Mirror Of Paradise
4 Capítulo 04: Consequências
Notas iniciais
– Ninguém está mais aguentando suas atitudes, TaeYeon. Ninguém! – Jessica gritara com toda a força que tinha, enquanto tentava inutilmente soltar-se dos braços de SooYoung.
– Mas o que é que está acontecendo aqui? – HyoYeon chamou minha atenção. Ela saíra do quarto acompanhada de SeoHyun, que desesperadamente viera ajudar-me.
– Unnie, você está machucada! Vamos cuidar disso. – SeoHyun pegara delicadamente em minha mão, mas foi parada pelos gritos de Jessica.
– Pare de protegê-la, JooHyun! Ela não é um anjinho, não. – A garota alta apertou uma de minhas mãos, voltando o seu olhar para Jessica.
– Pare você, Ssica-unnie! Violência não resolverá nada! – SeoHyun não levantara a voz, continuara calma. – Vamos, unnie. — me puxara, levando-me até um dos banheiros.
– Unnie, não fique pondo a mão! Tome – Ela colocara um pano molhado sobre o canto de minha boca. – Segure o pano fazendo um pouco de pressão.
O jeito que SeoHyun cuidava de mim partia o meu coração. Mesmo sofrendo, ela não deixava de estender a mão, não deixava o sentimento de dor atrapalhar as outras pessoas. Ela não é egocêntrica... Ela não é como eu.
– Baby... Eu... – A envolvi em meus braços fortemente e deixei os sentimentos saírem, assim como as lágrimas em minha face.
– U-Unnie... – Pude sentir o corpo de SeoHyun estremecendo. – Você deveria estar estancando o sangue e não chorando em meus braços!
– E você deveria estar na cadeira de rodas, quem pensa que é pra me dar ordens?- Não conseguia cessar as lágrimas, eu queria morrer. Sou uma pessoa tão cruel e insensível... – Escute... – Inclinei minha cabeça para cima, para que pudesse ter uma visão melhor do rosto de SeoHyun. Respirei fundo e continuei:
– Se eu não amasse a Stephanie, você seria a garota que roubaria o meu coração. – Minhas palavras foram sinceras.
Senti meus ombros serem empurrados com força para trás, com o susto segurei-a fortemente, desequilibrando-a, caindo juntas sobre o chão.
Por alguns segundos, SeoHyun permaneceu por cima de mim, ambas sem reação.
– Baby, sinto muito... – Só agora havia notado os detalhes em gesso no teto. – Não queria te assus... – SeoHyun levantara rapidamente, olhando-me com uma expressão aparentemente furiosa.
– Por que me disse uma coisa dessas, Kim TaeYeon? – Gritara. – Eu lhe perguntei algo? Não! – Ela dera as costas para mim, mas antes que ela pudesse por as mãos na maçaneta, levantei-me indo segura-la.
– Eu ouvi você e a HyoYeon... – Meus dedos apertavam fortemente aquele braço magro. – Como consegue disfarçar a dor? Como consegue olhar para mim?
Pude sentir a respiração forçada e o esforço para mover o rosto em minha direção.
– Eu posso estar sangrando por dentro, mas... – As lágrimas que faziam os olhos da mais nova brilharem, agora escorriam umedecendo as bochechas rechonchudas. – Mas ninguém pode ver. Então para que... – Ela abaixara a cabeça, fazendo com que seus longos e lisos cabelos ocultassem a face chorosa – Para que deixar os outros saberem, se posso disfarçar a dor?
Engoli a seco e por alguns segundos, permaneci em silencio, pensando no que poderia dizer, as idéias eram fracas:
– Eu me preocupo com você, Hyun. Não só eu, mas todas. – A abracei fortemente, encostando meu corpo nas costas de SeoHyun. – Você é a que mais me preocupo, me dói lhe ver assim. – Mordi meu lábio inferior, tentando desesperadamente conter as lágrimas — ... Ainda mais sabendo que sou a causadora de seu sofrimento.
A alta SeoHyun tirara minhas mãos delicadamente em volta dela, virando-se de frente para mim, mostrando-me sua face molhada:
– Eu quero que Fany-unnie retribua o seu amor, unnie. Quero que fique com quem você ama! – Os olhos encharcados de SeoHyun estavam fixos nos meus. – Não se preocupe comigo, pois o seu sorriso me fortalece. – Desviei o olhar dos olhos da mais alta para minhas mãos, que agora eram seguradas e apertadas fortemente. – Lute por ela, unnie. – As palavras de SeoHyun fora como uma lamina, que passara lentamente pelo meu coração, rasgando-o dolorosamente.
Não conseguia mais prender os soluços, nem o meu choro “escandaloso”. Meus sentimentos eram uma mistura de culpa, pena, amor. Queria poder deitar minha cabeça em um travesseiro macio e permanecer lá, dormindo para sempre, em paz.
A comida arranhava minha garganta como se fosse um pedaço de pedra, nem o leite ajudara na descida.
O clima estava péssimo, e o silencio fazia com que eu achasse que entraria em pânico a qualquer momento.
– Podíamos ir a um fast-food hoje. – YoonA quebrara o silencio, sendo seguida por SooYoung, que apoiara a idéia.
– Não é porque temos um dia de folga, que vamos resolver encurtar nossas vidas por gula! – SeoHyun estava concentrada demais para encará-las enquanto dava a bronca, ela estava colocando delicadamente os vegetais em seu pão integral.
– Hyun, pare de agir como uma ajumma! – Sunny usara seu tom de provocação, para constranger a mais nova.
– Deixe a baby em paz, Sunny-ah! – YuRi bagunçara o cabelo da baixinha, fazendo com que todas dessem uma gargalhada – o que havia sido ótimo -.
– Se vocês querem morrer, vão em frente. – SeoHyun finalizara seu lanche colocando mais uma fatia de pão por cima dos vegetais.
Stephanie chamara minha atenção arrastando sua cadeira para levantar-se, dirigindo-se a pia. Ela estava muito séria, de cara fechada e eu sabia que era por minha causa e por um lado estava gostando de vê-la assim, pelo meu lado vingativo e cruel.
– Aposto que você morre antes de mim, sua velha! – Voltei meu olhar novamente para Sunny, que fazia um gesto obsceno com a língua para a garota alta, o que me constrangera por causa do beijo que havíamos dado.
Depois de comer, decidi que deveria conversar com Stephanie, esclarecer as coisas, perguntar o que ela havia visto. A observei secando a louça, enquanto esperava as outras se retirarem e pensava no que deveria dizer primeiro.
– A mesa do café da manhã estava muito fofa, foi você mesma quem fez? – O tom frio de Stephanie, fazia com que meus pelos arrepiassem. Quando meus lábios se entreabriram, soltando o ar para que eu pudesse falar, ela acrescentou – Pensei que Sunny-Sshi é que tivesse preparado, estava à cara dela. – Engoli a seco, enquanto sentia meus membros gelarem. Não entendia porque estava tão nervosa, afinal eu tinha consciência de meus atos. – Acho que dividir o mesmo quarto deve misturar muito os gostos, não é? – A garota que vestia um moletom rosa de número maior que o apropriado, dirigiu-se até o armário, com rapidez. Sua brutalidade para abri-lo fora perceptível.
– Foi você quem disse que não queria nada comigo por eu ser mulher, Stephanie. – Meu gaguejar acabava com a seriedade do meu tom de voz.
A garota de longos e ondulados cabelos negros virara-se para mim, fuzilando-me com seus olhos obscuros e raivosos.
– Se me amasse realmente, teria ficado trancada no quarto chorando. Ou melhor, — Ela se aproximara de mim, puxando-me pela gola de minha blusa – Deveria lutar por mim. – Ela me soltara, impulsionando-me para trás.
– Acontece que eu fiz as duas coisas, e não deu certo! – Bati um de meus pés no chão, a pancada fora amortecida pela pantufa de ovelha que aquecia meus pés do chão gélido. – Eu não sou palhaça, Stephanie. Muito menos obcecada.
– Oh, não é obcecada? Você tentou abusar de mim! – Ela se aproximara de mim, encostando as pontas de suas pantufas nas minhas.
– Sentir atração, não significa que eu seja obcecada por você, querida Stephanie. – Pude sentir o sangue fervendo por todo o meu corpo, meu sentimento era de raiva. – Nota a diferença? – Uma de minhas mãos direcionou-se para o queixo dela, apertando-o com meus dedos, fazendo com que eu controlasse a rotação da visão dela.
– Tire a mão do meu queixo. – Ela rosnou.
– Oh, a cachorrinha ficou nervosa. – Sorri maliciosamente, enquanto apertava cada vez mais forte.
Pude ouvir os estalos dos dedos finos de Stephanie, o que fizera com que eu risse descontroladamente, perdendo completamente o ar e consequentemente tirando a mão do queixo da mesma.
– Eu vou te esfaquear. – Murmurou, enquanto abria a gaveta, sem dar as costas para mim.
– Pode vir, Stephanie. Assim fica mais fácil de beijar. – Estava difícil manter a seriedade com o ataque de risos.
Mas meus risos duraram pouco, pois ela realmente pegara uma faca e partira em minha direção:
– Tiffany! – Gritei desesperadamente, trombando com a mesa na tentativa falha de fugir.
– Eu avisei, Kim TaeYeon. – O corpo da mesma colara no meu, mas o meu olhar estava fixo na faca que estava levantada no ar.
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