Notas iniciais
Oii Cupcakes ♥! E aqui estou eu com mais um capítulo. Espero que todos que estão acompanhando estejam gostando. E quero agradecer a AndreaNeves pelo comentário no capítulo passado. Obrigada por todo o carinho. Eu espero de verdade que goste desse capítulo. Boa leitura...

ROMANCES MENSAIS

LIVRO XII – MISTÉRIOS DE DEZEMBRO

CAPÍTULO II — BALBÚRDIA

Estaciono o carro em frente à mansão que um dia jurei nunca mais voltar a pisar, sentindo meu coração bater descompassado. Carros de polícias e bombeiros cercavam o perímetro. Vejo a equipe do IML adentrar o local e isso é o bastante para me fazer descer do carro e correr para dentro daquele lugar que um dia já foi o meu lar.

Como agente da CIA há vinte anos e com uma grande experiência na guerra, eu já havia presenciado muitos cenários melancólicos, mas ver tantos rostos conhecidos por mim chorando em desespero pela morte que presenciaram enquanto eram interrogados pelos detetives que investigavam o crime que marcou o aniversário de meu antigo amor era um golpe pelo qual eu não estava preparada para lidar.

— Naty! – Hillary é a primeira a me encontrar. Seu rosto estava manchado pelas lágrimas e eu sentia toda a dor presente em seus olhos negros. Ela me abraça apertado, como se procurasse algum consolo. Correspondo no mesmo instante.

— O que aconteceu, Hills? – Pergunto com suavidade, temendo saber a resposta que viria da agente.

— O agente Fury não te contou? – Indaga Hillary, afastando-se o suficiente para me encarar.

— Não. – Nego, suspirando. – Tudo o que ele me disse era que eu precisava vir urgente para a mansão de Clint, porque havia ocorrido um assassinato. Depois disso houve muita gritaria e choro. Fiquei desesperada e vim correndo para cá.

— Tudo aconteceu tão rápido que é difícil de explicar. Uma hora estávamos todos ouvindo o discurso de Clint. Eu estava indo em direção ao depósito para trocar o meu vestido quando as luzes se apagaram e um tiro foi disparado. Quando as luzes voltaram a se acender, por alguns instantes, todos acharam que tudo fazia parte do show, mas assim que vimos o desespero de Clint ao ordenar que fechassem as saídas e pegassem o assassino.

— Então... Clint está bem? – Questiono e Hillary assente. Isso é o bastante para acalmar meu coração agitado e minha mente que não parava de criar possibilidades assustadoras. A simples ideia de Clint ter sido a vítima tinha me levado a cometer inúmeras infrações e a ignorar todos os códigos de segurança da CIA, algo que eu nunca havia feito antes. – Mas... se o Clint não é a vítima, quem foi assassinado?

— Vem comigo. – Pede a jovem, puxando-me pela mão. Ela ainda parecia abalada e seu suspense estava começando a me deixar apreensiva de novo.

Ainda que estivesse preocupada, não consigo deixar de reviver algumas lembranças enquanto era guiada pela mansão de Clint. O lugar estava decorado de forma a parecer um daqueles cenários de suspense que vemos em filmes de investigação. O clima era igualmente sombrio e deprimente. No entanto, a situação se tornou ainda pior quando alcançamos o salão principal, onde havia um palco no centro.

Reconheço meus sobrinhos de coração, chorando e em completo desespero abraçados uns aos outros, enquanto encaravam o corpo estirado no chão. Clint não estava muito melhor. Coberto de sangue, ele estava debruçado sobre a vítima e era possível ouvir seu choro agonizante. E como se toda a cena não fosse o bastante para me destruir, o que veio a seguir me fez perder o chão por completo.

Bernard Hanks. O homem que cuidou de Clint copiosamente durante anos. Que dedicou boa parte de sua vida a garantir a segurança da família Barton e o bem-estar de seu patrão. O idoso que sempre encarou Clint como um filho e como um herói, agora se encontrava deitado sobre o palco, pálido e sem vida. Seu sangue manchava o lugar e machucava o coração de quem o conhecia e o estimava.

— Natasha. – Ouço a voz de Fury, mas eu estava paralisada. Não conseguia ter qualquer reação. O homem coloca a mão sobre o meu ombro e eu o encaro, ainda perdida sobre meus sentimentos. – Eu... eu lamento muito. Sei o quanto gostava de Bernard Hanks. Então...

— Com licença. – Peço, afastando-me de Fury. Eu não conseguia nem mesmo raciocinar. Fury me chama e parece querer vir atrás de mim, mas Hillary o detém. A agente deveria saber que eu precisava de um momento.

Com passos apressados, aproximo-me do palco e nesse instante, o rosto de Clint se ergue. Estava manchado de lágrimas e sangue. A dor presente em seus olhos me destrói. Seu choro parece prender na garganta. Ele se levanta e tudo parece parar ao nosso redor. Era o nosso primeiro encontro em dez anos e é como se a caixa de Pandora de todos aqueles sentimentos que eu vinha mantendo presos em um cofre a sete chaves tivesse sido aberta e eu não conseguisse mais controlar.

Clint limpa o rosto e me analisa, exatamente como sempre faz quando conhece alguém. Ele busca detalhes, faz a leitura de quem eu sou. E por algum motivo, sua reação me machuca. É como se eu tivesse voltado a ser apenas uma desconhecida. Ao mesmo tempo, isso não fazia sentido. A decisão de ir embora tinha sido minha. Fui eu quem deixou nossos sonhos e momentos para trás, que desistiu de nosso futuro.

— Natasha Romanoff. – As palavras veem recheadas de mágoa e dor. Isso me faz paralisar por alguns instantes. Ele dá uma risada amargurada e suspira, desviando o olhar. – Então foi preciso que alguém morresse para você voltar a aparecer.

— Clint, por favor. Não é hora para isso. – Peço e ele dá uma risada anasalada, como se não acreditasse em minhas palavras.

— Eu apenas acho irônico o fato de você ter me ignorado por dez anos, dizendo que eu deveria esquecer que um dia nos conhecemos, para aparecer cinco minutos depois de uma ligação de Fury só por pensar que eu poderia ter sido a vítima. – Ironiza Clint. Ele estava magoado e usava as palavras ferinas para me machucar.

— Tio Clint. – Sara coloca a mão sobre o ombro do tio e o encara com apreensão. Ela também estava chorando. – Não faz isso.

Clint encara cada um de seus sobrinhos. Todos estavam bastante abalados. Era a primeira vez em dez anos que todos estavam reunidos. Eu não queria causar ainda mais sofrimento aos jovens que eu tenho como meus filhos. E eu sabia que a grosseria de Clint era a sua forma de extravasar a dor que sentia pela perda do homem que era como um pai para ele. Bernard provavelmente era a única pessoa em quem Clint confiava para revelar seus verdadeiros sentimentos e agora ele está morto.

— Fury, Shawn vai realizar a autópsia de Bernard. – Grita Clint, surpreendendo tanto a meu chefe quanto a todos a sua volta pela mudança de assunto.

— Clint... – Fury suspira e se aproxima com Hillary. – Eu já disse que nós podemos cuidar disso.

— Não é assim que as coisas funcionam comigo, Fury. E você sabe disso. – Responde Clint de forma intimidante. – Bernard morreu para me proteger. Eu era o alvo desse ataque. E eu quero respostas. Nós dois sabemos que a CIA está tão infectada pelos homens da HYDRA quanto o FBI. Quero alguém de confiança para me dar pistas.

— Você não pode assumir esse caso, Clint. – Repreendo o homem, sabendo exatamente onde ele queria chegar.

— E por que não? – Questiona, alterado.

— Porque você está envolvido emocionalmente e é um civil. Te colocar no caso é ir contra todos os protocolos da CIA. Isso não vai...

— Ah! Faça-me o favor, Natasha! – Exclama Clint, irado. – Desde quando eu sigo protocolos? Você me conhece há muito tempo para isso.

— Você está nervoso, Clint. Perdendo a cabeça. E nada acaba bem quando você perde o controle. Não posso deixar que atrapalhe a investigação por causa da sua fúria. – Respondo, aproximando-me de Clint. Ele tinha razão. Eu o conhecia bem o suficiente para saber o quanto ele poderia ser perigoso quando movido pela fúria. Paro de frente para ele e o encaro com intensidade. – Por favor, me deixa cuidar disso. Eu vou descobrir quem matou o Bernard. Eu juro.

— Isso não está em discussão, Natasha. – Responde o homem um pouco mais calmo. Ele suspira e encara o corpo de Bernard. — A pessoa que matou Bernard foi capaz de invadir o sistema de segurança da mansão. Alguém que conhecia bem os pontos cegos de minhas barreiras. Essa é uma briga pessoal, que eu não vou deixar para outros cuidarem.

— Você acha que o Aaron está envolvido com isso, tio Clint? – Pergunta Oliver com a voz carregada de raiva.

Aaron Moon. Um dos sobrinhos mais velhos de Clint e uma das crianças com a qual eu mais me identificava. A raiva em seus olhos sempre lembrava a mim mesma quando criança. Infelizmente, Aaron foi pelo pior caminho. Se envolveu com a HYDRA, a maior organização criminosa do mundo, e desde então suas ações só tem piorado.

— É possível. Ele fugiu da prisão mês passado. As coisas estão uma loucura desde então. – Comenta Sara, cruzando os braços.

— Aaron está com raiva de nós, então não seria tão difícil assim ele querer se vingar de nós. – Relembra Austin, encarando os punhos com seriedade. Aaron é seu irmão mais velho, então ele deveria estar se sentindo incomodado com a possibilidade.

— Isso é bem a cara daquele maldito. – Resmunga Damon com fúria. Ele e Aaron nunca se deram muito bem.

— Acalmem-se. Não há nenhuma certeza de que Aaron tenha assassinado o Bernard. – Respondo, tentando controlar os ânimos.

— Como não, tia Tasha? Assim como nós, Aaron sabe exatamente como funciona o sistema de segurança da mansão. Sara mesmo disse que ele fugiu da prisão mês passado. – Pontua Sam, demonstrando toda a sua ira em sua voz.

— E não podemos nos esquecer que da última vez que nós o vimos, ele estava furioso com a gente. – Comenta Thea, cruzando os braços.

— Não seria a primeira vez que Aaron agiria contra nós, de qualquer forma. – Afirma Ben, parecendo magoado com a constatação.

— Ele definitivamente seria capaz de matar o tio Clint para se vingar de sua prisão. – Afirma Nancy, passando a mão pelo rosto. – Além disso, não podemos nos esquecer que assim como nós, ele sabe como matar uma pessoa. Não seria tão difícil para ele fazer isso.

— Aquele maldito! – Resmunga Barry, cerrando os punhos. – Se eu encontrar com esse desgraçado, eu vou ter o prazer de acabar com aquela cara ridícula dele.

— Não se eu fizer isso primeiro. – Responde Elena com um tom de voz que me causava preocupação.

— O que você acha, tio Clint? Aaron poderia mesmo ter feito isso? Quer dizer, eu sei que ele não presta e que já fez muitas coisas ruins, mas você era a única pessoa que ele respeitava e obedecia. Não sei se ele seria capaz de tentar matar você. – Comenta Beth, parecendo indecisa.

— Por que você continua defendendo o Aaron? Quando vai perceber que ele não é mais o nosso primo? – Pergunta Damon, irritado.

— Eu não estou defendendo o Aaron. Eu apenas acho que devemos pensar com cautela. Estamos falando de assassinato. Essa é uma acusação muito séria. – Retruca Beth, cruzando os braços.

E não demora muito para que uma discussão entre os sobrinhos de Clint se iniciasse. Beth parecia ser a única a cogitar que Aaron poderia não ter tentado assassinar o tio. Os outros tinham a certeza do envolvimento do rapaz. Clint permanece distante, olhando toda a cena do crime, ignorando completamente a briga que estava começando a perder o controle.

— Muito bem! Já chega! Todos vocês fiquem calmos. Gritar uns com os outros não vai ajudar em nada. – Interrompo os onzes jovens que gritavam a todo pulmão. Todos se calam. Fury e Hillary se aproximam mais, mas pareciam esperar por uma reação de Clint. Provavelmente já haviam notado que ele havia entrado no modo investigativo. – Não sabemos o que aconteceu. É necessária uma investigação para termos certeza se Aaron participou ou não do crime. Então parem já com o show e esfriem suas cabeças. Vocês foram treinados para manterem a calma em momentos de tensão. Usem os conhecimentos de vocês!

— Aaron não matou o Bernard. – Afirma Clint, finalmente se pronunciando. Ele se abaixa ao lado do corpo de seu mordomo e suspira. Todos o encaram com seriedade. Ele se levanta e encara um local no alto. – Mas eu já tenho uma ideia de quem possa ser o mandante.

— Quem? – Pergunto, encarando Clint com curiosidade.

— Taskmaster. – Responde Clint, colocando as mãos nos bolsos de seu casaco, enquanto me lança um olhar sério.

— Merda! Eu sabia que ele estava aprontando alguma coisa. – Sussurro, sentindo aquela raiva esmagadora comprimir o meu peito.

— E a pessoa que está o ajudando provavelmente é um velho conhecido nosso que fugiu da prisão alguns meses atrás. – Complementa Clint, encarando Fury.

— Alexi Shostakov. – Responde meu chefe com a voz carregada de rancor.

— Quem é Alexi Shostakov? – Pergunta Oliver com curiosidade.

— Ex-namorado de tia Tasha e um grande inimigo de tio Clint. Ele nunca aceitou que tia Tasha não o escolheu e jurou um dia voltar para se vingar, depois que ele foi preso por uma resolução de caso do tio Clint. – Conta Sara e eu lanço um olhar de repreensão. Mas é tarde demais para se voltar atrás. – Ele fugiu da prisão no início de setembro e até hoje não descobrimos como, porque as câmeras de segurança da prisão foram desativas durante a sua fuga. Desde então temos o procurado, mas ninguém faz ideia de onde ele está.

— Eu nunca ouvi falar nesse tal de Alexi. Por que nunca nos contou sobre ele, tia Tasha? – Pergunta Austin com curiosidade.

— Não era alguém que se valia a pena falar. – Respondo, incomodada por me lembrar do homem que tornou a minha vida um inferno.

— Ele é a pessoa que você tinha comentado que estava foragido quando Felicity e eu precisamos da sua ajuda para encontrar Tony? – Pergunta Oliver e eu assinto, concordando.

— De qualquer forma, se ele está mesmo por trás disso, nós definitivamente o encontraremos. – Afirmo, confiante. – Como ele não conseguiu o objetivo dele de matar Clint, tenho certeza de que ele vai voltar a aparecer e na próxima nós o pegaremos.

— Esse ataque não foi uma tentativa de assassinato. Foi um aviso. – Explica Clint, puxando o celular do bolso.

— Aviso? – Repito, ainda tentando entender a linha de raciocínio de Clint. No entanto, não estava realmente surpresa com o suposto envolvimento de Taskmaster. Ele sempre teve uma espécie de obsessão por Clint, como diziam os membros da HYDRA sempre nos contavam quando eram interrogados. – Por que acha que isso é um aviso e não uma tentativa de homicídio?

— Bom, como nos velhos tempos, eu vou provar para você que eu estou certo. – Responde Clint, levando o celular ao ouvido. Seus olhos estavam sombrios e o corpo estava tenso. A seriedade amedrontadora de Clint raramente aparece, mas quando isso ocorre, nunca é um bom sinal para seus inimigos. Troco olhares com Hillary e Fury. Assim como eu, eles pareciam preocupados e provavelmente sabiam que essa história estava longe chegar ao fim. – Shawn, preciso de você aqui no palco. Eu tenho uma missão para você.

Ele desliga o celular e encara os sobrinhos da mesma forma que fazia quando as crianças estavam em treinamento. E como há dez anos atrás, todos assumem uma postura séria e se recompõem. As lágrimas são limpas de seus rostos, a coluna se ereta e todos se colocam a postos.

— Escutem todos. Nós estamos em uma missão a partir de agora. Durante anos, eu os preparei para o momento em que eu teria que lidar com o meu passado. Eu tinha ciência de que todos saberiam que vocês eram o meu ponto fraco no momento em que criei a família Barton. E o momento chegou. Meus inimigos não irão descansar até terem a minha cabeça. A partir de agora, eles provavelmente irão atrás de vocês para os usarem como uma moeda de troca ou fazer alguma chantagem. – Explica Clint, andando pelo palco de um lado para o outro.

Até que ele para e começa a bater o pé, como se quisesse confirmar alguma coisa. Clint se abaixa e parece encontrar um fundo falso. Ele puxa a madeira que tampava o fundo e puxa uma espécie de relógio antigo e um envelope vermelho.

— Eu estou aqui, Clint. – Anuncia um rapaz, aparecendo de repente. Levo minha mão ao peito, assustada pela aparição inesperada.

— Ótimo. Quero que faça a autópsia do corpo de Bernard. – Responde Clint, encarando o rapaz com seriedade.

— Clint, nós já falamos sobre isso. Eu sou um cientista, mas não sou legista. – Resmunga o rapaz, aproximando-se de Clint.

— Eu preciso de urgência, Shawn. Uma das pessoas que eu mais amava e admirava acabou de morrer por minha culpa. – O tom de voz de Clint era doloroso. – Por favor. Eu estou te implorando. Examine a bala que atingiu Bernard. Eu tenho certeza de que ela me dará algumas respostas.

— Você vai ficar me devendo uma. – Responde Shawn, suspirando. Ele então se vira para Bernard e posso ver a tristeza em seus olhos. – Certo. Eu preciso de um laboratório para realizar a autópsia.

— Você pode usar o laboratório do Departamento de Polícia de Hawkins. – Recomenda Barry, encarando o homem com seriedade. – Eu trabalho na Divisão de Ciências Criminais e Forense e tenho acesso ao laboratório onde realizamos as autópsias especiais. Tenho certeza de que o tio Hopper não se incomodaria em nos deixar usar o laboratório. Eu também tenho alguma experiência em autópsia. Posso ajudar você se quiser.

Shawn parece em dúvida sobre a proposta de Barry e encara Clint, como se pedisse a bênção do homem para ter a ajuda do jovem. No entanto, demora um tempo para Clint desviar o olhar dos objetos que encontrou para encarar o cientista.

— Cait e Barry vão com você. Eles são excelentes cientistas. Podem ajudar a agilizar o processo de análise. Vocês terão três horas para me darem um laudo detalhado. – Responde Clint e Barry arfa.

— Isso é pouco tempo, tio Clint. Para se realizar uma autópsia mais detalhada nós precisamos de pelo menos quatro horas. – Argumenta Barry, mas Clint parece irredutível.

— Três horas, Barry. Nada além disso. – Retruca Clint, abrindo a carta que encontrou. – Agora vá falar com o meu irmão e diga que precisamos de urgência para usar a delegacia.

— Está bem, tio Clint. – Responde Barry, suspirando.

Antes de sair em busca de seu chefe, que coincidentemente é o irmão mais velho de Clint e pai de Eleven e Sara, ele encara Bernard com os olhos cheios de lágrimas, dor e tristeza. Primeiro foi Kyle Puckett, o pai de Sam e Beth, que acabou sendo assassinado pelo próprio cunhado e agora lidamos com a perda de um dos homens mais educados e leais que eu conheci. Era difícil de aceitar que essa fosse a segunda morte na família em menos de seis meses. Não tem sido fácil lidar com o luto.

— Fury, chame seus homens para levar o corpo de Bernard para lá. – Orienta Clint, encarando o meu chefe dessa vez.

— Tudo bem. Hillary, cuide disso. – Pede Fury a jovem que estava ao seu lado, que parece surpresa, mas assente.

— Está bem. – Concorda a garota de longos cabelos pretos, afastando-se de nós. Nesse mesmo momento, Fury volta a sua atenção para Clint.

— Mas o que é isso, Clint? – Pergunta Fury com curiosidade. – O que tem dentro desse envelope e o que significa esse relógio?

— Essas são as provas que vocês queriam que revelam que Taskmaster está por trás desse ataque. – Responde Clint, entregando-me o relógio. Ele retira um papel do envelope e suspira. – Tic toc, o tempo está passando. A cada trinta e nove graus que se passam, você ganha setenta e seis minutos e sessenta e nove segundos, mas a cada oitenta e seis graus perdidos, você ganha dezessete minutos e setenta segundos para encontrar um novo sacrifício. Mas cuidado! O tempo é precioso. Se procurar na balbúrdia errada, seu guerreiro carvoeiro irá escapar. Para isso, não se esqueça dos dias sombrios. Estou ansioso por nosso lendário reencontro. Não me deixe entediado e não me faça esperar demais. Atenciosamente, T.

— O que... o que significa isso? Eu não entendi nada. – Afirma Fury, confuso. – O que isso deveria significar?

— Steve nos informou que se encontrou com o Taskmaster um pouco antes de retornar para Hawkins. – Relembra Sara, pensativa. – Ele disse algo sobre iniciar um jogo. Quais foram as palavras certas usadas.

— Disse que em breve, ele e Clint finalmente terão a batalha final e que ele está esperando o adversário digno do jogo que iniciaram há vinte anos – Respondo e ela assente, concordando.

— Isso! Talvez essa mensagem seja um enigma sobre o próximo desafio do jogo. – Sugere Sara e todos parecem concordar com essa possibilidade.

— Essa mensagem é tão confusa. – Comenta Oliver, pensativo. Ele se vira para Damon com esperança. – Você que é boa em enigmas, conseguiu entender o que essa mensagem queria dizer?

— Não. Eu... eu não consegui entender o que essa carta diz. – Responde Damon, confuso com a mensagem nada fácil de entender de Taskmaster.

— Ele passou as coordenadas do lugar que ele quer que eu vá. Latitude de trinta e nove graus, setenta e seis minutos e sessenta e nove segundos e altitude de oitenta e seis graus perdidos, dezessete minutos e setenta segundos. – Responde Clint e novamente nos surpreendemos.

— E você sabe onde é essa localização exatamente? – Questiono com curiosidade.

— Penitenciária de Segurança Máxima de Hawkins. – Revela Clint e eu me surpreendo ainda mais com a sua genialidade e a possibilidade de o próximo lugar que iremos visitar seria uma penitenciária.

Antes que Clint continuasse a sua explicação, a equipe de necrópsia da CIA aparece com Hillary. Durante os minutos que se procederam foi de muita melancolia e dor. Assistimos o corpo de Bernard ser colocado em uma maca e ser levado em direção a ambulância que esperava do lado de fora da mansão. Cait, Barry e Shawn se despedem de Clint e seguem para o Departamento de Polícia de Hawkins para realizar a autópsia.

— Clint, você tem certeza de que o bilhete fala sobre a penitenciária de segurança máxima da cidade? – Questiona Fury, assim que Bernard é levado para o laboratório da polícia.

— Sim. Eu tenho. E também sei quem eu vou encontrar por lá. – Responde Clint com a voz mais grave que o normal.

— Quem nós da CIA vamos encontrar? – Corrijo a expressão de Clint com seriedade, deixando claro que eu ainda não concordava com a participação dele no caso. Ele bufa, irritado.

— Eu irei, Natasha. Você pode até querer colocar a CIA nas investigações, mas eu não vou abrir mão dos meus planos. – Responde Clint, irritado.

— Mas...

— Quem vocês planejam encontrar por lá quando forem visitar, Clint? Porque essa penitenciaria tem mais de dez mil pessoas. Ou você está pensando em visitar um por um até encontrar a pessoa que quer e que você nem faz ideia de quem seja? – Questiona Fury, interrompendo-me. Ao contrário de mim, ele já parecia ter aceitado que Clint assumiria o caso.

— Esse relógio não veio apenas por coincidência. Ele se chama 2lmx, desenhado e produzido por Arnaud Tellier, ex-diretor do Museu de Genebra. Pelo cristal você enxerga as horas e também parte do mecanismo, totalmente redesenhado e diferente dos tradicionais, geralmente escondido atrás de painéis onde os números são impressos. No caso do 2lmx, os números estão em 6 pequenos cilindros e o mecanismo de 337 partes segue uma lógica diferente e única. – Conta Clint e todos continuam a o encarar confuso.

— E o que isso quer dizer, exatamente? – Pergunta Hillary com cautela. Clint desvia o olhar do relógio para encarar Hillary com seriedade.

— A montagem final desse relógio é feita a mão e cada um leva cerca de mil horas para ser produzido. Por causa disso, todos os anos, são construídos apenas cinco exemplares desta obra prima, elaborada com materiais como titânio, ouro branco e platina. Essa fabricação ocorre nas indústrias Brenner. – Explica Clint, parecendo organizar os pensamentos. – No recado, o Taskmaster falou que se procurarmos na balbúrdia errada, seu guerreiro carvoeiro irá escapar e que devemos nos lembrar dos dias sombrios. Brenner é um nome de origem Teutônico que significa "Carvoeiro”.

“E esse nome me fez lembrar de um certo alguém que se chama Martin, cuja origem é do latim Martinus, nome romano derivado do deus romano da guerra, Marte, equivalente ao deus grego Ares. Em outras palavras, Martin significa guerreiro. E o relógio está parado no horário de três horas.

Isso me leva a crer que devemos encontrar o dr. Martin Brenner na Penitenciária de Segurança Máxima de Hawkins às três horas da tarde amanhã. Ele também é conhecido por ter realizados testes de medicamento em sua própria filha, Jane, no Hawkins National Laboratory.” – A revelação pega a todos de surpresa.

— Você está me dizendo que teremos que lidar com o desgraçado que causou todos os traumas em Eleven? – Pergunta Sara, parecendo furiosa. – Isso só pode ser brincadeira. Minha irmã não merece passar por isso de novo. Eu pensei que esse maldito já estivesse morto!

— De qualquer forma, é melhor você se preparar, agente Romanoff. Você vai ter que me aguentar por muito tempo ao meu lado, afinal, nós estamos prestes a participar de um jogo. E você sabe. Eu nunca jogo para perder. – Responde Clint, dando um sorriso convencido.

Suspiro, nada satisfeita com a situação. Meu coração me dizia que se eu quisesse continuar mantendo a minha promessa, eu precisava ficar o mais longe possível dele. Porque eu sentia que apesar de terem se passados dez anos desde a última vez que nos encontramos, eu não sei se sou capaz de controlar as minhas ações quando estiver às sós com Clint.

Notas finais
2lmx: https://i.pinimg.com/564x/3c/08/94/3c089491b5f3c726bc7d66bb06680266.jpg oOo Família Cupcake 2.0: https://chat.whatsapp.com/BbOG6KJnuHy2dQIs1sC9Ss Cupcakes da Lara: https://www.facebook.com/groups/677328449023646 Instagram: @_cupcakesdalara