Mission
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Notas iniciais
Aquele era o meu bando.
Eu saltei com as patas de lobo caindo no chão, e aos poucos eu sentia o vento gelado que ela trazia para perto de mim. Como se brincássemos de esconde-esconde. Eu olhei para o alto, e procurava por ela, mas era inútil, ela não estava mais ali.
Então de raiva, eu também voltei a pele humana e me escondi, agachada perto de uma grande raiz de árvore.
Senti Yul pousar levemente num canto próximo à arvore e então saltei sobre ela a abraçando com força.
– E... Aquela ali é a sua La Loba. Um tipo de líder. É tudo o que eu sei.
O garoto estava sentado na escada da varanda e a loira sentada entre suas pernas, com as mãos sobre as dele. Ele cochichava algo bobo no ouvido dela e ela gargalhava.
Do outro lado, uma moça de cabelo vinho e de pele clara fumava irritada, encarando uma loira que estava no telefone, deixando nítida a impressão de seus ciúmes.
Devidamente, pareciam felizes, porém irritados. O que me chamou a atenção, foi uma mulher mais velha, de talvez 30 anos, de pele muito branca, que parecia estranha e longe. Digitava algo no notebook pela janela do seu quarto.
– Por que tenho a impressão de que conheço ela há muito tempo?
– Calma.
– É ELA! – ouvi um grito – PESSOAL, É ELA! – gritou um dos garotos
Achei que havia acontecido algo, e eu tentei correr para me esconder. Tentei gritar por Yul, mas foi em vão. E um lobo imenso, grande e cinzento parou em minha frente, rosnando, mas batendo, acenando a cauda que também era imensa. O cheiro dele era bom, mas ao mesmo tempo tão diferente, era uma garota e pelos olhos, era aquela garota distante do notebook.
Surgiu um lobo castanho e parou na minha frente.
“Burra” – foi tudo o que eu consegui ouvir ou pensar. Não sei
“Eu não estou brigando por território” – pensei, mas com certa ênfase.
“Espionando?” – perguntou de volta
“De passagem”
O lobo castanho abaixou a cauda e veio até mim, um pouco mais alto e cheirou meu focinho, costas, barriga e cauda. Eu me mantive imóvel durante a “revista”. Depois ele colocou suas patas por cima de mim e me jogou no chão.
Lati e avancei de volta e rolamos, mas como se fosse uma brincadeira. Tempo o suficiente para o maior de todos, um branco me prensar e começar a me cheirar também.
“Agora apanho” – pensei
Ele me lambeu razoavelmente pelo rosto, até o cinza chegar. Ele empurrou o branco para longe, e começou a me lamber, morder, acarinhar, empurrar tudo junto. E latia contente.
– Sarah! – ele, ou melhor, a garota me abraçou em sua forma humana, chorando
Parecia um choro de alegria, raiva, saudade, tudo junto.
– Por que você sumiu?
Eu a olhei estática.
– Sarah, você é doida! Como some e deixa sua irmã assim? – perguntou ela
E a sensação me encheu por completo. Agora eu tinha um lar.
– Tá moça, mas quem é você?! – perguntei
– Sou eu, Clarah! Tua irmã! – olhou no fundo dos meus olhos.
– Eu me perdi numa floresta esquecida em Wilmont. Eu realmente não sei quem eu era antes de semanas atrás, eu não sei quem são meus pais, de onde eu vim, ou o que sei fazer. Eu sinto muito.
– La Loba talvez conserte isso. — disse a menina do cabelo vinho.
Ela tirou uma pulseirinha de madeira com um pequeno lobo entalhado, era pequeno, frágil. O objeto possuía pequenos contornos, e estava preso numa pequena cordinha.
– É lindo. — eu sorri e ela sorriu de volta
– Voce tinha um também. — e me deu
– Olá! — disse Yul saindo de alguma árvore
– Agora que eu não preciso mais de você?! — eu sorri — Já não estou mais em apuros.
– Essa aqui é a Clarah. Vocês são irmãs. Clarah é sua irmã biológica, são irmãs por parte de pai, e então, esses são o Felipe e essa é a Alpha, Stephanie estão juntos há muito tempo. Hoje eles vão fazer 3 anos e meio juntos. Quando mais novos descobrimos que ela era a líder de todo o bando, só que agora ela sofre uma pressão para terem filhotes.
– Nossa, eu ainda não sei o que dizer.
– A ruiva é a Karol, e a loira a Vivian. Agora nós vamos subir e encontrar a La Loba.
[ x ]
Seguimos para a casa de nossa família. Caminhamos lentamente pela floresta, passando pelos pinheiros até chegarmos num grande pasto aonde havia a nossa casa.
Era uma grande casa antiga, com vários mensageiros do vento, filtro dos sonhos, penas e artigos esotéricos pendurados pela varanda e corredor. Parecia algo indígena com bruxo, se eu fosse descrever melhor o que vi. No segundo andar, na sacada, algumas caveiras de gesso penduradas. Do lado de fora, duas picapes e uma moto coberta por uma lona.
Aquela senhorinha, um pouco mais escura que eu com sorriso simpático surgiu. Aquela era La Loba, minha mãe, nossa mãe, e como as diversas La Lobas que vivem ao redor do mundo, ela também mãe de todos que existem na Terra.
La Loba me abraçou.
– Minha filha voltou para casa. Eu me sinto bem de ver você, minha querida.
– No final dessa semana teremos um dia muito feliz, terá casamentos, e quanto há casamentos na alcateia é muito bom para todos nós. Em breve virão novos filhotes, novas coisas, será uma festa muito bonita, Stephanie, nossa Alpha vai se casar. E ao mesmo tempo, a líder do nosso grupo, Karol vai se casar também. Não poderiam haver momentos mais felizes e mais alegres.
– Que ótimo. – eu respondi animada.
O dia foi produtivo. Eu conheci toda a família e ajudei a todos nos preparativos para o casamento, minha mãe La Loba era muito acolhedora e muito carinhosa com todas nós. Ela me explicou basicamente a sequência de como era a nossa vida. No final do dia eu estava exausta. Fui para o meu antigo quarto me deitar,
Meu quarto não era diferente de todos os outros. Cortina e paredes beges, uma grande cômoda e um guarda-roupa de armário maciço, mas o que eu mais gostei era que a cama era muito grande, muito grande mesmo, com várias almofadas de todos os tamanhos e pufes jogados no chão. Uma espécie de conforto acolhedor para descansar. Praticamente me joguei de costas no chão e senti uma ligação vibrando no celular.
– Sarah, aonde você está? — perguntou Carine
– Estou em casa, com minha família.
– O que está fazendo aí?
– Como assim? Eu vim ver quem eu tenho que ver.
– E por que não me avisou?
– Você deixaria?
Ela bufou e desligou o telefone.
Acendi um cigarro na janela, tirei minhas botas e olhei a lua. Ela estava cada dia mais linda e mais alta. Me fazendo ficar louca.
Aquele perfume. Eu realmente deveria ter tido mais atenção
Era algo doce e azedinho, como morango, que ficava sempre na pele dela, mas ainda não era o cheiro nem o cabelo, eram aqueles malditos olhos. Que eram verdes demais para serem castanhos, mas ainda não eram de todo verdes. Era de um dourado, cor de mel que fazia eu me perder. Os de Camila já eram mais esverdeados ainda, quase verdes, (verdes são mais comuns), mas os dela. . .
Carine me envolvia muito. As vezes eu ainda pegava o celular para acompanhar as mensagens antigas, para realmente saber o que havia acontecido entre nós duas. Poderia jurar que ao fechar os olhos eu sentia o gosto de seus lábios nos meus, e quanto mais tentasse empurrar estes pensamentos para longe, mais ainda eu a sentia. Eu fechava os olhos e nos imaginava num box de vidro embaçado, a imaginava nua, a mão aberta contra o vidro do box, as pernas cruzadas em minhas costas, minha boca em seu pescoço. Seus gemidos me faziam delirar e ansiar por mais dela.
Por que tanto ela quer que eu recupere a memória? — pensei — O que um lobisomem de 17 anos, assassino poderia ter que ela queria?
Me deitei, mesmo com as roupas. Na minha cabeceira olhei as horas, 22h43min. Não era tarde, mas já estava bom para eu ir dormir. Tirei todas as minhas roupas, exceto a calcinha e deitei de bruços de qualquer jeito na cama. Acordei com ela abrindo a porta.
– Cara, por que você tem que ser tão irresponsável? — Carine falou
– Boa noite, que horas são? — perguntei sonolenta
– Sarah, ce tá me ouvindo? — ela perguntou de novo
– Carine, eu não quero ouvir sermão. — eu disse
– Então porque procura?!
– Cara, eu estou bem, eu sei me cuidar.
– E esse cheiro de cigarro? Por que ainda fuma, Sarah?!
– Ain, tá chega, você me estressou hoje! — eu gritei com ela
– Eu me importo contigo! — ela disse — Para de fazer essas coisas!
Vesti uma camisa que estava no chão, e levantei, rumo a porta para poder sair. Senti fúria saindo de seus olhos. A baixinha me empurrou para a parede com força, e eu fiquei um pouco imune. Senti vontade de brigar com ela de novo, mas virei as costas, e saí para ir tomar banho. Voltei ela estava deitada de costas pro meu lado, então puxei a colcha dela.
– Tá. Dorme bem.
– Me devolve isso! Eu to com frio. – ela falou
– Mas de frio você não morre mesmo! Você não morre nunca. — eu disse num tom sério, porem engraçado.
Ela havia ficado irritada, e eu continuei gargalhando, e sua tensão apenas aumentava.
Carine me puxou pelo canto. Eram 02h01min
– Eu quero dormir. Preciso ficar quieta. (u.u)
– Você não precisa dormir.
– Meu corpo precisa descansar. — disse e continuou andando
A mordi pelo pescoço, assoprando seu pescoço, e a mesma ficou arrepiada dos pés até o seu pedaço mais íntimo.
Anjo ou não. Eu a teria.
Mordendo seu pescoço aos poucos, não percebi que ela me prendeu segurando minha cintura, e quando eu notei, segurei a sua e a coloquei por cima de um balcão, claro sem cessar os beijos.
E aqueles olhos amarelos, me encararam no fundo.
E eu estimulava cada seio, arranhando-os nos bicos, passando a língua, alternando mordidas.
E eu senti sua mão direita invadindo meu zíper, explorando cada pedaço, provocando também.
E eu sentia escorrer pelas minhas pernas, enquanto a senti provocando e querendo.
Descruzei minhas pernas de suas costas e ela me encarava enquanto beijava minha barriga. Fechei os olhos olhando para o alto e poucos minutos depois eu tive meu primeiro orgasmo
Eu beijava sua coxa e ia subindo, percebendo que ela estremecia à cada toque. . . Tudo junto.
Aquele famoso "não sei mais quem era eu, quem era ela, éramos uma coisa só". Era exatamente isso. Fícavamos conectadas. Por sentimento, força, amor. Tudo junto. . .
Olhei para o relógio novamente, eram 02h01min. Acordei de meus pensamentos, e a vi deitada do meu lado na cama. Era exatamente a hora que discutíamos, mas ela estava deitada e muda.
– Carine. — lhe dei uma saculejada
– Oi, Sah.
– Tá dormindo?
– Não estou, pode falar.
– Eu acabei de ter um Deja Vu. Eu sonhei que tinha te tocado. Ou melhor, que começava a te tocar neste exato instante.
Ela tinha o poder de voltar no tempo.
Será que aquele pequeno sonho tinha sido real?
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