Mission
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Karol acordou nua numa cama macia. Seus cabelos estavam lavados, estava limpa e parecia muito dolorida e cansada. Tinha uma bandeja de café da manhã com um bilhete cuidadoso, tudo bem preparado.
"Para a nossa lua-de-mel =) Eu te amo."
Gargalhou internamente. Devia ser o dia mais feliz de sua vida. Procurou por Viv, mas depois de uma pequena farejada no ar, sentiu o cheiro dela vindo da sacada. Deitou apoiada em seu cotovelo, apenas com um delicioso sorriso nos lábios por vê-la. Sua alma pertencia à ela, e aquilo era bem óbvio. Vivian, que não sabia que ela ainda estava acordada, atendeu o telefone e segundos depois começou a gesticular. A loira gritou com ele. Depois de alguns segundos, se sentiu comovida e começou a chorar soluçando.
— Vivian, você gosta dele?
— Não. Eu só tenho um carinho muito forte por ele, e estou me sentindo culpada. Decidi dar a liderança do grupo pra ele.
— Eu não acredito nisso! — a ruiva gritou
— Karol. Se eu te pedir pra ir embora comigo você iria?
[ X ]
Ver a moto de Karol me deliciava. Olhei para trás e não vi ninguém. Peguei as chaves em cima da geladeira, vesti uma regata e um short qualquer, um maço de cigarros e a pulseira de Clarah. Fui até a moto, a descobri com a lona que estava em cima e dei partida. Era realmente uma delícia. A suspensão dela estava macia, mas o guidão um pouco duro. Havia combustível o suficiente para ir em Wilmont. Lá eu abasteceria e voltaria.
Espera. Eu sabia dirigir? Eu sabia a diferença de um motor 2 tempos e um 4 tempos? De injeção eletrônica para carburador? Seriam memórias antiga?
[ X ]
— Cara, você é muito chato! — Camila quase gritou indo para o outro lado do apartamento
— Que isso! Eu só te perguntei se você quer sair comigo um dia desses. Não peço mais, deixa quieto.
Malina não tinha muita paciência para com os dois. Tocava algo no violino em seu quarto, até ouvir na radio que Runo estava de volta e recentes casos de desparecimento atordoavam Wilmont. Me deu uma sinalizada por uma mensagem no celular. Estacionei a moto no meio da floresta, acendi um cigarro, peguei o telefone de Runo.
— Se realmente você é quem diz ser, eu quero vê-la! — eu disse
— Sarah, tudo bem. Podemos nos encontrar, mas não quero que avise ninguém.
— Por que?
— Acho melhor negociarmos sozinhas.
— Certo.
— Tem uma local vazio talvez há 3 ou 4 km de Wilmont subindo a estrada Oeste. Nos vemos lá.
Em alguns minutos dirigindo fui até o local combinado.
Eram ruínas de alguma igreja que havia acabado ou coisa parecida. Haviam paredes brancas e escadas de pedras imensas, e um piso redondo no chão, também branco, mal-iluminado pela luz da lua. Cheguei ao centro do lugar, e olhei o relógio como se estivesse esperando alguém. Senti algo caindo perto da parede e um corpo caiu, ou melhor pousou no chão.
Então a tal grandiosa vampira, Runo parou em minha frente. Com um sorriso meio debochado. Seus olhos estavam mais naturais que nunca e suas presas guardadas. Até me convenceria.
— Sarah Miller? – perguntou de um jeito. . . doce – Querida, você está bem?
Joguei o cigarro no chão e pisei.
— Sarah Lee, moça.
— Sou sua madrinha, Runo, possivelmente você não se lembra de mim. – ela deu um passo em minha direção — Eu sinto por ter te recebido mal na frente de Evelyn, mas eu trato ela diferente.
— Moça, por favor, não se aproxime.
Ela me ignorou e se aproximou de novo.
— Você tem medo de mim?
— Tá, e o que você quer, Runo?
— Eu quero a vida dela.
— Por quê?
— Na verdade você era responsável por fazer isso por mim.
— Eu jamais faria isso.
— Sim, você voltou ao colegial, você fez toda uma vida falsa, mentiu para a sua família, em nome da lealdade que tinha a mim. Sim, você também planejou isso.
— Eu duvido muito.
— Aproveita que perdeu a memória. Pergunta pra Yul, por que você tem que matar Carine.
— Eu não vou matar ela. Eu não sou como você.
— Você sabe o quanto é gostoso sentir a morte nos lábios, Sarah. Eu criei você, eu te treinei e você era uma assassina tanto quanto eu. Pergunte à Denny, à Malina sobre a noite em que você virou um monstro, não se esqueça.
— Afinal qual o seu problema com ela? Ela te fez alguma coisa?
— Eu não me importo se você gosta desta garota ou não. Ela sabe quem matou meu marido e se recusa a falar.
— Não se preocupe. Eu vou levar ela embora. – eu sorri debochada e virei as costas
— Vai largar a pessoa que te criou por alguém que sequer lembra quem ela é?
— Sim e é bem por aí, Runo. Se você realmente tem a razão que diz ter já teria feito algo antes, duvido que até você mesma acredite que ela saiba de algo.
— Você é burra o bastante pra confiar nisso?
— Me prova algo melhor.
— Você vai ser um cachorro de estimação na mão dessa menina, Sarah. Anjos não são confiáveis.
— Vampiros são? – gargalhei.
— Nós vamos nos encontrar em breve, Sarah Miller. – disse num tom que me causou medo
— Eu não tenho medo de você. — menti, minha voz falhou
— Sei. — riu – E cuidado com os seus anjinhos.
— Que seus? — eu pensei alto.
Runo piscou, e eu procurei meu celular. Quando olhei para o lugar, ela já tinha sumido. "Oh, merda, Camila!"— pensei e liguei para ela
— Camila? — eu perguntei.
— Sou eu, Sarah! — Carine disse, falando do celular de Camila
— Aonde está a Camila? Perguntei.
— Eu também estou procurando por ela. Ela sumiu. Por que tá ligando pra ela?
— Eu não sei.. — eu fiquei sem resposta
— Sarah, você sabe aonde ela está?
A imagem e o sorriso diabólico de Runo me vieram a mente.
— Não, eu não sei, Carine.
— Sarah, você sabe de alguma coisa?
— Não. — e desliguei o telefone
Liguei para Denny.
— Sarah?
— Denny, lembra da Carine?
— O anjo. — respondeu seca — O que tem?
— A irmã gêmea dela, acho que Runo a capturou e eu não tenho idéia de aonde ela possa estar.
— Eu vou procurar saber de algo.
— A gente não tem tempo Denny! Isso é pra ontem.
— Okay, fica calma. Tem alguém que possa contar que seja imparcial?
— Leon, Malina, e espera....
— Quem mais?
— Tem um garoto, Felipe, ele diz que eu devo um favor por ter lutado ao lado dele na batalha do Alpha. Posso contar com ele também.
— Ótimo. Não vamos agir hoje. Vamos à casa de Malina e lá faremos um plano. REPITO: Não aja sozinha Sarah.
— Tudo bem.
— Sério, você não é pareo para ela. NÃO AJA SOZINHA.
— Okay, Denny.
Acionei Felipe e em poucas horas estavamos todos na casa de Malina. Carine estava muito aflita, como se realmente pudesse perder a irmã. Estávamos todos aguardando um sinal meu para prosseguirmos. Então no meu celular surgiu uma chamada de origem desconhecida. Eu tinha que pensar, e pensar muito rápido.
— Alô? — eu atendi
— Sarinha. — Runo disse com uma voz alegre
— Você está com a Camila, não é? — eu fiz uma voz confiante e debochada
— Se pegarmos a irmã dela, talvez ela conte. — Runo disse — Vá lá salvar o seu amorzinho antes que eu a pegue também.
— Aonde ela está?
— Não importa. Você vai fazer o que eu quero.
— Ela é um anjo, não pode matar ela.
— Sim, aonde ela está eu posso sim.
— Não acredito.
— Vamos brincar, Sarah. Como nos velhos tempos.
Desliguei na cara da vadia.
— Malina? — fui ao encontro dela — Ela disse que Camila estaria num lugar aonde ela não teria poderes. Isso não é possível
— Sim, e é possível.
— Aonde seria? — perguntei de novo.
— É um terreno amaldiçoado. Só existe um aqui em Wilmont, fica numa mansão abandonada aonde algumas pessoas dizem ser um portal do inferno. Só tem um problema. – ela deu um sorrio meio frio
— Qual?
— As pessoas não costumam sair vivas de lá.
— Okay. Denny disse que vai esta junto. Leon também vai.
— Eu chamei o Felipe, e a Stephanie. — e indiquei os dois que estavam de braços cruzados do outro lado da sala. — E você vai levar a gente lá?
— Eu não posso ir com você infelizmente. Humanos e seres de luz são facilmente corrompidos se ficarem lá. Mas eu vou rezar por vocês.
Carine ficou irritadíssima com aquilo e foi para a varanda. Eu fui atrás dela.
— Carine, ela prendeu sua irmã, e vai forçar ela a falar ou até mesmo matar ela. Você tem certeza de que não foi a Camila quem fez isso?
— Não, Sarah, não foi a Camila quem matou esse cara. Eu conheço ela muito bem, e sei que ela é incapaz disso.
— Certo. Hora de agir, vamos.
[ x ]
Denny segurava uma arma com uma mão, enquanto Leon usava as duas e seguiam entrando na casa. A grande casa de madeira era muito velha e parecia mais uma mansão. Elaboramos um plano qual seria impossível ela sair da casa sem ser percebida. Nos formamos em grupo e nos espalhamos, taticamente parecia dar certo.
Leon e Denny entraram primeiro, Felipe e eu entramos pelos fundos.
Víamos feixes de luz das lanternas deles. Eu estava armada, porém tão assustada que não serviria de muita coisa. Vasculhamos quartos, cozinhas, e quando pensamos em descer pelo porão, Denny veio correndo em nossa direção.
— Ela ficou presa num grande calabouço, presa. — ela disse, com pressa
Leon se sentou com a cabeça baixa e segurando-a. Mãos apoiadas nos joelhos e de pernas abertas numa posição atordoada.
— Céus. E o que vai acontecer?
— Camila é forte, ela ai saber se virar. — disse Denny.
Eu senti que o chão da casa era oco. Faltava um pedaço.
Eu joguei minha jaqueta para trás e tirei a camiseta. Felipe começou tirar a suas bermudas e nos transformamos quase que de mesmo instante. Como uma roda começamos a cavucar, fazer um buraco imenso no chão de madeira e fazer um buraco imenso, cavando e depois encontraram um alçapão antigo com uma argola de cobre. Quando paramos, Leon pulou perto de nós, e abriu o alçapão. Foi o tempo de mal nos vestirmos e pularmos juntos no calabouço.
Eu caminhava com a minha lanterna e uma faca na mão, tomando cuidado com os chão molhados daquela água imunda. Com a queda, decidimos nos separar nos túneis.
Leon, o mais desobediente seguiu em frente, sem perguntar qualquer coisa. Denny ficou lá em cima para esperar Carine. Eu fui pelo corredor que iria para o Sul, e Felipe o do leste.
Parecia um grande esgoto, com uma água verde, mas a água parecia cintilante, de algo que desconhecíamos. Eu ouvia pequenos ratos e morcegos passando pelo túnel.
De repente todas as luzes se apagaram e uma quantidade de medo invadiu minha espinha.
Eu senti Runo abraçar minha cintura por trás.
— Vá salvar sua amiguinha. Eu ainda vou ver você mais vezes, Sarah Miller. — ela sussurrou
Ao me virar ela não estava mais lá. A luzes do pequeno esgoto se acenderam de leve e meu susto foi tão grande que senti a arma cair de minhas mãos. Eu não pude ouvir seus passos molhados no chão naquela água verde, nem o seu cheiro ou o seu rastro. Runo desapareceu como o vento. Num suspiro peguei a arma e continuei o caminho.
Denny gritou.
— Camila?
Não houve resposta e ela gritou uma vez mais alto.
— CAMILA??
— Aqui.- ela respondeu por trás de aguma parede
— Meu amor, você vai ficar bem. — Leon gritou
— Está vendo algum jeito de sair daí? — Denny gritou de novo
— Só uma grade. Mas é forte demais para mim. Me sinto humana aqui.
Camila estava de um lado da grade, mas não adiantava, as barras de aço eram fortes demais. Felipe deu alguns passos para trás e bateu com o ombro contra a parede, ela trincou. E depois ele deu um chute, terminando de fazer a parede quebrar e fazendo uma boa porta.
Leon ao ver o espaço, correu ao encontro da Camila e abraçou ela de um jeito bem apertado como se fosse pegar ela no colo.
— Tá. Menos. Chega. — ela disse se soltando — Você é gelado, cara.
Ele custou mas a soltou. Carine e Denny chegaram poucos segundos depois de nós.
— Você está bem? — Denny perguntou
— Já passamos por coisas piores. É cada fria que eu me meto por você. — Camila disse
Carine de leve sorriu e ficou contente.
— Que bom que você está bem.
Aos poucos saímos de lá debaixo. Elas foram procurar Malina e Elizabeth para Camila recuperar suas forças, Stephs e Felipe voltaram para o bando, Leon e Denny às suas atividades e eu peguei a moto para voltar para casa. Comprei algumas baboseiras numa lanchonete de posto de gasolina e alguns remédios para dor também. Não demorei muito fui para casa, me banhei demoradamente e tentei dormir antes delas voltarem.
O rosto de Runo me atormentava e sua gargalhada era cruel. Nos meus sonhos ela gritava com todos e eu vi todas as pessoas que eu conhecia amarradas na parede. Pareciam pedras cinzas que formavam as paredes, parecia algo medieval, com velas acendendo o cômodo. No meio da sala, um tapete vinho, e uma pequena mesa redonda na altura de minha barriga com uma caixa. A caixa era dourada com luzes azul-claro bem brilhantes por volta dela flutuando no ar.
— Aí tem suas memórias. Ou você ou eles.
— Solta eles daí.
— Eu não sei tirá-los. Mas talvez você se lembre de como fazê-lo. Somente abrindo a caixa.
— E se eu não puder ajudá-los depois de abrir a caixa?
Ela gargalhou de novo. E então de repente eu abri a caixa quando ....
Acordei do pesadelo. Me lembro de chorar e murmurar algo. Carine estava me abraçando.
— Por favor. — eu agarrei o peito dela
Suspirei muito forte, quase chorando. Carine me abraçou pela cintura e ficou bastante tempo em silêncio mesmo.
— Não deixa ela me pegar. — eu pedi
— Eu não vou. Ninguém vai te pegar, Sarah. — sorriu — Eu prometo. Eu to aqui, tá?
Ela enxugou meu rosto e eu a abracei mais forte. Suavemente o querubim me acarinhou nas costas e no cabelo, o suficiente para me acalmar.
— Obrigada por estar aqui comigo, nesse pesadelo. — eu disse
— Tudo bem, Sah. Eu sempre vou estar aqui com você.
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