Mirrors
32 Long Reigh and Deep Death.
Chloe respirava fundo enquanto descia do carro usando uma venda preta sobre os olhos. O vento parecia mais forte naquela região, acariciando seu rosto com suavidade. Era silencioso, completamente diferente da cidade barulhenta. Conseguia ouvir o barulho de alguns pássaros ao longe, e tentou seguir o som, tropeçando nos próprios pés e sentindo braços fortes sobre seus quadris antes que seu corpo chocasse com o chão. Que vergonha! — Pensou, agradecendo mentalmente por estar vendada (Pensamento que lhe atingiu pela primeira vez desde que os colocou, já que era horrível não poder enxergar nada) e não ver Lorenzo segurar uma risada. Se bem que, ela não ouviu ruído algum que se assemelhasse a um mero sorriso da parte dele desde que saíram de seu apartamento, o que estava começando a deixa-la muito preocupada.
— Hm... Estou começando a achar que estou sendo sequestrada. O quão longe estamos de Chicago? – Perguntou quebrando o longo silêncio entre eles. Subiu muitos degraus de escada.
Mais do que poderia contar e, cada passo, o vento se tornava mais limpo e fresco, longe da poeira urbana.
— Considerando que ficamos quase doze horas dentro de um carro, estamos longe o suficiente.
— Certo. Foi uma pergunta idiota. Mas, eu dormi o caminho todo então nunca se sabe quais estradas você percorreu. Fora que, assim que acordei fui obrigada a usar isso. Tem ideia do quanto é horrível não enxergar?
— Diga isso aos cegos. – Ele sorriu com a própria piada. Um sorriso tímido, nada como os que costumava dar. Havia algo definitivamente errado. – Estamos chegando, não se preocupe. Só mais alguns passos... E... Pronto. Preparada? Quero que conheça alguém.
— Não me diga que sua irmã está na minha frente? Ou seria seu pai? Lorenzo, eu juro que se estiver me fazendo pagar essa vergonha na frente deles, irei...
Com um simples movimento, a venda que cobria seus olhos cai sobre o chão com suavidade, dando cor e forma a cada extremidade. Ela estava no alto de um penhasco. Toda a cidade de Nova York podia ser vista dali, sem todo o barulho que propagava entre as ruas e empresas. Seu olhar então se volta para o real motivo de estar ali.
— Chloe, essa é minha mãe, Alicia. Sei que não é a maneira como planejava conhecer ela, mas confesso que não foi como eu planejei quando a visitei também. Mas, onde quer que esteja, aposto que está feliz por conhecer a mulher que tem arrancado todos os meus sorrisos e ocupado todos os meus pensamentos. – Sussurrou ele abrindo espaço para que ela visse a lápide de sua mãe, que estava afastada de todas as outras no cemitério mais conhecido da cidade. Seu pai, Miguel, havia pagado caro para que sua amada fosse enterrada no topo do penhasco.
Alicia Chiacchio. Amada mãe e esposa.
Logo acima das palavras esculpidas em dourado, havia a foto da mulher que Chloe tanto havia ouvido falar. Ao contrário das fotos normais que costumavam estar sobre as lápides, Alicia sorria. Seu cabelo cobria parte de seu rosto exibindo as ondas de seus fios que caiam como uma cascata ruiva. As mãos estavam delicadamente sobre seu queixo, enquanto o rosto exibia o mais belo dos sorrisos.
O olhar era intenso e brilhante o suficiente para mostrar a sombra do homem que congelara aquele momento. Era tão instantâneo e a mulher era tão delicada. Lorenzo parecia preso em seu próprio mundinho enquanto observava ela encarando a foto de sua mãe completamente encantada. Tão encantada que mal havia o notado colocando um buquê de rosas ali perto. Então, para a total surpresa dele, Chloe havia se sentado no chão, sem tirar os olhos da imagem de Alicia.
— É um prazer em conhece-la, senhora Alicia. Quer dizer, dona Alicia, caso seja como minha mãe e repugne a palavra senhora. Por que vocês detestam tanto assim? Eu particularmente acho um charme que se conquista com a idade. Não que você seja velha. Ainda mais na sua atual condição. Droga! Eu comecei mal. E xinguei também, desculpe. O que estou tentando dizer é que estou feliz em conhecer você finalmente. Já estava achando que Lorenzo jamais me apresentaria a você. Olha só! Já pegamos intimidade! Aposto que está orgulhosa do filho que tem. Ele é maravilhoso. Bem, não tanto. Acredita que ele me cantou da maneira mais barata quando nos conhecemos? E ainda negou. Aposto que se estivesse aqui, o reprovaria por isso. Talvez teria tornado o nosso começo mais fácil. Sabe o que é engraçado? Eu realmente achei que jamais, tipo nunca mesmo, sairia com ele e olha onde estou! O lugar é bastante aconchegante por mais mórbido que seja. Enfim, como anda a vida por aí? Espero que não esteja deixando uma impressão ruim...
Lorenzo estava completamente estático observando sua garota conversando de maneira tão aberta com uma simples imagem. É como se pudesse ver sua mãe ali, logo ao lado dela, sorrindo de seu jeito, respondendo todas as suas perguntas e reagindo a todas as suas histórias. Aquilo estava tão claro em sua cabeça que sentiu seus olhos acumularem lágrimas que lutaram até o fim para não cair. Algumas perderam a luta, mas ele as limpou com a palma da mão antes que a ruiva notasse.
Sua mãe havia sido assassinada como uma forma de vingar a morte do primo de Valentin, um homem sem escrúpulos e talvez o primeiro que enfrentou em vida, mesmo ainda sendo um recém-nascido. Ele havia invadido sua casa e sequestrado Alicia e sua irmã, Geovana. Todo o horror pelo qual ela havia passado foi gravado em uma maneira cruel, além de ter sido enviado para a família através de um e-mail. Seu pai guardava tal vídeo até os dias de hoje, revendo sempre antes de dormir, como uma maneira de se martirizar.
Então, quando tinha apenas treze anos de idade, decidiu desvendar o que tanto prendia a atenção de Miguel ao computador todas as noites. Aquilo o traumatizara por mais que odiasse mentir. Fez uma cópia do vídeo e o assistiu mais vezes do que pode contar. Acabou decorando as últimas palavras de sua mãe.
Cada segundo daquelas cenas era como se sentisse o desespero na própria pele por não poder fazer nada na época já que era tão frágil e pequeno. Momentos como aquele o faziam repensar sobre Chloe. Ela seria como Alicia e também acharia que cada segundo ao lado dele valeria a pena mesmo que tivesse um fim parecido?
“Meu amor... Eu só quero que saiba que eu te amo. Te amo com todas as letras, palavras e pronúncias. Em todas as línguas e sotaques. Em todos os sentidos e jeitos. Com todas as circunstâncias e motivos. Simplesmente te amo. E sempre vou amar. Por favor, não se sinta culpado, isso tudo é apenas um efeito colateral. Eu sabia perfeitamente aonde estava me metendo quando me apaixonei por você. Você tentou me avisar, me afastar... Mas, nada adiantou. Você me conquistou, Miguel. Ganhou meu coração em um único olhar. Me pergunto como conseguiu essa façanha. Mas fique sabendo meu amor, se eu pudesse voltar e escolher de novo, eu escolheria novamente você. Todos vivem por uma razão, e a minha é você. Conte aos nossos filhos como nos conhecemos. Conte como nos apaixonamos. E diga a eles que eu os amo muito”
Ao contrário de sua mãe, a ruiva não tinha ideia no que estava se metendo. E era aquilo que o preocupava. Mal sabia ele... Então sua cabeça começou a trabalhar sozinho, se perguntando se Chloe também o escolheria, mesmo que soubesse toda a verdade. Jogava tudo aquilo sobre suas próprias costas, mesmo sendo um fardo que ambos compartilhavam em segredo.
— ... Enfim, eu falei demais e provavelmente deve estar morrendo de saudades do seu filho. Talvez eu tenha que deixar vocês a sós para isso. Espero ter sido uma ótima companhia, embora meu jeito costume assustar algumas pessoas, mas acima de tudo espero que possamos nos encontrar novamente. Nunca tive uma sogra tão legal. Se bem que minha experiência com sogra não é tão grande já que é minha segunda. Até mais, Alicia. – A ruiva se levanta, dando leves palmadas em seu jeans, caminhando até ele, que agora sorria. Ela retribui o sorriso, colocando sua mão sobre de modo delicado sobre seus ombros. – Te espero no carro.
Chloe atravessa todo o cemitério após descer do penhasco, parando em frente aos portões imensos da entrada, apenas para observar Lorenzo ao longe, sentado no lugar que a pouco tempo ocupava e com um sorriso lindo no rosto, apesar dos olhos denunciarem sua clara tristeza por estar ali. Não demorou muito para que ele voltasse para o caro, a encontrando trocando de estação no som do automóvel, procurando qualquer coisa que lhe interessasse.
— O que foi? – Ela perguntou curiosa ao notar que estava sendo observada.
— Minha mãe adorou você. Não que eu esteja surpreso. Tem ideia do quanto é importante para mim, pequena?
Seu sorriso então se aumenta, quase rasgando o canto de seus lábios, ficando ali por mais tempo do que esperava. Lorenzo liga o carro e parte para o outro lado de Nova York, mas igualmente afastado. O sol já sumia do horizonte quando chegaram a uma pousada, pegando o chalé mais isolado afim de ficarem a sós. Chloe imaginou que o lugar teria dois quartos, mas havia apenas um, com uma cama de casal que caberia facilmente uma família inteira. Sentiu um arrepio na espinha, mas não deixou isso transparecer deixando sua mala em um canto qualquer.
— O dono disse que nenhum hóspede passa por aqui, então teremos privacidade. – Murmurou já atirando sua camiseta longe e se sentando ao pé da cama. Aquele momento era diferente dos outros, porque era a primeira vez que estavam realmente sozinhos.
Ela tentava inutilmente não parecer nervosa, então foi em direção ao banheiro, encostando-se na pia e observando seu reflexo no espelho. Atrás de sua figura, era nítida a imagem de Lorenzo e aquele olhar sobre o seu corpo sem maldade. Sua mente então a leva de volta para Stan, e suas mãos nojentas a percorrendo com pudor. O que a deixava com tanto medo afinal?
Não poderia ser tão difícil ou doloroso assim... Sentia-se uma pilha de nervos. Mas a pergunta mais importante era o motivo de estar pensando nisso. Em sexo, ela se referia. Afinal, ele nunca exigiu isso dela então estava mais do que óbvio que sua intenção ao trazê-la ali era apenas para terem um momento a sós e fim. Chloe fecha os olhos tentando espantar isso de sua cabeça, e só havia um modo de fazer isso. Trancou a porta do banheiro e tomou um banho rápido, colocando um pijama e voltando para o quarto. Ele também foi fazer sua higiene noturna e assim que coloca os pés no mesmo cômodo que ela (usando apenas um boxer), a ruiva se aproxima envolvendo seu pescoço com os braços, puxando o rosto dele para perto do seu. O beijo era calmo e doce, como se estivessem fazendo aquilo pela primeira vez.
— Chloe... – Lorenzo sussurra tentando afastá-la. Sabia que estavam em uma situação extremamente delicada e a última coisa que queria era assustar a ruiva. Mas, Deus! Como ele a amava! Queria poder tocá-la sem sentir-se um completo idiota, sem sentir medo de avançar demais o sinal. Ela pareceu entender o recado e sorriu.
— Está tudo bem. – Murmurou trazendo seus lábios de volta para o lugar de onde não deveriam ter saído. As mãos dele vão para as suas costas. Seu pijama era um curto vestido de seda, que deixavam as costas a mostra, para seu total deleite.
— Eu não posso...
— Já disse que está tudo bem. Não deve ser tão difícil assim. Deve ser como... Pintar um quadro. – Se aquilo saísse da boca dela em um outro momento, talvez Lorenzo teria rido, mas seu olhar estava completamente concentrado naqueles lábios rosados e em sua bochecha corada. Ela poderia correr para longe a qualquer momento. – As pinceladas devem ser suaves no início e bem precisa por causa do traçado. – Ele aproveitava a oportunidade para se deliciar naquele pescoço, fazendo Chloe perder todos os seus sentidos. – E depois que você pega o jeito, precisa preencher os espaços vazios. Nesse momento não é necessário um truque, só rapidez. Talvez um pouco de força, delicadeza, ou um misto dos dois, dependendo do tipo de sentimento que coloca sobre a tela.
— De força e rapidez eu entendo. – Falou ele antes de tomar seus lábios novamente.
Os pés de Chloe tocavam cada vez menos o chão frio do quarto. Lorenzo mantinha os braços ao redor de seu corpo, os colando e praticamente a carregava a até a cama. Quando eles chegaram até o sagrado objeto Chloe se afastou ligeiramente do homem, o encarando. Desejo. Era o que os olhos de Lorenzo dizia. E ele desejavaela. Chloe sorriu e bem devagar se abaixou e sentou na cama. Se arrastou até o meio dela, sem tirar os olhos dele e se deitou, arqueando as costas e respirando fundo. Seus braços estavam esticados a cima da cabeça e seus dedos agarravam os lençóis, demonstrando um pouco de nervosismo. Vendo Chloe estendida sobre a cama fez Lorenzo quase perder a cabeça. Ela estava tão sexy, tão confiante. Ele se abaixou e subiu na cama, engatinhando até alcançar seu corpo. Começou pelas suas pernas. Suas mãos começaram pela canela e foram subindo, subindo e subindo. A vontade de Lorenzo era de terminar nas partes intimas da garota, mas Chloe não é qualquer garota. Então manteve a calma, até porque ele teria a noite toda com ela e iria fazer dela especial, como ela é.
Quando chegou na barra da camisola ele continuou a subir a mão de modo de que a peça de roupa fosse subindo junto. Chloe fechou os olhos sentindo um arrepio que ela já conhecia bem. Aquele arrepio que só sente quando Lorenzo a toca e ela imagina coisas. Mas hoje ela não iria imaginar, ela vai fazer!
— É tão bonita. – sussurrou ele, aturdindo com o corpo da ruiva.
— Lorenzo...
Chloe já não aguentava mais aquelas preliminares. Foram tantas delas.
— Eu estou pronta. – disse ela, o fitando. – Eu quero você e... eu quero agora.
As palavras dela foram firmes e Lorenzo não podia se sentir o homem mais sortudo do mundo.
— Seu desejo é uma ordem.
O beijo foi feroz, mas ele não deixou de ser gentil com a amada. Chloe se aventurou com a borda de cueca de Lorenzo e ele sorriu. Ele retirou por completo a peça de dormir. Tanto a sua, quanto a dela. E a ruiva não conseguiu deixar de corar quando viu o membro do homem a sua frente. Mas ela não recuou, sabe que ele será gentil. Quando os dedos de Lorenzo tocaram sua parte intima ela se contraiu.
— Relaxa. – sussurrou Lorenzo, deitado sobre ela. – Eu sei o que estou fazendo, você confia em mim?
Chloe assentiu e ele a tocou novamente. Dessa vez ela não recuou, pois ele soube exatamente onde tocar. Chloe agarrou os lençóis e arfou, mordendo a língua para não gritar mais alto. Lorenzo percebeu o quanto ela estava se segurando e disse a ela para que não o fizesse. E ela assentiu e a cada vez mais seus gemidos iam aumentando, seus movimentos se tornavam mais seguros e ela foi se entregando aos poucos a ele, a noite e ao que estavam fazendo.
Quando chegou a hora, Lorenzo beijou a testa da ruiva e disse que ia todo ficar bem. Chloe assentiu. Porém quando ele a penetrou foi impossível não sentir dor, afinal ela era virgem e Lorenzo um homem bem dotado. Mas isso não a fez recuar, e Lorenzo soube bem o que fazer, ele não havia mentido. Ficaram parados por alguns minutos até ela se acostumar e ele foi aprofundando, se movimentando, acelerando... Logo Chloe não sentia mais dor, um certo incomodo, mas não dor. Ela pegou o jeito logo e se aventurou em vários momentos.
— Eu acho que estou amando você, ruivinha. – disse Lorenzo, deitado ao lado dela, arfando após ter a melhor noite de sua vida.
Chloe sorriu.
— Eu já estava há muito tempo.
E assim foi a noite deles. Não pensaram em nada. Nenhum problema externo. Apenas neles. E que bom que o fizeram, pois a partir de alguns dias nem isso poderiam mais, pois seria uma eterna traição.
Pois sempre lhe foram dito: Família antes de coração. Máfia antes da paixão.
Longa vida aos amantes e morte aos traidores.
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