Mistério E Sedução
15 Capítulo 15: Bruxa Má Na Terra Do Nunca
Notas iniciais
Uma semana depois do estupro e já tínhamos descoberto quem fornecia VHC para Merlin. Descobrimos também todos os integrantes da quadrilha e o caso iria a julgamento na semana que vem, Merlin havia ganhado o direito de aguardar o julgamento em liberdade, pagando uma boa quantia.
Eu estava distraída na sala de descanso quando Nick entra, ele pega um café e se senta em silencio. Ele não havia mais falado comigo depois do fechamento do caso. Eu sabia que eu tinha errado.
- Nick eu queria...
- esquece Cath. – ele me corta.
- qual é Nick, não vamos ficar assim
- você passou por cima de mim, investigou o caso sem falar comigo.
- eu sei por isso quero me desculpar.
- desculpas aceitas. – ele diz se levantando da cadeira e saindo, mas eu o impeço.
- Nick, você não está sendo sincero.
- por acaso você foi sincera comigo? Como você pôde se envolver tanto com essa mulher a ponto de colocar o seu serviço em risco e o pior de tudo por sua vida em risco, droga? – ele esbraveja me encarando. – você não sabe que tem gente que se importa com você de verdade? E que nunca se perdoaria se alguma coisa acontecesse a você? Pare pelo menos uma vez na sua vida de agir como a mulher de ferro e achar que nada pode te ferir. Pare de fingir que não vê as coisas que acontecem na sua cara por orgulho ou por medo do que você sente. Pare de agir como se o que eu sinto por você não importasse. – ele sai da sala me deixando com suas palavras que eram totalmente verdadeiras. Nick sempre esteve ao meu lado e eu sempre fugindo, sempre escondendo meus sentimentos por ele. Há um tempo ele tinha me dito o quanto gostava de mim, mas eu fugi disso por medo, medo de inúmeras coisas que eu nem me lembro mais.
Meu celular toca e era uma mensagem de Merlin.
“me encontre no terraço do lab.” – subo para o terraço para me encontrar com o motivo dos meu problemas, das minhas perdas de sono, das minhas brigas com Nick, da minha quase suspensão e lá estava eu dominada pelo seu feitiço.
Ela usava uma calça jeans e um casaco, pois estava frio e ventava bastante. O céu era só escuridão, sem nenhuma estrela e nem mesmo a lua aparecia.
- como chegou até aqui? – eu pergunto.
- como acha que invadiram a sala de provas, quando vim te ver, antes eu andei por todo esse lab.
- está ai mais uma coisa na qual você me usou. – eu digo me juntando a ela no muro de segurança;
- parece que eu já me desculpei não? – ela diz novamente sendo aquela mulher fria e irônica que sempre foi.
- como você está?
- bem. – ela não põe muita fé em suas palavras – e como está sua mão, punhos de aço? – ela pergunta me fazendo sorrir.
- é impossível esconder as coisas de você?
- soube que quebrou o nariz do cara. – ela diz sorrindo. – vai ter que responder por agressão e abuso de poder. – ela diz e sorrimos juntas.
- falando nisso está pronta para o julgamento? – eu pergunto.
- nada mais importa agora – ela me olha pela primeira vez. Seu olho roxo estava bem melhor e seu lábio já tinha cicatrizado.
- o que vai usar em sua defesa?
- não faço a mínima idéia e é por isso que estou aqui. Sinceramente eu sou advogada e eu sei que as minhas chances são pequenas, então eu queria me despedir de você em um lugar que não fosse uma cela.
- você vai se safar dessa, você sempre faz.
- dessa vez não, dessa vez eu quero pagar pelo que eu fiz. Sabe, eu não me arrependo de nada nessa vida, mas se eu pudesse mudar alguma coisa, eu não te meteria nisso. – ela me diz e desvia o olhar de mim. Ela leva seu cigarro à boca.
Solto um suspiro encarando as luzes da cidade, no final nada é em vão.
- bruxa má na terra do nunca? – ela me pergunta, me viro para ela não entendendo muito bem. – problemas? – ela explica.
- alguns.
- Nick? – ela me pergunta e eu a encaro
- como sabe do Nick?
- com anos de experiência em sexo, sei distinguir olhares que você não sabe. E às vezes ele te olha como se você fosse a vida dele... E também às vezes ele te olha como se quisesse te foder bem forte. – ela diz sorrindo. Reviro os olhos para ela, mas eu não pude deixar de sorrir.
- ele é especial, mas eu não sei como lidar com ele.
- você tem que deixar acontecer, pare de sofrer por antecipação. Primeiro faça depois pense nas consequências é assim que a vida ganha sabor.
- é assim também que você vai para na cadeia. – eu digo e ela sorri. Pego o cigarro da mão dela e o levo a boca, ela me observa soltar a fumaça no ar.
- não sabia que você fumava.
- e não fumo, mas eu preciso relaxar.
- eu conheço formas bem mais prazerosas de relaxar. – ela sussurra no meu ouvido pegando seu cigarro. – e que nem mesmo fazem mal a saúde. – ela diz levando o cigarro a boca.
- é exatamente disso que eu preciso. – eu digo no ouvido dela. Ela me olha séria, seu olhar era misterioso e o verde estava mais escuro, depois do estupro os olhos dela nunca mais brilharam como antes. Essa era uma ferida incurável.
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