Misery Business

1 Capítulo 1 - Let's take it from the top...


Minha intenção nunca foi assustar ninguém. Eu não mataria por nada.

Na verdade, eu nunca matei e nem pretendo fazer. Não se assuste, é apenas uma brincadeira de mau gosto que Thiago me disse que talvez ficasse legal no começo. Segundo ele, dá certo "poder". Mas, cá para nós, isso não é a introdução do "Poderoso Chefão".

Chega disso, vamos ao que interessa: Na minha escola, todos me chamam de Hell Girl ou HG, minha marca registrada. Prefiro me imaginar como uma mistura de Joana D'Arc com Robin Hood. Não roubo e nem virei padroeira da França, mas luto pelo que acho certo e pelo que quero, defendendo sempre os fracos e oprimidos. Mas, como dizem, grandes poderes requerem grandes responsabilidades e o preço que se paga pela vingança é muito alto e amargo.


Não que todos saibam quem sou de verdade. Para os outros sou a santidade em pessoa — para o Senhor Yangle, talvez o contrário -, até porque quando se tem uma identidade secreta como o Batman ou o Homem-Aranha, você não pode confiar em ninguém e deve ter apenas um braço direito. O meu é Thiago Dantas, o melhor amigo que uma garota pode ter.


Thiago é o garoto perfeito. Pena que ninguém descobriu isso ainda. Nem eu.


Nunca usei meus "poderes" para me defender. As pessoas costumam levar muito a sério esse papo de popularidade no meu colégio, tornam-se fúteis e artificiais demais o tempo todo. É como um jogo do que se pode fazer, com quem se pode falar, onde deve ir, o que se deve ter, o que se dizer. Pessoas mecânicas e programadas para serem uma cópia de outras.

Não que eu odeie as pessoas populares, uma das minhas melhores amigas esteve na lista das mais cobiçadas por semanas, Tessa Lavine, a "princesinha intocável" como diriam os meninos, porque, até agora, nenhum deles conseguiu pôr as mãos .

Mas Tessa tem mudado.

Uma coisa que devemos deixar claro: não julgue isso como um seriado americanizado e idiota, onde as meninas usam saias curtas, cabelos lisos, soltos e aloirados, com olhos azuis e saltos do tamanho do meu dedo médio -se não maior-. Primeiro que a minha escola não deixaria uma pessoa dessas entrar nem em um raio de três metros. Segundo que, sim, existem as loiras bestas, mas Tessa, por exemplo, é morena com cabelos cacheados revoltosos, mas lindos. E, terceiro — e o que eu mais admiro em Tessa — existem populares inteligentes e legais, como Devon.

Oh, sim, como eu poderia deixar de falar de Devon? O galã da sala 1B, o mais amado, o mais pegador, o melhor músico e mais gente boa, já tive uma quedinha por ele. Mas isso logo desapareceu quando o vi segurando as coxas de uma garota qualquer enquanto a imprensava na parede em uma das festinhas particulares de V.I.Ps que Tessa costumava me levar junto com Thiago.

Divagações a parte. O que realmente importa, é que a Hell Girl não é uma justiceira revoltada, mas uma amiga má para todas as horas. Foi assim que eu vi tudo dar errado, foi assim que meu mundo ruiu e, mais uma vez, a vingança mostrou seu lado mais azedo. E, juro para você, uma vez que se entra nesse negócio de miséria... O mais difícil é sair.


Notas finais
*POP = Marca de pirulito
Esse é apenas um pequeno capítulo de apresentação. Mas, o que acharam? Mereço continuar?