Miss Potter
4 3.2
Notas iniciais
— Ei, Potter! Aqui!
Diana olhou ao redor procurando pela voz que a chamava. Ela viu Oliver próximo aos portões, usando roupas quentes e esperando por ela.
Correu na direção dele com o sorriso mais sem graça e pedindo um milhão de desculpas. Os gêmeos tinham a pegado no meio do caminho e a apresentado um material inusitado que capturara sua atenção e boa parte do tempo. Também demorou até conseguir se livrar deles sem denunciar que ela estava prestes a sair com o capitão do time para um passeio.
— Está tudo bem. — Oliver sorriu. — Vamos ter que ir caminhando se estiver bem pra você. A última carruagem saiu há uns minutos apenas.
— Não é longe?
— Nah.
Certamente não era longe para Wood que estava acostumado a dar voltas ao redor do lago para manter a forma. Diana era uma apanhadora porque era pequena, rápida e magra, ou seja, ela não tinha o físico de Angelina ou Katie para acompanhar o ritmo de Wood no que se tornou uma caminhada de quase uma hora em pleno outono.
Eles foram conversando pelo caminho. Ou melhor, Wood foi o caminho inteiro falando sobre quadribol, sobre as táticas de jogo, as manobras que começariam a treinar e suas expectativas para aquele ano.
— Sem pressão Potter, mas é minha última chance de vencer. — Wood riu nervosamente. — Quebre a perna.
— Eu vou tentar não entrar no seu caminho. — garantiu.
— Você é o caminho, Potter. Apenas se preocupe em se manter retilínea, sem muitas curvas e surpresas já ajudaria muito.
Diana riu sem graça e apertou a alça da bolsa nervosamente.
Quando eles chegaram ao vilarejo, Diana ficou feliz por não ter se decepcionado. A caminhada valera a pena assim que pôs os olhos na Dedos de Mel.
Foi a primeira loja que quis entrar. Comprou os mais variados doces que existiam e até mesmo provara alguns. Wood que era sangue-puro e havia crescido como um cliente assíduo do comércio local, mostrou-a alguns dos doces mais bizarro e sabores mais exóticos que ela já tinha visto.
— Vou levar alguns doces para Ron e Hermione também. — disse por fim enquanto aguardavam na fila do caixa.
— Eles namoram? — Oliver soltou a pergunta repentinamente.
Diana riu e negou com a cabeça.
— Bem, eles brigam como um casal certamente. — Oliver completou.
— Não posso deixar de concordar.
— Mas bem, foi uma pergunta tola. Eles têm sua idade.
Outra vez Oliver a lembrava da maneira que ele a enxergava: uma garotinha.
Eles saíram da loja e Oliver a levou para mais algumas lojas. Ele insistia que ela tinha que conhecer a Zonkos, mas foi a livraria local que acabou encantando Diana.
Ela folheou os livros e especialmente os romances. Era uma leitora ávida, embora sua preferência fosse para as histórias de amor enquanto Hermione adorava um livro de conhecimento científico.
Ficou corada quando Wood a pegou folheando um romance água com açúcar. A própria capa denunciava que se tratava de uma história de amor entre um homem e uma mulher.
— Você gosta de romances, Potter? — Wood perguntou.
— Não. — mentiu. — Só fiquei curiosa.
— Hum... minha mãe ama romances. Ela tem estantes abarrotadas de todos os romances que você pode imaginar. — o capitão contou com um sorriso de saudades.
Diana não deixou de pensar que ela adoraria ter estantes abarrotadas de romance ao seu dispor. Entretanto, claro, ela não diria aquilo a Wood.
Acreditava que por ter perdido os pais tão cedo e por ter crescido num lar com tão pouco amor e carinho (pelo menos dedicado a ela), aquela era a razão por ser tão fissurada em histórias fantasiosas de amor. Por isso ela pensava tanto em ter um namorado, casar-se com ele, ter filhos e cuidar de sua família.
Não pareciam aspirações grandes para a Menina-Que-Sobreviveu, mas honestamente, era tudo que o coração de Diana desejava. Ela tinha se visto no espelho de Ojesed daquela forma, com sua família e só. Por outro lado, Hermione se vira como Ministra da Magia e uma poderosa feiticeira.
Às vezes Diana se perguntava se o universo não tinha se enganado. De repente Hermione deveria ter sido a Menina-Que-Sobreviveu.
Logo sacudiu a cabeça e espantou aquele pensamento bobo. Não poderia desejar algo tão horrível para sua melhor amiga.
— Bem, o que está achando do nosso passeio? — Wood perguntou após alguns minutos em silêncio.
— Bom. Obrigada por se disponibilizar.
— Imagine. Fico feliz por isso. — Oliver a dirigiu um sorriso. — Sabe Potter, eu não tenho irmãos. Eu sempre me perguntei como seria ter uma irmã. Acho que é por isso que eu me importo com você. Se eu tivesse uma irmã, acho que ela teria sido parecida contigo...
O estômago de Diana revirou. Soltou uma risadinha amargurada e negou com a cabeça.
— Não, não seria. Eu sou ruiva.
— Meu pai também. — explicou Oliver.
— Eu sou baixa. Você por muito pouco não chegará a um e noventa.
— Meninas não tendem a crescer tanto quanto os meninos. — Oliver deu de ombros. — Além disso, você ainda está crescendo. Você espichou uns centímetros no verão.
O rosto de Diana queimou e ela olhou para Oliver Wood. Ele fazia todos aqueles comentários, inconsciente que a garota que estava ali era perdidamente apaixonada por ele.
Diana olhou ao redor e percebeu que eles estavam numa rua pouco movimentada. Eles estavam indo numa ladeira onde poderiam ter uma visão privilegiada da famosa Casa dos Gritos.
Se ela o beijasse ali, ninguém veria os dois.
— O que você está fazendo, Potter?
Ela estava na ponta dos pés e se inclinando na direção dele com lábios entreabertos e olhos semifechados.
Abriu-os para encarar Oliver e viu sua expressão completamente confusa e assustada. Diana se sentiu ridícula. Ela deu um pulo para trás.
— E-eu... eu... — Diana tentou procurar resposta, mas falhou.
Por isso, ela fugiu.
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