Misery Business

14 Capítulo 13 - Clube de vôlei


Notas iniciais
Meus agradecimentos especiais a Dryka e suas lindas mensagens com textos que me fazem sorrir todas as vezes. Além de ótima escritora é uma fofura de pessoa, muito obrigada, Dry! :D
Eu ando bem feliz, pois descobri que ganhei um Concurso Literário, o que está me rendendo pulinhos, gritinhos e andares saltitantes por aí.
Me perdoem a demora nos posts, eu não desisti da FIC, mesmo com poucos reviews, acredito que isso não seja o mais importante. Escrevo pelo gosto e não pela atenção. Podem ser poucos leitores, mas são os necessários. Obrigada a todos . (:
Agora, chega de tagarelar! Vamos lá!

— Estou indo para o treino do clube de futebol, você tem certeza que ficará bem? —perguntou Thiago. Tinha a mochila dependurada em um dos ombros e estava apoiado na parede perto do meu vestiário. Estavamos ali há algumas horas enquanto eu o contava sobre os acontecidos de mais cedo. Ele não havia ficado tão surpreso quanto eu.

Fiz que sim com a cabeça e tentei fazer meu sorriso forçado parecer o mais verdadeiro possível. Tudo não poderia estar pior, é claro, mas eu não encheria a cabeça de Thiago com o que me dizia respeito. A coisa toda de Jonas simplesmente não me descia.

— Sabe, eu te disse que não gostava muito desse garoto. O tempo todo, como ele tentava ser perfeito em tudo e agradável demais. Isso me enjoava. Mas eu não podia dizer nada no meio da sua cegueira de paixão. Fico feliz de saber que eu não estava exatamente errado ou só... Ciumento.

Quando ele falou de ciúmes eu tive que rir. Thiago? Ciumento? Por acaso estávamos falando de Paula Bjork? Acho que não.

— Ah, qual é. — empurrei-o de leve — Me diz que isso não é sério. Você teve ciúmes do Viccine? Com quem? A Paula?

— Não, idiota. — ele segurou minha mão e me puxou para perto — De você mesmo. Achei que, assim que você conseguisse se aproximar dele e vocês ficassem juntos, você ia me esquecer completamente. Já que ele era tão mais incrível que eu, um milhão de anos mais perfeito e tudo mais que você fica gritando por aí. Não gosto disso, Emma.

Sabe aquele papo sobre não sentir nada quando Thiago estava por perto? Esquece! Definitivamente, não havia jeito de negar a natureza inibidora do meu melhor amigo, o fato de que ele era um garoto. Gentil, ciumento, implicante, que dizia coisas bonitas e me fazia ficar consciente demais dele. Mas, de fato, não rolava química.

— Você sabe que eu não vou te trocar nunca por um idiota que nem o Sr. Don Juan, não é? — desvencilhei-me dele antes que ficasse mais corada do que já estava — Agora que eu descobri a verdadeira faceta daquela... Peste, eu prefiro manter distância.

Thiago deu uma risada curta, mas sarcástica. Depois balançou a cabeça em sinal de decepção antes de chegar mais perto do meu ouvido para sussurrar:

— Quando você menos perceber, você estará cada vez mais apaixonada por ele. —depois se afastou, com um sorriso um pouco mais natural dessa vez — Tenho que ir, ou o capitão Viccine me dará uma dura. Acho que você deveria ir também, Emily.

Thi jogou um beijo no ar e correu, sumindo na virada do corredor, deixando-me sozinha com minha consciência e as palavras que deixara no ar.

Virei-me para entrar outra vez no vestiário e peguei minha mochila, estava menos preparada do que nunca para o treino, mas não poderia desonrar o cargo que me fora dado a menos de dois meses. Com a munhequeira azul no braço, eu era oficialmente a capitã do time de vôlei feminino. Depois que Paula Bjork reivindicara de seu cargo e seus dias de megera cortando bolas na minha cara para dedicar-se em tempo integral a retocar a maquiagem, passei a tomar conta da ex-mal administrada posição da atual patricinha do pedaço e amor da vida de Thiago.

Quem cuidava das escalações e nomeações era o treinador, Dimas. Ele nunca gostou de Paula, mas o fato de ser seu padrasto era somente um aditivo para que fosse obrigado a fazer as vontades da cobra loira. Assim que me entregou a munhequeira, Dimas sorriu como quem ganhara na loteria e com uma piscadela cúmplice me disse: "Parabéns, agora isso está em boas mãos ". Eu odiava decepcionar o meu treinador, mas era mais forte do que eu. Hell Girl era mais forte do que eu. O que eu era e ninguém mais sabia me dava uma obrigação especial com a justiça e a discrição. Mas eu não podia esquecer que havia, também, a vida que todos viam. E dessa eu precisava ter ainda mais cuidado.

Larguei as minhas coisas no chão da quadra e logo recebi um forte abraço de Tessa, que atou-me com um sorriso cúmplice.

— Dá próxima vez que for passar um recreio todo sozinha com o Jonas atrás de uma pilastra, me avisa.

— Ah, Tessa, jura? — ri — Como você viu isso?

— Fala sério, sou Tessa Lavine. Os olhos e os ouvidos mais populares que esse colégio já viu. —brincou, beliscando-me de leve no braço — Agora me conta, o que rolou?

E agora? Falar ou não falar para ela sobre o que eu descobri de Jonas e toda sua falsa identidade? Se eu não a contasse, logo, logo ela saberia de tudo. Tessa era uma das novas amigas chegadas de Viccine e, com certeza, ele a diria antes que eu me desse conta por pura implicância. E, mesmo que não dissesse, todos sabiam de uma coisa: Nada escapava da Lavine.

— Eu beijei Jonas... —sussurrei — E descobri que ele tem um gosto mais amargo do que eu imaginava.

Os olhos claros penetrantes de minha amiga se firmaram em mim, os cantos dos seus lábios se repuxaram levemente e, então, ela riu.

— Jonas tem algum passado macabro, é frustrado e não é o tal Miss Perfeição, estou certa?

Sério, ela tinha que me ensinar a fazer essas coisas.

— Exato.

— Já imaginava, Emma. — Tess deu ombros — É por isso que eu não me apaixono, as pessoas nunca são o que a gente acha que elas são. Mas, de qualquer forma, você tem uma quedinha especial por todos os garotos errados, não é?

Dei de ombros. Tessa tinha toda a razão. Depois de me apaixonar por Devon, ter Jonas como meu novo candidato me fez acreditar que, talvez, meu dedo podre teria salvação. Mas, como tudo na minha vida, mais isso deu errado e agora eu tenho que aguentar o peso de ter herdado de alguém o meu senso para todos os homens que não prestam.

— Mas você... Continua gostando dele?

Se eu continuava gostando de Jonas? Mas é claro que sim. Não havia uma fibra sequer do meu ser que pudesse negar tamanha verdade. Eu continuava sentindo tremores e borboletas no estômago, seu beijo continuava a formigar em meus lábios e meu coração continuava apertado, só de imaginar a forma com que ele brincava com os meus sentimentos, como se não valessem nada... Impraticável. Apesar de tudo, apesar de todas as coisas boas e ruins que havia descoberto, era maior do que eu. Por mais doloroso que fosse. O amor me vencia em todas as nuances do ódio.

— Mais do que nunca. — as palavras arderam na ponta da minha língua, principalmente quando lembrei do que Thiago tinha dito: " Quando você menos perceber, você estará cada vez mais apaixonada por ele. "

O apito do treinador soou e todas as garotas correram para o meio da quadra, reunidas para o começo do aquecimento. Tessa apertou meu braço e saiu da quadra, por entre os lábios tentou me dizer algo que eu não entendi bem. Depois sumiu.

Uma bola atingiu minha cabeça, fazendo-me cambalear para trás e quase escorregar no piso liso da quadra. Dimas apareceu quando me virei para xingar quem quer que fosse e, mais uma vez, assoprou seu irritante apito enquanto tentava não rir.

— Bem vinda de volta, capitã. Já para o trabalho!