Notas iniciais
Oii Cupcakes ♥! E hoje chegaremos ao fim da história. Como prometido, estou postando a continuação do capítulo passado e mais tarde postarei o epílogo, finalizando definitivamente Mistérios de Dezembro. Eu espero do fundo do meu coração que vocês gostem desse capítulo. Eu quero agradecer demais ao apoio que recebi no capítulo passado no comentário da AndreaNeves. Boa leitura e até mais tarde!

ROMANCES MENSAIS

LIVRO XII – MISTÉRIOS DE DEZEMBRO

CAPÍTULO XXX — DESESPERO

A apreensão tomava conta de todos, enquanto seguíamos para a torre do relógio da cidade. A neve caia com intensidade, tornando nossa visão da pista cada vez mais comprometida. Eu precisava me manter calmo e confiante, mas a verdade é que eu estava à beira de um colapso. Era inevitável não pensar no sequestro que Ben sofreu no dia que os gêmeos foram assassinato e toda a tensão que vivi, enquanto procurava pelo garoto que tinha apenas sete anos na época.

Era para ser apenas um dia comum como qualquer outro. Eu trabalhava no escritório de casa com Bernard. Precisava cuidar da administração de todas as quinze empresas que eu tinha espalhadas pelo mundo. Por ser início de mês, eu tinha que ler os relatórios de todos os gerentes das empresas e ter certeza de que tudo estava ocorrendo sem grandes problemas com os meus mais de cinco mil funcionários.

Naquele dia, Natasha estava em casa de folga, mas ainda deitada por estar um pouco fadigada. Mesmo sem ela me dizer nada, eu sabia que ela estava passando pelo mal-estar dos primeiros meses de gravidez, com constantes enjoos, cansaço excessivo e o sono interminável.

Foi então que por volta das sete horas da noite, eu recebo a ligação desesperada da mãe de Ben informando que sua casa havia sido invadida e que Ben foi levado a força por Alexi. Bela disse ainda que o desgraçado informou que se chamássemos a polícia, ele mataria Ben.

E foi a partir daquele momento que meu mundo começou a desandar. O motivo de ter escolhido Ben foi por saber a forte ligação que eu tinha com meu afilhado. Alexi sabia que eu faria de tudo para recuperar o garoto que sempre foi como um filho para mim.

Durante aquela noite, Alexi deixou diversas pistas falsas para me atrasar. Tudo para ter certeza de que me manteria ocupado, enquanto atacava Natasha e nossos filhos. E eu sempre me culpei por não ter deixado Bernard com Natasha. Tudo poderia ter sido diferente se ele não tivesse saído comigo para procurar por Ben, que felizmente não sofreu nenhuma agressão ou trauma. Ele foi apenas uma isca.

Alexi deu sonífero para que ele não o atrapalhasse e o deixou trancado em um quarto de hotel, enquanto realizava suas crueldades com o restante de minha família. Assim que o recuperei, recebi sua ligação informando que estava com Lila e Cooper no orfanato onde vivi a maior parte de minha infância que ficava do outro lado da cidade. Eu ouvi os gritos das crianças e seus desesperos, implorando para que eu fosse salvá-las. Eu tentei o meu melhor, mas quando consegui chegar, já era tarde demais.

Enquanto seguia para a torre de relógio, eu me questionava se ele estaria mesmo por lá ou era apenas uma armação de Anthony, assim como a de Alexi, para me fazer andar em círculos para no fim, eu não ser capaz de o salvar. Era desesperador pensar que a vida de meu afilhado estava em perigo mais uma vez por minha culpa.

A experiência que vivi na noite em que meus filhos foram assassinados me fez perceber que Ben sempre carregaria o peso por ser meu afilhado. Sua vida sempre estaria em risco por verem no garoto a chance de atingir. Não que meus outros sobrinhos não tivessem, mas Ben foi o único que eu batizei e que tive participação mais ativa em sua criação, principalmente quando a mãe do garoto adoeceu.

Exatamente por isso, não aceitei mais convites para ser padrinho. Como eu poderia colocar a vida de mais crianças em perigo? Eu jamais me perdoaria se algo acontecesse a eles. E depois de todo o treinamento pelo qual fiz meus sobrinhos passar, eu pensei que Ben nunca mais passaria por uma situação como essa, mas vejo que mais uma vez eu fui ingênuo.

— Nós estamos nos aproximando do local. Alguma informação sobre Ben, Felicity? – Questiona Oliver, conversando com a esposa pelo telefone no viva-voz para que todos escutassem.

Shawn dirigia e vez ou outra me lançava olhares preocupados. Talvez pelo meu silêncio, ele soubesse que eu estava mais apreensivo do que era recomendado naquele momento, onde precisaríamos de minha capacidade completa para conseguir salvar o meu sobrinho. Mal também parecia nervosa, mas se mantinha calada, prestando atenção na conversa, esperançosa para que tivéssemos alguma resposta positiva sobre o estado de Ben. Sara, Steve e Leonard acionavam reforços do corpo de bombeiro e dos agentes da CIA e do FBI para facilitar a nossa entrada no prédio no momento em que chegássemos. Damon se mantinha em contato com Elena, tentando descobrir como a outra equipe estava se saindo com a caça a localização de minha mãe.

— Mike, Daryl, Beth, Thea e eu estamos assistindo as câmeras de segurança próximas a torre do relógio desde o horário em que Ben foi sequestrado, mas ainda não consegui nenhuma imagem. Nada que nos informe como Anthony Masters acessou a torre com Ben sem que ninguém notasse.— Responde Felicity, parecendo apreensiva com a falta de respostas.

— Espere. Pare aí, Felicity. Acho que vi alguma coisa. – Ouço Daryl falar do outro lado da linha. – Volte a imagem uns cinco minutos antes. Agora você consegue aproximar o vídeo para perto desse homem de macacão e boné que está segurando essa mala grande?

— Oliver, parece que encontramos alguma coisa aqui. – Informa Thea, parecendo animada. – Acho que o maldito entrou no prédio dizendo que iria realizar a manutenção do relógio. Ele está usando uma roupa que é igual a da equipe de manutenção dos aparelhos lá do hospital.

— Fely, você consegue ter acesso as câmeras de segurança em tempo real desse prédio bem aqui de frente? Esse onde tem o restaurante. – Pergunta Beth, parecendo ter tido alguma ideia.

— Se eles tiverem câmera de segurança, sim. – Responde Felicity, dando alguns cliques. – Mike, consegue acessar a rede principal e desativar o firewall deles?

— Sim. Só um minuto. – Pede o garoto, parecendo digitar freneticamente. – Pronto. Está liberado. Pode acessar.

— Obrigada. – Responde Felicity e novamente o barulho de cliques e da rápida digitação da mulher se faz presente. – Acho que eu consegui. Eu só preciso acessar isso e... pronto.

— Droga! – Exclama Thea, assustada.

— Oh, merda. — Fala Daryl e eu quase posso o ver levando as mãos a cabeça.

— O que foi, gente? – Damon se coloca em alerta ao ouvir os suspiros desesperados de Felicity e os outros.

— O que aconteceu? – Questiona Mal com preocupação.

— Tio Clint, você está ouvindo? – Pergunta Beth do outro lado da linha. Oliver se aproxima para me entregar o celular.

— Sim. Estou aqui. O que está acontecendo? – Indago, esperando pelo pior.

— Por acaso o filme que você assistiu com o Ben tinha alguma cena onde a personagem principal ficava sentada em uma cadeira sendo segurada por um cabo preso ao relógio que a faria cair da torre se fosse cortada pelos ponteiros? — A voz de Beth continha um desespero que imediatamente se espalha pelo carro.

— O quê? Ai meu Deus! Beth, o Ben está em uma cadeira suspensa na torre? – Pergunta Mal apavorada com a ideia.

— Vocês precisam se apressar. Se vocês não o tirarem dessa cadeira até as seis e meia, o cabo que tem Ben vai cair da torre do relógio. — Alerta Daryl, no mesmo instante em que estacionamos o carro de frente a torre do relógio.

Mal é a primeira a sair do carro, sendo acompanhada por Steve, Sara e Leonard, que usariam suas autoridades como agentes da segurança nacional para liberar a nossa entrada. Damon e Oliver os segue logo atrás, ficando apenas Shawn e eu no carro.

— Clint? – Shawn me chama, colocando a mão sobre o meu ombro. – Está tudo bem?

— Sim. Eu só preciso me acalmar. – Digo, sentindo o frio percorrer minhas veias. Respiro fundo e solto o ar calmamente pela boca. Repito o processo mais duas vezes até conseguir controlar os meus batimentos cardíacos e volto a pensar com mais racionalidade. – Tudo bem. Vamos lá.

Descemos do carro e seguimos correndo para dentro da torre do relógio, que para a minha surpresa estava com a porta fechada com um enorme cadeado. Suspiro, vendo meus sobrinhos tentarem arrombar a porta de madeira gigante. Sara e Leonard tentam usar suas armas para quebrar o cadeado, mas ele era grosso demais.

Olho para cima. Não dava para ver nada. A neve continuava a cair sem piedade. Meus sobrinhos gritavam e batiam na estrutura, mas nada parecia surtir efeito. Sara ligava para a sua equipe de reforços para que viessem o mais rápido possível para abrir as portas, mas eu sabia que com a tempestade impetuosa de neve que assolava a cidade, eles não conseguiriam chegar a tempo.

Enquanto todos tentavam abrir a porta a todo custo, ando ao redor da grandiosa construção que se assemelhava ao Big Ben londrino e encontro uma espécie de janela no chão, na parte de trás da torre. Encaro o relógio em meu pulso. Seis e dez. Eu tinha vinte minutos para salvar Ben, então não tinha muito escolha além de usar a passagem minúscula, que provavelmente dava para o porão da torre.

Encontro uma pedra próxima da janela e a jogo, quebrando o vidro no mesmo instante. Chuto os cacos de vidro e sem esperar que os outros me acompanhassem, abaixo-me e entro de costas pela janela. Por causa dos cacos de vidro, acabo cortando meus braços, mãos, pernas e barriga enquanto me arrastava para dentro da torre, mas naquele momento, nada me importava. Eu apenas precisava salvar o meu afilhado.

— Clint! O que você está fazendo? – Ouço a voz de Shawn perto da janela que eu usei.

— Salvando Ben. – Respondo, descendo devagar pela janela. Tento olhar em volta, mas tudo estava muito escuro. Sem escolha, respiro fundo, torcendo que encontrasse o chão e não uma arma mortífera abaixo de mim, e pulo. Caio em cima do que imaginei serem caixas com peças antigas do enorme relógio da cidade. Um resmungo de dor escapa pela minha boca ao sentir os materiais me machucar.

— Clint? O que aconteceu? Você está bem? – Pergunta Shawn com preocupação.

— Sim! Eu só... – Pego meu celular e ligo a lanterna para ver o que havia ao meu redor. – Eu cai em algumas peças do relógio.

— Você se machucou? – Questiona e eu me levanto, sentindo como se todos os meus ossos tivessem se quebrado.

— Eu estou bem. Agora vou ir atrás de Ben. – Respondo, ignorando todas as dores pelos cortes espalhados pelo meu corpo e pelo impacto da queda.

— Espere. Eu vou com você. – Avisa o homem, chutando os cacos de vidro para longe.

— Não precisa, Shawn. Você vai se machucar! – Resmungo, procurando a saída daquele lugar.

— Não vou deixar você ir sozinho. Durante as últimas semanas, você me fez de seu capacho oficial, me obrigando a fazer coisas que nada tem a ver com a minha área de trabalho, então cala a boa e me ajuda a descer. – Responde, realizando o mesmo procedimento que eu. Bufo e procuro uma forma de amortecer a queda dele.

— Espere um pouco. Eu encontrei uma escada aqui. Vou colocar para você descer. – Peço, colocando o celular em cima de uma das caixas no porão. Posiciono a escada próxima a Shawn e a seguro para que ele pudesse descer em segurança. – Tudo bem. Pode vir.

— Está bem. – Responde, esticando o pé até encontrar o primeiro degrau da escada. Aos poucos, ele vai descendo até chegar ao chão. – Obrigado.

— Agora vamos. Eu acho que teremos que subir pelo menos dezessete andares de escada e só temos quinze minutos para salvar Ben. Não deve demorar muito para que meus sobrinhos notem essa passagem, mas não podemos esperar por eles. – Digo, pegando meu celular.

— Tudo bem. Vamos lá. – Fala Shawn, pegando seu celular para iluminar o local junto com o meu. – Ali! A porta que dá acesso aos outros andares.

Assinto e corremos até a porta, que também estava trancada. Bufo e pego meu canivete para destrancar e quando finalmente consigo, tivemos que subir dois lances de escadas para chegar ao térreo. Andamos pelo corredor que encontramos até encontrar a escadaria principal que levava ao último andar da torre.

Quando enfim chegamos ao último lance de escada, Shawn e eu estávamos exaustos e tivemos que parar um pouco para recuperar o fôlego. Nossos celulares tocavam, provavelmente meus sobrinhos a minha procura, mas não tínhamos tempo para isso. Assim, arrombo a porta que nos separava do andar onde ficava o grande relógio na torre e arfo ao ver que Beth estava mesmo falando sério.

Ben estava sentando em uma cadeira inclinada para frente, com apenas os pés traseiros dela sustentando a cadeira e um cabo de aço que estava começando a se soltar pelo peso. Meu afilhado estava amarrado por cordas grossas e uma mordaça na boca e era possível ver que ele chorava em silêncio. A altura do lugar era assustadora até mesmo para mim, que já pulei de muitos prédios, de paraquedas e de cachoeiras altas.

— Ben! Merda! – Corro até meu sobrinho, sentindo o ar queimar meus pulmões pelo recente esforço e as fortes dores em meu corpo. Ele me encara minimamente, temendo cair. Os ponteiros se movem mais uma vez e meu afilhado se encolhe. O vento intenso e a neve que começava a cair com intensidade não ajudava a manter sua cadeira firme. – Fica calmo. Eu estou aqui agora. Vai ficar tudo bem. Eu vou tirar você daí.

— Ai! Merda! Clint! O cabo está conduzindo eletricidade! – Alerta Shawn, assim que leva um choque ao tentar pegar no cabo.

Os ponteiros giram mais uma vez. Restavam apenas um minuto. Ben estava de olhos fechados e as lágrimas desciam com intensidade. Ele já havia aceitado que aquele era o fim. Shawn me encara e corre para segurar o ponteiro que se aproximava do cabo. Olho em volta, buscando alguma forma de conseguir salvar meu afilhado, mas não havia nada à nossa volta.

— Faz alguma coisa, Clint! Eu não vou conseguir segurar por muito tempo! – Grita Shawn, usando toda a sua força para impedir que o ponteiro chegasse ao cabo que segurava Ben.

Com o coração batendo como um louco e com a adrenalina à flor da pele, corro até a porta que levava as engrenagens do relógio. Subo as escadas de três em três degraus e assim que alcanço a parte dos ponteiros, puxo a adaga que estava no bolso de dentro do meu casaco e a cravo entre as engrenagens do relógio, parando-o imediatamente.

Corro de volta para o local onde estava Ben e suspiro aliviado por ver que eu parei o relógio faltando apenas alguns segundos para que ele tocasse no cabo. Shawn e eu nos aproximamos às pressas de Ben e o puxamos para trás. Com cuidado, deitamos Ben no chão e passamos a desamarrar o rapaz, que se tremia e estava incrivelmente pálido.

— Acabou. Você está seguro agora. – Afirmo, retirando a mordaça da boca de Ben. Ele respirava com dificuldades e me encarava apavorado. Assim que Shawn consegue soltar os braços de meu afilhado da cadeira, ele me abraça com pavor. Correspondo com igual intensidade, aliviado por o ter em meus braços. – Está tudo bem. Está tudo bem. Eu estou aqui, Ben. Não vou deixar que nada te aconteça.

— Eu... pensei que... que eu iria... – Confessa Ben, tremendo e soluçando. Ele estava incrivelmente gelado. O casaco que usava não parecia o bastante para o aquecer. Aperto-o ainda mais contra mim.

— Eu sei. Eu sei. E sinto muito por isso, Ben. – Afirmo, deixando vários beijos na testa de meu afilhado. Afasto-me e retiro meu casaco para colocar sobre os ombros dele e o aquecer mais. – Mas agora acabou. Eu prometo que nada mais vai te machucar.

— É mesmo? – A voz grossa de Anthony Masters ecoa pelo local, chamando a nossa atenção. Shawn e eu nos levantamos e nos colocamos de frente para Ben. Encaro o homem e o vejo apontando uma arma para nós. – Infelizmente, eu acho que você terá que quebrar a promessa ao seu afilhado, Clint. Afinal, eu não pretendo deixar que nenhum de vocês três saiam vivos daqui.

— Resolveu dar as caras, Anthony? – Pergunto, dando um passo para frente. O homem engatilha a arma, mas isso não me intimida. – Finalmente se cansou de ficar brincando de pique esconde?

— Já faz algum tempo que nos encontramos pessoalmente, não é mesmo? – Comenta o homem careca de olhos azuis intensos e corpo musculoso que usava terno, calça e camisa social preto.

Quem o olhasse, jamais diria que ele tinha quase sessenta anos. Tudo isso se devia ao fato de Anthony ter sido uma das poucas pessoas a sobreviverem ao Mirakuru. Outra vantagem que ele havia adquirido é a resistência a temperaturas extremas. Apesar do frio congelante que se fazia, ele não parecia incomodado com sua pouca proteção. E era por isso que Anthony era uma das pessoas mais perigosas do mundo. Ele possui a inteligência, força e a resistência que nenhum outro agente poderia ter.

— É. Que eu me lembre, da última vez que nos vimos, você levou uma surra de mim. – Provoco e o vejo crispar os lábios em incômodo. Rio e me aproximo mais. – O que foi? Veio atrás do segundo round?

— Foi divertido brincar com você, Clint. Eu estava certo. Você é realmente o único capaz de jogar de igual para igual comigo. – Comenta e eu acabo rindo com ironia.

— Está enganado. Eu venci você. – Respondo, dando mais um passo para frente. – E você sabe disso.

— Eu sei? – Ironiza, como se não acreditasse em minhas palavras.

— O acordo era eu descobrir quem você era e finalmente você daria um fim a HYDRA. E aqui estamos nós. Eu descobri sua identidade, matei o seu braço direito e impedi que você matasse as pessoas que eu amo. Você perdeu, Anthony. Fim de jogo para você. – Afirmo e posso ver a fúria brilhar em seus olhos. No entanto, não demora muito para que ele sorria e coloque a arma em minha cabeça.

— Você pode ter vencido a batalha, mas não ganhou a guerra, Clint. O jogo só acaba quando eu digo que terminou. – Responde Anthony, furioso.

— Tio Clint! – Grita Ben, apavorado.

— Para trás, Ben! – Respondo de volta, fazendo sinal com a mão para que ele parasse. – Shawn.

— O quê? – Questiona meu amigo com a voz tensa.

— Cuide do Ben. – Peço e vejo o sorriso desdenhoso surgir no rosto de Anthony. – Não deixe que ele interfira.

— Tudo bem. – Responde e ouço os resmungos indignados de meu afilhado, provavelmente sendo arrastado por Shawn para longe.

— Não tão rápido! – Exclama Anthony, preparando-se para atirar contra Shawn, mas eu sou mais rápido e empurro o braço do homem, que acaba atirando para cima. Ele então tenta me acertar um soco, mas consigo desviar e acerto uma cabeçada em seu queixo.

— Sua luta é comigo. – Afirmo, assim que nos afastamos. Ouço Shawn orientar Ben para se abaixar e ficar atrás da pilastra. Com ambos seguros, eu poderia me concentrar em minha luta contra Anthony. – Aliás, eu pensei que você não me quisesse morto, já que suas intrigas com a Yakuza se iniciaram por sua interferência ao querer me proteger.

— Eu não queria você morto até que finalizasse o jogo. – Responde, dando de ombros. Ele então abaixa a arma e me encara com um sorriso perigoso. – Durante anos eu desejei ter um jogador a minha altura, mas ninguém nunca era capaz de ultrapassar o meu primeiro desafio. Chegava a ser entediante como eles desistiam fácil ou choramingavam. Todas as vezes era sempre a mesma ladainha e no fim, não havia desafio algum para mim. Mas você, Clint. Você não. Você era diferente. Rápido e perspicaz. Possuía um domínio do mundo que poucos poderiam ter. E desde a primeira vez que nos enfrentamos, eu tenho desejado pelo dia em que jogaríamos. Seria saboroso ter a vitória sobre o grandioso Clint Barton.

— O que você não esperava é que eu realmente fosse melhor do que você. – Respondo e novamente tenho um olhar furioso sobre mim. – E mesmo tendo ganhado o jogo, a sua mente narcisista não consegue aceitar essa situação. É por isso que você está aqui com essa arma apontada para mim, Anthony. Você sabe que não é capaz de me vencer em uma luta justa.

— As suas manipulações são realmente interessantes, Clint. – Comenta Anthony, abaixando a arma. – Mas você propôs algo interessante. Acho que está mesmo na hora de termos a nossa revanche. Vinte anos se passaram e agora eu tenho o poder do Mirakuru em meu corpo, além de ter aprendido muitos estilos de luta durante esse tempo.

— Não importa o que você tenha usado ou aprendido. No fim, o resultado será o mesmo. Você vai acabar preso e pagará por todos os crimes que cometeu. Enquanto isso, a HYDRA vai cair. – Respondo e ele ri, jogando a arma para longe.

— É o que nós vamos ver. – Responde Anthony, sorrindo convencido.

Ele tenta me dar um soco, mas eu seguro seu braço. Anthony então vira o corpo e usa o cotovelo para atingir o meu nariz. Afasto-me e novamente seu punho vem em direção ao meu rosto, mas sou mais rápido e consigo segurar seu pulso. Ele usa então a mão esquerdo para me atacar, no entanto, empurro sua mão e acerto um soco em seu rosto.

Com uma força sobrehumana, ele puxa meu corpo pelo meu braço com uma mão e a outra vai até o meu pescoço, lançando-me contra o chão. Arfo com o impacto, mas cruzo minhas pernas em volta de seu braço, fazendo a sua força diminuir consideravelmente. Aproveitando que sua guarda havia abaixado ao tentar se soltar, escapo de seu aperto e o jogo contra o chão.

Levanto-me e tento acertar chutes contra ele, mas Anthony gira, escapando dos ataques. Ele então consegue se levantar e acerta um soco em meu rosto e o outro em meu estômago. Arfo e recebo um chute em meu queixo, fazendo com que eu perdesse um pouco do equilíbrio. Anthony se coloca em posição de ataque e sorri como o nariz sangrando.

Sentindo a fúria me tomar conta de mim, ganho impulso e corro contra Anthony, enquanto ele saca uma adaga de seu terno. O líder da HYDRA tenta me acertar, mas sou muito mais rápido em desviar e evitar a lâmina afiada da adaga. Em algum momento, a neve em nossos pés passa a derreter e torna o chão escorregadio.

Passo a usar isso a meu favor, deslizando cada vez mais ágil, enquanto intercepto os ataques de Anthony. Mas eu sabia que não dava para continuar assim para sempre. Eu precisava colocar um fim nessa briga que estava apenas me desgastando. Apesar de conseguir lutar contra ele, as melhorias que o Mirakuru havia feito no corpo de Anthony unido as dores que eu ainda sentia da queda de mais cedo, eu não conseguiria manter esse ritmo para sempre.

Assim, aproveitando o momento em que o pé de Anthony escorrega, acerto um soco mais potente contra seu rosto e giro minha perna, acertando um chute contra o tórax do homem. Com o impacto, o Anthony é jogado contra o parapeito do relógio. Corro e acerto uma joelhada em seu rosto. Tento acertar mais um soco, mas Anthony consegue segurar meu braço e contra-atacar, acertando minha bochecha. Ele tenta repetir o golpe, mas prendo seus braços e uso meu quadril para o impulsionar e o jogar no chão.

Mas o que eu não esperava era que o maldito ainda teria força para se levantar e apertar meu pescoço. Agarro seu pulso para tentar fazer com que ele me soltasse, mas mesmo cansado, machucado e com dificuldades para respirar, a força sobrehumana do Mirakuru continuava a tornar nossa luta desfavorável para mim.

Passamos a andar para trás, enquanto eu começava a ficar sem ar. Anthony me pressiona contra o parapeito da torre do relógio, pronto para me jogar. Seus olhos se encontram com os meus. Ele sorria com satisfação, como se tivéssemos finalmente chegado aonde ele queria. O ar faltava em meus pulmões e eu sentia que estava próximo de perder a consciência.

— Parece que finalmente chegamos ao fim. Quer dizer as suas últimas palavras antes de eu te jogar daqui ou eu devo apenas dizer a sua adorável namorada que você morreu de forma humilhante, depois de dizer que acabaria comigo? – Questiona Anthony, sorrindo maldosamente.

— Vai... para o... inferno. – Sussurro, acertando um chute em sua intimidade. Ele se afasta furioso, mas logo volta a vir na minha direção, pronto para me empurrar do parapeito. No entanto, nesse mesmo instante, o som de três tiros ecoa pelo lugar.

— Maldi... ção... – Sussurra Anthony com os olhos arregalados. Ele se apoia em mim e vejo sangue saindo de sua boca. Ao levantar meu olhar, vejo Natasha do outro lado segurando a arma de Anthony.

— Fim... de jogo. – Digo e não dou oportunidades para que ele me respondesse. Empurro-o do parapeito e o assisto cair até a pista que ficava próxima da torre do relógio. Para a infelicidade dele, assim que ele atinge o chão, um caminhão passa e acaba o atropelando.

Sentindo o alívio e as consequências de nosso confronto, deslizo pelo parapeito e vejo Natasha correr em minha direção. Atrás dela estavam meus sobrinhos, amigos, alguns agentes da CIA e do FBI. Assim que me alcança, ela me abraça apertado e eu acabo gemendo de dor.

— Desculpa. – Lamenta Natasha, encarando-me com preocupação.

— Minha mãe? – Questiono, respirando com dificuldade.

— Ela está bem. Como você disse, ela estava em um dos cais do rio White. Debaixo do cais, para ser mais específica. Anthony a deixou sem roupa para que ela morresse de hipotermia. Mas conseguimos chegar a tempo e a levar para o hospital. Felizmente, ela não estava ferida. – Responde, ajudando-me a sentar. Natasha limpa o sangue que descia pelo meu nariz e suspira.

— Ela está sozinha no hospital? – Pergunto e Natasha nega, balançando a cabeça.

— Não. Hillary foi com ela. Eu vim para cá assim que as crianças me ligaram informando que havia perdido você e Shawn. Fiquei apavorada que algo tivesse acontecido e vim correndo. – Responde, encostando a testa na minha. – Você me deu um susto e tanto.

— Nós conseguimos. – Sussurro, acariciando o rosto de Natasha, que me encara surpresa e sorri, concordando. – Acabou.

— Eu disse que conseguiríamos. – Repete Natasha, puxando-me para um beijo. – Eu te amo.

— Eu também te amo. – Sussurro, suspirando aliviado.

Nós nos afastamos e eu passo a encarar meus sobrinhos. Todos me encaravam com preocupação. Encosto minha cabeça no parapeito e fecho os olhos, sorrindo. Finalmente estávamos livres. Sem Taskmaster, Alexi ou qualquer outro inimigo maldito para nos atrapalhar. Finalmente, Natasha e eu teríamos um futuro. Ainda teríamos que lidar com muitos malditos da Yakuza e os membros da HYDRA, que podem querer vingar a morte de seu líder no futuro. Mas de alguma forma, eu sabia que tudo ficaria be. Porque enquanto eu tivesse minha família, no fim, tudo valeria a pena.

Notas finais
Taskmaster/Anthony Masters: https://i.pinimg.com/564x/92/8d/7d/928d7d280603465bf59c5461aed680c1.jpg oOo Família Cupcake 2.0: https://chat.whatsapp.com/BbOG6KJnuHy2dQIs1sC9Ss Cupcakes da Lara: https://www.facebook.com/groups/677328449023646 Instagram: @_cupcakesdalara