Ian voltou para dentro da boate com um sorriso pendendo dos lábios. Sua mão estava vermelha e ele sorria ainda mais ao se lembrar de porque ela estava naquele estado. E o melhor de tudo, além de conseguir socar a cara de alguém, como um maravilhoso bônus conseguiu impressionar a garota que havia lhe roubado a atenção nessa noite. Ian ficou feliz por ter a ajudado, de verdade, ela não parecia ser uma garota indefesa, nada disso, Emily tinha cara de que sabia se defender. Ela é esperta, ele sabe disso, ou melhor, sente. Afinal, não sabe nada da garota, além de seu nome, o que cursava e sua nacionalidade.

Emily. Artes cênicas. Brasileira.

Ian repassava essas informações em sua cabeça tentando memorizá-la. Ele odiava o fato de não saber tudo sobre ela, mas isso é só questão de tempo, já já, iria saber tudo o que precisava sobre a morena.

Encontrou Lorenzo no bar do camarote rodeado de garotas belas, uma mais linda que a outra. Eles riam de algo e bebiam feito loucos, Lorenzo está chapado e essa é uma das raras ocasiões que ele fica assim. Ian pensa em se aproveitar do primo e fazer alguns vídeos para usar como chantagem mais tarde, mas a noite havia perdido a graça assim que Emily foi embora.

Nem mesmo o sobrenome dela consegui. — pensou.

— Olhem só! – gritou Lorenzo apontando para Ian. – AÍ está o meu primo favorito! Venha Ian, venha comemorar conosco.

— Eu vou para casa, Lorenzo. A noite já deu para mim. – Ian diz, depositando a carteira do primo em cima da mesa. – Pegue um táxi quando for embora, irei com o seu carro.

Lorenzo resmunga algo, mas Ian não lhe dá atenção, sabe que ele deve estar tão bêbado que daqui cinco minutos não irá se lembrar do próprio nome. Mas mesmo assim Lorenzo já é grandinho, não precisa de babás e muito menos de que Ian o vigie.

— Tem certeza de que já vai?

Uma loira, alta e de belo corpo se joga para cima de Ian, se debruçando sobre seu peitoral e jogando todo seu charme para cima dele. Ela é bonita, nota. Seus cabelos batem um pouco acima da cintura e parece ser loiro natural. Os olhos são verdes e sua boca pequena, se destaca com um batom rosa forte. Ela veste um vestido preto com um decote profundo e logo chama a atenção dele.

— Tenho. – Ian diz. – Por quê?

— Eu estava pensado se você poderia me dar um carona, o que acha?

A loira dá um sorriso sujo e milhares de coisas de passa pela cabeça dela. Ian é um homem bonito e ela o quer. A loira é uma moça bonita e ele é homem, precisa se divertir. Por fim, concorda dar uma carona para a jovem, já sabendo que a levaria para cama. Despede-se do primo mais uma vez e vai embora, levando a moça até seu apartamento no subúrbio da cidade e satisfazendo seu desejo carnal. Dormiu um pouco com Lorena, a jovem loira, e assim que o sol nasceu Ian foi embora sem ao menos se despedir. Afinal, uma transa de uma noite não requer tanta formalidade. Não para ele.

*

— Emily, foco, por favor! – Pede o professor já impaciente. Era a milésima vez que ele chamava sua atenção.

Já estava irritando até ela mesma toda essa distração. Tudo por culpa de um cara que ela conheceu noite passada e sequer tem ideia se irá vê-lo de novo. Emily nunca foi o tipo de garota que deixa um homem se instalar em sua mente. Nem mesmo Bryan, que no começo do namoro era mais carinhoso, conseguiu algo assim. Ela respira fundo, tentando focar toda sua atenção em Thomas. Nos finais de semana, ele costumava dar aulas que reforçassem todo o conteúdo estudado durante todos os dias e Emily participava sempre já que nunca teve nada melhor para fazer nos sábados de manhã. Além de sua responsabilidade com os estudos, que sempre falavam mais alto.

— Sim, professor. – Diz sorrindo nervosamente para ele e abrindo seu caderno.

— Estou pedindo que venha até aqui mostrar aos alunos a cena que comentei com você ontem, não que abra seu caderno. – Murmura o professor revirando os olhos. Emily havia se esquecido completamente de estudar aquelas falas! Estava ferrada, completamente ferrada... Ela se levanta, caminhando até ele quase que contando os próprios passos. Os alunos a encaravam curiosos, seu nervosismo parecia notável. – Podemos começar?

O professor pergunta quando Emily já estava em sua frente.

— Claro. – Murmura ela, mas internamente gritava um não absurdamente grande.

— Oh! Não há um minuto em que eu não pense na sorte que teria em passar mais tempo com a senhorita. – O que Emily mais admirava em seu professor era a capacidade de entrar rapidamente no papel do personagem. Em um piscar de olhos, lá estava ele, incorporando perfeitamente bem seja lá qual papel lhe dessem. Ela engole em seco, pensando por fim em improvisar.

— Eu também. – Um sorriso nervoso escapa de seus lábios e aquilo arranca gargalhadas dos alunos em volta. Aquilo faz Thomas bufar, afinal Emily era sua melhor aluna, entretanto estava claro que não estudara suas falas. Ele faz um gesto rápido para que ela se sentasse. Ela caminha até seu devido lugar e senta cuidadosamente se xingando mentalmente por essa gafe patética.

*

O prédio onde Ian comanda a Cosa Nostra fica no centro da cidade, chamando a atenção de todos. É um prédio empresarial em forma circular e sua fachada é todo espelhado, mas poucos sabem os tipos de negócios que são tratados lá dentro. Além de comandar Máfias, Ian também é um empresário renomado e conhecido por pessoas que não são necessariamente mafiosas. Ian tem nas mãos muitas empresas, tem ações de muitas outras e faz negócios até mesmo com o exército e políticos dos Estados Unidos. Ele trabalha com cautela, inteligência e audácia. O mundo todo praticamente está nas suas mãos e poucos sabem que ele é de fato um mafioso e que a maioria das coisas que faz é totalmente ilegal. Poucos sabem e a outra maioria nunca irá conseguir provas para incriminá-lo (coisa que muita gente tenta, mas nunca consegue por se tratar de uma grande rede de criminosos) nem ele, nem o resto do mundo que vive no crime.

Mas hoje Ian não quer comprar ações de empresas e muito menos fazer um contrato temporário com mafiosos chineses para comprar suas armas e tecnologias.

Hoje tudo o que Ian quer é conseguir mais informações sobre Emily.

Ele pediu ajuda para um dos hackers que trabalha para ele e pediu que ele hackeasse a morena. E não foi difícil para descobrir mais sobre a garota, pois só existe uma faculdade em Chicago onde há curso de artes cênicas. E sabendo disso, também não foi nem um pouco trabalhoso para invadir o sistema da faculdade e puxar a lista de alunos que cursa artes cênicas. E lá estava.

Emily G. Hamswere.

Ian clicou no nome de Emily e sua ficha completa apareceu no segundo seguinte mostrando todas as suas informações. Endereço, número do RG, idade e o número do telefone pessoal. Imprimiu a folha e sorriu vitorioso. Ele não sabia o certo o que faria com todas aquelas informações, mas agora ele sabe mais sobre a garota que o encantou. Guardou a folha na carteira e subiu para o último andar do prédio, onde fica seu escritório. Lorenzo o aguardava lá e pela cara, deve ter acordado com uma puta ressaca.

Assim que viu o estado do primo, Ian começou a rir.

— Como foi à experiência de acordar pelado no banheiro da boate? – zombou.

— Ha-há-há. Muito engraçado. – ironizou Lorenzo de mau humor. – Eu acordei sim, pelado, mas eu não estava em nenhum banheiro e muito menos sozinho. E, aliás, onde está o meu carro?

— Está no subúrbio da cidade, perto daquele restaurante chinês que a gente odeia. Deixei estacionado em frente a um prédio azul. – Ian diz.

Lorenzo une as sobrancelhas confuso.

— E por que diabos você o deixo nesse lugar? – perguntou contrariado.

Ian deu de ombros.

— Se eu tivesse vindo com ele, teria que acordar a garota com quem passei a noite e pedir pela chave, já que ela a guardou no sutiã e, bem, a situação seria um pouco chata, entende?

— Ah, claro. E eu ir lá pedir pelas chaves do carro com a garota que você passou a noite não será nem um pouco estranho, não é?

Ian sorriu.

— Exatamente.

Lorenzo revirou os olhos e seu primo ficou satisfeito. Um adora irritar o outro, isso é uma das coisas que eles fazem desde pequenos. E o episódio de acordar pelado em um banheiro de boate aconteceu na verdade com Ian, claro que foi culpa de Lorenzo, mas ninguém sabe e muito menos quer saber os detalhes daquela noite.

— Eu vou sair. – anuncia Ian pegando seu casaco. – Se meus pais ligarem, passe a ligação para o meu celular.

— Aonde vai? – ele pergunta intrigado.

É difícil Ian se ausentar do trabalho, ele passa muito tempo no prédio tratando de assuntos mafiosos e empresariais, quase não sai. Mas ele precisa ver Emily mais uma vez, nem que fosse de longe, ele tem essa necessidade louca dentro dele de ver seu rosto mais uma vez.

— Com todo respeito primo, mas isso não é...

— Da minha conta, é eu sei. – completou Lorenzo, já acostumado com aquela frase.

Ian acenou para o primo se despedindo e saiu tranquilamente de seu escritório e caminhou até o elevador, apertando o botão para o hall. Assim que saiu do elevador, várias moças que ali estavam o encararam do pé a cabeça. Ele sorriu saboreando a atenção desejada e marchou até a saída, onde seu carro o esperava.

— Para onde senhor? – perguntou seu motorista.

— Leve-me para a faculdade de artes cênicas, por favor. – Ian pediu. – Preciso checar uma estudante. – comentou sorrindo.

A faculdade não é muito longe do prédio dele. Ficava a quinze minutos de lá. A entrada da faculdade é como todas as outras: um grande gramado verde com várias mesas e bancos para descanso tanto dos estudantes quanto para os professores. Ian parou o carro na esquina de frente para a faculdade e observava com cautela os rostos de cada estudante ali e fechou com força a mão em punho ao ver Bryan, o ex-namorado de Emily, rindo com um grupo de colegas em um canto do campo. Quer dizer que além de ser um canalha que bate em mulher, o desgraçado ainda estuda na mesma faculdade que ela?

Isso não o agradou nem um pouco, essa situação o incomodava. Alguns minutos depois e finalmente Emily sai do prédio da faculdade. E ela parecia ainda mais linda sob a luz do sol, fazendo Ian se remexer no banco do carro com um sorriso nos lábios. Ela usava uma saia rodada azul escuro, blusa branca com listras da mesma cor de sua saia, um cinto trançado vermelho, sapatilhas pretas e carregava uma pequena mochila marrom. Ian a observou descer pelo campos e passar direto da roda de amigos do Bryan, que ele notou cochicharem sobre ela.

Emily também notou isso, mas não deu atenção e continuou sua caminhada até seu carro. Ian pensou em ir até ela, mas o que ele iria dizer? Ela não havia dito onde estudava e ele não quer parecer um stalker, isso não causaria uma boa intenção. Pensou então em segui-la e causar um encontro. Se ele tiver sorte, quem sabe ela não esteja a caminho do trabalho, supermercado ou coisa assim? Com certeza um encontro planejado é bem melhor do que aparecer na porta da faculdade.

Mas então algo chama a atenção de Ian. Ela encara por longos segundos o carro onde ele está, o deixando intrigado. Mas Emily logo desvia sua atenção e entra no carro, um Zenvo ST1 deixando Ian impressionado. Geralmente garotas gostam de carro grandes e bonitos, não se importam muito com a potência deles. Mas aquele é um carro potente e caro. Muito caro. Emily deu partida e no segundo seguinte, estava fora do alcance de visão de Ian.

— Siga o carro! – Ian grita para o motorista.

E o motorista até tentou, mas não conseguiu acompanhá-la. Ela dirigia com rapidez entre as ruas de Chicago e ultrapassava com agilidade os carros em sua frente. Ian sorriu impressionado. Aquela garota o encantava cada vez mais...

— Desculpe senhor. – seu motorista lamenta ao perder de vez o carro onde Emily estava.

Ian não o culpou e pediu que o levasse de volta para o seu escritório. Só havia um lugar em toda Chicago aonde pessoas com a habilidade de Emily iam ao anoitecer. Claro que Ian não havia pensado nessa possibilidade até ver o jeito que ela dirigiu quando tentava seguí-la, mas isso só o faz ficar ainda mais intrigado pela vida da morena. Essa garota o intrigava e ele queria saber mais dela a cada momento.

*

Emily estaciona em frente à fraternidade, descendo de seu carro e indo direto para seu quarto, tomar um banho relaxante. Sinceramente, não tinha ideia de como conseguiu entrar para essa fraternidade, afinal, nunca participava de nada quando era convocada, quase nunca se enturma com as outras garotas e nem frequenta as mesmas festas que elas, exceto o The Club.

Ficava surpreendida por não ter sido expulsa dali ainda, mas obviamente aquilo tinha dedo do pai dela, ou da popularidade de Bryan e ela só descobriria aquilo quando o término dos dois virar fofoca por toda a universidade e as garotas decidirem por um fim na sua estadia ali. Passa a tarde toda estudando as malditas falas que se esquecera e procurando apartamentos pela internet, mas nenhum havia lhe agrado ainda. Quando a noite cai, Emily se arruma para fazer aquilo que realmente mais amava.

*

Ian caminhou rapidamente até seu escritório e digitou a senha em seu computador. Logo as câmeras de todas as ruas de Chicago apareceram na tela e ele digitou o endereço desejado. Não demorou muito e a rua que ele procurava logo aparecesse na tela e ela estava lotada de gente e de carros potentes. Ian sorriu sem acreditar ao ver o carro de Emily e a própria aparecerem na gravação. Então é isso que ela fazia as noites.

Emily participava de rachas.