Mistérios Ocultos
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Diretor Colleman era conhecido pelo seu bom senso e simpatia. E o melhor de tudo: sua sinceridade. Era por isso que agora eu iria o procurar para tirar satisfações sobre Patch. Um professor ameaçar claramente uma aluna? Isso não me parece muito acadêmico. Se antes da ameaça ele não me parecia tão interessante, — apenas um professor jovem, mas nada que valesse uma investigação -, agora eu me sentia tentada a despir os segredos dele.
- Nora, querida, o que te traz aqui? – Sr. Colleman perguntou sorridente, enquanto eu adentrava sua sala e sentava em uma das cadeiras à frente de sua mesa, repleta de papelada.
- Eu queria fazer algumas perguntas sobre o novo professor. O de biologia. – falei, cruzando as pernas e tentando ser o mais natural possível.
Apenas uma jornalista da escola querendo saber sobre seu professor. Nada de mais.
- Claro. – ele mudou de posição na cadeira, parecendo desconfortável. – Pode perguntar.
- Ele tem quantos anos? Formou em qual universidade? Já tinha experiência como professor? Por que ele está substituindo o técnico? – ataquei, deixando Colleman sem graça.
- Nora, você sabe muito bem que isso são informações pessoais que eu não posso passar. – ele respondeu quase que automaticamente, parecendo meio robótico.
- Ah, é? – indaguei irônica, batendo com a ponta da caneta no meu lábio inferior. – Você já me passou informações sobre professores antes, Sr. Colleman. Por que não agora?
Os olhos azuis do professor se congelaram e sua pele morena começara a se desbotar, o deixando mais pálido.
- Porque as regras mudaram, senhorita Grey. – sua voz soou fria e sem vida. Recuei um pouco com a cadeira, sentindo a hostilidade do diretor pairar no ar.
Senhorita Grey. Ele nunca me chamava pelo sobrenome. Se eu achava que havia alguma coisa errada aqui? Óbvio.
- É bom saber o seu interesse por mim, Grey. – escutei a voz rouca e sexy de Patch sussurrando no meu ouvido, e dei um pulo na cadeira de susto.
O diretor permanecia imóvel.
Um professor não pode sussurrar com uma voz sexy no ouvido de uma aluna. Isso era erro de conduta. Certo? Pelo sorriso que Patch me dava, seguir normas provavelmente não estava no seu dicionário.
- Professor Cipriano. – o diretor murmurou com a voz robótica. – Você gostaria de um tempo a sós com a senhorita Grey?
Patch acenou afirmativamente com a cabeça, e Colleman levantou da cadeira, saindo da sala. O próprio diretor saindo da sua sala para um reles professor conversar com a aluna. Que piada! Ou Colleman tinha alguma conexão estranha com Patch, ou ele era um tremendo puxa saco.
Duvido que seja a segunda opção.
- Uma entrevista? – ele perguntou retoricamente, se sentando na cadeira do diretor. – Você realmente é uma jornalista enxerida, não é, senhorita Grey?
- Não sou enxerida. – respondi me sentindo ofendida. – Já disse, gosto de pesquisar a fundo antes de publicar qualquer coisa no jornal.
Ele sorriu misterioso, e se levantou da cadeira. Andou de um lado para o outro, com as mãos no queixo, de modo bastante pensativo.
- Você venceu, Nora. – ele finalmente disse, parando de andar e indo até mim. – Você pode fazer essa entrevista. Na minha casa. Às oito da noite. Pegue o endereço com o seu querido diretor Colleman.
E saiu da sala, me deixando lá boquiaberta. Nem pensar que eu iria dar uma de bicuda na casa de um professor. Onde já se viu isso? Eu iria ser bombardeada por todas as meninas que amavam ele.
Meu Deus. Vee ia me matar!
Levantei para sair da sala, e Colleman estava atrás de mim. Levei outro susto, sentindo meu coração dar saltos no meu peito. Ele me entregou um pedaço de papel sem falar nada, e voltou a sentar na sua larga cadeira de diretor.
- Está dispensada, Grey. – ele disse duro e irredutível, analisando uma papelada com a testa levemente franzida.
Por que agora todos me chamam de Grey? O que tem de errado com o meu primeiro nome?
Abri o pequeno pedaço de papel e li atentamente seu conteúdo. Era o endereço dele. Maldito Patch! Me senti tentada a jogar o papel no lixo. Ou distribuir para todas as alunas do segundo ano.
Mas aquele endereço poderia ser meu plano B. Se o professor não me desse as informações necessárias para a entrevista, eu poderia dar uma de espiã e descobrir as coisas por mim mesma.
Vida de jornalista é mais interessante do que parece, meus caros.
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