Mistress Alice
5 Dead Body
Notas iniciais
Acordei.
– Alice, você dorme demais. — disse com o relógio de bolso na mão — Não gosta de ficar acordada, apreciando minha agradável presença? — o fechou.
– V-Você... — gaguejou de medo.
Tirou os lençóis que cobriam seu corpo e correu para a porta.
– O que houve? — o mesmo já estava em sua frente, impedindo-a de sair do quarto.
– SE IRÁ ME MATAR, POIS ME MATE LOGO!
– Matar?
– SIM!
– Se eu quisesse que você morresse, teria deixado todas aquelas coisas horrendas mata-la por mim. — fechou os olhos e cruzou os braços — Aliás, você está me devendo duas coisas. Mas, não se preocupe.
– O que quer dizer com isso?
– Apenas prometerei a você que não fazerei nada que não queiras.
– Por que isso tão de repente? — desconfiou.
– Não sou um pervertido. — a encarou — Você pode simular que eu queira fazer algo do tipo.
– Não pensei em tal coisa, não se preocupe.
– Você simplesmente não sabe nada sobre mim, então, apenas deixei bem claro. — Suspirou — Bom... conte-me um pouco sobre você. — voltou a cerrar os olhos e cruzar os braços.
– O que quer saber?
– Apenas um pouco de sua vida.
– Não tenho lembrança alguma de meu pretérito.
– Sofreu algum acidente ou algo do tipo? — continuava do mesmo jeito.
– Não sei. — mirou-o — Agora é sua vez de me contar algo sobre você. — pegou um pequeno espelho e o escondeu.
– Não tenho nada a declarar.
Colocou o espelho na frente de seu rosto.
– Então, responda-me, por que seu reflexo não aparece nos espelhos?
Abriu os olhos e impressionou-se.
– Não sei. — desanimou um pouco — Não quero que saiba de coisas que lhe causaria desagrado.
– Sinto muito pela pergunta. — percebeu a reação do outro e abaixou a cabeça com certo arrependimento no rosto.
– Estou indo para meus aposentos. — aproximou-se da porta e encostou a mão na maçaneta.
– Obrigada por tudo! — agradeceu com um sorriso no rosto — Muito obrigada!
Surpreendeu-se mais uma vez e ficou alguns segundos sem reação. Sorriu disfarçadamente e saiu do quarto. Parecia contente em ouvir tais palavras.
Alice POV
Deitei-me na cama e tentei cochilar, mas, todas as coisas que haviam acontecido de certa forma me preocupavam e deixavam certo ar de insegurança. Fiquei minutos tentando arranjar algo para fazer, foi quando veio em minha cabeça a ideia estúpida de visitar o quarto da "aberração".
Levantei-me novamente e senti como se estivesse faltando alguma coisa. Tentei me lembrar, mas não conseguia.
Aprontei-me. Se eu não estava conseguindo me lembrar, não devia ser algo tão importante assim.
– Tenho muito tempo ainda para visitar o quarto da aberração. — olhou para a janela — Ainda é de manhã. — aproximou-se dela — Acho que irei explorar e conhecer novos ambientes.
Aliás, como eu iria ir ao quarto sendo que não tinha conhecimento algum de seu trajeto? Pelo que me lembro, fui levada lá enquanto estava inconsciente. Espera... como assim?
Distraí-me e assustei-me com o alarme do relógio. Mesmo que estivesse longe, ainda o escutava perfeitamente. Talvez isso aconteceu porque era a primeira vez que o ouvia.
Já havia gastado grande parte do meu tempo pensando, distraindo e me assustando. Estava na hora de fazer algo mais importante, eu era a pessoa mais inútil naquele lugar. Acho que se eu explorasse o castelo não causaria mais problemas para Jack, porque, desde que entrei naquele local, eu fui o centro das atenções por causa das coisas que estavam acontecendo. Sem dúvidas, eu era um estorvo para ele. Eu devia retribuir sua bondade em me acolher, mas estava fazendo algo totalmente ao contrário. Não me sentia bem fazendo aquelas coisas, mas não era minha culpa, não escolhi atraí-las. Me sentia a ovelha negra da casa. A pessoa que só trazia preocupações, problemas e que piorava ainda mais as coisas quando tentava resolvê-los. Negava minha própria existência com críticas criadas por mim mesma. Me impressionei com a fertilidade da minha imaginação. Estava me auto destruindo, aquilo foi algo um tanto quanto estranho. Não podia fazer aquilo. Caso eu fosse a ovelha negra, devia ficar com a cabeça erguida e mostrar que também posso fazer coisas boas.
Continuei meu trajeto.
Estava descendo as escadas quando senti duas mãos tocarem minhas costas e logo após me empurrarem. Em poucos segundos estava rolando escada abaixo. Acredito que não havia sido um tombo tão forte, já que não perdi a consciência.
Virava para os lados resmungando de dor. Quando minha visão de tornara mais nítida, virei para o lado direito e deparei-me com um cadáver esquelético. No mesmo instante soltei um grito e me levantei.
– O-O-Outro pesadelo? — gaguejava de medo e dava passos para trás.
Não sei se foi azar do destino, mas, para minha infelicidade, os passos para trás não resolveram muita coisa. Mal comecei a dá-los e já pisei em algo estranho. Virei-me e olhei para a tal coisa. Não o enxergava perfeitamente. Abaixei e me aproximei um pouco. Era um crânio. Sim, por má sorte havia esmagado um crânio com um dos meus pés. Senti-me enojada, mesmo que fossem apenas ossos.
Novamente me levantei e parei de encará-lo, aliás, quanto mais o olhava, mais as náuseas aumentavam.
Tentei identificar o local onde eu estava, foi quando percebi que estava em meio de dezenas ou até centenas de cadáveres. Petrifiquei e senti uma falta de ar imensa. O local que antes não havia mau cheiro algum, agora estava fedendo corpos em decomposição. O que antes eram ossadas, agora eram defuntos desfigurados. O mau cheiro era muito desconfortante. Minha visão estava ficando turva e meu corpo amolecia, estava para colapsar.
Comecei a sentir dores. Ergui meus braços e olhei para os mesmos. Se não me engano, estavam aparecendo marcas de cortes iguais as dos cadáveres. Eu, Alice, estava me tornando um deles. Entrei em desespero. Não queria morrer, não naquele lugar. A dor aumentava a cada segundo que passava. Coloquei as mãos no rosto e tentei soltar um grito. Já não havia voz. Por mais que tentasse, ela não saia. Dei meu último suspiro e fechei meus olhos.
Without a doubt, that was my worst nightmare...
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