Mission
12 02X11
– Bom dia, meu anjo. — eu levantei com meu bom humor de manhã ao ver aquela minha barriga magrela logo cedo
– Bom dia, Sah. — e Carine me deu um selinho
– Nossa, já está tarde. Tenho que levantar.
– Hoje e domingo. — Carine sorriu
Eu me deitei por cima dela e brincava com o cabelo dela. A encarei nos olhos, e em seu rosto que ainda permanecia com um sorriso.
– Eu te amo.- eu disse
O seu sorriso desapareceu. Ela me deu um toque para eu levantar e eu o fiz, depois se sentou na beira da cama.
– Sarah, eu tenho que te contar uma coisa.
– O que é? – perguntei
– Você sabe que quando você sumiu, eu tentei te procurar muito e entender o que havia acontecido, eu até achei que você estava morta só que. . .
– O que tem?
– Sarah, eu devia ter te contado uma coisa há muito tempo.
– Por favor, fale de uma vez. – eu segurei sua mão – Aonde você quer chegar?
– Eu tenho alguém.
– Desde quando?
– Eu sempre fui casada. Você chegou a conhecer ele, o nome dele é Alison e é um querubim também.
Alguns segundos de silêncio, Eu precisei fazer muito esforço pra não chorar, mas me levantei em seguida. Ela começou a chorar, ela não sabe segurar as lágrimas por muito tempo. Aos poucos, eu já havia vestido meu jeans, e terminava de abotoar minha camisa, e ela tentou me segurar, mas eu virei as costas.
Nada mais me faria voltar atrás
[ x ]
A Lua já tinha tomado a noite, e eu estava esperando ansiosamente por mais respostas. Bati na janela da minha amiga Yul, na casa de Runo, para podermos sair para caçar, ou simplesmente caminhar na calçada, algo assim. Ela como sempre me respondeu sorrindo e abriu a janela. Eu dei sinal para sairmos pelas árvores e ela veio.
Depois de algum tempo de passeio, nos sentamos no lago do parque de Wilmont.
– Sarah eu tenho que te dizer uma coisa, mas peço que não me odeie, por favor.
– Sim, diga, querida, pode dizer. — eu segurei as mãos da Yul.
– Fui eu quem apaguei sua memória. — ela disse com o rosto semicerrado e preocupado.
– Como assim? — eu perguntei
– Não importa. – ela beijou minha testa. – Tudo o que eu for fazer vai ser pra proteger você, preciso que entenda. O que importa é que agora, Wilmont está em perigo, dezenas de pessoas estão sumindo ao redor da cidade e aparições cada vez mais macabras estão tomando conta de tudo.
– O que está havendo?
– Não sabemos, mas só quero saber se podemos contar com você.
– Sim, pro que precisar. Só quero que confesse por que fez isso comigo?
– Pelo motivo que Carine foi atrás de você.
– Não fui eu quem fui atrás dela?
Ela negou com a cabeça.
– Eu não parecia estar sentindo algo por ela?
– Sim, mas eu não quero contar como termina a história. Por enquanto, vá atrás de Runo e garanta que ela não vá fazer mais mal a ninguém.
– Okay. Estou indo.
– Não, o melhor não é isso. Você não é páreo pra ela. E só tem um jeito de ser.
– Como assim?
– Você sabe. . . – ficou quieta – Então por favor não vá.
– Qual o propósito de Carine comigo?
– Tomar conta de você.
– Você sabia que ela era casada?
– NÃO. — ela me olhou surpresa. – Havia um garoto que andava com ela, mas eu não...
Eu confirmei com a cabeça.
– Poxa Sah, eu sinto muito.
– Mas bem. Você pode apagar minha memória de novo? Somente a parte dela.
– Infelizmente não. Da última vez deu errado.
– Por que você viu nós irmos ir atrás de Elizabeth e Leon para procurar minha memória e não fez nada?
– Sarah. Você nunca foi uma boa pessoa, e se continuasse a ser quem você era, faria coisas piores ainda. Foi um mal necessário. Eu nunca te contei, porque você iria querer que eu te devolvesse, mas se veio me procurar hoje é sinal que não quer nada do seu passado.
– Disso você tem razão. Eu só quero parar Runo e ir embora daqui.
[ Pouco tempo depois, apartamento de Malina]
Eu estava com uma tatuagem, embaixo da minha orelha direita, no pescoço. Era um sol com os raios meio ondulados, igual a um desses símbolos de astrologia. Eu esfreguei com álcool, sabão e nada saía. Saí para pegar minha faca na mochila, e quando voltei para o espelho, a marca já não estava mais.
Aproveitei que estava com a faca na mão, e saí para a cozinha, mais especificamente para comer algo.
[ x ]
Eu cortei a laranja no meio, e saiu algo estranho do meio, era negro. Uma espécie de tentáculo saiu de um dos pedaços da laranja, deixando uma lama negra pingando do tentáculo.
Aquele tentáculo começou a crescer e parecia um dedo negro e peludo, até humano.
Eu não iria ficar para ver o que diabos era aquilo, mas eu me senti presa a olhar e me paralisei. No meio do caminho, uma aranha da altura de uma televisão estava saindo de dentro da laranja.
Eu tinha duas saídas, ou me transformar e encará-la, ou correr e não... Opa. Então, eu ouvi um barulho atrás de mim, e outra aranha, porém da cor de mel e com muitos olhinhos negros no meio da cara, pernas bem fininhas. Duas já era sacanagem.
Corri para a janela e pulei para fora, o carro da Denny estava logo ali embaixo. É bem óbvio que eu entrei dentro do carro e dirigi rumo à estrada pra fora de Wilmont.
Quando parecia em segurança e bem longe da cidade, eu freei o carro. Estava um pouco frio, então assoprei uma mão na outra, e encostei a cabeça no fundo.
As portas se trancaram sozinhas e uma outra aranha parecia estar saindo de dentro do volante.
Um vulto negro, cheio daquela lama negra começou a bater no vidro, e do outro lado vários vultos tentavam abrir o carro.
– Sarah, é só um pesadelo. — ouvi um dos vultos.
Forcei a porta para sair, e corri em direção à floresta. Cachorros gigantes e cinzas, pareciam pelados, livres de pelos no corpo desciam rápidos em minha direção. Ouvi outro volto, com uma voz que parecia muito a voz de Malina. Mas esse mesmo vulto se aproximou de mim e começou a me enforcar
Eu me transformei e a minha visão ficou embaçada,
Eu ataquei o vulto. E caí sem consciência.
[ FIM DE NARRAÇÃO ]
Yul se abaixou, próximo à jaula onde Sarah estava delirando.
– Sah.
– Cachorros. Cachorros gigantes. Cachorros gigantes por todos os lados.
– Sarah. Sou eu, Yul. Olha pra mim.
– Olga. Olga. Yul. Evelyn. Runo.
– Você se lembra de mim?
– Yul. Lembro. Yul. Matar. Cachorros, aranhas gigantes. Tira a aranha. Tira a aranha. Tiraranha rápido, rápido, rápido.
La Loba olhava negativamente para Sarah. Stephanie, Clarah, Yul, Denny, estavam todos próximos.
– Eu acho que ela tentou confrontar Elizabeth para recuperar a memória dela.
– Mas ela não estava bem com a memória? — perguntou Clarah
– Ela queria que Carine a amasse de volta, ela sabia que Carine amava a Sarah antiga, mas não tinha certeza sobre agora.
– Estúpida. — comentou Clarah — O que vamos fazer agora?
– Vocês sabem o que eu acho disso. — respondeu Denny — Deixem que eu leve ela comigo.
– Ninguém vai tirar ela daqui. — disse Carine — Eu vou cuidar disso.
Todos olharam para ela. Ela fechou a porta do porão e terminou de entrar junto com Malina e Camila.
– Alguém amaldiçoou Sarah, eu orei por ela e essa marca surgiu.
– E quem foi?
– Quando encontraram a Sarah, ela estava em Florianópolis, uma velha estranha a abordou na rua, dizendo que havia arruinado a vida dela. Leon e Camila, por favor, descubram quem é essa mulher, e quem mais mandou ela fazer isso.
– Por que essa marca nunca surgiu antes? — perguntou Clarah
– Maldições assim só se manifestam quando pedimos intercessão divina.
Carine se abaixou do lado de Yul, se agachando. Yul se sentiu mal com a presença dela, mas permaneceu mesmo assim próxima à grade.
– Por que você tirou a memória dela? — perguntou Carine olhando para Yul
– Para que você não a matasse, Carine! – respondeu
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