta Sara, encarando-me com preocupação. – O senhor está bem? Tia Tasha nos informou sobre o ocorrido na penitenciária.
— Eu estou bem, querida. Não se preocupe. – Garanto, deixando um beijo em sua testa.
— Tudo pronto, Fury. – Avisa o homem desconhecido e nesse momento, uma carta feita de colagem é exposta na tela branca da sala.
— Certo, pessoal. Clint e Natasha conseguiram essa carta uma hora atrás. Foi autenticada como sendo do líder de nossa maior organização inimiga, a HYDRA. Prestem muita atenção. – Alerta Fury, colocando-se de frente para sua equipe de agentes especiais. Ele então anda até sua cadeira no lugar mais privilegiado da sala. – Hillary, leia!
— “Ei, pessoal. Voltei para mais uma rodada. Matarei alguém hoje à noite. Adivinhem quem, onde e como. Será muito divertido. Assinado, Taskmaster.” – Hillary lê a carta que aparece na tela da sala de reuniões e suspira ao fim, parecendo preocupada.
Fury se remexe possesso em sua cadeira, apertando sua caneta com uma força desnecessária. Natasha também fica inquieta com a mensagem enviada por Taskmaster e suspira com preocupação. Steve e Tony exibiam olhares inconformados, mas permanecem quietos. Sara respira fundo e me encara como se esperasse que eu estivesse alguma solução.
— Lembrem-se que ainda continuamos sem saber idade, etnia ou qualquer descrição física sobre quem é Taskmaster. A dura realidade é que esse é o seu jogo e que temos de jogar com ele. – Relembra Natasha, encarando cada um dos membros da S.H.I.E.L.D. – No entanto, nós temos uma pessoa chave para o nosso caso.
Nesse momento, todos se viram para encarar o homem estranho que mexia no computador e controlava o que era exibido na tela de projeção. O homem mostra um sorriso estranho e se aproxima de Natasha. A ruiva me encara com aquele olhar que eu sabia que significava que eu deveria ficar quieto ou ela faria questão de quebrar o meu pescoço se fosse preciso para garantir que eu não diria nada.
— Esse é Patrick Lightly. Nosso traçador de perfis em sequestros e homicídios em série. Ele conhece bem o padrão do Taskmaster. – Apresenta Natasha, apontando para o homem pardo de cabelos escuros desgrenhados, óculos de armações grossas, olhos castanhos e que deveria ter no máximo um metro e meio de altura. – Patrick, esse é...
— Clint Barton, a pessoa que Taskmaster desafiou. – Responde o homem, dando um sorriso desdenhoso.
— Então você já o conhece. – Comenta Tony Stark, encarando o traçador de perfis com curiosidade.
— E quem não o conhece? – Ironiza Patrick, suspirando. – E eu fiz a minha pesquisa. Precisava saber quem era o jogador da vez.
— Bom, então vamos voltar ao que realmente importa. Taskmaster. – Pede Fury em sinal de alerta.
— Taskmaster é conhecido como um dos mais cruéis assassinos que o país já teve. Ele fez seis vítimas no verão de 1995. Ressurgiu mais duas vezes, com uma vítima em cada. Ele só reaparece quando sente que há um adversário digno. Agora, seu método é nos desafiar, com a chance de salvarmos vítimas resolvendo seus enigmas. Ele gosta de usar o símbolo do Yin Yang em suas vítimas para marcar a sua presença e identificar seus enigmas. – Começa Hillary, encarando-nos com intensidade. – A origem deste símbolo chinês é a unidade dos opostos. Dois opostos, que, ao mesmo tempo, tem aspectos complementares.
— E qual é a charada da vez? – Pergunta Sam Wilson, ajeitando-se em sua cadeira. O rapaz parecia tenso.
— “Hoje, ela serve bem ao general, cujos soldados esperam expirar. Num rio branco, eles pagarão pelo mal. Ela não vai chorar. Quem é ela?” – Patrick lê a charada enviada por Taskmaster junto ao bilhete de ameaça. – Agora, a charada veio com um cronômetro correndo. Uma de suas jogadas clássicas. Temos agora duas horas, pessoal.
— Generais e soldados. Talvez ela seria uma militar. – Arrisca Fury, pensativo. Aproximo-me da tela onde a charada era exibida, buscando algum detalhe que eu pudesse deixar passar. – Hillary, contate as bases militares em um raio de cento e trinta quilômetros. Descubra se alguma militar sumiu nas últimas quarenta e oito horas. Precisamos dessa informação o mais breve possível.
— Lembrem-se que é com o sr. Barton que ele quer jogar. – Alerta Patrick para Fury. – Cada charada se relaciona a ele pessoalmente.
— Alguma ideia, Clint? – Questiona Natasha e eu podia sentir seu olhar sobre mim, esperando que eu tivesse alguma solução.
Minha cabeça ainda doía pela recente explosão e a falta de sono combinada ao estresse de todo o caos que tenho enfrentado desde a minha festa de aniversário não tornava fácil o meu raciocínio. Muitos fatores me impediam de ter certeza em minhas deduções. E era exatamente por isso que eu precisava relaxar a minha mente para pensar em uma solução.
— Sim. Eu tenho. Mas primeiro, eu queria destacar que o dom de rima do Taskmaster é no máximo rudimentar. General e mal, expirar e chorar. O que é isso? Muito amador! – Comento, virando-me para Natasha com um sorriso irônico.
— Será que dá para você uma vez na vida parar de brincar, Clint? – Questiona Fury, irritado. – Mantenha o foco! Nós só temos duas horas para encontrar o próximo alvo de Taskmaster.
— “Num rio branco, eles pagarão”. – Relê Hillary, pensativa. – A sétima vítima surgiu na praia. Talvez...
— Não! Nunca houve repetição. Cada vítima é uma obra-prima e a primeira charada é de brinde. O cara está louco para jogar o jogo. Pense nas últimas vinte e quatro horas. – Explica Patrick, encarando-me com seriedade.
— Bom, talvez eu saiba quem é o general. Seu nome é Mills. – Respondo e Natasha me encara confusa.
— General Mills? Dos cereais? – Pergunta, apenas para ter certeza de que eu estava falando sério.
— Exatamente. – Afirmo e todos parecem ainda mais confusos. – O rio branco é o leite. E os soldados são os cereais.
— Então quem é ela, tio Clint? – Questiona Sara, encarando-me com expectativas.
— O restaurante onde Natasha e eu tivemos nosso primeiro encontro. O Capitão Ron. – Respondo, encarando minha ex-namorada, que parece surpresa com essa constatação.
— Por que acha que ele está no Capitão Ron? – Questiona a mulher, levantando-se para me encarar de frente.
— Porque foi onde eu tomei o meu café da manhã quando sai da delegacia. Cereais com leite, assim como pedimos daquela vez. Queria um lugar calmo para esfriar a cabeça. Temos memórias felizes e interessantes naquele restaurante. Pensei que lá pudesse me trazer um pouco de conforto. – Respondo e ela parece deixar a mulher completamente envergonhada ao lembrar de tudo o que já fizemos naquele restaurante, o que era adorável. Sinto os olhares curiosos das pessoas a nossa volta. É claro que a equipe da S.H.I.E.L.D estava se divertido em ver sua líder sem palavras. Apesar de ser divertido aquele momento, nós tínhamos uma vida inocente para salvar. Viro-me para a equipe. – Patrick e Hillary, vocês vêm comigo e com a Natasha para o Capitão Ron. Tony, Sam, Sara e Dakota preciso que vocês verifiquem as câmeras de segurança em um raio de cinco quilômetros ao restaurante nas últimas vinte e quatro horas. Descubram se Taskmaster apareceu e me mantenham informados.
— Sim, senhor! – Gritam os membros da S.H.I.E.L.D, prontos para seguir as minhas ordens.
— Espere um pouco! O que pensam que estão fazendo? Eu sou o chefe aqui. – Relembra Fury, quando todos se levantam para assumir suas posições. Os agentes param de andar e encaram o homem. – Não pode chegar aqui dando ordens aos meus homens, Clint. Você ainda precisa da minha aprovação para mandar os meus agentes em missão.
— Nós dois sabemos que não vai ser assim que vai funcionar dessa vez, Fury. Se você realmente pretende desmascarar Taskmaster, terá que me dar total liberdade para agir e ordenar. E eu aposto que o presidente dos Estados Unidos não veria problema algum nisso. Aliás, se eu não estiver errado, você ainda precisa se encontrar com a filha mais velha de Steve, Kayla, para descobrir quais são as características de Taskmaster que ela viu meses atrás. – Retruco e Fury bufa, dando-se por vencido.
— Natasha, garanta que Clint não ultrapasse os limites. – Ordena Fury, levantando-se da sua cadeira. Ele então aponta para mim. – Eu estarei de olho em você.
— Não se preocupe, Fury. Nós pegaremos o líder da HYDRA e colocaremos um ponto final nessa história. Eu prometo. — Responde Natasha, fazendo o homem assentir, antes de deixar a sala sem se despedir.
Suspiro e balanço a cabeça, procurando focar meus pensamentos mais uma vez. Bato então na mesa e atraio a atenção dos membros da S.H.I.E.L.D presentes na sala.
— Ei! Todos vocês! O que pensam que estão fazendo? Vamos! Todos em seus lugares! Nós temos menos de duas horas para encontrar a vítima antes que seja tarde demais. – Alerto e todos voltam a se mover, seguindo todas as ordens que eu havia dado, cientes de que a vida de uma pessoa inocente se encontra em nossas mãos.
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