Misterioso Mistério Do Tempo
4 Capítulo 4 - Cada Uma em Seu Lugar.
Os três bruxos entraram na sala de poções das masmorras, Severo sentiu uma estranha nostalgia, ele achou que nunca sentiria saudade daquele lugar, mas na verdade ele sentia. A umidade das masmorras e o cheiro dos ingredientes já faziam parte de sua vida, o lugar era exatamente o mesmo que ele deixou no futuro, talvez um ingrediente diferente sobre uma prateleira mais de resto era como estar em casa.
O Bruxo olhou para a porta que levava aos seus antigos aposentos, uma estranha aflição percorreu seu corpo, era uma vontade de fugir dali misturada com uma necessidade de ficar, ele estava dividido entre o sentimento de familiaridade de seu antigo lar e os fantasmas que ele despertava em suas memórias.
Assim que entraram, Grifinória mandou que eles se sentassem nas carteiras e pediu ao Guarda-caça que fosse buscar as outras fundadoras, apesar de diretor, ele não poderia julgar a desempenho do bruxo sozinho já que poções não era seu forte de forma alguma, queria a opinião das suas companheiras de docência.
Hermione estava apreensiva, sentar-se naquelas carteiras era entranho, ela amava a escola, no entanto, não era uma aluna agora, e estava ali junto a Severo para tentar a sorte, sabia que esse não era o desejo do bruxo na verdade, sabia que ele não queria voltar a lecionar e estava fazendo esse sacrifício por ela, isso com certeza dava muito que pensar a respeito de seu antigo professor, o motivo de tanta consideração ainda á escapava, ficava pensando se ele estava com pena por ela ser obrigada a viver no passado sem ser esse seu desejo.
Apensar da forma como ela havia entrado naquela situação, estava sendo uma boa experiência, uma nova aventura. Ela não estava chateada com tudo aquilo, ficou pensando que deveria esclarecer esse ponto com ele mais tarde. Pois, o bruxo devia estar a imaginando desesperada por estar perdendo a vida que ela tinha no futuro, mas isso não era verdade, visto que depois da guerra tudo tinha perdido o sentido.
Seus pais nunca recuperaram a memória, tinha ido atrás deles na Austrália e tentando reverter o feitiço o que de nada adiantou. Procurou até mesmo um especialista em feitiços de memória e ele após examinar o caso afirmou que se algo fosse tentando em seus pais eles possivelmente perderiam o juízo o que ela de jeito nenhum gostaria de arriscar, nesse ponto ela perdeu sua família e junto com eles seu passado e parte de sua vida.
Seus amigos estavam cuidando de suas próprias vidas. Harry se preparava para casar com Gina e com ela faria sua nova família. Não tinha lugar para uma amiga solitária nesse momento. Um casal recém-casado não quer companhia de espécie alguma. Afastou-se deles, manteve uma distância amistosa, mais não era como antes quando eram inseparáveis.
Os Wesley não eram mais uma opção desde que ela terminará como Rony. Depois de alguns meses de namoro, enquanto o bruxo ruivo planejava o casamento ela só pensava em voltar à escola, no fundo ela sabia que era uma fuga, ela queria um tempo para saber se o que ela sentia pelo garoto era o suficiente para se amarrar a ele pelo resto da vida.
O bruxo começou a desconfiar das incertezas dela e lhe deu um ultimato, ou ela casava com ele ou voltava à escola, se ela escolhesse Hogwarts estaria tudo acabado. Eles brigaram acaloradamente e não se falavam desde então. Ela descobriu naquele dia que não queria o ruivo, nunca aceitaria um homem que a fizesse ter que escolher entre ele e alguma coisa.
Ela percebeu que precisava de um tempo, de crescer sem uma guerra ao fundo, de ter experiências de uma adolescente normal, não estava pronta para abrir mão disso, passou o resto do ano na casa de uma amiga trouxa, saiu, conheceu outros rapazes, ela estava até feliz, apesar de achar tudo muito vazio, quando entrou no expresso Hogwarts sentiu uma felicidade imensa, achou que assim que colocasse os pés no castelo saberia o que fazer de sua vida, mas a realidade foi que ficou mais melancólica, a escola não era mais um lugar estimulante, estava acostumada as aventuras e divertimentos de antes e agora eram somente os estudo e o silencio dos corredores.
O que ela sentiu ao ver Severo e Malfoy na floresta aparentemente um sobre ataque do outro, foi algo primitivo de defesas, uma coisa que despertou dentro dela, um reflexo treinado nos anos de guerra e isso a fez saltar sobre o professor. Era seu coração em busca de aventura, e sem querer ele havia encontrado.
Indo para o passado ela tinha dado um rumo a sua vida, algo que talvez apesar de sua coragem grifinória não fosse capaz de fazer e estava covardemente delegando a Hogwarts e deixando que a vida se decidisse por ela, e como é inevitável nesses casos essa o fez.
O casamento como Severo era outra coisa, isso ela não sabia como lidar, seu ex-professor estava agindo perante o fato de modo surpreendente, ela tinha notado que ele estava muito cuidadoso com ela, a respeitando, não a humilhava mais como no tempo de colégio e ela notava uma certa admiração na forma como ele a olhava, como se finalmente tivesse notado que ela era uma mulher. Tinha notado que também não se sentia imune a masculinidade de seu antigo professor, nunca tinha pensado nele dessa forma antes, mas não podia negar que quando ele a abraçou por trás na feira sentiu um arrepio, ele era sedutor quando queria e a aura de mistério envolta dele a fazia querer conhecê-lo melhor.
Hermione ainda pensava quando ouviu abrir a porta da sala de poções e entrar por ela uma mulher incrivelmente bela. Essa tinha longos cabelos negros e enormes olhos azuis e nesses um olhar intimidador, era como se os dois olhos pudessem penetrar a alma de quem ela desejasse. Não sorria, era calma e serena caminhava com graça até parar próximo a Godric.
O bruxo ruivo fez uma reverência um tanto exagerada para a dama e disse ainda meio abaixado:
- Querida Rawena, minha bela das ravinas, quero lhe apresentar a um pretendente ao lugar que Salazar deixou vago em nossa escola, — o bruxo estendeu a mão em direção a Severo que se levantou de imediato – Esse é o Senhor Prince, ele é mestre em poções e o chapéu o achou pertencente à Sonserina. Achei que valia a pena testar seus conhecimentos.
A bela bruxa mediu Severo de cima a baixo e falou em um tom desdenhoso que deixou o bruxo muito irritado. O mestre apesar disso permaneceu impassível perante a mulher.
- Espero que você esteja certo que ele saiba fazer alguma poção por que eu estava lendo um livro muito interessante e não gostei de ser interrompida. – pelo canto dos olhos Rawena notou a presença de Hermione – e aquela quem é?
A garota se endireitou na cadeira, a forma como a bruxa a encarou a intrigou, ela a encarava com desconfiança e apreensão. Assim que desviou seu foco para Grifinória, Hermione notou alguma coisa, Rawena olhava Godric com uma pitada de raiva contida em sua tez gélida, por um segundo pareceu que o bruxo ficou desconcertado e apressou-se em se explicar:
- Essa, minha querida, e a Senhora Prince, esposa do Professor Prince que está aqui pleiteando a vaga de Salazar.
A fundadora ergueu as sobrancelhas em entendimento, virou-se para Hermione estendendo a mão de forma amistosa apesar de permanecer fria:
- É um prazer conhecê-la senhora, e espero que seu marido passe no teste, assim como espero que possamos ser amigas, se cada uma souber seu lugar aqui no castelo possivelmente poderemos viver harmoniosamente. Hermione aceitou o cumprimento ainda abalada com as ultimas palavras da bela bruxa.
Somente alguns minutos depois, quando viu a troca de olhares de advertência de Rawena para Godric, foi que ela entendeu a hostilidade da fundadora e com um sorriso irônico percebeu que aquela linda mulher estava com ciúmes dela em relação ao bruxo. Por incrível que parecesse ela a via como uma possível rival, o que era descabido, visto que ela não tinha o menor interesse em Grifinório.
Se Rawena imaginava que o lugar dela no castelo era na cama de seu próprio marido e bem longe da do diretor, a bruxa poderia ficar tranquila quanto a seus temores, ela não iria chegar nem perto do bruxo, só de pensar nisso sentia repulsa. Por outro lado o pensamento de ir para cama com o seu próprio marido fez o sangue subir para seu rosto. A ideia não lhe parecia desagradável o que a espantou.
Severo estava alheio ao que ocorria entre as mulheres, ele observava os ingredientes disponíveis imaginando qual poção teria que fazer, tinha um pouco de tudo que precisaria para fazer qualquer poção do currículo escolar. Ele se virou quando ouviu a entrada espalhafatosa de outra mulher, ela veio acompanhada de dois elfos domésticos que traziam em suas pequenas mãos duas cestas grandes que pelo cheiro ele imaginou estarem cheias de bolos de caldeirão.
Era Helga Lufa-Lufa e assim que pisou na sala disse muito efusiva:
- Ora Godric você conseguiu um substituto para o Salazar?! Vim assim que o Baltazar me chamou para conhecê-lo. Sabe? Eu e os meninos — disse se referindo ao elfos — estávamos tirando uma fornada de bolos de caldeirão para o chá, nem imagina como essa receita nova ficou uma verdadeira obra de arte culinária, Será excelente para uma comemoração de boas vindas.
Severo teve que se conter para não rir, a bruxa era uma figura peculiar, toda vestida de laranja e amarelo, com formas bem roliças e de bochechas rosadas, movia-se com rapidez e demonstrava ser agitada por natureza, os pobres elfos pareciam resignados carregando suas cestas ao lado de tão esfuziante criatura, assim que ela viu Severo falou:
- Deus do céu, Homem como você é magro, esteve doente? Ho! Se é assim daremos um jeito nisso quando começar a frequentar o salão principal verá que um pouco de comida colocara animo nesse seu rosto, Deus do Céu você é tão pálido que parece um fantasma, isso é com certeza falta de boa alimentação...
Severo era a própria mascara do espanto, como que aquela mulher poderia se portar com tanta familiaridade com ele se nem o conhecia? Era inadmissível, ele sentiu que não ia conseguir se conter e já se preparava para mandar a mulher tomar conta da própria vida quando Godric notando o incomodo veio ajudá-lo.
- Calma... Calma Helga, o Senhor Pince ainda não foi aceito como professor e eu acho que a aparência dele não é da sua conta, ele é casado e isso deve ser incumbência da esposa dele. O rosto de Helga era pura decepção quando ela falou baixo:
- Ele é casado... — Só então a bruxa notou Hermione, que há poucos segundos estava contendo o riso da tagarelice da bruxa mais velha agora e fechava a cara ao perceber as intenções dessa para com seu marido, em um ímpeto teve vontade de repetir as palavras que Rawena havia lhe dito para a bruxa Lufa-Lufa: Cada uma em seu lugar e ela bem longe de Severo. Espantou-se com o tamanho da posse que estava sentindo sobre o marido, afinal, o que ela sentia por ele? Perguntou-se.
Helga sorriu tímida para Severo que fez sua pior cara de mestre de poções, ela se assustou e virou para Godric, — Ele foi aprovado pelo chapéu? O diretor fez que sim, ela concordou em assistir ao teste com um gesto teatral e mandou seus elfos para a cozinha. Caminhou até o fundo da sala e se sentou em uma cadeira. Hermione notou que a bruxa estava envergonhada.
Grifinório disse a Severo – Agora que já estamos todos aqui e já falamos até demais, acho que podemos deixar de bobagem e começar logo o teste – Severo sentiu um enorme alivio, ele nunca foi bom em lidar com pessoas e essa conversa estava ficando muito constrangedora, ele preferia muito mais seus caldeirões, com esses ele se entendia.
O diretor resolveu perguntar a Rawena que poção o senhor Prince deveria fazer, ele não fazia ideia de qual seria um bom teste para um mestre. Assim que terminou de formular a pergunta Helga gritou lá do fundo da sala. – Por que ele não faz um poção do amor, ou uma embelezadora?
Severo quase engasgou. Ter que ser testado ele até entendia, mas fazer uma poção embelezadora estava abaixo de sua dignidade, se ele tivesse que fazer isso para conseguir a vaga pegaria Hermione pelo braço e sairia do castelo pela mesma porta que entrou. Foi com alivio que ouviu Rawena falar colocando uma mecha de seu cabelo atrás da orelha.
- Pelo amor de Circe, quanta bobagem uma pessoa pode falar? – A bruxa gordinha se enfezou – É bobagem para você que é linda por natureza, uma mulher que não nasceu tão beneficiada precisa de alguns atributos mágicos e essa poção é uma maravilha!
A Corvinal não se ateve – e com quem a senhora pretende usar essas poções, com seus elfos nojentos?
Godric conhecia muito bem aonde essa conversa ia chegar e resolveu interromper antes que fosse tarde:
– Senhoras... Senhoras... Vamos devagar com as ofensas – as bruxas fecharam a cara fazendo Hermione lembrar duas crianças emburradas — temos um objetivo aqui que é testar um possível professor, que impressão ele terá de nós se não pudermos nem mesmo escolher uma poção sem brigarmos. As duas pereceram envergonhadas com a cena.
Foi com satisfação que Severo resolveu sugerir uma poção – O que vocês acham da poção da paz, acho que seria adequada. O bruxo sabia que essa não era um desafio, e sim uma poção dos níveis elementares de magia, mas poderia servir para mostrar habilidade.
Godric adorou: — excepcional ideia! Acho que podemos ficar assim o que vocês acham senhoras? – Helga deu de ombros, já Rawena falou altiva:
– Senhor Prince essa poção é coisa de criança, para um mestre esperava sugestão mais desafiadora.
Severo sentiu o rosto queimar, ela tinha razão é claro, ele os havia sobestimado, para tentar aplacar sua vergonha intimou a bruxa:
– Então senhora, escolha uma poção e eu a farei.
Rawena sorriu maliciosa, ela não o queria ali de qualquer forma, não com aquela esposa jovem e bonita, não gostava de concorrência e se sentia feliz reinando soberana nas intenções de Godric. Não arriscaria dividir suas atenções com a bruxinha.
Com um sorriso malvado e superior ela falou para o Mestre de poções:
- Certo senhor, então que tal nos mostrar sua real habilidade e fazer uma poção Felix Felicis?
Hermione respirou fundo, ela sabia que essa poção demorava dias para ficar pronta, era muito complicada e se feita errada poderia ser letal. Era realmente um desafio, ela ficou tensa, será que Severo já tinha feito essa poção? Ela não fazia ideia. Olhou para ele e viu que esse tinha um semblante grave e um olhar desafiador, com um aceno de cabeça ela o viu aceitar o desafio, ele era realmente corajoso.
A fundadora sorriu a si mesma, ela tinha conseguido fazê-lo se perder em seu próprio orgulho, Sonserino tolo, duvidava muito que ele conseguisse fazer a poção e seria um prazer colocar aquela garota para fora do seu castelo. Ainda se congratulava quando ouviu Severo falar:
- Como a Senhora deve saber essa poção demora três dias para ficar pronta, por tanto devo permanecer esse tempo no castelo, poderia fazer a gentileza de arrumar acomodações para minha esposa? – Quem respondeu foi uma sorridente Helga:
— Claro senhor, ela pode ficar no aposento contíguo a essa sala. – levantando ela levou Hermione até a porta do aposento a abriu e indicou para que ela entrasse. No entanto ela parou na porta e olhou para o marido. Ele caminhou até ela, deu a sacola para ela guardar e sorrindo transmitiu segurança de que ele sabia o que estava fazendo.
Assim que os olhos de ambos se encontraram ficaram presos por um segundo um no outro, Hermione em pé com a sacola de lona na mão e ele ali tão próximo que seria só um passo para se tocarem. Helga notou a energia que estava passando entre ambos e falou baixinho com a bruxinha em um tom maternal:
- Vamos querida, entre no quarto e descanse, venha almoçar conosco no salão principal daqui à uma hora e traga de lá algo para seu marido comer já que não vai poder sair daqui, ele vai precisar de ajuda e companhia para fazer essa poção tão difícil.
Hermione parou de olhar para Severo com muito pesar e virou-se para a bruxa, ela a olhava com ternura e com um aceno aceitou o convite para o almoço.
Helga Lufa-Lufa era uma romântica incorrigível e o olhar cúmplice que o casal trocou amoleceu seu coração, ela faria tudo para ajuda-los a conseguir a vaga, iria conversar com Godric caso ele não conseguisse fazer a poção mostrando para o diretor que esse era um desafio cruel.
Severo pegou o grosso livro que estava sobre a mesa e abriu na receita da Felix felicis, ele já a havia feito para Dumbledore uma vez, era muito difícil fazê-la, um erro e estaria tudo perdido. Assim que foi deixado sozinho começou a trabalhar, separou os ingredientes e o caldeirão e começou, esse primeiro estágio duraria 18 horas, e só acabaria no meio da madrugada dando assim 2 horas de cozimento para ele descansar. O resto da receita não era menos árida.
Hermione estava sentada bem no meio da cama do aposento, ela pensava que se Severo conseguisse o emprego aquela seria a cama deles, isso a perturbou, ao mesmo tempo em que a ideia a excitava, ela tinha fugido de um casamento por não achar que estava pronta, estaria pronta para assumir um agora? Sabia que Severo não a imporia nada, mas ao mesmo tempo tinha que reconhecer que estava se envolvendo com o bruxo, sem ter uma resposta se levantou e deixou a sacola sobre a cama. Cansada de pensar sem chegar a uma resposta resolveu ver como Severo estava indo. Ela se preocupava com a poção, sabia o quanto era difícil, mas achava que seu marido conseguiria fazê-la, ele era realmente extraordinário.
Na sala do diretor, Godric pensava sobre a reação que Rawena teve na sala de poção e a forma como ela tratou o casal Prince, ele tinha notado o ciúme da bruxa em relação à esposa do professor e em como deliberadamente ela escolherá uma poção impossível para o bruxo fazer. Admirou a forma ardilosa como ela o desafiou. Como usou o orgulho do homem para manipula-lo, era uma mulher perigosa essa Rawena, ele sabia disso muito bem.
A bela bruxa estava dando um jeito de afastar a garota do castelo a qualquer preço, isso poderia ser muito útil para ele, poderia usar isso a seu favor. Fazia muito tempo que estava cortejando a Corvinal sem resultado, ela nunca cedia, sempre com algum ardil para mantê-lo preso a ela sem nunca na verdade permitir-lhe nada mais intimo que um sorriso, esse seu interesse na mulher foi uma das causas da briga dele com Salazar que também a admirava. Havia perdido seu melhor amigo por aquela bruxa e não ia permitir-se não possuí-la, nem que fosse uma única vez, ele teria que conquistá-la.
Se ele soubesse jogar direito a bruxa ficaria morta de ciúme e sucumbiria a seus braços. E se nesse intento ele tirasse uma casquinha da linda esposa do mestre de poções tanto melhor. O pensamento causou-lhe uma excitação por todo o corpo, ele enchera sua mente de imagens sensuais com as duas mulheres, seria um gozo completo tê-las juntas ao mesmo tempo. Era renovador ter uma guerra para vencer, ainda mais se essa fosse travada sobre lençóis. Com um sorriso cínico olhou pela janela, já devia ser hora do almoço, levantou-se da mesa, ajeitou a barba grossa e saiu em direção ao salão principal.
Severo cortava vertiginosamente um ingrediente que Hermione não conhecia, ele batia a faca tão rápido na bancada que ela mal via a lamina. Já haviam se passado uma hora desde que ela havia sentado naquela carteira vendo o bruxo trabalhar em total silencio, ele só havia falado para pedir que ela pegasse um copo de água para ele. Olhando para a ampulheta notou que já devia ser hora do almoço estava com fome e sabia que Severo também deveria estar. Levantou-se de sua cadeira e falou para o marido para onde iria, disse que não demoraria e saiu em direção ao salão principal. Ao caminhar pelo corredor achou estranho não ver aluno algum, imaginou se as aulas não teriam começado, e qual seria o calendário escolar, em seu tampo, eram meados de outubro e as aulas tinham acabado de começar.
A bruxa ao se aproximar da porta do salão viu Godric apoiado na parede próxima à porta, ele sorriu para ela, se aproximou como um gato predador:
- Olá senhora, que prazer que aceitou o convite para o almoço... – Hermione sentiu um arrepio de nojo, ele se aproximou mais do que deveria e tocou em seu cotovelo – venha eu a levo para dentro do salão.
A garota tirou o braço da mão dele e falou – muito obrigada, mas eu posso entrar por mim mesma. – Godric abriu a boca para protestar tarde demais por que a bruxa já o tinha deixado para trás e ido em direção a Helga que a recebeu com um sorriso satisfeito no rosto. E ela perguntou:
- Onde estão os alunos, achei que a essa altura eles já estariam em aula. – Helga sorriu para ela e falou – eles só chegam após o natal, assim passam mais tempo com a família, aqui é um lugar longe e muitos vem aparatando de ponto a ponto até chegarem aqui.
Hermione sorriu imaginando como o expresso Hogwarts era confortável no futuro e se sentou próximo a bruxa na mesa dos professores, Rawena estava a duas cadeiras de distancia. Nesse instante Godric entrou e sentou em seu lugar.
Hermione perguntou a Helga: — Você e Rawena já fizeram as pazes? – a bruxa gordinha sorriu fazendo suas bochechas rosadas subirem e seus olhinhos fecharem. – Ho! Sim nós fizemos, na verdade brigamos o tempo todo, e melhor se acostumar se vai morar aqui, Rawena é uma metida!
Hermione tapou a boca para não rir alto, ela concordava plenamente como a Lufa-Lufa. Virou o rosto para ver melhor a bruxa Corvinal, ela era muito bonita mesmo, mas tinha algo de sinistro nessa beleza, como quando se está à beira de um abismo e ao olhar para baixo se fascina, apesar do perigo. Definitivamente não gostava da mulher. Ela era muito diferente de Helga, que era doce e divertida e tentava ser uma boa anfitriã contando sobre o castelo e sobre a escola.
Hermione estava fingindo interesse no que ouvia da Lufa-Lufa, visto que grande parte ela já sabia, estava ficando entediada tanto que agradeceu a Merlin quando a comida apareceu em seu prato, comeu com gosto e em silencio. Assim que terminou se despediu de Helga dizendo que estava adorando a conversa, mas que tinha que voltar para as masmorras para ajudar Severo. A bruxa gorducha entendeu prontamente e estalou os dedos para fazer um elfo domestico aparecer. Ela ordenou que ele levasse uma bandeja com tudo do almoço para o professor nas masmorras e que fosse junto com Hermione.
Severo mexia sem parar um caldeirão tão concentrado que nem notou a entrada dos dois. Assim que o elfo saiu, a bruxa falou – Severo venha almoçar.
- Não posso parar de mexer isso pelos próximos trinta minutos, depois disso eu como.
Hermione se aproximou dele por trás e falou baixinho – Deixa que eu mexo enquanto você come, sei que deve estar faminto.
A voz da bruxa dita assim, próxima a seu ombro tão doce, quase um sussurro, por pouco não o fez derrubar a poção, ele sentiu os pelos de sua nuca arrepiarem-se e pensou ironicamente que depois disso a ultima coisa que ele estava pensando era em fome. Sem parar de mexer, virou o rosto para encarar a garota, ela lhe sorria meigamente, teve que respirar fundo para ter forças para dar passagem e deixar que ela pegasse a colher junto a sua mão e o substituísse. A vontade dele era tomá-la em seus braços e deixar que a maldita poção se explodisse. Foi uma escolha difícil entre o controle e o desejo passar a colher para ela e ir almoçar.
A sensação de proximidade com Severo fez Hermione corar, ela sentiu seus lábios formigarem e teve que se conter para conseguir trabalhar depois que ele deixou a colher em sua mão. O bruxo se afastou lentamente e foi em direção onde estava a bandeja. Ela se concentrou, olhou para a poção e ficou perdida em seus pensamentos e desejos tentando entendê-los.
Depois de comer Severo parou e ficou observando Hermione mexer a poção, ela rodava a colher vigorosamente. Achou-a encantadora, seus cabelos apesar de presos tinham alguns fios soltos que se moviam junto a ela de forma ritmada, todo seu corpo se movia com as voltas da colher, seus quadris redondos de curvas suaves iam de um lado para outro trazendo pensamentos impróprios para a sua cabeça, um intenso calor começou a tomar conta dele, cada movimento da bruxa bombeava mais fogo em seu sangue, ele estava começando a ficar preocupado com o estado que ela o estava deixando, sabia que teria que se comportar com ela, não podia se aproximar dela como homem de qualquer forma, tinha que dar um jeito de levar o relacionamento deles para outro nível primeiro, ele não sabia quanto tempo poderia aguentar aquela tortura de ficar olhando para ela sem poder tocá-la, afinal ela era sua esposa, tinha todo direto de tê-la, ele só precisava conseguir convencê-la disso.
Soltou um longo suspiro, já estava na hora de parar de mexer e acrescentar mais um ingrediente, o bruxo se levantou e tomou de volta o seu lugar mexendo a poção. Ele a viu sair de perto e ir para os aposentos contíguos.
O Dia seguiu calmo e sem percalços, quando Hermione viu já era hora do jantar, a bruxa se dirigiu ao grande salão sorridente, tinha passado o dia descansando e vendo Severo fazer a poção. Sentiu-se orgulhosa quando esse pediu, lá pelo meio da tarde, para que ela fizesse uma poção fortificante para ele e assim que a entregou ouviu um elogio de aprovação ao seu trabalho o que a alegrou muito.
Os corredores das masmorras sempre pareceram sombrios, mas naquela noite estavam estranhamente acolhedores. A bruxa ia tranquila pelas escadas quando em uma curva notou uma figura parada, tirou a varinha da manga e subiu cautelosa, assim que se aproximou notou que era Godric que displicente estava encostado na parede brincando com sua espada. Hermione fechou a cara e andou em direção tentando parecer altiva, manteve a varinha em punho apenar de ter abaixado a mão.
Ela por um minuto pensou em voltar para as masmorras, mas resolveu não fazer isso para não alarmar seu marido, ele certamente ia querer saber por que ela desistiu de jantar, e além do mais achou que poderia lidar com o Grifinório.
Ao chegar perto notou que não teria como passar sem pedir licença ao homem que ocupava toda a curva da escada. – Com licença, poderia me deixar passar? – falou com ar serio.
Godric estava feliz com a ideia que tinha tido, parar na curva da escada era uma oportunidade de ouro, ela teria que passar por ele, e para isso, ele teria que deixar que ela passasse, e talvez pedir algo em troca pelo favor.
- Mais claro que eu deixo você passar jovem dama. – o diretor usou propositalmente de uma familiaridade que ela não lhe havia consentido, queria que a relação deles ficasse menos formal. Chegou para o canto da curva, deixando um vão para a passagem, no entanto, tão apertado que se ela tentasse traspor teria que esfregar o corpo todo no dele. Ele sentiu um arrepio de antecipação ao imaginar como seria.
A bruxa percebeu a intenção do ruivo e estacou, ela não ia passar por essa humilhação, não ia se esfregar nele, levantou a varinha e falou pegando o desprevenido – Petrificus Totalus!
O ruivo caiu no chão pesadamente ficando de cabeça para baixo na escada. Hermione riu imaginando como o grande Godric deveria estar se sentindo naquele momento. Com outro feitiço o tirou do caminho e continuou subindo a escada, quando já estava quase no final, virou-se e disse:
– Finite Incantatem!
Para libertar o bruxo e saiu correndo não querendo ver a cara do diretor depois do ocorrido. “Tomara que aprenda a lição” pensou.
O jantar foi muito constrangedor, pensou Godric, ter sido abatido por um feitiço bobo como aquele e ainda por cima de uma mulher que mal saiu das fraudas era muita humilhação. Ainda bem que ninguém viu a cena e que a garota teve a decência de não comentar nada com as outras bruxas, apesar de tê-la visto rir dele umas duas vezes sem querer durante o jantar. Grifinório sentiu muita raiva. A esposa do professor não perdia por esperar, ele iria se vingar e ela iria implorar piedade.
Notas finais
Olá gente, desculpem a demora, tive um monte de problemas e meu filho estava fazendo provas então, fiquei meio sem tempo para escrever. O capítulo 5 está praticamente pronto, falta só escrever a NC17. (vai ter NC eba!!!)
Quanto a poção Felix eu li depois que já tinha escrito que ela demora meses para ficar pronta, como o capítulo já estava pronto e eu preciso dela para frente na história, deixei com 3 dias mesmo, não me matem!! Entendam como licença poética ok.
O ultimo capítulo teve muito poucos reviews, poxa garotas não me deixem sem noticia se vocês estão gostando ou não...
Um beijão para vocês!
Leyla Poth
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