Notas iniciais
Queridos monstrinhos da tia. Algo que eu recomendo, é que vocês leiam a One-Shot Vivian, para entender melhor esse capítulo. A One não é obrigatória, mas é recomendada, vou deixar o link abaixo para vocês.

Vivian e Karol

Ainda não compreendo em pleno século 21 como os casamentos permanecem os mesmos de 2 mil anos. Stephanie fez uma trança embutida e estava com um vestido quase grego. Bem leve, de seda e branco, com braceletes de platina nos braços, que combinavam com os detalhes de sua sandália. Era uma grande honra para os lobos que a Alpha e a Líder de nossa casa se casassem ao mesmo dia, e era mais honroso ainda ver uma menina tão bonita e tão inteligente se sacrificando tanto pelo bando.

Apesar de no dia anterior ter caído uma chuva forte, o sol estava a nosso favor, e deixava tudo mais lindo ainda, pois cada pequena gota de orvalho que caía das árvores dava uma cor mais bonita ao cenário. A cerimônia dos dois foi linda, ela não conseguia parar de chorar, emocionava-se. Felipe casou com um colete prata por cima, a camisa mais ajeitada, e uma calça preta. Ele até tentou arrumar o cabelo, mas ela o fez questão de bagunçar. A cerimônia dos dois foi quase perfeita. Exceto pela falta explícita que todos sentiam de Karol.

Vivian subiu ao altar, com uma tiara de flores na cabeça, vestido longo branco e um bracelete de couro, um pouco abaixo do ombro. Seu marido estava vestido como um lobo, na verdade, como um índio. Camisa social branca toda abarrotada com um ou dois botões abertos, uma calça bege, ele tinha os cabelos compridos, um pouco abaixo do ombro, castanho escuro.

Ele estava sorrindo muito feliz e não conseguia conter a emoção de estar esperando por ela.

Clarah, Stephanie e eu estavamos tristes, não queríamos que aquele casamento fosse em frente. Karol não estava lá, talvez não tivesse estômago para ver a mulher que amava subindo ao altar com alguém. Era doloroso demais.

Ao sentir aquele arrepio, eu segurei a mão de Carine mais forte e ela me olhou. Vivian vagarosamente caminhava em direção ao altar com lágrimas nos olhos. Ela de relance nos olhou com cara de "eu sinto muito" ao mesmo que tentava mostrar um sorriso perfeito para o noivo.

Todas as meninas entrelaçaram as mãos, precisaríamos de um milagre ali. Aonde estava Karol? Será que ela nunca mais voltaria? Sua mágoa seria o suficiente para ela nunca superar aquilo. Quando o "cacique" começou a pronunciar a cerimônia, ficamos todos em silêncio, mas não por ele, mas porque olhamos para trás.

Karol estava ali, apenas deu um passo a frente. E seu silêncio falou alto, mas tão alto que fez com que todos olhassem para ela, e ela então voltou o olhar negativamente para Viv.

Quebrada. Essa foi a palavra que eu achei para definir minha irmã de grupo. Emocionalmente, mentalmente, e abatida fisicamente. Seus olhos tinham ma cor de que ninguém conseguiria explicar, algo refletia sua alma e mostrava que a Karol que conhecíamos não era a que estava na nossa frente.

Karol estendeu sua taça, como em um brinde, virou as costas, começou a andar, e as pessoas olharam para aquela situação, incrédulas. Tirou seu vestido e seu salto alto, os jogando de qualquer jeito no chão

Vivian gritou e saiu correndo em direção à ela, mas já era tarde, ela não se virou.

Talvez estivesse cansada de esperar.

Ou talvez Vivian apenas tivesse percebido que só iria dar valor quando Karol não estivesse mais ali.

Numa troca de olhares mais que perfeita, a loira olhou nos olhos do noivo e chorando fez um sinal negativo com a cabeça e começou a correr atrás de Karol.

Nós que estávamos de mãos dadas, sentimos vontade de levantar e gritar gol dos 46 minutos como numa partida de final de campeonato. La Loba ficou entristecida, pediu desculpas ao público e se virou para procurá-las.

Felipe e Stephanie, que já estavam casados, agora mais que nunca estavam felizes por completo e aprovaram completamente a decisão do casamento delas. O Noivo frustrado de Viv deixou a festa, mas a mesma não parou por isso. Stephs não conseguia parar de chorar e gargalhar ao mesmo tempo, num gesto até um pouco idiota. Me abraçou e a Carine também, agradeceu por termos ficado lá. Felipe se ofereceu para caçar runo se preciso. E a relação com ela me fazia me lembrar, e fazer dor.

— La Loba.. — eu a chamei de cantinho

— Sim, filha.

— Stephanie e Felipe São casais perfeitos, assim como vários outros lobos, Vivian e Karol, Clarah e Mike, Kim e Estevão. Observe todos.

— Sim, eu sei. São o que os humanos chamam de alma gêmea. Todo lobo tem um outro lobo inverso. Por isso é muito difícil um lobo se apaixonar por alguma outra coisa. Sabe esse tal filme de Crepúsculo que suas irmãs assistem?

— O que tem?

— Esse tal printing.

— Imprinting, mãe! — eu gargalhein — Printing é imprimir.

— Que seja. O que que quero dizer é que as coisas são um pouco parecidas. Nas matilhas de lobos, apenas um casal por vez pode ter filhotes, e repare que os lobos são monogâmicos, independente do tamanho do bando. A relação de parceria é muito forte.

Observei de longe Camila que conversava com Carine. Senti um sorriso triste pelo meu rosto.

— É a Carine, não é?

— Sim, eu me sinto estranha em relação à ela.

— Olhe, eu não sei se você sabe, Sarah. Mas você já amou demais aquela menina.

— Sério?

— Você era doida por ela. E apesar de não ter memória alguma dela, eu tenho certeza de que isso não acabou.

— É. Talvez não.

— Tem algo que eu não saiba?

— Eu acho que ontem eu e ela. . .

— Há! — ela gargalhou — Foram fazer a dança do acasalamento?!

Eu não pude evitar gargalhar também.

— É, mãe. Mas eu acho que foi só na minha cabeça. Mas não importa.

— Sarah. — ela disse baixo. — Cuidado com ela, filha.

— Por quê?

— Fazer um imortal se apaixonar por um mortal é crueldade. Vocês podem ser felizes juntas, eu concordo, mas um dia você vai precisar ter sua própria família e seus próprios filhos.

— Sim, e por que não com ela?

— Sarah, quão mal faria à ela se você desse uma família, para que ela visse depois um a um morrerem lentamente.

— Por que diz, isso mãe?

— Porque sou imortal, já renasci dezenas de vezes. Mas me parte o coração. Olhe. Karol e Vivian, eu peguei estes bebês no colo, e hoje eu sei que elas estão se casando. 30 anos passaram muito rápido, e daqui há 30 anos, elas terão a minha idade e consequentemente morrerão algum dia. Eu amo tanto vocês. E vou estar aqui para ver todas serem sepultadas e enterradas.

— Que horror mãe. — eu senti algumas lágrimas pelo meu rosto

— É. É o que penso todos os dias.

— Eu te entendo. E prometo que não vou fazer isso à ela.

La Loba beijou minha testa.

— Filha. Apesar de sua ideia maluca, não mate Runo.

— Por que?

— Clarah lhe dirá a resposta. Tudo bem?

— Sim. . .

— Somente prometa que por mais cruel que aquele monstro seja, e por tantas vezes que ela lhe tenha forçado a matar pessoas, por todas as vezes que ela mesma tentou lhe matar, acredite. Se você matar aquela mulher, será milhares de vezes pior que ela.

— Eu prometo mãe. Eu não vou matá-la.

— Ótimo filha.

Fui descendo as escadas em direção à floresta.

— Mas isso não quer dizer que eu vá bater muito nela. — eu ri e pisquei para ela.

[ X ]

— Karol! — Vivian quase gritou

— Me deixa em paz! — gritou de volta

Ambas estavam nuas, e encharcadas pela pequena chuva que caía sobre a costa aonde estavam. O sol estava quase se pondo, Karol correu por dezenas de quilômetros floresta fechada abaixo, por um rochedo, saltou do penhasco, saiu no mar. E estavam numa pequena praia completamente escondida, com um por do sol fantástico. (referência: Coastal Village do Tomb Raider 3 foto)

— Por que não me ouve? — gritou ela

— Eu não quero te ouvir, eu não quero te ver. Eu só quero que me deixe em paz. — e subiu numa pedra para já saltar em sua pele de lobo novamente

— KAROL, EU COMO SUA LÍDER, ORDENO QUE PARE! — gritou

Karol parou e voltou, cruzando os braços e olhando os olhos dela.

— Sim, senhora.

— Desculpe, eu não quis fazer isso. — respondeu

— Prossiga.

— Venha até aqui.

— Que lugar lindo. — mencionou Viv, maravilhada — Você vem aqui?

— Pode ser direta?

— Karol, eu não quero fazer nada que te magoe.

— Jura? — falou debochada

— Eu realmente sinto muito por ter te magoado e por ter levado um noivado de marketing tão a sério. Eu realmente sinto muito mesmo, porque tudo o que eu quero é ter uma vida com você agora.

Vivian realmente começou a chorar, coisa que jamais a vimos fazer em toda a nossa história na família.

— Karol, é absurda a forma como eu amo você. Eu não ligo pro bando, eu não ligo pra essa coisa de ligação. Se nossas partes lobas realmente possuem isso, ótimo, mas eu não me incomodaria de ficar humana para sempre somente pra te provar que eu amo muito além disso. E que bom que corremos 20 ou 25 quilômetros, sem comer nem parar. Espero que isso prove que eu iria até o fim do mundo por você.

— Então por que não foi antes? Você viu que eu te amava e mesmo assim parecia não se importar.

Karol deu um passo em direção à ela.

— Você me odeia? Tem raiva de mim?

Ela não respondeu. A loira caiu de joelhos no chão, virando a cabeça para o lado num sinal de que a outra deveria morder seu pescoço. Para quem não entende, acertar a jugular de um lobo pode ser fatal.

— Sou tua, faz o que quiser.

Karol pela primeira vez em horas, se aproximou dela e caiu de joelhos também a olhando nos olhos, segurando a ponta de seu queixo para mais perto.

— Eu sou louca por você, ruiva. — a loira sorriu

— Eu também.

— Você pode me perdoar? — perguntou

— Olha eu não sei. Se eu disser que sim eu vo- e Vivian a interrompeu

— Shh, você fala demais. — Viv a beijou