Notas iniciais
Oii Cupcakes ♥! Como eu imaginava, eu tive que dividir esse capítulo em dois devido ao tamanho. Então, para não ficar cansativo demais e eu ter tempo de escrever melhor a parte final do capítulo, postarei amanhã dois capítulos. A continuação desse e o epílogo. Espero que não se importem. E eu quero agradecer demais a AndreaNeves pelo comentário no capítulo passado. Obrigada pelo carinho e boa leitura...

ROMANCES MENSAIS

LIVRO XII – MISTÉRIOS DE DEZEMBRO

CAPÍTULO XXIX — CONDIÇÕES

Acordar com Natasha em meus braços era como um sonho que eu não vivia há muitos anos. Como se ela tivesse uma espécie de sonífero, no instante em que eu fechei meus olhos na noite anterior, eu dormi como há muito tempo eu não dormia. Até mesmo as minhas constantes dores de cabeça se extinguiram completamente pela manhã.

As minhas condições físicas e mentais não poderiam estar melhores. E somente nesse momento eu entendi que o que eu precisava para dormir não eram remédios ou as caras terapias que eu havia pago com diversos profissionais espalhados pelo mundo. O que eu precisava era da certeza de que no dia seguinte, eu ainda teria Natasha comigo, trazendo a paz e a confiança que eu nunca tive em mim mesmo.

— Bom dia. – Sussurro, assim que ela começa a se remexer em meus braços. Natasha ergue o olhar, ainda sonolenta e dá um fraco sorriso. E eu realmente não sabia como alguém poderia ser tão bonita quanto ela ao acordar.

— Bom dia. – Responde, ainda com a voz rouca. Deixo um beijo suave em seus lábios e ela suspira. – Que horas são?

— Meio-dia. – Informo e ela arregala os olhos, assustada.

— O quê? Não pode ser! – Exclama, desfazendo o nosso abraço para conferir as horas em seu celular na cômoda ao lado da cama. – Por Deus, Clint! Que horas você acordou?

— Seis e meia da manhã. – Respondo e ela arregala os olhos ainda mais.

— E por que você me deixou dormir até agora? – Questiona, indignada. – Como você pôde deixar isso acontecer?

— Mas você estava tão bonita e relaxada que eu não quis te acordar. – Respondo e ela pega o travesseiro, jogando-o contra mim. Rio e o pego, achando adorável a sua expressão indignada.

— Nós temos milhares de coisas para fazer! Deveríamos ter levantado cedo! – Ela se levanta e vai em direção ao banheiro para se arrumar. Viro-me para observar a mulher lavando o rosto na pia do banheiro. Ao notar que eu continuava deitado, ela volta para o quarto. – O que você está esperando? Levanta! Nós precisamos passar na CIA e depois ir para a casa de Mon-El. Ainda temos que procurar o desgraçado do Anthony e... do que você está rindo, Clint?

— É que eu estava com saudades dessa sua energia pela manhã. Ainda não consigo acreditar que você está aqui. – Respondo e ela me encara surpresa, antes de crispar os lábios, tentando esconder o sorriso que queria dar, mas era orgulhosa demais para admitir.

— Eu disse que estaria aqui quando você acordasse. – Fala com a voz suave. Sorrio e me levanto. Ando até a mulher e a puxo pela cintura, colando os nossos corpos.

— Obrigado por estar aqui. – Agradeço e ela dá uma pequena risada, abraçando-me.

— Eu não desejaria estar em nenhum outro lugar. – Afirma, apertando-me ainda mais contra ela. Natasha então se afasta e me observa com atenção. – Você está bem? Conseguiu dormir?

— Eu me sinto leve como um bebê, algo que não sinto há quase uma década. – Respondo e deixo um beijo demorado em sua testa. – Eu sempre soube que tudo o que eu precisava para dormir era de uma mulher bonita em minha cama.

— Ah, então era apenas uma mulher bonita? – Ironiza Natasha, cruzando os braços. – Podia ser qualquer uma então?

— Não sei. Nunca testei outras para saber. – Digo e recebo um tapa violento em meu braço. Rio e a puxo um beijo, mas ela vira o rosto. – O quê? Estou apenas sendo sincero com você.

— Você realmente não tem noção do perigo, não é, Clinton Barton. Depois é vítima de assassinato e o pessoal ainda vai perguntar o porquê. – Ameaça e isso só me faz rir ainda mais. – Agora me solta que nós estamos atrasados. Steve já deve ter chegado há muito tempo.

— Não. Ele teve um problema na empresa e mandou mensagem avisando que nos encontraria no final da tarde, mas que se precisasse dele com urgência, ele vinha correndo imediatamente. Eu respondi que não era necessário, mas que entraríamos em contato se tivesse qualquer problema. – Conto e ela suspira um pouco mais aliviada.

— Você realmente deveria ter me acordado. Nós temos um desgraçado que tem infernizado a minha vida há mais de trinta anos para prender. – Resmunga e eu acaricio o rosto dela, sorrindo compreensivo.

— E é por isso que você precisava descansar. Não se preocupe. Nós iremos encontrar esse desgraçado e ele vai pagar por cada um dos crimes que ele cometeu. Eu prometo. – Digo e ela suspira.

— Espero que esteja certo. – Comenta, ainda preocupada. Sorrio e a puxo para um beijo.

— Tudo bem. O plano de hoje é o seguinte. Nós iremos nos arrumar. Depois vamos almoçar no Capitão Ron, em seguida visitarem o seu adorável e não muito simpático chefe para relatar os ocorridos da noite anterior e dizer que Alexi se encontra no inferno no momento. E então, iremos visitar Eleven e Mike. Eles vão localizar o maldito do Anthony por meio das informações do Pentágono e nós finalmente o prenderemos. Ele vai sofrer alguns ataques nada demais na prisão e depois será sentenciado a cadeira elétrica. Está bem? – Digo, assim que nos afastamos e ela me encara confusa.

— Você disse Pentágono? – Questiona e eu assinto, dando de ombros. – Como crianças irão ter acesso aos arquivos do Pentágono, Clint?

— Ah, não se preocupe. Eu vou dar um jeito. – Garanto e ela me encara desconfiada. Rio e a viro para retornar ao banheiro. – Agora vai se arrumar, que o nosso dia hoje será muito corrido e nós já estamos atrasados.

— De quem será que é a culpa? – Ironiza Natasha e eu acabo rindo ainda mais.

— Sua, é claro. Se tivesse acordado mais cedo, nada disso teria acontecido. – Respondo e recebo uma toalha jogada em meu rosto como resposta.

— Eu juro que eu ainda vou quebrar o seu pescoço. – Resmunga Natasha, voltando para o banheiro.

— Eu te amo. – Grito e ela bate a porta do banheiro com força como resposta. Sorrio e volto a me deitar na cama, encarando o teto do quarto. Pego o porta-retrato que possuo com a foto de minha família e suspiro, sentindo uma felicidade que há muito tempo eu não sentia.

Assim que nós terminamos de nos arrumar, Natasha e eu almoçamos e seguimos para a sede da CIA. Como era de se esperar, Fury não ficou muito feliz com as nossas ações contra Alexi e tampouco contra Edgell, mas não havia muito a se fazer e ele não nos denunciaria ao conselho. Então o nosso castigo foi ouvir por horas as reclamações do homem, que afirmava estar cansado das minhas atitudes irresponsáveis e que não era fácil nos acobertar quando tomávamos atitudes como essa.

Também apresentamos as provas da identidade de Taskmaster e a S.H.I.E.L.D foi imediatamente acionada para ir as ruas procurar pelo homem. Obviamente, deixamos de fora o fato de que minha sobrinha caçula, o namorado e os amigos desenvolveram um método bem mais eficiente e complexo que usaríamos para localizar Anthony.

Quando enfim fomos liberados – sob ameaças de prisão e sentença de morte por parte de Fury, Natasha e eu seguimos para a casa onde Mon-El tem vivido com Kara, Mike, Holly, Mal e, atualmente, Nancy e Jonathan, que planejam retornar para Chicago após as festas de fim de ano.

— Tio Clint! Tia Tasha! – Nancy é quem abre a porta, assim que tocamos a campainha. Ela sorri com doçura e nos abraça apertado. A barriga de seis meses estava enorme e ela nunca pareceu tão radiante como nesse momento. – Que bom ter vocês aqui. Vamos entrar. Aqui fora está um gelo. Entrem. Entrem.

— Obrigada, querida. – Natasha agradece assim que entramos. Retiramos nossos casacos e seguimos para a sala de estar onde Jonathan parecia estar montando uma espécie de berço.

— Parece que alguém está precisando de ajuda. – Comento e ele ergue o olhar, abrindo um largo sorriso.

— Tio Clint! Que surpresa boa. – Jonathan deixa as grades do berço de lado para nos cumprimentar com abraços calorosos. – Oi tia Tasha.

— Oi Jonathan. Como você está? – Cumprimenta Natasha, abraçando o rapaz com carinho.

— Levando uma surra de um berço portátil. Mesmo com o manual de instruções, eu estou sentindo como se tivesse voltado a ser analfabeto. – Brinca o rapaz, rindo. — Vieram nos visitar hoje?

— Também. Mas vim conversar com o Mike e a El. Eles estão? – Pergunto e Nancy nega.

— Eles foram para casa do Lucas jogar Dungeons & Dragons com Max, Dustin, Will, Suzie e Charlie, aproveitando o recesso deles. – Comenta a garota, acariciando a barriga. – Mas vou ligar para ele e pedir para ele voltar para casa com a El. Eles vão adorar os ver.

— Obrigado, Nana. – Agradeço, sorrindo para a garota, que vai atrás do celular. – Ah, e se não for pedir demais, peça para que os amigos do clube A.V. deles também venham também. Eu vou precisar da última invenção deles que El me contou.

— Tudo bem. Enquanto isso, por que vocês não se sentam? Eu vou fazer um pouco de café para vocês. – Informa Nancy e eu logo me alarmo.

— Por favor, me diga que você sabe usar a cafeteira. – Imploro e ela me encara incrédula, enquanto Jonathan e Natasha gargalham. Nancy e cozinha nunca foi uma combinação segura e saborosa.

— El tem me ensinado a cozinha, está bem? E eu sei usar uma cafeteira. – Resmunga a garota, seguindo para a cozinha com o celular. Rio e volto minha atenção para Jonathan.

— Quer ajuda? – Pergunto, vendo-o lutar com o manual de instruções e as inúmeras peças pequenas do berço.

— Você sabe montar berços, tio Clint? – Questiona o rapaz com esperança. Natasha ri e coloca a mão sobre meu ombro.

— Clint cuidava de doze crianças ao mesmo tempo quando Nancy e os outros eram mais novos. Ele já deve ter perdido as contas de quantos berços ele já montou. – Comenta Natasha, bem-humorada.

— Isso é verdade. – Concordo, rindo.

— Então, por favor, me dê uma luz antes que eu acabe estragando isso aqui e Nancy me mate. – Implora, sorrindo sem graça. Sorrio e me aproximo, ajudando-o a montar o berço que era semelhante aos que montei diversas vezes para meus sobrinhos.

— Pensei que fossem voltar para Chicago antes de Nana ganhar bebê. – Comenta Natasha, encarando o rapaz com curiosidade.

— E esse era o plano, mas depois que Sara voltou e passamos a ter mais contato com a família Barton, estamos ponderando ficar aqui. Minha mãe também tem nos cobrado. Ela disse que quer ficar perto de Hope quando ela nascer e que vai nos ajudar a olhar a bebê. Ainda não é certeza, já que teríamos que procurar uma casa e empregos por aqui, mas é algo a se pensar. – Comenta Jonathan, ajudando-me a encaixar uma peça do berço. — Eu acho que seria bom para Hope conviver com a nossa família.

— Bom, se o problema é só a casa e os empregos, posso cuidar disso para vocês. – Respondo, animado. – Eu tenho algumas casas pela cidade e posso dar uma para vocês. Quanto aos empregos, vocês sabem que eu tenho muitos contatos. Era só eu falar com alguns amigos e pronto.

— Não podemos abusar de você desse jeito, tio Clint. – Afirma Nancy, voltando para a sala com duas xícaras de café em mãos.

— Como assim abusar? Eu quero que vocês fiquem em Hawkins. Tudo faz parte de um plano malévolo meu de ter todos os meus sobrinhos embaixo das minhas asas para que fiquem dependentes e nunca se esqueçam de mim. – Brinco, pegando a xícara de café. Nancy ri e a outra xícara para Natasha, sentando-se ao lado dela.

— Nós sempre vamos ser dependentes de você, tio Clint. E é impossível te esquecer. Eu o tenho como o pai presente que eu nunca tive. Você e a tia Tasha são as minhas figuras paternas e as pessoas que eu mais amo nesse mundo. – Responde a garota, sorrindo para nós daquela forma gentil que só ela parece possuir. – E é por tudo o que vocês já fizeram por mim que eu não posso aceitar algo tão grandioso como uma casa.

— Você sabe que o seu tio é bilionário, certo? Ele tem uma ilha! O que é uma casa comparada ao império que ele criou? – Comenta Natasha, fazendo a garota ri. – É sério. Deveria aproveitar a chance.

— E isso é um presente meu para a Hope. Não pode me tirar a chance de cuidar do membro mais novo da terceira geração da família Barton. Ou por acaso você não quer que ela participe dos acampamentos de família? – Pergunto com preocupação e Nancy arregala os olhos.

— É claro que não é isso, tio Clint. Os acampamentos são as melhores lembranças da minha infância. É claro que eu quero que a Hope seja treinada por você. Seria uma grande honra para mim. – Afirma a Nancy, rapidamente.

— Então apenas aceite o meu presente sem objeções. Você sabe que não se pode recusar um presente de um avô para a sua neta de consideração. Eu exijo o meu direito de ter a minha pequena Hope perto de mim. Por isso, depois das festas de fim de ano, nós iremos olhar as casas e você e Jonathan vão escolher as que vocês mais gostarem. Estamos entendidos? – Questiono, encarando-a por cima da xícara de café que eu esfriava.

— Você sabe que não adianta contrariar seu tio. Ele é a pessoa mais teimosa que nós conhecemos. Você não vai conseguir fazer com que ele mude de ideia. – Relembra Natasha e Nancy suspira, dando-se por vencida.

— Seja teimoso e inteligente como um Barton. – Nancy declama o lema da família Barton, sorrindo para nós. – Tudo bem, tio Clint. Nós iremos aceitar a ajuda. De qualquer forma, nós já estávamos pensando em nos mudar para cá mesmo. Acho que vai fazer bem para nós.

— Excelente. – Comemoro, assim que termino de beber o café, que surpreendentemente estava bom.

— E você teve alguma notícia de Mike e Eleven, Nana? – Pergunta Natasha e ela assente em resposta.

— Sim. Eles e os amigos estão vindo. Só vão passar na escola para pegar a invenção e vão correr para cá. – Responde Nancy, acariciando a barriga.

— E onde estão os outros membros dessa família? Imaginei que veria a casa cheia hoje com tantas pessoas morando por aqui. – Comento e Jonathan ri.

— Precisa ver a confusão que é aqui pela manhã. – Fala o rapaz, terminando de montar o berço portátil. – Finalmente!

— Parabéns! – Digo, feliz por ver a animação de Jonathan ao finalizar a complicada tarefa.

— Tio Mon-El foi para o Hawkeye mais cedo para resolver alguns problemas. Kara e Holly foram a um lar de animais para cuidar de alguns cães e gatos abandonados. E Mal foi ao cinema com o Ben, então, com Mike e El fora, ficamos sozinhos em casa. – Explica Nancy, sorrindo aliviada. – Eu amo minha família, mas eu realmente amo esse silêncio.

No entanto, o silêncio que Nancy tanto falava foi quebrado com a entrada inesperada de Mike, El e seus amigos, falando todos ao mesmo tempo. Nancy suspira e dá de ombros, como se já imaginasse que isso aconteceria a qualquer momento.

— Tio Clint! – Eleven é a primeira a correr em minha direção. Levanto-me e abraço a garota com carinho.

— Oi, querida. – Aperto-a contra mim, tomando cuidado para não derramar café nela. – Tudo bem?

— Acho que sim. – Responde, incerta.

— O que aconteceu? – Pergunta Natasha, abraçando Mike.

— Nosso aparelho de reconhecimento facial por dados foi roubado! – Revela Dustin, exasperado.

— O quê? – Balbucio, surpreso. – Quando isso aconteceu?

— Ontem à noite. Veja. – Responde Max, estendendo o celular para exibir a filmagem da câmera de segurança.

— Taskmaster. – Resmunga Natasha ao ver a imagem do homem entrando na sala do clube, indo direto no aparelho que estava guardado em um armário com cadeado. – Desgraçado!

— Vocês conhecem o mascarado? – Pergunta Lucas, encarando-nos esperançoso. – Acha que conseguimos recuperar?

— Nós vamos recuperar. Eu prometo. – Afirmo, devolvendo o celular para Max. – Jonathan, poderia levar as crianças para casa? Preciso conversar com Eleven e Mike.

— Claro. – Concorda Jonathan, levantando-se para pegar as chaves do carro. – Vamos lá, pessoal.

— Por favor, nos avise assim que recuperarem o aparelho. Ele ainda não está terminado, afinal, ele é apenas um protótipo, mas pode ser muito perigoso se estiver nas mãos erradas. – Pede Will, irmão mais novo de Jonathan.

— Aviso sim. Pode deixar. Não se preocupem. Eu vou avisá-los assim que tiver respostas. – Garanto e todos se despedem de El e Mike antes de partirem acompanhando Jonathan.

— O que quer conversar com a gente, tio Clint? – Pergunta Eleven com curiosidade.

— Vamos nos sentar um pouco. O que eu tenho para com vocês é importante. – Respondo e o casal troca olhares antes de fazerem como eu havia pedido.

— O que aconteceu? – Questiona Mike com preocupação.

— O que vocês precisam para desenvolver um novo aparelho de reconhecimento facial por dados? E quanto tempo levaria para construir um novo? – Indago e eles me encaram surpresos.

— Apesar de terem levado o nosso protótipo, ainda tempos o nosso projeto arquivado. O grande problema é montar a máquina e desenvolver o sistema. Demoraria pelo menos uns três dias. – Responde Eleven, fazendo Natasha suspirar.

— Não temos todo esse tempo. – Afirma a mulher, frustrada com a situação.

— Mas e se vocês tivessem dois gênios da computação, dois gênios com conhecimento em engenharia mecânica, uma equipe com facilidade em construção e os dados da pessoa que procuramos encontrar? Quanto tempo poderia demorar para desenvolver o sistema mais uma vez? – Pergunto, esperançoso.

— É difícil dizer com certeza, mas creio que em no máximo quatro horas estaríamos com um novo protótipo desenvolvido. – Responde Mike, incerto. – Mas novamente, não há certeza alguma de que conseguiríamos.

— Talvez com a ajuda de Shawn, eles terminem mais cedo. – Sussurro para mim mesmo, pensativo.

— O que está acontecendo, tio Clint? – Pergunta Nancy, encarando-me com seriedade. – Por que precisa de um aparelho de reconhecimento facial por dados? Você está com problemas?

— Preciso pegar um criminoso que... – Meu celular começa a tocar de repente, interrompendo-me. Retiro o celular de dentro do bolso de minha calça e estranho ao ver o nome de Mal brilhando na tela. Faço sinal para que meus sobrinhos esperassem e atendo a ligação. – Oi Mal.

Clint! Acabaram de levar o Ben! – Mal parecia desesperada do outro lado da linha. Arfo assustado com suas palavras.

— O quê? Como assim levaram o Ben? O que aconteceu? – Pergunto, alarmado com a notícia. Natasha já me encara com o semblante preocupado.

Nós viemos em um cinema de filmes antigos que ele disse que sempre vinha com você. Eu fui comprar pipoca para nós na bomboniere, enquanto Ben ficava na bilheteria para comprar nossos ingressos. Só que no momento em que eu voltava, uma pessoa fantasiada apareceu e colocou um pano sobre o nariz e a boca dele. Depois o criminoso colocou o Ben no carro e partiu. Eu tentei correr atrás dele, mas tudo foi rápido demais. – Conta Mal, completamente tomada pelo desespero.

— Tudo bem. Fique calma. Nós vamos reunir todos os membros da família Barton em minha casa. Vou pedir para o Shawn ir te buscar. Não saia do cinema. Ele deve chegar em menos de dez minutos. – Aviso e posso ouvir os soluços de Mal. – Não se preocupe, Mal. Eu definitivamente vou encontrar meu afilhado. Eu prometo.

[...]

A notícia do sequestro de Ben se espalhou rapidamente pela família. Não demorou muito para que Beth, Elena, Damon, Oliver, Barry, Sam, Austin, Thea e Sara aparecessem em minha casa com seus cônjuges. Hillary, Mon-El, Kara, Steve e Peggy também vieram, alegando terem deixado Liz, Holly e Tony com Kayla na casa dos pais de Oliver e Thea.

Quando Mal chega com Shawn em minha casa, ela é bombardeada de perguntas. Em meio ao choro de preocupação e raiva por não ter impedido Anthony de sequestrar o namorado, ela conta sobre a ação ágil do homem para apagar Ben e o levar em seu carro sem que ninguém conseguisse o alcançar.

E enquanto ouvíamos detalhadamente tudo o que aconteceu, meu celular começa a tocar de repente, surpreendendo-nos. Desvio o olhar dos rostos preocupados de meus sobrinhos e amigo para a tela do aparelho que estava em minhas mãos. Ao ver o nome Edith Barton na tela, sinto um arrepio em minhas entranhas. Minha mãe biológica nunca me ligava. Geralmente eu a visitava em Tóquio, onde ela vive escondida desde que Kazuo Taoka morreu.

— Oi, mãe. – Atendo a ligação, chamando a atenção de todos. Natasha me encara perplexa e posso ver a dúvida em seus olhos. Ela sabia que se minha mãe estava ligando, é porque havia algo de muito errado.

Olá, Clint. Tenho boas e más notícias. – Retiro o celular do ouvido e arfo ao reconhecer a voz verdadeira de Anthony do outro lado da linha. Coloco no viva-voz e encaro a todos presentes na sala. – A boa notícia é que o nosso querido príncipe Ben ainda está vivo. A má notícia, para você pelo menos, é que eu conheci uma pessoa muito especial. Eu entendo o seu desespero. Ambos são partes importantes de você. De um lado temos aquele que você tem como um filho. Do outro, a mulher que te trouxe ao mundo e que fez de tudo para te proteger. Mas não podemos ter tudo o que queremos. É uma questão de senso comum. Então, irei te fazer um favor e irei ensinar uma lição a você, obrigando a escolher.

— Escolher? – Repito, observando a tensão nos olhos de todos os presentes na sala. Meu coração batia como um louco. A fúria e o medo batalhavam dentro de mim, fazendo com que todos os eventos de dez anos atrás retornassem a minha mente, quando fui obrigado a escolher entre Ben e meus filhos.

Sim, Clint. Quem é mais importante para você? Com quem você se preocupa mais? Quem merece mais a sua atenção? Porque você não vai poder salvar os dois. — Responde Anthony e vejo Natasha arfa, sentando-se atordoada ao lado de Hillary, que a abraça apertado. – Em uma hora, eu enviarei as pistas. Esteja pronto para tomar sua decisão antes que seja tarde demais para a sua família.

A ligação é encerrada e por alguns instantes, não tenho reação. Era como se eu tivesse perdido o chão. Todos na sala se encontravam em estado de choque, surpresos pela chamada de Anthony. Mal soca a parede e posso ver as lágrimas de desespero se formar em seus olhos. Rapidamente, Kara, Ally, Cait e Elena correm na direção da garota para ampará-la.

Barry e Austin também demonstram sua fúria, levantando-se do sofá e proferindo insultos ao desgraçado de Anthony. Eles eram melhores amigos e tinham Ben como um irmão. Damon e Oliver se levantam também e passam a falar sobre formas de acabar com Taskmaster. Mon-El, Leonard e Steve pareciam frustrados, mas permanecem quietos, sem dizer nada. Felicity e Peggy se aproximam de Natasha também e passam a transmitir todo o apoio que a garota precisava.

Daryl, Freddie, Jonathan e Roy pareciam em estado de choque, sem saber como reagir a essa notícia que havia pegado a todos de surpresa. Thea, Sam e Sara se aproximam de Nancy, preocupadas com o estado da mulher que estava pálida. Mike corre para cozinha para pegar um pouco de água e algum calmante para a gestante. Beth e Shawn se levantam e vem até mim, preocupados. Tudo parecia ocorrer em câmera lenta ao meu redor. Eu não conseguia me mover. Eu via tudo acontecendo ao mesmo tempo, mas nada parecia fazer sentido para mim naquele momento.

— Tio Clint, você está bem? – Sussurra Beth, encarando-me com seus olhos analíticos. – Fala comigo. Você está pálido.

— Eu... – Balbucio, ainda sem saber como reagir. Minhas mãos tremiam e o desespero aos poucos tomavam conta de mim. O pavor de não ser capaz de salvar mais uma vez a minha família é sufocante.

— Clint, você precisa se acalmar. Respira fundo e olha para mim. – Pede Shawn, colocando as mãos sobre os meus ombros. Tento respira fundo, mas meu corpo parecia não obedecer às minhas ordens. – Clint, me escuta. Nada do que aconteceu dez anos atrás vai se repetir. Nós vamos salvar a sua mãe e o Ben. Mas precisamos que você mantenha a calma.

— Senta um pouco, tio Clint. – Pede Beth, conduzindo-me até o sofá. – El, pegue um pouco de água com açúcar para o tio Clint. Ele não está bem.

— Tudo bem! – Responde Eleven, correndo para a cozinha.

As palavras de Beth parecem despertar a todos os meus sobrinhos que imediatamente correm em minha direção. Todos passam a falar ao mesmo tempo, questionando o que eu estava sentindo e tentando me acalmar. Mas a verdade é que tudo soava distante demais para eu conseguir compreender o que diziam.

— Pessoal! Pessoal! Clint precisa de espaço! – Ouço Mon-El alertar, mas as crianças pareciam ignorar os apelos de meu amigo.

— Gente, vocês estão deixando Clint mais nervoso. Fiquem calmos, por favor. – Pede Shawn, que também é completamente descartado por meus sobrinhos.

— Muito bem. Já chega! – O grito de Natasha faz todos se calarem no mesmo instante. – Afastem-se de Clint! Todos vocês!

Obedecendo as ordens de Natasha, todos que estavam ao meu redor se afastam. Eleven me entrega o copo de água e se afasta, ficando ao lado da irmã mais velha. Minha namorada então se aproxima de mim e me encara com intensidade. Ela acaricia meu rosto e posso sentir suas mãos tremendo. Ela estava tão apavorada quanto eu, mas estava criando forças para se manter firme.

— Amor, olhe para mim. – Sussurra a ruiva, sorrindo com doçura. Ela se abaixa, apoiando-se em meus joelhos. Encaro seus olhos esverdeados e sinto toda aquela gama de sentimentos que nos envolviam e nos apavoravam. – Nós vamos dar um jeito. Edith e Ben ficarão bem. Eu prometo. Nada de ruim vai acontecer a eles. Nós vamos salvar os dois.

— E se eu não for capaz de...

— Você é capaz. – Natasha me interrompe, encarando-me com uma forte confiança presente em seus olhos. – Eu acredito em você. Todos nós acreditamos. Sabemos quem ele é e como ele age. Em breve devemos receber as dicas de Anthony. Você vai conseguir salvar o Ben e a Edith. Está bem?

— Tudo bem. – Respondo, ainda que não estivesse tão confiante.

— Ei, você vai. – Insiste Natasha com ainda mais determinação. Ela acaricia meu rosto e encosta a testa na minha e coloca as duas mãos em meu rosto. – Confie em você mesmo. Nós vamos conseguir. Não estamos mais sozinhos. Nossa família tem força e capacidade para nos ajudar. Iremos salvar os dois trabalhando juntos. Então não se pressione demais. Eu estou com você e ficarei ao seu lado o tempo todo. Agora se concentre em mim. Vamos nos acalmar. Inspire fundo e solta o ar devagar pela boca.

— Certo. – Digo, respirando fundo.

Concentro-me na respiração de Natasha e aos poucos, sinto a minha voltando a normalidade. Meus batimentos cardíacos passam a se controlar e gradativamente sinto-me muito mais calmo. Ao notar que eu já estava voltando ao meu normal, Natasha deixa um beijo em meus lábios e se afasta. Suspiro e bebo a água que Eleven havia trago, devolvendo o copo para a garota em seguida. Passo a encara minha família, que parecia esperar por alguma orientação de minha parte.

— Sinto muito pelo meu momento de fraqueza, pessoal. Eu já estou melhor. – Afirmo e eles me encaram com sorrisos aliviados no rosto. Viro-me para a ruiva ao meu lado e ela também parecia muito mais confiante. Relembro de nossa conversa na noite anterior e estendo minha mão para ela que a pega e me encara como se tentasse entender o que eu planejava fazer. – Natasha tem razão. Nós não estamos mais sozinhos. Nós conversamos ontem e acho que está na hora de contar a vocês o que aconteceu dez anos atrás que quase levou nossa família ao fundo do poço.

Todos que já sabiam da história nos encaram com solidariedade. Aperto a mão de Natasha e a encaro. Ela se senta ao meu lado e dá um sorriso nervoso, mas parecia pronta para revelar de uma vez por todas o que temos escondido deles por tantos anos.

— Sentem-se. – Pede Natasha, encarando cada um dos presentes. Aos poucos, meus sobrinhos e amigos vão se acomodando na sala, buscando algum lugar para se sentar. – O que iremos contar para vocês é algo que ainda causa muito sofrimento para nós, mas que é necessário para que entendam que nunca foi nossa intenção abandonar vocês e o que nos levou a fazer tudo o que fizemos com vocês até agora. Então, pedimos que escutem tudo com atenção e sem interrupções. Ao fim, responderemos quaisquer perguntas que vocês possam ter.

Natasha se vira para mim e assente, incentivando-me a começar a falar. Respiro fundo e começo a narrar como meus pais se conheceram em Tóquio, durante uma visita de meu pai a Tóquio para tratar de assuntos com a máfia japonesa, o envolvimento proibido e a forma como cada um agiu para me proteger. Conto sobre meu primeiro contato com a Yakuza, as vezes que precisei lutar para me defender e como foi descobrir as minhas origens pelo meu pai e o primeiro encontro que tive com minha mãe.

A cada nova informação, mais surpresos todos ficavam. Mesmo aqueles que já sabiam de boa parte da história esboçavam surpresa ao descobrirem mais sobre o meu passado, já que as únicas pessoas naquele lugar que sabiam toda a verdade eram Natasha e Shawn, que me ajudou durante uma de minhas crises de pânico ao acordar de um pesadelo com as crianças e eu não tive escolha além de contar tudo a ele.

Assim que termino de falar sobre as minhas origens, Natasha passa a contar sobre a família biológica dela, a primeira vez que viu Anthony Master, a participação dele no acidente do pai de Ben, como nós o prendemos, sobre a gravidez, como conheceu Alexi e tudo o que ele a causou. Ela explica também o motivo de ter escondido as crianças e todos os detalhes de como planejávamos apresentar Lila e Cooper a eles. Natasha aproveita para mostrar a foto das crianças para eles e então chegou à parte de contar sobre a morte deles e do bebê que ela esperava. Ao fim, a maior parte das mulheres choravam e os rapazes pareciam estar se segurando para não deixar as lágrimas caírem.

Natasha suspira e eu entrelaço nossas mãos, orgulhoso de nós dois por conseguirmos contar a verdade a nossa família. De alguma forma, eu me sentia muito mais leve e a dor já não era tão dilacerante como costumava a ser todas as vezes que eu falava sobre Lila e Cooper. Ainda era difícil e o aperto em meu peito estava presente como sempre, mas eu era capaz de controlar a saudade latejante naquele momento.

— O que queremos que vocês entendam que não contamos antes não por não confiar em vocês. A verdade é que estávamos com medo. A culpa e a raiva nos cegaram ao ponto de não conseguirmos compartilhar com ninguém o que sentíamos e o que passamos. – Afirmo, suspirando entristecido.

— Quando tudo isso aconteceu, eu temia pela vida de vocês. Não suportaria perder mais um membro da minha família. Na mesma época, Sara acabou entrando para a CIA e eu não me sentia forte o bastante para estar perto de Clint sem lembrar de nossos filhos. Covardemente, eu fugi e afastei vocês, esperando protegê-los, mas hoje vejo que a verdade é que eu não era capaz de os encarar. Eu sinto muito por isso. – Lamenta Natasha, dando um fraco sorriso. – E por mais que eu odeie a ideia de os colocar em perigo, nós precisamos da ajuda de vocês se quisermos evitar que o que aconteceu dez anos atrás volte a se repetir.

— O que nós precisamos fazer? – Questiona Nancy, levantando-se do sofá para nos encarar.

— Eu não faço ideia de quem é esse maldito, mas eu definitivamente vou lutar com quem for necessário para salvar o Ben. – Garante Mal, possessa.

— Faremos o que for preciso para salvar Ben e a sua mãe, tio Clint. – Afirma Sam e eu não consigo evitar um sorriso de orgulho ao ver todos se levantarem, prontos para lutar.

E enquanto todos me encaravam com intensidade e expectativas, o celular de Mal começa a tocar. Desesperada, a garota arfa ao encarar a tela do aparelho e reconhecer o nome que brilhava nele.

— É o Ben! – Exclama a garota, ansiosa.

— Atenda no viva-voz. – Peço e ela assente. Viro-me para Damon, fazendo sinal para que ele prestasse atenção. O rapaz balança a cabeça positivamente e se aproxima de Mal para ouvir melhor a ligação.

— Ben? – Mal atende com os olhos repletos de preocupação.

Uma casa com doze meninas. Cada uma com quatro quartos, todas elas usam meias, nenhuma rompe sapatos. Lembre-se de onde a relação começou. Pobre Scottie. O tempo acabou. – A voz de Ben ressoa pelo ambiente de forma nervosa. De repente, um alto barulho de vento se faz presente. – Tio Clint, eu estou no...

A ligação é encerrada. Todos ficam ainda mais apreensivo. Respiro fundo e tentando entender a mensagem dada por Anthony por meio de Ben.

— O que isso quer dizer? – Questiona Mal, desesperada. – Onde está o Ben?

— Fica calma, Mal. Precisamos confiar no Clint. – Pede Kara, abraçando a prima com carinho.

— Como eu vou ficar calma quando meu namorado está nas mãos de um psicopata que acha divertido brincar com a vida dos outros? – Indaga a garota de cabelos roxos e Mon-El a puxa para um abraço apertado.

— Ei, acredite no Clint. Ele vai encontrar o Ben e o trazer de volta sã e salvo. Eu prometo. – Garante Mon-El, acariciando o cabelo de Mal.

— Damon, repita para mim. – Peço, encarando meu sobrinho. – Repita o enigma. Cada detalhe dele.

— “Clint, uma casa com doze meninas. Cada uma com quatro quartos, todas elas usam meias, nenhuma rompe sapatos. Lembre-se de onde a relação começou. Pobre Scottie. O tempo acabou.” – Repete Damon, pensativo.

— Doze meninas. Meias. Vento forte. Som. Tem um som atrás. O que era aquilo? Um relógio, talvez. Tempo acabou. Scottie. Pobre Scottie. Referência. Madeleine. Relação começou. Início de uma relação. Minha mãe. Encontro. – Balbucio, procurando alguma explicação.

— O que ele está falando? – Questiona Mike, encarando a irmã com curiosidade.

— Ele está desvendando o enigma. Fique em silêncio. Tio Clint precisa pensar. – Sussurra Nancy, abraçando o irmão com apreensão.

— Uma casa com doze meninas. Cada uma com quatro quartos, todas elas usam meias, nenhuma rompe sapatos. Isso é um relógio. Onde a relação começou. Cinema. Um Corpo Que Cai. Assistimos a esse filme. Madeleine. Em vez da torre do sino, é a torre do relógio. – Deduzo e encaro meus sobrinhos com seriedade. – A primeira vez que levei Ben a um cinema de filmes clássicos, nós assistimos Um Corpo Que Cai, um filme de 1958 de Hitchcock. Há uma cena do filme em que a protagonista, Madeleine, acaba se jogando da torre do sino de uma igreja. Acabou o tempo de John Scottie, o detetive aposentado que é protagonista do filme. Ele não conseguiu salvar Madeleine.

— Droga! Atende! Atende! – Implora Mal, levando o aparelho ao ouvido, em uma tentativa em vão de conseguir falar com Ben mais uma vez.

— Não adianta, Mal. Anthony se livrou do celular do Ben. – Respondo, frustrado.

— E onde ele está? – Pergunta Mal, desesperada.

— Na torre do relógio de Hawkins. – Respondo e ela me encara com preocupação. De repente a campainha de casa toca, assustando a todos, que estavam apreensivos com o sequestro de Ben.

— Eu vou ver quem está no portão. – Informa Natasha, indo com cautela até a porta da sala. Ela olha pela câmera de segurança para ver quem havia tocado a campainha, mas parece estranhar o que vê. – Não há nada além de um cesto.

— Cesto? – Pergunto, surpreso. – É a dica de Anthony para a localização da minha mãe!

Imediatamente, Natasha vai atrás do cesto que estava no portão que impedia os visitantes de entrarem na propriedade. Eu vou logo atrás, ansiando para saber o enigma que o desgraçado havia enviado dessa vez. Com o cesto em mãos e tremendo de frio por estarmos sem nenhuma proteção térmica em meio a tempestade que caia, voltamos para casa.

Assim que sentamos no sofá, retiro os panos que estavam forrando a cesta, encontrando um arco e flecha em miniatura, um boneco com a cabeça arrancada e uma faca cravada em seu peito. Dentro da cesta há também uma carta com o emblema Yin Yang no fecho.

— ‘Sem voz encanto quem me ouve. Tenho leito e não durmo. E como o tempo, corro sempre. A tempestade está aumentando e o frio se espalhando. Tome cuidado com o que vai acontecer. Debaixo da plataforma sua querida mãe irá morrer’. – Leio a carta, sentindo a raiva se espalhar dentro de meu peito. Respiro fundo, tentando me acalmar. Se eu quisesse achar minha mãe, eu precisava manter a calma e a concentração. — Sem voz. Encanto. Leito e não durmo. Corre como o tempo. – Murmuro, analisando a carta. – Debaixo da plataforma. Plataforma. Corre como o tempo. Tem leito e não dorme. Merda!

— O que foi? – Pergunta Natasha com preocupação.

— Descobriu onde a sua mãe está, Clint? – Questiona Hillary, esperançosa.

— Em algum dos cais do rio White. – Afirmo e ela arfa com preocupação. – São cerca de dez cais ao longo do rio White.

— Os dois pontos ficam em exatos opostos. – Comenta Natasha, pensativa. – Vamos precisar dividir os grupos.

— Eu vou buscar o Ben. – Mal se prontifica e eu suspiro, concordando. Não adiantava tentar convencer a garota a mudar de ideia.

— Se todos forem, vai acabar atrapalhando e pode ser perigoso. – Respondo, encarando o grupo. – Nancy, Beth, Mike e Eleven, vocês definitivamente vão ficar. Não sabemos o que Anthony está aprontando e não vou colocar a vida de vocês em perigo. Ainda mais das duas que estão esperando bebê.

— O quê? – Questiona Daryl, encarando Beth, que me encara com repreensão. – Você está grávida?

— Tio Clint! Eu ainda não havia contado para ninguém além de vocês dois. – Resmunga Beth e vejo o olhar incrédulo de Sam.

— Eu vou ser tia e você não me disse nada, sua traidora? – Acusa Sam, encarando a irmã em um misto de felicidade e frustração.

— Esses dias tem sido bem agitados, está bem? Não tivemos tempo para conversar e esse não é o tipo de notícia que se dá por telefone. Daryl estava ocupado com a ONG e eu achei melhor contar como presente de Natal. – Responde Beth, suspirando. – De qualquer forma, não temos tempo para isso. Ben e a mãe de tio Clint estão em perigo. Depois vocês podem brigar comigo e me dá parabéns.

— Ah, pode ter certeza de que eu vou puxar e muito a sua orelha. – Avisa Thea, encarando a prima mais velha com repreensão.

— Tudo bem. Vamos focar aqui. – Peço, vendo que eles poderiam acabar enrolando mais. – Daryl e Jonathan, fiquem também para cuidar de suas esposas. Felicity e Freddie, invadam os sistemas de câmeras de segurança da cidade e procurem pelo Anthony com a ajuda de Mike e Eleven.

— Certo. – Concordam Freddie e Felicity ao mesmo tempo.

— Roy, você se machucou recentemente, então fique aqui com Kara, Ally, Cait e Thea. – Peço e minha sobrinha mais nova me encara indignada.

— Por que eu não vou? – Pergunta, frustrada. – Eu tive o mesmo treinamento que os outros e sou capaz de lutar.

— Exatamente por isso que você precisa ficar aqui. Precisa garantir que nenhuma das garotas acabem machucadas. Não sabemos o que Anthony está aprontando e Roy não pode lutar. Precisamos de pessoas para cuidar daqueles que não estão acostumados a lutar. – Responde Natasha e Thea suspira, dando-se por vencida. – Mon-El e Peggy, vocês também fiquem para ajudar Thea.

— Pode deixar. – Responde Mon-El. Peggy apenas assente em concordância.

— Como Natasha e eu temos maiores habilidades de luta, vamos ser os responsáveis de cada grupo. Hillary e Shawn. Posso contar com vocês para irem? – Questiono, encarando o cientista e a agente.

— Você já sabe a minha resposta. – Responde Hillary, sorrindo com confiança.

— E você me deixa dizer não as suas loucuras? – Pergunta Shawn, dando um sorriso irônico. Dou uma risada anasalada e ele suspira, dando de ombros. – É claro que eu vou.

— Ótimo. – Fala Natasha, encarando o grupo. – Hillary, Mal, Barry, Austin, Elena e Sam, vocês seis vem comigo. Nós iremos resgatar a mãe de Clint e vou precisar das habilidades de vocês, já que teremos que nos dividir para olhar em todos os cais espalhados pelo rio.

— Você tem certeza disso? – Pergunto, relembrando que no passado eu fiquei responsável pelo resgate de Ben.

— Ben precisa de você. Não se esqueça de sua promessa como padrinho dele. – Relembra Natasha, acariciando meu rosto. – Vai ficar tudo bem. Eu prometo que trarei sua mãe de volta.

— Certo. – Respiro fundo tentando me manter calmo e me viro para aqueles que haviam restado. — Então, Mal, Sara, Steve, Leonard, Oliver, Damon e Shawn, vocês virão comigo.

Todos assentem, visivelmente nervosos. Despeço-me de Natasha, sentindo a adrenalina percorrer meu corpo. Mais uma vez, eu tinha a missão de salvar meu afilhado, enquanto a vida de mais uma pessoa importante para mim está em perigo. E tudo o que eu podia fazer era acreditar que dessa vez, todos sairão com vida.

Notas finais
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