Notas iniciais
Olá, bom fim de semana a todos! Eu espero ter tempo para trabalhar em mais capítulos para vocês nesse recesso. Mas aqui vai mais uma parte do quarto ano de Charlotte.

— Eu acho que nós deveríamos ir ao baile de inverno juntos.

Diana interrompeu o beijo quando Cedric ofegou aquelas palavras contra sua boca. Eles estavam dentro de um armário de vassouras, um ponto de encontro comum entre os dois jovens desde que eles tinham começado a se envolver.

É claro que o envolvimento deles não era de conhecimento da maioria dos estudantes – ou mesmo os pais de Cedric já que eles achavam que Diana estava roubando os holofotes – e por isso, mas especialmente por insistência dela, eles mantinham o relacionamento em segredo.

— O quê? — perguntou afastando-se.

Cedric passou as mãos pelos cabelos já bagunçados e umedeceu os lábios inchados. Sua gravata estava frouxa e os primeiros botões da camisa Oxford abertos.

— Não seria mal se nós déssemos fim a essa rivalidade tola. — Cedric justificou. — Os campeões de Hogwarts indo juntos a um baile talvez mande a mensagem que as pessoas precisam entender.

— Oh. Você diz a mensagem em que todos vão começar a comentar de mim, de como eu te seduzi e estou tentando entrar na sua mente para que você não ganhe? — Diana começou a adquirir um tom ansioso. — As pessoas me chamam de medusa!

Há algumas semanas saíra uma reportagem que Diana estava envolvida com Viktor Krum! Isso porque Krum havia a defendido do bullying de Draco Malfoy que resolvera aparecer na tenda dos campeões só para incomodá-la.

— Eu sei que é mais difícil para você como mulher. — Cedric disse num tom apaziguador. — Só foi uma sugestão, Di, porque eu realmente gostaria de ir acompanhado da garota que eu estou apaixonado e não outra qualquer. Você não?

Diana sentiu borboletas no estômago e prendeu a respiração.

Cedric estava apaixonado por ela.

Deus. Por ela.

— Eu sou a pior pessoa do mundo para você ter se apaixonado. — avisou-o.

O lufano riu, como sempre era incapaz de perder o bom humor e a leveza de enxergar as coisas.

— Você me avisa agora, Potter?

Diana sorriu e o beijou, e não sabia explicar o porquê, mas pensou em Oliver naquela hora.

Ele não a escreveu mais, o que era melhor porque Diana não precisava de distrações. Ela não tinha ido a partida do Puddlemere versus Canions, mas leu as críticas no jornal que diziam que o goleiro reserva do Puddlemere era uma promessa e outros clubes estavam fazendo ofertas tentadoras.

Diana decidiu aceitar o convite de Cedric para que os dois fossem juntos. Ele ainda sugeriu que Diana fosse com ele escolher seu traje a rigor no próximo fim de semana em Hogsmead e aquilo a lembrou que ainda não tinha um vestido.

— Eu tenho certeza que você vai ficar linda de qualquer jeito. — Cedric disse colocando uma mecha de cabelo atrás de sua orelha quando estava a deixando na frente do retrato da Mulher Gorda.

Ela olhou ansiosamente ao redor. Era tarde e dificilmente alguém estaria nos corredores aquele horário, mas ainda temia que a vissem com ele.

— Depois do baile não haverá mais porquê nos escondermos das pessoas. — Cedric comentou.

— Você não sabe onde está se metendo. — balançou a cabeça negativamente e suspirou. — Boa noite, Ced.

— Boa noite Di.

O passeio a Hogsmead chegou. Diana havia combinado de ir ao vilarejo acompanhada de Cedric, mas precisara despistar o namorado para conseguir encontrar o padrinho com seus melhores amigos.

Enquanto caminhava retornando de um encontro com Sirius numa parte afastada de Hogsmead, uma caverna próxima aos confins da Casa dos Gritos. Ron e Hermione a acompanharam para levar roupas, comida e suprimentos ao padrinho que ainda vivia como um fugitivo. Seu coração se partiu ao ver que o padrinho continuava tão magro quanto da primeira vez que o vira, seus cabelos continuavam desgrenhados e seus dentes ainda estavam tomados por tártaro.

Evidentemente Sirius percebeu sua preocupação e embora ele dissesse que estava bem, certamente melhor que trancado injustamente em Azkaban, Diana não podia deixar de sonhar com o dia que ele seria livre, mas enquanto não capturassem Pettigrew que tinha desaparecido Sirius seria o traidor dos Potter

— Eu não acredito que nenhuma de vocês irá me acompanhar ao baile. — Ron queixava-se interrompendo os devaneios da colega. — Belas amigas vocês são...

Aquilo acendeu uma luz em Diana.

— Oh, eu já ia me esquecendo Ronald. — interrompeu-o. — Eu encontrei a garota perfeita para acompanhá-lo.

— Encontrou? — Ron perguntou retoricamente com um ar de alívio.

— Encontrou?! — Hermione repetiu muito mais assustada.

— Sim. — Diana anuiu. — Uma garota adorável da Corvinal. Depois eu dou mais detalhes, tenho que encontrar... uma pessoa.

— Uma pessoa? — questionou sua melhor amiga. — Oh... você diz seu misterioso par para o baile de inverno?

— Exatamente.

Caminhando o mais rápido que as pernas curtas permitiam, Diana ainda enfrentava o trajeto impetuoso completamente tomado pela neve. Abraçando a si mesma para manter o corpo aquecido, ela seguia até a casa de trajes de gala que Cedric e ela tinham combinado de se encontrar.

Não esperava que no meio do caminho fosse ser interrompida.

— Ei, Potter!

Olhou sobre o ombro para descobrir de quem se tratava. Revirou os olhos ao ver Draco Malfoy caminhando em sua direção, trajando suas vestes de bruxo bastante caras e que pareciam extremamente mais quentes que as dela.

— O que você quer, Malfoy? — perguntou, mas como não estava verdadeiramente interessada no que o rapaz de cabelos platinados poderia dizer continuou a andar.

Diferente da maioria das vezes, Draco estava sozinho. Não havia o menor sinal de Crabbe e Goyle, o que deixava Diana muito mais tranquila. Não porque aqueles dois sonsos fossem grandes coisas em combate, mas os dois se assemelhavam a gorilas de zoológico tamanha era a “superfície de contato” dos dois.

— Eu que deveria perguntá-la. Por que uma dama indefesa como você está caminhando sozinha? Não sabe que é perigoso?

Diana riu. Ela poderia ser muitas coisas, mas indefesa não era uma delas.

A maior dificuldade de Diana com os rapazes era essa: ela não era a donzela em perigo.

— Eu tenho certeza que há um par de semanas eu matei um dragão, mas bem, se você quer continuar com ‘indefesa’ vá em frente.

— Eu só estou brincando, Potter. Você não tem senso de humor. — Draco respondeu em seu tom arrastado, mas era evidente que ele não tinha gostado de ser lembrado que Diana, uma garota, tinha tido mais aptidão que muitos outros alunos homens de mais idade para competir naquele torneio.

— Eu o guardo para os meus amigos e pessoas que eu gosto. — Diana retorquiu.

— Como o Weasley?

— Exatamente. Como Ron.

— É com ele que você vai para o baile? — perguntou Draco com um sorriso malicioso. — Não se sente mal em fazê-lo vender a casa e a família para comprar trajes de gala? Aliás, não sei se você e o Weasley farão um casal bonito, Potter. Você já é quase uma deles com esse cabelo, essa cara feia e seu amor por sangues-ruins.

Diana soltou um guincho e enfiou uma bola de neve na cara de Malfoy, este ainda ria sem se sentir incomodado com o ataque, apenas deleitado ao ataque de fúria que tinha causado em Diana.

— Lave sua boca antes de falar dos meus amigos, Malfoy! Eles valem muito mais que você.

Entretanto Draco nunca perdia a oportunidade para uma boa discussão, como Diana também já estava bastante ciente.

— Ora essa, pois eu não acho que eu valha tão pouco assim. Eu sou o único herdeiro legítimo de uma dinastia bruxa e pura, sou alto para minha idade, estou entre os cinco melhores da classe e certamente sou o mais bonito do nosso ano.

Diana soltou uma risada exagerada e sarcástica. Draco sempre tinha sido absurdamente convencido, mas ele nunca parara para citar todos os atributos divinos que tinham sido concedidos a ele.

—... e para sua sorte, Potter, eu ainda estou disponível para o baile de inverno.

Aquilo pegou Diana tão desprevenida que ela sequer tinha se dado conta de que eles estavam cada vez mais próximos da casa de trajes a rigor, também não percebera um rapaz de cabelos castanhos e pernas longas rapidamente ir ao encontro dela.

— E para a minha sorte, ela já não está mais.

A cara de Draco foi impagável quando Cedric surgiu ao seu lado. Como de costume, ele era absurdamente charmoso, elegante e agradável, mesmo que claramente ele estivesse desconfortável com a situação e irritado que Draco estivesse ali incomodando Diana.

Cedric, porém, não demonstraria aquilo em momento algum. Ele era educado demais para ser rude com alguém, mas Diana apreciou que o lufano estivesse ali para afugentar Draco.

— Obrigada por aparecer! Eu não sabia nem o que dizer. Esse garoto é muito estranho. — Diana disse andando abraçada ao rapaz enquanto eles iam para a loja. — Ele pega no meu pé desde que nos conhecemos enquanto comprávamos uniformes.

— Eu sempre pensei que ele tivesse uma queda por você.

— Nah. Draco odeia nascidos trouxas, mestiços e criaturas de outras raças.

— Você está acima de tudo isso. — Cedric pontuou.

— Eu sou mestiça. — Diana arguiu. — Minha mãe era nascida trouxa e meu pai era sangue-puro de uma família antiga e tradicional.

O rapaz balançou a cabeça descartando a fala dela.

— Você não entendeu, Di. Você está acima disso por quem você é. — explicou Cedric. — Quando você fizer 17 anos haverá uma fila de pretendentes para você. Rapazes de boa família sairão dos confins interessados em se casar com você.

Diana corou e sentiu um incômodo no estômago. Aos 14 anos a palavra casamento soava terrível aos seus ouvidos, ela mal se acostumara a ideia de ser namorada de Cedric, imagine a ideia de ser esposa de alguém.

— Você não será um deles imagino... — Diana brincou.

— Oh não. Quando eu vencer o torneio e tiver a ‘glória eterna’ garotas de boa família sairão dos confins interessadas em se casar comigo.

Rindo, os dois entraram na loja de trajes a rigor. Ambos alheios ao fato que eram observados sob três pontos diferentes.

O primeiro ponto um rapaz de cabelos platinados e orgulho ferido.

O segundo ponto um enorme cão negro que parecia curioso.

Do terceiro ponto um rapaz com um buquê de flores murchas e um coração partido.