Notas iniciais
Oi! É a Bia dessa vez ;) Espero que estejam gostando da fic, nós estamos nos esforçando muito ^-~

Boa leitura!

Era de se esperar que eu finalmente me atrasasse no meu segundo dia de trabalho. Para falar a verdade, eu acho que nunca vou aprender a chegar no horário todos os dias.

E bem... Eu não estava atrasada para o trabalho, o que complicava ainda mais as coisas.

- Faz quanto tempo que eles estão aí? – perguntei a Jeremy, um dos membros da guarda real e que também era o meu parceiro.

- Uns quinze minutos – ele me lançou um olhar divertido quando eu praguejei. – Eles não vão te punir ou algo do tipo. Mas garanto que você vai ter que agüentar alguns olhares irritados.

- Se olhares irritados matassem, eu já estaria bem morta – murmurei arrumando uns fios de cabelo que tinham escapado do meu coque enquanto ele entrava na sala para comunicar Lissa.

Ela estava sentada na mesa, junto com mais dois Moroi que eu só conseguia ver as costas e um dhampir vestindo o uniforme padrão. Seus olhos cor de jade brilharam em alívio quando ela me viu.

- Guardiã Hathaway. Estávamos aguardando sua chegada para se juntar a nós – ela gesticulou para uma cadeira ao lado dela.

Eu fiz uma pequena reverência antes de Lissa me apresentar aos seus três convidados, que me olhavam como se eu fosse a coisa mais excitante do mundo.

- É bom finalmente conhecê-la pessoalmente, Guardiã Hathaway – a Moroi mais nova disse. Ela vestia uma saia assim com Lissa e tinha os cabelos castanhos claro, quase loiro, preso em um rabo de cavalo bem elaborado. Ela não devia nem ter trinta anos.

- O prazer foi todo meu – falei e olhei para Lissa – Então, o que eu perdi?

Ela arrumou uma das mangas de seu blazer cor de creme que estava desdobrando. – Estes são Karen Zeklos, Alexei Dashkov e Yerik Markov. São os coordenadores da Academia St. Basil, na Rússia.

Minha surpresa ao saber que dois Moroi da realeza comandavam uma academia não chegou nem perto de quando eu soube o real motivo deles estarem aqui. Não era uma reunião comum com assuntos comuns sobre quando a rainha iria visitá-los e dar algum incentivo a mais para os guardiões continuarem treinando e fazendo seu maravilhoso trabalho em proteger Moroi. Pelo contrário, isso não tinha nada a ver com festas e incentivos que fizeram muitos guardiões olharem Tatiana com um olhar secreto de ódio e nojo.

Eles estavam aqui para discutir sobre o decreto. E sobre a ideia de Moroi aprenderem a usar magia ofensiva e treinar com os guardiões que eles tinham no campus junto com os novatos.

Eu queria dizer que já estava cansada de ficar ouvindo sobre o decreto, mas esse trio russo me fez manter a boca fechada e a prestar atenção no que eles falavam.

- Nós sabemos o quão perigoso os ataques de Strigoi tem ficado nesses últimos anos, mas não temos condições de transformar nossos novatos em guardiões em apenas um ano. – falou Karen.

Lissa estava pensativa, exatamente como minutos atrás. Eu sabia o quão difícil as coisas estavam sendo ultimamente. Além dela não ter se adaptado totalmente ao papel de rainha dos Moroi e dos dhampir, ela também estava sendo pressionada com os problemas que a antiga rainha deixara, em especial sobre esse decreto.

- Ela ainda vai anular o decreto, só estamos esperando as coisas se acalmarem um pouco. – olhei para Lissa – não é vossa majestade?

Ela pousou levemente sua xícara de chá e olhou para nós com aquela expressão séria que dizia que ela tinha nascido para ser uma rainha. – Eu sou contra o decreto assim como todos vocês. Mas temos que esperar pelo momento certo. Precisamos descobrir antes os outros planos que alguns de nós andaram tendo para que Tatiana chegasse a tomar essa medida.

Um olhar de surpresa cruzou os três rostos dos convidados, que agora ouviam atentamente cada palavra que Lissa dizia. Fiquei surpresa dela ter mencionado a respeito da compulsão.

- Vocês vêem, muitos Moroi estão achando que o melhor jeito de arrumar mais guardiões é usar compulsão. Eles querem que, além disso, as mulheres dhampir abandonem seus filhos para voltarem a ser guardiãs.... – sua voz foi ficando mais fraca até não haver nenhum som na sala.

Karen passou a mão em seu cabelo. – Sabemos que os Moroi, nós da realeza principalmente, pensam em coisas muito extremas pela segurança da raça. Mas Vossa Majestade, se me permite dizer, eu acho que essas idéias não passam disso. Elas são absurdas demais para cogitação.

Eu pigarreei e me inclinei para frente,cortando o que Lissa iria dizer. – Mais ou menos. Tatiana acreditava que elas podiam ser levadas a sério.

- Mas então, elas nunca passaram de planos obsoletos — Karen retrucou. Ela era muito teimosa e não ia voltar atrás no que dizia. Muito ruim, porque eu também não era de ficar voltando na minha palavra.

Antes que pudesse retrucar alguma coisa, Lissa interveio. – Tatiana usou Rose para salvar a situação, mesmo o decreto sendo um absurdo. Mas Rose também é prova do que vocês estão dizendo. Dhampirs de dezesseis anos não podem ser liberados no campo de batalha, em hipótese alguma. Será um massacre.

Alexei falou pela primeira vez. – Rose Hathaway é uma das guardiãs mais bem sucedidas no mundo. Ela derrotou centenas de Strigoi e é quase considerada uma lenda. E essa onda de boa sorte começou aos dezessete anos. Então me diga, como uma dhampir de dezessete anos que luta mais do que alguns veteranos pode ser prova de que o decreto é um absurdo? Ao meu ver, ela somente prova que Tatiana estava certa, e essa é a única saída.

Eu balancei a cabeça. – Eu fui uma exceção. É isso que Lissa quer dizer. Que uma coisa como essa acontece com uma em um milhão, e é impossível esperar que todos sigam o meu exemplo. – Ou que tenham um instrutor como o meu, acrescentei mentalmente. Deixei a informação pairar por um segundo e depois disse, toda séria. – A única saída não é um ataque kamikaze, e sim uma organização maior. Se os dhampirs lutarem mais cedo, não venceremos essa guerra. Somente mandaremos crianças como sacrifícios.

- O que temos que fazer — Lissa continuou e eu pude praticamente sentir a conexão entre nós mesmo sem o laço — é complementar a força dos dhampir com magia Moroi. Com as táticas de batalha que temos desenvolvido e magia, acabaremos com os Strigoi.

Alexei bufou de desdém, mas Karen e Yerik estavam nos observando com atenção. – Com todo o respeito, Vossa Majestade, tenho total fé nas suas ordens, mas essa sugestão vai acabar com o Conselho.

- Que o Conselho se dane! – Eu disse. – Acorde! Nossos números estão diminuindo, e precisamos de ajuda. Se os Moroi são preguiçosos demais para usar a magia que já está na linhagem sanguínea, não temos chance. Precisamos de reforços.

Lissa colocou uma mão no meu braço, e eu respirei fundo. Perder o controle era uma marca clássica minha, mas nesse caso, diplomacia era essencial. Uma pena, porque eu me sentia muito mais a vontade lutando.

- A igualdade entre Dhampirs e Moroi é uma conseqüência disso — ela disse. – Ajudará a todos e os estudantes nas Academias se sentirão mais motivados a revidar contra os Strigoi.

- Mesmo se essa lei tiver coerência — Karen murmurou — como o Conselho poderá aceitá-la?

- Estou trabalhando nisso — Lissa disse, com olhos subitamente cansados. Eu mal podia imaginar como a vida de Rainha devia ser. Definitivamente, não era como nos filmes, cheio de glamour e festas. Claro, isso era uma... conseqüência, mas a parte mais difícil – e chata – sempre vinha antes, e levava mais tempo.

- Então, Vossa Majestade, eu lhe desejo toda a sorte do mundo. Você vai precisar. – Yerik disse, suspirando. Durante toda a conversa, ele havia ficado quieto. Era mais como Dimitri, eu percebi, olhando-o com outros olhos. Ele preferia absorver toda a informação e depois pensar sobre ela em particular, não balbuciar como Alexei ou bater de frente comigo, como Karen.

Um silêncio desconfortável caiu sobre a sala, e finalmente, Lissa levantou, e com uma voz autoritária disse — Que assim seja. Estão liberados. Rose, fique comigo.

Eu assenti, e juntas aguardamos o trio russo sair, com passos firmes e largos. Se moviam como um só, e eu fiquei pensando que, em uma batalha, não queria fazer parte do inimigo se eles estivessem nela. Mesmo que eu pudesse derrotá-los todos.

Quando Lissa foi chamada, eu a segui como era a regra, sempre observando cada detalhe por onde passávamos em busca de ameaças. Ela tinha uma reunião com Amy Drozdov que era sobre um coquetel que seria realizado na semana seguinte. Para a minha maldita sorte, eu não seria obrigada a assistir a tal reunião e tendo que suportar a voz irritante de Amy dizendo que rosas brancas não combinavam com o evento.

- Quanto tempo vai durar o discurso de Amy? Até todo mundo na sala entrar em coma por causa daquela voz?

Lissa mordeu os lábios. – Ah, vai depender do quanto ela querer falar. Mas honestamente? Eu queria ser você numa hora dessas. Não sei por quanto mais tempo eu vou suportá-la.

- Sabe Liss, você poderia dizer logo na cara dela para ela parar de ser uma sanguessuga real ou usar compulsão para fazê-la calar a boca e escolher o primeiro item que visse nos catálogos. Você estaria fazendo um favor para a corte inteira.

Ela riu e percebi que alguns de meus companheiros de trabalho também estavam se segurando para não rir. Eu sabia que eles também achavam as atitudes da velha Amy insuportáveis assim como eu.

- Então... – começou ela – o que você achou deles?

Eu sabia que ela se referia aos três que tomaram chá da tarde conosco. E por isso que não pude conter um sorriso.

- Eu gostei da Karen. Para uma Moroi da alta realeza e uma Zeklos, ela é muito inteligente e uma batalhadora.

- Eu também achei. Especialmente depois que soube que ela só ficou mais determinada quando perdeu o irmão em um recente ataque de Strigoi – eu quase tropecei nos meus pés depois que ela disse isso. Pobre, pobre Karen. Como uma pessoa tão boa e honesta mereceu um acontecimento desses?

- Foi por isso que ela virou a diretora da academia?

Lissa assentiu. – Ela pensa como nós, que já está na hora de uma mudança e que devemos estar lutando ao lado dos guardiões. Foi por isso que ela assumiu o cargo de diretora e Alexei como instrutor de aulas de magia: porque todos eles acreditam que ao ensinar as crianças a lutarem, nós podemos um dia acabar com todos os Strigoi e com esse sistema. Além dis –

Um grupo de Moroi, que estava perto da entrada do prédio central, praticamente fechou a entrada quando a viram. Eles a cercaram e começaram disputar entre si para conversarem com ela, como abutres brigando pela carne de algum animal morto.

Os guardiões cercaram Lissa e começaram a afastá-los ao mesmo momento em que ela respondia alguns dos Moroi. Desde a coroação, era só a figura de Lissa aparecer nos locais públicos que todos iam até ela, atraídos pelo carisma e pela simpatia que ela tinha e que era fortalecido por causa do espírito. Quando ela discursava, todos grudavam seus olhos nela, como se estivessem hipnotizados e aplaudiam tudo o que ela dizia.

Não vou mentir, Lissa sabia fazer discursos ousados que faziam as pessoas delirarem com sua voz. Ela cativava as pessoas e era por isso que ela era tão perseguida. Todos apoiavam sua linha de raciocínio que nos levariam a justiça e a vitória, além dela ser aquela voz que os plebeus e os dhampir precisavam dentro do Conselho. Esse era outro motivo que faziam a maioria amá-la.

Como minha mãe havia dito uma vez, nenhum soberano teve tanto apoio e atenção dos comuns como Lissa. Chegava a ser assustador a maneira de como eles agiam perto dela, como se Lissa fosse uma deusa ou algo do tipo. Mas até uma certa extensão, ela era. E eu apostava que quando ela acabasse com essa desigualdade e competitividade entre os plebeus,dhampirs e os reais, seu status se elevaria mais ainda.

Não era a toa que ela era comparada a antiga rainha que trouxe uma enorme prosperidade no mundo Moroi em seu reinado, Alexandra. Fora o fato de que as duas eram jovens quando assumiram o trono e que ambas fizeram coisas grandezas. Quero dizer, Lissa ainda iria fazê-las e já estava seguindo os mesmos passos que sua ancestral.

Antes de eu deixá-la, Lissa me entregou um pedaço de papel bem dobrado. – É do Abe. Ele me pediu para te entregar.

- O que o velho quer agora?

- Eu não sei. Mas ele disse que era importante. – e com essa deixa, ela foi praticamente arrastada para a sala por três guardiões enquanto os outros estavam trabalhando em manter o grupo de Moroi longe da porta.

Eu desviei de alguns e fui para um canto mais afastado, perto de um pilar, onde eu poderia ler em paz a mensagem do meu pai mafioso. Como Lissa disse, era apenas um recado. Um recado bem breve.

“Amanhã, ás 20:30, casa de Rupert Szelsky. Pegue seu melhor vestido e traga Belikov com você. Não se atrase”

Mais abaixo, havia o endereço da casa e a assinatura de Abe. Eu ainda meio que fiquei surpresa por ele ter assinado. O último bilhete que recebi dele não havia nenhuma assinatura, mas sim um mensageiro sinistro que fazia parte da sua máfia.

Amassei o bilhete e o joguei no lixo mais próximo que encontrei, remoendo as informações. Rupert Szelsky era primo do protegido de minha mãe e primo de Ariana, uma Moroi que eu e Lissa admirávamos e que tinha perdido a competição para ser a rainha. Ela também apoiava que já estava na hora de mudarmos nossos costumes e colocarmos os Moroi para lutar junto com os guardiões. Porém, eu não conhecia o tal Moroi.

Não me surpreendi muito com o convite de Abe, mas mesmo assim, a situação não me deixou confortável. O fato de ele pedir que use meu melhor vestido significava que a realeza estaria lá – realeza exigente o bastante para eu precisar escolher minha roupa com cuidado. Droga. Um jantar íntimo com um bando de Moroi antiquados não estava nos meus planos, mesmo sendo a família de Ariana. Mas minha posição como guardiã real, melhor amiga da rainha, e filha de Abe, me colocava na lista de convidados.

Estava tão imersa na minha baboseira mental que não percebi que estava indo em direção a alguém – até que bati com tanta força no ombro de uma garota Moroi que ela se desequilibrou. Eu tive que segurar seu braço para que não caísse, e para minha surpresa, Mia olhava para mim espantada.

- Rose? É você? Pensei que tinha sido um trem — ela murmurou, rindo, e eu revirei meus olhos.

Mia foi, por muito tempo, minha inimiga mortal e de Lissa. Ela fez de tudo para conseguir humilhar Lissa e eu, até dormindo com caras para atingir seus objetivos. Mais tarde, descobrimos o porquê dela nos odiar tanto, especialmente Lissa: o irmão de Liss, Andre, havia brincado com seus sentimentos e dormido com ela antes de descartá-la como lixo. Entretanto, a morte de sua mãe e o incidente em Spokane mudou tudo. Mia parou de nos odiar e passou a querer aprender a lutar e usar magia ofensiva para se defender e matar Strigoi. Era uma espécie de vingança pelo que tinha acontecido com sua mãe.

Além disso, ela era ótima em conseguir informações e nos colocar em lugares com a mais alta segurança. Essa última parte meio que me fez gostar mais ainda dela porque foi com sua ajuda que consegui registros sobre Tarasov, um lugar que eu nunca mais gostaria de ir na minha vida.

- Como você está? – perguntei endireitando minha blusa. – Aprendeu algo novo no treinamento?

Mia era aluna de Christian – a primeira, na verdade – e era muito dedicada no que fazia.

– Bem — ela admitiu — embora as mangas da minha camisa ficarem soltando fumaça depois da aula, Christian é um ótimo professor.

- Isso não me surpreende. Christian sempre foi meio esquentadinho. – Mia riu, e várias outras pessoas ao nosso redor nos olharam.

- Oh, não fale isso. Seu elemento é forte, Rose, e ele tem uns ataques muito complexos. – Seus olhos brilharam enquanto pensava nas aulas de combate. Eu mesma sabia o quão bem Christian lutava, por ter matado Strigoi ao seu lado muitas vezes. No ataque à Academia St. Vladimir, nos juntamos para caçar alguns dos desgraçados e ajudar o resto dos guardiões. Isso foi visto como loucura, mas foi um argumento usado quando decidiram se levariam ou não os Moroi na missão de resgate.

Como devia ser interessante, eu pensei, ver uma simulação de treinamento entre Mia e Christian. Ambos eram poderosos, e como controlavam a água e o fogo – elementos opostos por natureza – os dois se chocariam como um tornado.

- Se o Lord do Fogo lançar um faísca em mim, mando Lissa atrás dele — brinquei.

Mia não riu novamente, mas abriu um sorriso tímido. Depois de perder sua mãe, Mia tinha se fechado bem mais – do jeito que eu me fechei com a transformação de Dimitri – e não ria tão abertamente. Não sabia por que ela estava tão leve hoje, mas não abusei da sorte. Afinal-

Uma figura familiar entrou pela porta da cafeteria, e meus pensamentos dispersaram. Eddie Castile. Ele era um amigo muito próximo, como um irmão, e melhor amigo de Mason. Depois de Spokane, ele começou a cuidar de mim e me ajudar sempre que precisava. Aliás, Eddie nos ajudou em Tarasov, onde pretendíamos libertar Victor Dashkov para chegar a seu irmão. Ele sempre se preocupou comigo, e o sentimento era recíproco.

Mas em troca da sua ajuda, eu apenas havia tornado sua vida mais miserável. Antes de partirmos para libertar Victor Dashkov, muitos Moroi estavam interessados em tê-lo como guardião acabaram desistindo dele depois do episódio. E as coisas apenas pioraram ainda mais.

Ele veio em nossa direção quando nos viu, e Mia suspirou. – Eu deveria me encontrar com ele aqui em cinco minutos — ela disse — Eddie quer conversar comigo sobre o treinamento e minhas aulas.

Assenti enquanto Eddie se aproximava. Nos abraçamos, e ele perguntou quietamente no meu ouvido — Você está melhor, Rose?

- Claro, estou pronta para a próxima — eu disse sorrindo enquanto dava um passo para trás, e observei Eddie abraçando Mia. Eu achei que o abraço durou um pouco mais que o necessário, mas não disse nada.

- Esperamos que não tenha uma próxima, Hathaway — ele disse, me dando um soco no ombro.

- Eu agüento qualquer coisa, Castile. Ou já se esqueceu de todas as lutas que perdeu na Academia?

Eddie sorriu masculinamente e lentamente estalou seus dedos. – Oh Rose, eu me lembro, e espero por retaliação. Seu dia chegará.

Se fosse algum outro me fazendo essa ameaça, eu já teria enfiado meu punho no seu rosto. Mas com Eddie, eu simplesmente revirei meus olhos e murmurei — Sonhe, caubói.

Era tão familiar, essa troca de provocações, e eu me senti bem mesmo com toda a tensão em minha vida ultimamente. Estar com Eddie – e até com Mia — era de algum jeito reconfortante.

- Você sabe onde Christian e Dimitri estão? – Eu perguntei. Não tinha visto muito Dimitri hoje, e estava sentindo falta da sua presença ao meu lado. Além disso, aquela reunião com Karen, Alexei e Yerik tinha sido exaustiva e eu queria conversar com Dimitri sobre isso. Sem falar do convite de Abe.

Eddie olhou por sobre o ombro, como se esperasse que alguém estivesse lá e balançou a cabeça. – Eles estavam vindo para cá da última vez que chequei. Christian estava com fome, e Dimitri o acompanhou aos alimentadores, para depois virem aqui.

- Hmm... – eu assenti, olhos esquadrinhando a cafeteria. – Então, os Guardiões ainda estão pegando pesado com você? — Olhei de volta para Eddie.

Em parte, os Guardiões não pegavam tanto no pé dele. Mas Eddie tinha matado um Moroi, e mesmo sendo em legítima defesa, e para proteger Lissa da morte certa, muitos o consideravam um assassino. Assim como com Jill, sussurros e olhares o perseguiam às vezes. Eu tinha vontade de arrancar os olhos desses idiotas, porque Eddie não merecia esse tratamento. Era um melhor Guardião que muitos por aí.

Ele suspirou. – Tudo bem. Pararam de me olhar como se eu fosse um Alien, mas muitos Moroi da realeza ainda me desprezam.

- E você fará um favor a todos se retribuir o sentimento — eu disse.

- Apenas ignore os idiotas, Eddie. – Mia murmurou.

- E olhe só, eu pensava que existia alguma bondade em você, Hathaway — ouvi uma voz sobre o meu ombro, e virei, me deparando com Christian. Ele tinha um sorriso torto no rosto, e estava levemente corado: sinal de que tinha se alimentado.

Eu bufei e cruzei os braços, não reagindo quando vi Dimitri ao seu lado, mesmo meu coração aumentando o ritmo. – Hah, e quem disse que eu não tenho? Só sou boa com os que merecem, Ozera.

- Ai! — ele disse e esfregou o maxilar como se tivesse levado um soco. Sorri e fui até Dimitri.

Vestindo o uniforme oficial dos guardiões, ele estava mais que sexy. Fiquei na ponta do pé e o beijei rapidamente, atraindo vários olhares dos Moroi e Dhampirs da cafeteria. Nosso romance não era mistério, mas muitos ainda olhavam com reprovação e nojo. Passei meus dedos pelo seu rosto e sorri. – Senti sua falta.

Para a minha surpresa, o invés dele se afastar ou ficar escandalizado, ele sorriu calorosamente.

- Eu também, Roza. – Seu uso do meu apelido deixou meu coração quente, e eu fiquei entre ele e Christian, e segurei sua mão. – Como foi a reunião com Lissa?

- Ugh... Digamos que foi muito diplomática.

Mia balançou a cabeça. – Esses Moroi vão me fazer vomitar um dia. A Realeza é tão pomposa que me dá nos nervos.

- Surpreendentemente, a reunião foi com representantes Moroi que querem realmente lutar, e não com os mimados. – Não disse mais nada, já que sigilo era essencial na Corte e nos negócios da Rainha.

E como geralmente acontecia, ninguém me pressionou. – Se não se importam, eu preciso estudar algumas técnicas de luta — Mia disse olhando para Eddie como se quisesse dizer: Vamos, agora.

Eddie suspirou e colocou suas mãos nos bolsos. – Então... Vejo vocês por aí. Se cuide, Rose, e se eu te ver lutando antes de se curar, vou te amarrar em uma cama.

Eu ri, e ouvi Christian dizer — Amarrar ela na cama e fazer o que com ela? Se fosse você, Belikov, abria o olho. – Mia ficou pálida, mas Christian revirou os olhos. – Ou então, você pode se aproveitar dessa situação de ficar presa na cama. Certo?

Até Eddie perdeu um pouco de cor, como se um trator fosse cair sobre ele. Mia olhou para Dimitri esperando que ele atacasse todo mundo, mas essa não era o preconceito sobre Dimitri ser Strigoi no passado. Era sobre ele ser um Deus por suas habilidades, e tão fechado para os outros. O que ela não sabia, entretanto, é que ele tinha se aberto mais depois de Lissa se tornar Rainha e nos mudarmos para a Corte. Então, Dimitri somente balançou a cabeça e riu junto conosco.

Eu vi Mia relaxar visivelmente e depois de hesitar um pouco, ela saiu da cafeteria, com Eddie ao seu lado.

- Se não se importam, — disse Christian, com as mesmas palavras de Mia — eu vou encher meu metabolismo de açúcar e cafeína, e depois encontrar Lissa. Ela deve estar estressada por causa da reunião.

- Hey, fique com ela, ok? – eu perguntei, subitamente preocupada com Lissa. Christian assentiu seriamente, e eu só conseguia imaginar como ele se importava com ela. – Se lembre do que eu disse.

- Não se preocupe, eu vou cuidar da nossa Rainha — ele murmurou baixo para mim. – Você estará segura com Belikov, imagino.

- Sempre — Dimitri disse. – Tenha cuidado, e qualquer coisa-

- Te ligue. Yeah, eu sei todos os protocolos — Christian revirou os olhos. – Não é como se eu precisasse de muita proteção na Corte.

- Lissa já foi atacada aqui, não se esqueça. Alguns Moroi são tão perigosos quanto Strigoi — Dimitri disse e eu vi um flash de dor em seu olhar. Estaria ele pensando em Tasha? Apertei a mão dele gentilmente. – De qualquer maneira, eu levo meu trabalho a sério.

- Eu sei. – Com essa frase, Christian se virou e partiu em direção do balcão. Eu também me preocupava com Christian. Sendo o namorado – e quase noivo – da Rainha, ele era um alvo ambulante, e se alguém quisesse machucar ou desestabilizar a Monarca, ele seria o primeiro a morrer. Ainda bem que Dimitri era seu guardião. Para chegarem a Christian, teriam que se esforçar muito, porque eu já vi Dimitri em movimento muitas vezes.

Me lembrei de quando tentaram me prender, e lá estava ele, recém transformado de volta, mas com a força de um Deus. Ele havia acabado com quase todos os guardas reais e só parou porque eu praticamente implorei a ele. Se um psicopata se atrevesse a atacar Christian, ele não se daria bem.

À sós com Dimitri, eu fui até uma mesa em um canto da cafeteria, e nos sentamos lado a lado.

- O que decidiram na reunião? – Dimitri perguntou em voz baixa, mesmo não havendo ninguém ao nosso lado.

Suspirei e mexi no cabelo. – Nada, mas acho que Lissa e eu conseguimos abalar um pouco os dois Moroi e o guardião. Eles vieram de St. Basil, sabia? – Quando ele assentiu, continuei. – Bem, de qualquer forma, não sei como as coisas vão ser daqui em diante. Só Deus sabe o que o Conselho vai decidir, mas Lissa não vai desistir sem uma luta. Ela é uma Dragomir.

- E com você ao seu lado, duvido que o Conselho tenha alguma chance. Ninguém ganha de Rose Hathaway — ele passou o braço em cima dos meus ombros, e eu me encostei nele por um segundo, amando a proximidade e as sensações de segurança e conforto que Dimitri me trazia.

- Pena que aquele pessoal é durão — eu disse. – Tinha uma lá, eu juro, que era tão irritante que quase me matou. Tudo que eu falava era motivo de discussão, e eu queria pular no pescoço dela. – Bufei ao pensar em Karen, e balancei a cabeça, ainda apoiada no peito de Dimitri. – Eu juro, Karen Zeklos é uma Moroi que vai pegar no meu pé.

Ao dizer o nome, Dimitri ficou completamente parado contra mim, tão parado que nem sabia se estava respirando.

– Dimitri? – eu perguntei, me virando para olhá-lo. Seus olhos me observavam, arregalados, mas eu senti que ele estava em outro lugar. – Ei, o que foi?

Ele balançou a cabeça, seu rosto ficando mais pálido. Ele disse alguma coisa, tão baixo que eu não consegui ouvir.

– O quê? — eu perguntei.

A voz de Dimitri soou estranhamente vulnerável. – Karen Zeklos é a irmã de Ivan Zeklos.

Notas finais
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