Notas iniciais
Oii Cupcakes ♥! Como vocês estão? E aqui estou eu com mais um capítulo. Espero de verdade que gostem, pois hoje iremos entender melhor o que aconteceu entre Clint e Natasha. Eu quero agradecer demais a AndreaNeves pelo comentário no capítulo passado. Espero ter compensado os problemas de ontem com esse capítulo. Boa leitura...

ROMANCES MENSAIS

LIVRO XII – MISTÉRIOS DE DEZEMBRO

CAPÍTULO X — JUSTIÇA

— Por que me impediu? Se você não o amava, então por que não permitiu que eu fosse até o fim em minha vingança, Natasha? – Questiona Clint e eu sinto o desespero me atingir. Eu tinha esperança de que não chegaríamos a esse tópico, mas eu sabia que havia sido ingenuidade.

Ando pelo gazebo, tentando formular minha resposta, enquanto continuava a ser alvo do olhar intenso de Clint. Respiro fundo e bagunço meus cabelos, sentindo o estresse mexer com a minha mente. Viro-me então para o homem e suspiro.

— Porque eu não queria que você destruísse ainda mais a sua vida. Eu queria ter acabado com ele com as minhas próprias mãos, mas nada disso faria Lila e Cooper voltar. Eu tinha sido a culpada por ter me envolvido com um desgraçado como ele e esperava que ele vivesse muitos anos trancafiado na prisão, sofrendo todos os tipos de tortura possível. Se você o matasse, o sofrimento dele acabaria rápido e ainda seria obrigada e conviver com o fato de que destruí a sua vida ainda mais, Clint. Eu simplesmente não poderia deixar que isso acontecesse. – Respondo e ele ri com escárnio.

Nesse ponto, tínhamos ideias completamente diferentes de justiça. Clint não acreditava por completo na justiça do país e era por isso que seus inimigos sempre acabavam sofrendo torturas terríveis na prisão para que aprendessem a nunca mais o desafiar. Mas no caso de Alexi, Clint planejava o matar com as próprias mãos.

— Por mais que eu compartilhasse do mesmo sentimento que você, eu não aguentaria conviver com mais uma culpa em meu peito. Eu já estava cansada e destruída demais para mais problemas com Alexi. Tudo o que eu queria era que meus filhos voltassem e que Alexi pagasse corretamente os crimes que ele cometeu. Eu nem mesmo me importaria que os seus amigos o torturassem na prisão, mas não poderia ser conivente com um assassinato, ainda que ele fosse de meu maior inimigo. Seria contra tudo o que eu vinha lutando desde que saí do Tentáculo. – Continuo a explicação, encarando Clint.

— Ele matou Bernard e está mais uma vez colocando a vida da minha família em perigo. – Responde Clint, magoado. – Se eu tivesse o matado, isso nunca teria acontecido.

— Então está dizendo que eu sou a culpada pela morte de Bernard? – Pergunto e ele suspira, irritado.

— Pare de distorcer o que eu falo. A culpa é de Alexi, não sua. Mas eu também tenho a minha parcela de culpa. Se eu tivesse confiado em meus instintos, nada disso teria acontecido. Bernard poderia ter continuado vivo e...

— E você estaria na prisão com seus sobrinhos na mira da HYDRA. Era isso que você queria, Clint? – Questiono, dando soco em seu peito, na tentativa de me livrar daquele sentimento de frustração em meu peito.

— Ele matou a nossa família! – Exclama Clint, furioso.

— Eu sei! Droga, Clint. Eu sei muito bem disso! – Respondo, tão alterada quanto ele. – Mas matá-lo só acabaria com você mesmo. Eu não podia permitir que você se tornasse alguém igual ao Taskmaster.

— O quê?! – Clint parece ficar ofendido com a minha resposta. Ele se aproxima a passos largos e nossos corpos quase se colam de tão próximo que estávamos. – Eu não sou como ele.

— Sim. Você não é. Mas se matasse Alexi, não seria muito diferente. Justiça com as próprias mãos não é a solução. – Respondo, afetada pela sua presença tão intimidante e envolvente.

Nossos olhos se encontram. Há uma conexão intensa e um magnetismo que me atrai para ainda mais perto de Clint. Estávamos furiosos e com as emoções a flor da pele. E então, ele acaba com a pequena distância que ainda havia entre nós.

Seus lábios se chocam contra os meus de maneira quase sufocante. Guiados pelos nossos instintos, entrego-me por completo a sensação de ter sua boca pressionada contra a minha depois de dez anos. E então sua mão pressiona minha cintura, que mesmo coberta pelo grosso sobretudo que eu usava, acaba sentindo a quentura de suas mãos grandes e dominadoras.

Um suspiro escapa de meus lábios e ele aprofunda ainda mais o beijo. Minhas unhas se cravam em sua nuca e ouço um gemido rouco vindo de Clint. E é nesse momento que eu percebo que estava beijando Clint, completamente entregue aos sentimentos que eu disse a mim mesma que esqueceria completamente.

E então as lembranças do que aconteceu dez anos atrás voltam em minha mente. Como eu poderia lidar com mais uma perda? Alexi estava de volta assim como Taskmaster. Eles jamais nos deixariam ter paz. Eles ameaçariam a segurança das pessoas que amamos. Eu não aguentaria mãos ma perda.

Assim, completamente atordoada, afasto-me de Clint e corro sem destino. Eu precisava organizar meus pensamentos e ter os beijos perfeitos de Clint me envolvendo não me ajudariam em nada nisso.

[...]

— Ei, Naty, você quer ir comigo encontrar... o que aconteceu?

Hillary entra em minha sala e me encara desesperada ao se deparar com o meu estado lastimável. O rosto manchado de lágrimas com a maquiagem borrada, o cabelo desgrenhado e a evidente falta de estabilidade mental. A garota entra e fecha a porta da sala antes que alguém pudesse me ver naquela situação deplorável.

A garota corre em minha direção e vira minha cadeira para que eu me virasse para ela. Hillary coloca as duas mãos em meus ombros e me puxa para um forte abraço. Provavelmente sabia que eu não estava em condições de falar. Naquele momento, eu não me reconhecia. Eu não tinha forças nem mesmo para me mover.

Depois de sair correndo miseravelmente da mansão de Clint, eu simplesmente não tinha outro lugar para ir além de me esconder em minha sala na sede da CIA. Eu precisava ficar sozinha para tentar controlar todas as fortes emoções que destruíam o meu coração.

— O que houve? Alguém... mais alguém morreu? – Questiona Hillary com cautela. Suspiro e reúno minhas forças para ao menos dar uma explicação decente a agente.

— Não. – Respondo com a voz fraca. Limpo os rastros das lágrimas que horas atrás transbordaram pelo meu rosto. – Eu apenas sou uma fraca e miserável covarde.

— O quê? É claro que não. Você é a pessoa mais forte e corajosa que eu já conheci, Naty. – Hillary estuda meu rosto com preocupação. Ela então suspira e olha no relógio. – Tudo bem. Vamos.

— Para onde? – Pergunto, confusa.

— Sair para afogar as mágoas na bebida e nos odiar no dia seguinte por ter extrapolado os limites. – Responde a garota, pegando meu casaco que estava jogado no sofá.

— Não, Hills. Eu não quero sair. Não preciso que mais pessoas me vejam nessa situação lastimável. Além disso, você é péssima com bebidas. – Resmungo e ela bufa, dando de ombros.

— Natasha Alianovna Romanoff! Não me faça usar a minha cara adorável para te convencer a sair comigo. – Exige a garota, cruzando os braços, enquanto me lança um olhar repreendedor. Acabo dando uma fraca risada. Ela volta a se aproximar de mim e fica de joelhos, encarando-me com doçura. – Vamos, Naty. Eu prometo que não vou te forçar a falar o que aconteceu. Apenas vamos beber um bom vinho, comer uma boa comida e descansar a nossa alma. Uma noite de garotas. E amanhã estamos de folga, então não tem desculpas para você recusar o meu convite.

— Eu não estou muito no clima, Hills. – Suspiro e ela não parece aceitar a minha resposta.

— Por isso mesmo você tem que ir. Vai te ajudar a esquecer os problemas e relaxar um pouco. Nós merecemos isso depois dessa semana caótica que nós tivemos. – Argumenta Hillary, dando aquele olhar adorável que é praticamente impossível de dizer não. – E não se esqueça de que você me deve uma saída depois de não ter comemorado o meu aniversário comigo. Eu tinha marcado o karaokê e até mesmo preparado o spa para que a gente pudesse descansar e...

— Está bem. Está bem. Eu vou sair com você. – Concordo, fazendo com que a garota batesse palmas e começasse a dar pulinhos de alegria como uma adolescente histérica.

— Isso! Noite das garotas! – Comemora, puxando-me para que saíssemos da sala. Acabo rindo de sua animação e preciso fazer força para conseguir parar a Hillary.

— Calma aí. Eu não vou sair nesse estado e ainda preciso pegar minhas coisas. Além disso, eu definitivamente preciso de um banho. Vamos passar primeiro no...

— Vamos para minha casa. A gente tem o corpo parecido e você pode usar uma das minhas roupas. Eu também preciso de um banho e o lugar onde vamos fica perto de onde eu moro. – Hillary me interrompe, encarando-me com intensidade. Tento argumentar, mas ela ergue a mão em sinal de que não me daria ouvidos. – Eu te conheço, Naty. Você vai querer ir para o alojamento para se arrumar, vai entrar em um estado de reflexão e não vai querer sair. Não sei o que aconteceu e você não precisa me dizer, mas posso dizer que foi algo que está te destruindo por dentro. Sei que acha que é melhor ficar sozinha, mas vai por mim, essa é a última coisa que você precisa. Então vamos para minha casa. Essa noite você não vai ficar sozinha e eu também prometo que não vou beber demais para não te deixar preocupada e destruir nossa noite.

— Obrigada. – Agradeço e ela nega, dando um lindo sorriso.

Pego minhas coisas e visto meu casaco para enfrentar a temperatura congelante que deveria estar fazendo do lado de fora do prédio. De braços dados com Hillary, seguimos para a casa da garota que ficava do outro lado da cidade. A companhia alegre e a personalidade tagarela de Hillary me distraía de meus próprios pensamentos sombrios e dos sentimentos caóticos que continuavam a me desestabilizar.

Levada pela ansiedade de Hillary em termos a nossa “noite das garotas”, nós nos arrumamos rapidamente e saímos para um pub próximo a casa dele. Trazendo todos os traços dos estabelecimentos típicos da Grã-Bretanha, o lugar era espaçoso, confortável e tocava uma música em volume agradável. Um ambiente perfeito para se sair com os amigos para beber e conversar.

E enquanto andávamos pelas mesas para o local mais reservado do pub, Hillary me conduz até uma mesa onde estavam Felicity e Peggy, bebendo e conversando com sorrisos divertidos. Aproveitando que elas ainda não haviam notado a nossa presença, puxo Hillary pelo braço e a encaro com seriedade.

— Por que não me contou que as meninas também viriam? – Pergunto e ela suspira, como se a resposta fosse óbvia.

— Porque você não viria. – Responde, dando de ombros. – Além disso, eu já tinha combinado de sair com elas para beber. Elas são mães de três crianças. Você sabe o quanto é difícil ter tempo para descansar quando se é mãe? Simplesmente não dá! Então, eu não podia desmarcar com elas. E eu sei que você as adora, por isso juntei o útil ao agradável.

— Eu vou embora, Hills. Não quero que as garotas me vejam assim e eu não quero estragar a noite de vocês. Digo e Hillary bufa, agarrando meu braço.

— Não mesmo. É a noite das garotas. Sei que seu orgulho está querendo fazer você se isolar, porque você não quer preocupar seus amigos e sobrinhos, mas eu sei também que no fundo você quer conversar com as meninas e colocar para fora tudo o que está sentindo. Então essa noite, apenas acredite em nós. Divirta-se e faça o que quiser. E se não gostar do resultado, podemos apenas colocar a culpa toda na bebida. – Hillary dá aquele sorriso caloroso que traz um pouco do conforto que eu precisava. – Por favor, Naty. Fica pelo menos trinta minutos e bebe uma cerveja. Se continuar se sentindo mal, eu prometo que te levo para casa.

— Está bem. Só trinta minutos. – Acabo me dando por vencida. Hillary tinha aquela carinha irritante e adorável que me impedia de dizer não para ela. É como se eu estivesse diante do Gato de Botas do Shrek.

— É assim que se fala. Vamos lá. – E sem esperar que eu dissesse mais nada, Hillary me puxa em direção a Peggy Carter e Felicity Smoak, que não demoram a notar nossa presença e acenar de forma animadas. Acabo sorrindo e me deixando levar mais uma vez pelo alto astral de Hillary.

Ela tinha razão. Eu adoro as garotas. Apesar de nossa diferença de idade, elas eram as pessoas mais próximas que eu tinha de amigas, ainda que por causa da minha vida complicada, eu quase não tenha tempo para encontrá-las.

Peggy Carter é a namorada ou esposa de Steve Rogers, um dos meus subordinados da S.H.I.E.L.D, que eu conheço desde que ele tinha apenas quinze anos. Sendo sincera, eu não sei exatamente qual é o atual relacionamento deles depois que eles entraram no programa de proteção a testemunha e passaram a fingir que estavam casados por causa das ações da HYDRA. Desde então eles agem como marido e mulher, mesmo sem nunca terem registrado o casamento. Eles adotaram as três crianças que assumiram o papel de filhos de mentira e no fim, Steve, Peggy, Alex, Kayla e Liz se tornaram uma linda família.

Felicity Smoak é esposa de meu sobrinho, Oliver Queen, com quem teve o pequeno Tony e recentemente adotou os irmãos Mia e Will. Ela foi deixada no mesmo orfanato em que Clint viveu e é uma de suas protegidas. Felicity é extremamente inteligente e se não fosse tão apaixonada pela pediatria, provavelmente teria se tornado uma habilidosa agente da CIA. Eu a tenho como uma irmã mais nova e tenho um carinho imensurável por Tony.

— Naty! Quando Hills no avisou que você viria, eu quase não acreditei. – Comenta Felicity, levantando-se para me cumprimentar com um forte abraço. Assim que nos afastamos, nossos olhos se encontram e no mesmo instante ela percebe que eu não estava bem. – O que aconteceu?

— Nada. – Respondo, desviando o olhar.

— Não parece nada. Você está com um olhar triste e cabisbaixa. – Aponta Peggy, aproximando-se de mim para me cumprimentar com um abraço.

Esse é o motivo de eu não querer me encontrar com Peggy e Felicity. Elas me conhecem desde que eram adolescentes por causa de Clint. Eu havia me tornado muito próximas delas. Próxima o bastante para que notassem quando eu não estou bem ou quando alguma coisa está errada. Eu simplesmente não conseguia mentir para elas. E mesmo que eu tenha desaparecido de suas vidas por alguns anos e tendo aparecido muito esporadicamente para visitá-las, ainda mantínhamos aquela conexão única que criamos quando todas ainda éramos jovens e sem certeza do futuro.

Suspiro e dou de ombros, sentando-me a mesa. Hillary faz sinal para que as garotas se sentassem também e avisa ao garçom que ela conhecia para trazer duas cervejas para nós.

— Naty não está bem, mas eu prometi que não a forçaria a falar sobre o que está fazendo mal a ela. Hoje é a noite das garotas. Ao invés de nos deprimirmos, vamos beber, fofocar e falar mal dos seus maridos, enquanto eu fico sentindo inveja por não ter ninguém para eu reclamar. – Brinca Hillary, tentando tornar o ambiente menos pesado.

— Eu não quero estragar a noite de vocês. Talvez eu deva ir...

— Tudo bem. Vamos beber. – Felicity me interrompe, dando um sorriso compreensível. Aquele era sua forma de dizer que seguiríamos o plano de Hillary essa noite.

— Obrigada. – Agradeço, dando um fraco sorriso. No mesmo instante o garçom chega com as duas grandes canecas de cerveja que Hillary havia pedido. Encaro-a com um sinal de alerta. — Vai devagar. – Repreendo e ela dá de ombros, dando um gole generoso na bebida.

— Ai, que delícia! Vocês não imaginam o quanto eu estava precisando disso. – Comenta Hillary, assim que coloca sua caneca sobre a mesa. Ela pega uma batata frita que estava na mesa e sorri com satisfação.

— Você pode comer isso? – Pergunta Peggy, encarando-a com curiosidade. – Soube que modelos precisam seguir dietas pesadas para manter o peso. Não que você precise disso, já que irritantemente, você é extremamente magra e linda.

— Eu estou de férias por três meses. Por enquanto estou apenas fazendo ensaios fotográficos. E um dia só não vai me fazer explodir. – Responde Hillary, pegando mais uma batata frita. – Além disso, eu estou trabalhando muito mais em campo agora, então estou perdendo bastante energia. Não dá para fazer dieta quando se trabalha na S.H.I.E.L.D como agente de campo. O treino é pesado e o tempo para comer é quase mínimo.

— Você é cruel, Naty. – Brinca Felicity e eu acabo rindo, bebendo um pouco da minha cerveja.

— Você não imagina o quanto. – Respondo e nós quatro acabamos rindo. – Mas em minha defesa, são meus treinamentos pesados que a tornaram uma das melhores agentes da CIA.

— Isso é verdade. – Concorda Hillary, esbarrando o ombro de leve no meu.

— Sabe, eu estava com saudades de sair sozinha. Não me levem a mal. Eu amo meus filhos e meu marido. São as pessoas mais importantes da minha vida e quem eu mais amo, mas é cansativo cuidar de uma criança e dois adolescentes. Eu sinto como se eu estivesse sempre a ponto de me entregar de vez ao hospício. – Comenta Felicity, dando uma risada anasalada. Ela bebe um pouco de vinho e nos encara com um pequeno sorris nos lábios. – É bom ter um pouco de liberdade e sair às vezes para beber e encontrar as amigas.

— Eu entendo perfeitamente. – Fala Peggy, suspirando cansada. – Tudo bem que eu só os tenho como meus filhos há um mês, mas não é fácil cuidar de Liz, Alex e Kayla. Eles são crianças maravilhosas, mas eu sinto minhas energias se esgotando aos poucos, enquanto tenho que me dividir em cuidar deles e trabalhar. Steve me ajuda e muito, mas...

— Mas não é mesma coisa. No fim, quando as crianças estão doentes, somos nós que eles chamam. E somos nós quem coloca limites neles, já que nossos maridos querem fazer todas as vontades dos filhos. – Complementa Felicity e Peggy assente freneticamente.

— Ah, mas eles são tão fofos, que aposto que vocês acabam esquecendo de todo o trabalho que dão quando eles chamam por vocês. Mãe é uma palavra tão doce. Deve ser muito bom ser chamada assim. – Comenta Hillary, dando um sorriso sonhador.

— É incrível. – Concorda Peggy, sorrindo apaixonada. – Eu quase chorei quando Liz me chamou de mamãe. E me emocionei com a mesma intensidade quando Kayla e Alex me chamaram. Eu realmente amo ser mãe e amo mais ainda a pessoa que eles me tornaram.

— É inexplicável a força que eles me dão todos os dias. É como se... se eu me tornasse uma super mulher, que é capaz de enfrentar um urso apenas para salvar a vida deles. Tony, Mia e Will são os meus tesouros mais preciosos e eu... Naty? O que aconteceu? Por que está chorando? Está sentindo alguma dor? – Questiona Felicity, desesperada.

E somente nesse momento noto que as lágrimas desciam pelo meu rosto sem qualquer controle de minha parte. Felicity e Peggy me encaram com preocupação e choque. Eu não as culpava. Essa provavelmente é a primeira vez que elas me veem chorando.

Aqui estava mais um motivo que eu deveria ter evitado me encontrar com Felicity e Peggy. Eu não estava em condições para ouvir mulheres falando de seus filhos e todas as felicidades que eles trazem em suas vidas. Isso só me fazia lembrar que eu nunca mais teria meus filhos comigo.

— Naty, você quer ir para casa? Desculpa. Acho que forcei a barra. Pensei que te trazer para uma noite das garotas iria te animar. Sinto muito. – Lamenta Hillary, entregando-me um guardanapo para que eu limpasse as minhas lágrimas.

— E me animou. – Garanto, limpado meu rosto. Respiro fundo, tentando me controlar. – Eu só... desculpa. Eu estou bem. Não se preocupem comigo.

— Você não está bem, Natasha. Por que não nos conta o que está se passando com você? Falar vai te fazer bem. Eu garanto. – Promete Peggy, encarando-me com sinceridade.

— Se está preocupada com que a gente acabe contando para alguém, não se preocupe. Nós somos boas em guardar segredo. Pode confiar em nós. – Afirma Felicity, pegando em minhas mãos.

— Eu sei, mas... – Suspiro e bebo um pouco de cerveja. Eu estava tão esgotada que eu já não estava conseguindo suportar mais. Era como se a qualquer momento eu fosse vomitar. Eu me sentia presa, angustiada, sufocada.

— Naty, fala com a gente. Nós estamos afastadas dos outros clientes e ninguém ouvirá nossa conversa. Coloca para fora tudo o que você tem suportado sozinha todos esses anos. Nós iremos apenas te ouvir. Sem julgamentos ou interrupções. Eu prometo. – Fala Hillary, dando um sorriso encorajador, enquanto me abraça de lateral.

Encaro cada uma das meninas e elas assentem, concordando. Observo o lugar em que estávamos. Hillary tinha razão. Os clientes mais próximos de nós estavam há pelo menos três mesas de distância de nós. O pub estava com um movimento mais calmo e os garçons quase não passavam pelo local em que estávamos sentadas. E eu realmente sentia que estava na hora de colocar tudo o que eu guardava desde que eu conheci Clint para fora. Por isso, suspiro e assinto, concordando.

— Tudo começou vinte anos atrás, quando eu conheci Clint em Budapeste. Eu vivia para conquistar o sucesso em minhas missões. Meu mundo era limitado e acinzentado, completamente sem vida. Clint trouxe cores em minha vida e abriu as portas de minha mente para enxergar detalhes que nunca havia notado antes.

“E eu acabei me sentindo mexia por sua forte presença. Sua inteligência me intrigava. Sua beleza me atraia. Sua personalidade excêntrica era capaz de me arrancar sorrisos com a mesma facilidade que conseguia me tirar do sério. E isso me assustou. Eu era uma assassina que fez parte do Tentáculo desde que era criança e depois me tornei uma agente da CIA. Eu fui treinada para nunca me apaixonar ou me deixar levar pelas emoções.

Então, durante os cinco anos seguintes, eu passei a evitá-lo. Isso era fácil, uma vez que ele estava sempre viajando ou cuidando dos sobrinhos. Mas não importava quanto tempo passasse, eu sempre voltava a pensar em Clint e a imaginar como seria se eu tivesse aceitado sair com ele logo depois que nós solucionamos com méritos a nossa terceira missão.

Em meio a muitos desencontros, nós voltamos a trabalhar juntos em um caso de um serial killer. Ao término da missão, Clint voltou a me chamar para sair. Dessa vez eu aceitei, ainda que soubesse que era loucura. Eu disse para mim mesma que era apenas um encontro, então não tinha problema algum eu concordar.

Nós sairíamos e colocaríamos um ponto final nessa loucura que eu estava prestes a fazer. No entanto, eu convenci a mim mesma que essa era a chance que eu conquistei de finalmente me livrar daquele arrependimento que eu sentia por ter recusado seu convite cinco anos antes e quem sabe, com sorte, os meus sentimentos por ele.

Clint me levou ao Capitão Ron e me fez ter o encontro mais divertido da minha vida. Ele era engraçado e sabia como fazer a conversa fluir. Depois de comermos, ele me levou ao parque Rhodius Jam. Em frente ao cais, diante de uma linda lua cheia, ele me beijou e eu soube que o amava. Aquilo me assustou de maneira inexplicável.

Mas a intensidade de meus sentimentos ficou ainda mais evidente quando naquela mesma noite nós fizemos amor pela primeira vez. Foi tudo tão mágico e surreal. Eu nunca senti nada parecido com o que compartilhamos naquela noite. Clint me completava. Éramos perfeitamente compatíveis. Física e mentalmente. No entanto, eu era covarde demais para aceitar que eu não era um robô sem sentimentos que eu achei que fosse.

Temendo pelo poder daquele amor imensurável e com a ficha caindo de que nós nunca daríamos certo junto, eu fugi pela manhã. Naquela época, eu acreditava que o amor era uma fraqueza. Eu cresci ouvindo criminosos dizerem que sentimentos nos tornavam incompetentes e que isso só servia para nos atrapalhar.

O que eu não esperava era que apenas aquela vez fosse o bastante para que eu acabasse engravidando. E novamente foi como se o mundo inteiro tivesse caído sobre a minha cabeça. Eu não podia estar grávida. Não podia ter filhos sendo uma agente da CIA cuja a lista de inimigos daria pelo menos umas seis páginas completas.

A situação não melhorava ao pensar na situação de Clint. Ele sempre teve muitos admiradores e ainda mais inimigos. Por causa disso, sua família estava constantemente sendo atacada. Clint conseguia os defender na maioria das vezes, mas para garantir que seus sobrinhos nunca parassem nas mãos de seus inimigos, passou a treiná-los para enfrentar qualquer tipo de enrascada.

Eu não queria essa vida para meus filhos. Não queria que eles se tornassem alvos e precisassem ficar mudando de casa constantemente para garantir sua segurança. Eu queria que eles tivessem uma vida normal, sem qualquer estresse. Eles mereciam ter a vida que Clint e eu nunca teríamos.

Por causa disso, escondi a gravidez de Clint e me envolvi com o desgraçado do Alexi Shostakov. Ele dizia ser agente da KGB e parecia me amar. Então, tomada pelo desespero, dormi com ele e depois disse que ele era o pai das crianças. Achei que ele pudesse ser a chance das crianças de terem uma vida normal. E ele não poderia ter ficado mais feliz. Assim, eu o apresentei a Clint como meu noivo e futuro pai das crianças que eu esperava. E sim, eu estava grávida de gêmeos”. – Paro de narrar a história ao ver as expressões surpresas de minhas amigas. Bebo um pouco de minha cerveja e suspiro. – Clint me alertou para não confiar em Alexi. Que ele era um homem perigoso e que poderia me fazer muito mais. Mas é claro que eu não dei ouvidos.

“Lila e Cooper nasceram e eu decidi que para a segurança deles, era melhor não termos muito contato, por isso, eu os escondi na pequena cidade de Barnaul na Rússia. Um ano depois, Clint apareceu e encontrou as crianças pela primeira vez. As crianças o amaram instantaneamente. Era como se eles sentissem que ele era o pai delas. Alexi também percebeu isso.

Quando nós tivemos que voltar para Hawkins, ele passou a me pressionar pelo nosso casamento. Ele sabia que eu jamais o amaria, que Clint sempre seria o dono do meu coração. E foi por isso que eu decidi terminar com ele. O grande problema é que ele não aceitou muito bem. Ele passou a ficar mais violento e meu orgulho me impedia de ajuda. E eu continuava a me submeter a certos tipos de situações, temendo que as crianças acabassem sofrendo agressões nos surtos psicóticos de Alexi.

Mas, como sempre, Clint via muito além das aparências. Ele desconfiou do meu comportamento e do de Alexi. Como fazia questão de acompanhar a vida das crianças, ele estava sempre atento aos detalhes. Por isso não foi tão surpreendente assim quando Clint conseguiu provas que comprovassem que Alexi estava envolvido com a HYDRA.

Ele foi preso, jurando que um dia iria se vingar de Clint e de mim. Depois de suportar três anos ao lado de Alexi, eu finalmente estava livre dele. No entanto, eu não conseguia me sentir segura. Eu temia pela vida das crianças. E se eu não fosse capaz de protegê-las? E se as pessoas descobrissem que eles eram meus filhos e de Clint? Isso seria muito perigoso para eles que eram apenas bebês.

Então, para protegê-los, eu pedi para que Clint conseguisse que Lila e Cooper ficassem sobre os cuidados do orfanato que Clint e Felicity viveram. Assim, ninguém desconfiaria quando fossemos visitá-los e era o lugar que teoricamente era o mais seguro da cidade. Foi então que Clint e eu começamos a nos aproximar.

E foi então que onze anos atrás eu fui oficialmente apresentada a família Barton como namorada de Clint. O ano que se seguiu foi o melhor da minha vida. Ainda que escondido de nossos amigos e família, passávamos o fim de semana com as crianças e quando eu menos percebi, eu estava morando na casa de Clint, planejando o nosso casamento e a como deveríamos contar para a nossa família sobre o nosso desejo de adotar Lila e Cooper. Seria o nosso final feliz perfeito.

Mas então, Alexi conseguiu fugir da prisão com a ajuda da HYDRA. Alexi sabia que Clint levava a família muito a sério e a responsabilidade pelas crianças com ainda mais intensidade. Foi por isso que ele aproveitou para sequestrar Ben, que tinha apenas seis anos, e o usou de isca para atrair Clint e o afastar de mim.

Enquanto Clint procurava por Ben, Alexi conseguiu me pegar em um momento de fraqueza e me drogou. Depois disso, ele passou a me espancar, descontando toda a fúria dele por eu ter escondido que Lila e Cooper não eram filhos dele. Mas o que eu não sabia era que estava grávida de Clint mais uma vez e que todos os golpes de Alexi foram o bastante para me fazer o perder.

Como se não bastasse, Alexi foi até o orfanato e matou as crianças de forma cruel. Quando Clint chegou para conferir se nossos filhos estavam bem, já era tarde demais. Os dois já estavam sem vida. Ao ir ao hospital, eu tive a notícia sobre a perda do bebê que eu não sabia que esperava. Aquele foi um golpe muito doloroso para mim. Em uma noite apenas eu perdi três filhos. Unindo isso ao fato de que Sara havia entrado para a S.H.I.E.L.D e que precisava de mim, eu fui embora sem me despedir de Clint e nem das crianças. Eu simplesmente não conseguiria dizer adeus.

Mas eu não conseguia mais ficar e lembrar que a culpa de tudo o que aconteceu havia sido minha. Se eu não tivesse sido tão covarde, meus filhos poderiam ainda estar comigo. Por minha causa, Clint passou a carregar a culpa da morte das crianças, que se tornou um tópico proibido para nós dois. E assim, covardemente eu fui embora e evitei Clint por dez anos. Achei que meus sentimentos por ele mudariam, mas mais uma vez eu estava completamente enganada.

Desde que voltamos a trabalhar juntos, eu tenho experimentado aquele frio na barriga com ainda mais intensidade. Mas hoje... hoje ele me beijou e eu não soube como lidar com isso mais uma vez. Eu estou com medo de me machucar de novo. Alexi e Taskmaster estão de volta e querem as nossas cabeças. É óbvio que é uma má ideia voltarmos a nos envolver. Mas... como faço para convencer meu coração de que eu não deveria o amar tão intensamente?” – Questiono e vejo que as garotas continuavam sem reação. O que era bem natural, tendo em vista a quantidade de informações que eu havia jogado para cima delas.

— Eu... uau. Eu nem mesmo sei o que dizer. – Comenta Hillary, atordoada.

— Eu sinto muito pelas suas perdas, Naty. Eu nem consigo imaginar a dor que você deve ter sentido e ainda sente. – Lamenta Felicity com lágrimas nos olhos. Assinto, porque de todas, ela era a que provavelmente mais entendia a minha dor.

— Obrigada. – Agradeço, tentando controlar em vão as lágrimas que desciam pelo meu rosto. Nesse momento, vejo Clint se aproximar de nós. Prendo minha respiração, sem saber o que esperar.

Notas finais
Família Cupcake 2.0: https://chat.whatsapp.com/BbOG6KJnuHy2dQIs1sC9Ss Cupcakes da Lara: https://www.facebook.com/groups/677328449023646 Instagram: @_cupcakesdalara