Mis Dudas

2 O Sofrimento da Francesca


Notas iniciais
Olá meus queridos leitores! :) Queria antes de mais pedir-vos perdão pela demora, porém não podem negar que ficou um capítulo muito grande! ;) ATENÇÃO LEIAM!!! ATENÇÃO LEIAM!!! ATENÇÃO LEIAM!!! Vai haver um pequeno problema: estarei de férias a partir de amanhã até ao dia 11 de Agosto e os meus pais não querem que levem o computador comigo, por isso, só a partir dessa data é que poderia colocar novos! AGRADECIMENTOS: Queria agradecer muito pelos maravilhosos comentários de: -ranyy santana -Blogueira Anonima Boa leitura! *-*

POV’s Violetta

Recapitulando: Em POV’s Violetta- “De repente, alguém volta a bater na porta…

–Posso entrar? Gostava de falar contigo, Violetta…

–Sim…- Autorizei observando a porta que me separava da pessoa que necessitava de falar comigo a abrir-se e tornando possível a visibilidade daquela senhora com um sorriso meigo nos lábios, inevitavelmente, esbocei também um sorriso, porém era um sorriso fraco porque eu não estava lá muito contente…

–Olá… O que se passa?- Indagou preocupada enquanto se sentava na minha cama ficando ao meu lado.

–Não se passa nada Angie… Eu estou bem.- Menti e dei um sorriso para que ela não se preocupasse comigo.

–Sei… Tu não sabes mentir, Violetta… Porque não me contas?- Aquela senhora parecia que me conhecia há anos, quem a ouvisse nunca ia conseguir imaginar que ela só me conhece há uma hora e alguns minutos.

–Bem… O que se passa é que o meu pai… bem, eu adorava que ele me autorizasse a fazer certo tipo de coisas que ele não deixa…- Confessei tornando o meu estado de espírito transparente aos olhos de qualquer pessoa.

–Como o quê?- Indagou tentando-me compreender.

–Como atuar, dançar e principalmente cantar… Quem me dera que ele me deixasse cantar…-Mencionei, demonstrando que cantar é algo que, para mim, é realmente importante.

–Mas porquê que ele não te deixa cantar?- Questionou Angie com uma expressão que tinha um misto de curiosidade com admiração e estranheza bem como reprovação.

–Bem, é que…- Estava prestes a contar o motivo pelo qual o meu pai reprovava o ato de cantar pela minha pessoa só que a Angie me interrompeu.

–GERMÁN! Anda… Ahm… Quer dizer, pode vir aqui, por favor?- Estranho… Já há pouco tempo o meu pai tratou por “tu” a minha nova perceptora e agora ela estava também a tratá-lo de uma forma informal… Algo se passa que eu não sei…

–Já vou, que… ai ter.- Proferiu o meu pai antes de se poder ouvir um barulho de uns pés a subir as escadas com muita pressa.- O que se passa?

–Porquê que a Violetta não pode cantar?- Perguntou Angie, com as mãos na cintura e com um olhar sério para o meu pai que logo ficou com uma expressão que transparecia irritação.

–Porque não…- Meu pai respondeu de uma forma fria e seca saindo do meu quarto enquanto Angie o seguia irritada o que me provocou curiosidade. Então, fui atrás da Angie, mas bem mais devagar, de forma a que ela não desse pela minha presença… Quando me dou conta, noto que o meu pai e a minha perceptora já estavam no escritório dele e com a porta fechada, felizmente, assim eles não dão pela minha comparência. Comecei a escutar o que eles proferiam atrás daquela porta.

–Porquê que estás a fazer isto, Germán? Porquê que não deixas a Violetta cantar?

–Porque… Porque não! Nem pensar!

–Mas diz-me porquê. Só quero entender o motivo pelo qual não a deixas cantar, SER FELIZ! Tu sabes que a minha irmã era uma cantora incrível e ela sentia a música como a alma, com o seu coração, ela amava a música como poucas pessoas amam… Tenho a certeza que a Violetta ama a música tal e qual como a M…-Tentei ouvir o que a Angie proferia, todavia não estava a ser fácil devido ao barulho do aspirador que a Olga utilizava para limpar a sala.-…por fav… deixa-a canta…soltar a su… voz!-Não conseguia entender a cem por cento o que aquela mulher pedia ao meu pai, porém consegui entender que ela queria ajudar-me, o que fez com que uma lágrima caísse do meu rosto, uma lágrima de felicidade porque nunca antes tive uma perceptora que arriscasse tanto por mim, que me protegesse e até confrontasse o meu pai por mim… Deixei de os ouvir falar, subi rapidamente as escadas para que não soubesse que os estive a espiar e entrei no meu quarto. Não sabia o que havia de fazer, então decidi começar a escrever, decidi fazer um poema, algo que ilustrasse o que sinto e o que penso…

“Cantar é um ato tão normal e natural para a maior parte das pessoas, para a maior parte das populações existentes na Terra, um ato que as deixam felizes e se libertarem, um ato que as deixam serem quem são, um ato que sabem que nada as deterá para que não o façam, um ato quase que involuntário para alguns, um ato que lhes provocam um alívio para as suas almas, um ato que é feito através da boca, quase como se estivessem a falar, mas a um certo ritmo e de uma forma poética… Cantar é o que eu quero fazer para mostrar o que sinto cá dentro, o que eu sinto no meu coração, sinto que só a cantar é que me consigo expressar melhor, expressar estas dúvidas que cercam a minha cabeça, que cercam a minha mente, que me fazem perder a noção do tempo e que ocupam a maior parte dele. Quero cantar, quero mostrar ao mundo os meus sentimentos, as minhas dúvidas… Quero expressar-me, sentir-me aliviada e feliz ao cantar, quero espalhar alegria e tornar os sonhos reais… Querer é poder, por isso, eu irei cantar!”

Depois de escrever, suspirei, olhei para a janela em busca de algo que me dissesse o que eu devia fazer, e, para minha surpresa, vi um rapaz a sair do seu quarto, um rapaz cuja idade deveria ser próxima da minha, notei que ele estava aborrecido, chateado com algo, bem, já somos dois… Mas agora me pregunto: Como é que o meu pai vai impedir-me de ser amiga de um vizinho? Não sei, mas ele não me vai prender nesta casa como se eu fosse a sua prisioneira, ele que nem pense nisso… Não ia aguentar passar o resto da minha vida entre quatro paredes sem poder cheirar o cheiro das plantas, do mar, da areia e de tantos outros cheiros tão reconfortantes.

–E se eu fosse conhecê-lo?- Inquiri em voz alta a mim mesma. Achei que podia deixar a minha timidez de lado e tentar ter, pela primeira vez, um amigo, mas tinha medo de que eu começasse a corar como uma tola ou pior ainda, o meu pai me visse com ele e ainda o matasse… Porém, algo me dizia que eu devia tentar, arriscar, para além do mais, eu só tinha intenção de o ter como amigo. Aproximei-me da porta do meu quarto e ao tentar abri-la, constatei que alguém puxava a porta do outro lado, e se for o meu pai? Agora é que não queria largar a porta… Se fosse ele, ia começar com aquelas perguntinhas como, do género “Aonde é que estavas a pensar ir, Violetta?” e já não ia haver forma de eu sair de minha casa…

–Violetta? És tu que estás a fazer força na porta para eu não entrar?- Era uma voz feminina que me perguntava, uma voz doce, meiga e cuja pessoa que possui essa voz parece-me uma pessoa maravilhosa, em que eu posso confiar.

–Angie?- Deixei que ela abrisse aquela porta que nos separava- Desculpa… É que eu achava que era o meu pai e não me apetecia ouvir mais um dos seus sermões…-Desculpei-me com um sorriso tímido que demonstrava vergonha no ato que tive.

–Eu sei… Mas estavas a pensar em sair?- Perguntou-me com um sorriso alegre e curioso.

–Sim… Queria apanhar um pouco de ar.- Respondi, ocultando o real facto que me dava vontade de sair daquela casa.

–Uhm… Sei…- Parecia que a Angie já sabia que eu não estava a ser verdadeira de todo na minha afirmação- Aposto que era para conheceres o nosso vizinho do lado direito- E ela olhou para a janela do meu quarto que dava acesso ao quarto da outra casa, quarto esse onde eu tinha visto aquele rapaz. Confesso que corei na hora e que não sabia o que fazer, mas pouco depois consegui falar.

–Angie! Não, não tem nada a ver… Eu nem sabia que tinha um vizinho do lado direito…- Fiz-me de despercebida para que a Angie não soubesse a verdade.

–Sei… Não precisas de me mentir, Violetta… Porém tenho de te mostrar uma coisa… Sei que já é quase de noite, porém ainda dá para te mostrar aquilo que eu quero-te mostrar…- Aquele sorriso meigo com um misto de alegria e mistério, despertou-me uma curiosidade que notou-se através dos meus olhos.

–O quê? O quê? O QUÊ?- Indagava com um sorriso bem grande no meu pequeno rosto.

–Já vais ver! Mas antes…- Angie pegou num pedaço de tecido, um tecido vulgar, mas que tornaria a minha ansiedade muito maior, era uma venda, uma venda para tapar a única forma de eu poder ver, os meus olhos, aqueles que me fazem ver coisas das mais incríveis até às mais simples. Não sabia se seria algo simples ou algo incrível que a minha perceptora queria mostrar-me, porém ela estava confiante de que eu iria adorar.

–Angie! Assim eu fico mais curiosa!- Afirmei entusiasmada por descobrir qual seria a coisa, ou a pessoa ou até mesmo o local que aquela senhora me queria mostrar.

–O objetivo é mesmo esse.- Respondeu-me de forma a que eu tivesse a precessão que ela sorria, pois os meus olhos só viam a escuridão devido ao pequeno tecido que os envolvia. A Angie começou a guiar-me cuidadosamente para fora daquele compartimento.- Cuidado com as escadas!- Avisava-me a todo o instante para que eu não me magoasse. Fomos caminhando até ouvir o barulho sonoro da porta de entrada a fechar.

–Já estamos cá fora, certo?- Perguntei enquanto a minha curiosidade crescia e tornava-se cada vez mais aguçada.

–Sim… Mas nem penses em me estar sempre a perguntar onde estamos porque acredita que não te vou dizer…-Fomos caminhando e caminhando, como me encontrava excitada e ansiosa, o pequeno trajecto pareceu-me uma eternidade, como se estivesse a ir até à China… Uma voz doce e meiga fez com que eu acordasse dos meus pensamentos.

–Já chegamos! Curiosa?

–Claro que estou! Posso tirar a venda?

–Uhm… Não sei não…

–Angie!

–Podes…- Ao tirar a venda dos meus olhos, pude constatar que a surpresa que a Angie aguardava era incrível como simples: simples para muita gente, mas incrível para mim!

–Angie… isto é…- Tentava falar ainda incrédula.

–Sim… O melhor Studio de Buenos Aires… O Studio On Beat!- Revelou com um olhar curioso direccionado a mim.

–É maravilhoso…-Constatei, sem tirar os olhos daquele edifício, em um longo suspiro enquanto o brilho que já se encontrava no meu olhar aumentava e o meu sorriso tornava-se maior.

–Gostavas de andar nesta escola?-Questionou-me sorridente.

–Se gostava? ADORAVA!-Gritei, virando o meu olhar para aquela perceptora que estava a tornar a minha vida mais sorridente, com aquela possibilidade que me deixava encantada.- Mas… o papá nunca me irá deixar…-Lembrei-me, tristemente, daquele pequeno facto que era imprescindível esquecer. O meu sorriso sumiu, os meus olhos alcançaram o chão, o brilho deles existente até então, desapareceu bem como a minha visão tornou-se turva, devido à vontade de despejar a tristeza que sentia dentro de mim, uma tristeza que parecia querer transparecer, todavia que eu não queria que esta se mostrasse…

–Nunca te irá deixar…- Relembrou as minhas palavras anteriormente referidas.- Uhm… Não sei. E mesmo que ele nunca te deixe cantar, não significa que não o faças…-Quando os meus ouvidos captaram as pequenas e simples palavras da Angie, os meus olhos encontraram os dela, transparecendo uma certa curiosidade, estranheza e esperança.

–Como assim? Cantar às…-Tentei supor, mas sem conseguir terminar a frase.

–Sim… Isso mesmo… Cantar às escondidas.

–Mas…-Tentava dizer sem sucesso.

–…é errado? Sim, eu sei… Porém, a tua maior paixão é a música. Eu acho que deves seguir os teus sonhos e ser feliz mesmo que o teu pai não entenda essa ligação que tens com a música…- Proferiu afagando os meus cabelos e olhando-me com um olhar ternurento.

–Mesmo assim… não sei se devo… Além do mais, há um problema… E se ele descobrir? Não sei, contudo eu não me sinto bem ao pensar na hipótese de mentir ao meu pai…- Confessei o motivo pelo qual não gostava muito da ideia da Angeles.

–Eu consigo compreender-te. Todavia, acho que tens todo o direito de cantar e eu ajudava-te a esconder este segredo do teu pai…- Ela ajudava-me? Bem, não posso negar que estas palavras me caíram bem, no entanto, tinha receio do que pudesse acontecer e não me agradava nada o facto de mentir aquele senhor que ODEIA mentiras, ele odeia mesmo quando se oculta algo…

–Bem… Eu não sei se devo Angie…- Disse tristinha, pois tinha finalmente a hipótese de poder cantar, porém não me sentiria bem em estar a cantar sem o meu pai saber…

–Sim, percebo que não é fácil tomar esta decisão e se mudares de ideias é só me dizeres, ok? No entanto, se não quiseres, tudo bem!- Exclamou com aquele sorriso tão resplandecente.

–Obrigada!- Agradeci brotando um sorriso pequeno, todavia genuíno.- Agora vamos para casa?- Perguntei sorrindo.

–Sim, já está a tornar-se tarde e o teu pai daqui a nada fica preocupado…- Afirmou observando o céu, constatando que a luz do Sol já era quase inexistente.

POV’s Tomás

Recapitulando: “–Eu gostava de saber quem é aquele senhor com quem falastes ao telefone e sobre o que tratava a vossa conversa…-Confessei, temendo a resposta.

–Ahm… São… são coisas de adultos, filho, nada de interessante…- Gaguejou nervoso.

–Não pai! Quero que me digas a verdade. Estás a esconder alguma coisa de mim?

Depois da minha pergunta, observei atentamente o meu pai que parecia estar a pensar ou a recordar algo que iria influenciar a resposta dele. Uma resposta que ansiava por ouvir e que ansiava para que fosse sincera.

–Sim…- Sussurrou olhando para o chão como se não devesse dar essa resposta.

–Então, o que andas a esconder de mim, pai?- Indaguei com uma expressão de desgosto, pois eu nunca pensei que o meu pai fosse capaz de me ocultar algo.

–Bom, não é fácil dizer-te isto…-Proferiu, ainda com os olhos colados no chão, fazendo uma pausa, como se lhe fosse difícil revelar-me o que me ocultou até então.- O que se passa é que… bem…- Gaguejou, começando a olhar para mim com um sorriso bem grande, o que me deixou bastante confuso.- Tu vais poder ir para o Studio “On Beat”!- Desvendou o mistério, fazendo com que brotasse no meu rosto um sorriso luminoso, um sorriso de orelha a orelha, um sorriso como nunca tinha aparecido na minha face. Impulsivamente, abracei com muita força e alegria aquele homem que me tinha deixado emocionado de tanta alegria, alegria essa que era difícil acreditar que podia caber num único ser. Chorei muito, muito mesmo, um choro que libertava a felicidade que se encontrava dentro de mim.

–Pai… Eu… eu… eu… Desculpa…- Mencionava soluçando devido ao choro- Desculpa ter duvidado de ti… Muito… muito obrigado… muito obrigado, a sério…- Agradecia enquanto deixava mais umas quantas lágrimas cair pela minha face.- Nem acredito que dissestes isso…- Soluçava com um sorriso que nem cabia na minha cara.

–Nem eu…- Sussurrou muito baixo, acho que ele não queria que eu tivesse ouvido.

–Porquê?- Indaguei rapidamente com uma expressão um tanto quanto desgostosa.

–Porquê?- Repetiu a minha pergunta- Porque eu nunca pensei que conseguisse, tão rapidamente, dar-te esta prenda…- Justificou com um sorriso que me reconfortou, no entanto, não por completo, devido ao nervosismo que se notava na voz dele.

–Tu e a mãe são os melhores pais do mundo! Não, do mundo não, do UNIVERSO! Nunca vos substituiria por outros, nunca!- Proferi com uma grande felicidade e veracidade. Todavia, achei estranha a expressão que o meu pai teve, uma expressão de desagrado, uma expressão de quem preferia nem ter ouvido aquelas palavras, aquelas palavras que a meu ver eram doces e reconfortantes…

–O que se passa, pai? Não… não gostas do que disse?- Questionei vindo-me aos olhos umas gotículas de água, gotículas essas que representavam a tristeza que se começava a formar no meu interior e a confusão que pairava na minha cabeça.

–Não, não… Nada disso. Só quis guardar na minha mente essas palavras para sempre…- Mencionou com um sorriso que logo se desfez quando viu as minhas lágrimas.- Ei! Estás a chorar?- Indagou preocupado.

–Sim… De alegria!- Disfarcei, me lembrando de que iria frequentar o Studio dos meus sonhos, por isso, não posso negar que a alegria que demonstrei foi sincera e real.- Quando posso começar as aulas, pai?- Perguntei ansioso e com um brilho distinto nos olhos.

–Ahm… Na… Não sei… Tenho que falar com a tua mãe…- Gaguejou, saindo do quarto apressadamente e mostrando o nervosismo que se encontrava no seu interior, um nervosismo que plantava, em mim, uma curiosidade insaciável, uma curiosidade que necessitava de respostas ao aparecimento da mesma. Queria correr atrás do meu pai e perguntar-lhe porquê, porquê que ele está nervoso, porquê que ele me anda a ocultar algo… No entanto, não era capaz depois da maravilhosa prenda que ele me deu, a melhor prenda que me podiam dar, sentia-me completamente sortudo, a pessoa mais felizarda de Buenos Aires… Pensei em tocar uma canção na minha guitarra, uma canção que mostrasse o quão feliz me sinto, todavia ouvi uma voz feminina que me impediu tal ação.

–TOMÁS! O JANTAR ESTÁ PRONTO!- Gritou, devido à grande distância que se encontrava de mim.

–JÁ VOU MÃE!- Gritei e imediatamente desci as escadas e fui direto para a sala de jantar onde já se encontravam os meus pais sentados nos seus respectivos lugares e a mesa posta com uma refeição que eu adorava.- Uhm… Fizestes pizza?

–Sim. Sabia que ias gostar, estava em promoção e não podia deixar de comprar…- Proferiu a minha mãe sorrindo e colocando uma fatia de pizza bem grande no meu prato enquanto eu me sentava.

–Obrigado!- Agradeci levando aquele pedaço de pizza à boca e apreciando aquele sabor que agradava tanto o meu paladar. Terminando de comer aquela deliciosa fatia de pizza, tinha que indagar algo que me estava a colocar ansioso.- Já sabem quando posso frequentar o Studio?- Questionei enquanto os meus olhos brilhavam de emoção.

–Studio? Querido, nós já fa…- A minha mãe proferia, mas o meu pai interrompeu, antes que ela pudesse acabar a frase.

–Eu ainda não conversei com a tua mãe sobre isso, no entanto, tem calma que tu vais frequentar e é isso que importa. Podes ir para o teu quarto? Eu e a tua mãe temos que conversar…- Eu só observava a expressão da minha mãe, ela estava de boca aberta, literalmente, parecia completamente espantada e sem saber o que se passava, porém eu é que já nem entendia nada de nada. Sai da cozinha, contudo, não conseguia ir para o quarto, estava com a curiosidade muito aguçada para tal, queria espia-los, escutar o que eles proferiam atrás daquela porta de madeira para entender tudo, entender de uma vez por todas o porquê do nervosismo do meu pai e do espanto da minha mãe, quem era aquele homem tão estranho que telefonou ao meu pai… Tantas dúvidas e finalmente podia ter todas as respostas a elas. Não era certo, todavia não tinha escolha… Encostei o meu ouvido direito à porta, tornando a minha audição melhor, porém só ouvia uns ruídos, eles deviam ter ido para a cozinha, o que me impossibilitava de poder ouvir e descobrir fosse o que fosse. Fiquei à espera para que eu conseguisse escutar algo importante e suficientemente audível. Inesperadamente, só foram necessários alguns segundos para conseguir ouvir algo que não me deixou indiferente.

–Queres que ele descubra?- Indagou a minha mãe com um tom de voz irritado.

–Descobrir o quê? Digam-me de uma vez o que me andam a esconder!- Proferiu enfurecido depois de entrar de forma quase que involuntária naquele compartimento em que reinava uma grande tensão sobre todos os que se encontravam nele.

POV’s León

Recapitulando: “De repente, a campainha tocou, desci as escadas contrariado e fui abrir a porta.

–O que fazes aqui?- Questionei boquiaberto.

Ela nada me respondeu. O seu sorriso não dava sinal de vida e os seus olhos estavam muito vermelhos, estavam a ficar cheios de lágrimas. A minha expressão mudou um pouco: mesmo continuando surpreso por a ver, começava a notar-se uma tristeza que se formava no meu rosto ao vê-la assim… Prontamente ela abraçou-me, abraçou-me como se já não me visse há anos e rapidamente aquelas lágrimas que ela estava a forçar a que não saíssem, acabaram por escorregar pela face da minha amiga, umas atrás das outras…

–Calma… Eu estou aqui.- Proferia enquanto acariciava a nuca da minha amiga com a intensão de sanar aquela tristeza que até eu já sentia dentro de mim, o que é normal devido ao carinho que tenho por aquela rapariga que se encontrava no meu peito. Estivemos longos minutos abraçados, minutos esses que nem sei se chegaram a horas, porém isso me era indiferente, era indiferente porque sabia que a estava a ajudar a ficar mais calma e menos triste, queria reconforta-la, queria que ela se sentisse melhor para que me pudesse explicar o porquê daquela tristeza…

A certa altura, a Fran desvencelhou-se do abraço dando para ver que já se sentia melhor, pois o seu rosto que já estava menos pálido que antes, bem como os seus olhos, mesmo estando ambos vermelhos, já nenhum dos dois conseguia libertar uma lágrima mais que fosse. Ela olhava para os meus olhos, como se me quisesse agradecer, como se ela não tivesse forças para falar e mencionar a sua gratidão pela minha paciência e ajuda, porém não eram necessárias palavras para eu saber disso.

–Melhor?- Questionei com um pequeno sorriso. Em sinal de resposta, ela coloca a sua mão direita na minha área de visão, de forma a que eu prestasse atenção aqueles dedos que se moviam. Ela fechou o punho, porém rapidamente ela esticou o seu dedo indicador bem como o seu polegar onde colocou o seu dedo indicador encima do polegar, deixando um pequeno espaço entre os dois, o que simbolizava a palavra “pouco”, isto é, ela tentava-me dizer que estava um “pouco” melhor. Ao observar a mensagem dela, o meu sorriso aumentou e o dela apareceu, mesmo sendo pequeno.

–Anda comigo…- Pedi, agarrando delicadamente a mão da Fran e a levando até ao sofá onde ambos nos sentamos.

–Podes contar-me o que se passou com o teu sorriso e com o brilho dos teus olhos? Olha que eu não gosto que eles fujam…- Proferi, de modo autoritário e com cara de zangado, fazendo a Francesca proferir uma pequena gargalhada.

–León… Desculpa eu ter entrado na tua casa sem mais nem menos. Foi uma grande falta de respeito da minha parte, eu n…-A Francesca é assim, ela está sempre a pedir desculpa por tudo e por nada, que rapariga… Não ia deixar que ela continuasse a falar de uma coisa que não havia necessidade de ser falada.

–Shiiuuu…-Proferi, colocando o meu dedo indicador em frente aos lábios dela, fazendo o silêncio reinar aquela casa por uns poucos segundos.- Não precisas de pedir desculpa. Eu só quero saber o que se passou para não estares a sorrir como sempre…

–Bem… é que…- Gaguejava a minha amiga que foi interrompida pelo som sonante da campainha. Obviamente fiquei com uma expressão de desgosto por não poder saber o que se passou, porém a Fran estava sorridente com aquela interrupção.- Vou abrir!- Afirmou, correndo para a porta de entrada, não dando chances algumas para que eu a pudesse impedir de tal ato.

–Ol… Olá Francesca!- Proferiu a minha mãe surpresa pelo aparecimento inesperado da minha amiga.- Como estás? Não sabia que vinhas hoje aqui… Ficas para o jantar?- Propôs a minha mãe. Fiquei com vontade de gritar que “sim” de forma a conseguir ter tempo para desvendar o porquê daquela tristeza, mas a Fran prontamente respondeu.

–Não… Desculpe… É que eu estava mesmo de saída… Xau León! E muito obrigada a ambos.- Mencionou, olhando para mim e para a minha mãe e saindo apressadamente de minha casa. Queria impedi-la, todavia, quando me dirigia a correr para a porta, a minha mãe me impediu.

–Onde vais, Leónard Vargas?

–Ahm… Esquece!- Sabia que com aquela questão que a minha mãe me fizera não ia conseguir sair daquela casa, então dirigi-me para o meu quarto, deitando-me na cama. E uma recordação veio à minha mente…

Flashback ON

Eu estava no quarto, sem fazer nada, e tive uma grande curiosidade de conhecer os vizinhos, então, olhei pela minha janela para ver se conseguia observar quem seriam aquelas pessoas que me deixaram com uma alegria no meu coração, uma curiosidade enorme, achava que não ia ver ninguém, porém, consegui fitar uma menina que aparentava ter os seus dezasseis anos, fiquei a observá-la durante um longo período de tempo… Ela era linda e o meu coração batia de uma forma descompactada enquanto a admirava…

Flashback OFF

Ao lembrar-me daquela menina, suspirei e, inconscientemente, esbocei um sorriso, um sorriso que continha desejo de a conhecer… Levantei-me rapidamente da cama, dirigi-me à janela para ver se a conseguia observar, porém, infelizmente, ela não estava no seu quarto… Mesmo assim, tinha esperança que ela ainda estivesse naquela casa e fui a correr até à cozinha, onde se encontrava a minha mãe…

–Mãe, podes-me dar o pequeno “miminho” que comprastes para os nossos novos vizinhos?- Pedi, contando como resposta um sim.

–Porquê que queres? Não vais comer, pois não?

–ACHAS? Mãe… Até parece que nem me conheces…

–Ok… Vai lá entregar-lhes. Não te esqueças de avisar que eu não pude ir contigo devido ao jantar.

–Ok, descansa mãe, eu digo. Xau!- Despedi-me e fui apressadamente em direção à casa onde morava aquela bela jovem que me estava a preencher o coração…

–Trrrrrriiiiiiimmmmmmm!- Ups, acho que exagerei no toque… Estou tão ansioso que nem sei o que ando a fazer… Quando ouvi uns passos lentos e pesados a começarem-se a aproximar, fiquei mais nervoso e temeroso. Não estava certo se o que estava a fazer era o mais acertado para conhecer aquela menina que vi…

–Quem és tu?- Esta indagação despertou-me dos meus pensamentos, fixando o meu olhar naquele homem que se encontrava à minha frente, um homem que tinha um visão muito bem cuidada, parecia ser um homem de negócios importantes o que me fez ficar receoso e me questionar se deveria estar ali.

–Boa noite… Ahm… Queria dar as boas-vindas a si e à sua família…- Falava receoso com a reação daquele senhor.

–Ahm… Obrigado! Não era necessário tanta amabilidade…- Agradeceu enquanto eu lhe entregava o “miminho” que se encontrava nas minhas mãos. Aquele senhor pegou nele e sorriu para mim, de tal forma que eu me senti um pouco mais à vontade e, obviamente, retribui o sorriso.- É que eu nunca antes tive uma receção dos meus vizinhos tão afável.- Comentou sorrindo.

–Há sempre uma primeira vez para tudo…- Constatei com um sorriso tímido.

–É verdade…

–Já me esquecia…-Sussurrei, lembrando-me de algo importante.- A minha mãe gostava de ter vindo aqui comigo dar as boas-vindas, porém ela estava ocupada e não houve possibilidade dela vir… No entanto, acho que ela virá mais tarde aqui, com certeza.- Informei fitando aquele senhor que me escutava atentamente.

–Claro, serão sempre bem-vindos aqui.- Afirmou.- Já agora, como te chamas?- Questionou curioso.

–León… Leónard Vargas.

–Tive muito gosto em conhecer-te Leónard.- Mencionou, estendendo a mão fazendo com que eu a apertasse, um apertar de cumprimento.

–O gosto foi todo meu. Mas, por favor, trate-me por León…- Pedi com um sorriso.

–Ok León. Tu podes-me tratar por Germán, se quiseres.

–Como queira, senhor Germán. Todavia, agora tenho que ir… Continuação de uma ótima noite!

– Obrigado, igualmente…- Sai daquela casa, alegremente, porém sabia que me tinha esquecido de algo, algo que era muito importante… Mas o quê? AH! A filha do senhor Germán… Esqueci-me completamente dela… Eu que fui lá com a intenção de a conhecer, porém não a conheci… Sou um idiota! Agora, só amanhã posso tentar conhece-la, pois já é muito tarde e não ia voltar a casa do senhor Germán, não estaria certo… Enquanto me encontrava nos meus pensamentos profundos, abri a porta de minha casa, pois eu nunca saio de casa sem as minhas chaves, fechei a porta, silenciosamente, e subi apressadamente, mas evitando fazer barulho, para que a minha mãe não me viesse perguntar como correu e aquelas coisas… Eu necessitava de estar um pouco sozinho e pensar como é que eu iria conhecer a filha do senhor Germán, uma menina bela e que me acalentou o coração… Eu não acredito no amor à primeira vista, porém sinto algo que me atrai naquela rapariga, para além da sua beleza natural… Nos meus pensamentos sobre a filha do senhor Germán, apareceu a Francesca… Já nem me lembrava daquela cena que se passou em minha casa, aquele choro incontrolável e aquela vontade que ela tinha de me abraçar bem como a dor que ela sentia… O que se terá passado? Agi por impulsão, deixando que a minha mão alcançasse o telemóvel e digitasse o número da minha amiga.

POV’s Francesca

Estava no meu quarto a olhar para uma foto minha e do León, estava a recordar-me de quando fui a casa dele… Já não consigo estar a chorar como chorei em casa do meu bestie, (eu adoro trata-lo assim) porém ainda me caiem umas lagrimazitas… O que é que eu fiz para…? O meu telemóvel está a tocar. Quem será? Peguei no meu aparelho electrónico que estava a vibrar e observei o visor para saber quem é que me ligava…

–Le… LEÓN!?- Indaguei em voz alta. Eu não posso atender, não posso… Conheço demasiadamente bem aquele menino para saber que me vai estar a chatear a cabeça, ele quer saber porquê que eu estive a chorar na casa dele, no entanto não vai saber, ele não pode saber que…

–FRANCESCA! O JANTAR ESTÁ PRONTO!- Gritou a minha mãe devido à distância entre nós enquanto eu rejeitava a chamada.

–JÁ VOU, MÃE!- Gritei descendo as escadas com o meu telemóvel no bolso das calças. Cheguei lá em baixo e, sem mais demoras, fui para a cozinha. Lá já se encontrava o meu pai sentado à espera do jantar, todavia a minha mãe estava a colocar os pratos na mesa.- Deixa que eu te ajudo.- Proferi, pregando de surpresa a minha mãe.

–AI! Francesca! Tu ainda me matas de coração!- Dito isto, eu proferi uma leve risada e peguei em dois pratos, três guardanapos e em um copo. Levei-os à mesa e posicionei-os nos respectivos locais. De repente, senti uma vibração no bolso das minhas calças, mais exatamente onde se encontrava o meu telemóvel. Observei o visor e estava escrito "Bestie León". Eu não queria atender, por isso, voltei a rejeitar aquela chamada e sentei-me para jantar. Estava a servir-me até que sinto novamente aquele vibratório incomodativo no bolso daquele tecido que cobria as minhas pernas. Tinha a certeza que era o León, porém tinha receio de rejeitar e ser outra pessoa, sendo assim, observei o ecrã que continha um número que eu não conhecia… Não sabia se havia de aceitar ou deixar tocar, no entanto podia ser alguma amiga minha que me estava a ligar de um número que eu desconhecia…

Ligação ON

–Estou? Quem fala?- Indaguei apressadamente.

–Sim, eu estou aqui e sou o teu bestie, mas ai de ti que me desligues novamente!- Mencionou dando uma fraca risada no final. Era uma voz masculina que me era familiar e que eu adorava, porém, naquele momento, não queria ouvi-la.

POV’s León

Já conhecia muito bem a Fran, sabia que ela não ia aceitar as minhas chamadas, porém tentei duas vezes, mas sem êxito, no entanto, surgiu-me uma ideia. A minha mãe tinha mudado o seu número de telemóvel e, como a Francesca o desconhecia, perguntei à minha mãe se ela me emprestava o seu aparelho electrónico e, dessa forma, consegui que ela atendesse a chamada.

Ligação ON

–Le…LEÓN!?- Gritou a Fran, pois ela não estava à espera que fosse eu.

–Sim, sou eu! O que a menina deseja?- Brinquei rindo e a fazendo rir.

–Eu desejo saber porquê que estas a ser tão chato.- Proferiu dando uma risada fraca e fazendo com que eu brotasse uma expressão de indignação.

–Estou a ser chato? Achava que estava era a ser engraçado…- Disse “abebezando” a voz e fazendo beicinho. Sabia que a Fran se iria rir daquela minha alteração de voz. Mesmo que ela quisesse estar séria, era impossível com as minhas brincadeiras.

–León!- Proferiu o meu nome em sinal de reprovação.- Eu estou a falar sobre a quantidade de ligações…

–E eu também desejava saber porquê não me atendias…

–León! Tu sabes bem porquê que não queria…

–Não querias que eu te perguntasse o motivo pelo qual estavas tristinha?- Previ, pois já sabia muito bem como a Fran é.

–Exatamente! Por isso…- Eu não a deixei acabar a frase, sabia o que ela ia dizer e eu não queria que ela mencionasse o que ela iria pronunciar.

–… Vais agora dizer-me o porquê, entendido?- Indaguei dando uma risada fraca.

–Agora não, León!

–Agora sim, Fran!- Imitei o tom de voz da minha amiga, notando uma breve risada do outro lado da linha.

–Por favor, León. Agora tenho que jantar… Se quiseres, hoje, às 21h30m, pudemos encontramo-nos no parque central, aquele que é em frente à tua casa e ai eu conto-te…- Sugeriu com um tom de voz melancólica.

–Perfeito! Então vemo-nos lá e nem penses em não aparecer!

–Tu sabes que eu era incapaz disso… Xau bestie!

–Xau Fran!

Ligação OFF

POV’s Fran

Depois de ter falado com o León, decidi jantar, pois estava com a minha barriga a dar horas.

Depois de ter comido uma refeição maravilhosa (sem me querer gabar, mas a minha mãe faz refeições de chorar por mais), fui para o quarto e voltei a fitar aquela foto, ainda me lembro daquele dia, o melhor dia da minha vida… Era tão ingénua e achava que ele sent… Outra vez? Hoje o meu telemóvel não pára de tocar! Observei o visor e aparecia um número desconhecido, estavam a ligar em privado para que eu não soubesse o número… Pensei em não atender, porém achava que podia ser o León a brincar comigo e, para além do mais, mesmo que fosse outra pessoa, qual é o mal de atender?

Ligação ON

–Francesca…- Ouvi uma voz feminina em que era indecifrável saber de quem poderia ser.

–Quem é?- Indaguei curiosa.

–Tens que saber quem é o León…-Proferiu, ignorando por completo a minha questão.

–Mas que és tu?- Questionei novamente.

–O León… O León nunca te amou, nem nunca gostou de ti como amigo…- Declarou a rapariga deixando-me completamente sem saber como reagir.

–De que León é que estás a falar?- Necessitava de ter a certeza se ela estava a falar do meu amigo ou de outro rapaz com aquele nome.

–O teu bestie…- Desvendou a pessoa que menos queria que fosse.

–Mas como é que tu sabes…-Queria ter feito uma pergunta a aquela rapariga, todavia ela não me deixou acabar.

–O León sempre te usou…

–O quê? Com…Como assim “sempre me usou”?

–Studio “On Beat”, o teu pai,… Descobre e verás que é verdade…

–Mas…

Ligação OFF

Ela tinha-me desligado na cara… Dei um longo suspiro e deixei o meu corpo cair na minha cama. Será que era verdade o que aquela rapariga disse? Tenho medo que seja… Porém acho que o León era incapaz disso… Ai, que confusão! Fiquei a pensar naquelas palavras durante uns largos minutos, no entanto, lembrei-me do que combinei com o meu bestie para nos encontrarmos no parque às 21h30m e tive que olhar para o relógio para ter a certeza que não estava atrasada. Felizmente, ainda era 21h10m e lembrei-me que não ia gostar de ir para a rua com aquela camisola toda suada e aquelas calças todas sujas, além do mais, o meu cabelo estava todo oleoso! Peguei rapidamente num conjunto de roupa confortável, porém bonito, fui para a casa de banho e tranquei-a para que ninguém pudesse entrar no compartimento em que eu me encontrava. Despi-me, entrei no banheiro e comecei a tomar um banho relaxante, um banho em que tentava esquecer as palavras daquela rapariga, palavras essas que me estavam a sufocar, me estavam a deixar enjoada e com uma dor no meu peito, na região direita, como se me tivessem espetado um punhal no órgão que batia descompassadamente nessa região… Batia descompassadamente devido ao medo de saber que o meu bestie nunca me quis, nunca me considerou como a sua melhor amiga, nem sequer amiga… Eu não sei o que ei de fazer… Voltei à realidade quando ouvi um barulho alto e perto de mim, o shampoo tinha caído, o que agradeço, pois assim posso evitar um atraso. Acabei o meu banho e vesti-me apressadamente, para não fazer o León esperar. Olhei para o relógio que marcava 21h23m, felizmente, ainda vou a tempo.

–MÃE, VOU TER COM O LEÓN!- Gritei descendo as escadas.

–OK QUERIDA! NÃO CHEGUES TARDE!- Autorizou a minha mãe. Sai de casa e fui a pé até ao parque, pois não vivo muito longe do meu bestie…

POV’s Violetta

Eu e a Angie fomos para casa a pé e nesse percurso reinava o silêncio, pois eu não parava de pensar no que eu devia fazer: entrar no Studio “On Beat”, poder cantar, dançar e fazer tudo aquilo que adoro, porém teria que mentir ao meu pai ou então, não ia para aquele “palácio encantado”, todavia não teria que ocultar algo ao meu papá… Não sabia o que devia fazer… Nos meus pensamentos, nem dei conta do tempo passar e, rapidamente, já me encontrava em casa, no hall de entrada…

–Onde estivestes, Violetta?- Indagou o meu pai que se encontrava à minha frente de braços cruzados e com uma expressão zangada.

–Ela esteve comigo, Germán… senhor Germán…- Afirmou a Angie que se encontrava ao meu lado direito.

–Uhm… Está bem. Daqui a meia hora podes descer que a Olga já me avisou que dentro desse tempo o jantar fica pronto.- Informou o meu pai descruzando os braços e tornando a sua expressão mais agradável.

–Ok!- Fui para o quarto e olhei em redor, a procura de uma resposta para aquele problema que eu tinha, no entanto, normalmente, o quarto não me responderia… Fui até à janela e constatei que o céu já se encontrava escuro, não muito, mas o suficiente para se poder observar a Lua e umas poucas estrelas. Por curiosidade, fitei o quarto daquele rapaz que ainda não tinha saído da minha cabeça, porém ele não se encontrava lá. Preguiçosamente, tomei banho, todavia, mesmo sendo 20h50m, eu não estava disposta a vestir o pijama, queria ainda apanhar ar, dar um pequeno passeio… Desci as escadas e fui direta para a sala de jantar, já se encontrava o meu pai, a Angie e o Ramalho na mesa à minha espera e à espera que a Olga trouxesse o jantar para iniciarem a refeição. Posso dizer que o silêncio que se encontrava naquele compartimento acabava por se tornar desagradável… Felizmente, a Olga chegou com a comida e pousou-a na mesa. Servi-me, bem como as outras pessoas que se encontravam sentadas no mesmo espaço, porém o silêncio continuava a reinar naquele local, então, decidi quebrar aquele ambiente desagradável.

–Então, pai? Como correu o teu dia?- Esta indagação tinha-me corrido mal, pois o meu pai tinha passado praticamente o dia inteiro comigo, exceto quando fui com a Angie ver o Studio.

–Bem, passei o dia praticamente contigo, porém quando saístes com a Angie, apareceu um vizinho que nos trouxe uma prenda de boas-vindas.- Comentou o meu pai sorrindo.- E posso dizer que o miúdo era simpático…

–Quem? O vizinho do lado direito?- Indaguei começando a acender-se um brilho distinto nos meus olhos.

–Sim… Acho que sim…

–E tivestes a falar com ele?- Questionei alegremente e com um sorriso que evidenciava curiosidade e felicidade.

–Sim… Não muito, no entanto, já sei que ele se chama León…

–Que nome lindo…-Sussurrei num suspiro que, malditamente, foi perceptível pelo meu pai.

–O quê? Tu conheces esse cavalheiro de algum lado?- Perguntou tornando a sua expressão séria.

–Não… Eu só gostei do nome…- Tentei disfarçar com êxito, vendo na expressão do meu pai um grande alívio.

–Bem, assim espero.

–Mas gostes dele, pai? Ou era aquele tipo de miúdos estúpidos?- Indaguei, tentando descobrir a opinião do meu pai.

–Sim… Não posso negar que era um miúdo educado e muito simpático, parecia-me boa pessoa.- Revelou o que achava sobre o León e fazendo brotar na minha face um sorriso. Durante a refeição, não parava de pensar no León, estava tão feliz, agora sabia que o meu pai gostava dele, logo, talvez, quem saiba, eu pudesse tornar-me amiga dele sem que o meu pai se enervasse com uma simples amizade… Ao acabar de jantar, eram 21h19m, sai da mesa e fui em direção à porta de entrada…

–Violetta!- Chamou a Angie que se encontrava a poucos passos de mim.- Onde pensas ir? Já é tarde…

–Queria apanhar um pouco de ar, ir até ao parque…- Respondi sorrindo.

–Vai lá, mas antes…- Angie mostrou-me um MP3 que me entregou nas minhas mãos.- Quero que leves isto, tem músicas que os alunos do Studio “On Beat” criaram…

–Ok… Obrigada!- Agradeci.- Até já, Angie!- Despedi-me e sai em rumo ao parque. Entrei pela entrada principal e central, indo em direção a um banco onde me sentei de costas para a entrada, entrada essa que eu utilizei para entrar naquele parque. O banco em que me sentei não era um banco qualquer, era o banco que, em pequena, eu e o meu pai nos sentávamos sempre para eu comer um gelado… Boas memórias… Depois de me sentada, observei o local atentamente e coloquei o MP3, ouvindo uma música que me tinha um ritmo maravilhoso, adorava! Enquanto ouvia aquela música, observava a paisagem que se encontrava à minha frente, tornando a música mais mágica do que já era para mim…

POV’s León

Depois daquela chamada, fui jantar, tomar um banho e ainda tive tempo para ir nas calmas para o parque, pois eram 21h22m quando sai de casa. Cheguei lá e eram exatamente 21h25m,tinha entrado no parque pela sua entrada lateral direita, a passagem que mais gosto, pois de lá consigo ver o parque todo. Inspirei o ar e fechei os olhos para sentir aquele aroma que tanto gosto… Ao abrir os olhos, olhei e, incrivelmente, o meu olhar fitou um banco, banco esse que tinha uma pessoa sentada, uma pessoa que fez com que eu suspirasse e começasse a sorrir que nem um bobo… Era ela, era a filha do senhor Germán…

POV’s Tomás

Depois de ter descoberto que os meus pais escondiam algo de mim, nem sequer fiquei à espera que eles me respondessem, sabia que não me iam dizer qual era a ocultação, por isso, corri porta fora, mesmo tendo ouvido um berro do meu pai, um berro que era um chamamento, não lhe respondi, muito menos parei para o ouvir, continuei a minha corrida sem rumo… Inconscientemente, corria pelas ruas de Buenos Aires, à procura de sanar aquela dor, dor essa que me deixava zonzo e completamente desnorteado. Essa dor fazia-me pensar que a vida mesmo sendo um dom, não pretendia tê-la, não naquele momento que me fazia sofrer e sentir-me desesperado… Involuntariamente, os meus pés levaram-me ao parque central que achava uns dos mais bonitos e que me fazia relaxar nos piores momentos, sendo assim, estava no local ideal. Eu tinha entrado pela entrada lateral esquerda, a entrada que eu mais adorava, devido à pequena cascata que tinha mesmo ao meu lado esquerdo. Eram exatamente 21h25m, quando observo de longe uma melodia… Sim, uma melodia que ecoava no meu coração numa velocidade impressionante, mais rápido que os segundos que pareciam nem sequer existir, parecia que o tempo tinha parado depois de observar aquela sintonia que era visível aos meus olhos… Tinha uns cabelos castanhos ondulados que brilhavam à luz do luar, não conseguia observar muito bem os seus olhos, porém pareciam-me ser castanhos, um castanho simples, no entanto, que lhe ficavam encantadoramente bem. Não conseguia de forma alguma tirar os meus olhos daquela perfeição que arrebatava o meu coração…

POV’s Diego

Recapitulando: “–Foi a avó que me deu a guitarra?- Perguntei com um brilho distinto no meu olhar.

–Não… Por acaso foi o teu avô, mas eu tenho também uma prenda para ti…- Afirmou sorrindo.

–Qual é?- Indaguei com um sorriso enorme e com uma felicidade que nunca antes tinha tido.

A minha avó sorriu-me e desceu as escadas, fiquei lá à espera dela e quando ela chegou, entregou-me um papel, um papel simples, no entanto que me podia alimentar esta alegria que era incontrolável. Observei-o e li em voz alta:

–“Recibo- 1 ano pago para frequentar o Studio On Beat por Diego Hernándes” O QUÊ!?- Gritei eufórico e incrédulo.

–Sei que o teu maior sonho é frequentar esse Studio de música, por isso, andei a angariar dinheiro para te dar essa prenda!- Exclamou sorrindo e abrindo os braços, que prontamente, me abraçaram. Eu nem conseguia acreditar naquela prenda, prenda essa que é a melhor do mundo! Estive longos minutos nos braços da minha avó que partilhava a mesma emoção que a minha… Depois, ao termos que nos desvencilhar daquele abraço, a minha avó foi fazer o jantar enquanto eu tomava banho e vestia uma roupa confortável para a saída de hoje à noite: eu, a minha avó e o meu avô combinamos em irmos até ao parque central de Buenos Aires para comemorar-mos a minha entrada para o Studio On Beat. Quando estava pronto, desci rapidamente as escadas e corri para a cozinha, pois sabia que a minha avó ainda estava a cozinhar e eu queria ajudá-la.

–O que é hoje o jantar?- Indaguei enquanto pegava nuns ovos que estavam numa panela com água e os descascava.

–Vai ser sopa de couves e uma grande taça de salada que terá alface, tomate, ovo, cenoura, pedacinhos de maçã com pedacinhos de pêra.- Respondeu-me enquanto pegava numa grande taça.

–Vou ajudar-te!- Declarei, enquanto pegava numa maçã e a lavava.

–Obrigada, querido!- Agradeceu a minha avó com um belo e grande sorriso. Lá estive a ajudá-la com o jantar e a colocar a mesa. Depois disso, jantamos e conversamos muito sobre aquelas duas surpresas que invadiram o meu dia. Acabamos de jantar às 21h00m, o que deu tempo suficiente para lavar a louça e chegar exatamente às 21h25m ao parque. Entramos pela entrada principal e, inconscientemente, o meu olhar ficou penetrado numa pedra preciosa, na estrela mais brilhante que já vi, era a rapariga mais encantadora que já vi em toda a minha vida! Só consegui ver o cabelo brilhante dela, porém conseguia saber que ela era maravilhosa… Fiquei-me babando a olhar para ela…

POV’s Violetta

Estava a ouvir música calmamente até ouvir um barulho, barulho que era tão sonoro que eu consegui ouvir mesmo com a música nos meus ouvidos. Desliguei imediatamente a música e olhei para trás, o local de onde derivava o som, porém eu vi três rapazes por poucos segundos, mas o suficiente para saber que eles estavam-me a olhar, agora conseguia entender o porque de sentir-me observada e estar constantemente a sentir arrepios a percorrer o meu corpo, como uma corrente elétrica, era uma sensação agradável e mágica, uma sensação que um daqueles rapazes me fizeram sentir, mas qual? Tive a noção de que dois deles não conhecia de maneira nenhuma, todavia um dos três era-me familiar, era… ERA O LEÓN! CLARO! Não tinha muito tempo para pensar, no entanto, os três me fizeram sentir-me, inesperadamente, bem. Aqueles olhares não me eram incomodativos, era até ternurentos a meu ver… Todavia, o motivo que me levou a olhar para trás foi o barulho de uma senhora idosa que gritou, senti-me super aflita e notei que o rapaz que se encontrava exatamente à minha frente e à frente daquela senhora frágil, mesmo estando penetrado em mim, virou o seu olhar para ela e correu em seu auxílio. Queria ir ajudá-lo, porém uma pessoa tocava no meu ombro. Era a Angie.

–Violetta! Temos que ir, JÁ!- Ordenou com uma expressão séria que me fez temer.

–Porquê?-Indaguei preocupada e assustada.

POV’s Tomás

Ao ouvir um berro, assustei, porém não tirei os olhos daquela pessoa que me maravilhava e que naquele exato momento olhou para mim por segundos, segundos mágicos… Comecei a caminhar em passos lentos em direção a ela, todavia tinha que aparecer o meu pai que me agarrou o braço e me impediu de tal ato.

–Já para casa, Tomás! Temos que ter uma conversinha…

POV’s Diego

Quando ouvi a minha avó a gritar, entrei em desespero, no entanto, não conseguia tirar os olhos daquela preciosidade que me fitou por curtos segundos, mas segundos que me marcarão a minha vida para sempre… Mesmo assim, depois daquele olhar que ela lançou sobre mim, eu acordei e olhei para a minha avó, correndo em direção a ela, estava desesperado.

–AVÓ! Estás bem? Por favor, RESPONDE-ME!- Gritava desesperado.

POV’s León

Um grito ecoou no meu ouvido, fazendo-me ficar em pânico, no entanto, os meus olhos não queriam fitar mais nada para além da filha do senhor Germán que me olhou por muito poucos segundos, felizmente e infelizmente, pois ela fitou-me, o que fez explodir o meu coração de alegria, porém gostava que tivesse sido mais tempo… Notei o desespero na expressão dela, ela queria ajudar aquela senhora idosa que deu um berro que era impossível não ter ouvido… Queria ter ido ter com ela, conhece-la, reconforta-la, falar com ela e ouvir aquela maravilhosa voz a dirigir-se a mim bem como seria um sonho estar constantemente a mergulhar o meu olhar naquela doce melodia… No entanto, alguém me puxou para trás da pequena cafetaria que se encontrava mesmo ao meu lado direito…

Notas finais
Eu não gosto muito de fazer o que vou fazer, no entanto, gostava muito que os "leitores fantasma" comentassem, por isso, só com o dobro dos comentários do capítulo anterior é que eu posto, a partir do dia 11 de Agosto, um novo capítulo, isto é, terá que ter no mínimo, quatro comentários, ok? :) Beijinhos! ;)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.