Notas iniciais
Olá, pessoal Obrigada a Grazi que sempre tira um tempinho para me dar sua opinião sobre Miss Potter. Aqui vai mais um capítulo.

Diana despertou em sua cama no Largo Grimmauld quando o relógio marcava pouco mais de cinco da manhã. No ambiente escuro estavam espalhadas outras duas camas onde Hermione e Ginny dormiam tranquilamente.

Passando a mão pelo rosto, Diana sentiu a pele molhada de suor e a cicatriz, escondida pela franja queimava. Queimava tanto que ela sentiu a necessidade de entrar embaixo de uma ducha fria enquanto o céu ainda era escuro.

Enquanto se banhava, a jovem de cabelos acaju respirou fundo enquanto as imagens do pesadelo eram revividas em sua cabeça. Ela escutava os gritos de Cedric, a tentativa vã do rapaz em protegê-la, a maneira como ele avançou sem medo para receber toda a carga do feitiço direcionado a ela.

Os gritos de Cedric enquanto seus ossos eram quebrados pela Maldição Cruciatus. Ele gritou, gritou tanto, até Voldemort se cansar de torturá-lo e conceder sua misericórdia e matá-lo na frente de Diana.

Ela olhou para a cicatriz que ficara em seu braço. A única certeza que Diana tinha que não enlouquecera, porque ali estava o corte que Rabicho tinha feito em seu braço para tomar seu sangue a força e trazer de volta a vida seu mestre.

Ninguém acreditava nela. Às vezes nem Diana acreditava em si mesma.

Desceu as escadas que levavam ao primeiro andar da mansão que seu padrinho crescera. Sirius estava vivendo ali e tinha cedido a casa como sede para a Ordem da Fênix funcionar.

Após passar um verão inteiro sem notícias de ninguém e martirizando sozinha o luto pela perda precoce do namorado, Diana estava feliz por estar ali. Ela quase não queria retornar a Hogwarts naquele ano, porque sabia que quando chegasse no colégio tudo seria ainda pior.

— O que você está fazendo acordado? — perguntou quando viu Sirius de pé e preparando o café.

— Eu poderia lhe fazer a mesma pergunta, mas quando passei pelo seu quarto eu escutei.

Diana corou pela ideia de seu padrinho ter escutado seu choro, seus gemidos de dor e súplica para que Cedric fosse poupado. De todos, Sirius era a única pessoa que Diana sentia que podia conversar sobre Cedric porque seu padrinho já havia perdido muitas pessoas e sabia como ela estava se sentindo: afogando-se dentro do mar de culpa assolado em seu peito.

— Aqui. — Sirius disse colocando um prato com torradas a sua frente e um copo de leite morno.

Ela não estava acostumada a ser mimada, mas Diana agradeceu. Ela também apreciou a companhia de Sirius que ora tomava um pouco de café e ora levava o cigarro a boca.

— Se a Sra. Weasley ver você fumando não haverá paz para nenhum de nós.

Revirando os olhos, Almofadinhas apagou o cigarro. Diana ficou mais satisfeita ao ver o padrinho poupando os próprios pulmões.

Ele roubou uma das torradas de seu prato e deu uma dentada generosa.

Diana tomou um pouco do leite, mas não se sentia particularmente propensa a comer. Seu estômago ainda não estava cem por cento após uma noite intensa de pesadelos, então preferiu se ater apenas ao leite morno.

Sirius, no entanto, não deixou de perceber que ela estava ignorando as torradas propositalmente.

— Coma. — o animago falou em tom de ordem, raros eram os momentos em que Sirius adquiria a postura de um pai mandão, mas ele assistia Diana perder mais peso dia após dia. — Eu falo sério.

— Eu não estou com fome.

— Eu não estou perguntando se está com fome. Estou dizendo que é para comer.

Diana revirou os olhos, mas imediatamente se sentiu envergonhada. Murmurou um pedido de desculpas enquanto partia uma torrada ao meio e levava até a boca.

Sirius também parecia se sentir culpado. Ele tomou a mão dela com a própria.

— Eu estou tentando meu melhor aqui, docinho.

— Eu sei. — respondeu calmamente. — Eu também estou.

— Eu sei. — Sirius suspirou. — Não tem sido fácil para nós dois...

Não, não vinha sendo fácil, mas era mil vezes melhor com Sirius. Saber que ele estava ali para a proteger de todo mal era como respirar pela primeira vez.

Diana nunca sentiu que poderia se dar ao luxo de correr para os braços de alguém quando estava assustada demais para continuar, mas desde que Sirius e Lupin chegaram em sua vida era finalmente como ter algo próximo de uma família.

Não. Eles eram sua família! Eles eram sua família de um jeito disfuncional que alarmaria boa parte da população bruxa, mas eram as pessoas mais importantes de sua vida.

— Oh, eu sinto muito...

Sirius e Diana olharam na direção da porta onde estava um Oliver Wood parecendo constrangido por interromper o que era um momento entre “pai e filha”.

Desviando o olhar, Diana soltou a mão de Sirius e voltou a comer, recusando-se a encarar Oliver. Ela se recusava a confrontar sua presença no Largo Grimmauld nas últimas semanas, e estava se saindo bem em evitar a companhia do ex-capitão de time, mas surpreendentemente todos seus esforços pareciam não significar nada para o goleiro ou mesmo intimidá-lo, já que continuava a procurando e tentando a todo custo ter um momento a sós com ela.

— Está tudo bem, Wood. — Sirius disse amigavelmente. Ele e Oliver eram bons companheiros. — Está voltando de uma vigília? Você parece péssimo.

Oliver riu e coçou a nuca. O cabelo dele estava maior, havia bolsas escuras embaixo de seus olhos e ele tinha uma barba crescendo em seu rosto amadurecido pelo tempo.

— Sim. Arthur perguntou se poderíamos trocar já que é a última noite dos meninos em casa... bom dia, Diana.

— Dia. — respondeu de forma curta.

Após passar tantos anos em meio as intrigas de James e Lily, Sirius Black se tornara um expert em sentir tensão num ambiente. A princípio ele achava que a birra de Diana pelo goleiro Oliver Wood era só coisa de sua cabeça, já que ele costumava ser o capitão dela em Hogwarts e sua afilhada não era boa em obedecer regras, ele achava que era daí que surgira a pirraça.

Mas observara que Oliver seguia Diana com os olhos e em seu rosto havia sempre uma profunda melancolia, enquanto a ruiva durante todo o verão o evitara raivosamente. Sirius até mesmo latira com a menina quando ela tinha sido rude sem justificativa.

— Sabe... eu tenho que dar comida para o Bicuço. — disse após limpar a garganta. — Oliver, tem poção revigorante no armário. Diana, seja amável e pegue um pouco de água para diluir.

— Por quê? Ele não tem pernas, braços e mãos?

— Porque somos ótimos anfitriões.

A ruiva revirou os olhos e viu o padrinho sair da cozinha sem se abater pela má resposta. Ainda contrariada, ela se levantou e pegou água e poção revigorante para Oliver que continuava a olhar para ela como se estivesse vendo um zumbi.

Diana estava tentando terminar as torradas em seu prato o mais rápido que podia para sair dali.

— Não se preocupe comigo. — Oliver disse após um momento. — Eu não estou aqui por qualquer motivo. Só vim porque é parte do protocolo vir até a sede após o fim da vigília.

Não respondeu. Continuou comendo e terminou o leite morno, colocando o copo de volta a mesa num movimento brusco.

Em sua memória ainda estava fresca a lembrança de encontrar Oliver Wood no baile de inverno, de fazer sua grande entrada e ter sua primeira valsa com o ex-capitão do time da Grifinória porque Cedric havia cedido a pressão dos pais e decidido, de última hora, que seria melhor se eles fossem separados.

Diana já tinha se conformado que ela não faria a entrada e que ela iria ao baile desacompanhada. Estava tranquila quanto a solitude, mas ainda chateada com a incapacidade de Cedric em se postar diante do pai e dizer que eles estavam juntos independente do fato de eles gostarem ou não.

E foi então que Oliver surgiu...

Flashback

Os fios rubros estavam presos num coque elegante e ornamentado por uma tiara. Diana não sabia até então que ela tinha uma tiara, isso até rever as fotos do casamento de seus pais e perceber algo lustroso e brilhante no alto da cabeça de sua mãe.

Morgan’s Knot era a tiara da família Potter e Diana tinha escolhido usá-la naquela noite especial – até porque duvidava que teria uma outra oportunidade para tal façanha. Ela colocou um belo vestido rosa claro que parecia absurdamente delicado contra seu tom de pele e seu cabelo.

Diana nunca achou que poderia se parecer com uma princesa, mas naquela noite ela não estava nada mais e nada menos que Real.

Ela desceu as escadas sozinha, elegantemente, segurando seu vestido e com um grande sorriso. Repetia seguidamente que não precisava de companhia, não precisava de um garoto para acompanhá-la para o baile.

Era exatamente aquilo que estava dizendo para a McGonagall quando a mulher respondeu.

— Mas não faria mal, faria? Wood, venha aqui, por favor.

Oliver Wood era o convidado de honra da Prof. McGonagall. Ele estava com os cabelos cuidadosamente penteados, vestindo trajes a rigor que ornavam perfeitamente bem em seu corpo forte.

— Você se incomodaria em fazer a grande entrada e dançar a primeira valsa com a Srta. Potter? — perguntou a professora educadamente, embora parecesse um aviso que não estava disposta a escutar ‘não’ como resposta.

— De forma alguma. — Oliver respondeu. — Você está linda, Diana.

— Obrigada. — murmurou constrangida.

— Ótimo. Problema resolvido? Bem, permaneçam posicionados enquanto eu chamo os demais vencedores.

Diana fingiu que não viu o olhar triste de Cedric em sua direção. Ela também teve que fingir não ver que ele estava acompanhado de Cho Chang, uma menina bonita que era apanhadora do time da Corvinal.

Sentia-se tão triste, tão humilhada...

— Ele é um idiota. — Wood sussurrou.

— O quê?

— Se ele prefere trazer uma garota sem graça porque é covarde demais para confrontar o pai, então ele só pode ser um idiota. — Wood explicou. — Você está linda, Di. E Merlin sabe que você vai vencer esse torneio.

As palavras de Wood causaram reações estranhas em seu corpo. Diana sentiu sua pele esquentar, especialmente na região das bochechas. Ela também estava apavorada. Nunca tinha dançado em sua vida, não fazia ideia do que esperavam dela ali.

Quando as portas do grande salão se abriram, Diana e Oliver entraram de braços dados. Logo a frente deles ia Viktor Krum acompanhado de Hermione Granger, sua melhor amiga. Diana ficou feliz que pelo menos alguém ali estivesse tendo uma noite incrível, e aquele alguém certamente era Krum porque Hermione era extremamente mais interessante que aquele bobão.

Oliver e ela pararam um diante do outro. Eles se contemplaram por um momento breve até a valsa começar. O braço de Oliver circundou a cintura de Diana e ela colocou a mão esquerda no ombro dele enquanto sua mão direita segurava a mão livre de Oliver.

Ela permitiu ao goleiro que a conduzisse. Surpreendentemente, Oliver era um valsista em cheio. Eles rodopiaram com graça e elegância pelo salão, os olhos dele não saíram dos dela por momento algum, apenas nos últimos acordes da canção quando eles se separaram.

Foi uma noite tumultuada.

Diana estava morrendo de frio em seu vestido de princesa, ela tinha brigado com Ron por ter feito pouco de Luna Lovegood, tinha discutido com Cedric que havia tido um ataque de ciúmes quando a viu dançar e cochichar com outro, Draco Malfoy havia bebido demais e tentado sua sorte com ela, e Hermione e Ron tinham tido uma briga para encerrar a noite.

Havia sido uma péssima noite. Simplesmente péssima. Ela estava sozinha no salão comunal da Grifinória, já descalça e tentando se aquecer em frente a lareira porque não podia subir já que Lavender estava usando o dormitório para perder a virgindade para algum aluno de Durmstrang.

Foi quando a porta do retrato se abriu e por ela passou Oliver. Suas vestes, outrora impecáveis, estavam amassadas, a gravata estava jogada sobre o ombro e ele tinha um olho roxo.

— Por Circe! — exclamou, postando-se de pé imediatamente. — O que diabos houve com você?

— Eu não fazia ideia que lufanos podiam ficar tão irritados. — Oliver resmungou enquanto se jogava nas confortáveis almofadas da Grifinória.

— Cedric fez isso?

— Quem mais?

Diana balançou a cabeça negativamente. Que noite confusa aquela estava sendo!

— Mas que diabos...! Por que ele faria isso com você? Ele veio acompanhado. Nós dois tivemos uma discussão sobre o assunto.

Pela feição culpada de Oliver, Diana imediatamente pôde deduzir que havia sido em parte culpa do grifinório. Ele provavelmente havia provocado Cedric até seu limite para o levar a ter uma atitude tão violenta.

— Por que você decidiu que agora gosta dele e não mais de mim? — Oliver perguntou em tom baixo. — Ele te tratou como lixo a noite toda.

— Ele não me tratou como lixo. Cedric tem dificuldade em enfrentar os pais e está tudo bem... quer dizer, não está tudo bem, mas nós vamos aprender a lidar com isso.

— É isso mesmo que você quer? Estar com alguém que é tão fraco?

— Ele não é fraco. Cedric é um bom rapaz.

— Um bom rapaz. — repetiu o escocês desdenhosamente. — Ele não é extraordinário, ele também não tira seus pés do chão...

As palavras de Oliver começavam a ressoar em sua cabeça e iam até seu subconsciente. Aos poucos uma chama adormecida se reacendia dentro de Diana e ali, olhando para Oliver, ela se lembrou porque sempre gostara dele.

Firme em seus princípios e objetivos, homem esculpido a ferro, indomável.

— Pelo menos não como eu. — Oliver murmurou enquanto colocava a mecha teimosa atrás da orelha de Diana.

Eles estavam tão próximos quanto alguns momentos antes, quando eles estavam no salão principal rodopiando em meio a uma canção. Diana sentiu outra vez o frio na barriga quando Oliver a carregou e a girou, como se ela fosse um ursinho de pelúcia.

É claro que havia ainda dentro dela um monte de questões mal resolvidas com Oliver, mas ela estava apaixonada por Cedric também. Ela era ainda a namorada dele!

Era isso que Diana tentava gritar a si mesma conforme seu rosto se tornava cada vez mais próximo ao de Oliver. Sua mente a dizia para se afastar, mas antes que os comandos surtissem qualquer efeito seus lábios capturaram a boca faminta do goleiro.

Boca, mãos, cabelo, vestido. Havia tudo de uma vez, tudo acontecendo de forma rápida e intensa.

A boca de Oliver traçou os contornos de seu rosto, sua orelha e seu pescoço. As mãos dele percorreram suas costas nuas e seus braços descalçados das luvas de cetim. O corpo de Diana estava completamente sobre o dele enquanto arfavam em meio a troca de carícias e beijos que duraram até o raiar do dia quando o sol apontou e Diana descobrira que dormira em meio as almofadas e nos braços de Oliver Wood.

Fim do Flashback.

— Aquilo nunca deveria ter acontecido. — Diana disse meio rouca após longos minutos em silêncio.

A culpa a dilacerava. Dilacerou-a no instante em que acordou nos braços do goleiro, dilacerou quando trouxe o corpo sem vida de Cedric de volta a Hogwarts e dilacerou outra vez naquele momento.

— Eu estava com Cedric. Nós tínhamos tido uma briga, mas eu ainda era namorada dele. — Diana prosseguiu em meio a soluços e lágrimas. — Aquilo nunca poderia ter acontecido, Oliver.

— Eu sei. — Oliver respondeu à beira da frustração. — Eu me sinto péssimo, Di. Eu me sinto péssimo que algo que significou tanto para mim seja algo que cause tamanha dor a você.

Ela não respondeu. Escondeu o rosto nas mãos enquanto seu corpo tremia em meio aos soluços e lágrimas.

Oliver não se atreveu a se mover. Da última vez que a vira chorar tinha sido em seu segundo ano, quando era só uma menina assustada, mas ali na frente dele estava uma mulher em formação.

— Se você quer agir como se nada tivesse acontecido, tudo bem, mas não me peça isso. — Oliver disse em tom baixo, olhando para qualquer ponto fixo que não fosse a jovem chorosa. — Eu sinto muito ter demorado a perceber, a tomar coragem de dar o primeiro passo. Você sabe bem que não é porque eu estive ocupado com um milhão de garotas, minhas prioridades não eram essas.

— Você só me quer quando não pode ter. — Diana acusou.

Franzindo o cenho, Oliver a olhou confuso e apontou imediatamente.

— Você está brincando, certo? Não, Diana. Eu não vou permitir que você me infantilize a tal ponto. — Oliver se defendeu. — Você era uma criança! Eu tinha dezessete anos e você estava indo ao seu primeiro passeio a Hogsmead. Se eu tivesse deixado você me beijar naquele dia eu teria tirado vantagem de você e isso sim teria sido errado.

Ela não tinha voz para retrucá-lo. Seu estômago estava ruim só de pensar que estava tendo aquela discussão com Oliver enquanto Cedric havia morrido por ela há apenas alguns meses.

Sentindo-se enojada consigo mesma, e com uma profunda e crescente dor na cicatriz, Diana se levantou sem dizer uma palavra a mais.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.