- O quê? – Eu me esforcei para não gritar, mas estava tão chocada que, depois de ficar durante os cinco minutos com a boca aberta, dei voz à minha surpresa.

Dimitri continuava pálido, mas apertou minha mão com força, me dando um aviso silencioso de que esse era um assunto particular e que ninguém podia ouvir.

- Karen... é a irmã caçula de Ivan. Eles não eram muito próximos, mas Ivan falava dela algumas vezes. – Ele disse, escolhendo as palavras com cuidado. Falar do seu antigo protegido devia ser doloroso, e Dimitri devia se culpar pela morte dele.

Eu ainda continuava assustada pela revelação, e Dimitri acariciou meu pulso, embora eu achasse que ele é que precisasse de conforto. — E então? – Eu perguntei.

- Eles começaram a sair juntos e passar mais tempo conversando. Tornaram-se mais próximos pouco antes dos Strigoi atacarem. Não ouvi mais nada de Karen desde esse dia. Eu acho... que ela ficou muito mal, e queria ficar sozinha por um tempo.

Dimitri suspirou, e seu corpo todo tremeu de tensão. – Ei, — eu disse, e ele cravou seu olhar em mim. – Não foi sua culpa. Você sabe disso, certo?

- É só que... Eu sinto como se eu devesse ter feito algo. Ele era meu Moroi, Rose. E eu devia tê-lo protegido.

Nessa parte, éramos idênticos. Eu me senti no dever de proteger qualquer Moroi que fosse designado a mim, e não hesitaria em jogar meu corpo no fogo por um. Eles vem primeiro. Olhando Dimitri, eu percebi que sua dor por Ivan era muito maior do que eu imaginava.

Estiquei meu braço e o abracei, e ele encostou a cabeça no meu ombro. – Dimitri, você precisa parar com isso, — eu disse. – Nada dessa situação é sua culpa, do mesmo jeito que a morte de Mason não foi a minha. – Era mentira, e ambos sabíamos disso. Eu ainda me culpava pela morte de Mason, mas Dimitri não merecia esse sofrimento.

— Ivan odiaria que você pensasse o contrário, e eu também.

Ele ficou quieto por um tempo, e quando pensei que teria que falar de novo, ele assentiu. – Talvez eu possa falar com ela... Explicar como as coisas aconteceram.

Eu concordei, e alguns segundos se passaram até eu criar coragem para mudar o assunto. Pigarreei, e Dimitri saiu de qualquer que fosse o transe que ele estava. Talvez falar de outra coisa fosse menos doloroso agora, mas eu sabia que ele ainda pensaria sobre Ivan quando eu estivesse longe.

- Abe nos convidou para um jantar na casa dos Szelsky. – Eu disse, e Dimitri ergueu uma sobrancelha, claramente curioso pela mudança de planos.

- Bem, tenho certeza que você não vai gostar muito dessa reunião familiar. – Ele murmurou, e eu gemi, só de pensar nos Moroi me criticando com o olhar.

Desde que aprendi a falar – e a usar meus punhos – eu nunca gostei dos Moroi que olhavam para os Dhampirs e para mim com cara de escrutínio e nojo. Simplesmente não entendia o porquê desse preconceito, e essa era uma das coisas que Lissa queria destruir. Ela queria igualdade na nossa sociedade, porque se estivéssemos lutando entre nós mesmos, os Strigoi ganhariam a guerra.

- E então, você me daria a honra da sua companhia? – eu perguntei a ele, jogando o cabelo por cima do meu ombro.

Dimitri abaixou sua cabeça ligeiramente e respondeu — É claro. Você sabe que eu sempre estarei do seu lado. – O tom de promessa nas suas palavras não combinava com o momento, mas eu não disse nada.

– E é melhor você ir brilhando como uma jóia, camarada, senão meu pai vai arrancar o seu couro russo. – Ao olhar alarmado dele, eu acrescentei rapidamente — Eu vou pegar um terno para você.

Ele sorriu, me agradecendo e disse — Se seu pai arrancar meu couro, ele vai ter que me dar outro casaco.

Eu ri, e o clima de tensão entre nós se dissipou.

Mais tarde, eu fui visitar Lissa. Como já estava perto do meio-dia, ou seja, perto da meia noite para os Moroi, eu sabia que Lissa estaria sozinha ou com Christian. Para falar a verdade, essa última hipótese fez meu rosto se fechar.

Para a minha sorte, Christian não estava lá. Lissa estava sozinha escovando seus cabelos quando eu entrei. Não era todos os dias que eu conseguia passar um tempo a sós com minha melhor amiga quando ela era uma rainha.

- Favorita? Quantas rainhas você tem aí? – ela perguntou, mesmo sua voz soando cansada.

- Depende. Qual é o seu número limite?

Eu estava jogada na sua enorme cama que dava bem umas quatro da minha que já era de casal. Lissa estava sentada no meu lado, agarrando um travesseiro vermelho. Ela sorriu para mim, mostrando seus caninos que ela cuidadosamente escondia na presença dos humanos.

- Digamos que eu gosto de exclusividade — Lissa disse. – Agora me diga, minha guardiã favorita, você e Dimitri vão no jantar de Abe, certo? Ele está aumentando sua lista de convidados e faz questão que vocês estejam presentes.

- Se ele faz tanta questão, por que não veio me convidar pessoalmente?

Lissa hesitou. – Ele disse algo sobre evitar violência doméstica, mas não peguei o resto da sua frase.

Eu comecei a rir, e Lissa me acompanhou. Christian deveria ter estado aqui mais cedo. Somente com ele por perto ela conseguia relaxar um pouco. E mesmo ultimamente, sua tensão estava quase palpável. – Como foi o resto do seu dia, Liss? — eu perguntei.

- Er... O de sempre. Ser a Rainha. Juro, era bem melhor quando eu precisava me preocupar sobre qual vestido escolheria, e não qual Moroi eu vou condenar à morte.

Eu sabia que Liss não tinha condenado ninguém à morte – ainda – mas com o julgamento de Tasha Ozera e de Daniella Ivashkov, essa era uma probabilidade cada vez maior de acontecer. Eu não sabia o que falar.

- Mas o que quer que eu vá enfrentar, eu vou ter que tomar a decisão certa. Já estou ciente disso e sei que vai ser dolorosa.

Eu a abracei em um gesto de conforto. – Vai ficar tudo bem no final, Liss. Você vai ver. – não era inteiramente uma verdade, mas o que podíamos fazer?

Ela me abraçou de volta. – Nunca nesse mundo vai existir uma melhor amiga e irmã como você, Rose. É só você para me ajudar numa hora dessas, me confortando com possibilidades que não podem se tornar realidade. Você sempre esteve lá por mim.

Eu sorri ao pensar na nossa amizade e como nos amávamos como irmãs. Já brigamos várias vezes, verdade, mas sempre nos acertávamos. Mesmo não sendo Ligada a Lissa, eu a conhecia como ninguém mais.

- Hey, você também já me ajudou. Trazendo Dimitri de volta e me salvando de ser executada.

Ela riu – Yeah,isso é verdade. Mas você quase morreu para me defender.

Quando Tasha tentou escapar depois de ter sido desmascarada, ela fez Mia refém e atirou em Lissa. E eu me atirei na frente de Lissa para que ela não fosse baleada, quase morrendo no processo. Ou eu devia ter morrido por um momento.

Seja lá o que tivesse acontecido, meu amor por Dimitri e Lissa fizeram meu corpo e alma batalharem para continuar viva,e foi isso o que aconteceu. Também foi essa enorme força de vontade que rompeu meu laço psíquico com Lissa.

Nós ficamos conversando mais um pouco até que Christian apareceu.

- Então... Eu te vejo amanhã? – Lissa perguntou.

- Sim. Boa noite, Liss. Se cuide.

Ela sorriu e Christian se moveu para mais perto dela. — Eu vou.

Ao voltar para a minha suíte, eu me surpreendi ao abrir as portas e me deparar com a minha cama, pronta e feita para o meu conforto e Dimitri lá. Respirei fundo pela primeira vez na noite e comecei a tirar minhas roupas, querendo tomar um banho antes de entrar em coma nos lençóis.

- Quer me ajudar? – Perguntei a Dimitri e ele somente assentiu, me levando para o banheiro.

Dizer que foi o melhor banho da minha vida é uma ofensa, e quando estava deitada nos braços de Dimitri, só podia pensar em como suas mãos tinham passeado pelo meu corpo com o sabonete liquido, meu corpo pegando fogo e querendo mais. Ele tinha me lavado, e eu tinha feito o mesmo com ele, e no final, desabamos na cama, ofegantes e cansados. Agora, com os pensamentos lentamente se apagando, só aproveitamos a presença do outro e depois de alguns minutos, adormeci em uma colcha de calor.

***

Eu estava prestes a começar a secar meu cabelo quando bateram na minha porta.

Espremi meu cabelo antes de por um roupão lilás que tinha no banheiro e atender a porta. Era Eddie. E ele desviou o olhar assim que viu meu estado.

- Hey, não me olhe com essa cara. Não é como se eu estivesse nua na sua frente. E você me disse uma vez que qualquer hora seria um bom momento para me imaginar nua.

- Mas não numa hora dessas – ele deu um sorrisinho, relaxando um pouco. – E Belikov certamente me arrancaria os olhos se visse essa cena.

Ignorei a brincadeira a respeito de Dimitri. — O que aconteceu?

- Lissa e os guardiões pediram para te chamar. É sobre Lehigh.

Lehigh? Mas assim tão cedo? Bem,não era tão cedo porque as aulas começariam em três semanas. Eu sabia que Lissa iria eventualmente para Lehigh, mas eu achava que a faculdade ficaria mais tarde pelas complicações que estão acontecendo. Ou talvez essas complicações fossem normais e se resolveriam daqui a um tempo. Talvez eles passassem a fazer as reuniões do Conselho no próprio campus, eu deduzi.

Essa reunião era provavelmente para acertar os últimos detalhes e ver as casas antes deles montarem os esquemas com os guardiões. E estava todo mundo lá, menos eu.

- Puta merda! – exclamei olhando para o meu estado. Iria levar um bom tempo até eu arrumar meu cabelo e por uma roupa aceitável.

- Eles te deram dez minutos – avisou Eddie.

- Em dez minutos eu nem coloquei uma blusa.

Seu sorriso aumentou. – Considere isso como seu tempo recorde então.

Ah, e eu considerei. Com uma rapidez que eu não sabia que tinha, eu vesti a primeira roupa que encontrei no guarda-roupa: jeans e uma camiseta da H&M que eu tinha comprado no ano passado. Meu cabelo foi o que tomou conta da maior parte do tempo. Acabou que sequei apenas o necessário e o deixei solto porque se prendesse, iria marcar. E eu tinha um jantar para ir algumas horas mais tarde, por isso eu precisava que meu cabelo estivesse em um ótimo estado.

Eddie e eu praticamente corremos até a sala onde estava sendo realizada a reunião. Para a minha sorte, era no palácio e no andar abaixo dos dormitórios.

Quando chegamos, vi que essa era uma sala maior do que as demais que Lissa tinha reunião. Havia cerca de quinze guardiões, dentre eles Hans e Serena. Serena estava examinando uma pasta e Hans estava conversando com Lissa. Eu fui até eles.

- O que está acontecendo?

O olhar excitado de Lissa disse tudo antes dela abrir a boca e me contar que estávamos indo para Lehigh em duas semanas. Mesmo não tendo mais a ligação, eu ainda era capaz de adivinhar alguns de seus pensamentos lendo sua expressão.

- Só faltam duas semanas! Você não está animada com isso? – exclamou ela alegremente. O sorriso dela iluminava o cômodo inteiro. Impossível não resistir a aquela felicidade.

- Rose dificilmente vai gostar de ir para a escola novamente – disse Christian se juntando a nós e entrelaçando sua mão com a de Lissa. Ele me deu um sorriso arrogante. – E os guardiões vão ter que manter um olho nela para ela não te levar pro mau caminho.

- Se Hathaway aparecer com uma lata de cerveja ou qualquer outro tipo de bebida mesmo que seja energético, ela será mandada de volta na hora. – Hans tinha um sorriso cruel no rosto quando me olhou. – Eu disse a você. Um deslize, e você está fora.

- Vocês falam como se eu fosse uma verdadeira garota problemática e festeira. – murmurei e praticamente todos os olhos se voltaram para mim como se eu tivesse dito algo muito idiota. Muito mesmo. Dei de ombros. – Certo, talvez eu seja um pouco. Selvagem, eu quero dizer. Mas não bêbada.

- Ainda – ecoou Christian.

Eu comecei a dizer a ele que eu não bebia mais e que não era eu quem tinha a má fama por aqui e agora quando Lissa interrompeu.

- Rose sabe se comportar. E ela não vai aprontar nada – Lissa agarrou minhas mãos. – Não é Rose?

- Eu estou me sentindo uma criança sendo subornada pelos pais, isso sim.

Serena tossiu para reprimir um riso e Hans me entregou uma pasta antes de ir conversar com um grupo de guardiões. – Seus novos documentos. Decidimos que é mais seguro se mudarmos os nomes de vocês. E possivelmente pretendemos mudar as aparências também – essa última parte ele dirigiu a Lissa, que assentiu.

Hans soube recentemente que usuários de espírito eram capazes de encantarem talismãs com compulsão para as pessoas enxergarem quem o usava com outra aparência, além de muitas outras coisas. Dificilmente alguém reconhecia, apenas quando a magia estava fraca ou quando a pessoa sabia que aquela estava usando um talismã.

Lissa tinha feito talismãs para nós duas e Eddie entrarmos em Tarasov sem sermos reconhecidos. Depois, Sonya tinha encantado o colar de Jill para afastar a escuridão e para eu entrar no hotel onde Sydney estava junto com os alquimistas. Parecia ser fácil, mas isso exigia uma quantidade enorme de espírito para fazer o encantamento funcionar. Fora que depois o usuário de espírito pode ficar cada vez mais perto da insanidade.

Especialmente quando esse usuário de espírito não tinha um shadow-kissed para absorver a escuridão.

- Liss... – eu comecei a ver que essa não era uma boa ideia. Lissa usar magia me preocupava ainda mais agora porque ela teria que lidar com isso sozinha, pois não éramos mais ligadas. Eu não me importava muito com a cura se ela fosse pequena, como ela usou sua magia em mim para terminar de curar o buraco no meu coração. Mas coisas que requereria grande uso de magia e certa manutenção? Não.

Lissa sabia exatamente no que eu tinha pensado, mas continuou confiante.

- Nós ainda nem decidimos se vamos ou não usar. – disse ela – Além disso, Sonya vai me ajudar. E não vai precisar de tanta magia como naquela vez. É apenas para mudar alguns traços.

- Mas mesmo assim é arriscado – silibei me inclinando para fechar a distância entre nós para que somente ela,eu e Christian escutássemos o que eu estava prestes a dizer. – Você tem mais chances de perder o controle agora que não me tem para absorver a escuridão. Fora o fato de que seu cargo é estressante e você tem muito que resolver. Junte essas duas coisas e mais o próprio cansaço mental que você sente depois de curar que em breve teremos uma rainha ficando louca.

Aqueles olhos verde jade se arregalaram e ela soltou minhas mãos que eu inconscientemente tinha agarrado seus braços, irritada. Eu sabia que ela queria brigar e teimar comigo naquele momento, mas ela não podia. Não com tantas testemunhas.

- Eu odeio dizer isso, mas eu concordo com a Rose. – Christian disse.

- Vocês dois juntaram a raiva que sentem um pelo outro para descontar em mim?

- Só estamos sendo racionais – falei e lancei um olhar para Christian. – Quero dizer, eu estou sendo.

Ele riu – Certo Hathaway. – e chamou Eddie, que se apressou para estar ao nosso lado. Christian exibia um ar de perversidade. – Eddie, eu aposto cem dólares de que Rose vai entrar em combustão espontânea assim que ver o arquivo dela.

- Fechado – disse ele rindo. Olhei para Lissa, tentando entender no que diabos eles estavam querendo dizer. Ela apenas deu de ombros e gesticulou para o arquivo que eu tinha em mãos.

E Christian ganhou a aposta.

Deixei a pasta cair no chão com um baque e me dirigi até Hans. Os dois guardiões que estavam conversando com ele me notaram primeiro e ficaram tensos. Hans se virou, meu dedo quase encostando a ponta do seu nariz.

- O que diabos significa para você o nome Holly Stevenson? – com certeza a corte inteira me ouviu gritando.

Cara, fula não era nem a palavra certa para me descrever naquele momento. Como ele se atreve a me arrumar um nome desses? E ainda por cima ficar me olhando como se esperasse exatamente isso vindo de mim? Se duvidasse, ele tinha feito um monólogo de respostas para me dar.

Se Hans ficou com medo da minha cara de assassina – e acredite, eu estava – ele não demonstrou.

- Seu novo nome enquanto vocês estiverem no meio dos humanos. – respondeu erguendo o queixo. – E abaixe o tom de voz, Hathaway. Não se esqueça com quem você está falando.

- Não se esqueça com quem você está falando, e esse alguém não é Holly, é Rose Hathaway. Eu não vou virar uma universitária com nome de cachorrinho. Quer alguém para essa tarefa? Chame o Dr. Pet, não uma dhampir.

Eu podia dizer que uma veia na cabeça de Hans estava prestes a estourar. Sua face ficou vermelha de raiva.

- Rosemarie Hathaway – começou ele, mas eu o cortei antes que continuasse.

- Eu acho bom você trocar a merda desse nome por outro e –

- Rose,chega! – a voz de Lissa nos fez parar a discussão. Ela nos olhava claramente irritada, mas eu fui a única a não obedecê-la. Droga de personalidade que amava desafiar as autoridades.

Eu apenas lancei um olhar afiado para Hans e para Lissa antes de sair daquela sala. Ouvi os gritos de Hans para que eu entrasse senão eu seria designada para um trabalho administrativo, mas ignorei. Sabia que Lissa jamais o deixaria fazer isso.

Yeah, eu estava abusando da sorte neste momento. Mas é que eu estava irritada demais para pensar em algo coerente e foi por isso que passei o resto do dia vagando pela corte.

Quando achei que já estava na hora de voltar para meu quarto para ir me arrumar, um grupo de Moroi por quem passei me chamou a atenção justamente pela conversa.

- ... Eu ainda não acredito que aquela dhampir insolente se recusou a proteger a rainha! – uma das Moroi disse, chocada.

Outra me lançou um rápido olhar antes de cochichar algo no ouvido da que tinha falado primeiro, fazendo-a me olhar com nojo. Eu revirei os olhos e as ignorei.

Se arrumar para um jantar em que meus pais e uma família Moroi estariam se tornou mais difícil do que pensei. Tomei banho duas horas antes, e passei quinze minutos buscando algo descente.

Escolhi um vestido azul marinho, um dos meus favoritos. Tinha cintura imperial, e o tecido nessa região era tão macio como seda, terminando meio centímetro acima dos meus joelhos, com a barra da saia cheia de diamantes – tão pequenos que mal se via sem a luz diretamente apontada para eles. A cintura era marcada por algo que parecia veludo, deixava as curvas do meu corpo mais aparentes. No busto, o decote em V era discreto. Por cima, coloquei um bolero preto simples e bonito, e por fim, scarpins pretos com bico redondo fecharam meu visual.

Sequei meu cabelo, mas não fiz escova, deixando-o caído pelas minhas costas em suaves curvas. Fiz minha maquiagem e coloquei jóias, e eram quase 19h40min quando respirei fundo, me avaliando na frente do espelho. Chequei o celular, mas Dimitri não tinha me ligado. Huh. Estranho. Ele falou que estaria de volta a tempo para o jantar, então me sentei na cama, e esperei.

19h50min.

20h00.

Quando o relógio bateu 20h10min, liguei para ele. Afinal, não era uma namorada possessiva, e não ficava ligando e mandando mensagens de hora em hora. Direto para a Caixa Postal. Respire fundo, Rose, eu pensei, quem sabe ele só não se atrasou.

Em vez de me estressar, pensei no que diabos tinha descoberto naquela tarde. Holly? Não só era um nome ridículo, não tinha nada a ver comigo, e Christian ia me zoar eternamente por isso. Só queria ver o nome de Lissa. Se fosse algo como Vila Queen, ambos seríamos massacradas em Lehigh. Talvez esse fosse o objetivo dos Guardiões... Nos dar nomes tão escrotos a ponto dos Strigoi não nos considerar uma ameaça.

20h15min. Droga, Dimitri não viria. E o pensamento, além de quebrar o meu coração pela falta de consideração, também se encheu de fúria, porque eu teria que me apressar até a casa dos Szelsky, e Deus sabe o que um scarpin causa ao pé de uma mulher. Peguei minha bolsa – preta, pequena e delicada – e quando estava checando a maquiagem, ouvi uma batida na porta.

Com o coração aos pulos e na beira da histeria, fui atender, imaginando por que Dimitri bateria antes de entrar, sendo que essa era nossa suíte. Olhos azuis me olharam de volta, e eu senti meu rosto se abrindo numa máscara de surpresa.

– Christian? O que está fazendo aqui?

NOTA DO AUTOR: (o nyah comeu a acentuação lá embaixo!)

Desculpem a demora pra postar,mas é que tive 4 provas hoje x_x

O capítulo não é muito longo e ainda não contém muita coisa interessante,mas garanto que no próximo os mistérios começam e logo depois já temos o assassinato da Jill,o julgamento da Tasha e da Daniella. É só uma questão de tempo.

Mudando de assunto,quem já leu Bloodlines? Eu baixei ele no meu kindle e AMEI o livro *--* a Sydney é uma narradora digna e o Adrian agora quer tentar ser um cara responsável e menos festeiro. Há detalhes sobre o que aconteceu na Corte e o final é surpreendente. Para Romitrianas como eu, é decepcionante não aparecer os dois juntos #cry

Eu queria largar spoilers,mas quem quiser um resumo do livro é só me mandar uma mensagem ^^

Mais uma vez eu agradeço a todos os comentários e saibam que eles só nos deixam mais e mais felizes para que possamos escrever mais!

~ Feeh P.

O que acharam do capítulo? E da fic? Comentem & recomendem :D

Notas finais
Nota do capitulo acima porque aqui o nyah esta engolindo a acentuacao x_x