Misconception
5 A Sala Precisa
Notas iniciais
Sala do Dumbledore, Domingo, 10:20 a.m.
— Senhorita Ledger? – a voz de uma mulher foi a primeira coisa que ouvi entre tantas outras vozes.
E as vozes foram se multiplicando até que consegui abrir meus olhos devagar e ligar cada som ao seu respectivo emissor.
– O que aconteceu? – eu perguntei fazendo com que todos se calassem na sala.
Haviam alguns professores, Dumbledore, Pomfrey e alguns homens que nunca vi em toda a minha vida, mas todo aquele silêncio e olhares para mim, me causaram um arrepio intenso na espinha e um peso no estômago.
— O que aconteceu? – repeti um pouco mais alto – Alguém pode me falar?
— Querida? – era Minerva falando – Por que não se acalma primeiro?
— Porque eu estou com uma sensação de que vocês me darão uma notícia péssima. – falei relutante – O que aconteceu com o meu avô? Ele está bem?
— Nada aconteceu com o seu avô, senhorita. – pela primeira vez desde quando abri os olhos Dumbledore se pronunciou – Esses são aurores, Charlotte, eles trabalham para o ministério, e o trabalho deles foi impecável, você não precisará se desesperar. Eu já notei que você se importa demais com sua família.
— Eles são tudo o que eu tenho – falei engolindo seco o nó em minha garganta – por favor, me conte o que aconteceu.
— Ledger, seus pais tiveram a casa invadida por comensais – Snape falou e meu corpo gelou por completo – mas os aurores chegaram a tempo de estragos maiores serem feitos.
— O que? – eu perguntei já tremula em meio às lágrimas que inundavam meus olhos.
— Não foi fatal, senhorita – Dumbledore continuou – eles foram levados ao Hospital St. Mungus, em Londres. Ambos estão inconscientes, mas não ficarão assim por muito tempo...
— Eles foram atacados? – perguntei gritando já sentindo meu rosto esquentar – O que aconteceu com eles?
— Eles foram alvo dos Comensais enquanto dormiam, foram acontecimentos muito rápidos. Os curandeiros estão analisando e tirando qualquer vestígio de magia das trevas que possam ter atingido eles. – respondeu Dumbledore com calma – Os aurores examinaram o local e a sua casa no momento também está sendo analisada.
— Mas... – respirei fundo e falei com a maior calma que pude – Meus pais são trouxas, senhor. Como eles estão sendo atendidos no St. Mungus? Quero dizer, eles são um hospital bruxo, e nunca foi registrado qualquer tratamento de um trouxa lá.
— Você está certa, senhorita – um dos aurores respondeu – mas o Ministério tem todo controle por bruxos menores de idade, e dentro desse controle, envolve milhares de discussões sobre bruxos nascidos trouxas e suas famílias. Qualquer envolvimento deles com a magia, também fica por nossa responsabilidade.
— Então isso é legal? – eu perguntei secando o meu rosto com as mangas do meu suéter.
— Isso não é muito comum ou debatido, mas não é ilegal. Mesmo porque, qualquer aluno de Hogwarts que é encaminhado para o St. Mungus, necessitará de um responsável, e no seu caso, seriam seus pais. Não é como se fosse um local onde nunca recebeu trouxas antes. – respondeu o mesmo homem.
— E o meu avô? – perguntei já sentindo meus olhos marejarem – Ele está bem? Ele não é totalmente saudável e estava muito mal semanas atrás devido a sua doença...
— Seu avô foi encaminhado também, Charlotte, – Dumbledore falou – mas como seu caso foi o menos grave, a professora de estudo dos trouxas Charity Burbage, achou prudente encaminha-lo para...
— Uma casa de repouso. – disse a moça que até então eu não havia notado a presença – Você sabe sobre isso, Charlotte?
— Sim, eu sei. – inspirei fundo balançando a cabeça – Sempre nos diziam para colocá-lo em uma. Mas nunca achamos que seria o correto.
— Certo, querida, é temporário. – ela respondeu me dando um sorriso – Ele está recebendo um tratamento adequado para o que ele tem, e estará de volta quando seus pais acordarem.
Aquela frase ecoou de uma maneira que minha ficha caiu com força, apoiei minha cabeça entre as mãos sentindo as lágrimas se manifestarem outra vez em minhas bochechas geladas. “Quando seus pais acordarem” minha cabeça não parava de girar. Eu tinha tantas perguntas para fazer, mas nada se comparava com a minha vontade de sair correndo naquele momento e fugir daquele lugar. Eu queria me certificar da gravidade da situação, eu queria ver meus pais, eu queria abraçar o meu avô e chorar em seu colo como eu fazia toda vez que o mundo parecia desabar quando eu era criança, ou quando eu ralava o meu joelho.
— E os comensais? – perguntei com uma força que eu nem sabia que tinha – Qual foi o desfecho?
— Eles causaram uma confusão enorme no Ministério depois, e não conseguiram ser pegos. – o outro auror se pronunciou.
– Alguém sabe pelo menos quem são? – eu perguntei com raiva, sem saber exatamente de quem.
— Foram vistos Amico e Aleto Carrow. – o mesmo respondeu – Mas não estavam sozinhos.
— É o suficiente. – respondi me levantando, vendo que não agüentaria mais respostas – Me mantenham informada de qualquer coisa. De qualquer um deles.
Esperei um aceno de Dumbledore e saí da sala numa pressa absurda. Corri ao longo do corredor em direção as escadas sem nem mesmo um destino para ir, eu já sentia a raiva tomando conta de mim e o medo se espalhando pelo meu corpo. “Houve outra confusão no Ministério, envolvendo comensais aparentemente” a voz de Beatrice começou a ecoar na minha cabeça se somando a de Snape: “Ledger, seus pais tiveram a casa invadida por comensais”. Nada mais conseguia me fazer respirar, eu só conseguia correr em direção a lugar nenhum em meio aos meus soluços altos e as lágrimas de preocupação e medo. Só parei de correr quando percebi o corredor no qual eu estava. Sétimo andar. Uma parede enorme. Um silêncio absoluto do lado de fora da minha cabeça. “Eles foram alvo dos Comensais enquanto dormiam, foram acontecimentos muito rápidos” por fim a voz de Dumbledore me sacodiu, fazendo com que eu chegasse no ápice do meu desespero e anseio por um lugar.
— Abre! — gritei para a grande parede em minha frente – Eu sei que você abre para quem precisa. Então abre. – continuei em meio dos meus berros socando a parede com toda força, que se recusava a funcionar.
No momento em que senti meus dedos já ralados e meu pulso dolorido resolvi parar e me dar por derrotada, quando um som alto me chamou a atenção e aquela parede foi se tornando uma estrutura de ferro enorme e preta. Afastei-me esperando a porta se concretizar para que eu pudesse adentrá-la.
Quando a porta se materializou completamente em minha frente, eu a empurrei adentrando o ambiente e vendo-a se desfazer rapidamente atrás de mim, me sentindo mais segura. Então aproveitei para olhá-la por dentro, e confesso que me decepcionou um pouco. Parecia uma espécie de depósito onde todas as coisas de Hogwarts que já não eram mais úteis estavam amontoadas em pilhas até o teto. E que teto. A sala era alta e parecia infinita, mas não era exatamente o que eu imaginava que fosse. Depois dessa reflexão besta, me lembrei que no momento tudo o que eu precisava era um lugar para refletir, e desde que ali tivesse todo o silêncio necessário, eu teria o que precisava.
Caminhei uns metros ainda fungando e avistei um sofá grande com inúmeras almofadas, seu tecido parecia um veludo brilhante em um tom de verde bem escuro. E ali naquele cantinho, parecia que havia se formado um cômodo mais aconchegante do que o monte de móveis amontoados que eu vi quando adentrei a sala.
Sentei-me de qualquer jeito no sofá, e encarei minhas mãos que estavam em um estado bem pior do que imaginei. Desamarrei os cadarços dos meus coturnos e me endireitei entre as almofadas, esbarrando em algo meio duro. Quando cruzei minhas pernas sobre o estofado, puxei uma caixinha um pouco amassada devido à posição que me sentei.
Abrindo a caixa, a missão de enxugar as lágrimas foi por água abaixo. Era a caixinha em que eu guardava as fotografias. Ela costumava ficar no alto do meu guarda-roupa, do meu quarto em Londres. Não pude evitar as lágrimas rolarem mais uma vez ao ver a velha fotografia do vovô me ensinando a andar de bicicleta, e logo depois uma do dia dos pais, minha sentada no colo do papai enquanto ele sorria feito bobo para o colar de macarrão que eu havia feito para ele. No momento eu estava um misto de dor e emoção por aquele simples artefato trouxa ter ido parar em minhas mãos. Eu nunca imaginei que o momento em que a magia mais iria me surpreender seria nesse exato momento. Em um lugar longe de casa, em um lugar improvável demais até para mim, com algo tão singelo como uma caixinha de fotos. E em meio de meus pensamentos, um barulho me desconcentrou, e eu já não sabia mais se estava sozinha. A agonia de estar dividindo o mesmo ambiente com alguém era ruim. E agora eu entendi o motivo da sala não se materializar totalmente em algo que eu precisasse.
Levantei do sofá, deixando a minha caixinha novamente debaixo das almofadas, saquei a minha varinha e continuei andando entre os longos espaços entre uma pilha e outra de móveis amontoados.
— Harmonia nectere passus.— um sussuro me chamou a atenção
Eu pude jurar que era a voz de alguém, e segui de onde achei que o som tinha vindo, mas não querendo dar um susto em quem quer que fosse, resolvi me pronunciar.
— Tem alguém aí? – me aproximei me escondendo atrás de um móvel alto que parecia ser um armário.
— Estupefaça! — alguém gritou e eu me esquivei gritando de volta.
— Protego! – e o som do feitiço voltando ao conjurador me causou mais segurança.
Segui com meus passos até o outro lado do armário e vi uma figura loira se levantando do chão com uma cara irritada – a de sempre, no caso.
— Malfoy? – perguntei fazendo-o virar para mim, e só então percebendo o quão falha minha voz estava.
— Ledger? – ele perguntou um pouco confuso e seu tom parecia até mesmo assustado – Há quanto tempo você está aqui?
— Não muito, eu estava do outro lado da sala quando... – parei e pensei um pouco – Quando achei que havia escutado alguma coisa.
— Normalmente eu peço para que a sala não se abra para ninguém que não precise enquanto eu estou aqui. – ele falou ainda um pouco aéreo.
— Talvez eu precisasse dela mais do que você. – falei dando de ombros.
Pelo clima que estava ali, percebi que nem eu nem ele conseguiríamos gerar alguma discussão ou briga que desse mais dor de cabeça depois.
— O que aconteceu com sua mão? – ele perguntou com um espanto quando abaixou o olhar para meus dedos.
— Nada demais. – falei dando de ombros.
— Vem, vamos dar um jeito nisso. – ele falou já se dirigindo para o lado no qual eu havia vindo.
Resolvi o seguir e ver a onde essa conversa de bom moço dele iria dar. Eu sabia que ele não estava dando a mínima para as minhas mãos, o que ele provavelmente queria era que eu não visse o que ele estava fazendo.
Ele abriu um aparador no mesmo local a onde estava o sofá em que eu sentei, de lá de dentro ele pegou uma caixa branquinha feita de madeira, tirando de seu interior uma facha branca, um frasco que parecia ser da mesma poção cicatrizadora que Madame Pomfrey usava, e uma fita branca.
— Então... – ele começou pegando a minha mão e analisando os hematomas. – Você costuma dar socos em parede assim ou só quando você está chorando?
— Eu não estava chorando! – me exaltei e ele revirou os olhos abrindo o frasco da poção – E eu não soco paredes.
— Relaxa, Ledger. – ele falou dando um sorriso de lado e balançando a cabeça. – As pessoas costumam socar coisas na hora da raiva, e é normal, veja só.
Ele mostrou suas mãos onde havia marcas de machucados em seus metacarpos, mas pareciam ser marcas já antigas.
— Eu não sou uma descontrolada que soca paredes, Malfoy, eu só me machuquei. – falei enquanto ele se preparava para derramar o liquido em meus machucados.
— Isso arde um pouco – falou enquanto derramava.
— Você com certeza não conhece os métodos trouxas para se limpar um machucado. – falei enquanto via as feridas se fecharem.
— São como? – ele perguntou e eu estranhei seu interesse.
— Bem piores do que esse, eu garanto. – falei por fim enquanto ele passava uma faixa na minha mão. – Obrigada, não precisava.
— O que aconteceu? – ele perguntou se sentando no sofá.
— Nada que possa ser resolvido mais. – falei me sentando na poltrona em frente.
— E é por isso que te deixou nesse estado? – perguntou se referindo a minha cara de choro.
— O que você tanto faz aqui? – devolvi a pergunta para ele saber que eu não estava dando qualquer confiança para a conversa.
— Não é só você quem precisa muito da sala precisa. – ele falou direcionando o olhar para seus dedos.
— Meus pais tiveram a casa atacada por comensais durante a madrugada. – falei por fim olhando para o teto para descartar a opção de chorar naquele momento.
— E algo aconteceu com eles? – ele perguntou parecendo verdadeiramente curioso.
— Eles são trouxas, Malfoy. – falei virando de costas antes que ele notasse meu medo – É obvio que aconteceu. Mas eles estão vivos se é o que quer saber.
— E algum auror estava pela região quando aconteceu? – ele perguntou ainda parado no mesmo lugar – Já sabem quais foram os comensais envolvidos?
Me virei a tempo de ver sua expressão um pouco perdida e preocupada – não sei se exatamente com minha situação – mas ele desviou rapidamente o olhar quando o encarei séria.
— Havia dois. – respondi secando minhas bochechas – Eles estão analisando a casa ainda, e enviaram meus pais para o St. Mungus, mas eles estão desacordados. Desconfiam dos mesmos comensais que atacaram o Ministério horas depois.
— Os Carrow. – ele comentou vagamente, mais para si do que para mim.
— Como você sabe? – perguntei olhando para ele, que soltou uma risada baixa.
— Não é como essas notícias não voassem dentro da Sonserina, Ledger. – ele respondeu – Afinal, essas famílias se conectam a todo o momento.
Apenas levantei as sobrancelhas refletindo o quanto era fácil para ele aceitar a existência de pessoas tão ruins e frias todo o tempo. Até me recordar de quem ele era filho e o porque sua aceitação era quase de imediata.
Sentei-me no sofá ao lado do local onde ele antes estava sentado, e fiz sinal para que se colocasse do meu lado. Assim que ele se sentou eu abracei meus joelhos e me virei para ele.
— Eu entendo que exista o bem e o mal. – comecei – Só não entendo o porquê das pessoas quererem proliferar isso de maneira tão absurda. Por exemplo, seja lá quem for que atacou os meus pais, isso é uma covardia, eles não teriam nem como se defender. Quase morreram sem saber o motivo.
— O mal só existe porque o bem existe. – ele falou de modo simples – e vice-versa.
— É aí que está! Não é novidade para ninguém que todo mundo tenha os dois. – exclamei fazendo-o olhar para mim – Só que eu não consigo entender o prazer que as pessoas tem de promover isso. Seja o bem excessivo ou o mal.
– Então você acha que existe o mal em todos? – ele falou ligando apenas para a primeira parte da minha reflexão.
— Eu acho que existe o bem em todos. – o corrigi – Mas viver de bem e mal só mostra o quão superficiais as pessoas são.
— E como você acha que as pessoas deveriam viver se não em torno de seus valores? – ele perguntou ainda interessado.
— Nós temos dezesseis anos. – dei de ombros – Não temos que viver em torno de nossos valores. Nós temos que viver e ponto final.
— Viver de presente? – ele perguntou incrédulo e eu assenti – Isso é loucura.
— Loucura é o que vocês fazem. – falei e ele sustentou o olhar incrédulo – Fala sério, Malfoy, qual foi a última vez em que você fez algo em que seus pais não podem nem imaginar?
– Não tem muito tempo. – ele falou aliviando a tensão no olhar – Saí da escola para tratar de um assunto importante e acordei com uma garota me dando um tapa na cara e fedendo a whisky de fogo. E você?
— Rídiculo, eu não estava fedendo, nós estávamos! – falei o empurrando – Essa foi a última vez também, mas não foi a primeira e nem vai parar por aí.
— Por que você me agride quando eu digo que você ama se atracar com jogadores de Quadribol? – ele perguntou tendo o meu olhar mais sério em sua direção – Digo, você acabou de confirmar que faz isso sempre.
— Porque não é problema seu com quantos caras eu já dormi antes, você não acha? – perguntei e ele só riu fraco – Além do mais, você não fica nem um pouco atrás, e olha que sua diversão é monótona.
— O que você sabe sobre minha diversão, Ledger? – ele perguntou com um sorriso debochado, mas ainda divertido.
— Eu sei que você não tem a menor vida social e sua única diversão é entrar na sala precisa e conversar com um armário. – falei divertida e ele riu pelo nariz.
— Você e a Campbell que conseguem sair do castelo com facilidade. Não quer dizer que eu nunca tentei. – ele disse – E eu não converso com armários.
— Não somos só nós duas. – comentei vagamente – Já encontrei Potter e seus amigos inúmeras vezes fora do castelo, e até mesmo uns Lufanos.
— Não estou surpreso. – ele disse revirando os olhos – O Santo Potter se for pego fora de Hogwarts vai receber aplausos. E os professores confiam tanto na lealdade dos Lufanos que devem até entregar as chaves reservas do castelo para eles cuidarem.
— Santo Potter – repeti no mesmo tom de raiva que ele usou gargalhando no final.
— Eu não o suporto! – ele falou ainda com raiva.
— Sério mesmo? – perguntei irônica – Eu nunca iria perceber se você não me dissesse.
E em meio a várias reviradas de olhos, bufadas, olhares incrédulos e risadas debochadas a nossa conversa se estendeu tarde a dentro. Que por algumas horas eu consegui abandonar a minha preocupação e medo no peito, e ele aliviou suas expressões preocupadas e vazias, substituindo até mesmo por sorrisos de vez em quando. Estávamos em um dia tenso, o que nos consumia tanto a ponto de não termos energia para implicarmos com a existência um do outro.
— Eu estou com fome. – comentei vagamente quando nosso assunto acabou.
Ele levantou a manga de seu terno preto e bem ajustado revelando um relógio de pulso prata.
— Já passou das seis horas. – ele comentou com um espanto – Se não nos apressarmos em sair daqui, iremos perder o jantar.
Ele se levantou endireitando as mangas bem cortadas de seu terno e andando em direção ao que indicava ser a saída, calcei meus coturnos e o segui, mas fui parada por uma ideia melhor.
— Malfoy? – perguntei.
— Sim? – ele virou de onde estava esperando com que eu me aproximasse.
— Gostaria de jantar em um outro lugar? – propus sorrindo sarcasticamente.
— Amanhã temos aula, Ledger. – ele protestou.
— É só um jantar diferente para você refletir o quão sua vida monótona está te consumindo. – falei teimando.
— Eu vou. – ele concordou – Mas só para te provar que o conforto de ficar no castelo é melhor.
— Você quer me convencer disso? – perguntei enfatizando o ‘me’ – Boa sorte, Malfoy.
Cabeça de Javali, Hogsmeade, Domingo, 7:20 p.m.
— O que vão querer? – um homem barbudo e alto parou ao lado de nossa mesa rudemente.
— Duas cervejas amanteigadas, por favor. – pedi por nós dois e ele saiu.
— Esse lugar é uma droga, Ledger – ele falou depois que o homem trouxe nossas cervejas.
— Você reclama de tudo, sabia disso? – perguntei e ele revirou os olhos – Aqui nada é restrito, nós poderíamos tomar quantas garrafas de whisky de fogo quiséssemos, que eu não precisaria dar em cima do atendente nenhuma vez.
Ele riu com meu comentário, provavelmente relembrando do dia do aniversário da Pansy e de nossa breve discussão.
— Eu dispenso, obrigado. – falou me fazendo lembrar da horrível ressaca que seguiu aquele acontecimento.
— Eu também vou dispensar dessa vez. – sorri para ele, que me olhava sustentando um olhar quase sério, mas com um pingo de diversão. – O que foi?
— A espuma da cerveja fez um bigode em você – ele comentou sorrindo de leve.
— O que? – eu perguntei um pouco distraída pensando na diversão que aquele simples acontecimento causou em seu olhar.
Ele não respondeu, apenas pegou um pedaço de guardanapo e limpou em cima do meu lábio superior. O que me fez corar e eu juro que pude ver sua pele branca tomando o mesmo tom rosado que a minha estaria.
— Obrigada. – agradeci e ele apenas assentiu – Então, vai querer comer o que, vossa Majestade?
Ele riu do meu comentário e entramos em outra discussão sobre aquele lugar ser desleixado porém nos dar a liberdade de pedirmos o que quiséssemos sem quaisquer questionamentos. E ali, naquele mesmo bar, com uma pessoa diferente, eu tive a sensação de quando estava lá com Beatrice: algo estava ali para me completar, e por mais que fosse tentador refletir sobre o que poderia ser, o fato de o respeito entre Malfoy e eu estar fluindo sem que forçássemos algo, me agradava mais do que a sensação positiva que percorria meu corpo e embrulhava meu estômago.
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