Misery

2 Um baú sem tesouros


Notas iniciais
Ok, demorei quase um ano, mas terminei esse capítulo. Faltou inspiração por um bom tempo, mas finalmente consegui *u* Mudei muita coisa, acrescentei muita coisa, criei personagens... Enfim, tá aí e espero que gostem :3

Era, com certeza, de uma menina, pelo seu conteúdo. Havia uma caixinha de joias, um diário com a capa de um veludo escuro e um ursinho de pelúcia branco. No pescoço do bichinho pendia um colar dourado com um pingente de chave. Não toquei nos pertences, apenas os observei por um tempo, enquanto pensava “Provavelmente pertence à dona deste quarto”. Nesse momento, sinto um vento gélido me arrepiar e volto os olhos para a janela, que estava aberta. Levantei, após fechar o baú e deixá-lo de volta na escrivaninha e fechei a janela.

Desci até a cozinha e retirei a torta do forno, retirei um pedaço e comi, devagar, distraído. Olhei para o relógio no forno e ele marcava 21:13. Terminei a refeição, apanhei meu casaco, saí de casa e atravessei a rua. Bati na porta três vezes e esperei por alguns segundos, antes de uma senhora baixinha e de rosto gentil abrir. Ela me observou, sorrindo, e eu não pude fazer nada além de sorrir de volta. Antes que qualquer um de nós pudesse dizer algo, Eloise apareceu, ainda usando o uniforme do mercado.

– Seu programa começou, vovó. Vá assistir. – Ela tocou o ombro da avó com carinho.

– Ah, eu vou sim. – Se retirou, andando com dificuldade.

– Então você veio... – Ela sorriu.

– É, queria agradecer pela torta. Estava realmente boa.

– Ah, não precisa agradecer. Quer entrar? Tem mais... E tem chá.

– Eu adoraria. Você mora aqui há muito tempo, certo? – Perguntei, enquanto entrava na casa.

– Sim, desde que nasci, na verdade. – Me guiou até a cozinha, onde me ofereceu uma cadeira. Sentei-me e passei a observá-la enquanto preparava o chá.

– Então você conhecia quem morou aqui antes de mim?

Ela parou abruptamente o que fazia e me fitou. – Sim. Por quê?

– É que achei um baú, que pertencia a uma menina...

– Sabe, acho que é melhor você ir. Eu estou extremamente cansada e tenho que cuidar da minha avó. Podemos nos falar amanhã. – Ela desligou o fogo e retirou o bule, andou até a porta da cozinha e me indicou a saída.

– Tudo bem... – Levantei e me dirigi até o hall, de onde observei ela por um momento mais. – Eu vou indo, então. – Abri a porta e saí da casa, antes de alcançar a calçada, ouvi a porta batendo ás minhas costas. Atravessei a rua e voltei para casa, sem entender o que havia acontecido.

Ao entrar, peguei o telefone e tentei ligar para Annie, mas caiu na caixa postal. Suspirei e subi as escadas, fui até o quarto e peguei o baú novamente. Eram coisas muito pessoais, não devia estar mexendo nisso, mas exatamente por este motivo, precisava devolver à dona. Retirei o ursinho e coloquei-o com cuidado na cama. Peguei a caixa de joias e percebi que havia uma fechadura, provavelmente a fechadura que o pingente abria. Deixei a caixinha na cama e então peguei o diário, esperando achar um número de telefone ou pelo menos um nome. Abri a primeira página e uma rosa branca caiu no chão. Ela estava seca, amassada e extremamente frágil, pois quando a peguei, algumas pétalas se desmancharam em minha mão. Coloquei-a ao lado do urso e voltei a atenção à primeira página do diário que estava em branco. Suspirei e virei a página. Os contos já começavam ali, com a famosa frase “Querido diário...”. Minha consciência disse para não invadir a privacidade alheia, mas a curiosidade falou mais alto.

“Querido diário,

Nem acredito que meu pai me deu você! Eu sempre quis ter um e agora me parece mais que certo, já que estou prestes a começar o Ensino Médio. Prometo escrever sempre que puder... Não digo todos os dias, porque dizem que eles passam muito dever de casa, mas vou escrever muito. Ise vai dormir aqui em casa hoje, mal posso esperar para te mostrar a ela. Ah, meu pai me deu também um ursinho de pelúcia muito fofo e disse que se eu dormir todas as noites com ele, não vou sentir tanta saudade. Ele acha que sou uma criança de 5 anos? A única parte ruim de ganhar um diário e um ursinho é essa... É um presente de despedida. Ele e minha mãe se divorciaram e agora ele vai morar em Detroit, Michigan, com a vovó, que está doente. Tentei pensar pelo lado positivo, como “pelo menos não é no Texas”, mas ainda assim parece muito distante. Tenho que ir, depois escrevo mais, Ise acabou de chegar.”

Não pude evitar sorrir ao ler. ”Então a garota estava começando o Ensino Médio? Deve ter se mudado para mais perto do pai e esqueceu o presente.” Pensei, até que reparei na data no rodapé da página “21/07/2010”.

– 2010? Ela deve ter a minha idade, então. – Olhei para o calendário na parede, que marcava o mês de março do ano de 2017. – Provavelmente deixou aqui porque não achou que deveria levar um diário para a faculdade e depois esqueceu totalmente que ele existia.

Levantei-me e guardei tudo de volta no baú. Quando o fechei, senti estar sendo observado e me virei rapidamente para trás, mas não havia nada ali. Deitei na cama com a roupa do corpo e adormeci rapidamente.

Quando acordei, olhei para o relógio na cabeceira, que marcava onze e meia da manhã. Esfreguei os olhos e me levantei preguiçosamente, seguindo até o banheiro, onde lavei o rosto e escovei os dentes. Desci para a cozinha, comi uma tigela de cereal com leite e depois subi até o escritório para tentar escrever alguma coisa. Nada me vinha à mente, então decidi ler. Observei a estante lotada de livros de vários gêneros e vários autores mas nada me chamou atenção. Eu já havia lido todos aqueles livros pelo menos duas vezes cada. Ouvi um barulho e fui até o quarto para investigar "Será que deixei a janela aberta de novo?" Pensei. A janela estava fechada e em seu parapeito estava a rosa branca que encontrei no baú. Quando me virei para ver o baú, ele estava aberto. O diário pairava aberto com a capa para cima na minha cama e o ursinho se encontrava no chão, como se alguém os tivesse atirado na pressa de pegar algo. Andei até a escrivaninha, observei o interior do baú e foi então que notei a falta de um elemento. A caixinha de música, simplesmente havia sumido.

Notas finais
Espero que tenham gostado do capítulo que levei quase um ano pra escrever haha