Mirror Of Paradise

6 Capítulo 06: Um final


Uma semana já havia se passado, mas por mais estranho que pareça, eu já estava acostumada ao cativeiro. Não estava sendo abusada, apenas estava sendo usada como um objeto de admiração, o que de fato sempre fui para meus fãs.

Claro que não queria continuar presa, porém a TV que havia no porão me enchia de esperanças: A polícia estava á minha procura.

- TaeYeon-noona, voltei com biscoitos! – Ele sentou-se frente a mim, deixando os biscoitos sobre a pequena mesa. – Cante mais um pouco para mim, enquanto comemos! – Mesmo que ele fosse louco, a felicidade dele demonstrava o quanto eu fazia todos os meus fãs felizes e isso me dava forças para lutar, para manter-me firme.

O sequestro fora uma forma de ajuda, ajudou-me a enxergar melhor as coisas que estavam acontecendo comigo, o mundo. Eu não tenho que sofrer por amor ou por não corresponder este mesmo sentimento, pois da mesma forma que eu tenho fãs que se sentem felizes apenas ouvindo a minha voz, SeoHyun e Stephanie também têm.

- Ei, Wook-Sshi. A polícia já es... – Fui interrompida por um forte som de soco sobre a mesa.

- Eu mandei você cantar! – O jeito agressivo com que ele se portava sempre me assustava. Mas desta vez, eu não hesitei:

- A polícia está á minha procura, Wook-Sshi! – A forma com que ele reagiu ao meu tom de voz exaltado, me surpreendera. A expressão agressiva tornou-se uma expressão de medo, fazendo com que ele se curvasse, mostrando a verdade. A verdade do quão vulnerável era frente a mim. – É melhor você me libertar, antes que fique pior para você. – Eu havia pronunciado as palavras lentamente, de forma com que eu sentisse que ele poderia compreender-me. O olhava fixamente, esperançosa, mas não o deixe perceber este sentimento.

- Eu lutarei, noona! – Ele se levantara, posicionando-se como um guerreiro, um samurai. – O amor que sinto por você é real! Não há nada que vença o amor!

- Eu quero ser livre, WookIseul. – Suspirei e levantei-me. Andei em direção as escadas, por sorte não fui parada, o que me fizera continuar com mais tranquilidade.

- Não! – Ele gritara. – Você não vai a lugar algum, Kim TaeYeon. – Continuei seguindo meu caminho, subindo os degraus da escada. Podia ouvir os passos pesados e rápidos dele, entretanto não hesitei, não agora que me sentia no comando. – Eu mandei você parar! — Cessei os passos após ouvir aquele som inconfundível: O destravar de uma arma.

De imediato, me virei de frente para ele, desesperada — O mesmo desespero que senti uma semana atrás.

- Wook, abaixe esta arma. Por favor... – Minhas mãos frente ao corpo, tentavam passar paz ao rapaz.

- Você não vai me de... – Uma voz feminina e angelical gritara pelo meu nome em um tom de desespero, o que fizera aquele momento cheio de adrenalina ser interrompido.

Olhei para trás, direcionando meu olhar para cima rapidamente. Me deparei com o rosto que enchera meu coração de alivio e felicidade: SeoHyun estava acompanhada dos policiais e de YoonA. Porém, fora a única coisa que vi antes de ouvir o disparo e por instinto abaixei-me com as mãos encobrindo minha cabeça.

Os tiros continuaram, mas os gritos cheios de desespero de YoonA fizeram com que o nervosismo saísse pelos meus olhos, em forma de lágrimas. Eu queria olhar, queria ter consciência do que estava havendo. Mas o meu corpo não se movia! Mais uma vez, minha inutilidade se manifestava.

Depois de alguns segundos – que para mim haviam sido anos – os tiros foram cessados, mas não os gritos de YoonA. Meu corpo tremia insanamente e os soluços não deixavam com que o ar entrasse descentemente. Eu tentava achar forças para olhar, mas não havia força dentro de mim, não naquela hora.

- Chamem uma ambulância! – YoonA gritava com tanto desespero, com tanta força, que parecia que suas cordas vocais iriam estourar a qualquer momento. O choro descontrolado e os altos soluços, faziam com que eu chorasse ainda mais. – JooHyun-Sshi! – O tempo simplesmente parou após meus ouvidos captarem aquele nome. Eu não sentia mais medo, não sentia mais minhas lágrimas, muito menos o meu corpo.

“Não, Kim TaeYeon, não! Você está imaginando coisas e sabe disso.”

A mão que tocara meu ombro me despertara do transe:

- Está tudo bem agora, Senhorita. – o “Tudo bem” me dera coragem para olhar novamente para cima.

Meus olhos e meu coração provaram para mim mesma, que sempre não há medida para a dor e que sempre há ar suficiente para gritar.

A imagem de SeoHyun ensanguentada e desacordada nos braços de YoonA, fora a única coisa que vi antes de tudo escurecer.

POV YoonA

FLASHBACK

- Hoje eu irei com a polícia em busca de TaeYeon-unnie. – Eu e todas as outras estávamos sem dormir desde o desaparecimento de TaeYeon e todas as nossas atividades haviam sido canceladas.

Nós passávamos vinte e cinco horas orando, passando energias positivas, para que TaeYeon unnie voltasse logo e que estivesse sã e salva.

Mas os policiais não davam informações, não diziam nem ao menos as pistas que encontravam pelo longo da busca! O que só aumentava o desespero de todas nós. Nós não conseguíamos sequer beber um gole d’água sem engasgar ou regurgitar.

Todas já estavam fracas e cansadas de tanto chorar, mas não havia descanso.

- Não aguento mais essa espera, essa angustia! – Dei um forte soco sobre a mesa, que estava em volta de mim e de todas.

- Sei o quanto é ruim não termos as noticias que queremos, YoonA-Sshi. Mas é arriscado! Pelos nossos fãs, não devemos nos arriscar, já basta a leader! – Por um lado SooYoung estava certa. Entretanto, eu já havia me decidido.

- Eu vou com você, unnie! – Decidiu-se SeoHyun, entre soluços.

JooHyun é a que mais aparentava sofrer com o sumiço de TaeYeon. Ela não chorava tanto, mas era a que mais se dedicava a rezar, a que mais tentava dar força a todas nós. Ela se preocupada com as outras e sempre que sentia que suas forças estavam acabando e que precisava chorar, trancava-se no banheiro ou em seu quarto, para não nos desmotivar.

YuRi também queria ir, mas decidi que só SeoHyun iria comigo. Ela não perdia a calma com facilidade, não como YuRi. Desta forma, poderíamos seguir a busca com tranquilidade e sem exaltações.

Haviam duas viaturas fazendo a busca, SeoHyun e eu decidimos ir em carros separados, para que pudéssemos ajudar com mais intensidade na busca.

Rondamos alguns bairros que estavam na listas de suspeito e entramos em casas, ficamos nisso por horas, até chegarmos a nossa pista final:

- Fique calma, Hyun-Sshi. – Segurei firmemente a mão de SeoHyun.

Estava tentando buscar tranquilidade, a tranquilidade que SeoHyun estava me passando. Sei que nessas horas é errado tentar competir, mas eu queria ser a mais durona, a mais forte naquele momento e estava tendo dificuldade graças a ela.

A demora dos policiais para decidirem-se como iriam abrir a porta, fez com que eu perdesse a paciência. Fui rapidamente até a porta, dando um forte chute, que sem muito esforço derrubou a porta.

- Foi fácil! – Por um instante me descontrai. As mãos em minha cintura davam o toque final para a minha pose heróica.

- Eu deveria deixá-la presa dentro do carro, garota. – Um dos guardas barrigudos me encarou, tomando a frente e adentrando a casa logo depois.

Eu fui logo atrás, sem nem ao menos esperar a mais nova. Talvez estivesse com um pouco de inveja por ela ser mais forte e calma do que eu.

- Ei, aquilo é um porão? – SeoHyun havia observado bem.

Assim que abrimos a porta, nos deparamos com uma cena desesperadora: Uma arma apontada em direção de TaeYeon. Não sabia se ficava aliviada ou não, mas antes que eu pudesse me decidir, Seohyun se exaltara, fazendo com que o “mau-caráter” notasse a nossa presença.

“SeoHyun, obrigada por mostrar que também se descontrola.” Foi a única coisa que pensei antes de notar a arma sendo direcionada para a mais nova! De imediato eu gritei, porém o meu grito não fora capaz de parar o tiro, que acertara em cheio a barriga de SeoHyun.

- Não! – Berrei com todas as minhas forças, sentando-me no chão, inúmeras lágrimas brotaram em meus olhos como se viessem do nada. Eu apenas pensava em segurá-la e fazer com que essas lágrimas inúteis possam servir para algo e que possam curá-la.

A abracei com toda a força que tinha, o sangue quente que saía do ferimento infiltrava-se em minha roupa, ensopando-a. Eu gritava em busca de autocontrole, em busca de um milagre! Eu não conseguia acreditar no que havia acontecido, não conseguia acreditar que não pude protegê-la, não pude atirar-me na frente dela! Por que não fui eu quem gritou? Por quê?!

Quando me dei conta, aquele indigente já estava espatifado sobre o chão. Um leve sorriso formou-se em meus lábios, sentia-me vingada, mas ainda desejava que viesse algo bem pior para ele no outro mundo.

- Chamem uma ambulância! – Eu gritava com força, na esperança de que a cura aparecesse em minhas mãos, na esperança que o tempo pudesse voltar. – JooHyun-Sshi! – Eu não sabia se ela estava viva ou morta e na verdade, eu nem queria saber... Eu queria apenas voltar no tempo! Se ao menos eu pudesse estar no lugar dela, se ao menos eu pudesse fazer tudo isso parar.

Para a minha surpresa, a ambulância chegou rapidamente. Não desgrudei de SeoHyun nem no instante em que ela fora colocada sobre a maca. TaeYeon estava desacordada, mas também fora atendida. A dor e o medo de perder a Maknae era tanto, que eu nem ligava se a mais velha estava bem, mal, viva ou machucada. Meu foco estava inteiramente em SeoHyun, inteiramente na vida dela, na saúde dela.

O sangue já havia sido estancado e os aparelhos já estavam ligados a ela.

SeoHyun estava viva, mas o seu pulso era fraco, o que só me deixava mais sufocada.

Minhas mãos apertavam as dela e o meu olhar estava fixo naquele rosto, que me fazia pensar: “Como serei capaz de viver sem olhara para você, SeoHyun? De onde tirarei forças?”

Quando vi os olhos de SeoHyun esforçando-se para abrirem-se, senti uma sensação tão boa, como se tivesse saído de um buraco cheio de espinhos e pudesse voar.

- Por favor, Hyun-Sshi. Abra os olhos! – Não sabia da onde tirava tantas lágrimas, mas chorei ainda mais.

Os olhos de SeoHyun abriram-se, fazendo com que eu sorrisse de um jeito que nunca havia sorrido antes. Ela estava dispersa e seus batimentos ainda eram bem fracos, porém eu não ligava para mais nada, apenas para aqueles olhos.

- Unnie... – Sua voz saíra rouca e quase inaudível. Meu coração parecia que ia explodir, a emoção era tamanha.

- Não se esforce, Hyun! – Uma de minhas mãos se direcionou para aquelas bochechas apalpáveis. Deslizei minha mão delicadamente, tentando fazer carinho. – TaeYeon — unnie está a salvo, graças a você, a sua ajuda!

- Fico feliz... – Ela deu um leve sorriso, um sorriso quase não identificável. Ela olhou para meus olhos e de repente, a sensação de medo e dor voltaram a possuir-me. – Eu amo todas vocês demais...

- Pare, Hyun! – Minhas mãos começaram a tremer e meu estomago começou a revirar. – Pare, por favor... – Por mais que eu não quisesse acreditar, por mais que eu lutasse para evitar aquilo, eu já sabia...

- Mesmo que eu não esteja aqui em carne e osso, eu vou estar sempre com vocês. – O barulho que a maquina fizera para sinalizar a falta de pulso, fez com que eu desmoronasse sobre o chão.

Notas finais
Eu chorei tanto para escrever... ;; Sinto que perderei todos os meus leitores.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.