Notas iniciais
mesmo com poucos comentarios, continuarei a postar :( comentem, pessoal!!

Minha mãe conversava apreensiva no telefone, possivelmente com seu chefe. Pelo jeito em que ela agarrava o telefone com força, a coisa era séria.

Ela iria fazer uma viagem relâmpago. De novo. Deixando-me sozinha em casa.

Por um lado isso era bom, porque eu realmente queria ir à casa de Patch hoje à noite. O fato de ele ter me ameaçado me pegou de jeito. Minha curiosidade sempre era a minha perdição, o meu defeito.

E o magnetismo que Patch exercia em todos à sua volta fazia a proposta do encontro ser mais interessante e atraente do que deveria ser.

Eu preciso confessar: seu magnetismo me atraia também. E isso tudo com apenas um dia de aula.

- Não precisa dizer nada. – falei com minha mãe enquanto arrastava os pés até a cozinha preguiçosamente. – Viagem de negócios.

- Desculpe, meu docinho. – ela depositou um beijo na minha testa e afagou meus cabelos. – Alguém precisa colocar dinheiro nessa casa.

Desde que meu pai morreu, esse era o discurso dela. Para me sustentar e manter a favorável casa que nós tínhamos – que por sinal, era no meio do nada, em um lugar coberto por uma neblina fantasmagórica -, o único jeito era trabalhar como um burro de carga.

Pobre Blythe Grey. Mimou-me tanto que agora me transformou nessa filha abelhuda e insensível. E o pior: nunca me repreendia.

Ao longo dos anos eu mesma aprendi a me policiar e a colocar limites nos meus atos imprudentes, devido à ausência das figuras materna e paterna na minha vida.

Triste, eu sei. Mas hoje, eu iria contra esses limites e começaria uma investigação a finco sobre o professor de biologia. Se eu descobrisse algo revelador e escandaloso sobre ele, se eu publicasse algo que o expusesse aos alunos de forma polêmica, isso com certeza iria para o meu currículo.

Os minutos se passaram rápido. Minha mãe saíra às pressas e me deixara sozinha, não antes de me dizer para ter juízo. Fingi não ter escutado, e disse para ela fazer uma ótima viagem.

Eram exatamente sete e cinqüenta. Comecei a andar de um lado para o outro no meu quarto e meus sapatos faziam um barulho irritante no assoalho.

Eu não poderia fraquejar agora, tinha que ir até a casa de Patch. Eu só iria fazer algumas perguntas e ir embora. Estava com medo de criar expectativas em cima de alguém não interessante.

Já havia acontecido com Antony Allowitz. Ele ia ao banheiro todos os dias, às dez e três da manhã. Resolvi investigar e descobri que ele iria ao banheiro para comer secreções nasais.

Um caso de TOC nada legal.

Mas Patch não iria me desapontar. Eu sentia isso. Vesti minha blusa decotada, estilo jornalista sexy – não me julguem por querer parecer bem na frente dele -, uma calça jeans azul e sandálias.

Peguei meu velho conversível branco e dirigi até o endereço escrito no pequeno papel. Chegando lá, não podia acreditar.

Olhei para o papel incrédula e voltei a olhar para a casa. Era ali mesmo.

Uma festa enorme estava rolando naquele lugar. A música era alta e haviam muitas pessoas se beijando – para não falar estrelando um filme pornô – no quintal.

Estacionei o carro em uma minúscula vaga, que achei que nunca iria achar, já que haviam diversos carros estacionados na frente da casa.

Entrei lá dentro, nem acreditando no que via. Corpos balançando ao ritmo da música, jovens menores de idade com latinhas de cerveja na mão e casais subindo as escadas para fazer coisas que eu poderia deduzir sem nem hesitar.

Se isso era a casa de um professor qualificado de biologia, papai Noel existia.

Abri minha bolsa, peguei minha caneta e meu bloquinho e anotei: Festa irresponsável sendo executada na casa do professor Patch Cipriano. Isso já seria bastante interessante.

Enfiei o bloquinho na minha bolsa e olhei para a frente.

Recostado em um balcão, com um copo de bebida na mão e me olhando de forma provocativa, estava Patch, que não hesitava em dar um sorriso sexy e irônico para mim. Suas feições eram diabólicas, e seu corpo se movimentava de uma forma que transmitia segurança, parecia certo de que até o jeito que ele andava exalava sensualidade.

E por que eu estava assistindo ele caminhar até mim em câmera lenta mesmo?

- Nora Grey. – ele disse meu nome lentamente, arrastando cada sílaba. Seus lábios se moveram com perfeição. Os lábios de um predador que queria atrair a presa. Biologia em ação. – É uma surpresa te ter na minha festinha.

- Eu tenho algumas perguntas. – permaneci dura e inabalável, mesmo tendo uma visão privilegiada do seu peitoral por trás da sua camisa preta de botões, que estava um pouco aberta. Seu sorriso cresceu, o tornando maléfico, malicioso... Atraente.

- Eu terei o maior prazer as respondendo. – ele me puxou pela cintura, colando nossos corpos. – Mas antes, vai me conceder uma dança.

E me girou, ficando atrás de mim, sem desgrudar do meu corpo e descendo as mãos pelos meus quadris. Ignorei o calor subindo até a minha cabeça e tentei desvencilhar de seus braços. Mas eles eram fortes demais.

- Não, não e não, Grey. – ele murmurava, subindo e descendo com o rosto no meu pescoço e no meu ouvido, me torturando apenas com seu hálito quente a bater na minha pele. – Você quer respostas? Vai ter que dançar comigo.

A melodia que tocava era uma batida sexy, descontraída, provocadora. Era uma batida Patch. Minha curiosidade e a minha falta de senso falou por mim. Quando Patch percebeu que eu não iria resistir, ele começou a me conduzir na dança.

Suas mãos quentes faziam um ótimo trabalho passeando pelas minhas curvas, tateando minha bunda, levantando as minhas coxas e me deixando excitada. Ele encaixou os nossos corpos, fazendo com que cada pelinho insignificante do meu corpo arrepiasse.

Patch sabia o efeito que causava em mim, o jeito que ele me olhava denunciava tudo. Quando seus lábios fizeram menção em tocar meu pescoço desnudo, senti meu corpo se preparando para um choque de excitamento.

Mas ele não o fez. Apenas me olhou com um sorriso de lado, os olhos negros absorvendo todo o calor da casa e parecendo transferir para o meu corpo.

Inclinou a cabeça até a minha orelha, deposito um beijo no meu lóbulo e perguntou:

- Assustada? – sua voz rouca me fez perder o controle de mim, das minhas ações.

- Não. – respondi de imediato.

- Prove. – desafiou, me olhando com uma das sobrancelhas erguidas.

Me beije, escutei uma voz sussurrar na minha cabeça.

A voz dele.

Saí do transe que eu estava e empurrei seu corpo para longe. Ele exibia um sorriso cínico.

- E agora? Assustada? – ele perguntou, vestindo uma máscara de indiferença, uma feição que eu nunca tinha visto no seu rosto.

As curvas do seu rosto se elevaram de modo que senti o mundo a minha volta se transformar em um borrão.