Notas iniciais
Olá caros leitores! :) Esta é a minha segunda fic, espero que gostem! ♥

POV’s Violetta

Vejo o mundo a preto e branco, mas cheio de cor, vejo o mundo cheio de sonhos, mas com poucas esperanças, vejo o mundo como se fosse uma montanha russa que provavelmente pagaria bilhete para entrar, mas que eu ia acabar por enjoar devido a tantas subidas e descidas. É por isso que vejo o mundo de uma forma tão diferente do comum, é por causa das “subidas e descidas” tão frequentes na minha vida…

Por vezes, sinto que estou a um toque de chegar ao céu, de chegar a realizar os meus sonhos, mas depois, acabo sempre por escorregar, cair, e sentir que nada poderá torná-los reais. Eles são simples, tão simples quanto a minha pessoa é, não são complicados nem elaborados, são sonhos de criança, sonhos de contos de fadas, sonhos que jamais alguém imaginaria que eu tivesse, são os sonhos mais puros que existem: o sonho do príncipe azul e o da melodia que ecoa no coração; são estes os meus sonhos. E a dificuldade, o obstáculo que me impossibilita de poder dar vida a estes sonhos é… é o meu pai… É muito triste dizer isto, mas é verdade… é exatamente aquele homem que me deu vida, é exatamente aquele homem que me viu crescer, é exatamente aquele homem que diz que faz tudo para me ver feliz, mas que na realidade, não é bem assim… O meu pai nunca irá permitir que os meus sonhos possam vir a ser realizados. Sobre a música, eu não posso permitir que aquele senhor, aquele senhor que eu mais amo na vida me tire a música, me tire a vida porque a música é a minha vida! A música está dentro de mim e tudo o que se encontra dentro de mim é música, por isso, ninguém me diga que o maior constituinte do meu corpo é água porque, mesmo que não esteja comprovado cientificamente, o meu corpo é maioritariamente constituído por melodias e sons que formam música ao revés da junção de duas moléculas de hidrogénio e uma de oxigénio. E quem me perguntar como é que eu estou tão certa disto, basta ouvir o meu coração a bater para entenderem que ele faz música para eu estar aqui, que ele faz sons melodiosos e inconstantes, tanto bate depressa como devagar, tal e qual um tambor, o que torna o bater do coração a melodia mais bela e original que existe tal como o sangue que me corre nas veias, ele ao circular pelo meu corpo forma uma melodia semelhante ao correr das águas do mar sendo uma melodia muito relaxante e bonita. Mas o meu pai não entende, não compreende o quão importante a música é para mim e pensa que a música é algo prescindível na minha vida, mas não é. Ele pensa que a música é um hobby, uma forma de passar o tempo… Ele não quer que eu seja cantora, ele não quer que eu siga os passos da minha mamã e eu até que entendo o motivo pelo qual ele não quer que eu cante mas ele também podia tentar compreender-me… O motivo, o motivo está ligado com a morte da minha mãe… Quando eu tinha apenas cinco aninhos, era muito pequena e muito pouco me lembro dela, fico triste por não me conseguir lembrar mas sei como é que ela morreu e é disso que o meu pai tem medo, tem medo que eu morra como ela morreu, pois eu sou a única pessoa que resto da família do meu pai…

Flashback ON

A minha mãe era cantora, era uma cantora famosa, tão famosa que era conhecida pelo mundo inteiro. Aquela era a sua maior paixão: cantar! Ela cantava com toda a sua alma e vida, fazia tudo pela música, era a sua maior paixão. Mas num certo dia, a minha mãe e o meu pai começaram a pensar como seria ter um bebé, um bebé que fosse o fruto do amor de ambos, então decidiram arriscar e pouco tempo depois viram que quando a minha mãe fez o teste de gravidez deu positivo: a alegria dos dois apaixonados era imensa e, para eles, era uma eternidade esperar nove meses para ter aquele ser humano tão inofensivo. O tempo passou, a barriga da Maria parecia que ia rebentar de tão enorme que ela estava e o Germán, como era um homem muito preocupado e teimoso, levou a sua esposa para o hospital, com medo que ela pudesse estar pronta para ter aquela menina que os dois tanto ansiavam. Quando chegaram ao hospital, viram que realmente não faltava muito tempo para que aquela mulher viesse a dar à luz e decidiram prontamente começar a preparar tudo para que o parto corresse na perfeição. Passados longos minutos de espera, a bebé nasceu e os dois pais estavam mais felizes do que nunca e eles já sabiam qual o nome indicado para aquela menina: Violetta. Assim, a Maria decidiu passar o máximo de tempo possível com aquele ser humano tão querido a seus olhos e deixou a carreira de lado. O tempo passava e Maria, tal como Germán, estavam cada vez a amar mais aquela pequena e doce menina. Chegado aos cinco anos da mesma, o pai da Maria acho que como ela queria dedicar o resto da sua vida a cuidar e a mimar Violetta, ele deu a sugestão de ela ir dar um último concerto. A cantora achou que um último concerto não seria má ideia, deixando assim o Germán e a Violetta e indo em direção ao aeroporto para ir para Madrid, o local onde se iria despedir da sua carreira. Porém, o avião teve certos problemas que o levaram a cair a pique e, dessa forma, todas as pessoas que se encontravam dentro daquele transporte, morreram, incluindo aquela cantora tão distinta…

Flashback OFF

Dói-me muito saber que isto aconteceu a minha mãe e quem me dera poder tê-la aqui comigo, mas isso é impossível, infelizmente… Sinto tanta falta daquela mulher que sentia o mesmo que eu sinto quando canto e que, de certeza, se ela estivesse aqui, ela iria compreender-me melhor do que ninguém. Queria poder abraça-la, desabafar com ela, dizer-lhe o que sinto, poder sentir-me amada por ela bem como eu adorava poder partilhar com ela este sonho de entrar no mundo do espetáculo e seria incrível poder cantar com ela, como eu gostava… Mas não há nada que eu possa fazer…

Em relação ao meu príncipe azul, nunca poderei encontra-lo, quer dizer, falar com ele e isto porque mal o meu pai veja um rapaz a olhar para mim, um possível pretendente, ele quase que o mata, que o fuzila com o olhar de maneira a que ele fuja, de maneira a que ele fique com medo de uma possível aproximação de mim e, desta forma, eu nunca conseguirei ter um amigo, um rapaz com que eu me daria bem, não estou sequer a mencionar sobre o meu amor, mas sim, num amigo, num simples amigo que sei que nunca terei, devido ao medo que o meu pai tem de eu me apaixonar por um demente e que este me use, me manipule e que me leve por maus caminhos, o que será impossível acontecer, pois o meu papá está sempre de olho em mim e pouco ou nenhum “espaço pessoal” tenho, como diria o Ramalho. O Ramalho é o melhor amigo do meu pai e também é o secretário particular dele e ele costuma dizer “espaço pessoal” quando a Olga começa a retirar-lhe aquele seu espaço vital. A Olga é também uma amiga do meu pai de infância como também é a cozinheira da casa e quem a limpa. Mesmo que o meu pai seja um homem de negócios e que, habitualmente, viaja muito e me leva para todo o lado com ele, como se fosse bagagem, ele decidiu passar, pelo menos, dois anos em Buenos Aires para que eu e ele possamos matar saudades, pois nem eu nem ele vemos a Olga e o Ramalho há mais de um ano.

Não tenho muito mais a dizer de mim a não ser que cheguei a minha casa há cerca de uma hora atrás e que tive uma boas-vindas bastante calorosas.

Flashback ON

Quando o meu pai tocou à campainha, a porta, em poucos segundos, se abriu e, para minha supressa, um barulho muito sonoro percorreu a casa toda como também tive a lindíssima visão de vários balões, ora uns flutuavam no ar (devido à existência de hélio no interior dos mesmos), ora outros estavam no chão, mas o meu sorriso aumentou quando vi a Olga e o Ramalho.

– VIOLETTA!- A Olga começou a correr em minha direção e abriu largamente os braços e eu, em sinal de resposta, abracei-a fortemente.

–Olga!

– Como está a minha pequena?

–Estou bem e tu?- Perguntei sorridente

–AW!- Exclamou a Olga quando saiu do abraço e ignorando a minha pergunta por completo devido a tamanha emoção que não a deixava ouvir- Estás tão grande! Como tu crescestes…- Disse a cozinheira dando-me a mão de forma a que eu desse uma voltinha em torno de mim própria.

–Violetta!- Proferiu uma voz masculina que me era familiar,

–Ramalho!- Abracei-o, mas por pouco tempo e não foi um abraço apertado, pois eu sei que o Ramalho não é um homem muito de gestos carinhosos mesmo tendo um bom coração.

–Estás tão crescida!- Exclamou com um grande sorriso. E antes que eu pudesse responder, fui interrompida por uma voz masculina.

–Filha, gostava que conheces uma pessoa…

–Quem papá?- Interroguei curiosa.

Depois da minha pergunta, o meu pai abre a porta de entrada e aparece uma senhora muito bonita de cabelos castanhos claros, mais a tender para o louro, encaracolados, com uns lindos olhos azuis claros e com um enorme sorriso nos lábios que não se passava despercebido.

–VIOLETTA!?- Indagou aquela senhora com uma expressão de quem estava surpreendida e, ao mesmo tempo, de quem estava mais feliz que nunca o que fez com que se forma-se no meu rosto uma expressão de estranheza.

–Sim…- Disse em tom de sussurro e sem entender o porquê daquela expressão, o porquê daquela senhora ter reagido daquela forma… Se bem que, apesar de que eu estivesse a achar aquilo tudo muito estranho pareceu-me uma senhora com bom coração e uma senhora que eu futuramente me viria a dar bem com ela.

–Sim, eu já te tinha…- O meu pai parou um pouco e fez de conta que tinha tossido- Desculpe, eu queria dizer que já LHE tinha dito que o nome da minha filha é Violetta.- Reformulou a frase com bastante entoação na palavra “lhe”, o que me fez ficar ainda mais confusa.- Filha, queria apresentar-te a Angeles, a… a tua… a tua nova… ma…- Fiquei ainda mais duvidosa do que se estava a passar quando o meu pai começou a gaguejar e a dizer que a senhora Angeles era algo a mim, mas o quê?

–Diz a verdade.- Sussurrou Angeles ao meu pai para que fosse só ele a ouvir, mas eu também consegui entender o que ela tinha dito e eu já estava a ficar com a minha cabeça às voltas de tanta confusão que pairava nela.

–Ahm… A… A Angeles é… a tua nova… a tua nova perceptora!- Afirmou o meu pai com uma expressão de quem escondia algo e notei que aquela senhora olhava para o meu pai com uma expressão de indignação. Eu simplesmente sorri apesar de eu sentir por dentro um incomodo de me estarem a esconder algo…

–Mas podes tratar-me por Angie.- Sorriu a nova perceptora o que me fez ficar feliz porque todas as perceptoras que tive até hoje sempre foram muito frias comigo e esta parecia estar a querer formar laço de amizade comigo ou pelo menos a querer tornar-se uma perceptora agradável a meu ver.

–Está bem, Angie.- Sorri para aquela senhora que me agradava- Vou para o meu quarto desfazer as minhas malas.- Estava pronta para ir em direção ao quarto mas parei e perguntei- O meu quarto é o habitual, certo?

–Sim querida, eu levo-te lá.- Ofereceu-se a Olga.

–Obrigada Olguinha.- Subi pelas escadas com a Olga e constatei que tudo estava como antes, nada havia mudado e sorri inconscientemente.

–É este, querida!- Exclamou aquela mulher que usava um avental rosa.- Vai desfazendo as malas enquanto eu te preparo aquele bolo de chocolate que tu adoras.- Dito isto, ela saiu do quarto e eu comecei a observá-lo atentamente. Tudo estava igual como eu havia deixado e involuntariamente esbocei um leve sorriso.

Flashback OFF

E agora estou aqui a arrumar a minha roupa… Alguém está a bater à porta.

–Entre!- Exclamei, fazendo com que a pessoa que se encontrava atrás daquela porta a abrisse.

–Trouxe-te o teu bolo de chocolate.- Disse uma voz feminina e doce que sorria.

–Muito obrigada, Olguinha.- Agradeci esboçando uma expressão que transmitia agradecimento e alegria.

–Vou agora tirar um café para o senhor Germán. Até já!- Despediu-se a Olga, fechando a porta e me deixando novamente no meu mundo, no meu mundo de sonhos que me faz voar e sentir-me livre, feliz… Até quando é que o meu pai não vai deixar com que eu possa seguir aquilo que eu sonho ser? De repente, alguém volta a bater na porta…

–Posso entrar? Gostava de falar contigo, Violetta…

POV’s Tomás

–Tomás, tens que entender que nós queríamos dar-te essa alegria, mas tu sabes que é muito caro e que agora estamos a passar uma fase muito complicada em termos económicos…- O meu pai tinha razão, eu por vezes nem noto nas dificuldades que eles passam…

–Desculpem, tenho sido egoísta em não olhar ao meu redor e não ver que vocês não estão bem…

–Deixa estar, está tudo bem… Nós adoramos-te muito querido e vais ver que vais conseguir entrar nesse Studio, eu prometo.- Quando a minha mãe proferiu aquelas belas palavras que me aqueceram o coração, recebi um abraço bem aconchegante dos meus pais e um grande sorriso surgiu na minha face como também a minha visão começou a tornar-se turva devido às lágrimas que se encontravam dentro dos meus olhos e que imploravam por sair.

–Sim, não adoramos-te, não somos como aqueles parvalhões…- Insinuou o meu pai com uma raiva a tomar conta dele.

–De quem estás a falar pai?- Perguntei curioso, pois não entendi a que prepósito ele estava a falar “daqueles parvalhões” que eu não faço ideia de quem sejam.

–Ahm… Filho… Eu estou a falar dos…- Gaguejava o meu pai que fitava a minha mãe, como se estivesse nervoso e quisesse dizer-me qualquer coisa, mas que não conseguia.

–Lucas…- Proferiu a minha mãe fitando o homem a quem pertencia esse nome.

–Eu estou a falar dos… dos meus colegas de trabalho! Alguns deles são mesmo parvalhões, não entendem nada e sou eu que tenho de lhes explicar as ordens do meu chefe já que eles são burros.- Explicou-me com uma expressão que demonstrava aflição, como se estivesse a ocultar algo que não era capaz de proferir.

–E a que prepósito eles foram chamados à conversa, pai?- Questionei a rir-me.

–Ahm… Não têm nada a ver com a nossa conversa mas como… ahm… tu sabes, como eu às vezes estou a pensar em coisas do trabalho que… pronto, que não são muito…- Definitivamente eu tinha a certeza que o meu pai está muito atrapalhado e que se passa alguma coisa que eu não sei.

–Querido, o que o teu pai está a tentar dizer é que como ele anda muito sobrecarregado com o trabalho, ele não consegue deixar de pensar nisso e, por vezes, começa a falar dele sem ter motivo para tal.- Quando os meus ouvidos captaram as palavras que a minha mãe mencionou, pensei bem e acho que ela tem razão, o meu pai tem andado uma pilha de nervos por causa do seu emprego, é normal que ele acabe falando nele sem motivo para isso.

–Descansa pai, não precisas de ficar assim… Sabes que os nervos fazem-te mal.- Aconselhei e dei umas palmadinhas nas costas do meu pai- Vou para o meu quarto.- Dito isto, subi pelas escadas e abri a porta do meu pequeno quarto focando o meu olhar naquela guitarra que me fez esboçar um sorriso involuntário pela alegria e a companhia que aquele instrumento me dava. Aproximei-me dele e tentei compor algo, compor alguma melodia que demonstrasse o meu estado de espírito, que tornasse a minha alma transparente perante aqueles que escutavam as notas que ecoavam no ar, mas eu estava sem criatividade, sem ouvido musical e inspiração para tal. Decidi pousa-la, pois noutro dia, talvez soubesse como me sentia, como me encontrava espiritualmente, porque hoje nem eu próprio tinha a noção dos meus sentimentos, das minhas emoções… Por um lado, acho que estou muito feliz devido a esta união que tenho com a minha família, não trocaria esta por outra mas também, quando eu perguntei ao meu pai de quem é que ele estava a falar, ele ficou muito atrapalhado o que me deixa curioso e com vontade de descobrir se realmente ele estava a falar dos seus colegas de trabalho ou se ele estava a encobrir algo… De repente, um barulho sonoro fez com que eu despertasse dos meus pensamentos, fez com que o meu olhar fosse levado até ao corredor, visto que eu tinha deixado a porta do meu quarto aberta, e os meus pés arrastaram-me até ao móvel onde se encontrava o telefone. A curiosidade despertou em mim quando lembrei-me dos meus pensamentos e questionei-me a mim próprio “Será que esta chamada pode ter a ver com o que o meu pai me esconde?”. Sabia que poderia ser uma pessoa qualquer, até mesmo algum amigo meu, porém, algo dentro de mim dizia que ali estava algo que me revelaria a verdade… Não tinha a certeza se estava a fazer o correto, mas decidi atender.

Ligação ON

–Estou?

–Preciso de falar contigo imediatamente e não vale a pena recusares porque vais ouvir quer queiras, quer não.- Respondeu uma voz masculina com um tom autoritário e arrogante.

–Ahm… Quem é o senhor?- Inquiri, pois estava com curiosidade de saber quem seria aquele homem para falar daquela forma.

–QUÊ? Que…que…-Gaguejou o senhor que se encontrava do outro lado da linha que em seguida deu um berro que me assustou.- Passa ao teu pai.- Proferiu com uma voz fria e rude.

–Mas o senhor ainda não respondeu a minha pergunta…-Relembrei o tal homem porque, sinceramente, não acredito que haja alguma pessoa mais curiosa que eu.

–ISSO NÃO TE DIZ RESPEITO! Passa ao teu pai JÁ!- Confesso que fiquei aterrorizado com a forma de falar daquele homem e, como vi que seria pior se eu continuasse a insistir, decidi mesmo chamar o meu pai.

–PAI! ANDA AQUI! TENS AQUI UM SENHOR QUE QUER FALAR CONTIGO!- Gritei, por causa do meu pai se encontrar longe de mim. Eu mal podia acreditar que o meu pai estava dois segundos depois do meu chamamento à minha beira, como se aquela chamada fosse urgente, como se aquela chamada fosse mudar a vida dele. O Lucas pegou no telefone e antes de o colocar no ouvido, sussurrou:

–Tomás, vai para o teu quarto, este assunto é muito importante e não convinha que ouvisses, visto que tem a ver com o meu emprego e o meu chefe leva isto muito a sério…- Fiquei ainda mais curioso quando ele não queria que eu ouvisse a chamada dele, mas achei melhor mesmo ir para o meu quarto. Admito que não consegui deixar de pensar nas palavras daquele homem tão bruto bem como as palavras do meu pai, algo dentro de mim dizia que aquela chamada tinha as respostas às minhas perguntas… Tive uma hora a questionar-me a mim mesmo quem poderia ser, o que seria que ele queria do meu pai, porquê a aflição do meu pai,… Só não estive mais de uma hora a pensar nisso porque ouvi o barulho da minha porta a abrir e constatei que era o meu pai.

–Ei! O que se passa contigo?- Inquiriu-me.

–Nada.- Respondi com uma expressão que demonstrava o oposto.

–Sei que não é nada… Tu, por norma, não consegues ficar mais de uma hora fechado no teu quarto a não ser quando é para dormires ou quando estás a tocar guitarra, mas se não estás a fazer nem uma coisa, nem outra é porque estás apaixonado ou é porque não estás bem e eu aposto na última opção.- Afirmou com um sorriso fraco.

–Ok… Queres que te diga a verdade?

–Sempre.- Disse com um sorriso nos lábios.

–Eu gostava de saber quem é aquele senhor com quem falastes ao telefone e sobre o que tratava a vossa conversa…-Confessei, temendo a resposta.

–Ahm… São… são coisas de adultos, filho, nada de interessante…- Gaguejou nervoso.

–Não pai! Quero que me digas a verdade. Estás a esconder alguma coisa de mim?

POV’s León

Lá estava eu na paragem de autocarros à espera que aparecesse algum para me levar a casa, visto que este dia que tive no Studio foi bem cansativo… O Gregório, o meu professor de dança, é muito exigente connosco, mas hoje ele fez com que eu ficasse com as costas a doer e com as pernas “todas partidas”. Ouvi um barulho bem próximo de mim e dei-me conta de que era o autocarro a chegar. Entrei, paguei a viagem, sentei-me no primeiro lugar que vi vazio e estive a viagem toda a olhar para a janela… Tinha a minha cabeça noutro sítio, não parava de pensar no que aconteceu lá no Studio…

Flashback ON

Cheguei ao Studio e, como sempre, lá estava a Fran à minha espera, (para quem não sabe, a Fran é a minha melhor amiga) e ela estava com uma carinha tristinha.

–Ei! O que se passa Fran? Que carinha é essa?- Questionei preocupado.

–Olá… É o costume…-Respondeu-me olhando para o chão.

–A Ludmila?- Perguntei já irritado.

–Sim…-Sussurrou tristinha e finalmente olhando para mim.

–Não! Isto não pode continuar Francesca, não pode! Sei que és muito tímida e que é te difícil defenderes, mas eu não vou permitir que ela te continue a deixar assim…-Afirmei enervado e entrando dentro do Studio a um passo rápido enquanto a Fran me seguia.

–O que vais fazer, León?- Indagou com um certo receio na sua voz e na sua expressão.

–Vou mostrar aquela tarântula com quem ela se está a meter…- Disse com um olhar de raiva procurando a Ludmila, mas a Fran agarrou o meu braço antes que eu pudesse dar mais algum passo.- O que foi?

–León, tu és muito querido ao tentares ajudar-me com a Ludmila…-Antes que a Fran pudesse proferir fosse que palavra fosse, decidi intervir.

–Só sou querido nessas alturas?- Perguntei com uma expressão de quem estava carente com um misto de brincalhão.

–Claro que não és SÓ querido nessas alturas, és SEMPRE!- Afirmou a rir-se, acentuando o tom de voz nas palavras “só” e “sempre” e abraçando-me com força e carinho, ai… como eu gosto daquela rapariga.- Mas agora a sério León, eu adoro-te, mas não precisas de fazer nenhuma loucura por mim…-Mencionou com um olhar ternurento.

–Sabes, eu não vou fazer nenhuma loucura.- Quando disse estas palavras ela suspirou fundo e fez um sorriso que me contagiou- Mas também não penses que vou ficar aqui de braços cruzados!- Agora a expressão tranquila e alegre que a Fran continha no rosto desapareceu e surgiu uma expressão de desgosto na mesma, desprendendo-se daquele abraço para me encarar.

–Não faças isso, por favor.- Pediu-me quase como se me tivesse a implorar.

–Fran, eu por ti faço tudo!- Disse piscando-lhe o olho e ido em direção à figura daquela rapariga loura com os cabelos encaracolados, não deixando a Francesca dizer o quer que fosse.- Ludmila!- Chamei por ela que prontamente já me olhava.

–Hey Lion!- Saudou-me com um sorriso.

–O que fizestes à Fran?- Indaguei com uma expressão de raiva.

–Credo León! Não precisas de me tratar assim… O que é que te fiz?- Questionou fazendo-se de vítima.

–Não é o que eu te fiz, é o que é que TU fizestes à Francesca!- Exclamei quando me sentia mais enervado do que antes.

–Não… Foi o que ELA, essa menininha me fez!- Exclamou fuzilando com o olhar a Fran que já se encontrava amedrontada.

–Diz-me então o que ela fez, aposto que tu foste a culpada do ato que ela teve.- Disse irritado e impaciente.

–Essa coisa…- Eu não podia deixar que ela tratasse a minha amiga assim.

–Ela não é nenhuma coisa, ela TEM NOME! Que é FRANCESCA. Queres que soletre? F-R-A-N-C-E-S-C-A.- Enervei-me já fechando os punhos.

–León… Tem calma.- Sussurrou a Fran ao meu ouvido.

–Ok… A FRANCESCA entornou, de prepósito, um copo cheio de sumo de laranja na minha camisola nova e ela era para virar o outro que tinha na mão, mas, felizmente, eu afastei-me a tempo…- Insinuou Ludmila com uma carinha de criança inocente, só que ela de inocente não tem nada.

–Ludmila, eu já te pedi desculpa, foi um acidente…- Falou a Fran a medo da reação da outra rapariga.

–Acidente uma ova! Tu pareces um anjinho, mas lá no fundo, tu és é um diabo, um DEMÓNIO!- Insinuou a menina de cabelos louros com os seus olhos maquiavélicos observando Francesca.

–LUDMILA! CHEGA! Ela já disse que foi se querer!- Gritei furioso. Como é que aquela miúda me conseguia deixar tão irritado?- Vamos Fran…- Pedi-lhe e agarrei o seu braço a fazendo ir atrás de mim e deixando aquela “bicha” ali plantada.

–TU VAIS PAGÁ-LAS FRAN!- Gritou, bem lá do fundo, aquela víbora e eu só olhei para trás lançando-lhe um olhar de raiva. Fomos então para as aulas e não aconteceu nada fora do comum, a não ser o mau humor do Gregório que cada vez aumentava a cada aula que passava. Quando acabaram as aulas, a Fran implorou-me para que eu almoçasse com ela no Restó Bar e eu decidi conceder-lhe o pedido. Estivemos a falar de diversas coisas alternadas até que a minha amiga pediu-me para que eu esperasse um pouquinho e eu assenti com a cabeça. Quando estava à espera dela, apareceu a Ludmila a minha frente, bolas! Já me ia chatear a cabeça.

–O que é que tu queres?- Perguntei já sem paciência para a aturar.

–Queria perguntar-te uma coisinha…

–Vá lá, mas é para despachar, não tenho o dia todo!

–Tu estás apaixonado pela Fran?- A pergunta que a Ludmila me tinha feito não era difícil de responder, mas eu hesitei, como se não tivesse a certeza do que ia dizer.

–Ahm… Não, não estou apaixonado por ela, ela é a minha melhor amiga, só isso.- Respondi ainda pensando na pergunta.

–Era só isso porque agora tenho que ir. Xau!- Despediu-se e eu fiquei confuso e uma pergunta ecoou na minha cabeça “Porquê que ela me veio perguntar isto?” e cogitei várias respostas na minha mente até reparar que a Fran já estava à minha frente já há algum tempo com uma expressão que mostrava uma tristeza indecifrável, mas que tentava não a demonstrar.

–Ah! Desculpa, estava perdido nos meus pensamentos… Porquê essa carinha, ah? Não chora…- Perguntei preocupado enquanto limpava a lágrima que escorria na face da minha amiga.

–Não é nada, deixa lá.- Respondeu-me tentando esboçar um possível sorriso mas sem sucesso.

–Como não é nada? Estás a chorar e com uma cara mais triste que a noite… Vá lá, conta lá para o teu Leónzinho!- Tentei animá-la com as minhas brincadeiras, o que deu certo porque ela não conseguiu esconder um sorriso naquela sua carinha.

–León, deixa para lá, não é importante, mas obrigada por me tentares levantar o ânimo.- Agradeceu com um sorriso que não me deixou indiferente.

–Bem, eu sei que era importante senão não terias chorado, mas não vou ser chato, além do mais, os meus pais já devem estar preocupados… Por isso, até amanhã Fran!- Despedi-me e dei-lhe um beijo na bochecha.

Flashback OFF

Será que ela ouviu a conversa que tive com a Ludmila? Será que foi por causa da minha resposta que ela ficou assim? Será que eu sinto algo pela Fran? Não, claro que não. Ela é a minha melhor amiga, só isso…

–Leónard Vargas?- Uma voz masculina acordou-me das minhas recordações e prontamente notei que era o condutor do autocarro que estava parado perto da minha casa para que eu saísse.

–Desculpe…-Saí e enquanto caminhava em direção à minha casa, notei que havia uma casa nova. Novos vizinhos? Acho que sim porque eu vi um senhor de cabelos pretos e aparentava ser um homem de negócios que transportava uns móveis plastificados para aquela bela casa. Parei de o observar e entrei na minha casa. A primeira coisa que fiz foi avisar a minha mãe de que haviam novos vizinhos, então ela foi ao shopping comprar uns docinhos para a nova família que iria morar perto da nossa, enquanto isso, eu estava no quarto, sem fazer nada, e tive uma grande curiosidade de conhecer os vizinhos, então, olhei pela minha janela para ver se conseguia observar quem seriam aquelas pessoas que me deixaram com uma alegria no meu coração, uma curiosidade enorme, achava que não ia ver ninguém, porém, consegui fitar uma menina que aparentava ter os seus dezasseis anos, fiquei a observá-la durante um longo período de tempo… Ela era linda e o meu coração batia de uma forma descompactada enquanto a admirava… De repente, a campainha tocou, desci as escadas contrariado e fui abrir a porta.

–O que fazes aqui?- Questionei boquiaberto.

POV’s Diego

–Diego! Anda aqui!- Era a minha avó. Sei que muita gente me pergunta porque que eu vivo com os meus avôs e o motivo é simples, os meus pais morreram ambos quando eu tinha dois anos e meio, morreram num acidente, mas felizmente, nesse dia, a minha avó estava a cuidar de mim e, por isso, fui e ainda estou a ser criado pelos meus avôs já que não tenho mais ninguém com quem ficar… Sinto saudades dos meus pais, mas não há nada que eu possa fazer… Hoje é o último dia em que trabalho na quinta dos meus avôs e amanhã talvez eu possa entrar no Studio On Beat, o Studio que eu sonho entrar, mas nunca pude. Os meus avôs estão orgulhosos na ajuda que lhes tenho dado com a quinta deles, mas é o mínimo que posso fazer para os agradecer por tudo…

–Sim, que foi avó?- Questionei com um sorriso nos lábios.

–Ajudas-me a plantar alfaces? Precisava para te fazer aquela salada que tu adoras…- O meu sorriso logo aumentou.

–Claro!- E lá estive eu a aprender a plantar alfaces, pois eu já sabia quase plantar tudo o que eu comia. Tive quase todo o dia a ajudar os meus avôs em tudo o que necessitavam, desde a cuidar da quinta, das plantações, até deles próprios porque sei bem que a idade deles é puxada e precisavam da minha ajuda. No fim do dia, até eu me sentia cansado, doíam-me os pulsos das mãos e os joelhos, eu necessitava mesmo de descansar, fui para o quarto e fiquei perplexo: estava lá uma guitarra, uma guitarra que sempre quis ter… Aproximei-me dela e peguei nela para ter a certeza que não era a minha cabeça a pregar-me uma partida. Ouvi um ruído, virei-me, rapidamente, para a porta e estava lá a minha avó com um sorriso muito grande nos lábios.

–Foi a avó que me deu a guitarra?- Perguntei com um brilho distinto no meu olhar.

–Não… Por acaso foi o teu avô, mas eu tenho também uma prenda para ti…- Afirmou sorrindo.

–Qual é?- Indaguei com um sorriso enorme e com uma felicidade que nunca antes tinha tido.

Notas finais
Aqui estão os "quadros" das personagens que irão aparecer mais nesta fanfiction: http://i39.servimg.com/u/f39/18/81/75/07/quadro10.jpg http://i39.servimg.com/u/f39/18/81/75/07/quadro11.jpg Espero que tenham gostado, mas se ficou muito ruim, mandem sugestões que eu agradeço e, por favor, comentem! ♥