Misterioso Mistério Do Tempo

3 Capítulo 3 - O Anel e o Castelo


Capítulo 3 — O Anel e o Castelo

O estalajadeiro limpava o chão com uma vassoura de folhas, estava possesso com a sujeira que a corja da noite fizera, ele deveria estar acostumado por que era assim todo santo dia, mas ao contrario preferia se lamentar e viva dizendo que se tivesse juízo voltava para o campo. Não contava para ele nem que aqueles bruxos truculentos da noite eram mais da metade do seu lucro diário, não era todo dia que alguém queria se hospedar naquela espelunca, sim ele sabia que o lugar era lamentável, não fazia nada para mudar por que era assim que a turba que frequentava gostava, ou deveria ser, visto que, toda noite eles deixaram o lugar mais decaído. Passou a vassoura em algo grudento que não soube identificar e teve vontade de dar um basta e aparatar bem longe dali, mas já estava há muito tempo naquilo, e no fundo já se sentia parte da sujeira.

Naquele momento o homem ouviu o ranger das tabuas do teto, e isso o lembrou do casal estranho que estava hospedado no andar de cima. Quando achava que já tinha visto de tudo apareceu em seu estabelecimento aqueles dois, santo Deus! O bruxo de preto tinha uma cara de poucos amigos e ainda por cima era presunçoso, vestia aquela roupa estranha sabe-se lá de onde ele veio e carregava aquela mulher com ele vestida como um rapaz, de calças compridas e botas, ela falou que eram casados. O estalajadeiro pensou que se fossa sua esposa nunca andaria com ela naqueles trajes, mas não tinha nada com isso.

O que o fez ficar mais intrigado foi o fato do homem ser tão arrogante, parecia que ele tinha certeza que se o bar inteiro resolvesse fazer algo com eles, ele daria uma lição a todos. “Presunçoso” ele pensou novamente, enquanto varria algo que parecia a cabeça de alguma coisa.

Nesse momento o homem viu o casal descer as escadas lentamente, o bruxo de negro que vinha na frente agora se vestida de uma forma mais usual, apesar de continuar todo de preto. Já mulher dele o surpreendeu, estava vestida como uma dama, ele achou-a bonita e pensou que o bruxo teve sorte, ou se não era um homem rico. No entanto continuava intrigado com a dupla.

Severo olhou o homem com desprezo, era melhor assim, não ia dar trela para aquele sujeito. Dirigiu-se a ele como se falasse com um de seus alunos do primeiro ano que estava prestes a dormir em sua aula:

- Será que nesse estabelecimento — usou essa palavra por falta de uma melhor, visto que para Severo nem para isso o lugar servia, com uma cara de nojo examinou o homem que varria — existe algo para se comer pela manha?

O estalajadeiro achou muita audácia do bruxo nem lhe dar um bom dia antes de ir perguntando se tinha comida e ainda mais daquele jeito desrespeitoso. Ele sentiu seu sangue vir para a cabeça, e num rompante de ódio olhou para a vassoura, em sua ponta ainda estava a pequena cabeça decepada, isso lhe deu uma ideia, varrendo com força o crânio o homem o jogou-o aos pés de Severo falando em um tom irônico e debochando:

— Está servido? — “ora quem esse bruxo pensa que é?” pensou satisfeito com seu ato:

Hermione deu um pequeno gritinho e um passo para trás se escondendo as costas de seu marido. Severo ficou enojado e revoltado, como aquele homem ousava trata-lo assim e ainda por cima assustar sua garota? Pegou a varinha na manga e apontou para o bruxo sujo, uma aura de poder se elevou envolta dele e o ar pareceu ficar mais quente a seu redor. Hermione que conhecia bem seu ex-professor sentiu um arrepio temeroso, ela sabia que quando irritado ele podia ser muito perigoso.

O estalajadeiro também tirou sua varinha, Hermione notou que ele tremia, estava intimidado por Severo. Ele sentiu que tinha provocado algo que não poderia combater e se arrependeu, olhou suplicante para ela pedindo que ela interviesse. Hermione preocupada com as consequências de um destempero de Severo tocou o braço estendido do marido e falou com voz doce:

— Severo pare, olhe o homem já se arrependeu, não é senhor? — perguntou ao bruxo medroso

— Sim senhora me desculpe, e que eu estou de resaca e não fico com bom humor nessas horas, perdão!

Severo ainda estava louco de ódio, mas a mão de Hermione em seu braço, seu toque terno foram aplacando sua ira e ele abaixou a varinha.

— Saiba que eu só não o azarei por que minha esposa pediu, não sei se você terá essa sorte novamente então responda a pergunta que fiz.

O estalajadeiro engasgou e disse — Não senhor. Aqui não servimos comida pela manha, se quiser se alimentar deve ir à feira no centro da vila, lá encontrara todo tipo de coisas.

Mal acabou de falar começou a andar de costa se escondendo atrás do balcão. Severo sorriu a isso, enfim um pouco de respeito. Hermione revirou os olhos a expressão vitoriosa do homem e segurando na dobra do braço de seu marido saiu da estalagem. Severo se espantou em como fácil chamou Hermione de esposa, ele estava espantando em quanto tinha gostado de fazê-lo, era bom ter aquela bruxinha pendurada em seu braço.

Hermione sentiu uma ansiedade em conhecer uma feira medieval, ela havia lido tanto sobre isso em “Hogwarts Uma Historia”, no livro contava sobre a feira de objetos mágicos e outras mercadorias que tinha seu lugar no povoado, nela se vendia tudo que um bruxo poderia precisar na idade media, desde ingredientes de poções a roupas e comida. Era incrível poder estar ali em loco.

Assim que se aproximaram Hermione falou animada como uma criança – Olha Severo, como são coloridas as barracas, e tem música e palhaços!

O bruxo ficou em silencio vendo a alegria da garota, ele não tinha disposição para esse tipo de coisa, não gostava daquele burburinho da feira, mas teve que admitir que era uma visão e tanto, tantas barracas coloridas emitindo pequenas explosões de fogos de artifício de seu topo com a intenção de chamar a atenção dos clientes, a música medieval tocada por um grupo de homens animados e outros tantos dançando em volta de uma enorme fogueira que ficava no centro da feira. Nessa era assado um carneiro inteiro em um espeto fincado no chão, o cheiro era ótimo o que atiçou sua fome.

Hermione tinha acelerado o paço e o estava praticamente arrastando para perto das barracas, ela agora estava junto a uma que vendia trajes diversos. Ele a puxou pelo braço e falou – Vamos procurar algo para comer e sair daqui, todo esse barulho vai me deixar com dor de cabeça.

A garota o olhou com uma cara de frustração que o fez se arrepender de ter falado aquilo, vê-la aborrecida com ele era pior do que uma dor de cabeça. Para tentar se desculpar pelo mau humor ele falou – Está bem vamos olhar a feira o tempo que você quiser, mas que não seja muito afinal nós temos que ir até o castelo ainda hoje não se esqueça.

Hermione ficou tão contente como se ele a tivesse dado um ótimo em uma redação, seus olhos brilharam e Severo se sentiu muito confortável com isso, como a muito em sua vida não se sentia, achou engraçado que um simples olhar da bruxa podia operar o milagre de deixa-lo feliz. Ficou parado olhando as pequenas mãos dela passearem pelas peças de roupa expostas na barraca, eram um profusão de cores e tecidos, ela deslizava os dedinhos pelas vestes até que parou um vestido verde escuro quase preto, era de lã e tinha um bordado em forma de medalhões em fio dourado escuro em toda a borda da manga e da gola, ela colocou em frente ao corpo e girou segurando-o com uma mão na gola e outra apertada na cintura, e ao terminar o giro olhou para ele sorrindo com o rosto corado. Severo perguntou a si mesmo como era possível ele sentir um arrepio na espinha só em olha-la.

- Compre esse para você – O bruxo não reconheceu sua voz ao falar essas palavras.

- Severo, é muito generoso da sua parte, mas eu sei que não temos dinheiro para isso, se você conseguir o emprego será diferente, mas agora – olhou com pesar para o vestido, como se despedindo de um amigo – deixe para outro dia. – o brilho do olhar da bruxa se apagou.

O bruxo mais que depressa e sem saber por que ao certo se virou para a dona da barraca e perguntou o preço do vestido, ele queria ver o brilho nos olhos dela novamente, aquilo enchia seu coração de um sentimento que ele não reconhecia, mas que estava se tomando um vício, era perigoso, no entanto, por que se dependesse dele, faria de tudo para ver sempre os olhos da bruxa faiscarem.

O preço da veste não era caro, na verdade Severo notou que tudo era muito mais barato do que no futuro, sentiu um certo alento porque assim seu dinheiro iria durar mais tempo e tudo ficaria mais fácil se ele não conseguisse se empregar no castelo. Enfiou a mão na sua inseparável sacola e tirou de lá a quantia para o vestido, apesar dos protestos de Hermione ele o comprou. A bruxa ficou vermelha e sorriu para ele envergonhada. Era possível que estava ganhando um presente do professor Snape?

Severo ficou atordoado com o sorriso, se os olhos brilhantes o deixavam extasiado o sorriso era quase como ficar bêbado sentiu suas pernas bambas teve que se esforçar para entender que a moça da barraca de roupas estava dando a Hermione uma pequena bolsa de pano que deveria ser amarrada a cintura por um cordão de bordado dourado.

Ele viu meio grogue sua bruxinha amarrar o cordão e colocar a bolsinha na frente meio de lado, e sorrindo passar o braço pelo dele e falar.

- Severo, muito obrigada pelo vestido. E olhe – apontou para a bolsinha – ela o colocou nessa bolsa, ela é encantada igual a sua sacola, não é interessante.

O bruxo voltando do seu transe emocional olhou para o que a garota apontava, e comentou sem graça e sem saber o que dizer – Que bom Hermione! – assim que falou pensou que era a frase mais idiota que já tinha pronunciado na vida e tinha certeza que sua cara também não estava demonstrando nenhuma inteligência no momento. Tentando melhorar falou — Olhe aquela barraca ali, ela vende algo de que precisamos. Ele precisava mudar o foco de sua atenção para não parecer um tolo completo.

A barraca vendia objetos de metal, como ferramentas, facas e quando chegaram mais perto notaram que vendia também adornos e joias. Severo pegou uma faca de cabo cravejado de pedras verdes e entalhando com um dragão sendo engolido por uma cobra, era inusitado e ele gostou. A bruxa olhou e perguntou:

- O que daqui nós precisamos Severo?

O bruxo sorriu para ela e mostrou a faca – Disso, duas boas facas. — Hermione não entendeu o porquê e perguntou a ele que respondeu – Por que precisamos disso para comer, é de praxe cada pessoa levar sua própria faca, não existem talheres nesse lugar. – falou de modo que o homem da barraca não achasse estranho e que a bruxa entendesse.

Hermione se lembrou de que os talheres só foram inventados muito depois e que para comer na idade media cada pessoa usava sua própria faca.

Severo admirava a faca em suas mãos, era bonita ele iria compra-la, virou para o homem e perguntou por uma feminina para sua esposa. O vendedor ofereceu uma que ele passou para Hermione ver se gostava, era menor e mais leve que a dele e no cabo havia o entalhe de uma rosa delicada. A bruxa gostou e quando afirmou isso olhou bem para o vendedor, ele era meio familiar, tinha o nariz grande e os olhos apertados cor de mel esverdeados, ela não sabia de onde já o tinha visto, notou que seu cabelo era castanho e liso e ele era tão alto quanto Severo. Olhava para o homem quando ele perguntou – Vocês gostaram das facas? São de excelente qualidade eu mesmo as faço em minha casa, essa com a rosa é a preferida da minha namorada. – A voz do homem tinha um barítono rico e arrastado.

Severo afirmou que sim e perguntou o preço, achando adequado, na verdade barato. Ele pagou e o vendedor lhe ofereceu uma bainha para as facas feita de couro a de Severo poderia ser presa ao correão. Ele quis esses também e colocou sua faca vistosa na cintura. Hermione guardou a dela na pequena bolsa que ganhara.

O vendedor olhou para a mão de Severo e perguntou – desculpe perguntar, mas se são casados, por que não usam aliança?

Tanto Severo quanto Hermione olharam para a mão esquerda e depois se encararam, foi Hermione que respondeu:

- Senhor nós fomos roubados e perdemos nossas alianças. – a bruxa não gostava de mentir, mas no caso não tinha escolha.

O homem levantou uma sobrancelha, nesse momento Hermione teve certeza de que já tinha visto o vendedor antes, mas ainda não se lembrava de onde. E o homem falou em seguida.

- Mas que horror, roubar a aliança de uma dama. Acho que posso remediar isso, como foram tão generosos comigo e compraram minhas peças de maior valor, vou dar a vocês um par de alianças, na verdade anéis de casamento Celtas, eles são muito tradicionais e eu os faço com uma magia antiga de meus ancestrais galeses. Diferentes de outros anéis celtas os meus não vem entalhados, eles vem lisos e seus entalhes aparecem magicamente assim que o casal os troca, o desenho que aparece se adéqua ao casal, representando o que sentem um pelo outro. Cada tipo de desenho de um anel Celta tem um significado diferente.

- O senhor não é necessário... – falou Hermione – o vendedor, no entanto insistiu e disse que seria um prazer – após mais algumas recusas os dois aceitaram.

Severo conhecia os significados dos anéis, e temia o que fosse aparecer em um par trocado entre ele e Hermione num casamento como o deles. No entanto achou que ter um par de anéis seria adequado.

O homem pegou um saquinho que estava sobre a mesa da barraca e estendeu para Severo para que ele pegasse dois anéis lá de dentro, o bruxo o fez e ao retirar a mão estava com duas argolas de prata iguais e lisas como espelho.

Hermione parecia ansiosa, ela já tinha lido sobre os anéis Celtas, mais não se lembrava do significado dos desenhos, havia muitos diferentes e ela não decorou. Assim que Severo lhe estendeu um deles ela pegou. Achou estranho o tremor na mão do seu marido e não soube como interpretar isso.

Severo estava nervoso ele iria trocar alianças com a bruxa e que desenho surgiria? Ele torcia por algo sem significado comprometedor, algo como uma vida longa juntos ou coisa assim.

Com sua aliança na mão já ia colocando-a no próprio dedo quando o vendedor falou rápido:

- Não, não, não! Para a magia funcionar o senhor tem que colocar o anel no dedo de sua esposa e ela no seu. Severo sentiu um rubor subir em sua face, ele não sabia como pegar na mão de Hermione, esse era um toque muito intimo e imaginou o que sentiria quando sua mão estivesse entre as dela.

A bruxa ficou apreensiva, quem iria por o anel no outro primeiro? Não aguentando a ansiedade buscou a mão esquerda de Severo, ela estava fria e tremula, a garota separou o dedo anular do bruxo e enfiou o anel vagarosamente, quando estava quase no final levantou o olhar e o encarou, ele respirava profundamente e em seu olhar havia algo indecifrável de grande força, ela estremeceu ao imaginar o que poderia ser não teve tempo, no entanto de descobrir, por que assim que ela terminou de colocar o anel o homem pegou a mão esquerda dela e enfiou a aliança de uma vez só sem nem um instante tirar o olhar do seu. Ela engoliu seco com a força daquele momento e com as promessas que ela via nos olhos dele, promessas essas que ela teimava em ignorar.

Assim que ambos estavam com os anéis eles sentiram que esses esquentavam um pouco e se ajustavam ao tamanho de seus dedos. Enquanto olhavam para eles viram desenhos surgirem como se submergissem da prata liquida. Foram surgindo, e por fim um entalhe definido apareceu.

O vendedor que observava tudo soltou uma exclamação. – Olhem o desenho se formou! – se aproximando o vendedor falou – um nó celta, interessante. — virou-se para Severo no intuito de dizer o que significava, mas o olhar do bruxo dizia para que ele se calar, o símbolo que surgiu deixou Severo perplexo, era impossível, os anéis deveriam ser encantados para todos aparecerem aquele desenho ele pensou tentando justificar.

Em uma compreensão muda entre os homens o vendedor mais nada falou e o bruxo de negro pegou Hermione pelo braço e foi a arrastando para longe da barraca do vendedor de metais. A bruxa protestou:

-Severo espera, eu quero perguntar ao homem o que significa o desenho... – O bruxo fez que não escutou e continuou arrastando a esposa, ele não ia a deixar saber o que era o nó celta, não naquele momento.

- Hermione está ficando tarde e eu ainda estou morto de fome, vamos até a fogueira ver se conseguimos um pedaço daquele carneiro. Ele ainda a segurava pela mão e a puxava em direção ao centro da feira. A bruxa pensou olhando o anel em seu dedo, ela tinha certeza que Severo sabia o significado do anel e por isso saiu daquele jeito, ficou imaginando o que seria? Algo tão ruim que ele não queria que ela soubesse? Não importava, ela teria a biblioteca de Hogwarts toda para pesquisar sobre anéis Celtas mais tarde.

Ambos chegaram a fogueira e lá a música era bem mais alta e as pessoas dançavam felizes por ali. Severo que ainda estava com a cara fechada foi direto ao carneiro assado, perguntou quanto era um pedaço e uma fatia de pão, foi informado e pediu dois pedaços de cada, acompanhado de um copo de Hidromel para cada um, entregou a garota o dela e a puxou para o lado para sentarem em um banco próximo, colocado ali para que se pudesse ficar bem acomodados. Eles comeram calados, Hermione ouvia a música e batia o seu pé de leve no chão, sempre gostou de dançar e a cadência ritmada e animada da musica medieval a faziam querer girar, ou será que foi o hidromel que a fez ter essa vontade, não sabia ao certo.

Assim que acabou de comer se levantou sem dar satisfações a Severo e começou a dançar junto as outras pessoas, o bruxo olho aquilo entre espantado e admirado, ela girava rápido e continuamente, seu rosto estava ficando corado e brilhante, ele imaginou que devia ser assim que ela ficava ao ser beijada, tirou o pensamento rápido da cabeça e olhou para o seu dedo com o anel de casamento.

O nó celta, seu significado era “o amor infinito que une um homem e uma mulher”. Deus do céu ele estava perdido.

Hermione dançava despreocupada em volta da fogueira alheia aos olhares que despertava. Além de seu marido outros homens a observavam com cobiça. Um bruxo mais velho e meio corcunda caminhou até Severo e sentou a seu lado. O bruxo de negro não gostou muito disso e já ia se levantar quando o velho falou – o que essa mocinha é sua meu rapaz? – Apontando o dedo magro para Hermione.

Severo fechou a cara para o velho por ele ter ousado interromper seus devaneios, e soltou em uma voz que parecia mais um gruindo – Ela é minha esposa – sentiu uma ponta de orgulho ao falar isso.

O velho pareceu espantado e falou em tom de recomendação – Se é assim deveria cuidar melhor do que lhe pertence, de uma olhada, não tem um homem em volta dessa fogueira que não esteja olhando para ela, não é todo dia que uma dama diferente aparece por essas bandas e isso sempre atiça a curiosidade masculina.

Severo olhou ao redor e constatou que o velho tinha razão, sentiu uma queimação na boca do estomago a qual ele não saberia dar outro nome que não ciúmes, e um sentimento de posse enlouquecido que o fazia querer lançar cruciatus em todos os presentes.

Seus olhos negros brilharam de raiva. O velho se encolheu um pouco no banco assustado com aquele homem estranho, ele devia ser muito apaixonado por aquela garota para ficar tão raivoso. Severo se levantou resoluto do que ia fazer, entrou no meio dos dançantes e alcançando Hermione a abraçou por trás a trazendo para bem junto do seu corpo, a bruxinha se assustou de inicio, virando-se rápido para olhar por cima do ombro, o que ela viu foi um par de olhos negros faiscantes de raiva, no entanto deslumbrante, ficou presa a eles, enlevada em uma sensação estranha e quente em seu peito. E dessa maneira o sentiu aparatar com ela levando-a para longe da música e da festa para desaparatarem em frente ao portão de Hogwarts.

Eles pararam em pé em frete ao castelo, Hermione ainda estava nos braços de Severo, ela sentia o tronco forte dele em suas costas e os braços firmes como correntes em volta da sua cintura, a proximidade a fez sentir o cheiro que o corpo dele exalava, era amadeirado algo como terra molhada e carvalho, essa constatação a fez estremecer, o bruxo sentiu o estremecimento e respirando fundo para ter coragem a soltou de seu enlace a deixando livre, ela demorou uns segundos para se afastar, tempo suficiente para tentar guardar em sua memória o calor do corpo do bruxo e sentir um pouco mais do seu perfume predileto. Afastou-se em silencio, virou para Severo em busca de explicação para a saída afobada de ambos, mas o olhar perdido entre desespero, aflição e saudade que ela viu nos olhos do homem fez com que todas as perguntas morressem em sua boca.

Eles estavam de volta à escola, em posições muito diferentes, ela não era mais uma aluna, estava de vez no mundo dos adultos e ele não tinha mais o cargo de professor, era só um bruxo em busca de um emprego incerto, sem referencias e sem passado.

O castelo estava magnífico, novo em folha brilhava contra o céu cinzento o portão de ferro antes corroído estava intacto e quando Severo o empurrou para abrir suas dobradiças estavam azeitadas e não rangeram nada.

Entraram no jardim, a cada passo que davam em total silêncio mais aturdidos ficavam, era como voltar para casa e a encontrar habitada por outras pessoas, tinha algo de surreal em estar ali naquele momento. Os dois dividiam o mesmo sentimento, Hogwarts era sua casa, seu lar por muitos anos, mas aquele não era ele, era igual mais diferente, era o mesmo sem ser.

No meio do jardim quase na porta principal eles foram interpelados pelo mesmo homem que tinham visto na floresta no dia anterior, ele veio até eles com um ar amigável e falou ao vê-los:

- Ora se não são meus amigos que conheci ontem, Prince eu acho ser o seu nome senhor. – Severo concordou e ele continuou. – O que estão fazendo por aqui? Achei que há essa hora já tinha partido dessas paragens?

- Viemos saber se estão precisando de um professor. – Severo estava nervoso, se o homem decidisse não os deixar entrar teriam que pensar em outro plano. – Eu sou mestre de poções e também de defesa contra arte das trevas.

O homem olhou-o com um sorriso – mas como que adivinhou que temos uma vaga em poções nós nem a anunciamos ainda? Mas não sei se o senhor ira se encaixar, tudo depende do diretor Gryffindor. Vou leva-lo até lá e deixar que ele veja se o senhor serve para o cargo. – já ia se virando para entrar no castelo quando resolveu perguntar – Essa moça que está com o senhor é sua filha, o senhor deseja que ela entre para a escola?

Severo ficou meio agitado, o homem o havia achado velho para ser outra coisa da bruxa que não pai, isso era constrangedor, o que ele iria responder? Não precisou, no entanto visto que a garota falou primeiro:

- Ora senhor, eu não tenho idade para estar mais na escola e o Severo não é meu pai é sim meu marido.

O homem ficou mortificado, se imaginou no lugar do bruxo de negro sendo dado por pai de sua esposa, mas que depressa se desculpou com ambos e internamente quis se redimir indo rápido levá-los ao diretor.

- Venham comigo para dentro do castelo, vou levá-los ao diretor.

Severo e Hermione caminharam pelos corredores da escola, era estranho ter que seguir alguém como se não conhecessem o caminho até a sala do diretor, pararam em frente a estatua da gárgula no sétimo andar. O homem virou-se para o casal e falou – vou subir primeiro e avisar o diretor, não saiam daqui por que podem se perder, o castelo é muito grande, assim que ele os autorizar a subir virei busca-los.

Os dois ficaram olhando a gárgula girar e o homem subir, ele falou a senha baixo e nenhum dos dois conseguiu ouvir.

Eles olharam um para o outro e Hermione deu uma risadinha e falou – Irônico não? Nós dois aqui em baixo como dois estudantes esperando para levar uma bronca.

Severo se recostou na parede próximo a gárgula cruzando os braços enfrente ao corpo e deu um sorriso de lado. Hermione achou que ele estava muito sexy daquele jeito, era estranho pensar em Snape como sexy, mas na verdade ele era.

- É Hermione, se eu soubesse antes de me submeter ao feitiço do tempo que estaria aqui com você esperando uma permissão para subir a sala do diretor de Hogwarts acho que teria mudado de ideia.

A bruxa não gostou – Poxa vida, não precisa ser grosseiro, eu só tentei salvar sua vida não achei que eu fosse vir com você para o passado e atrapalhar seus planos.

Severo se espantou. Não era sua intenção ofendê-la, seu coração se apertou não entendia por que a sensação de tê-la magoado o feria tanto era inacreditável como as coisas estavam mudando rápido entre eles, há pouco tempo não se importava a mínima com a garota.

– Desculpe, eu não me expressei bem, estava falando a respeito de estar aqui esperando para tentar uma vaga em um emprego que eu não queria mais, não com relação a você, sua presença torna tudo muito mais agradável e tolerável pode estar certa disso.

A bruxa ficou tímida e perguntou – Verdade Severo que você não se chateia por eu estar aqui?

O bruxo ia responder mais não teve tempo visto que o grifinório descia a escada da gárgula naquele instante e falou a ambos:

- Podem subir. O diretor está à espera de vocês.

A sala era muito diferente da que ambos se lembravam, não havia os quadros dos diretores logicamente e nem tantos livros e quinquilharias, o espaço estava bem mais vazio a espera dos anos para ser atulhado de pequenas lembranças deixadas pelos diretores sucessivos que ocuparam aquele lugar.

Sentado em sua mesa estava Godric Gryffindor, Hermione achou que o fundador da sua casa era impressionante, tinha os cabelos loiros quase vermelhos, e uma barba curta em volta do maxilar largo, estava vestindo uma túnica vermelha sem mangas e por cima uma cota de anéis dourada. Assim que ele os viu se levantou e esticou o braço para apertar a mão de Severo, a bruxa notou que ele não era tão alto quanto seu marido, mas em compensação tinha os braços fortes cobertos por pelos loiros e uma complexão robusta. Sorria aberta para ambos ao dizer:

- Sempre falaram que eu tinha sorte na vida, nunca acreditei, mas aparecer do nada um professor de poções no momento em que mais preciso é algo a se considerar! – o bruxo deu uma gargalhada alta e continuou — Bartolomeu,- se referindo ao homem que os havia levado até ali — meu guarda caça, informou que está em busca de emprego e também que estava acompanhado de sua esposa, mas ele não me disse que ela era tão bonita.

Severo estava tentando ser natural com o homem, mas quando viu Hermione corar com o elogio pressentiu que não ia gostar do Gryffindor. No entanto, manteve se rosto indiferente ao apertar a mão do diretor.

- Não sei como ficou sabendo da vaga já que Salazar saiu há apenas uma semana, ainda não tínhamos começado a procurar um substituto, mas acho que na vila todos já devem estar falando da briga aqui no castelo o que é uma pena.

Severo pigarreou, ele se lembrava dessa história, Godric e Salazar brigaram por discordarem de quem deveria ou não aprender magia, o Syltherin achava que só os bruxos puro-sangue deveriam ter esse privilegio. Mantendo a mascara falou:

- Na realidade nós não ouvimos nada na vila, viemos de longe tentar a sorte aqui no castelo, não tínhamos ideia que precisavam de professor, somente resolvemos tentar.

O Bruxo vermelho deu a volta na mesa, parando frente a frente com o bruxo de negro. Hermione ficou admirando o contraste, era obvio para ela que estava na presença de dois homens poderosos, ao mesmo tempo um era o oposto do outro completamente: Godric era como o sol do meio dia, forte e brilhante, capaz de tomar conta de todo o ambiente como sua luminosidade. Já Severo era como a mais soturna das noites com todos os seus mistérios, tão intrigante quanto o desconhecido pode ser.

Eles se encaravam se testando em um duelo de vontades, quem venceria a noite ou o dia. Hermione começou a se sentir desconfortável com o clima estranho daquele encontro. Para quebrar o momento falou:

- Que sorte tivemos Severo, acho que vai dar tudo certo. – Caminhou até seu marido e passou o braço pelo dele.

Parecendo libertos de um elo os dois bruxos viraram para ela e foi Godric quem falou:

- Sim milady. Acho que a sorte os trouxe até aqui, mas como nunca acreditei na sorte e sim no trabalho, acho por bem testar as habilidades de seu marido antes de dar lhes o emprego, e também tenho que deixar bem claras as condições para trabalhar aqui.

Godric voltou para trás da sua mesa e indicou duas cadeiras para que eles se sentassem e começou a explicar:

- Não sei se conhecem como funciona a nossa escola, — ele explicou o sistema das casas e como os alunos eram selecionados por suas personalidades. Ele então continuou – Deve entender senhor Prince que Salazar além de professor de poções era o diretor da casa Sonserina, sendo esse cargo também vago, por conseguinte, se o senhor se enquadrar na casa Sonserina poderá se quiser e for aceito pelos outros fundadores exercer esse cargo também.

Severo não riu por que seria estranho, haveria alguma maldição para ele sempre acabar sendo diretor da Sonserina?

Godric continuou: — Existe apenas um jeito de sabermos se o senhor é um sonserino nato se me permite gostaria de colocar o chapéu seletor, do qual já lhe falei antes, sobre sua cabeça e testar qual casa ele lhe indica.

O bruxo de negro observou de forma quase desdenhosa o objeto que o diretor segurava, ele se lembrava muito bem da sua seleção para Hogwarts e de como foi traumático aquele dia, quando viu sua amiga Lilian foi selecionada para a Grifinória, ele estava torcendo para ficarem na mesma casa. A situação era diferente, ele não temia a escolha do chapéu por que tinha certeza de ser um sonserino, o que o deixava apreensivo era o quão revelador o chapéu poderia ser de sua própria personalidade.

O Diretor se aproximou e pedindo licença colocou o chapéu sobre a cabeça de Severo. Hermione ficou tensa, ela nunca ouvira disser de um adulto ter sido submetido a esse tipo de seleção, ia ser interessante saber que qualidades ele via em Severo. O chapéu começou:

- Uhum! Interessante, esse já é um adulto, unhum... Tem muita coragem aqui, sim... E também muita determinação... Capaz de sentimentos profundos tanto de ódio quanto de amor... E lealdada... Muito poder... Fascinação pelas artes das trevas... Ao mesmo tempo um bom coração capaz de sacrifícios... – até aqui Severo não se espantou, ele conhecia bem a si mesmo e sabia de suas qualidades e defeitos. Já a bruxa estava encantada com suas descobertas sobre seu marido. O chapéu prosseguiu:

- Vejo orgulho também e ambição... Muito dedicado aos estudos... Gosta muito de apreender e também de ensinar – Hermione estranhou, ela nunca imaginou que o bruxo gostasse de ensinar ele sempre reclamou tanto das suas classes.

O chapéu concluiu – em qualquer casa você se daria bem, mas em seu coração eu vejo a SONSERINA!

Godric bateu palmas e falou – vejo que temos um professor sonserino nato, isso é excelente mesmo, agora veremos se sabe mesmo misturar uma poção.

Hermione levantou e disse – Senhor não há melhor misturador de poções que meu marido. – Severo ouviu aquilo e notou um sorriso orgulhoso surgir em seu rosto, ele gostou de se sentir admirado pela sua garota.

Godric aquiesceu com a cabeça e falou – logo saberemos senhora, logo saberemos.