Miss Simpatia
23 Concurso Parte 1
Notas iniciais
POV. Daphne
Todos possuem o que eu chamo de dia estressante. Aquele dia típico que você torce para que ele chegue logo ao fim. Você bufa toda hora para aliviar o estresse e não explodir. O cansaço? Ele toma conta de seu corpo. Apenas isso. Nada parece dar certo.
O meu dia estressante se baseava em ter que acordar às 06:00 da manhã. Isso para mim já é a morte. Depois tomar um banho com diversos tipos de loções, que deixam sua pele mais brilhosa. Logo depois vem o bronzeamento, salão de beleza, manicure e pedicure.
Esse é o meu dia estressante e ele estava acontecendo hoje. Aliás, ele acontece toda vez que participo de um concurso. O jeito eufórico e eletrizante de minha mãe me irrita, mas tento fazer tudo que posso para fazê-la feliz.
Neste ano ela contratou um maquiador, Alejandro, para me auxiliar. E estou a sós com ele no camarim particular. São trinta candidatas, cada uma possui o seu próprio camarim. A competição começará daqui à uma hora e meia. Meus cabelos estavam enrolados em bob’s.
Por um minuto Alejandro saiu e deixou-me sozinha. Peguei meu celular e dei uma olhada nas mensagens. Nenhuma de Josh. Desde que minha mãe chegou as coisas ficaram tensas entre nós. Ele não fala mais tanto, e nem carinhosamente como antes. Eu também não tenho estado muito bem nestes dias. Sinto falta dele e queria que estivesse ao meu lado, pois tenho medo de falhar, mas ele não disse que viria e não tenho esperança.
Suspiro e bufo. Apoio o celular sobre a penteadeira e encaro meu reflexo no espelho. Parece que você voltou, Miss Simpatia. Penso. Apenas para atrapalhar.
Meu pai me chamava assim quando eu era pequena. Ele dizia que mãe adorava a falar sobre Miss Universo, mas sempre quando estávamos sozinhos ele falava que eu era sua pequena Miss Simpatia, pois a beleza não importava e sim o meu interior. Sempre fomos muito próximos.
Minha mãe já dizia que eu nunca deveria ser uma Miss Simpatia. Ou eu seria o título mais alto ou seria uma perdedora. Nunca me simpatizei com aqueles que sempre são campeões.
–-------------------------------------------------X------------------------------------------------------
Alejandro havia me deixado estonteante! Falta de humildade minha, mas todos os créditos vão para ele. Meu maquiador e minha mãe admiravam junto de mim meu reflexo no espelho. Meu pai estava sentado em uma poltrona, tranquilo bebendo uma xícara de café.
Cachos espaçosos e loiros caíam sobre meu ombro direito. Meu vestido não possuía alças. Totalmente vermelho, com listras vermelhas brilhantes. Minha maquiagem era uma mesclagem de marrom dourado com vermelho. Minha pele estava cintilante. Ela brilhava com o reflexo da luz.
– Está preparada? – pergunta minha mãe.
Assinto com a cabeça. Minhas mãos suavam frio, por isso enrolei uma na outra.
– Então vamos, Florian! – disse ela se virando para meu pai. – Temos que ir para a platéia.
– Querida, não se esqueça! Sorria, não apenas com a boca, com os olhos, com o corpo. Mostre que está feliz. – diz ela e dá um tapinha em meu ombro me forçando à sorrir. – Muito bem! Boa sorte minha boneca. Pensar positivo trará resultados positivos.
Nem minha mãe, nem meu pai ficariam comigo nos bastidores. Apenas Alejandro continha uma permissão especial de acesso. Florian, meu pai, levantou-se da poltrona que estava e suspirou. Caminhou até mim e pôs as mãos em meus ombros.
– Não importa o resultado deste concurso. Sempre tive orgulho de você, mas também acredito e sei que é capaz. – sussurra meu pai para que minha mãe não o ouvisse. – Você ainda é minha pequena Miss Simpatia.
Esboço um sorriso involuntariamente. Meus olhos começam a marejar. Não posso chorar. Se controle. Digo e abraço-o. Meus pais saem e suspiro. Pelo menos terei alguém que me ama na platéia e que não está aqui só por ganância do prêmio. Porém preciso de mais alguém, que não sei se me ama, mas sei que quer meu bem. Preciso dele aqui.
–---------------------------------------------------X----------------------------------------------------
POV. Josh
Eu nunca havia ido ou assistido um concurso de beleza alguma vez na vida. Eram poucas as vezes que eu pegava minha mãe assistindo.
Entreguei a um funcionário meu ingresso, ele verificou tudo e liberou minha passagem. Fui revistado por um segurança e minha entrada no hotel, que aconteceria o evento, foi permitida. Haviam diversos pôsteres das candidatas pelos corredores até o auditório. Parei em frente a foto de Daphne. Ela estava linda. Não era aquela beleza natural de sempre. Não era ela, não era a garota que tenho acordado à alguns dias com o som de sua risada. Mas nem por isso deixava de estar linda.
Adentrei o auditório e sentei em meu lugar bem na frente, na segunda fileira. Peguei minha câmera e coloquei-a a postos. Eu queria torcer por ela e retratar este momento. Se é importante para ela, é pra mim.
Não tenho reagido muito bem a isso. Fiquei irritado nessas semanas, não tenho tratado Daphne como deveria. Sou idiota, pois tenho que apoiá-la e sabia desde o início que isso aconteceria. Sinto-me um pouco egoísta em relação à isso já que continuo com raiva.
– Senhoras e senhores, por favor desliguem os celulares. O concurso começará em cinco minutos. – diz uma voz feminina através de várias caixas de som.
Olho em volta, sentindo-me deslocado.
–-------------------------------------------------X------------------------------------------------------
POV. Daphne
Não conseguia parar de esfregar uma mão na outra. As demais candidatas conversavam entre si, mas eu estava tensa. Todas possuíam minha faixa etária. Não era só eu que havia trabalhado duro nesta semana. Todas ralam para chegar até aqui e uma simples tropeçada pode acabar com tudo.
– Organizar posições garotas! – diz um organizador.
Fazemos uma fila e posso ver que do outro lado do palco está o apresentador. As imensas cortinas de veludo ainda estão fechadas, mas isso é por questão de segundos. O organizador que está em nosso lado começa a fazer uma contagem regressiva.
– É 5, 4, 3, 2... – diz ele.
As cortinas se abrem e o simpático apresentador Antony Baker adentra o meio do palco, que possui até uma passarela para nós.
– Boa noite! Senhoras e senhores, estamos começando o concurso de Miss Nova York 2015. Agradecemos a presença de todos aqui está noite, que será repleta da beleza de trinta jovens em busca do sonho de se tornarem Miss Nova York e terem a possibilidade de competirem no concurso de Miss Estados Unidos. – diz Antony e todos aplaudem. – Sem mais delongas vamos apresentar nossas lindas jovens que estão representando o estado de NovaYork esta noite.
– Preparem-se. Estão todas na devida ordem, não é? – perguntou ele, mas não estava pedindo uma resposta de verdade, então fiquei calada.
Eu era a décima primeira da fila. As garotas que eram chamadas adentravam e davam uma parada no meio do palco por cinco segundos, logo depois caminhavam até a passarela, retornavam e faziam uma filha vertical no meio do palco. Enquanto isso Antony anunciava o nome da garota, dizia onde ela havia nascido, onde ela trabalhava e quais eram seus hobbys.
A fila andou rápido e logo já estava na nona. Respirei fundo. Se Josh estivesse aqui ele diria para me acalmar. Qualquer um diria, mas isso me deixaria mais nervosa ainda. O fato de ele dizer me acalmaria de verdade, mas tenho certeza que ele diria também para eu seguir em frente se isso fosse meu sonho. Se eu estivesse fazendo para mim e não para alguém. Ele complica minha vida, mas sei que se importa. Sei que quer apenas meu bem, mas ele não virá.
Eliza diria para ser eu mesma, já que ela diz que eu desfilo e não ando. Rio um pouco. A décima candidata já adentrou e espero apreensiva a chamada de meu nome.
– Candidata número onze! Daphne Elizabeth Campbell. – diz Antony.
Adentro o palco tentando sorrir naturalmente. Acho no centro do palco dou uma parada de cinco segundos, posicionando minha mão na cintura. Luto para não fechar os olhos já que a luz do holofote ofusca meus olhos.
– Nascida no Queens, Nova York. Trabalha no departamento de roupas So Chic Boutique.
Volto a caminhar e entro na passarela. Esbarro em meu próprio pé quando vejo que está na segunda fileira na platéia. Josh?
Fale com o autor