Notas iniciais
Então. Meus monstrinhos. Como foram de ano novo e fim de ano? Apesar de eu ter feito o início e o fim da fic em 2014, eu adicionei pedaços, e inclusive estes próximos capítulos eu escrevi todos em um dia só. Espero que gostem. Este capítulo, eu particularmente não achei nada inédito, pra quem leu a primeira temporada e já está entendendo a história. Então, minimiza essas redes sociais que eu sei que estão abertas no seu navegador, senta, fica bem confortável, prepara um lanche, coisa leve, apaga a luz e vem comigo.

Eu joguei a cabeça da bruxa na mesa de Elizabeth, derrubando algumas coisas que estavam por cima da mesa.

– Manda mais. É só isso?

Ela aplaudiu debochada.

– Por que demorou tanto?!

– Acho melhor você começar a me contar a verdade.

– Ainda faltam dois trabalhos pela sua memória.

– O que eu sou?

– O que você acha que é?

Eu não respondi.

– Você é manipulável, Sarah.

Elizabeth jogou a cabeça com nojo no chão.

– Por isso Runo te criou. Denny e Runo cada uma seguiu seu caminho. Mas você é diferente. Você tem corpo, mas não tem cérebro, uma hora é boa, uma hora é má. Se decida.

– Por que Runo me persegue tanto?

– Ela apostou que você era capaz de matar um anjo. Olhe pra você, um excelente cão de guarda, você mata, rouba, espiona a troco de nada! Ela te transformou numa máquina, e você obedece sem questionar. É isso o que ela quer! O projeto desmemoriado ambulante.

Eu segurei minha própria cabeça. Eu iria perguntar o que significava Ved? Não. Ela manipularia a verdade, ou ela seria assustadora demais para mim?

– Então você estava me testando. Não existem trabalhos a fazer. Você queria saber se eu era toda essa aberração que Runo dizia?

– Também. Você é valiosa. Burra. Mas valiosa.

– Vamos ver o quanto. — disse e saí

[ x ]

Liguei para Runo.

– Olha quem apareceu! — ela atendeu debochada

– Acho que temos que conversar.

– Onde?

– Qual é minha bebida preferida?

– Jack Coke.

– E meu lugar preferido?

– Tem um bar em Wilmont chamado a caverna. Você gostava muito de lá.

– Bom. Em 15 minutos lá?

– Em 5.

Não demorei pra chegar no lugar, e antes que eu entrasse, Runo apareceu atrás de mim com uma lata de coca cola e uma garrafa de Jack Daniel’s. Realmente coca com Whisky é muito muito muito bom.

– Fico feliz que você tenha me chamado.

– Você me criou. Acho que você tem as respostas que preciso.

– Respostas? Ah. Esqueci que você não tem memória. — ela riu e fomos andando em uma direção, caminhando lentamente

– Já estou começando a me arrepender de ter vindo. Desculpa moça, acho melhor eu ir .

– O que aquela imbecil da Denny te falou? — ela riu debochada.

– Me desculpa, mas. Acredita que eu já tive uma familiar impressão de que eu gostei muito de você?!

Ela se calou. Ficou surpresa. "Isso, Sarah. Você está ficando mais esperta.

– Familiar?

– Protegida. Eu sinto que já me senti assim perto de você. Como se confiasse em você. Mas quando te vejo essa sensação passa.

– Eu te escolhi porqu-

– Porque eu sou manipulável, obedeço sem questionar, sou um bom cão de guarda e etc. Continue.

– Não. Te escolhi porque você era a única pessoa que eu confiava. Eu te mandei caçar um anjo e você obedeceu sem pensar, e sabia que não teria nenhuma chance.

Chegamos próximo ao seu carro. Ela o ligou pelo controle automático e o porta-malas se levantou. Ela tirou do porta-malas

Um arco...

– A arma mais silenciosa do mundo, segundo você dizia. Flech-

– Flechas de carbono de 35 reais, com capsulas para guardar tranquilizantes, nitrogênio, mira laser, peso superleve, desdobrável.

Percebi que tive um leve mergulho na minha memória.

– Caramba. Você realmente se lembrou. — ela deu uma palminha

Meu olhar se prendeu no dela por vários segundos, e percebi que ela sorria para mim.

– Moça, posso perguntar por que o seu carro é ig-

– Igual ao da Denny? — ela terminou — Não. Esse é mais antigo. Ela comprou uma versão mais nova.

– Ele é muito bonito.

– Aquela vadia copiou até a mesma cor.

– Até o arranhado atrás da janela traseira também.

Runo se calou.

– Não tinha percebido isso no carro dela. Invejosa do caramba!

Eu ri. Denny era tão meiga e tão amável, jamais teria inveja de nada. Eu continuei olhando para o carro e não percebia que meu olhar era o mesmo que um presidiário olhando uma top model.

– Você não mudou nada, Sarah.

– Como?

Ela jogou a chave para mim. O que qualquer pessoa normal faria era ter evitado, era ter fugido, eu havia pago um mercenário para me ajudar a matá-la. Mas não. Eu era tão idiota, mas tão idiota, que eu fechei o porta-malas e entrei.

– Audi Roaster TT 1,8T quattro — eu disse

– Agora não é mais 1,8T, agora é motor 2.0, suspensão de competição

– Freio digital?

– Não. De fábrica.

"Acelera, acelera, gira bruscamente, freio de mão." — eu pensei comigo e como se o carro tivesse vida, ele obedeceu e deu uma deslizada perfeita. Nos descíamos uma montanha de Wilmont em alta velocidade, era emocionante demais, quebrar limites, dirigir, beber, isso me fazia poderosa. Eu me sentia o máximo.

Runo tomou mais um gole de whisky e me olhou confiante. Comecei a subir acima de 80 por hora e continuava acelerando. Girar, freio de mão, girar mais um pouco e acelerar. O passeio foi bem divertido, e bem proveitoso.

[ x ]

Eu estacionei no mesmo lugar que nós nos encontramos.

– Foi uma ótima noite. — eu disse sorrindo

A arma estava na minha mão esquerda, abaixada do lado do banco. Era só um clique, só uma puxada e a cabeça dela se explodiria, e tudo teria fim. Era a oportunidade perfeita de matá-la. Mas neste exato momento eu me recordei das palavras de La Loba me pedindo para não matá-la. Ao invés disso, eu dei um beijo na sua bochecha e saí.

Antes de eu bater a porta do carro, ela já estava com o arco e o tubo com todas as flechas dentro nas mãos atrás de mim. Foi mais rápido que uma piscada. Ela olhou para a minha mão que estava com a arma e a segurou. Ela torceu a arma como se fosse um pedaço de jornal e jogou no chão. Ser vampiro tinha lá suas vantagens

– Fica com o arco, Sarah.

– Obrigada por tudo, Runo.

[ x ]

O Apsu, o filhotinho estava tão contente no colo da Camila. Leon e Malina estavam na cozinha servindo vinho e Carine como sempre perdida, olhando pela janela. Eu fechei a porta e tranquei quando entrei.

– Demorou, hein? — disse Malina

– Fui buscar respostas.

– E então? — perguntou Leon

– Me decepcionei novamente. Parece que eu era realmente uma máquina de matar.

– Mas você tinha mudado, Sah. — disse Carine.

– As vezes eu acho que não.- e joguei o arco em cima do sofá

– Você esteve com Runo. — disse Camila — Chamou todos pra essa palhaçada de acabar com ela, e volta com um cheiro de bebida e com o cheiro dela no rosto.

– Você estava com ela, Sarah? — perguntou Malina desapontada

Eu caminhei em direção à bancada da sala, onde tinha um tabuleiro de xadrez.

– Mais do que isso. — eu respondi — Eu descobri o que ela quer comigo, e sei como negociar com ela.

– E o que ela quer?

– Que eu termine a missão, de matar Carine e Camila.

– Disso nós sabemos. — respondeu Leon

– Só que enquanto as duas estiverem vivas, somos nós que estamos no controle do jogo.

Eu peguei as peças. Coloquei uma dama negra.

– Runo. — eu movi a dama. — Ela possui Evelyn — movi a torre — Yul — e movi o bispo

– Nós temos:

Carine. — movi um bispo

Elizabeth — movi outro bispo

Camila — movi uma torre

Leon — um cavalo

Malina — outro cavalo

La Loba — o rei

– Quem é a dama?

– Não é óbvio quem é a dama?

[ x ]

Pouco tempo depois, eu estava me preparando para deitar, comemorando mentalmente por numa única noite ter conseguido confrontar Elizabeth e provar pra mim mesma que eu não tinha mais medo de Runo. Olhei para o sol que estava nascendo em Wilmont, e bocejei, com o sono que estava me dando.

Eu observei Carine saindo do banho. Ela tinha o corpo magro, era baixinha, mas os seios eram empinadinhos, a barriga bem definida.

As lendas não mentiam quando diziam que os anjos tinham uma beleza que assustava qualquer mortal. Eu me senti suja olhando para ela daquela maneira, mas meus olhos não saíram do corpo dela. Ela deu uma sacudida nos cabelos com a tolha, e depois se deitou do meu lado pra dormir.

– Eu fiquei preocupada de você sair.

– Mas eu estou bem.

Carine me sorriu de um jeito doce, e eu olhei no fundo daqueles olhos amarelos. Não resisti e sorri também. Ela baixou os olhos e eu a beijei, de um jeito manso, mas com algum significado. Ela tinha um jeito único de se encaixar nos meus braços, e assim dormimos.