Missing
7 Capítulo 7
O jovem moreno piscou, as pálpebras ainda pesadas do sono. Bocejando, Ken tentou se espreguiçar, quando sentiu seus movimentos tolhidos, ficando preso no lugar por alguém.
Surpreso, o ex-jogador de futebol virou-se para o seu lado, encontrando uma outra figura adormecida junto de si. Longos cabelos flamejantes estavam espalhados sobre os travesseiros, e uma expressão estranhamente serena estava no rosto da sua companhia. Esfregando os olhos, Ken finalmente percebeu que não era uma ilusão ou sonho, e que Schuldig estava realmente dormindo ao seu lado. E com um dos seus braços na sua cintura, prendendo-o protetoramente. Sentando-se bruscamente na cama e empurrando o braço do telepata para longe, o moreno se levantou logo em seguida, completamente horrorizado. Ele não havia dormido com um membro do Schwarz. Ele não havia traído seus amigos. Não havia acontecido nada... Havia? Suspirou aliviado quando olhou para baixo e viu que vestia as roupas compradas em Londres para fazerem as vezes de pijama. Passando uma mão pelo seu cabelo em desalinho, ele quase pulou de susto quando ouviu a voz familiar. — Guten Morgen, Kätzchen. Os olhos de Ken se acirraram. — Eu achei que tivesse mandado não me chamar assim novamente. O alemão se mexeu na cama, se acomodando melhor. Um sorriso irritante já agraciava suas feições. — Segundos atrás sua mente se preocupava com o quê havia acontecido de verdade durante à noite. Agora já esqueceu de todas as suas preocupações? Ken sentiu seu rosto esquentar, e virou a cara, olhando pela janela. A manhã ainda começava em Londres, e o sol matinal iluminava a capital britânica. Era uma bonita visão, estando em um quarto tão alto. Ainda sem se virar para o seu companheiro de viagem, ele perguntou: — O que aconteceu ontem à noite, Schuldig? — Você não se lembra? Antes que o moreno pudesse responder, ele foi abraçado por trás pelo telepata. Surpreso, Ken sentia o cabelo laranja do alemão fazendo suaves carícias na parte superior do seu corpo, que estava exposta. — Schuldig! — Depois de tudo, quer que eu o solte? O assassino mais novo começou a lutar para sair do abraço de Schuldig, mas sua tentativa foi frustrada e ele acabou apenas ficando de frente para o telepata. Mais uma vez, ele se deixou admirar os olhos de intenso azul do seu companheiro de viagem, fracamente iluminados pela luz do sol que atravessava as frestas da cortina. Um sorriso completamente predatório se abriu no rosto do alemão, que ainda aguardava uma resposta do ex-jogador de futebol. Ele também se encontrava vestido do mesmo jeito que Ken, o que significava nada na parte de cima, apenas seu cabelo solto. \"Você tem medo de descobrir o que aconteceu ou gosta de ficar assim?\" \"...Não é da sua conta.\" Schuldig arqueou uma sobrancelha delicadamente. — Claro que não, gatinho. Eu nem estava envolvido, não é mesmo? — Schuldig, eu espero que seu sarcasmo te mate um dia. — Não vai acontecer. — Nós veremos. — sentindo a oportunidade, Ken empurrou Schuldig para longe de si, fazendo o alemão se desequilibrar e cair de volta na grande cama do quarto. O telepata pareceu estranhamente surpreso por não ter percebido que o assassino mais novo faria aquilo. — E então? O que aconteceu? O sorriso característico do antigo membro do Schwarz voltou ao seu rosto, e ele respondeu lentamente, claramente apreciando cada segundo. — Nada. Absolutamente nada aconteceu. Ken piscou várias vezes antes de voltar a falar. — Nada? Nada mesmo? — Nada. Só alguns beijos. Depois você se irritou completamente com a situação e decidiu dormir. Cruzando os braços, o moreno pareceu considerar a resposta do outro. \"Como eu não me lembro disso?\" \"Eu apaguei as memórias.\" \"Cretino.\" \"Não é o primeiro a me dizer isso.\" \"Talvez porque você mereça o elogio.\" \"Você me faz rir, Ken.\" Suspirando resignadamente, o ex-jogador de futebol acabou por se sentar na beirada da cama, finalmente acordado. Olhando para o criado-mudo, ele viu as suas bugnucks, o que batia com uma das suas últimas memórias, que era ter quase cortado a garganta de Schuldig. Porém, ele também se lembrava de ter sido beijado pelo telepata. Como suas lembranças paravam aí, ele achou que o ruivo estava sendo sincero uma vez na vida com ele. Olhando para Schuldig, viu que ele havia ficado como fora jogado na cama, havia apenas fechado os olhos. Ken imaginava no quê ele pensava, até porque o seu sorriso havia desaparecido. Só então o ex-jogador notou que estava observando o rosto, e mais especificamente, os lábios do assassino mais velho. — Eu estou perdido. Foram as últimas palavras que escaparam dos lábios do moreno antes dele se lançar por cima de Schuldig e beijar o telepata, assustando o mesmo. Porém em questão de segundos, o alemão já respondia aos beijos de Ken, que dessa vez, não só havia iniciado tudo como estava perfeitamente consciente das suas ações. Prendendo o cabelo em um rabo de cavalo, Schuldig gritou para Ken, que estava dentro do banheiro: — Hidaka! Pronto?
— Quase... — a resposta veio meio abafada, porque a porta estava fechada. O alemão suspirou. — Você não tem nada que eu não tenha visto, mein Kätzchen. — É aí... — a porta foi destrancada — Que você se engana, Schu. — completou o moreno, saindo do banheiro — Por que todas as roupas que você comprou para mim são azuis? — Só as camisas. Ken deu um olhar gelado para o telepata. — É, você entendeu. Ignorando o olhar nada amigável do ex-jogador de futebol, Schuldig aproximou-se do assassino mais novo e tomou seu rosto numa das suas mãos, beijando rapidamente o outro homem. — Realça seus olhos. — Que seja. — revirando os olhos, Ken abriu a porta do quarto — Vamos tomar café logo, eu estou com fome. — Ja, ja. Eu imagino a fome que vai ficar quando fizermos tudo que eu tenho em mente. — comentou Schuldig ocasionalmente, piscando para o seu companheiro de viagem enquanto trancava a porta do quarto. — Schuldig! Os dois se afastaram em direção aos elevadores. Quando já havia entrado e descido para a recepção, uma figura apareceu no fundo do corredor. Devagar, ela andou até a porta do quarto que os dois ex-inimigos estavam dividindo. Logo depois, ela desapareceu. Sentados no restaurante do hotel, Ken tomava um gole do seu chá enquanto examinava o lugar. Recolocando a xícara na mesa, ele encarou Schuldig, que já tinha o seu sorriso característico no rosto. — Você não desiste, não é? — Schuldig. — o moreno suspirou — Ontem você quase acabou morto e sabe muito bem por que. — Kenken, você não poderia me matar se eu não quisesse. — Schuldig. Quer parar com isso? As vozes haviam se elevado um pouco, e algumas pessoas olhavam para eles. Corando um pouco, o ex-jogador de futebol baixou o tom da sua voz. — Schu, colabore. É melhor você começar a contar o que realmente sabe. — Não aqui, gatinho. — ele negou com a cabeça. — Não? Ah, entendi. As pessoas podem nos ouvir conversando em japonês e entender tudo. — Eu achei que você tivesse reprovado meu sarcasmo? — o telepata perguntou, erguendo uma sobrancelha. — O seu, não o meu. Então termine logo de comer, porque você me deve explicações, Mastermind. — Certo, Siberian. Minutos depois, os dois deixavam o hotel e caminhavam para um parque ali perto. Assim que o moreno se sentou, Schuldig ocupou o lugar ao seu lado, e começou a falar, com o olhar distante. — O que acontece, Ken... É que Crawford sumiu por culpa de Aya. — Como? — o moreno se inclinou para o lado — Você está insinuando que... — Eu não estou insinuando nada. Eu e Crawford... Mantivemos um olho em vocês, Weiß. — ele finalmente virou para Ken — Mais especificamente em você e Aya, já que Yohji perdeu a memória e o último Takatori não estava mais na ativa. — Eu estava preso. — Ken comentou secamente — Por que se preocupar? — Porque você é um assassino treinado e com potencial, Siberian. — ele replicou — Eu tinha a tarefa de vigiá-lo. Crawford ficou com Aya. Quando o seu amigo deixou o Japão, ele foi seguido. O moreno fez um barulho de indignação. Schwarz não existia mais, mas era um típico comportamento deles. Ele não deveria estar tão surpreso. \"Eu acho que deveria continuar por telepatia. É mais seguro.\" \"Como quiser.\" \"O que interessa... É que Aya seguiu para os Estados Unidos. Tive notícias tanto dele quanto de Crawford, normalmente. Enquanto isso, você continuava na cadeia. Porém, Aya aparentemente havia encontrado alguém e foi para o Reino Unido. Inglaterra, especificamente.\" \"Onde estamos agora.\" \"Bingo. E foi aí que perdi o rastro dos dois.\" \"Você perdeu?\" Schuldig deu um olhar venenoso para Ken, que observava algumas crianças jogando futebol em um campo perto deles. \"Ken, eu sou um profissional assim como você. A falha não foi minha, e sim de Crawford. Só que ele nunca falha.\" \"Assim como Aya.\" Um aceno de cabeça por parte de Schuldig. \"Assim como Aya. Eu esperei para ver se o contato seria retomado; não foi. Então eu recebi uma carta... Interessante.\" Ken se virou para Schuldig, os olhos brilhando com interesse. Ele havia notado como sentia falta da excitação de uma missão, da adrenalina que sempre corria nas suas veias. — Que carta, Schu? — Esta. — o ruivo tirou um papel que parecia ter sido dobrado várias vezes, e o abriu. Era um mapa, mostrando a ilha da Grã-Bretanha. A cidade de Londres havia sido marcada de vermelho. Logo embaixo, havia um endereço, com data e horário. O local era exatamente onde eles estavam. — Schu, quem enviou isso? O telepata checou seu relógio de pulso: — Vamos descobrir em dez minutos, gatinho.Continua...
Fale com o autor