Mirror Of Paradise
5 Capítulo 05: Preto e Branco
Notas iniciais
Eu sou um anjo, eu sou um diabo
Eu às vezes estou entre os dois
Eu sou tão má quanto é possível ser
E tão boa como se pode ser
Pude sentir a eletricidade passando por todo o meu corpo, após sentir aqueles lábios macios tocarem delicadamente nos meus. Meus olhos arregalaram-se, minha visão ficou turva e o meu coração... Eu não o sentia bater mais.
Fechei meus olhos, desejando que aquele momento durasse eternamente. Mas a tristeza me invadiu, fazendo com que eu a empurrasse.
– Por que vo... – Tampei a boca de Stephanie com uma de minhas mãos, enquanto direcionava meu olhar para o teto, tentando controlar minhas emoções e lágrimas.
“SeoHyun...” Respirei fundo, enquanto meu dedo indicador roçava por de baixo de meus olhos.
Pude sentir Stephanie tirando minha mão de sua boca brutalmente:
– Eu sou uma idiota mesmo! – Ouvi os passos largos e pesados a levarem para fora da cozinha.
Sem deixar de olhar para cima, usei uma de minhas mãos para procurar uma cadeira. Assim que conclui a busca arrastei-a, sentando-me.
“O que há com você, Kim TaeYeon? Você conseguiu o que queria, não é?”
– Talvez... – Murmurei para mim mesma. – Talvez eu não deseje mais isto... – Dei um tapa em minha própria testa, tentando entender os sentimentos confusos que me sufocavam. – Eu não posso estar amando duas pessoas ao mesmo tempo! – Gritei, enquanto levantava rapidamente da cadeira, descabelando-me descontroladamente.
Você perdeu a cor...
– Stephanie acabou de dizer que me ama e eu a rejeitei! – A água gelada do chuveiro escorria dos meus cabelos até meus pés. – Como meus sentimentos mudaram de uma hora para outra? Eu queria beijá-la, eu queria namorá-la, mas assim que ela me beijou... – Com o apoio da parede deslizei até o chão, estava tão confusa e sufocada. – O que devo fazer? – Os socos que dava em minha própria cabeça pareciam em vão.
– Você acabará com a água do mundo todo se ficar mais um minuto com este chuveiro ligado! – Nem os gritos de SooYoung faziam com que eu me distraísse dos pensamentos confusos e perturbadores.
Você está sumindo...
Você está perdendo toda a cor...
Em meu quarto, sentada em um banco, com os braços apoiados em uma mesa e enrolada em um edredom azul florido. Era assim que estava enquanto rabiscava flores em um pedaço de papel, que havia achado jogado pelo chão.
– Ei, unnie, já arrumei a cesta para o nosso piquenique – As mãos da baixinha envolviam-se em minha cintura, fazendo com que minhas costas encostassem-se no corpo dela.
– Que piquenique, SoonKyu? – Com ajuda de minhas mãos, que facilitavam meu afastamento, levantei-me virando-me de frente para ela, mantendo distancia.
A garota loira e de cabelo curto, vestia um vestido rodado, amarelo-bebê. Para aquecer-se usava uma jaqueta de lã escarlate, a tiara branca com flor amarela dava uma combinação ideal, juntamente com a sandália de salto vermelha.
– O nosso piquenique, ué. – Sunny era extremamente teimosa, não importava o quanto você fosse rude com ela, ela não desistia do que queria.
– Eu não vou pra lugar nenhum com você. – Arremessei a primeira coisa que vi ao meu lado sobre ela: O travesseiro. – Será que você ainda não entendeu?! – O sorriso malicioso, que a loira expressava em sua face, fazia com que a raiva corresse, queimando em minhas veias.
– Vamos, coloque uma jaqueta! – Ela retrucara, arremessando de volta o travesseiro, mas meus reflexos foram mais rápidos.
– Está frio demais para sair, SoonKyu. – Joguei o travesseiro em uma das camas.
– Então podemos ficar aqui, juntinhas. – Ela piscou, vindo lentamente em minha direção, enquanto tirava sua jaqueta na mesma velocidade. – Eu vou fazer sua tensão baixar, Taetae. – Não evitei o contato da baixinha em meu corpo, a deixei colar-se em mim, sentido-a usar as mãos para aproveitar-se do que podia de meu corpo. Eu apenas fechei os olhos e senti, tentando buscar a excitação que ela havia me dado antes, em vão.
Com a Sunny eu não sentia culpa, pois eu sabia que por mais que ela me amasse, o que ela mais deseja é usufruir de meu corpo.
– Você é minha bonequinha agora. – Sunny sussurrara em um de meus ouvidos, enquanto puxava meus cabelos, para que pudesse controlar minha cabeça.
A língua dela invadira minha boca, enquanto sua mão livre tentava invadir minha calcinha. O short jeans que usava, dificultava o acesso, a fazendo ter o trabalho de abrir os dois botões que o fechavam.
– Tire esse short enquanto eu tranco a porta, unnie. – A voz abafada de Sunny fizera com que meu corpo começasse a ferver, ela continuara me beijando, mesmo murmurando algumas coisas obscenas. Ela parecia tão excitada, que não tinha forças para desgrudar-se de mim, puxando o meu short para baixo, atacando a minha genitália com seus dedos.
A empurrei com delicadeza:
– Sunny, vou trancar a porta. – Estava ofegante.
– Não! – Sunny me puxara pela cintura, colando nossos corpos novamente. – Deixe-a destrancada... Adoro um pouco de emoção. – Ela selou seus lábios nos meus por alguns segundos. – Me excita muito mais. – O jeito que ela falava e me usava, fazia com que eu esquecesse dos problemas e deixasse os hormônios ferverem.
– Eu... – Tentei achar forças para me afastar, mas não tive sucesso. – Eu ainda sou virgem. – De imediato, Sunny me empurrara sobre a cama, brutalmente.
– Não se preocupe, unnie. Minha língua é macia e cuidará bem de você. – Ela abriu minhas pernas com delicadeza, tirando minha calcinha logo depois, sem perder a sensualidade. – Não preciso nem tocar para ver o quão excitada você está, TaeYeon. – Ela riu, fazendo com que eu ficasse um pouco constrangida. Fechei minhas pernas, mas minha ação foi retribuída com um forte tapa no rosto. – Eu não mandei você fechar as pernas, Kim TaeYeon. – Ela abriu minhas pernas com toda a força que tinha e até onde podia, fazendo com que eu sentisse dor e soltasse um gemido.
– Sunny, estou entrando! — A voz de SooYoung, fizera com que eu desse um forte chute em Sunny, cobrindo-me rapidamente. O susto fizera com que o clima acabasse para mim. – Por que está jogada no chão, SoonKyu? – A morena adentrara o quarto e no momento em que viu Sunny caída no chão, gemendo, começou a rir descontroladamente.
– O que é que você quer, SooYoung? – Sunny resmungara.
– YoonA e eu iremos comer um hambúrguer e você vem conosco. – SooYoung ajudou a menor levantar-se e continuou. – E vamos rápido, antes que a Maknae acabe de meditar e esconda as chaves! – A loira fora puxada do quarto, sem ter ao menos a chance de pegar a sua jaqueta.
Quando o meu mundo está desmoronando,
Quando não há nenhuma luz para quebrar a escuridão
É aí que eu olho para você...
Caminhando, enquanto sentia o vento frio e molhado tocar minha face junto à chuva. Já não me importava com meus cabelos e a roupa encharcada, pois a única coisa que queria e que precisava era encontrar-me.
A chave em minhas mãos me dava privacidade:
– É, você está bem abandonado... – Olhava em volta, o mato estava alto e havia inúmeras folhas por todo o chão. A maioria das flores ao redor estavam mortas, mas mesmo assim, era um lugar reconfortante. – Prometo cuidar melhor de vocês... – Caminhei até uma das arvores, abraçando-a. Meu corpo trêmulo não deixara esquecer-me do intenso frio.
– Meu velho balanço! – Sorri, correndo para sentar-me.
Este era o meu “jardim secreto”, foi à primeira coisa que comprei assim que ganhei o meu primeiro cachê. Este lugar é o meu porto seguro, meu refugio. O lugar onde posso por meus pensamentos em ordem, posso sorrir sem medo e chorar também. Este lugar é como um espelho, um espelho para o paraíso.
Quando as ondas estão inundando o litoral e eu
Não consigo encontrar o meu caminho de casa
É quando olho para você e vejo o perdão, vejo a verdade.
– Só espero que não pegue um resfriado. — A voz desconhecida, fizera com que eu pulasse do balanço em pânico.
Procurei desesperadamente, por todos os lados: Um rosto, uma alma viva. Mas só havia mato, flores.
Decidi correr, mas fui parada por uma mão que tapara minha boca:
– Eu tenho uma arma e não terei medo de usá-la se tentar correr. – Os sussurros esquentavam uma de minhas encharcadas orelhas, meu corpo não tremia mais de frio e sim de medo. Meu corpo encontrava-se duro como uma rocha e meus pensamentos imploravam para que aquilo fosse apenas um sonho, tolos suplícios em vão.
– O que você quer comigo? – Aquelas palavras saíram impulsivamente, como se fosse um instinto.
– Sou o seu maior fã e como um bom fã, quero admirar minha idol de perto todos os dias. – O tom de voz do rapaz, o entregava: Era louco e não um fã.
Estou perdendo o meu oxigênio e minha vontade,
Enquanto a dor avança um quilômetro mais...
Eu fico e você vai.
A dor de cabeça que estava sentindo era insuportável e a escuridão não me deixava entender o porquê não conseguia passar uma de minhas mãos em minha cabeça.
“O que aconteceu? Onde estou?...” Parecia que estava acorrentada, tanto nas mãos quanto nos pés. Eu não me lembrava do que havia acontecido e o desespero fizera com que eu começasse a chorar e gritar descontroladamente.
Alguns minutos depois de eu ter iniciado a “seção de gritos”, a luz se acendera, fazendo com que eu parasse de gritar e meus olhos se fechassem por alguns instantes.
A imagem de um homem desconhecido, magro e alto estava diante de meus olhos. A cicatriz que havia no rosto do alto rapaz era extravagante e macabra.
Meu desespero havia aumentado, mas minha voz havia sumido por conta do imenso medo. Não consegui olhar ao redor, não tinha coragem de desviar o olhar, pois não sabia do que ele seria capaz e nem o que queria comigo.
– Se for boazinha, logo poderá andar solta pelo porão. – Aquele sorriso de felicidade formado por aquela boca larga de lábios finos, acentuava o olhar de louco que ele carregava. – Agora vou te soltar, pois não quero que fique doente. – Havia uma mesa cheia de coisas não identificáveis sobre ela e ele pegara uma delas: Uma seringa, que continha um líquido esbranquiçado dentro. – Mas se tentar alguma coisa... – Ele apontara aquela seringa para mim, enquanto vinha em minha direção, encostando-a em meu pescoço. –Vou ter que lhe apagar novamente. – Naquele momento, me lembrei completamente de como tudo havia acontecido. – Vou lhe dar duas toalhas e... – Ele se afastara novamente, indo em direção a mesa, a onde pegara uma caixa. – E vestirá isso! – Aquela expressão de felicidade incondicional não saía do rosto do rapaz. Da caixa, ele tirara algo branco, que estava embalado em um plástico. – É tão bom saber que você é um anjo! Tão caridosa que doa suas roupas para o leilão. – Meu uniforme de Genie saíra de dentro do plástico, o que fizera com que eu arregalasse meus olhos. – Assim que você sair do banho e secar-se, o vestirá e cantará para mim. – Ele roçava e cheirava intensamente o uniforme, porém seu olhar continuara fixo em minha direção. O que mais me assustava, era notar que ele nem ao menos piscava.
Quando a noite cair, não estarei mais aí para ouvir as suas palavras tolas.
Por que você está com medo de sentir? Por que você é alérgica a sonhar?
Nós perdemos a cor, pois você é alérgica ao amor...
Me deparava com a minha imagem refletida em um espelho pequeno e manchado. Enquanto ajeitava lentamente o chapéu em meus cabelos úmidos, tentando tomar coragem para sair daquele sujo e pequeno banheiro.
– É melhor minha idol sair logo daí ou terei que arrombar a porta. – Como acabei nesta situação? Por que é que eu não acordo? Por que tem que ser real? Por que...? Agora sei que há sentimentos piores do que um amor não correspondido. Há sempre um pesadelo maior, um pesadelo que supera as dores de um amor.
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