Misery Business

9 Capítulo 8 - Em seus olhos


Notas iniciais
Bem, queridas, esse capítulo é um pouco maior, só para dar conta dos dias em que fiquei sem postar! Me perdoem, mas meus estudos são muito intensos e puxados e as FICs ficam para segundo plano nessas horas :/ Só para que saibam, meu nome é Giovanna Lobo, então vocês não precisam me chamar de Rebecca. Meus amigos costumam me chamar de: Gi ou Lobo ou Lobão, sintam-se à vontade para escolher o seu favorito. hahahaha
CHEGA DE ENROLAÇÃO, GI!

— A cada dia que passa, eu acho que Jonas fica mais otário. —comentou Thiago a caminho da escola.

Aquela havia sido uma manhã desastrosa. Depois de acordar caindo da cama e, consequentemente, dar uma cotovelada acidental na boca do estomago de Thiago, tive que tomar banho frio e, ainda por cima, rolei as escadas, pois havia esquecido de secar os pés. Não satisfeita, a minha má sorte ainda me deu um bônus. Eram três da manhã ainda e o despertador só tocaria as sete. Mas, lá estava eu, pronta para o colégio e machucada no meio da madrugada.

— Achei que gostasse dele. —murmurei, sentindo as olheiras que se formavam em bolsões roxos debaixo de meus olhos.

— E gostava. Menino bom. —Thiago me assusta quando fala sério... — Mas ele parece que brinca com você.

— Como assim? —virei meus olhos pesados para ele.

Thi mordeu o lábio como se quisesse ter parado a conversa naquele ponto, mas suspirou, continuando mesmo que relutante.

— Sei lá, eu acho que ele sabe que você está afim dele. Eu não minto que ele acha você uma menina incrível, acho que a sala toda acha... — ele riu baixinho. — Você é muito... Como posso dizer? Espirituosa! Jonas não esconde isso quando pedimos que ele fale de você. Só que mesmo assim ele insiste em ficar "paquerando" Marcela bem na sua frente. Tentando provocar.

Eu sabia disso. A sala toda já comentava que os dois eram o mais novo casal estrela da escola. Os risinhos que saiam da boca daquela víbora me queimavam viva, mas... Eu realmente não ligava. Felizmente minha profissão de Hell Girl me garantia informações quentíssimas sobre qualquer pessoa, principalmente as que me interessavam. Em Jonas eu sabia que poderia confiar. Por isso ele não era mais tão importante para mim naquela hora, mas sim a segunda criatura de olhos castanhos profundos que eu vira ontem. E eu prestaria muito atenção nisso enquanto estivesse no período escolar.

— Será que aquele menino de ontem estuda aqui?

— Emy!? Você está bem? Estamos falando do Jo-nas.

— Sim, claro. Eu sei do que está dizendo. Mas e o menino?

Thiago deu um sorriso de canto satisfeito com minha mudança repentina e apressou-se a responder:

— Deve estudar. Apenas os que estudam aqui sabem da Hell Girl. Mas ainda tem que tomar cuidado com nosso espião.

— Pode até ser um espião. Mas está mais para fã do que inimigo. Tantas fotos de mim, acho até que me ama.

Thi suspirou e observou a escola toda atentamente.

— Acho que temos um mistério para resolver, Emy. E temos que começar por Vitória. Que tal visitar o clube de fotografia no intervalo?

— Pensei que nunca fosse chegar nessa conclusão, Thi.

Olhei para onde deveria haver uma tatuagem da Hell Girl, no canto da minha coxa, perto dos quadris. A calça jeans skinny escondia a identidade secreta que apenas eu e Thiago sabíamos. E agora, Tessa Lavine também.


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—Não! Não! —eu implorava, enquanto era puxada pelo braço por Thiago por toda a sala. Ele queria, de qualquer jeito, que eu me juntasse com Jonas para fazer o trabalho em dupla. Mas parecia impossível. O simples pensamento fez meu coração disparar loucamente, obrigando-me a colocar a mão no peito em uma tentativa frustrada e inútil de aquietá-lo.

—Jonas! Jonas! —Thiago berrava em meio a muvuca de pessoas que perambulavam de um lado ao outro na sala para organizar seus pares. Em dias de trabalho era sempre assim, coisas eram passadas via arremesso de um canto ao outro, o som irritante do arrastar de cadeiras e mesas no chão era insuportável, o gritos pareciam ficar cada vez mais altos, assim como as pequenas disputas por uma pessoa ou outra. Os excluídos ficavam apenas no canto, quietos, esperando quem quer que sobrasse para eles.

— Fala. —respondeu Jonas, virando-se para nós. Como sempre ele estava calmo, escondido em qualquer canto da sala para evitar a bagunça que se formava por entre as mesas.

— A Emily está sem dupla e eu vou fazer o trabalho com Paula, você quer se juntar com ela? —perguntou Thiago, daquela forma natural com que os garotos se comunicam entre si. Imaginava se ele não se sentia nervoso como eu perto de Jonas, se não sentia as pernas tremerem ou as borboletas no estômago, parecia-me impossível estar ali parada, ao lado do garoto que eu amava, parecendo tão natural, talvez até indiferente. Quem olhava de fora nunca adivinharia o tanto de sentimentos que borbulhavam por dentro de mim. A massaroca de emoções que eu não sabia muito bem como remediar, uma daquelas coisas de adolescentes.

Senti meu rosto quente, fingi comentar sobre o enfeite dourado no cabelo de Isabela, mas logo fui interrompida por Thiago, que me obrigou a prestar atenção na conversa.

— Vem. —Jonas disse de pronto, afastando algumas coisas da mesa ao seu lado para colá-la com a sua.

Meu coração crepitou, eu sabia que não iria aguentar por muito tempo, mas também sabia que poderia ser forte. Tudo para estar ao lado dele, não era impossível.

"Isso, vamos lá, Grande Emily".

— Como você não conseguiu dupla? As pessoas brigam para fazer trabalho com você. —falou Jonas, enquanto acenava para Thiago que agora corria para alcançar seu novo grude.

Sorri orgulhosa de mim mesma e em resposta ao comentário gentil. Tive de rejeitar no mínimo quatro pedidos para poder atravessar a sala e juntar com Jonas. Claro que Thiago sempre foi uma pessoa extremamente delicada e isso no sentido de conseguir dizer "nãos" assustadores na sua cara sem sentir remorso algum depois. Por isso, não tente fazer trabalho de dupla comigo se meu amigo estiver perto, tentando me por com Jonas. Pode ser perigoso, além de causar depressão, perda completa da dignidade e talvez da sanidade. Sinceramente, eu não gostaria de ficar definhando no cantinho da sala de aula dizendo: "Mas como ele pode me dizer não desse jeito? Por quê? O Jonas é tão feio! Minha letra é fofa e minha caneta tem um panda, a Emily gosta de pandas... Por que ela não faria comigo? Por que não?". Tudo bem, talvez não desse jeito.

— Não sei. Apenas... Má sorte? — sorte, com certeza, sorte. Mas eu não o diria isso.

— Uma dissertação completa, senhores, sobre o período a partir da ascensão de Mao Tsé-Tung —anunciava a professora, andando de um lado ao outro do tablado. — Após terminarem o resumo, quero uma redação sobre a política atual da China e as mudanças na mesma. No mínimo quinhentas palavras. Uma crônica argumentativa que será exposta na Feira Cultural e contará pontos em Redação também.

A muvuca recomeçou de repente, pessoas protestando ao tamanho da tarefa, outras jogando materiais de um lado para o outro via aéreo — mais uma vez — para devolvê-los, o barulho irritante do arrastar. A professora suspirou e saiu de sala, fazia isso sempre que começava a se irritar e esperou que nos organizássemos sozinhos.

— Eu faço a dissertação e você a redação. Acho justo não é? Você é melhor na escrita. —sugeriu Jonas, olhando-me com seus olhos claros sempre sorridentes. Tentei encará-lo dessa vez, mas algo, no fundo daquelas íris azuis, me incomodou. Uma tristeza mais profunda do que o sorriso aparentemente natural que ele me esboçava.

Continuei a encará-lo, talvez por tempo demais, lembrei-me do garoto de outra noite, com sua voz profunda e arrastada. Não era tão doce e gentil como a de Jonas, mas era sedutora, um tanto ríspida e autoritária. Ele estava tão perto, os olhos castanhos quase colados com os meus, assim como os de Jonas nesse momento, só que um pouco mais sagazes. Eles queimavam e causavam aquelas estranhas borboletas em meu estômago. Talvez houvesse alguém realmente interessante por baixo do capuz preto, talvez valesse a pena conhecê-lo e reencontrá-lo... Mas por enquanto era melhor evitar contatos ou suspeitas por parte dele. Não sei se posso confiar muito no tal.

— Sim. —concordei finalmente, virando-me nervosa em direção ao meu caderno. —Bom, vamos começar?


Notas finais
E aí, o que será que o Jonas esconde por trás de seus belos olhos azuis hipnotizantes? Uma história triste vem por aí, recheada de mistérios e uma revelação sobre a verdadeira relação dele com Marcela, a chicleteira peituda!