O garoto terminou a garrafa de cerveja a atirando de qualquer jeito na grama. Entrou dentro da barraca e viu sua namorada lendo algo, com a lanterna iluminando todo o espaço, então tirou o livro da mão dela e deitou por cima do seu corpo.

– Você me assustou. — ela disse

– Buuu. Quem pensou que era?

Ela sorriu e ele a beijou ardentemente.

– Ouviu isso? — ela disse

– Isso o que? Não foi nada. — ele riu, pegando uma camisinha em seu bolso.

– Escuta. Fica quieto.

Ele escutou um gemido estranho vindo de lá fora.

– Pensei que aqui teríamos privacidade. — ele disse debochado

Pegou a lanterna que estava no canto, fechou o zíper da calça e foi até lá fora ver o motivo do barulho. Caminhou um pouco na direção oeste e percebeu que alguém caminhava para o sul, o autor do barulho estranho.

– Hey, você! — ele disse

O estranho não respondeu, apenas caminhou na direção dele.

– O que você quer, cara? — perguntou sério

O homem que cambaleava lentamente se virou na direção dele com os braços abertos e caminhava grunhindo algo em sua direção.

– Você quer me assustar, não? — ele riu — Que brincadeira mais idiota!

O homem continuou caminhando em sua direção, cada vez mais rápido e fazendo mais barulhos altos. O garoto não se importou e resolveu aceitar a oferta de briga e foi de encontro ao intruso. O "estranho" mordeu seu pescoço, e então o garoto olhou nos seus olhos vendo que ele não tinham mais córnea nem pupila, olhos totalmente brancos. Cheiro podre, barulhos estranhos. Não. Deveria ser um pesadelo. Um zumbi em pleno século 21?! Oh, não.

– Laura! — gritou para ela, que o acompanhou.

A sua namorada levantou da barraca e ao olhá-la ele viu que mais outros 4 o cercavam e vinham em sua direção. Correram em direção ao carro, porém ele não encontrava as chaves. Mas era tarde demais, os olhos de Laura já haviam mudado e seus lábios antes tão deliciosos agora eram podres e famintos.

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Eu estava com as mão encostadas na minha cabeça. Estava agachada no chão, as pessoas faziam muito barulho e me atordoavam.

– Sarah? — Denny estendeu a mão e me levantou

Estávamos nos fundos de uma boate em Tubarão, estava frio e uma garoa chata me atordoava.

– Por que você tanto odeia Runo?

– Na verdade ela é perigosa, Sarah. E eu acho que você não é páreo para ela.

– Ela era minha amiga, não era?

– Ela era sua madrinha.

– Será que ela era minha única amiga? Será que eu era tão horrível assim que a única pessoa que estava do meu lado era ela?

Eu a abracei e enterrei o meu rosto no pescoço de Denny, sentindo pouco tempo depois suas mãos abraçarem minha cintura. Ela sempre estava de salto alto, por isso estava maior que eu.

– Eu te entendo. — ela fez carinho no meu cabelo

– Eu me sinto tão conectada à você, Denny.

– Somos a mesma coisa. Vampira ou não, eu sou exatamente uma Ved- ela se calou

– O que iria dizer? O que nós somos? — eu perguntei olhando nos olhos dela

– Nada, Sarah.

– Me responde!

– Não sou boa de explicar as coisas.

– Explica! — eu percebi que eu gritei.

– Você enquanto não sabia que era lobisomem, não tinha fome, nem sabia se transformar, nem tinha percebido sua alergia à prata. Nada disso faz sentido para você?

Eu pensei. Realmente fazia.

– Você pode controlar totalmente seus dons.

– Então isso significa que você consegue andar durante a luz do dia?

Ela sorriu. Apontou para minha mão. Eu olhei concentrada para minha mão e então transformei somente ela, afiei as garras ao máximo, e engordei os dedos, sentindo uma nuvem de pelos negros saindo.

– O que eu sou?

– Somos especiais, Sarah.

Eu me calei. Uma aberração.

[ x ]

– Aonde vocês foram? — perguntou Malina, parecendo preocupada

– Fomos dar uma volta. — eu disse — Qual o próximo trabalho?

– Parece que é uma infestação zumbi.

– Encontrei alguns corpos numa floresta próxima à Wilmont, eles foram mordidos por dentes humanos e não foram vampiros.

– Você tem certeza? — eu perguntei

– Sim. E isso vem acontecendo à um certo tempo.

Camila surgiu pela janela.

– Pessoal. Achei uma coisa no local marcado. Parece um bilhete.

– O que é? — perguntou ele

– Todos aqueles injustiçados e que tiveram a vida arrancada injustamente em Wilmont se levantarão e terão sua vingança. — Camila leu o bilhete em voz alta — E pela letra isso aqui é de mulher.

– Uma bruxa. — respondeu Malina — Isso é bruxaria.

– E como paramos isso? — perguntou Carine

– Eu tenho uma idéia. Vamos provocá-la. — disse Leon — Ela cria zumbis pra se rebelarem por ela. Vem comigo, Sarah.

[ x ]

O plano parecia perfeito. Leon e eu nos agachamos no local e ficamos em completo silêncio. Ele percebeu um zumbi próximo de nós e jogou um saco de batatas por cima dele e o amarrou. Se ele não fosse tão horripilante, eu acharia aquilo engraçado como uma cena de personagem de desenho animado. Ele jogou no porta-malas do seu carro e voltamos para o centro de Wilmont

Leon deixou o pobre enforcado em um semáforo. Eu pintei uma placa de vermelho com os dizeres "NÃO HÁ INOCENTES EM WILMONT" e pendurei próximo, mas achei agoniante o pobre zumbi se debater desesperado na corda.

– Espero que ela entenda o recado. — ele disse

– Acho que não só ela, como os jornais, a televisão, o povo todo de WIlmont.

Ele riu e deu partida no carro, nos levando até o parque municipal. Ele disse que precisava usar o telefone e resolver alguns negócios, e eu fui para o centro do parque esperar por ele.

[ x ]

Me encontrei hipnotizada pelo grande lago escuro e por aquele dia cinza e frio que nos cercava. Leon parou do meu lado, jogando uma pedrinha no lago.

– Fala campeão. — eu disse.

– Tudo bem?

– Diga.

– A Camila, tem muito tempo que você conhece ela?

– Minhas memórias foram apagadas.

– Ah.

– Por que?

– Eu queria saber uma coisa sobre ela.

– Que coisa?

– Qualquer coisa. Sei lá, eu acho ela tão...

– Tão...

– Não sei.

– Isso, é amor, meu amigo.

– Bobeira.

– Todo mundo repara em vocês.

– Não me leve a mal, eu não quero ela só para isso se você me entende. Eu acho ela.

– Bonita, esperta, forte.

– Esqueceu o “corajosa”.

– Sim. Esqueci o “corajosa”.

– Só não sei porque ela é assim.

– Ela é um querubim. A função dela é matar vampiros, demônios, bruxas. E você quer falar de amor, com alguém que é seu inimigo natural.

– Não veja por esse lado.

– Leon. Você é doido por ela, mas isso vai além de vocês.

– Bem, a irmã gêmea dela não te trata assim.

– Às vezes eu me pergunto o porquê.

Eu me lembrei da família de lobos. Da união, da cumplicidade, da proteção que uns tinham com os outros e me preocupava se eu seria assim algum dia. O destino reservava alguma palavra de família para mim?

O celular vibrou. Estava escurecendo e era hora de voltar para casa.

– Bem. Tivemos uma resposta sobre os ataques.

– E o que foi?

– OS ataques estão em 3 lugares diferentes.

– Não sabe brincar, não desce pro play. — ele riu — Vem Sarinha.

[ x ]

– Equipe pronta? — perguntou Camila

Eu confirmei com a cabeça, equipando minha arma. Camila e Denny iriam pelo primeiro foco, o da noite passada. Leon e eu pelo segundo, e Carine e Malina pelo terceiro. As quatro meninas entraram no carro de Denny e eu fui dirigindo o de Leon.

O lugar era neblinoso, e estava muito silencioso, exceto para o barulho de alguns insetos e dos meus próprios passos.

– Vamos nos dividir. — ele disse

– Ah, qual é? — eu reclamei

– Para de ser medrosa.

– Tá.

Nos dividimos, Leon foi para Oeste, descendo a floresta por onde deixamos o carro estacionado. Logo os primeiros zumbis chegaram, e em poucos instantes já eram muitos. O pente havia acabado. Merda. E eles continuavam vindo. Eu corri na direção de volta para o carro, e eu tropecei, e rolei para debaixo do carro, percebendo os gemidos dos zumbis ao meu redor. Estava cercada.

Uma mão grudou no meu ombro. Eu de reflexo me virei para lhe dar um soco no rosto.

– Que merda, Sarah. — disse Leon, colocando o nariz no lugar.

– Sai daí, imbecil! Estamos cercados.

Leon me deu a sua arma, e decidiu que combateria alguns corpo a corpo.

Eu estava armada de novo. O típico clichê de bala de sal grosso e escopeta, mas nada adiantava. Leon usava suas habilidades para arrancar a cabeça das criaturas, mas pareciam muitos e intermináveis.

Quando parecia não ter mais salvação, o tempo ficou paralisado, como um pause de um filme. Somente eu e Leon poderíamos nos mover. Olhei para trás e vi Carine encostando uma mão na testa e mantinha o tempo parado. Leon segurou minha mão e entramos dentro do carro. Poucos segundos depois ela entrou.

– Não vamos conseguir acabar com todos

– Não vão. Somente um dos três focos está a bruxa verdadeira. E já que Malina encontrou eu vim buscar vocês.

Quando saímos do carro, Camila estava confrontando uma mulher. Ela era negra, e tinha cabelos cacheados longos, seus olhos eram brancos sem fundo e ela tinha um cordão de dentes.

– Pra quem você trabalha? — perguntou Camila

Ela apontou o cajado para Camila, mas a mesma apontou a mão para ela e sua mão pegou fogo.

– Eu não tenho medo de você. — disse ela — Seja lá o que você seja.

– Seja lá o que eu sou? Estou há dois mil anos ouvindo isso. Quando vocês. Vão. Aprender. O. Que. É. Um. Querubim?! — ela praticamente gritou

Num piscar de olhos, a garota estava de joelhos no chão segurando o próprio pescoço como se estivesse asfixiada.

– O que você está fazendo?

– Você perdeu seus poderes. — disse Carine e se agachou ao lado dela. — Se você não contar para quem trabalha eu vou entrar na sua mente e descobrir.

– Harper. — disse a garota. — Elizabeth Harper. Foi ela quem me contratou

Todos nos olhamos.