Misery Business

2 Capítulo 2 - Lady Crazy


Notas iniciais
Finalmente ajeitei a capa! Sejam bem-vindos nossos leitores. Curtam o novo capítulo (:

— Foi você que pôs papel filme no vaso do seu irmão ontem? — perguntou Thiago, abocanhando uma enorme maçã que roubara de meu cesto de frutas.

— Eu adoro "Bastardos Inglórios" e o quarto é meu. Tenho todo direito. —defendi-me e com toda razão.

Caio, meu infeliz irmão mais velho, tinha o costume de pegar o meu quarto emprestado para suas sessões de filmes e me trancava do lado de fora com o argumento de que precisava de um momento só para si e seus filmes de violência, o que automáticamente não me incluía. O fato de que aquele lugar me pertencia não o comovia nem um pouco, por isso sempre passava a chave na tranca para ter certeza de que eu não o interromperia.

— Parece que esse negócio de Hell Girl é mais sério por aqui. — brincou Thi.

— Shhhhh... — tapei sua boca.

Lembrando, não há ninguém além de Thiago que saiba sobre a minha "vida secreta". Claro que eu não poderia confiar em um idiota que nem Caio ou uma pacifista que nem a minha mãe. Sem contar com o meu pai, que provavelmente não acreditaria e tiraria a conclusão de que eu estou usando drogas.

— Hell o que? —intrometeu-se meu irmão, que entrava na cozinha com a mochila quase vazia do colégio nas costas e uma samba canção.

— Cala a boca, Caio, essa discussão não é para pessoas de cuequinha.

Ele riu e me deu um pescotapa, cerrei os dentes, mas me segurei para não devolver-lhe com um tapa na cara. Violência fraterna.

— Estou tentando tirar o plástico do vaso. Sabe quem foi, Emily?

— Emma. -concertei.

Emma era meu amado apelido de infância dado por Tessa, que acabou sendo adotado por todos os meus parentes e alguns amigos.

— Emily é um lindo nome, não entendo. — disse Thiago.

— Sim, mas eu prefiro Emma, Thi.

— Lembra codorna. — comentou Caio.

— Mas ema não põe codorna, idiota. —falei, puxando a cadeira que Caio estava prestes a sentar.

— Chega, Emily! Não irrite seu irmão! —interrompeu mamãe, prevendo a guerra civil que já se armava entre nós dois. Sempre chegava a hora em que saíamos no tapa e não havia quem pudesse nos parar. Só depois que papai decidia nos ameaçar com a internet.

— Mas foi ele que começou!

— Chega, eu já falei para pararem de brigar pelo cereal. — interveio papai, entrando na cozinha com as maletas do trabalho e as chaves do carro dependuradas no bolso. Ele balançava a cabeça de um lado para o outro com o seu novo iPod que mal sabia usar, provavelmente escutando as músicas que vinham acopladas no aparelho, como: "O canto dos sabiás estado unidenses da costa leste do Mississipi". Por alguma razão ele achava que qualquer música poderia servir para ficar dançando por aí. E eu nem sei se o Mississipi tem uma costa leste! E para que eu vou querer ouvir pássaros ou dançar com eles? Era um dom que meu pai tinha. Se envergonhar — e nos envergonhar também no final — .

— É melhor eu me arrumar, se eu me atrasar outra vez a Helena me suspende. —Caio disse entre suspiros, subindo vagarosamente para seu quarto.

Caio tinha um mínimo de quinze advertências e três suspensões em sua caderneta escolar por atraso. Suas notas eram ótimas, mas seu comportamento rebelde nunca teve muita explicação para os meus pais. Ele sempre foi o rei da lerdeza, sempre cansado e cheio de sono. Preguiçoso, claro.

— A Helena assinou uma carta de advertência para nossos pais assim que você nasceu, Caio. -provoquei, arrancando uma risada baixa de Thiago.

— Claro, Codorna. E logo depois que viram você, resolveram expulsá-los.

Dei a língua para meu irmão e voltei a atenção a minuciosa preparação de minha vitamina de leite de soja.

Era uma regra. Se eu queria ser uma combatente do mal, precisava perder pelo menos dois quilos e umas gordurinhas localizadas assustadoras aqui e ali.

"A mulher gato não cabe naquela roupinha justa atoa. Se bem que preto emagrece..."

— Blergh! —exclamou Thi, encarando o líquido acizentado que eu despejava em minha caneca. —Não sei nem porque toma isso, deve ser uma droga.

— Coisas saudáveis costumam ser uma droga.

— Nem todas. —intrometeu-se minha mãe outra vez, pegando duas bananas de uma vez no cesto e enrolando-as em papel alumínio, seria seu lanche no trabalho. — Vocês não sabem as maravilhas nutritivas que existem por aí! Chuchu, quiabo, batata doce, tomate. Mas, por falar em comida, quem gastou o papel filme, Emily?

— O Thiago precisava terminar o trabalho de artes dele. —menti.

O truque do papel filme não era muito difícil, era só colocar um pouco sobre o vaso que, quando precisassem, digamos, "tirar água do joelho", tudo aquilo ia espirrar de volta. Caio estava acostumado com as minhas peças, por isso a maioria delas não funcionava com ele, mas aquela em particular era a minha favorita. Principalmente no banheiro do meu irmão. O vaso era do tamanho perfeito.

— Ahhhhh... Sendo assim, tudo bem. — minha mãe era a puxa saco número um de Thiago. Ela o acha a pessoa mais incrível que já tive a honra de conhecer, por isso ela sempre o deixa dormir aqui duas vezes no ano em um período de mais ou menos uma semana, quando a mãe dele viaja para a Itália para ver sua família. Thiago se nega a ir, porque diz que eles são meio... Estranhos. Não sei exatamente como, mas é o máximo que ele fala sobre.

— Obrigada, Regina —disse Thi carinhosamente para minha mãe, pode deixar que eu vou comprar um novo rolo.

Por debaixo do balcão, recebi um beliscão no braço do garoto.