Notas iniciais
Oii Cupcakes ♥! Mais um capítulo para vocês. Hoje eu resolvi deixar as coisas um pouco mais tranquilas. Espero de verdade que vocês gostem. Eu quero agradecer demais pelo comentário no capítulo passado da AndreaNeves. Você é incrível. Obrigada pelo carinho. Boa leitura...

ROMANCES MENSAIS

LIVRO XII – MISTÉRIOS DE DEZEMBRO

CAPÍTULO III — CULPA

— São quase seis horas da manhã, Clint. Isso não é hora de estar bebendo.

Viro-me para encontrar Mon-El Mike Matthews parado ao lado de sua noiva, Kara Danvers, encarando-me com repreensão. Coloco o copo de whisky sobre o balcão do bar onde eu estava com os cotovelos apoiado e dou uma risada anasalada.

— Desde quando isso me impediu de beber? – Pergunto e ele suspira, colocando o capacete sobre o balcão. Mon-El e Kara retiram os grossos casacos que usavam para se proteger do intenso frio que fazia.

— Eu vou preparar café para nos aquecer e alguma coisa para forrar o estômago, enquanto vocês conversam. – Avisa Kara, dando um fraco sorriso para nós. Ela realmente parecia preocupada comigo.

— Obrigado, amor. – Mon-El agradece, pegando o capacete da noiva para guardar com o dele no balcão, onde sempre guarda quando vem trabalhar com a sua amada Scarlett.

Suspiro e encaro a estande de bebidas do bar. Eu estava no Hawkeye, a casa burlesca que havia sido a realização de um sonho. Um lugar onde a música e a dança são capazes de conectar os clientes a mundos inimagináveis e mágicos. Esse é o ambiente que criei e tem sido a minha maior felicidade há oito anos. Bebo mais um pouco de whisky, que não demora muito a ser tomado de minha mão por Mon-El.

O rapaz foi um dos meus primeiros funcionários. Depois de ter problemas com os pais, ele foi embora para Filadélfia e voltou somente por agora, assumindo de volta a função de gerente tanto do Hawkeye quanto de meu restaurante de luxo na cidade, o Sense’s. Eu o conheço desde que era bebê, mas criamos uma cumplicidade de amigos. Ele é alguém de confiança e a única pessoa louca o bastante para derramar minha bebida e sair apenas com um olhar feio.

Mon-El também é uma das poucas pessoas que sabe praticamente tudo sobre a minha vida. Enquanto Bernard cuidava de tudo para mim ao meu lado, Mon-El sempre foi responsável por fazer o trabalho de campo quando eu precisava de informações. Ele possui muitos contatos e muitos informantes pelo país. Além disso, graças a fábrica de armas de sua família, eu tinha acesso a armas e outras tecnologias que nem mesmo o governo possui conhecimento.

No entanto, desde que ele descobriu que precisava retornar para Hawkins e ficar com a guarda dos sobrinhos, eu o desliguei por completo dessa função. Sua vida era perigosa demais. Não dava para colocar a vida de suas crianças em risco. Ainda assim, ter o homem de volta ao Hawkeye e ao Sense’s me trouxe também de volta a minha tranquilidade quanto aos meus negócios em Hawkins.

— Não adianta me olhar assim. Não vou deixar você perder a cabeça quando todos mais precisam de você. – Resmunga, guardando a garrafa de Whisky de volta na estante. – E você tinha que pegar logo o Macallan 1926? Você quer ir à falência, Clint? Esse é o nosso Whisky mais caro. Tem noção de quanto é uma garrafa dessa? Droga! Você me fez jogar uma dose dessa fora. Espero que saiba que isso vai sair do seu bolso.

— O que vocês estão fazendo aqui? Eu pensei que tivesse sido claro quando disse que todos estariam de folga essa semana. – Encaro Mon-El, observando-o tirar as luvas de couro que usava, colocando-as sobre o balcão, e lavar o copo de whisky que eu havia usado. Ele me encara como se não soubesse ao certo o que responder e dá de ombros.

— Eu sabia que você estaria aqui e provavelmente estaria na lama. Sinto muito pela morte de Bernard. Ele era uma pessoa incrível. – Mon-El me dá um sorriso fraco e posso ver o quanto ele realmente sentia pela morte da pessoa que nunca saiu do meu lado durante os vinte e cinco anos que trabalhou para mim.

— Eu prometi que o levaria para visitar a família mês que vem. E por minha culpa, eles terão que vir para o enterro dele depois de dois anos sem o ver. – Murmuro, sentindo a culpa dilacerar meu coração. Mon-El suspira e coloca a mão sobre o meu ombro.

— A culpa não foi sua. Bernard sempre agiu por impulso quando o assunto era a sua segurança, mesmo sabendo que você era muito bem capaz de se defender sozinho. As pessoas que estavam tentando te matar são as verdadeiras culpadas, não você. – Afirma o rapaz e eu nego, sentindo um nó se formar em minha garganta.

— Taskmaster sabia que Bernard agiria para em proteger. O alvo dele era o Bernard, não eu. O objetivo era me atingir e eles conseguiram com maestria. – Dou uma risada dolorosa e levo as mãos ao rosto, sentindo-me miserável. – Eu sabia que ele tentaria fazer alguma coisa contra mim. Steve Rogers, um agente da CIA, já havia me informado sobre a mensagem que ele enviou mês passado para mim. Eu deveria ter previsto que isso aconteceria. Fui prepotente em achar que somente as minhas comuns medidas de segurança seriam o suficiente para proteger a minha família.

— Pelo amor de Deus, Clint. Você é um gênio e tem uma habilidade de dedução impressionante, mas não é um vidente. Como poderia saber que eles jogariam tão baixo? – Mon-El deixa o bar e vem se sentar ao meu lado. Ele passa o braço por cima dos meus ombros e me aperta contra si, em um abraço caloroso.

— De qualquer forma, eu preciso terminar de cuidar do enterro dele. – Comento, melancólico, enquanto me viro para encarar o salão do Hawkeye. Bernard amava esse lugar.

— Quer que eu cuide disso para você? – Pergunta Mon-El, afastando-se de mim para encarar o mesmo ponto que eu olhava.

— Cuide da família dele. Assim que Shawn terminar de realizar a autópsia, iremos embalsamar o corpo para que todos possam participar do velório. Hillary e Fury ficaram responsável por informar a família. Eles devem chegar durante a madrugada. Ainda não sei ao certo como deveria encarar os filhos e netos dele. – Comento, sentindo um gosto amargo na boca da frustração e do luto.

— Ao invés de ficar lamúrias, você deveria estar planejando acabar com a HYDRA. Não acha que está na hora de dar uma lição nesses malditos? Nós sabemos que não importa que a CIA ou o FBI tenham criado, nenhum deles são uma real ameaça para a HYDRA quanto você. – Comenta Mon-El e eu o encaro por alguns instantes. Seus olhos brilham com seriedade. — Nós já esperávamos pelo momento em que você teria que lidar com o Taskmaster, então erga a cabeça e mostre para essa maldita organização o que acontece com quem mexe com Clint Barton, assim como fez com o maldito do Hugh e do Zevon.

Hugh Greene e Zevon Hoyos. Os dois piores seres humanos que ousaram mexer com a minha família. Zevon era ex-namorado de Malvina Faery, a namorada de meu afilhado, Benjamin. Ele não apenas sequestrou a garota para conseguir muito dinheiro com resgate, como colocou a vida de Ben, em perigo em sua tentativa de conseguir fugir do país, depois de cometer um grave erro com envolvendo as drogas fornecidas pela HYDRA.

No entanto, nada se comparava a raiva que Hugh me causou. Ele era cunhado de Kyle Puckett. Um amigo que cuidou de mim como se fosse meu irmão mais velha. Ele era o melhor amigo de meu irmão adotivo, Jim Hopper, e foi assassinado por Hugh apenas por causa da ganância. Ele foi capaz inclusive de enviar Sam para um manicômio na França e esfaquear Beth em seu casamento. Tudo porque as sobrinhas eram as únicas que poderiam impedir o homem de assumir a presidência da Corporação Puckett, assim como fizeram, depois de acabarem com o maldito.

— Você está certo. – Afirmo e ele abre um sorriso irônico, afastando-se de mim. – Se disser que você está sempre certo, vai ficar sem emprego.

— Você nunca me demitiria. Precisa de mim para cuidar do Hawkeye e do Sense’s enquanto está vivendo sua vida boêmia. – Responde Mon-El, dando de ombros. Bufo, mas acabo rindo, porque de certa forma, ele estava certo. Ouço o homem suspirar e noto sua expressão de sombria. – Mas falando sério. Acabe com esse Taskmaster. Descubra quem ele é e o faça pagar por tudo o que ele já fez.

— Não se preocupe. – Respondo com sinceridade. O ódio dentro de mim latejava com intensidade. – Ele não vai escapar tão fácil assim. Não dessa vez. Eu prometo.

— Espero que não esteja incentivando Clint a se vingar, Mon-El. Nós já conversamos sobre isso. Violência não é a solução. – Repreende Kara, voltando para o bar do Hawkeye com uma bandeja em mãos, contendo duas canecas e alguns sanduíches.

— Kara... – Mon-El suspira, como se estivesse cansado de ter aquela conversa com a noiva.

— Agradeço a preocupação, Kara, mas o mundo em que eu vivo é muito mais complexo do que imagina. – Respondo e isso não parece agradar a jovem professora, que suspira e coloca a bandeja sobre o balcão.

— Clint, eu sei que não nos conhecemos muito bem, mas eu me sinto um pouco próxima de você do tanto que Mon-El e Ben falam sobre você. E bem, você será o nosso padrinho de casamento. Então mesmo não conhecendo o seu mundo, eu sei que violência não vai melhorar a situação. Isso não vai trazer o Bernard de volta. Não vai curar o seu coração machucado. Entendo que esteja com raiva e queira destruir a pessoa que machucou alguém que você ama. E eu sei que você tem influência o suficiente para isso. Mas no fim das contas, quando tudo acabar, você só terá se tornado uma pessoa amargurada e com sangue nas mãos. Não vale a pena ir tão longe assim. Pense nos seus sobrinhos. Eu tenho certeza de que eles querem viver muitos anos ao lado do tio que eles tanto amam e admiram. Você é o exemplo deles. Precisa mostrar que as coisas podem ser resolvidas de uma forma muito mais civilizada. Deixa a polícia cuidar disso. Não machuque ainda mais os seus sentimentos. – Aconselha Kara, colocando a mão em meu ombro.

Sorrio, agradecido. A ignorância era mesmo uma bênção. Ao contrário de Mon-El, que conhece meu passado e tem conhecimento do mundo em que eu vivo, Kara realmente acredita que há uma forma de conversar com uma organização criminosa que existe desde a Segunda Guerra Mundial, na qual a CIA e o FBI nunca conseguiram destruir. Ela nem mesmo imagina que o mundo que me cerca envolve a Yakuza, o submundo e uma luta pessoal contra Taskmaster e seu braço direito.

— Você é uma boa pessoa, Kara. Estou feliz que Mon-El vá passar o resto da vida dele ao lado de você. – Comento, pegando nas mãos da mulher. Ela sorri com doçura. – Obrigado por cuidar dele. E não se preocupe comigo. Se preocupe com o fato de você ter vindo para uma casa burlesca em meio a uma tempestade de neve em uma moto com o seu noivo maluco às seis horas da manhã quando podia ter ficado até tarde na cama, aproveitando o dia de folga. Isso definitivamente não foi bom da parte dele.

— Você fala como se eu tivesse a obrigado a vir. – Comenta Mon-El, dando uma risada incrédula. – Foi ela quem resolveu levantar junto comigo.

— Eu não podia deixar você sair em meio a uma tempestade de moto de madrugada. E já que você é teimoso demais para me ouvir, eu tive que vir junto. – Resmunga a mulher e eu acabo rindo de sua lógica.

— Deixa-me adivinhar. O carro deu problema antes de vocês saírem e como não conseguiam um táxi, Mon-El decidiu que viria na Scarlett. Vocês discutiram, porque ele é teimoso demais e acabou vindo junto, porque não aguentaria de preocupação por ele ter saído sozinho. – Deduzo e Kara arregala os olhos, parecendo surpresa com a precisão de minha “adivinhação”. – Sim, Kara. Eu leio mentes. Posso ver exatamente o que passa na sua cabeça. Inclusive, sei que você deixou cair a maionese na cozinha, enquanto fazia os sanduíches.

— Mas como...? – A loira arregala ainda mais os olhos e Mon-El ri, divertindo-se com a expressão abismada da noiva. – Ele... ele realmente lê mentes?

— Não. Mas possui um olho de águia e uma excelente capacidade de dedução. Nenhum detalhe passa despercebido pelos olhos dele. – Explica Mon-El, abraçando a futura esposa.

— Poxa. Estragou o meu disfarce. – Brinco, pegando a caneca de café.

— Mas como sabe que o carro deu problema, que nós discutimos, que eu vim por preocupação e que eu derramei maionese na cozinha enquanto preparava os sanduíches? – Pergunta Kara com curiosidade.

— Mon-El tem mancha de graxa nas mãos. Como você decidiu vir com ele, tenho certeza de que ele pensou em vir de táxi, mas com a tempestade e pelo horário não conseguiram. Como ele é cabeça dura e estava preocupado, decidiu vir de moto, mas você é do tipo de pessoa que se preocupa ao ponto de fazer uma loucura apenas para proteger as pessoas que ama, então essa parte foi apenas um chute. Quanto a maionese, tem um pouco na sua bota e bem, os sanduíches têm maionese neles. Enfim, foi fácil adivinhar. Qualquer um teria conseguido. – Afirmo e ela ri, impressionada.

— Você é mesmo interessante, Clint. – Comenta Kara, aconchegando-se nos braços do namorado.

Meu celular começa a tocar The Imperial March, a música tema de Star Wars. Kara se assusta com o volume alto e o toque repentino da música. Mon-El gargalha e recebe um tapa da namorada, que leva a mão ao peito. Sorrio e encaro a tela do celular.

— Por favor, me diga que você tem as respostas que eu quero. – Peço, atendendo a ligação.

— Eu não sei, Clint. Ao contrário de você, eu não leio mentes. — Responde Shawn com ironia.

— Então você encontrou o que eu queria. – Digo e ele suspira.

— Odeio o fato de você sempre saber o que eu vou dizer. – Resmunga o cientista do outro lado da linha. – Como você desconfiava, a bala que atingiu Bernard não era uma bala comum. Ela continha um microchip codificado. Estamos tentando descodificar, mas não estamos conseguindo. A bala também tinha um desenho da logomarca da HYDRA, então aposto que dentro desse microchip há uma mensagem do Taskmaster para você.

— Tudo bem. Eu já estou indo para a delegacia. Chego em... – Encaro o meu relógio e calculo como deveria estar o trânsito e a pista durante a tempestade. De carro eu demoraria pelo menos uns trinta minutos para chegar. Encaro Mon-El e sorrio. – Em quinze minutos estarei aí.

Não espero uma resposta e desligo a ligação. Mon-El e Kara me encaram com curiosidade. Talvez estavam tentando entender sobre o que eu falava na ligação e o que eu faria na delegacia. Mas não há tempo para explicações. O tempo estava passando. Às três horas da tarde eu teria que me encontrar com um dos peões de Taskmaster, então precisava descobrir o máximo de informações possíveis para entender o que o maldito está planejando fazer contra mim.

Assim, termino de beber meu café e pego as chaves de meu carro. Viro-me para Mon-El e jogo para ele, em um aviso que deveria usar o meu carro para voltar em segurança para casa. O homem as pega e me encara com preocupação. Com certeza ele já deveria ter uma noção do que eu planejava fazer.

— Me dê as chaves da Scarlett. – Peço, correndo para pegar o capacete de Mon-El. Ele me encara surpreso.

— O quê? Não mesmo! Você bebeu e está caindo uma tempestade terrível lá fora. Não vou te dar as chaves da Scarlett. Pode esquecer. – Nega Mon-El com preocupação. Bufo e visto meu casaco. – Clint, eu estou falando sério.

— Eu também. – Respondo, encarando-o com seriedade. Estendo minha mão direita e ele nega, inconformado. – As chaves, Mon-El.

— Clint! – Ele insiste com preocupação.

— Você sabe que se não me der, eu vou pegar de você. – Relembro e ele bufa, pegando as chaves, antes de jogar para mim.

— O que você está fazendo? Ficou maluco? Ele não pode dirigir nas condições em que está! – Exclama Kara, indignada com o fato de Mon-El ter me entregado as chaves tão facilmente.

— Você não entende. Quando ele coloca algo na cabeça, ninguém consegue parar ele. – Resmunga Mon-El, ainda contrariado.

— Ah, mas eu vou parar ele. – Afirma Kara com determinação. Sorrio, colocando o capacete em minha cabeça. – Clint Barton, você não vai...

— Adeus, Kara. Nós nos falamos mais tarde, Mon-El. – Despeço-me, terminando de travar o capacete.

Kara tenta correr para as portas do fundo para me parar, mas sou muito mais rápido e consigo sair primeiro, trancando a porta em seguida. Ouço suas batidas e gritos da jovem professora implorando para que eu não fosse, mas não dou atenção. Eu precisava estar na delegacia em treze minutos. Assim, subo na moto de Mon-El e acelero a toda velocidade em direção ao Departamento de Polícia de Hawkins.

Como eu havia informado a Shawn pelo telefone, estaciono a moto de Mon-El na delegacia quinze minutos depois. Retiro o capacete e sinto uma congelante brisa maltratar a pele de meu rosto e as mãos, enquanto a neve continuava a cair com intensidade. Inspiro fundo e decido apressar meus passos para alcançar a porta da delegacia. No entanto, surpreendo-me ao encontrar Natasha no local.

Ela usava um sobretudo preto, assim como suas botas, luvas e calça, além de um cachecol vermelho. Paro de subir as escadas e nossos olhos se encontram. E não importava quantas vezes eu a encarasse, eu sempre me encantava com a intensidade das esmeraldas brilhantes de seus olhos. Natasha respira fundo e decide se aproximar. Ela estava nervosa. Queria dizer alguma coisa, mas se sentia perdida.

— Por que veio com a moto do Mon-El para a delegacia durante uma tempestade? – Questiona Natasha, encarando-me com repreensão.

— Porque eu precisava chegar aqui o mais rápido possível. – Respondo, dando um passo para mais perto de Natasha. Seu corpo fica tenso. Ela não estava pronta para a conversa que precisávamos ter.

Afasto-me e continuo a seguir para dentro da delegacia. Precisava encontrar Shawn, Barry e Cait. Não era o momento certo para lidar com os sentimentos conflitantes que eu sentia por encontrar a mulher que eu continuava a amar mesmo depois de dez anos sendo evitado de todas as formas possíveis. Assim, abro a porta da delegacia e adentro o prédio, indo em direção ao laboratório onde Barry trabalha.

— Você continua inconsequente. – O grito de Natasha ecoa pelos corredores do lugar, que pelo horário estava praticamente vazio. As poucas pessoas do local nos encaram com curiosidade. Paro de andar e ouço o som dos saltos de Natasha se tornarem cada vez mais altos. Ela estava irritada. – Será que dá para pensar um pouco mais na sua segurança antes de sair fazendo loucuras? Você poderia ter se machucado.

— E agora você se importa? – Pergunto, virando-me para Natasha. Ela paralisa e me encara surpresa. – Porque eu não me lembro de você ter se importado em me machucar quando arrumou suas malas e foi embora sem se despedir. Menos ainda quando me disse pelo telefone que eu deveria esquecer de meus sentimentos.

— Eu sempre me importei com você. – Afirma a mulher com a voz carregada de mágoa. Ela já não conseguia mais esconder seus sentimentos como antigamente. – Não me trate como se eu fosse um monstro. Você sabe muito bem o motivo de eu ter ido embora. Nosso término foi melhor para nós dois. Foi o melhor para as crianças. Quando você vai superar isso? Nós não tínhamos um futuro.

Jogo o capacete de Mon-El no chão e puxo Natasha pelo braço, pressionando seus ombros contra a parede ao nosso lado. Meu movimento a pega de surpresa, mas diferente do que é de seu costume, ela não reage. Parece estar em uma luta interna sobre o que deveria fazer. Aproximo meu rosto do dela até que nossos narizes se choquem. Ela poderia me afastar a qualquer momento, ainda assim, ela estava presa naquela intensidade que nos consumia. A raiva se misturava a saudade e ao amor.

Eu a amava. Cada poro do meu corpo clamava para tê-la em meus braços mais uma vez. Seu calor me envolvia. Seu perfume embriagava-me. Seus olhos continuavam a me hipnotizar. Sua respiração ofegante era como uma bela melodia que me lembrava de como nossos corpos pareciam tão certo juntos quando nos entregávamos ao prazer.

— Você desistiu do nosso futuro. – Sussurro, encarando-a. Levo uma de minhas mãos a cintura de Natasha e a outra vai ao seu rosto, trazendo-a para mais perto de mim. – Você não escolheu o que era melhor para nós dois. Você resolveu dar ouvidos ao seu medo. Mas você ainda me ama, Natasha. Eu posso ver isso claramente em seus olhos. Você ainda me deseja como antes. E eu odeio o fato de que eu passei todos os dias nos últimos dez anos me odiando por não ter sido capaz de proteger você e me culpando constantemente pelo maior erro que cometi na minha vida naquele dia. Se eu...

— Clint, o que você... Ah, Natasha? – Jim aparece e isso é o bastante para quebrar todo o encanto que nos envolvia. Imediatamente, Natasha me empurra e encara meu irmão mais velho com os olhos arregalados. O delegado da cidade coça a cabeça e sorri, sentindo-se culpado. – Eu... eu não sabia que vocês estavam aqui. Desculpa... ter atrapalhado.

— Está tudo bem, Hopper. Você não atrapalhou nada. – Afirma Natasha, sorrindo nervosa. – Eu... eu vou procurar pelas crianças. Com licença.

E como ela estava acostumada a fazer, Natasha me dá as costas e vai embora sem olhar para trás. Jim e eu a observamos andar a passos apressados pelo corredor até desaparecer de nosso campo de vista. Estralo a língua e crispo os lábios, frustrado com a situação. Meu irmão me encara com um sorriso culposo e os olhos expressando um grande arrependimento.

— Eu... sinto muito, Clint. – Lamenta o homem, coçando os cabelos, parecendo não saber como reagir. – Eu não vi que você estava com a Natasha. De onde eu estava pareceu que você estava apoiado na parede sozinho. Pensei que estivesse passando mal e...

— Não precisa se explicar. Está tudo bem. Isso iria acontecer você aparecendo ou não. – Afirmo, suspirando. O homem dá um fraco sorriso. Pego o capacete de Mon-El que estava no chão e o coloco debaixo do braço– Ela ainda não quer me ver.

— Eu... – Ele suspira e se aproxima. – Gostaria de ser bom com essas coisas, mas de nós dois, você sempre foi melhor com conselhos. Sinto muito por não saber o que dizer.

— Não precisa dizer nada. – Garanto, dando de ombros. Passo a andar com o homem ao meu lado. – Isso é o preço que estou pagando pelas escolhas que eu fiz. Assim como sempre ensinei as crianças, eu preciso arcar com as consequências.

— O que aconteceu, Clint? – Pergunta Jim com um certo desespero em sua voz. – Vocês ainda se amam e você sempre foi mais esperto do que eu para resolver problemas de relacionamentos. Então o que os impede de ficarem juntos? O que aconteceu dez anos atrás?

Eu não o respondo e nem o encaro. Meu irmão parece entender que eu não diria nada e bufa frustrado, mas felizmente não volta mais a insistir no assunto. Esse era o nosso código. Nós obrigaríamos o outro a falar até que estivesse pronto para dizer o que tinha acontecido ou o que nos incomodava. Sem pressão ou invasão de privacidade.

Continuamos nosso trajeto até o laboratório, cada um perdido em seus pensamentos. E eu me sentia cada vez mais deplorável. Reencontrar Natasha havia trago um gosto agridoce a minha boca. Eu ainda a amava como um louco e sentia que precisava lutar por ela. No entanto, vê-la também me trouxe lembranças que tenho evitado pensar há muitos anos. Me fez relembrar do que nos levou a fundo do poço e dos dois anos seguintes em que me isolei do mundo, incapaz de lidar com a culpa que me corroía por não ter sido capaz de proteger a minha família. Por ter feito a escolha errada quando ela mais precisou de mim.

— Clint? – Jim me desperta de meus pensamentos, assim que chegamos à porta do laboratório. Encaro o homem e ele me observa com preocupação. – Você está bem? Parece distante.

— Estou. Vamos entrar. Há um mistério que eu preciso desvendar. – Respondo, abrindo a porta do laboratório, encontrando Barry, Cait, Natasha e Shawn ao lado do corpo de Bernard. – E então, Shawn? O que foi que você tem para mim?

Notas finais
The Imperial March: https://www.youtube.com/watch?v=-bzWSJG93P8&ab_channel=MrGameSounds oOo Família Cupcake 2.0: https://chat.whatsapp.com/BbOG6KJnuHy2dQIs1sC9Ss Cupcakes da Lara: https://www.facebook.com/groups/677328449023646 Instagram: @_cupcakesdalara